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  • COM0763: Trabalho Feminino no Campo e Conservação Ambiental do Semiárido: Um Estudo nas Comunidades Baixio Grande (Assaré) e Mocotó (Várzea Alegre)
  • SECÇÃO: Ambiente e Sociedade
  • MESA: Ambiente e desenvolvimento
  • RESUMO:
    O objetivo desse trabalho consiste em apresentar a experiência vivenciada por mulheres nas comunidades Baixio Grande e Várzea Alegre, localizadas no Semiárido cearense, que por meio de suas atividades produtivas introduziram em suas comunidades novas maneiras de garantir uma vida digna nessa região e preservarem o meio ambiente. Com o intuito de alcançar o objetivo proposto foram realizadas observação participante e entrevistas semiestruturadas. A análise dos dados foi feita utilizando a triangulação das informações. O Semiárido, devido à irregularidade das chuvas, o clima seco, a exploração desordenada da terra, o desmatamento e as práticas predatórias, é uma região com alta propensão à desertificação e bastante vulnerável às atuais e futuras mudanças climáticas. As atividades realizadas pelas mulheres na agricultura familiar vêm se configurando como uma importante alternativa para a construção de sistemas produtos mais resilientes às modificações do clima. Por meio da pesquisa de campo realizada foi possível perceber que as mulheres das comunidades Baixio Grande e Mocotó, além de dinamizarem a produção agropecuária, passaram a desenvolver atividades mais adaptadas às características do clima Semiárido do que as atividades que antes eram centrais nas comunidades. Nessas atividades as mulheres estão estabelecendo um novo tipo de relação com a natureza, uma relação de respeito e cuidado. Por meio da pesquisa de campo realizada foi possível perceber uma maior preocupação em adotar práticas que respeitem os limites do meio ambiente e contribuam para a preservação da natureza e da biodiversidade. Algumas das práticas observadas foram a recuperação e proteção do solo por meio da utilização de material orgânico, a rotação das culturas e a diminuição do desmatamento da Caatinga. Dessa forma é urgente a necessidade do fortalecimento de políticas públicas que reconheçam a posição das mulheres do campo não apenas como vítimas da crise ambiental, mas sim como idealizadoras de novas estratégias de preservação da natureza e de produção sustentável.Contudo, não se pretendeu com essa pesquisa construir modelos para serem reproduzidos em outras comunidades no Semiárido. A proposta aqui é a de que, tornando visível as ações desenvolvidas por essas mulheres, possamos ampliar o debate sobre o importante papel que as mulheres tem para o planejamento e concretização de um desenvolvimento justo, includente e que preserve a natureza.
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  • COM0690: O impacto da agenda da excelência académica na redefinição dos modos de trabalho dos professores
  • SECÇÃO: Sociologia da Educação
  • MESA: Tensões e reconfigurações da instituição escolar (Sessão III)
  • RESUMO:
    Sob a influência do paradigma neoliberal e, em particular, de uma agenda focada na excelência académica, as políticas educativas portuguesas têm procurado responder aos elevados parâmetros de exigência globalmente definidos, promovendo restruturações no sistema escolar que se fazem sentir com particular acuidade no ensino secundário, como expressa o Decreto-Lei nº 75/2008, em articulação com outros dispositivos legais, como o contrato de autonomia, a liberalização da matrícula, a avaliação interna e externa das escolas, a implementação de exames nacionais, a racionalização da rede escolar. Os critérios de excelência, não dependendo apenas de fatores exógenos (formais e informais), vão exigir a implementação de processos no interior da organização escolar, de complexidade crescente, com o objetivo de melhorar o seu desempenho ao nível dos resultados. Neste sentido, as escolas e agrupamentos escolares vêm-se pressionadas a operar transformações a vários níveis (organizacionais, pedagógicos e culturais), com consequências que estão a redirecionar a sua missão e, com particular incidência, os modos de trabalho dos professores. A partir de uma abordagem qualitativa sustentada num estudo de caso realizado numa escola secundária, integrada num mega agrupamento escolar da região norte de Portugal, foi possível constatar alterações significativas nos modos de trabalho dos professores, com diferentes incidências nas várias dimensões (objetivas e simbólicas) do quotidiano pedagógico. Com base no registo de testemunhos recolhidos no âmbito de três grupos de discussão realizados a professores (n=16), verificou-se que a quase totalidade destes atores apontaram alterações relacionadas com o aumento do tempo dedicado à profissão, dividido entre trabalho pedagógico e burocrático, por força de uma ordem superiormente imanada e formalmente imposta. O trabalho desenvolve-se nas infraestruturas institucionais e para além desta fronteira, para se estender num raio que interceta o perímetro da sua habitação e, por vezes, ultrapassa os limites geográficos nacionais. A maioria dos professores deu conta de alterações qualitativas derivadas da complexificação e diversificação do trabalho desenvolvido, derivado da intensificação de interdependências múltiplas relacionadas com a interação dos pais e/ou encarregados de educação, dos alunos e outras entidades particulares públicas ou privadas, com repercussões significativas na identidade profissional do professor.

ABONIZIO, Juliana

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  • COM0581: Pet e ração vegetal: paradoxos da dieta vegana aos animais domesticados
  • SECÇÃO: Sociologia do Consumo
  • MESA: Consumo ético e sustentável
  • RESUMO:
    Com as descobertas científicas e o despertar para novas sensibilidades, assistimos a uma intensificação do debate sobre a inserção dos animais na vida moral da sociedade e ao crescimento de movimentos sociais que tem a causa animal como bandeira. Uma das formas de ativismo que cresce atualmente em número e visibilidade é a prática do veganismo autointitulada abolicionista que, diferindo de outros movimentos, como os protecionistas e bem estaristas - que são criticados por não romperem com a dominação especista - defende a libertação de todos os animais da dominação humana através, principalmente, da recusa de consumo. Os veganos abolicionistas defendem a libertação animal e boicotam o consumo de produtos que tenham ingredientes animais ou que tenha causado qualquer tipo de sofrimento animal em sua produção, mas enfrentam um dilema ético ao alimentar outros animais, que, pela situação de domesticação em que se encontram, dependem do ser humano para a sobrevivência. Assim, seria ético comprar ração feita de ingredientes animais para o consumo de outros animais? Isso contraria o princípio do movimento? Seria correto impor uma restrição dietética baseada na conduta moral a um animal doméstico e obriga-lo a uma dieta vegana? Como as empresas que produzem ração vegetal aproveitam desse paradoxo e veiculam seu produto? Para responder tais questões, analisamos a publicidade de marcas de ração vegetal e, através de uma etnografia dos espaços virtuais, analisamos centenas de postagens e discussões virtuais sobre o tema. Os resultados obtidos apontam para uma remarcação da fronteira que separa e aproxima a animalidade da humanidade, ao inserir os animais na dimensão ética que caracteriza, para os humanos, o ato de comer, transcendendo em muito a busca por nutrientes.

ABRANTES, António

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  • COM0600: Autonomia Profissional dos Técnicos de Radiologia em Portugal
  • SECÇÃO: Trabalho, Organizações e Profissões
  • MESA: Género, Profissões e regulação institucional das relações de trabalho I
  • RESUMO:
    A grande complexidade da prestação de cuidados de saúde implica aspectos muito precisos na organização e divisão do trabalho. Estas divisões e subdivisões estão cada vez mais presentes no panorama dos cuidados de saúde, uma vez que as áreas de intervenção se vão multiplicando e alargando, devido à crescente especialização, impondo cada vez maior complexidade na praxis das profissões emergentes na área da saúde. A grande complexidade imposta pelos limites da tecnologia e o seu constante avanço, empurram as profissões da saúde, cada vez mais, para um corpo de saberes diferenciado que dificilmente se coadunará com os modelos impostos pela profissão dominante. No caso da Radiologia a estreita relação de trabalho entre os técnicos de radiologia e os médicos especialistas em radiodiagnóstico pode condicionar a autonomia dos técnicos de radiologia sobre as funções que lhe são conferidas. De acordo com os modelos da distribuição do trabalho na sociedade portuguesa, em particular na área da saúde, importa compreender a evolução da profissionalização dos técnicos de radiologia. A autonomia, fundamental para a posse do poder sobre o exercício das suas praticas profissionais, não a dissociando das restantes como uma das fontes de poder profissional, por analogia podemos assumir que a inexistência ou falta dela coloca em causa esse mesmo poder. Através de um estudo descritivo-correlacional definido segundo um desenho explicativo, aplicado a Técnicos de Radiologia, enquadrando a análise de Freidson no que concerne às fontes do poder profissional e ainda o contributo advindo dos trabalhos de Larson, Maurice, Parson e Hughes,, procuramos compreender a percepção que estes profissionais têm sobre as vantagens da autonomia e do poder sobre o seu próprio trabalho, que lhe foram sedo conferidas pelo conhecimento. Como principal conclusão deste estudo, para estes profissionais, se autonomia for entendida como a capacidade de realizar perfeitamente as funções a si já pertencentes, sem qualquer tipo de supervisão, aplicando o melhor do conhecimento teórico à prática mais correta, então os técnicos de radiologia podem conquistar autonomia, e por sua vez mais poder profissional, explorando mais as suas tarefas que não se restringem às delegações médicas, num espaço consagrado entre as responsabilidades clínicas e as responsabilidades técnicas.
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  • COM0629: O Comportamento Informacional na prática de cuidados de saúde- O caso particular da Radiologia
  • SECÇÃO: Trabalho, Organizações e Profissões
  • MESA: Género, Profissões e regulação institucional das relações de trabalho II
  • RESUMO:
    Com a evolução das sociedades tecnológicas, assistiu-se também a um aumento exponencial da quantidade de informação disponível, e da necessidade de utilizar essa informação na prestação de serviços de qualidade. A área da saúde não é excepção! Profissionais como os Técnicos de Radiologia vêem-se, no decorrer da sua prática clínica, deparados com necessidades informacionais variadas. Tais necessidades ocorrem, habitualmente, por duas razões fundamentais. Sem pretender hierarquiza-las, uma decorre da constante evolução da tecnologia que utilizam diariamente na sua práxis conjugada com a necessidade de prestar mais e melhores cuidados, por outro lado, o ponto a que a medicina chegou nestas ultimas décadas exige aos profissionais um conhecimento muito vasto, mas fundamental para melhor utilizar a tecnologia à sua disposição. Assim, através deste estudo, numa perspectiva Durkheiniana de interacção entre sociedade e educação, desocultámos as necessidades e o comportamento informacional do Técnico de Radiologia resultante dos desafios que a prática profissional lhes coloca em cada momento. O estudo realizado insere-se predominantemente numa metodologia quantitativa, e é, sobretudo, do tipo descritivo. O instrumento utilizado foi um questionário, que objectivou, através de 33 perguntas, dar a conhecer os hábitos dos Técnicos de Radiologia face às necessidades de informação. Através deste estudo foi possível concluir que a informação científica constituem um elemento fundamental da prática profissional dos Radiologistas portugueses, sendo que, cada vez mais, estes sujeitos recorrem a uma atitude baseada na indagação, de forma a justificar as suas acções profissionais com bases científicas. Ainda assim, no que respeita à utilização de resultados de investigação científica há ainda um caminho a percorrer.

ALBUQUERQUE, Adriana

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  • COM0205: Educação, integração e equidade: trajetos de jovens afrodescendentes no ensino superior
  • SECÇÃO: Sociologia da Educação
  • MESA: Territórios educativos e (re)produção de desigualdades, exclusões e inclusões (Sessão I)
  • RESUMO:
    Em Portugal, como na Europa, a integração dos descendentes de imigrantes constitui um dos principais desafios das políticas públicas, nomeadamente na esfera das oportunidades educativas. A presença significativa desta população nas grandes zonas urbanas, em particular com origens africanas, tem marcado a pesquisa sociológica dos últimos anos: sabe-se hoje que os caminhos percorridos por estas crianças e jovens no sistema educativo português são especialmente pautados pela irregularidade e pelo insucesso. Pouco é sabido, contudo, acerca dos trajetos educativos destes estudantes, ou do seu acesso e inclusão, no ensino superior. Esta realidade sociológica emergente constituiu o foco da investigação do projeto "Caminhos escolares de jovens africanos (PALOP) que acedem ao ensino superior" (ACM/FEINTP). A presente comunicação optará por uma abordagem intensiva/qualitativa à questão das desigualdades de acesso ao ensino superior dos afrodescendentes, baseando-se na análise de 17 entrevistas biográficas conduzidas em 2015 a jovens afrodescendentes que acederam ao ensino superior, apesar de condições socioeconómicas de partida adversas – os chamados “trajetos escolares de contratendência”. A análise destas entrevistas permitiu a construção de uma tipologia de caminhos/trajetórias de contratendência possíveis, a partir de quatro dimensões de análise fundamentais: i) as origens sociais e os contextos doméstico-familiares; ii) os estilos, estratégias e projetos educativos das famílias; iii) os contextos de sociabilidade e socialização extrafamiliares e escolares; iv) os trajetos, sentidos e contextos escolares até à entrada no Ensino Superior. Foram identificados quatro perfis diferenciados: casos em que a família se tornou mais decisiva na materialização do “caminho improvável” (padrão 1 e 2, conforme se trata de estratégias específicas ou da presença de condições sociais relativamente favoráveis, respetivamente); situações em que foi mais decisiva a esfera extrafamiliar, como a escola, as redes de sociabilidade ou os recursos comunitários (padrão 3); e casos, menos frequentes, em que verificámos tratar-se essencialmente de uma estratégia de mobilidade internacional (padrão 4). O entendimento das nuances que compõem a experiência escolar pré e pós-superior dos jovens afrodescendentes com condições socioeconómicas menos favoráveis poderá contribuir para o desenho de políticas educativas mais adequadas, e direcionadas aos desafios concretos enfrentados por este público, nomeadamente ao nível dos apoios sociais e da orientação escolar.

ALLEGRA, Marco

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  • COM0324: Experts in context. Making sense of policy expertise
  • SECÇÃO: Conhecimento, Ciência e Tecnologia
  • MESA: Territórios e inovação
  • RESUMO:
    Most of contemporary policy issues are dealt with through the mobilization of experts’ knowledge. This invites us to reflect on a crucial democratic and theoretical question: To what extent the role of policy experts (i.e. non-elected professionals who apply “a particular body of knowledge, skills and techniques to the problems confronting [their] client”, Fischer 2009, 18) extends beyond the narrow boundaries of their professional training, and their agency implies a strategic use of professional knowledge and status? The focus of the paper – informed by a constructivist and practice-oriented approaches to policy analysis – will be largely theoretical and methodological; however, as this reflection develops in the context on a research project on the Programa Especial de Realojamento (exPERts; FCT, Ref: PTDC/ATP-EUR/4309/2014; see http://expertsproject.org/) our main research interests point to the fields of planning, urban governance, and housing policy. Policymakers dealing with complex, technical issues might hire policy experts; but to what extent does the experts’ role extend beyond the boundaries of their professional training? And to what extent do they make a strategic use of their professional knowledge and status to steer the policy process? A vast literature has described policy experts as mediators “operating between the available analytic frameworks of social science, particular policy findings, and the differing perspectives of the public actors” (Fischer 2009, 11). However, the role of experts in the policy process has been largely addressed through a normative orientation aimed at the identification of a set of “good professional practices” – including deliberative practices. Policy experts, however, also play a less visible and inherently political role in the policy process, which is not formally sanctioned nor budgeted (and therefore goes largely unnoticed by standard policy evaluation procedures), and at the same time largely removed from a narrow understanding of their professional role (i.e. adhering to professional and procedural standards). In other words, experts might join the policy arena because of their mastery of some form of technical knowledge; their agency, however, is also deployed through practical judgments, coalition-building, lobbying, and political activism and, in general, a strategic use of their professional knowledge and status; in turn, their contribution to the policy process and should be judged against the sociopolitical environment in which they operate, and the full spectrum of the implications of their work. Fischer, Frank. 2009. Democracy and expertise: Reorienting policy inquiry. Oxford: Oxford University Press.

ALMEIDA, Paula Freitas de

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  • COM0351: A flexibilização da jornada de trabalho no Brasil: a aceitação da compensação anual nas negociações registradas no DIEESE no período 2000-2013
  • SECÇÃO: Trabalho, Organizações e Profissões
  • MESA: Relações de trabalho, empresas e globalização - I
  • RESUMO:
    Esse trabalho pretende identificar os resultados das negociações coletivas sobre a compensação anual da jornada de trabalho (banco de horas) realizadas pelos sindicatos profissionais brasileiros. Serão consideradas as cláusulas registradas no Sistema de Acompanhamento das Contratações Coletivas do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (SACC-DIEESE) no período de 2000 à 2013. Parte-se da hipótese que no universo das mais de 500 cláusulas pesquisadas, distribuídas pelas 5 regiões do país, os sindicatos não conseguiram agregar melhores condições ao uso do banco de horas do que aquelas já definidas em lei, somente repetindo a lei, quando considerado: (i) se o prazo para a concessão de folga compensatória foi negociado, (ii) se foram colocados limites à quantidade de horas que podem ser acumuladas para compensação futura, (iii) se há multa pelo seu descumprimento, (iv) quem define as folgas, e, (v) quantas horas de folga são concedidas por cada hora de trabalho no banco de horas. Esses resultados parecem expressar o processo de flexibilização das relações trabalhistas no Brasil, particularmente no que diz respeito à jornada de trabalho definida na Constituição Federal (CF/88), artigo 7 como jornada normal de trabalho de 8 horas diárias e 44 horas semanais que podem ser compensadas se isso for negociado, mediante o exercício do princípio da autonomia privada coletiva. A flexibilização da legislação é aqui considerada como a criação de novas leis que ampliam as possibilidades de usos do trabalho para além dos limites de proteção social do trabalhador próprias do Welfare State. Em termos de jornada de trabalho, pode ser identificada na criação do banco de horas pela lei 9.601, de 1998, que incluiu na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), artigo 59, §2, a compensação anual de jornada, caracterizada pela prorrogação da jornada de trabalho para compensação por folga futura concedida em até um ano. Em geral, a contratação desses “novos direitos” fica condicionada à participação do sindicato na negociação coletiva. É seu papel assegurar que não haverá exacerbação do poder diretivo do empregador e que haja condições de trabalho mais favoráveis ao trabalhador que aquelas estabelecidas nas novas leis. Parte-se da premissa de que os espaços nacionais se tornaram transnacionais com a globalização econômica, passando a pressionar as entidades sindicais dos países integradas ou não nas cadeias globais de valor. Antes, tendiam ao fortalecimento pela ampliação da representação nacional, agora, a capacidade negocial é desarticulada frente ao capital e ao Estado pela queda da densidade sindical, pela fragmentação da sua representatividade para espaços cada vez mais locais e pelo fluxo de capital na cadeia global de valor.

ALMEIDA, Pedro Miguel

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  • COM0602: Dilemas e desafios das políticas imigratórias: como conciliar o controlo dos fluxos migratórios e o respeito pelos valores humanitários? O caso europeu.
  • SECÇÃO: Globalização, Política e Cidadania
  • MESA: Periferias do Sul Próximo
  • RESUMO:
    As políticas de imigração e de nacionalidade mantêm uma relação dialética com as políticas económicas, assistindo-se a uma crescente convergência entre ambas, sendo esta equação cada vez mais influenciada pelo processo de globalização. No presente contexto, as políticas migratórias são delineadas e permeadas por diversos factores, sendo o mais importante o incremento da pressão migratória sobre os países centrais fruto do agravamento das desigualdades sociais a nível global. Em virtude da agudização dos conflitos armados e das perseguições étnico-religiosas, no Médio Oriente e em regiões do continente africano, esta pressão migratória tem-se intensificado sobre o continente europeu representando uma crise humanitária sem precedentes desde o final da II Guerra Mundial. Partindo da análise dos acontecimentos dos últimos anos, em matéria de política migratória e controlo de fronteiras externas na Europa discutiremos as complexidades e contradições do moderno estado-nação e a incapacidade dos Estados, e decisores políticos, em equilibrarem a dimensão política, económica e humanitária no que se refere à gestão das migrações internacionais. Desde o Tratado de Amesterdão que a União Europeia compartilha, com os Estados-Membros, a soberania no que se refere à questão do controlo de fronteiras, asilo e políticas de migração ilegal. A UE procura construir uma política de imigração assente na articulação de diferentes dimensões, incluindo a relação com países terceiros e a integração, e no respeito pelas liberdades fundamentais dos cidadãos. Ainda que a nível supranacional sejam definidas orientações em termos da gestão dos fluxos migratórios no espaço europeu, esta é uma temática sensível que colide com a soberania nacional. Dificilmente os Estados abrem mão dessa prerrogativa. Esta posição de inflexibilidade por parte dos Estados-Membros está, muitas vezes, no cerne das dificuldades de implementação de algumas das directrizes definidas. O crescente euroceticismo e a decrescente confiança da opinião pública na capacidade dos governos em gerirem os fluxos migratórios torna esta questão ainda mais complexa. O debate acerca do modo como a UE e os Estados-membros têm lidado com esta realidade que reconhecemos ser, simultaneamente, intrincada e paradoxal, tem-se acentuado. Assistimos por um lado, a esforços de consolidação do espaço europeu, enquanto um mercado de livre circulação de pessoas, com barreiras reduzidas no caso de imigrantes qualificados e altamente qualificados, por outro a esforços de proporcionar segurança aos seus cidadãos, através da filtragem e controlo dos imigrantes indesejados diminuindo o risco que estes possam representar em termos de segurança nacional. Esta constatação coloca em evidência um dilema, e simultaneamente um desafio, a conciliação da ambição dos Estados em controlarem a entrada e circulação de pessoas com o respeito pelos valores humanitários.
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  • COM0492: A Praia de Carcavelos como praia metropolitana. Dinâmicas e vivências.
  • SECÇÃO: Territórios: Cidades e Campos
  • MESA: Outras Paisagens: Outras Práticas Sociais - B
  • RESUMO:
    Neste documento propomos explorar e analisar vivências na Praia de Carcavelos, território cascalense integrado na área metropolitana de Lisboa. Para tal, estabelecemos enfoque nos seus usos e vivência quotidiana que se demonstram ricos. A postura etnográfica e a observação directa, bem como o uso de entrevistas, foram determinantes. Destacamos como resultado a dinâmica metropolitana (Bassand et al, 2001, Martinotti, 1993) em que assentam as interacções sociais que neste espaço ocorrem. A vida quotidiana do lugar não pode ser tomada como homogénea, a sua apropriação manifesta-se em abundância de experiências distintas, miscigenada e, por isso mesmo, complexa. Os seus utentes, que desfrutam da frente de mar e dos seus diversos equipamentos, contribuem para um mosaico de interacções que se estabelece entre indivíduos distintos quanto à idade, género, etnia, classe social e oriundos de uma miríade de territórios da metrópole lisboeta. A praia é um lugar privilegiado para uma apropriação intensa dirigida a actividades lúdicas, inequivocamente uma dita “landscape of pleasure” (Hannigan, 2005), onde encontramos reunidos uma panóplia de actores sociais não apenas residentes como também aqueles chegados a ela provenientes de vários concelhos metropolitanos. Estes indivíduos reúnem-se neste espaço em concreto para fruir e usufruir não só das características cénicas do espaço, mas também para práticas de outras actividades, onerosas ou não, que podem ser engajadas de forma agregada ou individualmente. Durante o período diurno cafés, bares, restaurantes-bar e outras áreas do paredão da praia são apropriadas, com maior ou menor densidade, por indivíduos que colocam em acção práticas de lazer associadas ao consumo, interagindo uns com os outros excepto em algumas circunstâncias devidas à clivagem social; é, portanto, a regra observar indivíduos a interagir dentro de grupos pertencentes ao seu segmento social, não existindo uma interacção intensa interclassista, mas ao invés uma endogenia derivada do sentimento de pertença de classe. Na dita época balnear, torna-se uma observação comum a de indivíduos a apropriarem-se do areal e em banhos de mar. Também durante o período nocturno esta praia apresenta uma significativa afluência de indivíduos, sendo aqui a apropriação mais remetida para o interior ou para as esplanadas de diversos estabelecimentos comerciais, aliando-se práticas de lazer às de consumo nas interacções sociais que se estabelecem. Tal como o uso diurno, as interacções estabelecem-se numa perspectiva intraclassista, não ocorrendo uma coexistência coerente entre indivíduos pertencentes a diferentes segmentos sociais As nossas observações e informações recolhidas junto de informantes privilegiados comprovam de forma inequívoca a diversidade dos locais de origem dos apropriantes, quer o sejam a tempo diurno ou nocturno, realçando o carácter e dinâmicas metropolitanas.

ALVES, Mariana Gaio

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  • COM0251: (Re)territorializar aprendizagens através de processos RVCC – uma aproximação aos perfis dos adultos participantes e aos efeitos da participação
  • SECÇÃO: Sociologia da Educação
  • MESA: Trajetórias de vida e pluralidade de contextos educativos (Sessão I)
  • RESUMO:
    A comunicação proposta enquadra-se num conjunto de pesquisas em torno das articulações entre contextos de aprendizagem formais, não-formais e informais, tendo em conta que estas relações constituem um desafio premente para a abordagem sociológica da educação. Como sabemos, as dimensões não-formal e informal em educação permaneceram bastante invisíveis ao longo do tempo, o que pode ser explicado pela hegemonia da forma escolar de educação que marca as sociedades moderna e contemporânea. Todavia, nas últimas décadas, a visibilidade do não-formal e do informal em educação aumentou progressivamente, originando o reconhecimento da pluralidade de contextos educativos que se entrecruzam ao longo das trajetórias de vida dos sujeitos. Uma modalidade educativa que fortemente apela ao cruzamento da pluralidade de aprendizagens realizadas dentro e fora dos sistemas educativos em contextos formais, não-formais e informais são os processos RVCC (reconhecimento, validação e certificação de competências). A comunicação proposta toma por objeto, precisamente, os processos RVCC que foram implementados e disseminados em Portugal no início do século XXI no quadro de políticas de educação de adultos assentes no lema da aprendizagem ao longo da vida. Privilegiando um enfoque sociológico, a comunicação visa contribuir para aprofundar o conhecimento e a reflexão em torno dos perfis dos adultos que participam em processos de RVCC e dos efeitos dessa mesma participação nas vidas pessoais e profissionais desses adultos. Assim, o objetivo geral é sistematizar dados sobre as características sociológicas dos públicos inscritos em processos RVCC, bem como relativamente aos efeitos individuais e colectivos nos planos profissional, pessoal e de cidadania da participação nesses processos. Para essa sistematização, para além da revisão de estudos técnicos e literatura científica, toma-se por base, principalmente, uma meta-análise dos resultados de pesquisas doutorais sobre processos RVCC. A exploração preliminar do corpus de análise indica que foram realizadas, em Portugal na última década, cerca de 15 teses de doutoramento que concorrem para que seja possível examinar perfis dos participantes e efeitos da participação. Procura-se, através desta comunicação, contribuir para aprofundar o conhecimento e a reflexão em torno da pluralidade de territórios de aprendizagem dos adultos e sobre uma modalidade específica (RVCC) de articulação entre esses territórios.

AMELUNG, Nina

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  • COM0121: Studying ethical controversies around genetic surveillance technologies: a comparative approach to the cases of Portugal and the UK
  • SECÇÃO: Conhecimento, Ciência e Tecnologia
  • MESA: Tecnologias e segurança
  • RESUMO:
    The historical evolution of surveillance technologies has enabled specific surveillance practices and have each been accompanied by specific controversies – manifesting particular ethical concerns shaped by cultural contexts. Examples such as CCTV camera systems with facial recognition, big data as the capacity to search, aggregate and cross-reference large data sets, or biometrical identification had each specific social effects. By focusing on genetic surveillance technologies, in particular, the expanding uses of computerized databases of genetic data used to fight crime, we want to explore ethical concerns that bring challenges to a responsible governance of these technological innovations such as transparency, privacy, liberty, dignity, the presumption of innocence and the principle of proportionality, e.g. respect for the individuals’ rights and the need, under certain circumstances, to restrict these rights in order to protect the public interest of the society. Responsible governance faces the challenge of balancing between potential risks and benefits of surveillance – which are conceived differently in each country with regards to their empowering and disempowering effects. We draw on controversies which have accompanied the emergence and expansion of forensic genetic surveillance technologies in two different countries: Portugal and the UK. While UK has a long tradition with collecting and storing DNA data in a database for forensic purposes, Portugal is a newcomer in this area and only recently began to establish a forensic DNA database. Furthermore, both countries differ with regards to their civic epistemologies, the specific ways of public knowing. While UK has been characterized as the “maximum surveillance society” it also has generally experienced broad public controversy on contested technologies. In Portugal the political rhetoric emphasized the improvement of the efficacy of the justice system, and the establishment of the national forensic DNA database has been accompanied by silent public acceptance, a symptomatic companion in the Portuguese surveillance system. We will focus on how the development and establishment of forensic DNA databases aiming at surveillance and tracking of “criminal populations” in Portugal and in the UK have mobilized diverse arguments from different stakeholders. Controversies around forensic genetic surveillance technologies in both countries will be mapped by portraying positions from politicians, forensic geneticists, police, prisoners, human rights groups and citizens. We will explore how meanings attributed to genetic surveillance shape specific ethical concerns by re-examining which underlying certainty or taken-for-granted assumptions about risks and benefits become reconfigured on the basis of a multi-vocal approach.

ANDRADE GLÓRIA, Dília Maria

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  • COM0122: O aluno do ensino fundamental em meio a instâncias educativas distintas: desigualdades (im)postas no cotidiano escolar
  • SECÇÃO: Sociologia da Educação
  • MESA: Territórios educativos e (re)produção de desigualdades, exclusões e inclusões (Sessão V)
  • RESUMO:
    As políticas públicas educacionais brasileiras têm apresentado a qualidade da educação escolar para todos como eixo norteador de suas ações, com avanços relativos à descentralização e à flexibilidade da gestão administrativa e pedagógica. Nessa perspectiva, têm envidado esforços para obter maior adesão dos atores sociais envolvidos na realidade escolar quanto às mudanças implantadas. Dentre esses atores, professores e pais tendem a ser os protagonistas, em especial por suas atribuições no processo de escolarização. Todavia, trabalhos relativamente recentes no campo da Sociologia da Educação têm destacado o importante papel do aluno no cotidiano escolar. Elaborado a partir da investigação em curso intitulada “O aluno do ensino fundamental no âmbito da relação família-escola: que lugar é esse?”, este texto objetiva discutir qual tem sido o papel do aluno do ensino fundamental nos diversos territórios educativos imbricados na constituição da escola, sobretudo em face de desigualdades socioeducacionais por ele vivenciadas. Considerando que toda relação caracteriza-se como um jogo de forças ─ uma vez que socialmente construída por e entre culturas distintas e muitas vezes conflitantes ─, com os territórios demarcados para e/ou pelos diversos atores, há que se reconhecer no aluno o elo mais frágil. Mesmo que a atuação de cada ator esteja continuamente sujeita a mudanças, o aluno do ensino fundamental mostra-se dependente em relação ao adulto, tanto por questões econômicas quanto sociais e afetivas. Assim, ele encontra-se em meio a territórios complexos, cujas lógicas e práticas culturais mostram-se mais reprodutoras que transformadoras. Através de uma abordagem qualitativa, centrada na observação participante e na realização de grupos focais, a análise dos dados preliminares permite dizer que o aluno da escola pública investigada se mostra em geral desconhecedor e/ou receoso em enunciar seus desejos e intervir de modo declarado nos territórios em que transita. Esse aluno, no entanto, age de acordo com o que acredita ser melhor para si mesmo, por vezes de forma não consciente, e mesmo em oposição às regras estabelecidas. Conclui-se pela necessária instituição de possibilidades de reflexão e de atuação discente em prol de mudanças e de interlocuções mais frequentes e democráticas junto às instâncias educativas. Espera-se ainda que este trabalho, tanto em termos acadêmicos quanto pragmáticos, venha a contribuir para se repensar o lugar do aluno na escola, de modo a ressaltar a importância que lhe é devida e a minimizar as desigualdades (im)postas. Quanto à esfera política, a perspectiva é que sejam revistas práticas orientadoras que têm centrado o discurso na participação de toda comunidade escolar, usualmente mais focadas na responsabilização dos atores envolvidos do que propriamente na democratização de seus direitos.

ANDRADE, Elza

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  • COM0309: Lisboa, menina e moça
  • SECÇÃO: Turismo e Lazer
  • MESA: Mobilidades turísticas
  • RESUMO:
    O turismo é notadamente uma das formas de consumo mais fortes de nossa época. A atividade turística, fascinante pelo ímpeto da descoberta, da exploração de novos lugares e culturas, deve ser orientada pela conformação de desejos, no que a comercialização da experiência passa por um conjunto de fatores de ordem política, econômica e psicológica (URRY, 1996) . A prática, considerada umas das mais importantes formas de ação social do mundo contemporâneo, é capaz de provocar mudanças em locais e pessoas, notadamente delineadas pela iminente condição do encontro e das interações entre visitantes e receptores (Cohen, 2002), mas que é mediada por agentes públicos e privados. É nestes termos que pretende-se pensar o momento atual do turismo em Lisboa, a “cidade mais cool da Europa”, onde o fenômeno do turismo low-cost, exercido desde as companhias aéreas, até outros níveis da indústria turística, tem sido uma tendência crescente nos últimos anos, tornando-se uma marca fundamental do turismo da capital europeia “que está na moda”. Nesse sentido, a comunicação a ser discutida irá apresentar e analisar as recentes tendências de prática turística na capital portuguesa, em que as territorialidades deverão ser pensadas enquanto espaços físicos e de troca material e simbólica, que tem se transformado mediante às necessidades do mercado turístico, exercidas por turistas, residentes, agentes públicos e privados, em seus diferentes papéis. *Elza Guimarães Andrade, Doutoranda em Antropologia pelo Instituto de Ciências Sociais - Universidade de Lisboa e Pesquisadora pelo Centro de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES/BRASIL, sob orientação da Professora Doutora Maria Elsa Marques Peralta e co-orientação do Professor José Manuel Sobral. Nota 1: O título contém um trecho do Fado “Lisboa menina e moça”, composta por Ary dos Santos e Paulo de Carvalho. Nota 2: URRY, John. (1996). O Olhar do Turista: lazer e viagem nas sociedades contemporâneas. ​São Paulo: Studio Nobel. Nota 3: As afirmações destacadas no corpo do texto foram retiradas da reportagem “7 reasons Lisbon could be Europe's coolest city”, escrita pela jornalista Fiona Dunlop para a mídia CNN, em janeiro de 2014.

ANDRÉ ROSA, Fernando Manuel

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  • COM0169: O ativismo como didática para a prevenção da violência de género na organização escolar: uma reflexão feminista e queer acerca de um projeto de intervenção no contexto português
  • SECÇÃO: Sexualidade e Género
  • MESA: Violência sexual e de género
  • RESUMO:
    No desenvolvimento do Projeto “Mudanças Com Arte II”, a UMAR-União de Mulheres Alternativa e Resposta concebeu, na área metropolitana do Porto, um projeto de combate à violência de género e promoção dos direitos humanos, através da implementação de um programa de ação sistemático com jovens em várias escolas do ensino básico e secundário. Esta investigação socorre-se do modelo de discurso pedagógico proposto por Basil Bernstein (1991), para explicar que a prática pedagógica é norteada por regras discursivas de controlo e regras hierárquicas de poder, que medeiam o processo de distribuição e aquisição de vários tipos de conhecimento, entre grupos sociais. Este modelo de análise da comunicação pedagógica, permite analisar as regras de produção e reprodução dos discursos, permitindo produzir descrições e explanações sobre as identidades geradas, bem como a relação destas com os processos de produção e reprodução social. Nesta comunicação, analisamos como ao longo de 32 meses, em 10 escolas se desenvolveram agências, que incidem nas relações entre sujeitos, entre discursos e entre espaços. Esta análise parte da recolha documental dos materiais produzidos nas sessões de formação, quer da avaliação quantitativa e qualitativa produzida quer por técnicos/as de intervenção, quer pelos/as “jovens protagonistas na prevenção da violência de género”, sendo complementada com reflexões obtidas através de uma observação participante. Confirmámos como no contexto escolar as relações de género são vistas através de categorizações formadas através da educação informal, nomeadamente da família e comunidade. A intervenção feminista complementada com a reflexão também feminista e queer serviram de base para uma reflexão entre o conhecimento produzido pelos movimentos sociais, a ação política e as desigualdades sociais, conforme postula Madeleine Arnot (2002), no conceito de gender-codes. Este projeto promoveu um encontro entre as relações de género e o sistema de educação, uma vez que todas as relações sociais são produzidas, reproduzidas e transmitidas na escola, nomeadamente modos de dominação masculina e privilégios educacionais relacionados com formas de dominação de classe, como enuncia Pierre Boudieu (1977) com o conceito de habitus. Este projeto permitiu analisar a interconexão e as contradições entre o patriarcado e o capitalismo como duas estruturas de poder no sistema escolar permitindo concluir que um diferente tipo de escola transmite diferentes tipos de relações de género.

ARAUJO, Eliezer

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  • COM0250: REZADEIRAS NOS CUIDADOS DE SAÚDE PRIMÁRIOS NO BRASIL, RUMO A UMA ECOLOGIA DOS SABERES OU APROPRIAÇÃO PELA BIOMEDICINA?
  • SECÇÃO: Mesa Intertemática de Posters (Sociologia da Saúde e Dinâmicas Populacionais, Gerações e Envelhecimento)
  • MESA: Saúde, Cuidados e Envelhecimento [Posters]
  • RESUMO:
    Os Cuidados de Saúde Primários se constituem como primeira via geral de acesso da população aos Sistemas Públicos de Saúde. Constituindo-se como território complexo nos qual os profissionais de saúde estão mais próximos do modo de vida das comunidades e dos determinantes sociais da saúde. Suas práticas devem levar em consideração a longitudinalidade do cuidado e a inclusão de aspectos relacionais de orientação familiar e cultural. Neste contexto o saber da biomedicina enquanto racionalidade instituida apresenta interfaces com as chamadas Medicinas Alternativas e Complementares e a Medicina Tracicional, integrando ou apropriando-se do saber popular. Este trabalho tem como objetivo refletir sobre a relação entre estes diferentes saberes através da discussão de um caso. Trata-se do Programa “Soro, Raízes e Rezas”, implementado em um município rural, no Nordeste do Brasil, que buscou integrar a prática das rezadeiras (curandeiras locais) com os cuidados da saúde infantil e gestacional. A troca de experiências e de diálogo entre as rezadeiras com a medicina institucional, em especial com as equipes de Saúde da Família produziu uma reconfiguração das representações e práticas em saúde? O objetivo inicial de diminuição da mortalidade infantil foi atingido? O que houve neste encontro de saberes pode ser considerado apenas como apropriação? Ou exploração de recurso humano? Ou representa na lógica de uma Ecologia de Saberes, uma busca genuína de refundação destas relações (hibridização cultural), problematizando os nuances epistemológicos, ontológicos e ético-políticos? A existência de uma diversidade de conhecimentos e práticas sobre o corpo, a saúde e a doença nas sociedades contemporâneas é um amplamente reconhecido e descrito nas ciências sociais, mas é necessário compreender o caráter relacional e historicamente conflituoso dessas práticas sociais, levando-se em consideração os impactos da globalização nas culturas locais e a reprodução e imposição de narrativas, epistemes e praticas dominantes. Espera-se contribuir para o debate em torno dos limites da biomedicina e do potencial de inserção das rezadeiras ao sistema público de saúde. E mais ainda reconhecer e ampliar as formas de resistência à monocultura abissal contribuindo para pensar os Cuidados de Saúde Primários como uma Ecologia de Saberes.

BACKSTRÖM, Bárbara

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  • COM0293: Devo ficar ou devo ir? A questão do regresso
  • SECÇÃO: Migrações, Etnicidade e Racismo
  • MESA: Integração 4
  • RESUMO:
    Envelhecimento e migração tornaram-se temas-chave na Europa de hoje, com um grande número de imigrantes de primeira geração da década de 1970 atualmente aproximando-se da idade da reforma em muitos países europeus. A novidade deste tema deriva do novo desafio demográfico que precisa ser estudado e discutido de forma comparativa. Apesar da sua importância, este assunto continua a ser bastante marginal em estudos de migração e Gerontologia. O fenómeno do envelhecimento dos imigrantes requer novas pesquisas para evitar estereótipos, como por exemplo, o de retratar os imigrantes como um fardo para os países de destino. Na literatura o conceito de migração é frequentemente associado a jovens que se deslocam de um país para outro, o país de destino, em busca de melhores condições de vida. A evidência mostra que ainda hoje, os imigrantes concentram-se nas faixas etárias mais baixas (Marques e Ciobanu, 2012). A história do século XX veio para mostrar que muitos migrantes acabam permanentemente por se fixar nos países de destino, mesmo se a expectativa fosse inicialmente a de regressar aos seus países de origem. Como afirmado por Roldão e Machado, à medida que avançam na idade reformulam essa expectativa, porque encontram diversas razões para ficar e não regressar (Roldão e Machado, 2012). O retorno é na verdade um eterno mito embora parte dos imigrantes mais velhos desejam circular entre os dois países (Monteiro, 1994; Almeida, 2008 Aggoun de 2002), o que alguns autores chamam de "estilos de vida transnacionais" (Warnes e Williams, 2006). Em Portugal, os imigrantes mais idosos começaram a ganhar alguma visibilidade nos anos 2010 nas agendas políticas e científicas, com o II Plano para a Integração de Imigrantes 2010-2013 e os estudos de Machado e Roldão (2010), Marques e Ciobanu (2012) e Machado (2012 ), que focam a análise na saúde, condições de vida, regresso dos imigrantes, serviços que prestam cuidados aos imigrantes idosos e o chamado Lifestyle Migration (migração enquanto estilo de vida). O panorama migratório está em rápida mudança com um aumento dos imigrantes mais velhos, apesar deste ser ainda bastante residual. O presente estudo examinou as razões do não retorno aos países de origem na terceira idade e após a reforma, bem como a análise da existência de redes de apoio para estes idosos imigrantes. A amostra é composta por 24 imigrantes idosos que foram entrevistados por meio de duas associações locais de imigrantes nos arredores de Lisboa. A maioria dos entrevistados sente o desejo e tem o plano para o regresso, mas por diversas razões este projeto vem sendo adiado. Os resultados mostraram que as principais razões para não retornar ou retardar o retorno são a falta de condições para o realizar, um melhor suporte por parte do Estado português e da segurança social, um melhor acesso aos cuidados de saúde, o relato de um mau estado de saúde e ainda ter o apoio de membros da família para os cuidar.

BALTAZAR, Maria da Saudade

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  • COM0749: Ligações e Percepções de Desenvolvimento Urbano-Rural em Portugal
  • SECÇÃO: Territórios: Cidades e Campos
  • MESA: Novas e Velhas Ruralidades: Permanências e Mudanças
  • RESUMO:
    .Resumo Tradicionalmente considerado um país rural, Portugal caracteriza-se por assimetrias significativas ao nível da distribuição da população e da paisagem, da atividade económica e das dinâmicas sociais e culturais, que se traduzem em diferenças de desenvolvimento territorial, sustentabilidade e qualidade de vida entre as áreas urbanas e rurais. Porque muitas áreas rurais se têm urbanizado e perdido a sua identidade produtivo-agrícola e, também, porque algumas áreas urbanas têm incorporado conceitos e paisagens rurais, importa conhecer as perceções sobre o nível de bem-estar que os indivíduos registam no local onde residem e os factores de ligação entre o rural e urbano que fazem, nomeadamente, com que ambos sejam territórios de trabalho e mobilidade, residência ou evasão, cultura e lazer, tranquilidade ou agitação, ou seja, de bem-estar global. A sociedade atual continua a adotar padrões de comportamento baseados numa lógica que impera desde há dezenas de anos ainda que a posição das várias atividades desenvolvidas no território, apoiada por novas acessibilidades e conectividades (físicas e eletrónicas), propicie o surgimento de vários usos do território, por vezes conflituantes. Esta nova realidade física distante do padrão vigente num passado recente, pressupõe significativas alterações de natureza muito diversas. Partindo deste pressuposto e de uma abordagem multi-método, o objetivo é analisar as ligações entre as regiões urbanas e rurais, em Portugal, e a perceção de qualidade de vida que lhes é associada, a partir de informação secundária obtida do INE, PORDATA e de um estudo de caracterização da paisagem de Portugal continental e informação primária recolhida por sondagem a uma amostra da população portuguesa.

BALÃO, Ana

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  • COM0557: Cooperação Intermunicipal no Alto Alentejo: a «realidade construída» pelos protocolos de cooperação
  • SECÇÃO: Territórios: Cidades e Campos
  • MESA: Habitar a Cidade: Política e Ação - B
  • RESUMO:
    Os novos desafios colocados aos municípios, especialmente em territórios de baixa densidade, caracterizados por baixa densidade populacional, reduzido número de atividades com características de base económica, fraco espírito empresarial, reduzida capacidade de captação de investimentos/recursos externos, reduzida dimensão dos centros urbanos, baixas as qualificações das populações… (Martins & Figueiredo, 2008), fatores causadores de desinvestimento dos setores privado e público, levam-nos a questionar a possibilidade da cooperação intermunicipal se constituir como meio para a oferta de bens e serviços às populações. Considerando a necessidade de questionar a realidade, as estratégias de ação, os resultados, a reinvenção de novas condutas e de novas formas de governação, numa ótica de desfamiliarização (Bauman e May, 2010) que faça luz sobre este fenómeno e abra novas possibilidades de ação sobre o futuro, partimos para uma que procura diagnosticar os fatores que mobilizam os municípios para a cooperação e compreender os comportamentos dos atores e os «jogos» desenvolvidos por estes em sede de cooperação interinstitucional. Esta comunicação divulga parte dos resultados já obtidos com o estudo, nomeadamente a realidade «construída» pelos protocolos assinados entre os municípios do Alto Alentejo (Portugal), 1981, considerando-os como instrumentos de operacionalização de cooperação entre atores de um território com o objetivo de contribuírem para o seu desenvolvimento. A partir de um corpus constituído pelos protocolos a que tivemos acesso no âmbito do trabalho de campo realizado, foi feita uma análise do conteúdo a partir de categorias que visam identificar as áreas que consagram a inter-relação entre municípios, os atores intervenientes, as alianças e consensos existentes, as ações/atividades materializadas nesses protocolos e identificar se este fim coletivo se relaciona com o presente ou se os atores se envolvem numa relação de cooperação onde se podem observar desafios futuros.

BATISTA, Susana

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  • COM0228: Os contratos interadministrativos em ação: novas relações entre atores locais?
  • SECÇÃO: Sociologia da Educação
  • MESA: A governação política dos territórios educativos (Sessão I)
  • RESUMO:
    Desde meados dos anos oitenta que estão em curso, em Portugal, processos de (re)distribuição de responsabilidades entre os vários níveis de administração educativa (Batista, 2014), que afetam o modo de regulação do sistema educativo (Barroso, 2005) e o papel dos diferentes atores na tomada de decisão política. De facto, a evolução das políticas de descentralização aponta para uma transformação simbólica do papel formal dos municípios (Fernandes, 2005), que têm vindo a assumir, principalmente desde os anos noventa, responsabilidades no planeamento local da educação. Estas transformações ocorreram a par de outras políticas, nomeadamente aquelas que conferiram maior autonomia às escolas, originando assim uma maior complexidade nos papéis e responsabilidades dos atores educativos locais (Rodrigues, 2010). Recentemente, o quadro legal (iniciado pela Lei nº 75/2013) instituiu uma nova fase de descentralização, a operacionalizar através de Contratos Interadministrativos, que estipulam a repartição de responsabilidades entre o Ministério, os Municípios e as Escolas, resultado de negociações prévias. Este contexto político em mudança levanta novas questões de investigação, no âmbito de uma sociologia da ação pública (Commaille, 2006), que considera o caráter complexo e multidimensional dos processos de decisão política: em que medida os contratos se constituem enquanto instrumentos de ação pública (Lascoumes e Le Galès, 2007)? De que forma é que este processo funciona como uma regulação partilhada (Justino e Batista, 2013)? Que impacto tem nas relações entre atores locais, em particular entre município e escolas e entre escolas? Nesta comunicação, procura-se responder a estas questões através de um estudo exploratório sobre a forma como se desenrolou o processo de negociação e implementação da repartição de responsabilidades entre atores locais em quatro municípios, com características diferenciadas no que toca à sua dimensão, contexto socioeconómico, população e resultados escolares. Com esse intuito, recorre-se à análise documental dos contratos interadministrativos, bem como a entrevistas semi-diretivas a representantes da Câmara e diretores de escolas.

BENTO, Ricardo

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  • COM0524: Práticas musicais e percursos urbanos: explorando sonoridades migrantes no Bairro Alto
  • SECÇÃO: Territórios: Cidades e Campos
  • MESA: Outras Paisagens: Outras Práticas Sociais - B
  • RESUMO:
    A cidade de Lisboa tem sido recentemente atravessada por distintos fluxos migratórios e turísticos que modelam as diferentes visões da sua configuração urbana. As relações históricas de colonialismo e de interconhecimento cultural interligam-se entre as nações onde o idioma português é reconhecido oficialmente como a principal língua das comunidades educativas, literárias e políticas. Estas e outras afinidades culturais e sociais permitiram a cooperação em diversos mundos artísticos, a partir dos quais os artistas desenvolveram parcerias, técnicas e práticas musicais sem esquecer a singularidade das origens formais e populares dessas múltiplas manifestações. Pretendemos discutir nesta comunicação um conjunto de relatos biográficos que se intersetam com a mobilidade espacial e as experiências migratórias de músicos brasileiros que circulam no contexto urbano da cidade de Lisboa. Esta proposta parte de uma curta pesquisa de terreno, conduzida entre Janeiro e Maio de 2015, sobre a prática da “música popular brasileira (MPB)” num conjunto de bares e restaurantes do Bairro Alto, em Lisboa, no âmbito do projeto “O trabalho da arte e a arte do trabalho: circuitos criativos de formação e integração laboral de imigrantes em Portugal”, coordenado por Lígia Ferro e Otávio Raposo. Sabendo que a circulação de músicos de origem brasileira em Portugal tem sido uma constante desde a segunda metade século XX até aos dias de hoje, que estes músicos constituem uma parcela significativa da imigração brasileira para Portugal e que os bares continuam a ser um dos palcos mais procurados para trabalhar, o nosso objetivo é discutir o modo como os percursos trilhados por estes artistas imigrantes se conjugam para alcançar a busca de uma realização artística e de reconhecimento público. Usando as noções de circuito e carreira como forma de analisar os percursos de mobilidade espacial na sua relação com a mobilidade social destes músicos, procuramos entender o modo original como o exercício da prática musical desenvolve toda uma intensa sociabilidade onde o trabalho e o lazer se misturam. Partindo desta evidência empírica, o presente texto propõe uma reflexão sobre a experiência de um pequeno grupo de músicos imigrantes brasileiros que vivem, atuam e circulam numa pequena área central da cidade de Lisboa, no Bairro Alto, transformando a paisagem sonora mais emblemática desta área fortemente turística da cidade. Um dos pontos da análise relaciona-se com o modo como são negociadas fronteiras de alteridade cultural, social, política e económica, tendo em conta as experiências migratórias destes artistas. Outro eixo de análise detém-se nos modos como as práticas destes músicos se interligam com as convenções e formas de poder que organizam a cartografia da cidade, encontrando nas redes e nas associações as possibilidades destas mediarem as imposições externas de indústrias e produtores culturais.

BOAVIDA, Nuno

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  • COM0302: The limits of evidence-based policy: An analysis of two decisions of technology innovation
  • SECÇÃO: Conhecimento, Ciência e Tecnologia
  • MESA: Territórios e inovação
  • RESUMO:
    Despite increasing calls for evidence-based policies, knowledge about the practical use of evidence remains limited. This study investigates the best available evidence in two policy settings of investment in technology innovation: an electric mobility policy and the creation of an Iberian laboratory. The work tested if the failure to use the best available evidence in a given setting points to the use of evidence for political ends. Results from the first case study show that the best available evidence were deliberately not used. In fact, three formal scientific studies and a forecast from grey literature were purposefully ignored. Additional evidence were produced and brought later in the debate phase to justify the decision. In the second decision, the best available evidence were used with significant differences between the two countries making the same decision, but with marked differences in relation to the types of evidence, the type and number of sources and the depth of information used. The use of evidence depended on the needs to justify the same investment in two different policy-making settings. The case reveals that to understand the limits of evidence-based policy is more enlightening to consider the best possible evidence instead of the best available evidence. Research also revealed the need to develop more research about the importance of relational tacit knowledge in these decisions.

BORGES, Christina Maria de Marchiori

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  • COM0052: Um olhar para os viajantes na cidade: os usuários de transportes públicos. Christina Maria De Marchiori Borges. Doutoranda no Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo- PUC/SP.
  • SECÇÃO: Identidades, Valores e Modos de Vida
  • MESA: Vida Quotidiana e Dinâmicas Espácio-Temporais
  • RESUMO:
    Esta comunicação analisa alguns aspectos da cultura urbana da cidade de São Paulo (Brasil) e, em especial, os relativos à mobilidade realizada pelos usuários por meio dos transportes públicos. Os aspectos que aqui analisamos são concernentes às experiências de uso e também ao imaginário da cidade que emerge durante as viagens. Escolhemos como recorte de nosso estudo os indivíduos que se deslocam diariamente a trabalho das periferias da cidade em direção ao centro por meio dos transportes públicos e que despendem, no mínimo, 67 minutos nas suas viagens. De acordo com a última pesquisa de Mobilidade da Região Metropolitana de São Paulo, feita pela Cia. do Metropolitano de São Paulo – Metrô é a população mais pobre que usa com maior frequência os transportes públicos, nos quais gasta mais tempo, quando comparada aos deslocamentos feitos pelos mais ricos da cidade. Na Região Metropolitana de São Paulo diariamente são feitas 43,7 milhões de viagens que viabilizam o deslocamento de uma população estimada em 20,01 milhões de pessoas. Neste trabalho, os usuários de transportes públicos foram denominados de viajantes tomando como referência a definição de Lévi-Strauss em “Tristes Trópicos.” Lévi-Strauss (1996) considera a viagem como sendo uma experiência que possibilita ao homem um deslocamento no espaço, ou tempo ou até mesmo na hierarquia social, afirmando que cada impressão despertada no viajante é relacional a esses três elementos. A pesquisa que dá suporte a esta comunicação teve cunho etnográfico recorrendo à observação participante, a entrevistas em profundidade e, ainda, à coleta e análise de material de propaganda distribuído aos usuários nas ruas, em pontos de ônibus e nas portas das estações metroviárias. As observações, entrevistas e coleta de material por feitas por 12 meses, de julho de 2013 a julho de 2014. A pesquisa foi realizada para a dissertação de mestrado intitulada “Viajantes urbanos: a aventura dos usuários de transportes públicos em São Paulo”, apresentada à Banca Examinadora para obtenção do título de Mestre em Ciências Sociais, em março de 2015, sob orientação da Prof.ª Dra. Mariza Martins Furquim Werneck. A observação participante empregou a semiótica, segundo a qual é possível descrever, conhecer e interpretar a cidade como um texto não verbal, onde os signos que surgem constituem-se em informações de um repertório cultural estruturado em linguagem. A análise da cidade apoiou-se também em Walter Benjamin (1991) que a enxergando por meio da literatura, dirige a sua observação a coisas simples como placas, aromas, sons, indumentária das pessoas que transitam pelas ruas. Essa observação de fragmentos também permite o acesso ao conhecimento da cidade e de seus habitantes. Foram ainda utilizadas outras referências analíticas de Marc Augé, Jean Baudrilliard, Ítalo Calvino, Milton Santos, Teresa Caldeira, Michel de Certeau.

BORGES, Rovênia Amorim

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  • COM0493: Entre Portugal e Estados Unidos: o impacto das desigualdades em duas rotas do Programa Ciência sem Fronteiras
  • SECÇÃO: Classes, Desigualdades e Políticas Públicas
  • MESA: Culturas em trânsito, partilha de territórios
  • RESUMO:
    Este artigo discorre sobre duas contradições evidenciadas pelo Programa Ciência sem Fronteiras (CsF) no contexto do novo paradigma desenvolvimentista no Brasil: o fluxo inicial da mobilidade para Portugal em decorrência de inexistência da barreira linguística, e que foi direcionado para os Estados Unidos após a intervenção do governo brasileiro, e o perfil elitista dos estudantes enviados para instituições estadunidenses. Os dados analisados vieram de dois sites oficiais do programa – o Painel de Controle e o Bolsistas pelo Mundo – e ampliados com informações de amostra de pesquisa própria, composta por 1.283 bolsistas de graduação do CsF nos EUA. Os cruzamentos estatísticos tiveram o suporte do software Statistical Package for the Social Sciences e revelaram o impacto das assimetrias sociais e raciais na composição do intercâmbio, que se configurou como espaço de privilégio para estudantes brancos (61,7%), do gênero masculino (57,2%) e de classe alta (36%). O artigo reitera a urgência de investir em maior qualidade no ensino de línguas estrangeiras no Brasil e a importância de observar a intersecção de diversas variáveis nas políticas de internacionalização, como condição sine qua non para que as desigualdades não se perpetuem nos patamares mais elevados de formação e de qualificação profissional na sociedade do conhecimento do século XXI.

BRITO CORREIA, André

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  • COM0454: Tudo o que vem à rede… O trabalho cooperativo entre organizações no domínio das artes performativas
  • SECÇÃO: Arte, Cultura e Comunicação
  • MESA: Organizações, artes, práticas culturais e desenvolvimento
  • RESUMO:
    No universo das artes, a par de vários outros domínios da vida social, é notória a popularidade crescente de práticas e discursos que apontam para as vantagens da organização da atividade em redes de cooperação estruturadas e formalizadas. No entanto, apesar das virtudes reconhecidas do trabalho em rede, é importante não perder de vista que, em múltiplos setores, este tipo de cooperação traz consigo desafios e dilemas complexos. Além disso, as condições financeiras, organizacionais e políticas sob as quais se sustentam os processos colaborativos em rede determinam também potencialidades e constrangimentos variáveis. A presente comunicação aborda esta problemática a partir de um estudo sobre a 5 Sentidos, rede de programação cultural que integrou, na sua formação original, cinco organizações que operam privilegiadamente no campo das artes performativas: o Centro Cultural Vila Flor (Guimarães), o Teatro Municipal da Guarda, o Teatro Municipal Maria Matos (Lisboa), o Teatro Virgínia (Torres Novas) e o Teatro Viriato (Viseu). A pesquisa combinou instrumentos de análise quantitativa e qualitativa, privilegiando estes últimos. Além de análise documental e estatística, realizaram-se entrevistas a um extenso conjunto de intervenientes no processo de formação e funcionamento da rede. O estudo abordou os principais domínios que a experiência de trabalho em rede implica: a definição de um programa de ação comum e a sua articulação tensa com os objetivos programáticos específicos de cada Teatro; os modos de articulação programática e organizacional entre Teatros com características, dimensões e inserções territoriais distintas; a gestão dos recursos financeiros para a rede, obtidos no âmbito do QREN; as virtudes, os dilemas e as tensões do trabalho cooperativo, nos planos artístico, técnico, organizacional, financeiro, estratégico; os resultados alcançados pela cooperação em rede; as perceções dos atores envolvidos no processo, desde os diretores e programadores artísticos, aos profissionais dos Teatros, aos técnicos das agências financiadoras, aos artistas mobilizados pela programação em rede. A comunicação percorre esses domínios, discutindo as potencialidades, os dilemas e as tensões que emergem desta experiência de cooperação interinstitucional. Recorrendo aos resultados do estudo, reflete sobre o papel que a cooperação em rede pode desempenhar atualmente em dois planos: no desenvolvimento do trabalho das instituições artísticas e no modo como estas respondem aos desafios programáticos, organizacionais e financeiros que enfrentam atualmente; nos processos de criação, produção, difusão e consumo culturais que, de forma mais ampla, estruturam a esfera cultural tanto à escala local, como à escala regional e nacional.

BRITO DE LIMA SILVA, Joana

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  • COM0550: Corpo e elegância: da naturalização às formas de ensino-aprendizagem
  • SECÇÃO: Identidades, Valores e Modos de Vida
  • MESA: Ficção, Vocação e (Re)invenção da Performance Identitária
  • RESUMO:
    O objetivo dessa comunicação é mostrar que a elegância, ao contrário de ser um atributo da natureza, consiste num estilo de vida construído socialmente. Neste sentido, as elites (ou alta burguesia) herdaram da nobreza um modo de agir distintivo inscrito no próprio corpo, moldado através da socialização dos indivíduos num contexto social específico de classe abastada (conf. PINÇON, 2000). O comportamento das pessoas nessas camadas mais elevadas retrata a própria hierarquia da sociedade atual: a diferenciação material e simbólica entre as classes economicamente dominantes e as classes populares (conf. BOURDIEU, 2008; ELIAS, 1993/2001, dentre outros). A herança de uma conduta distintiva em relação às demais classes sociais proporciona às elites um saber incorporado, sem a necessidade de ensino direcionado (manuais, livros, cursos) da elegância e das normas de etiqueta. Porém, contraditoriamente, nota-se, na atualidade, uma crescente popularização de produtos destinados ao ensino da elegância, materializado em manuais de etiqueta, livros de savoir-vivre e páginas de Internet dedicadas ao tema, produtos consumidos por pessoas de origens sociais diferentes. Tamanha comercialização da elegância contradiz justamente a crença de que ela seria um atributo natural, impossível de ser ensinado. Esta comunicação, recorte de minha pesquisa de pós-doutoramento em Sociologia, detém-se sobre um campo empírico a partir do qual torna-se possível comparar alguns aspectos dos estilos de vida distintivos elitizados na França e no Brasil; desse modo, serão apresentadas análises de duas páginas de Internet que abordam a elegância e a aplicação de normas de etiqueta: uma brasileira, que enfatiza a possibilidade de se aprender a ser elegante, outra dedicada à exaltação da identidade francesa, legitimamente distintiva. Assim, pretende-se explorar a contradição entre a naturalização da elegância e as suas tentativas de ensino-aprendizagem, mostrando que são investimentos sociais e classistas voltados ao corpo.

BRITO, Elisabete

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  • COM0658: A literacia da leitura no feminino em contexto de educação não escolar - deambular entre inquietações e reflexões
  • SECÇÃO: Classes, Desigualdades e Políticas Públicas
  • MESA: Desigualdades de género, estado de bem-estar e inclusão social
  • RESUMO:
    Nesta comunicação procuramos refletir acerca da literacia - indicador do desenvolvimento económico das sociedades, mas também uma das formas contemporâneas de desigualdade social-, em particular da literacia da leitura, tendo por base um estudo delineado no feminino, alvo de uma análise em diacronia dos processos de (re)socialização em cursos de Educação e Formação de Adultos. Para a concretização deste estudo, num contexto de educação não escolar, em que procurámos analisar como é que a Formação de Adultos cria novas disposições duráveis que fomentem os níveis de literacia da leitura, centramo-nos nos modos de relação dos atores sociais com a leitura, mediante a aplicação de uma metodologia qualitativa conciliatória entre as regularidades sociais e as singularidades. Neste contexto, não podemos deixar de ressalvar o nosso posicionamento privilegiado de investigadores destas temáticas, mas também de formadores com estes públicos. Os cursos EFA não podem de todo ser encarados como meros somatórios de níveis de escolaridade, mas oportunidades para se aumentarem os níveis de literacia da população adulta em Portugal, em particular da literacia da leitura, e se incentivarem práticas de leitura. Na verdade, consideramos que estes cursos não se podem restringir a elementares programas de qualificação. É fundamental a presença de uma robusta vertente humanista para que se possa chegar a estes públicos e obtermos resultados visíveis, partindo dos espaços micro, com o intuito de paulatinamente abranger uma população cada vez maior. No entanto, a alternância entre a valorização e desvalorização destas temáticas é claramente um entrave. Neste estudo em particular verificamos uma dualidade entre o capital escolar e económico no decurso da trajetória destas mulheres, assim como o facto de um grau de escolaridade similar não ser sinónimo de níveis de literacia análogos. Não obstante após a finalização do curso há dificuldades que perseveram no tempo e que o quotidiano não permite extinguir pelo vazio de práticas contínuas de leitura. Essa situação reflete-se também no papel mais ou menos incisivo no incentivo à leitura junto dos mais novos. É essencial muito mais do que o simples acesso aos livros e à leitura. É fulcral a existência de incentivos fora deste contexto de educação e que nos direciona para as instituições locais, daí a necessidade de incremento de iniciativas públicas que aspiram a um aumento dos níveis de literacia e das práticas de leitura não pensando unicamente no desenvolvimento de hábitos e competências dos indivíduos, mas também das próprias sociedades.
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  • COM0708: Uma realidade escrita no feminino – trajetórias de vida em contexto de educação não escolar
  • SECÇÃO: Sociologia da Educação
  • MESA: Trajetórias de vida e pluralidade de contextos educativos (Sessão I)
  • RESUMO:
    Uma reflexão em torno de trajetórias de vida e multiplicidade de contextos educativos remete-nos para dinamismos educativos e formativos plurais que eclodiram na primeira década deste século, fomentando novas abordagens no campo da educação. Falamos de modo mais particular dos cursos de Educação e Formação de Adultos. Estes modelos regem-se por um desenvolvimento curricular mais amplo e flexível, assente em metodologias ativas, centradas no sujeito aprendente e nas suas experiências. Neste sentido, surge esta comunicação, onde procuramos refletir em torno de um desses contextos de educação não escolar, tendo por base um estudo que envolveu um grupo de 13 mulheres, com idades compreendidas entre os 28 e os 54 anos, alvo de uma análise em diacronia dos processos de (re)socialização nestes cursos. No decurso deste projeto recorremos a uma metodologia qualitativa conciliatória entre as regularidades sociais e as singularidades. Uma das particularidades desta investigação é precisamente esta homogeneidade de género, salientando também o nosso posicionamento privilegiado de investigadores sobre estas temáticas, mas também de formadores com estes públicos. Os cursos EFA não podem ser olhados simplesmente como um avolumar de níveis de escolaridade, dai defendermos a necessidade de uma possante vertente humanista das próprias equipas formativas, uma vez que lidamos com pessoas e não podemos descurar as suas singularidades. Deste modo, é relevante percebermos como é que este curso em particular condicionou ou influenciou os seus percursos, numa visão transversal. Isto remeteu-nos para a necessidade de perceber como é que a escola foi encarada no tempo e a importância do capital escolar em momentos distintos das suas trajetórias. Não se pode descurar que existe uma preocupação no que diz respeito aos adultos e ao facto de algumas pessoas não chegarem a adquirir as competências básicas de leitura, escrita e cálculo depois de terem abandonado a escola. Nestes casos acabam por se deparar com uma situação de desvantagem e ficam mais limitados no plano socioeconómico, num contexto em que o mundo do trabalho e do emprego se desenvolvem numa acelerada metamorfose. É preciso atentarmos que numa economia mundial baseada no conhecimento a aprendizagem e as competências desempenham um papel cada vez mais importante na configuração de perspetivas de crescimento económico, prosperidade partilhada e redução da pobreza.

CABEÇA, Sónia Moreira

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  • COM0140: “Alentejo que és nossa terra”: o território na relação entre a forma cultural “Cante” e a entidade cultural “Alentejo”
  • SECÇÃO: Arte, Cultura e Comunicação
  • MESA: Identidades, práticas artísticas e pós-colonialismo
  • RESUMO:
    Nenhuma outra prática musical de Portugal se refere geograficamente de forma tão premente a um território (cultural, social, político) como o Cante ao Alentejo. O Cante é o “Cante Alentejano”; o Alentejo, o ponto de referência. Estejam os cantadores no Alentejo, na Margem Sul do Tejo ou em Toronto, a forma cultural Cante mobiliza mecanismos de produção duma identidade cultural que é ser alentejano e tem raízes territoriais. Grupos criados fora do espaço abstrato que os geógrafos denominam “Alentejo”, chamam a si o título de “alentejanos”, referindo as suas práticas a um espaço próprio, um território. Em sentido inverso, ser alentejano é ser portador (num sentido lato) duma forma de cantar original – o Cante – cuja performance, estilo e repertório, contêm marcadores de identidade cultural. Esta constatação impõe uma reflexão acerca dos modos de produção das formas culturais e da sua relação com as entidades culturais fundadas numa identidade territorial, que por seu turno reforçam. A dupla que apenas heuristicamente convém distinguir, forma cultural e território próprio, comporta um elemento distintivo em relação a outras entidades do mesmo ecossistema. Na realidade, os modos de produção das formas culturais colocam atores em movimento que, com os recursos que possuem e em estreita relação com o meio em que são geradas (tendo em conta o ecossistema cultural), produzem variantes locais da forma cultural concordantes com os seus critérios e objetivos (de acordo com o que entendem “que pertence” ou “deve ser”). Os materiais culturais que conferem a estrutura a uma forma cultural, mobilizados pelos praticantes nas suas relações sociais para criar variações locais, indiciam a existência dum processo homólogo entre a produção ou emergência de formas culturais e a produção ou emergência de entidades culturais que se referem a uma territorialidade. Também nos processos de produção das entidades culturais territorializadas, a criação de um espaço próprio é realizado através de um processo de diferenciação em relação às demais entidades que pertencem ao mesmo ecossistema cultural e de reprodução dessas mesmas diferenças a partir da mobilização dos recursos culturais ao seu alcance (ideias, práticas, objetos materiais) para os combinar numa modalidade original. Assim sendo, é a nossa hipótese que na esfera cultural, um mesmo modo de produção rege tanto a dinâmica de práticas particulares que constituem formas culturais como o Cante Alentejano, como a emergência das entidades socioculturais cuja existência vem a ser postulada como o “Alentejo”. Pretendemos, pois, através do processo de constituição de territórios culturais, compreender a relação entre a forma cultural “Cante” e a entidade cultural “Alentejo”.

CACHADINHA, Manuela

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  • COM0143: Envelhecimento em Viana do Castelo: estudo de seniores com passado migratório
  • SECÇÃO: Dinâmicas Populacionais, Gerações e Envelhecimento
  • MESA: Dinâmicas Populacionais e Políticas Públicas
  • RESUMO:
    As sociedades atuais caraterizam-se por fenómenos fundamentais como o envelhecimento demográfico e a migração de um número crescente de pessoas de e para diferentes espaços. Estes dois fenómenos conjugados apresentam implicações múltiplas na vida coletiva dos territórios, das gerações e das pessoas que aí residem por diversas ordens de razões. Esta comunicação tem como objetivo essencial apresentar alguns dos resultados de uma investigação por nós efetuada sobre as relações entre a vivência das situações durante o processo de envelhecimento e o passado migratório dos inquiridos, na área geográfica da cidade de Viana do Castelo. Procuramos perceber em que medida as diferentes experiências socioculturais e as características educativas, advindas da migração durante a vida, se relacionam com a vida quotidiana de um grupo de seniores selecionados. O distrito e o concelho Viana do Castelo foram, tradicionalmente, polos emissores de fluxos migratórios ao longo de muitas décadas, tal como aparece documentado em diferentes investigações. Muitos dos ex-migrantes estão agora de regresso para aí viverem os seus anos de aposentação. Muitos dos ex-emigrantes são portadores de longos anos de experiência multicultural e intercultural. Este regresso também contribui para que os fenómenos do envelhecimento e da interculturalidade se façam notórios ao nível regional e local. A investigação efetuada baseou-se em metodologias predominantemente qualitativas e utilizou-se a entrevista como principal técnica de recolha de informação. Efetuamos um conjunto de entrevistas a seniores, com diferentes perfis sociodemográficos, que viveram situações de migração durante a juventude e durante a vida laboral e que residem atualmente nas suas casas, na área urbana de Viana do Castelo, com situações de relativa autonomia. Recolhemos informações sobre a forma com estes seniores vivem, sobre o que pensam da sua vida e sobre as suas experiências e vivências migratórias. Após a análise das respostas produzidas e dos respetivos discursos, concluímos que as aprendizagens efetuadas pelos nossos entrevistados durante os períodos de migração tiveram consequências fundamentais nas suas situações sociais, nas suas expectativas de vida e na forma de viver e encarar o envelhecimento e a velhice.
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  • COM0240: Educação informal e experiência migratória: investigação sobre seniores residentes em Viana do Castelo
  • SECÇÃO: Sociologia da Educação
  • MESA: Trajetórias de vida e pluralidade de contextos educativos (Sessão I)
  • RESUMO:
    Nas sociedades atuais a educação assume um papel de importância estratégica. A literatura na área das ciências sociais e das ciências da educação coloca em evidência a importância da educação ao longo da vida. Também se verifica que outros dois fenómenos caraterizam as sociedades do presente: o envelhecimento demográfico crescente e a globalização económica e cultural que se expande a todas as áreas do mundo. A globalização implica, entre outras coisas, um movimento de pessoas que migram de e para diferentes pontos do globo. Portugal tem uma população com vasta experiência migratória e tem também uma população cada vez mais envelhecida, sendo as gerações dos mais velhos as menos escolarizadas. Neste contexto, a reflexão sobre as implicações educativas e sociais quer das migrações quer do envelhecimento revela-se crucial. Uma das referidas implicações relaciona-se com a importância da manutenção da autonomia funcional e social por parte dos que envelhecem por forma a não se transformarem num problema social e político. Para a manutenção da autonomia, a educação ao longo da vida assume atualmente uma importância fundamental. A educação pode permitir aos seniores adaptarem-se à sociedade da informação (e ao mundo globalizado), contribui para a manutenção de níveis elevados de atividade e para um envelhecimento bem-sucedido. Efetuamos uma investigação, à luz de pressupostos teóricos construtivistas e do curso de vida, sobre um grupo de seniores com passado migratório, atualmente residentes no espaço urbano da cidade de Viana do Castelo. No contexto da referida investigação, recolhemos informação através de entrevistas, onde nos foram narradas experiências de vida migratória e aprendizagens feitas, onde nos foram relatadas situações de vida e aspirações na atualidade. Procuramos perceber quais foram as aprendizagens feitas pelos seniores, através da educação informal, durante as suas trajetórias de vida, e como é que tais aprendizagens podem ter contribuído para as situações de elevada autonomia detetadas. Concluímos que a experiência migratória e intercultural influência o envelhecimento autónomo.

CANDEIAS, Pedro

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  • COM0168: Crises económicas e emigrações: uma resenha histórica e a sua aplicação ao caso português contemporâneo
  • SECÇÃO: Migrações, Etnicidade e Racismo
  • MESA: Emigração
  • RESUMO:
    Nos últimos anos, tem-se assistido, nos media, no campo político e no senso comum, a uma generalização de discursos que associam a atual crise económica e financeira a uma nova vaga de emigração portuguesa. Esta comunicação pretende abordar o que se designa por um crisis-migration nexus através de duas abordagens. Em primeiro lugar, apresenta-se uma revisão de literatura sobre os impactos das crises económicas nas migrações (e.g.: aumento do desemprego, da migração de retorno, de manifestações xenófobas, implementação de políticas migratórias mais restritivas, redução do volume das remessas, aumento das desigualdades internacionais). Serão revisitadas as consequências dos choques petrolíferos dos anos 1970 (considerado um dos motivos do fim do sistema de trabalhadores convidados e do início das migrações para os países do Golfo), da crise financeira asiática de 1997-1998 (com impactos moderados nas migrações regionais), e especialmente da atual crise de 2008 nas migrações internacionais. O caso de Portugal poderá ser comparado com outros países do sul e do leste da Europa (Espanha, Itália, Grécia e Letónia). Em segundo lugar, pretende-se conhecer os impactes da crise de 2008 na emigração portuguesa. Para tal serão mobilizados dados de um inquérito por questionário aplicado a uma amostra de cerca de 6.000 portugueses residentes em cerca de 100 países estrangeiros, em que foi aplicada uma estratégia de recolha de inquéritos multi-modo (online e papel-e-caneta) e cujo trabalho de campo decorreu entre maio de 2014 e maio de 2015 – projeto REMIGR. Uma série de regressões logísticas tendo como dummy o ano de chegada após 2008 permitem conhecer os fatores que diferenciam os emigrantes que saíram de Portugal antes de 2008 daqueles mais recentes. Será atribuída especial atenção a variáveis como os países de destino escolhidos, o perfil sociodemográficos dos emigrantes, as suas motivações (tanto para a saída de Portugal como para a escolha do destino), e as ligações que estes emigrantes estabelecem com Portugal (envio de remessas, utilização dos media, visitas a casa, relações laborais).

CAPELLER, Wanda

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  • COM0784: Para Além dos Territórios. A emergência do “Global Penal Field Without State”
  • SECÇÃO: Sociologia do Direito e da Justiça
  • MESA: Direito e Territórios legais
  • RESUMO:
    A Sociologia Política do Campo Penal procura desvendar as novas racionalidades penais globais que permitem, na contemporaneidade, a desterritorializaçao do campo penal a partir de dinâmicas e estratégicas baseadas no conceito de “guerra global contra o terrorrismo”. Os novos mecanismos punitivos metaestatais, inerentes às logicas de dominação do capitalismo global, revelam a permanência de um direito penal de exceção, no qual as cartografias punitivas correspondem ao surgimento de um fenômeno político inusitado, o do Estado-Caçador. Nesses Estados, os espaços punitivo não se definem nas fronteiras de zonas delimitadas, mas determinam os territórios dos “inimigos-alvo”. Atuando nesses territórios penais, o uso dos drones panóticos associa os conceitos de “vigilância” e de “aniquilação”. Essas mutações do campo penal exigem uma análise trans-escalar para que se possa observar as solidariedades existentes entre as democracias neo-liberais as práticas sócio-penais totalitárias. Nas escalas territoriais locais/nacionais, a descontrução do direito penal moderno – de soberania e de garantias individuais – tem levado à instabilidades e incertezas no campo penal; nas escalas metaterritoriais/globais, a soberania nacional e as garantias individuais já foram eliminadas. Como detectar os dispositivos políticos, ideológicos e sociológicos que permitem as solidariedades entre democracia e totalitarismo? Como explicar por quais motivos a legitimidade da ordem mundial tradicional está sendo superada? A emergência de um campo penal sem Estado constitui um observatório privilegiado das transformações radicais das sociedades de nosso tempo.

CAPUCHA, Luís

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  • COM0023: Os sociólogos e as Cartas Educativas: o caso de Vila Franca de Xira
  • SECÇÃO: Experiências e Perfis Profissionais
  • MESA: Experiências e Perfis Profissionais
  • RESUMO:
    A comunicação que se propõe trata do contributo da Sociologia e dos sociólogos para o planeamento estratégico da educação, materializado no caso específico da Carta Educativa de Vila Franca de Xira. A experiência de elaboração de uma Carta Educativa, por parte de uma equipa de sociólogos do CIES-IUL, e a metodologia adotada, põem em evidência a importância da Sociologia no Planeamento e na mobilização das Metodologias de Investigação-Ação, num contexto em que outras disciplinas têm tendido a padronizar procedimentos e a transformar o exercício do planeamento e da avaliação numa mera administração de instrumentos pré-fabricados. Pretende-se, numa primeira fase da comunicação, apresentar os objetivos da Carta Educativa, documento de planeamento estratégico da educação a nível municipal e, a partir daí, enquadrar algumas questões controversas da política educativa, nomeadamente no que se refere à centralização/descentralização do sistema educativo português. Este enquadramento geral contribuirá para a análise do papel dos sociólogos no processo de elaboração de uma Carta Educativa. A sua capacidade de compreensão alargada e sistémica da realidade social e de apoiar os atores na construção de uma visão mais elaborada sobre o seu papel e de como ele se pode desenvolver, constituem contributos incontestáveis, mas simultaneamente existentes no plano do domínio das teorias e das metodologias de investigação-ação. Assim, e ao longo desta experiência no concelho de Vila Franca de Xira, foi possível identificar diferentes estratégias por parte dos vários atores implicados e com responsabilidades educativas, como são os professores, os autarcas, as famílias, as empresas, entre outros. As formas de participação, o tipo de envolvimento e comprometimento, e a capacidade negocial dos mesmos ao longo do processo, revelam papéis, estatutos, hierarquias e representações (por vezes preconceituosas) distintos, implicando uma ação mediadora por parte do sociólogo. Esta mediação contribui, por um lado, para romper com as ideias do senso-comum e introduzir o pensamento crítico junto destes atores e, por outro lado, para promover o seu envolvimento e a negociação de objetivos e projetos comuns. Com esta estratégia metodológica, que envolve a comunidade no diagnóstico e na resolução dos problemas, mas ao mesmo tempo observa e analisa esse envolvimento no sentido de o compreender melhor e devolver aos atores, vai-se ao encontro de uma sociologia implicada com a ação educativa, sem se abandonar a premissa da imaginação sociológica, do rigor científico e da contribuição para o amadurecimento de um campo de intervenção profissional dos sociólogos.

CARROZZA, Chiara

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  • COM0636: Towards common universities: space and the genealogy of emergences in contemporary European universities
  • SECÇÃO: Conhecimento, Ciência e Tecnologia
  • MESA: Ensino superior e redes
  • RESUMO:
    This paper presents a reflection on how spatial theory can contribute to a genealogy of emergences in contemporary European universities, such as the expanding disjunctions between pedagogy and research. By evoking methodological perspectives within spatial studies on development as a logic, notably on how to study spaces everywhere as “ordinary,” the paper argues for a dyacronic examination of how neoliberalization is situatedly articulated with persistencies of past rationalities of rule in Higher Education (HE) systems in the European region. HE policies are conditioned by a focus on “scientific excellence,” part of a broader development narrative of competition in techno-scientific innovations, featuring a race for leadership in global knowledge in which states, universities, and scholars are confronted with the imaginaries of “lagging behind” and “catching up.” Valuable empirical research has addressed the changing conditions for academic life, increasingly characterized by casualized labor, a fragmented job market, projectification, and a tendency towards disjointing domains of teaching and research—even in states where HE investment has increased. Research addresses neoliberalization to shed light on changing lived experiences, notably due to the widespread fostering of entrepreneurial subjectivities. Indeed, the literature on the “entrepreneurial university” increasingly constrains prospective exercises. However, inspired by Hart’s “critical ethnography,” we are suspicious of disabling teleological narratives regarding neoliberalization. While national and local governmental practices are arguably linked to an attention to global academic hierarchies, entailing normative models of how universities everywhere inevitably have to be structurally adjusted in order to compete, the features of academic life described above are not mere “local” variations, as they are constituted contingently and through situated practices. The paper suggests that understanding emergent disjunctions requires an attention to how neoliberal governmentality is situatedly articulated with persistencies of past rationalities of rule that rely on centralization, homogenization, and master planning. The paper proposes prospective exercises based on the situated potentialities of all universities as “common” universities—both “ordinary” and a collective resource—instead of being founded on a developmental focus on excellence within national, regional, and global hierarchies.

CARVALHO, Maria Manuela Madureira

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  • COM0167: Mudanças climáticas – que peso têm nas preocupações dos actores sociais?
  • SECÇÃO: Ambiente e Sociedade
  • MESA: Alterações climáticas
  • RESUMO:
    A ausência de reflexão aprofundada e consequente sobre o devir da industrialização gerou consequências inesperadas e perversas para as sociedades contemporâneas. Com a investigação empírica que realizámos pretende-se alimentar essa reflexão inspirando-nos no princípio defendido por Barbara Adam que refere a premência da introdução nos estudos sobre ambiente e sustentabilidade dos contributos de uma Sociologia do tempo e do futuro. Analisar o centramento das pessoas no ‘curto’ versus ‘longo prazo’ permite avaliar em que medida a preocupação com o futuro, e em particular com os efeitos das mudanças climáticas, integra as orientações culturais dos indivíduos, e se estas acompanham ou não as agendas institucionais. A investigação baseia-se num questionário lançado em Lisboa com o objectivo de medir essas preocupações, confrontando-as com características sociais, valores e representações dos indivíduos. Os resultados mostram que a preocupação com o futuro longínquo e com as mudanças climáticas tem muito maior peso entre os lisboetas que o centramento no futuro imediato, e o grupo etário revelou-se uma variável particularmente diferenciadora desta opção. Salientam-se outras associações significativas da preocupação com o longo prazo com o gosto pelo planeamento do futuro e com traços que integram uma orientação favorável à sustentabilidade como é o caso da preocupação com o futuro do planeta e da vida na terra, do receio de que os recursos do planeta se esgotem e da disponibilidade para o uso de meios de transporte públicos ou meios de transporte não poluentes. Isto demonstra que existe uma consistência evidente não só entre a relação que as pessoas têm com o tempo e a orientação para a sustentabilidade, mas também entre valorizações e atitudes relativas à sustentabilidade.

CASTRO, Helga

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  • COM0787: Configurações do mapa judiciário: que infância e que criança são atores na práxis?
  • SECÇÃO: Sociologia do Direito e da Justiça
  • MESA: Atores do Direito e da Justiça
  • RESUMO:
    Pesquisar a infância e as crianças em contextos institucionais específicos implica um compromisso com as políticas e as práticas, considerando que as mudanças nas culturas políticas e legislativas ilustram a perceção do que constitui a infância e como se compõem as relações entre adultos e crianças. Nesta perspetiva o projeto agora apresentado procurará conhecer, compreender e analisar os contextos de atuação das crianças na justiça, suportada na expressão jurídica da participação - onde e como nos posicionamos, neste tempo e lugar, no cumprimento efetivo e afetivo do direito da criança a participar. Uma abordagem interdisciplinar marca as opções metodológicas e o estudo de caso, operacionalizado em quatro seções de família e menores mediante uma análise documental de processos judiciais, foi a escolha que se revelou mais adequada para responder às exigências, pois melhor poderia espelhar as diferentes dimensões e contextos, além de oferecer uma base de comparação no âmbito da (re) organização judiciária. Não havendo ainda resultados definitivos ou finais para apresentar podemos desde já, afirmar que em Portugal as questões das crianças nas instâncias de família obedecem a uma realidade nova e recente marcada por um novo modelo de gestão na organização judiciária, pela centralidade social que se anuncia e pela formação das comarcas e jurisdições orientadas pela especialização. Podemos confirmar que os litígios em análise são marcados por contextos de conflito e tensão dentro da família, por um controlo e monitoramento institucional, pela supremacia dos relatórios enquanto suporte das decisões judiciais, pela falta de cultura judicial quer das crianças como dos adultos, que a presença das crianças no tribunal e o seu direito a ser ouvido e a participar nas decisões que lhes dizem respeito tem sido imperfeitamente executada. O tribunal continua a configurar um contexto institucional rigoroso, formal, simbólico e não amigável para as crianças, uma vez que não têm a oportunidade “como um grupo social de exprimir eficazmente os seus interesses comuns” (Thomas, 2007, p. 207). Não obstante os obstáculos e resistências é importante notar o potencial que a participação das crianças podem desempenhar nas mudanças socioculturais no mundo de hoje - de risco, global, dinâmico, multicultural, complexo, reprodutível – uma vez que são parte dessa construção social em curso. Assim, e parafraseando Fleming (2013, p. 493) “se a participação é progressão e contribuição progressiva, os profissionais e decisores políticos necessitam de se mover a partir do foco organizacional da participação atual e as crianças necessitam de definir uma agenda para a ação” pois de outra forma “quando não existem os meios para fazer uso dos direitos, estes ficam reduzidos somente a algo simbólico” (Gaitán, 2014, p. 75).

CEREJO, Sara

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  • COM0760: Emoções sociais em análise no contexto da violência conjugal
  • SECÇÃO: Sociologia das Emoções
  • MESA: Emoções sociais
  • RESUMO:
    Esta comunicação pretende elaborar novas interpretações no sentido de percepcionar o papel que as emoções sociais, particularmente a vergonha e a culpa, desempenham na violência conjugal a e de que forma esta poderão condicionar a acção das vítimas mantendo-as em longas trajectórias de vitimação. Assim, vergonha e a culpa serão analisados como duas emoções sociais que funcionam como motores de inibição de uma (re)acção explicita aos actos de violência. Para isso importava conhecer os estados emocionais das vítimas, quer conscientes e verbalizados, quer inconscientes e demonstrados mas através das expressões faciais e corporais das mulheres vítimas, para perceber, principalmente, a motivações para a manutenção das relações conjugais violentas. Para tentarmos uma aproximação às emoções que nem sempre são conscientes ao actor social, foi utilizada uma metodologia inovadora que permitiu, detectar Indicadores de Expressão Emocional, revelados durante determinados momentos específicos das entrevistas, e que nos permitiram perceber de que forma as emoções como a culpa e a vergonha são (e foram) experienciadas durante as trajectórias de vitimação das mulheres entrevistadas.

CHAIA, Miguel

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  • COM0571: A ARTE POLITIZADA PELO MEIO URBANO
  • SECÇÃO: Arte, Cultura e Comunicação
  • MESA: Artes, intervenção e participação social
  • RESUMO:
    As grandes metrópoles mundiais, a partir dos anos sessenta, e sob a influência do movimento futurista no início do século XX que leva a arte às ruas, tornam-se cenários de grupos de artistas ativistas. A cidade de São Paulo, na sua intensa e desigual urbanização, constitui-se em um amplo espaço bastante adequado para a atuação de artistas engajados politicamente na forma de “coletivo”. Diversos grupos artísticos foram criados a partir de 2000, com propostas de tornar a arte um meio de afetar e direcionar o sentido do crescimento urbano de São Paulo. Três grupos, selecionados para esta comunicação, são referencias neste processo de estetização do cotidiano, portador de uma clara intenção de politização da arte. Trata-se dos coletivos “Bijari”, “Contra-filé” e “Jardim Miriam Arte Clube” (Jamac). Estes coletivos são formados por artistas de diversas origens profissionais e que colocam como objetivo a intervenção no espaço público, são pessoas de reconhecimento nacional e internacional, que criam projetos urbanos e, também, participam de Bienais internacionais, galerias e projetos públicos culturais. O foco desta comunicação deverá deter-se no Jamac, criado em 2004, pela artista Mônica Nador, artista reconhecida que abandona o circuito do mercado para fundar e viver em um espaço cultural criado por ela no subúrbio da cidade de São Paulo. A partir de um local fixo, a sua residência e espaço aberto, atua conjuntamente com a população local para tornar melhor as condições de vida dos habitantes do bairro de Jardim Miriam. A base do Jamac é o fazer artístico articulado pelo ensino, discussão e produção da pintura e da prática cinematográfica. A matriz trabalho, é o eixo do pensamento e da prática de Mônica Nador, daí a insistência na formação profissional das pessoas tendo como referência o desenvolvimento artístico. O Jamac possui tanto atividades internas quanto externas, restaurando e embelezando as fachadas das residências, com a contribuição dos moradores. Para o Jamac, assim como para outros coletivos paulistanos, a arte tem um potencial transformador que afeta indivíduos e sociedade, ampliando as melhores formas de convivência e partilha social. Frente à difícil sociabilidade da vida metropolitana baseada na desigualdade, o Jamac propõe a criação de uma “escultura social”, na linha de Joseph Beuys.

CHAIA, Vera

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  • COM0559: LIDERANÇAS POLÍTICAS NO CINEMA
  • SECÇÃO: Arte, Cultura e Comunicação
  • MESA: Mundos da arte, dinâmicas e lógicas de funcionamento
  • RESUMO:
    O cinema brasileiro possui uma produção pequena de filmes que reproduzem a história dos governantes. Somente nos anos 1970 é que começou a produção, de maneira mais sistemática, de filmes que buscam compreender a ação desses políticos nos períodos em que governaram o Brasil. Geralmente, os filmes ou são laudatórios, pois exaltam a figura do governante, ou são críticos, por apresentarem determinados presidentes e lideranças realçando suas características negativas. A presente proposta de comunicação tem como objetivo aprofundar o tema das lideranças políticas, agregando uma nova dimensão, desta vez dada pelo estudo da mídia audiovisual que repercute largamente no âmbito da sociedade contemporânea. Desta forma propusemos analisar a construção cinematográfica das imagens de presidentes e lideranças políticas do Brasil veiculadas amplamente por inúmeros filmes produzidos no país. O enfoque da pesquisa considerou as múltiplas facetas que encobrem as atividades políticas dos governantes no âmbito do poder executivo e de outras lideranças políticas, que se destacaram no cenário político brasileiro. Considerando a diversidade do campo de atuação política destes governantes, o estudo se norteou por uma ampla tipologia de ações que se constrói a partir das questões do significado da liderança, passando pelas condições de emergências de crises e escândalos até chegar à exaltação do personalismo político. Interessou também estudar e detectar nos filmes a construção de determinadas imagens que possam estar em conflitos com os discursos políticos proferidos pelas lideranças. A presente proposta de comunicação tem como objetivo aprofundar o tema das lideranças políticas, agregando uma nova dimensão, desta vez dada pelo estudo da mídia audiovisual que repercute largamente no âmbito da sociedade contemporânea. Desta forma propusemos analisar a construção cinematográfica das imagens de presidentes e lideranças políticas do Brasil veiculadas amplamente por inúmeros filmes produzidos no país. O enfoque da pesquisa considerou as múltiplas facetas que encobrem as atividades políticas dos governantes no âmbito do poder executivo e de outras lideranças políticas, que se destacaram no cenário político brasileiro. Considerando a diversidade do campo de atuação política destes governantes, o estudo se norteou por uma ampla tipologia de ações que se constrói a partir das questões do significado da liderança, passando pelas condições de emergências de crises e escândalos até chegar à exaltação do personalismo político. Interessou também estudar e detectar nos filmes a construção de determinadas imagens que possam estar em conflitos com os discursos políticos proferidos pelas lideranças. Já foram estudados filmes que tratam dos seguintes políticos brasileiros: Getúlio Vargas, João Goulart, Juscelino Kubitschek, Luiz Inácio Lula da Silva e Jânio Quadros. Para o presente trabalho iremos aprofundar a análise do ex-presidente João Goulart (Partido Trabalhista Brasileiro), que foi destituído pelo golpe de militar de 1964 e o presidente Tancredo Neves (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) eleito indiretamente pelo Colégio Eleitoral em 1985, porém morreu antes assumir o cargo. Portanto, o trabalho deverá propiciar a construção de definição de lideranças políticas, para obter uma tipologia a partir dos filmes, documentários e ficcionais para analisar a construção das imagens dos governantes e lideranças na produção cinematográfica brasileira. Filmografia Trancredo - a travessia, filme de Silvio Tendler, 2013. Dossiê Jango, filme de Paulo Henrique Fontenelle, 2013.

CHAINHO, Carla Maria Pereira Gonçalves

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  • COM0691: Limites da prospetiva e potencialidade dos “estudos do futuro” em Sociologia
  • SECÇÃO: Teorias e Metodologias
  • MESA: INOVAÇÕES METODOLÓGICAS E CONSTRUÇÃO DE CONHECIMENTO EM CIÊNCIAS SOCIAIS
  • RESUMO:
    O presente trabalho é desenvolvido com o objetivo de evidenciar e caracterizar a utilidade, as potencialidades e os limites da prospetiva e dos estudos do futuro em sociologia. Rémy Hess afirmou que os sociólogos sonham com a possibilidade de um dia as suas investigações contribuírem para mudança (Guerra, 2010). Assim, parece-nos haver inúmeras vantagens ao associarmos os estudos sociológicos às metodologias prospetivas dos “estudos do futuro”. O principal interesse desta abordagem é antecipar cenários, o que possibilita uma estruturação consistente, útil e eficaz para delinear estratégias de ação coletivas (Alvarenga e Carvalho, 2007). Porém, pode colocar-se um conjunto de questões epistemológicas sobre a participação dos sociólogos/investigadores nos processos em que são, simultaneamente investigadores das relações que se estabelecem entre atores. O futuro pode ser produzido e modificado pelas ações dos atores sociais (Godet, 1993), sejam estes individuais ou coletivos, através da proposta de estudos que caracterizem a sociedade futura nas suas diferentes dimensões: social, económica, cultural, o que conduz segundo Perestrelo (2008), a uma maior envolvência por parte desses mesmos atores. Esta comunicação debruça-se, pois, sobre a utilidade e as potencialidades dos métodos e das técnicas da prospetiva e dos estudos do futuro para diferentes contextos de investigação sociológica e sobre e sobre os limites epistemológicos que se colocam ao seu uso por esta ciência social.

CHAVES, Henrique

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  • COM0563: O ‘Direito à Cidade’ – O caso da Galeria de Arte Pública na Quinta do Mocho (Loures)
  • SECÇÃO: Territórios: Cidades e Campos
  • MESA: Outras Paisagens: Outras Práticas Sociais - A
  • RESUMO:
    A história do bairro da Quinta do Mocho começa em meados dos anos setenta num processo de ocupação de casas por famílias de imigrantes oriundas das ex-colónias portuguesas (Angola e Moçambique) na zona de Sacavém (Loures). Este processo dá origem a uma forte estigmatização social e territorial (Marôpo 2014), fomentada por problemas de criminalidade e falta de serviços públicos, de forma que podemos considerar que a Quinta do Mocho se trata de um “bairro de lata” (Wacquant 2001). Por outro lado, entre o fim dos anos oitenta e o início do novo milénio dá-se um longo processo de realojamento de moradores (para aquilo que é oficialmente chamado Urbanização dos Terraços da Ponte), sendo que este desenvolvimento histórico e social assemelha-se a muitos outros bairros na metrópole de Lisboa (exemplos: Baptista e Cordeiro 2002; Cachado 2001, 2008, 2013; Brancos 2012). Porém, há pouco mais de um ano, o bairro passou a ser reconhecido pelo projecto da Galeria de Arte Pública (GAP) e não pelos problemas sociais aos quais estava associado. Como consequência, começou a ser mencionado na comunicação social e a ser divulgado como um bairro convidativo e atractivo. De modo que deixou de ser “hostil” aos seus visitantes e, para além disso, como alguns moradores afirmam, já não é um bairro do qual os mesmos tenham vergonha de dizer que pertencem. Com efeito, a Quinta do Mocho é neste momento uma galeria de arte, quer isto dizer, foram realizados até ao momento aproximadamente cerca cinquenta projectos de street art. Estes projectos cobrem as fachadas dos prédios, normalmente por inteiro, e dão uma nova aparência física ao bairro. Sendo que são os próprios artistas que se disponibilizam para lá fazerem os seus trabalhos, de forma voluntária. A elaboração da GAP contou com a colaboração dos moradores, vários artistas, de associações, entidades religiosas e também dos poderes autárquicos. Consequentemente ocorreram alterações significativas no bairro: passou a existir uma carreira rodoviária com paragem no bairro, contrariando a situação anterior de inexistência de transportes rodoviários no bairro; o mesmo se verificou no caso dos táxis, que começaram a circular dentro do bairro; até mesmo as limpezas de rua, que antes eram mensais, actualmente são mais regulares, acontecendo semanalmente. Esta transformação contribui para refletir acerca do que é arte pública nestes contextos e se neste caso permite aos moradores adquirir ferramentas políticas para reivindicarem o seu “direito à cidade” (Lefebvre 1968). Interessa-me estudar como os moradores percepcionam estas mudanças, como os artistas olham para os seus trabalhos na transformação do bairro, partindo de pesquisa exploratória de terreno e entrevistas semi-directivas aos principais envolvidos na GAP. Em suma, tenho como ponto de partida saber se GAP é uma ferramenta que concede aos moradores bases para reivindicarem o seu “direito à cidade”.
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  • COM0565: “Quando o alvo das câmaras são crianças negras” – Uma proposta de discussão sobre o turismo da pobreza e do “outro” no bairro da Quinta do Mocho.
  • SECÇÃO: Turismo e Lazer
  • MESA: Turismo e Cultura
  • RESUMO:
    A Quinta do Mocho, bairro de Sacavém (Loures), que até há pouco mais de um ano era lembrada por ser um bairro social, com várias características que a aproxima a um bairro de lata (Wacquant 2001), passou a ser conotada como um bairro de referência. Este bairro tem neste momento uma Galeria de Arte Pública (GAP), projecto elaborado conjuntamente entre moradores, autarcas e associações ligadas ao bairro. Esta galeria é composta por aproximadamente cinquenta murais e obras de graffiti realizadas por artistas portugueses e estrangeiros de referência. A GAP impulsionou uma transformação no bairro que alterou duplamente a fachada do bairro: tanto por um lado físico; como por uma perspectiva metafórica. No primeiro caso, a GAP alterou, fisicamente, as fachadas dos prédios com as obras artísticas. Do ponto de vista da metáfora, a mudança da fachada, mostra como esta transformação física deu contornos mediáticos e sociais ao bairro, transformando a sua “fachada” num bairro que é em si mesmo uma galeria de arte, sendo referenciada nos principais meios de comunicação portugueses e nos canais de comunicação destes circuitos artísticos. Do modo que, esta galeria propiciou que existissem lógicas de turistificação dentro do bairro. Consequentemente, pessoas externas ao bairro e turistas começaram a visitar regularmente o bairro para verem os murais presentes no mesmo. Por tudo isso, a Câmara Municipal de Loures e os seus intervenientes no local, moradores e activistas organizam periodicamente, uma vez por mês, uma visita guiada pela GAP. No meio desta promoção sobressai um importante ponto para discussão, os próprios moradores, o seu modo de vida e os seus costumes tornaram-se assim “montra” para os turistas que visitam o bairro. Com efeito, o turismo relacionado à GAP soma-se à observação sobre os moradores, as fotografias às crianças do bairro como atracção turística, a possibilidade de se estar num bairro que há pouco mais de um ano era conhecido por ser um bairro a evitar, a criação de um discurso que delimita uma distância (ou uma aproximação cuidada tendo como base o referencial do visitante) entre visitante e moradores. Perversamente, existe o turismo da pobreza camuflado ou associado com o turismo artístico. De igual forma, temos o turismo sobre o “outro”, aquele que é desconhecido: o imigrante, o negro, o pobre, no geral pessoas que por norma estão distanciadas do “português branco comum” (reflexão equiparada a partir do trabalho de Said 1978). Portanto, tenho como objectivo explanar sobre como moradores e decisores convivem com estas lógicas, se as combatem, ou até mesmo se consentem, olhando para as mesmas como forma de atracção. Farei estas considerações a partir da observação participante em visitas ao bairro e recolhendo informações através de entrevistas a actores chaves do bairro. Por conseguinte, pretendo discutir quais são os limites destas lógicas no bairro da Quinta do Mocho.

CICHOWSKY, Seraphina

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  • COM0130: A violência contra pessoas idosas: percepções e perspetivas de pessoas idosas inseridas em contexto institucional e familiar
  • SECÇÃO: Dinâmicas Populacionais, Gerações e Envelhecimento
  • MESA: Envelhecimento e Relações Sociais
  • RESUMO:
    A presente pesquisa incide sobre o tema da violência perpetrada contra pessoas idosas, tanto em meio familiar/doméstico, como em meio institucional. Procurou-se, através de uma abordagem qualitativa, captar e esclarecer as percepções individuais de idosos sobre a violência dirigida à sua faixa etária em particular. Para tal analisou-se o discurso de vinte entrevistados com sessenta e cinco ou mais anos, de ambos os géneros, inseridos tanto em meio familiar como em meio institucional. A análise aprofunda duas perspectivas, em primeiro lugar procura depreender como é que a violência é percepcionada por dois grupos de idosos com características distintas, olhando-se para as acções que são consideradas violentas, para os factores de risco que potenciam tais acções e para as estratégias pós-abuso. Em segundo lugar foi feito um esforço para entender em que medida as percepções correspondem às definições e conceptualizações divulgadas pela literatura científica. Partiu-se da ideia de que as percepções dos entrevistados possam ser variáveis, tendo em conta as especificidades sócio-culturais que os caracterizam, principalmente o seu contexto residencial, que como se poderá ver, foi o factor mais diferenciador entre ambos os grupos e as respectivas opiniões. Também a conjuntura sócio-económica que se vive na actualidade em Portugal contribui e poderá acentuar desigualdades sociais que se reflectem na maneira como o idoso é tratado e retratado na sociedade. Fará sentido crer que a violência dirigida contra o idoso tende a se acentuar e aprofundar à medida que a precariedade e falta de perspectivas para o futuro se generalizam. A pobreza e exclusão social poderão então ser encarados como um catalisador da violência contra o idoso, que se concretiza de formas variadas, tanto a nível físico, psicológico como económico. Os idosos institucionalizados e os não institucionalizados aqui envolvidos são à partida dois grupos bastante diferentes, porém ao longo da pesquisa essas diferenças tornam-se ainda mais visíveis e vincadas, tendo-se em conta as percepções sobre violência por eles veiculadas, que na sua essência nos remetem para questões sociais que moldaram a vivência destes indivíduos. O seu nível de escolarização, a profissão que desempenharam e o lugar onde cresceram/viveram (rural ou urbano) e no culminar o seu contexto residencial na altura da realização deste estudo, são factores que limitaram ou expandiram as suas noções sobre este tema, o que é evidente quando são analisados os relatos de uns e de outros (idosos). Veremos então que para os idosos aqui abordados existe uma multiplicidade de actos e comportamentos que podem ser considerados violentos e que as suas percepções são fortemente moldadas por factores sociais e pessoais diferenciadores.

CIPRIANO, Diogo

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  • COM0291: Hábitos Desportivos da População Reclusa dos Estabelecimentos Prisionais de Caxias, Linhó e Lisboa
  • SECÇÃO: Sociologia do Desporto
  • MESA: Práticas e significados desportivos
  • RESUMO:
    O desporto moderno assumiu-se como um meio privilegiado de aprendizagem das relações sociais (Elias, 1992). Nesta acepção, também nos EP as vivências produzidas no seio da interacção desportiva podem contribuir para a aquisição de competências relacionais e melhoria das vivências quotidianas (Marivoet, 2005). Competências que poderão ser mobilizadas na vida social pós-reclusão, apresentando-se assim o desporto como um meio para o sucesso do processo de reinserção social. Partindo destes pressupostos, pretendemos saber, de que modo a prática desportiva nos EP poderia contribuir para o bem-estar dos reclusos? Esta questão levou-nos a procurar saber quais os hábitos desportivos dos reclusos, e a relação da participação desportiva (Ip) actual com o perfil social e jurídico-penal, e ainda com a toma de medicamentos. Pretendeu-se ainda aprofundar a representação dos actores em estudo sobre a importância da prática desportiva na sua vida em reclusão, o desporto e o desportista. O estudo foi realizado no âmbito do estágio curricular do Mestrado em Sociologia do Desporto, realizado em 2014/2015, na DGRSP. A amostra foi constituída por 158 reclusos dos EP de Caxias, Linhó e Lisboa, aos quais foi aplicado um inquérito por questionário construído para o efeito. Os reclusos apresentam hábitos desportivos: 77% no passado e 70% nos EP, por isso mais baixa em período de reclusão embora superior à média nacional estimada em 36%, ainda que com uma regularidade superior, respectivamente de 80% e 93% (4,41 vezes por semana). Proporcionalmente, as participações desportivas são superiores nos mais jovens, solteiros, oriundos de outros países europeus, e nos que não tomam medicamentos. Tanto quanto nos foi dado observar, os reclusos da nossa amostra consideraram que a prática desportiva na prisão contribui para o seu bem-estar, em particular por atenuar as dificuldades associadas à separação familiar, relaxar e melhorar o seu estado psicológico. Os dados obtidos permitiram assim aprofundar o conhecimento sobre a importância do desporto no processo de reinserção social dos reclusos, constituindo-se como indicadores de planeamento na definição de novas estratégias de intervenção em meio prisional.

COELHO, Patrícia

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  • COM0119: Postos à Prova: Práticas Familiares de Pessoas Idosas em tempos de crise e de austeridade
  • SECÇÃO: Famílias e Curso de Vida
  • MESA: Cuidados e Envelhecimento
  • RESUMO:
    A presente comunicação é resultado de uma investigação em curso, no âmbito do Doutoramento Interuniversitário em Sociologia OPENSOC. A crise global, iniciada em meados de 2008, agravada pela crise das dívidas soberanas, em 2010, levou o país a uma situação financeira grave. O combate à crise levou à adoção de políticas económicas e medidas de austeridade financeira, não só em Portugal, como em vários países da União Europeia, que contribuíram para acentuar as fragilidades dos Estados-providência e das famílias enquanto provedores de bem-estar. É justamente sobre esta realidade que o nosso olhar irá incidir, procurando compreender as mudanças ocorridas nas práticas familiares das pessoas idosas, uma categoria da população com um peso estatístico crescente na sociedade portuguesa e particularmente vulnerável a situações de pobreza e de exclusão social. O objetivo central desta investigação é compreender, em profundidade, como a “sociedade de austeridade”, enquanto nova configuração socio-histórica, se manifesta nas vidas quotidianas das pessoas idosas, em particular nas suas práticas familiares, partindo-se da assunção de que a família representa um dos principais “sistemas de integração social”. Procurar-se-á, ainda, compreender os significados que as pessoas idosas atribuem às mudanças nas suas práticas familiares, assim como as consequências que estas comportam para os seus níveis de saúde e de bem-estar. Na busca desta compreensão olhar-se-á para os contextos em que as pessoas idosas se inserem, nomeadamente para os seus percursos de vida e para estruturas sociais tais como o género, a idade e a classe social. A aproximação a esta realidade social será suportada por diversos instrumentos teóricos/concetuais, com destaque para o conceito de “prova” e para a sociologia do indivíduo de Danilo Martuccelli, recorrendo ao conceito de “práticas familiares” de David Morgan e também à perspetiva do percurso de vida iniciada por Glen Elder, bem como à perspetiva da interseccionalidade proposta por Kimberle Crenshaw. Com um design metodológico qualitativo em que impera a “lógica da descoberta”, a orientação geral será a Abordagem Narrativa/Biográfica, com recurso à Entrevista Biográfica/Narrativa e à Pesquisa Documental como técnicas de recolha de dados. A análise dos dados será feita de acordo com os procedimentos da Análise Narrativa e da Framework Analysis. Espera-se, com esta investigação, contribuir para a compreensão da relação entre “história e biografia” nas fases mais adiantadas da vida, a partir das perspetivas das pessoas idosas, ainda negligenciadas na investigação sociológica. Por último, espera-se contribuir para o debate em torno das políticas públicas dirigidas à população idosa.

CONCEIÇÃO E SOUZA, Carolina

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  • COM0225: Quem é o consumidor crítico? Um estudo exploratório sobre o consumo sustentável de moda.
  • SECÇÃO: Sociologia do Consumo
  • MESA: Consumo ético e sustentável
  • RESUMO:
    Muito tem-se discutido e pesquisado sobre a produção de caráter sustentável, como novas tecnologias e processos de reaproveitamento de matérias-primas, buscando a diminuição de impacto ambiental. Porém a forma como o consumo desse tipo de produto e serviço é feito não tem sido objeto de discussão. Este estudo exploratório interessa-se na ideia do consumidor crítico (Lang e Gabriel, 2005) que, sob a égide da Sociedade de Risco (Beck, 2000; Giddens 1991), repensa seus atos de consumo num viés ético e moral, levando em consideração questões como ecologia e justiça social no momento de apropriação e criação de signos identitários. Este trabalho aborda o consumo crítico dentro do campo da moda, utilizando o Movimento Slow Fashion como universo de pesquisa. Tendo como premissa criar produtos e vivências duráveis e autênticas, através da recuperação (ou reinvenção) das produções e narrativas locais na esfera das memórias culturais e pessoais (Kipoz, 2012), é interessante a análise das formas como os consumidores atuam no contexto de liberdade das amarras espaço-temporais através do uso da internet.

CORDEIRO, Sandra Maria Almeida

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  • COM0144: HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL - a experiência de Londrina, Paraná, Brasil
  • SECÇÃO: Territórios: Cidades e Campos
  • MESA: Habitar a Cidade: Política e Ação - A
  • RESUMO:
    Este artigo analisa a experiência de Habitação de Interesse Social, através do Programa Minha Casa Minha Vida, no município de Londrina/PR, congregando 2.712 unidades habitacionais, que atendeu famílias com renda de até três salários mínimos. O empreendimento resultou na criação de um novo bairro chamado Vista Bela, entregue nos anos de 2011 e 2012.. As famílias que lá residem foram desterritorializadas, saindo das diferentes regiões da cidade. O artigo apresenta os resultados de pesquisa, bibliográfica e documental, que teve como fontes documentos da COHAB/LD; reportagens em jornais locais e resultados da pesquisa intitulada A lógica Territorial na Gestão das Politicas Sociais. Demonstramos nesse artigo que o empreendimento ao assegurar a oferta de novas moradias, desconsiderou o território como espaço habitado e o direito a cidade. O município deve promover o adequado ordenamento territorial, mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano. A regulamentação do uso e ocupação do solo e do zoneamento urbano são os principais instrumentos legais que permitem ao gestor o planejamento do desenvolvimento do território da cidade que irá ordenar de forma a permitir a distribuição racional das atividades e da população no espaço urbano, visando o acesso da população aos serviços públicos e privados e garantindo o desenvolvimento local de acordo com a forma desejada e planejada e com a participação da sociedade em todas as fases do processo. O arcabouço legal que dá sustentação e instrumentaliza a gestão municipal, foi complementado pelo Estatuto da Cidade, que estabelece as diretrizes gerais para o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e da propriedade urbana. A habitação de interesse social e suas variáveis, interage com uma série de fatores sociais, econômicos e ambientais, e é garantida constitucionalmente como direito e condição de cidadania a população de quem dela necessita. Inúmeros desafios e obstáculos necessitam ser superados, para concretização desse direito, principalmente quando relacionamos a questão habitacional como fruto de uma cadeia de fatos históricos que modelaram sua situação atual. Assim, a leitura e o conhecimento aprofundado dos fatores socioeconômicos e históricos que moldam as necessidades habitacionais do país permite a compreensão atual e a projeção futura. Além da segregação espacial, o Vista Bela não contemplou o acesso aos equipamentos públicos de atenção à saúde, assistência social, educação dentre outros.

COSTA, Hermes

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  • COM0423: Discursos e protestos sindicais e sociais em contexto de austeridade: uma oportunidade perdida para a construção de territórios identitários comuns?
  • SECÇÃO: Trabalho, Organizações e Profissões
  • MESA: Género, Profissões e regulação institucional das relações de trabalho III
  • RESUMO:
    Os últimos anos de austeridade constituíram uma oportunidade para que, em território nacional, as “velhas” organizações sindicais (com destaque para a CGTP e UGT) e os “novos” atores sociolaborais (como o FERVE, a rede MayDay, a Associação de Combate à Precariedade ou o Movimento dos Sem Emprego) organizassem respostas sociais conjuntas. Na verdade, foram múltiplas as razões para contestar (seja sob a forma de greves, seja sob a forma de protestos sociais mais amplos) a perda de direitos laborais e sociais: flexibilização do mercado de trabalho; enfraquecimento do papel dos sindicatos e da negociação coletiva; reforço de assimetrias no mercado de trabalho (entre classes de rendimentos elevados e classes de rendimentos baixos, ou entre setor público e setor privado); forte diminuição do poder de compra das famílias; maior empobrecimento do setor produtivo; agravamento da incompatibilidade do trabalho com a vida pessoal e familiar. Em geral, o trabalho e a precariedade estiveram quase sempre presentes tanto na agenda das organizações sindicais, como na de outras organizações e movimentos sociolaborais. Porém, apesar da pressão para a “soma esforços” – no sentido de criar um “território identitário” de discursos e protestos comum, vertido na construção de alianças sociais amplas – ela acabou por se afigurar algo temerária. Assim sendo, no sentido de debater o argumento aparentemente contraditório – entre vontade de protesto versus receio de alianças sociais – procuro nesta comunicação recuperar discursos e práticas sindicais e sociais sobre a austeridade, bem como enunciar obstáculos persistentes e potencialidades por explorar, por um lado, e mapear uma “agenda de tarefas” para organizações sindicais e atores sociolaborais, por outro.

COSTA, Joaquim

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  • COM0315: Religião e Economia: globalização e extraterritorialidade
  • SECÇÃO: Crenças e Religiosidades
  • MESA: Reconsiderações teóricas sobre continuidades e mudanças religiosas num mundo global
  • RESUMO:
    A ideia de globalização possui uma conotação de extraterritorialidade. Sugere-nos que, algures num território, alguma coisa se afirma e, depois, se expande progressivamente, até atingir o estatuto de extraterritorial. Nestes termos, podemos pensar em economia ou em religião. No caso do capitalismo, a sua expansão desmantelou muitas economias locais para criar um mercado mundial sem obstáculos à circulação de mercadorias e capitais; será uma forma de universalismo. Tendencialmente, o capital torna-se perfeitamente extraterritorial, enquanto o trabalho permanece essencialmente territorial, isto é, fragilizado. No caso das duas maiores religiões mundiais, podemos vê-las de modo semelhante: universalistas na natureza e expansivas na história; de caminho, reprimiram ou destruíram religiões locais e deixaram muitos escombros heréticos. Se a doutrina pende para a extraterritorialidade, os crentes são territoriais e as culturas continuam a ter raízes locais. Irrompem as teologias da inculturação no catolicismo, e continuam as disputas interculturais no islamismo (jejum, dieta, oração, estatuto da tradição). Em ambos os casos, deparamo-nos com uma ânsia “universalista fundamentalista”: se há quem pretenda impor um código de costumes uno, a aplicar com zelo religioso nos trópicos como nos círculos polares, também há quem se afane com zelo igual nos códigos económicos – produzir, trocar, consumir, distribuir sempre da mesma maneira em todos os lugares. Em resposta, emergem formas de resistência “locais”. Heresias há-as nas doutrinas económicas e nas religiosas. O cruzamento entre religião e economia não é assunto só retórico. O pensamento social das igrejas demonstra-o. No campo católico, esse cruzamento, nos últimos tempos, reabriu uma velha guerra de territórios, às vezes sem muito verniz: o progressista e o conservador. O tema da pobreza de muitos, afrontada pela riqueza de poucos, volta ao centro do debate. Também na Idade Média e no Renascimento tinha lá estado. No início do século XIV, o papa João XXII declarou herética a tese de que Cristo e os discípulos eram igualitariamente pobres, sem bens nenhuns. Nem assim.

CUNHA, Luís

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  • COM0398: (Des)Regulação económica e modelo político
  • SECÇÃO: Globalização, Política e Cidadania
  • MESA: Crise e Lutas Sociais
  • RESUMO:
    Nesta comunicação, proponho-me refletir a partir do cruzamento de duas linhas de análise. Situarei a primeira delas na longa duração, procurando perceber de que forma as propostas políticas de transformação do mundo, expressas, por exemplo, nas sucessivas Internacionais, podem contribuir, ainda hoje, para o debate público. Por outro lado, procurarei delinear os traços fundamentais da experiência social e política contemporânea, na tentativa de dar conta das profundas transformações a que vimos assistindo e da dificuldade de encontrar alternativas consistentes, capazes de configurar um projeto mobilizador. Assentando no cruzamento destas duas dimensões, argumentarei que os processos multidimensionais de globalização vêm gerando um efeito duplo e contraditório. Por um lado, tanto através da concentração que produz em sistemas sensíveis, desde logo o financeiro, como através da unificação de sentidos sobre o mundo, gera um efeito de cerco que legitima a ideia de inevitabilidade do próprio processo. Porém, a esta aparente hegemonia ideológica e de ação prática contrapõe-se um outro efeito. O seu centro reside já não na oposição clássica entre direita e esquerda, pelo menos não como expressão direta de uma esquemática luta de classes. Sem que esta oposição tenha deixado de fazer sentido, ela deve hoje ser revista e recomposta com base nas profundas transformações no mundo do trabalho, bem como tendo em conta a emergência e afirmação de formas de participação cidadã que escapam a um estrito modelo de democracia representativa.

DARIDO DA CUNHA, Maíra

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  • COM0466: UM OLHAR PARA OS SERVIDORES PÚBLICOS COM DEFICIÊNCIA DE UNIVERSIDADES PÚBLICAS BRASILEIRAS: DA TRAJETÓRIA DO INGRESSO À QUESTÃO DA PERMANÊNCIA
  • SECÇÃO: Sociologia da Educação
  • MESA: Territórios educativos e (re)produção de desigualdades, exclusões e inclusões (Sessão II)
  • RESUMO:
    Lidar com a inclusão na sociedade brasileira mostra-se como um desafio, particularmente quando trabalhamos com as universidades públicas que desconhecem as necessidades específicas de seus funcionários. As universidades, promotoras da discussão sobre inclusão e diversidade, deveriam adotar políticas de incentivo de pessoas com deficiência em seu quadro de trabalho. Infelizmente, não é notada essa prática dentro das universidades públicas brasileiras. A inclusão de funcionários dentro das universidades é efetivada por vias da lei, Decreto nº. 3298 que indica que 5% das vagas de qualquer concurso público devam ser reservadas a pessoas com deficiência, a legislação ainda se estende para empresas e autarquias que devem ter em seu quadro geral de funcionários a mesma porcentagem estabelecida para concursos públicos, observa-se, porém, que essa imposição é para empresas e autarquias com mais de 100 funcionários. Mais do que a questão do ingresso, é necessário discutir quais são as deficiências das pessoas que trabalham nas universidades, se as condições oferecidas de trabalho são condizentes as deficiências destes servidores públicos. Assim, a investigação buscou identificar, descrever e analisar o processo de inclusão de pessoas com deficiência que atuam profissionalmente na Universidade Estadual Paulista (UNESP), na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), através do método comparativo. O enfoque foi a identificação de pessoas com deficiências que estejam empregadas nas universidades – técnicos administrativos e docentes –, as quais puderam, por suas experiências, relatar suas trajetórias de inserção e permanência no mundo do trabalho. Os resultados foram obtidos por meio de entrevistas e questionários totalizando em aproximadamente 170 funcionários das três universidades estudadas. A análise, ainda em andamento, evidencia questões como carência nas estruturas que permitam a acessibilidade até mesmo dentro das universidades falta de mobiliário específico que acomode pessoas com deficiências, desinformação dos chefes e dos pares quanto algumas limitações apresentadas pelos entrevistados e até falta de ferramentas, como equipamentos e softwares, que possibilitem a transcrição em áudio ou em braile de documentos fundamentais para o trabalho cotidiano.

DE ALMEIDA CORRÊA, Simy

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  • COM0670: POLÍTICA ENERGÉTICA NO BRASIL E EM PORTUGAL: A CONSTRUÇÃO DE TERRITÓRIOS DE VIOLÊNCIA?
  • SECÇÃO: Ambiente e Sociedade
  • MESA: Conflito, cidadania e participação
  • RESUMO:
    As exigências ambientais globais impõem aos países parâmetros de qualidade e eficiência energética e ambiental semelhantes, como também padrões socioambientais. Entretanto, muitas vezes, as diferenças e/ou particularidades culturais, históricas e ambientais são negligenciadas em detrimento do “padrão global”. A exemplo disso propomos uma análise comparativa entre as políticas energéticas do Brasil e de Portugal. As exigências ambientais da Comissão Europeia estão levando Portugal a mudar sua matriz energética para substituir as usinas térmicas à carvão por fontes de “energia limpa”. Atualmente, há cerca de 11 hidrelétricas em construção ou ampliação e outras seis hidrelétricas sendo construídas por Iberdrola e Endesa. A maior delas é o Aproveitamento Hidrelétrico do Baixo Sabor - AHBS, obra do grupo brasileiro Odebrecht, o projeto associa aproveitamento hidrelétrico e eólico. Tal projeto contemplou a construção de cavernas com sensores para os cem morcegos que foram “desalojados” pela obra, como também a criação de um sistema de choque elétrico para forçar os peixes a seguirem as novas rotas de desova. Tais medidas visam mitigar os graves impactos que a obra impõe, como também desarticular os movimentos sociais que se opõem à construção das barragens no Rio Sabor, considerado o último rio selvagem de Portugal. O projeto também prevê a transferência dos santuários de Santo Antão das Barcas, construído em 1754, e de São Lourenço (de data desconhecida) das áreas que serão inundadas. As duas igrejas serão desmontadas e reconstruídas, para que possam continuar a receber os romeiros que visitam a igreja de Santo Antão anualmente, no mês de setembro, e os que festejam São Lourenço, em agosto. Tal como acontece em Portugal, o Projeto Hidrelétrico de Belo Monte, entre os vários projetos com grandes impactos em andamento no Brasil, concebe a construção de um território de violência. Atualmente são mais de 1500 processos judicializados pelos deslocamentos compulsórios urbanos e rurais, são mais de 9.000 pessoas removidas na área urbana, entre os atingidos estão as populações indígenas das etnias Arara e Juruna. Assim, verificamos um esforço em ter uma visão da natureza a partir de uma consideração moral e, eminentemente, antropocêntrica. Mas as mudanças sociais provocam várias rupturas no paradigma ético, jurídico e sobretudo social da relação homem-natureza. Este trabalho propõe a revisão do conceito de natureza, associada à uma crítica sobre a técnica que está intimamente ligada ao quadro de crise ambiental hoje. Como também nos propomos a discutir o impacto que esses grandes empreendimentos impõem à dinâmica local de povos autóctones e às populações tradicionais de forma violenta, criando territórios de resistência à hegemonia da técnica e do poder econômico.
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  • COM0668: JUSTIÇA AMBIENTAL PARA QUEM? - A NATUREZA ENQUANTO SUJEITO DE DIREITO
  • SECÇÃO: Sociologia do Direito e da Justiça
  • MESA: Atores do Direito e da Justiça
  • RESUMO:
    Após um passeio pela filosofia ocidental, percebe-se a mudança do conceito de natureza ao longo da história. Assistimos à dessacralização da natureza e a sua transformação em objeto à serviço do homem. E o homem, por sua vez, muda seu “status” para se transformar no portador do SER e, portanto, torna-se SUJEITO. Pressupõem-se que tudo que não é humano é, portanto, coisa. Isso também denota às ciências um outro olhar, um olhar fragmentado e eminentemente antropocêntrico, seus resultados, seus objetivos voltam-se para as necessidades dos homens. Entretanto, o século XX começa a vislumbrar os problemas ambientais que tal relação homem-natureza impõe. A década de 1970 é um marco mundial de discussão quanto as consequências do modo de vida industrial e altamente poluente. A percepção de finitude resgata a dependência do poderosos homens à natureza-objeto. O Direito, enquanto, ciência que também se curvou ao homem, insere em seus princípios fundamentais a “qualidade do meio ambiente”, mas para o bem estar dos humanos e, tão somente. A coexistência de direitos do homem e direitos da natureza parece tão impossível quando a coexistência do homem livre e humano versus do homem tecnológico? Não por acaso todo esse percurso filosófico também encontra paralelo na construção dos direitos, na filosofia do Direito e nos princípios fundamentais de constituição da norma. Dessa maneira, o resgate dos conceitos de natureza e das leis sobre tal tema revelam o que em cada tempo, os dominantes queriam enquanto manutenção de poder, posto que revela também o valor e posição que a natureza teve e tem, bem como o papel da ciência enquanto legitimadora, assim como o Direito, do status quo. Nesse sentido, pretendemos como objetivo deste trabalho analisar como o Direito dos “modernos” reifica (transforma em coisa - desnaturaliza) a natureza e repete as características de apropriação, classifica todos os elementos da natureza e os transforma em objeto de apropriação. E assim, para quem eram essas regras de Direito? E para quem são até hoje? Doravante à desventura da imposição da força à natureza, outrora já se viu contra o próprio homem em séculos de escravidão. Desde a era antiga até a era moderna. Espanta-nos os descaminhos do futuro da natureza? Mas tantos outros já foram e são de toda a humanidade.

DE ALMEIDA, Sílvia

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  • COM0281: (In)sucesso Escolar em Territórios Educativos de Educação Prioritária: uma análise aos resultados dos exames nacionais
  • SECÇÃO: Sociologia da Educação
  • MESA: Territórios educativos e (re)produção de desigualdades, exclusões e inclusões (Sessão IV)
  • RESUMO:
    Os estudos dos anos 60 sobre as desigualdades escolares (Bourdieu & Passeron, 1964; Coleman, 1966; Plowden, 1967) colocaram desafios às políticas educativas e novas exigências às instituições de ensino. Estes estudos clássicos demonstraram que a igualdade de acesso ao ensino se traduzia meramente numa igualdade formal e não efetiva, por reproduzir as diferenças sociais em diferenças escolares. A escola para todos tornou-se num espaço cada vez mais heterogéneo, o que conduziu progressivamente ao deslocamento da lógica da igualdade para a da equidade. Desde então, iniciou-se um debate em torno da capacidade dos sistemas educativos responderem aos desafios da universalização do acesso ao ensino que foi decisivo para a adoção de políticas de educação compensatória nos EUA. Estas políticas difundiram-se noutros países, como é o caso das Education Action Zones no Reino Unido (década de 60), das Zones d’Éducation Prioritaire (Duru-Bellat & Van Zanten, 2009) em França (década de 80) e em Portugal, já na década de 90, intituladas de Território Educativo de Intervenção Prioritária (TEIP). A distinção das “zonas prioritárias” serviu o propósito de o governo central intervir por via de mecanismos de discriminação positiva para criar condições especiais de afetação de recursos (Justino e Batista, 2013) em contextos de maior risco de exclusão social e de baixos resultados escolares. No quadro destas políticas que se centram em territórios problemáticos, o local surge como quadro de realização contextualizada de políticas nacionais ou como quadro de produção de políticas próprias (Pinhal, 2012, em Barroso, 2013). No contexto português, os estudos sobre as duas primeiras fases dos TEIPs (1996 e 2006) têm demonstrado reservas em relação à sua eficácia na diminuição do insucesso pois ora parecem funcionar como instrumento de pacificação social dos “bairros difíceis” (Canário, Alves & Rolo, 2000), ora consideram necessário “avaliar se para os estabelecimentos de ensino, o Programa TEIP é mais atrativo pelos meios e equipamentos que pode oferecer (material didático, criação de infraestruturas, como pavilhões desportivos, refeitórios, bibliotecas escolares) do que pela promoção do sucesso escolar” (Ferreira & Teixeira, 2010, p. 346). Nesta comunicação, pretende-se caracterizar as Escolas TEIP e analisar os seus resultados escolares em exames nacionais, no sentido de perceber se evoluíram positivamente no período de vigência da terceira fase TEIP (desde o ano letivo 2012-2013). Para tal, mobilizam-se os dados de caracterização socioeconómica das Escolas, provenientes do Sistema de Informação do Ministério da Educação (MISI), bem como os resultados em exames nacionais, acessíveis através da base de dados do Júri Nacional de Exames.
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  • COM0505: Modos de Apropriação das Políticas Educativas para uma Gestão Curricular Contextualizada
  • SECÇÃO: Sociologia da Educação
  • MESA: A governação política dos territórios educativos (Sessão III)
  • RESUMO:
    A expansão mundial da escola de massas, tendo como origem os sistemas escolares do norte da Europa, representou um dos mais destacados exemplos das dinâmicas isomórficas que estruturaram os modernos sistemas educativos nacionais (Justino & Almeida, 2016). A construção do Estado-nação exigia a participação dos cidadãos nos projetos políticos e a socialização para a identidade nacional passava pela escola pública universal. As perspetivas neoinstitucionalistas demostraram que o sistema escolar apresentou padrões de organização de acentuado isomorfismo institucional (Meyer, 2000): 1) na expansão escolar, cujo princípio da escolaridade obrigatória se alargou num processo global; 2) na organização curricular; 3) e nas estruturas organizacionais, sobretudo, na inspeção e na formação de professores. A instituição escolar manteve durante muito tempo a estrutura organizativa e pedagógica de caraterísticas uniformizadoras própria para públicos mais seletivos e homogéneos. Nas agendas políticas e investigativas dos anos 80/90, identificaram-se novas orientações: a necessidade de contextualização, flexibilização e diferenciação curricular. Passados vinte anos da introdução do Projeto de Gestão Flexível do Currículo, pretende-se caracterizar o modo de apropriação das políticas educativas orientadas para a gestão curricular contextualizada. Privilegia-se uma metodologia de investigação qualitativa que procura relacionar as representações e práticas das lideranças intermédias de gestão das escolas na elaboração de projetos curriculares.

DE CAMARGO SANTOS, Caynnã

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  • COM0638: ´I look Divine´: Vilania, drag e heteronormatividade em ´A Pequena Sereia´.
  • SECÇÃO: Arte, Cultura e Comunicação
  • MESA: Estéticas, artes e representações
  • RESUMO:
    A relevância das animações infantis no processo de ensinar papéis específicos, valores e ideais é amplamente reconhecida pelos estudiosos da cultura. Compreendendo a cultura da mídia como um dos “territórios” contemporâneos onde se dão processos de criação e reprodução de significados atribuídos aos mais variados âmbitos da vida social, a partir dos quais são estruturados procedimentos de controle e exclusão de corpos, idéias e comportamentos, o presente trabalho, decorrente de nosso projeto de mestrado defendido em 2015 na Universidade de São Paulo, tem como objetivo central desvelar e analisar criticamente a sutil estratégia discursiva recorrentemente empregada em filmes de animação dos Estúdios Disney, estratégia essa que cumpre em reiterar o status de normalidade das formas de identificação hegemônicas a partir da atribuição de teor de negatividade a identidades desviantes em relação às expectativas sócio-historicamente constituídas sobre os gêneros. Para tanto, empreendemos uma análise sociocultural - nos valendo livremente de aspectos epistemológicos e metodológicos próprios à Semiótica e à Análise Crítica do Discurso -, de modo a evidenciar a presença de elementos de transgressão dos papéis de gênero concebidos como “naturais” na representação da vilã Úrsula, de A Pequena Sereia (1989). Enfatizamos a análise de elementos presentes no nível discursivo do texto, destacadamente os figurinos da personagem, seus códigos de gestualidade e sua conformação física. Observamos que o padrão de representação mobilizado na animação veicula uma implícita avaliação das formas de ser e agir que frustram as tradicionais normativas de masculinidade e feminilidade, inequivocamente associando-as com aspectos como crueldade, egoísmo, brutalidade e ganância. Por fim, operacionalizando noções tais quais as estruturas de sentimento williamsianas e as práticas de transcodificação discursiva como entendidas por Douglas Kellner, buscamos estabelecer uma relação entre o contexto político e cultural norte-americano vigente no período de lançamento do filme – marcado pela onda homofóbica desencadeada pelo surto de AIDS da década de 1980 – e o teor do discurso fílmico analisado.

DE SOUSA LOPES REIS, Helena Maria

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  • COM0615: A (in) Corporação da Vulnerabilidade – Contributos para uma reflexão em torno da corporeidade do Idoso com Incontinência
  • SECÇÃO: Sociologia da Saúde
  • MESA: Corpo, género e práticas de saúde
  • RESUMO:
    O corpo desde sempre tem sido objeto de estudo, análise e intervenção nas mais diversas ciências. Se inicialmente esta análise era quase estrita aos saberes biomédicos, hoje a reflexão sobre o mesmo não se limita a um espaço restrito, assumindo lugar de destaque entre as ciências sociais e humanas. Ao aliarmos ainda as questões relacionadas com a velhice e as vivências corporais dos idosos, legitimamente terão que ser trazidas á discussão os aspetos biológicos associados (corpo físico), mas também não poderemos descurar a dimensão social dos mesmos (corpo social), principalmente quando agregamos questões de vulnerabilidade como é o caso da incontinência. Na presente comunicação propomo-nos efetuar esta discussão em torno das dimensões biológica e sociocultural do idoso com incontinência, analisando a corporeidade enquanto manifestação simbólica da existência corporal contextualizada no tempo e espaço social (Resende, 1999; Ferreira, 2013; Lopes 2013). A partir de uma inserção ainda exploratória, numa realidade concreta de cuidados e através de uma abordagem etnometodológica, verificamos que a incontinência surge associada à gestão do cuidado sujo onde as questões da “pureza”, da “repugnância” e da “vergonha” estão presentes, bem como a necessidade de invasão da esfera e espaço íntimo. Urge pois refletir sobre os atos, o contexto e as interações, isto é, como o corpo incorporado e culturalmente vivido, o espaço de si e dos outros, perceções e simbolismos se cruzam na esfera semiprivada de um quotidiano que surge inscrito numa vulnerabilidade difícil gerir tanto para quem cuida como para quem é cuidado (Douglas, 2000; Le Breton, 2006).
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  • COM0427: Envelhecimento e Continuidade de Cuidados – Os desafios dos contextos de paliação.
  • SECÇÃO: Mesa Intertemática de Posters (Sociologia da Saúde e Dinâmicas Populacionais, Gerações e Envelhecimento)
  • MESA: Saúde, Cuidados e Envelhecimento [Posters]
  • RESUMO:
    O envelhecimento populacional, o aumento das doenças crónico-degenerativas, bem como as próprias alterações da estrutura familiar, colocam à sociedade e aos serviços de saúde, especificamente, novos reptos. No caso desta comunicação, focamo-nos em particular nos desafios quotidianos dos profissionais de saúde em contexto de paliação. Ancorados em dados obtidos através do projeto “Construindo caminhos para a morte – uma análise de quotidianos de trabalho em cuidados paliativos”, financiado pela FCT (PTDC/CS-SOC/119621/2010). O projeto teve como objetivo geral descrever e analisar as formas pelas quais os profissionais de saúde lidam, nos cuidados paliativos, com a complexidade em situações sociais específicas e compreender se e como estes profissionais tentam construir arranjos sociais de modo a promoverem o conforto dos doentes terminais e a diminuírem o seu sofrimento nas suas trajetórias de final de vida. Com base no material empírico constituído pelos discursos dos profissionais de saúde entrevistados (médicos, enfermeiros e assistentes sociais), efetuámos uma análise das representações e modos de ação quotidianos em cuidados paliativos, de onde se salienta a complexidade social subjacente ao seu trabalho quotidiano, atravessado por perturbações, desacordos, mal-entendidos e desafios permanentes. Os resultados revelaram a importância da existência de uma multidisciplinaridade no cuidar, no sentido de se promover o necessário conforto, não só aos doentes, como às suas famílias e cuidadores, muitas vezes também eles envelhecidos e portadores de doenças crónicas. Pensamos que os resultados obtidos poderão constituir uma mais-valia para sociólogos e outros profissionais que trabalhem nas questões ligadas à saúde e ao envelhecimento, pois com o aumento da esperança média de vida e dos índices de dependência, será necessário abordar as questões da paliação e da continuidade dos cuidados em abordagens integradoras e oriundas de diferentes perspetivas disciplinares de base.

DE VINCENZI, Manuela

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  • COM0402: O PROJETO URBANO, ENTRE IDEOLOGIAS E USOS QUOTIDIANOS.
  • SECÇÃO: Identidades, Valores e Modos de Vida
  • MESA: Adolescentes e Jovens em (Re)definição Identitária
  • RESUMO:
    O tema proposto foca em que medida o mesmo conceito arquitectónico em contextos diferentes é apropriado, muitas vezes, de forma antagónica. Partindo do caso de estudo “Tróia, Cidade Jardim” e o Bairro do Condado (Lisboa), o segundo inspirado no conceito morfológico do primeiro (o de cidade jardim) com a finalidade de melhorar a qualidade de vida e conferir mais dignidade a essa zona, serão apresentados vários casos de intervenção urbana com fins e contextos parecidos, na Europa, para comparar as diversas soluções (ideologias) e os efeitos que suscitaram nos habitantes. Cada caso selecionado é representativo de uma determinada visão – ideal de habitar e propostos como solução para a requalificação de periferias. Os casos que serão tomados em consideração são os seguintes: O caso de Villeneuve-Lubet (Nice) e Scampia (Nápoles), neste caso também o mesmo modelo habitacional foi utilizado inicialmente para fins turísticos e depois para a construção de um bairro social na periferia norte de Nápoles, mas no segundo caso, o uso e a apropriação do espaço foi totalmente diferente, particularmente interessante é a dimensão espacial: periferia da cidade mas centralidade na economia global ilícita. O caso do complexo residencial Karl Marx-Hof, em Viena, e a ideologia da comunidade. Caso único, de residências sociais de grandes dimensões (e que deu vida à utopia de “cidade prédio”), que teve bom êxito e tornou-se uma referencia para a construção de muitos bairros sociais na Europa. Finalmente, o Caso de Matera (Itália) e a construção dum bairro social (La Martella) concebido para acolher a classe camponesa que vivia em péssimas condições no centro histórico de Matera (Sassi di Matera), a solução encontrada consistiu na construção de uma aldeia rural, tentando reproduzir as habitações originais dos habitantes. As resistências iniciais à deslocação e a desorientação de muitos deles no novo ambiente, levaram muitos dos moradores a voltar para os Sassi. A finalidade desta comunicação consiste, portanto, numa discussão à volta de algumas das ideias mais fortes do Modernismo, no âmbito urbano, os valores e os ideais de sociedade aos quais se aspirava e como, por outro lado, foram interpretados e assimilados pelos habitantes.

DELBONI, Miriam Cabrera Corvelo

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  • COM0158: Envelhecimento demográfico e a necessidade de cuidados de longa permanência no município de Santa Cruz do Sul/RS
  • SECÇÃO: Mesa Intertemática de Posters (Sociologia da Saúde e Dinâmicas Populacionais, Gerações e Envelhecimento)
  • MESA: Saúde, Cuidados e Envelhecimento [Posters]
  • RESUMO:
    Introdução A esperança de vida ao nascer é um dos indicadores utilizados para medir o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e classificar os países como desenvolvidos e em desenvolvimento. Portanto, o envelhecimento constitui um fator importante nas análises sobre o desenvolvimento territorial. Assim sendo, a coleta, a sistematização e a análise de indicadores sociais contribuem para a construção de conhecimentos que auxiliam a compreensão sobre o território, particularmente, na dimensão social do desenvolvimento. O crescimento da população idosa exige que se pense nas condições de vida ofertadas, pois idosos podem apresentar diferentes graus de dependência física, mental e social. Esta situação poderá sobrecarregar as famílias, já que a maioria possui atualmente uma baixa dimensão e encontram-se envolvidas em atividades profissionais fora do domicílio. Com base nestes pressupostos, no Brasil, as Instituições de Longa Permanência (ILP) tornaram-se uma alternativa para a assistência a idosos que se encontram em situação de dependência. O Estado possui a responsabilidade de compartilhar o cuidado com a família, trata-se de direito garantido na Constituição Federal (BRASIL, 1988), no Estatuto do Idoso (BRASIL, 2003) e na Política Nacional do Idoso (BRASIL, 1994). Porém, ainda existem muitos desafios para que todos possam usufruir destes direitos garantidos legalmente no país. Objetivos O objetivo desta comunicação é analisar o número de idosos existentes em Santa Cruz do Sul e cruzar estes dados com as instituições existentes para os cuidados de longa permanência. Metodologia Baseou-se no levantamento de dados de fontes secundárias do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2010) e na busca ativa dos serviços de Longa Permanência para idosos cadastrados na Secretaria de Saúde de Santa Cruz do Sul no período de janeiro a dezembro de 2015. Resultados e Discussão Santa Cruz do Sul possui uma população de 124.577 habitantes (IBGE, 2010). O total de idosos representava 15.559 (13,2%), sendo que 1.234 (9,3%) apresentavam algum tipo de dependência. Destes, 359, ou seja, 1,2% viviam em 18 ILP, sendo uma filantrópica (Pública Não Estatal) e 17 são privadas, não existindo de origem pública. O número de residentes na ILP Pública não Estatal totalizou apenas 83 pessoas. Já as privadas apresentaram 276 idosos. Totalizaram-se 435 vagas nas ILP, destas já ocupadas pelos 359 residentes, restando apenas 76 vagas para os idosos no município. Tendo por base estes dados obtidos a partir de fontes secundárias, observou-se que a relação entre o número de idosos dependentes e as instituições disponíveis aparentemente não é compatível, apontando para a necessidade de um aprofundamento em futuras pesquisas que avaliem o impacte social desta temática, de relevância para o bem estar da sociedade, propondo o seguinte questionamento: quem e como serão cuidados os nossos idosos dependentes?

DELGADO, Luísa

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  • COM0713: Sociologia e formação dos profissionais do Trabalho Social: reflexão em torno da experiência profissional em instituições do ensino superior politécnico
  • SECÇÃO: Experiências e Perfis Profissionais
  • MESA: Experiências e Perfis Profissionais
  • RESUMO:
    A presente comunicação ocupa-se centralmente do contributo da Sociologia, em articulação com outras ciências, na formação de base e avançada de técnicos/profissionais do Trabalho Social (em particular animadores socioculturais e educadores sociais), que desenvolvem o seu trabalho em diversos contextos e áreas de intervenção (ação social, saúde, educação, cultura, património, desenvolvimento local e comunitário) e com diferentes públicos (crianças, jovens, adultos), tendo em vista o seu desenvolvimento (integral) e a promoção do seu bem-estar. A sociologia, apresenta-se como uma área científica possibilitadora, em nosso entender, do desenvolvimento de competências básicas para o exercício profissional, na medida em que se considera que a intervenção (social e educativa), se deve apoiar no conhecimento científico e na compreensão das dinâmicas e dos fenómenos sociais. Nesta perspetiva a abordagem sociológica favorece, claramente, a construção de um perfil profissional, para além de interventivo, compreensivo e reflexivo e que articula (ou deverá articular) teoria e prática e investigação e intervenção. Nesta linha, defende-se que a abordagem sociológica, poderá/deverá informar todas as etapas da intervenção – a do planeamento, a de intervenção e a de avaliação. Concomitantemente, a sociologia é também mobilizada para a promoção da investigação em torno dos processos de profissionalização dos grupos profissionais, em que se inscrevem os diplomados dos cursos de formação na área do Trabalho Social, contribuindo deste modo para a compreensão dos processos e percursos de afirmação dos respetivos grupos profissionais. A comunicação que se propõe alicerça-se na nossa experiência docente em instituições do ensino superior politécnico, que conforme sabemos, assumem uma matriz formadora profissionalizante. Procura-se nesta comunicação, a partir dessa experiência, refletir criticamente sobre as formas como se materializam as perspetivas enunciadas na matriz profissionalizante dos cursos em que lecionamos, em concreto as licenciaturas em Educação Social da Escola Superior de Educação de Santarém e Animação Sociocultural da Escola Superior de Educação de Lisboa.

DELICADO, Ana

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  • COM0341: Cruzando fronteiras: colaborações entre a sociologia e as “ciências duras”
  • SECÇÃO: Conhecimento, Ciência e Tecnologia
  • MESA: Interdisciplinaridade e internacionalização
  • RESUMO:
    Nos últimos anos tem sido crescentemente reconhecido o papel que as ciências sociais podem desempenhar na intermediação entre ciência e sociedade. Sucessivos casos de risco despertaram na opinião pública uma crescente desconfiança na capacidade da ciência controlar os efeitos negativos dos seus avanços e das suas aplicações tecnológicas. Subsequentemente, em sociedades democráticas tornou-se difícil impor aos cidadãos a adoção de tecnologias por eles liminarmente rejeitadas, através de protestos, boicotes ou ações judiciais. Da energia nuclear aos organismos geneticamente modificados, dos automóveis elétricos a algumas vacinas, são múltiplos os exemplos de tecnologias cuja baixa aceitação pelos consumidores entravou a sua disseminação. Tornou-se pois crucial compreender os fatores sociais que condicionam a aceitação social das tecnologias, mas também melhorar a comunicação (bidirecional) entre cientistas e cidadãos, de forma que as preocupações e expectativas de ambas as partes sejam consideradas e se chegue a consensos sobre os caminhos que a ciência e a tecnologia possam (ou não) trilhar. É neste ponto de charneira que os cientistas sociais – e em particular os sociólogos – têm vindo a ser chamados a intervir. São disso exemplo os múltiplos programas de financiamento da investigação (de que o europeu Horizonte 2020 é o exemplo por excelência) que valorizam a inclusão de equipas de ciências sociais em projetos de temáticas variadas, da energia à nanotecnologia, da biodiversidade à alimentação. Têm geralmente por função incluir o “fator humano” nos desenvolvimentos científicos, fornecer pistas para um design de equipamentos e soluções mais adequado às necessidades e preocupações dos utilizadores, promover consultas públicas em que os cidadãos são chamados a se pronunciar sobre questões científicas e técnicas. Esta comunicação pretende explorar estas questões com base na experiência das autoras de participação num projeto internacional sobre fusão nuclear, no âmbito do qual foram desenvolvidos vários trabalhos em torno da representação da fusão nos media, na opinião pública e nos stakeholders. Será dado um particular enfoque à colaboração tecida com a rede pan-europeia de comunicadores da ciência da fusão.

DIAS, Sofia Alexandra

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  • COM0165: Dois lares, o dobro dos brinquedos: vozes e olhares de crianças sobre a residência alternada em famílias recompostas
  • SECÇÃO: Famílias e Curso de Vida
  • MESA: Parentalidades Contemporâneas
  • RESUMO:
    O tema da investigação remete para o campo de estudos da Sociologia da Família e da Infância, tratando-se da análise e compreensão da residência alternada em famílias recompostas por intermédio das vozes e olhares das crianças. Trata-se de uma investigação em curso, no âmbito da tese do 3.º Ciclo de Estudos em Sociologia pela Universidade da Beira Interior. Relativamente ao objetivo genérico do estudo, este visa analisar e compreender a diversidade de percursos e perfis de interacções familiares das famílias recompostas com residência alternada e o modo como nelas se vivencia a parentalidade e a infância com enfoque na percepção das crianças. Na sequência deste objetivo de carácter mais abrangente, foram formulados três objetivos específicos: (a) Caracterizar as relações familiares das famílias recompostas por intermédio do conhecimento das suas práticas em diversos domínios da vida quotidiana, nomeadamente, ao nível doméstico, profissional, familiar e lazer; (b) Analisar e compreender como é vivenciada a parentalidade no seio destas famílias, mediante: O conhecimento do envolvimento parental e, em particular, o envolvimento dos companheiros(as) das mães e pais biológicos em termos afectivos e da participação nos cuidados e educação dos enteados; A análise da comunicação e interação entre a mãe e o pai da criança ao longo do percurso familiar, bem como a interação destes com os companheiros/as actuais dos ex-cônjuges; A análise da percepção do prazer e do bem-estar e/ou do stress no desempenho dos papéis parentais e na gestão quotidiana de «duas casas». (c) Analisar e compreender como é vivenciada a infância, tendo por base: A análise dos hábitos e práticas quotidianas das crianças nas «duas casas» (como as brincadeiras, a higiene ou a realização de tarefas escolares), assim como as suas maneiras de sentir e de agir face aos relacionamentos familiares experienciados em «casa da mãe» e em «casa do pai»; A análise das emoções e das representações das crianças acerca da sua família e das suas figuras parentais, em especial, em relação ao padrasto e/ou à madrasta; A identificação das suas representações face à sua condição de filhos/enteados (nomeadamente pelo facto de a criança ter duas casas e «duas famílias»). Desta forma, considerou-se ser de total pertinência a adoção de uma estratégia qualitativa, conjugando diversas técnicas de recolha de dados, nomeadamente, entrevistas semiestruturadas, produção de textos e metodologias visuais (como o desenho infantil e as fotografias). Esta triangulação de dados possibilita uma compreensão intensiva e aprofundada das famílias recompostas através das vozes e olhares das crianças.

DIOGO, Ana

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  • COM0257: O ensino profissional nos percursos dos jovens: Entre modos tradicionais de aprendizagem profissional e contextos formais de formação
  • SECÇÃO: Sociologia da Educação
  • MESA: Trajetórias de vida e pluralidade de contextos educativos (Sessão II)
  • RESUMO:
    A formação profissional dos jovens tem vindo a adquirir uma importância crescente nas políticas públicas nacionais, fazendo eco das prioridades europeias, na sequência da Agenda de Lisboa (2000) e da Estratégia 2020. O contributo de uma oferta formativa mais diversificada para fazer face aos problemas do insucesso e abandono escolar, oferecendo maiores oportunidades educacionais aos jovens que são mais atraídos pelo mundo do trabalho e pela formação não académica, bem como o combate ao desemprego dos jovens, assente no desenvolvimento económico, têm estado no centro das principais lógicas de argumentação presentes nestas políticas (Alves, 2008; CESE, 2012; Comissão Europeia, 2010). No entanto, diversos estudos têm apontado para as dificuldades que estas políticas têm enfrentado no cumprimento desses desígnios (Alves, 2008; Guerreiro & Abrantes, 2007; Margiotta et al., 2014). No que diz respeito à Região Autónoma dos Açores, o baixo nível de qualificações da população em geral e os elevados índices de insucesso e abandono escolar, que continuam a registar-se (CNE, 2014), têm justificado a valorização do investimento público no ensino e na formação profissional (Cardim, 1999; Programa do XI Governo Regional dos Açores, 2012). Sendo notória uma crescente ênfase dada à formação profissional, e havendo alguns indícios de que o desenvolvimento destas políticas apresentam limitações similares às encontradas noutros contextos (Palos, 2012), conhece-se pouco acerca das suas especificidades regionais, nomeadamente, sobre o impacto que a formação profissional tem tido nos jovens, ao nível das suas oportunidades educacionais e de emprego. Com base em dados de um inquérito por questionário realizado em 2015, junto de uma amostra representativa dos jovens açorianos (N=635), com idades entre 15 e 34 anos, nesta comunicação pretende-se analisar o lugar que o ensino profissional ocupa nos percursos dos jovens. Começamos por traçar algumas tendências da procura do ensino profissional por parte dos jovens inquiridos e, num segundo momento, recorrendo à análise de correspondências múltiplas e análise de clusters, identificam-se os seus perfis sociais, formativos e ocupacionais. Os resultados mostram que a adesão ao ensino profissional abrange apenas uma minoria dos jovens açorianos e contrariam a ideia de que essa adesão está associada linearmente a uma melhoria das suas oportunidades educativas e de emprego, indo ao encontro de outros estudos. Evidenciam, ainda, que o ensino profissional constitui-se como um modo de transição escola-trabalho assente em contextos formais de formação para um segmento de jovens (geração um pouco mais nova), em contraste com os modos tradicionais de transição para o trabalho ou vida adulta, que marcam os mais velhos, nos quais se destacam modos de aprendizagem profissional tradicional.

DIOGO, Fernando

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  • COM0046: Transformações de algumas configurações estruturantes da infância em Portugal: mais pobres e com menos apoios
  • SECÇÃO: Pobreza, Exclusão Social e Políticas Sociais
  • MESA: Pluralidade dos modos de vida de pobreza # 1
  • RESUMO:
    Esta comunicação centra-se na ideia de que a proporção de crianças (0-17 anos) entre os beneficiários do RSI está a descer desde há alguns anos. Procura-se demonstrar que esta descida é feita em contraciclo com o aumento da pobreza infantil através da exploração dos dados estatísticos do INE referentes à taxa de risco de pobreza infantil ao longo do tempo. São problematizadas a sua evolução, configuração e comparação com taxas de risco de pobreza de outras categorias sociais apresentadas pelo INE. Contudo, a comunicação começará por discutir os fatores que permitem considerar a pobreza infantil como um objeto autónomo em relação à pobreza em geral para, em sequência, se refletir sobre as limitações associados à taxa de pobreza infantil utilizada pelo INE. Neste sentido são usados autores como Sarmento, Bastos, Diogo, Wall, Almeida, Farinha Rodrigues, Bühler-Niederberger; Gaulejac & Léonetti, Paugam, Townsend ou Prout, Alan & Allison. Os resultados da análise mostram, em primeiro lugar, que a evolução das taxas de pobreza em Portugal tem sido fortemente condicionada pela forma de cálculo da taxa de pobreza geral, em segundo que se verifica uma consistente sobrerepresentação das crianças (entre os pobres em Portugal) e em terceiro que a taxa de pobreza infantil aumentou em quase todo o período analisado, o mesmo se verificando para outras categorias sociais onde as crianças são uma componente importante no seu conteúdo. De seguida, são abordadas as políticas de mitigação da pobreza infantil, em ordem a perceber como se relacionam com este panorama, salientando-se, então, a redução do peso das crianças entre os beneficiários do RSI, em contraciclo com o aumento da pobreza infantil em Portugal, bem como a redução geral dos apoios sociais para a infância. A conclusão discute duas ideias interligadas: a forma como as diversas limitações sobre o que sabemos relativamente à pobreza infantil reduz a confiança que podemos ter nos dados, não nos respondendo à descida em contraciclo da proporção de crianças e jovens entre os beneficiário do RSI, em segundo, relaciona-se a problemática da pobreza infantil com a cidadania infantil, salientando as potencialidades e limitações que o conceito trás à discussão do problema da pobreza infantil em Portugal e de que forma é que este se pode relacionar com o tipo ideal de beneficiário do RSI.
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  • COM0381: Juventude e mundo do trabalho: diversidade de perfis de ingresso na vida ativa
  • SECÇÃO: Trabalho, Organizações e Profissões
  • MESA: Emprego, desemprego, formação e suas territorialidades - III
  • RESUMO:
    A transição dos jovens para o mundo do trabalho apresenta diversos desafios associados à complexificação dos percursos. O desemprego, a precariedade no emprego e a insegurança são ameaças sempre presentes. O que espera os jovens no ingresso no mercado de trabalho é, em boa parte, conhecido. Contudo, muitos dos estudos existentes em Portugal são de natureza qualitativa ou resultam da exploração de estatísticas oficiais (ver, por exemplo, Guerreiro e Abrantes, 2007; Alves et al., 2011; Oliveira et al., 2011 e 2013; Kóvacs, 2013; Lobo, Ferreira, & Rowland, 2015); acresce que, desde a crise de 2008, o contexto económico, político e jurídico em que esta transição se faz tem vindo a mudar de forma significativa, o que obriga a uma atualização da investigação. Existe, portanto, necessidade de estudos que inquiram e caracterizem os jovens em relação aos principais fatores que condicionam a transição escola-trabalho e que procurem definir distintos perfis. Nesta comunicação parte-se da hipótese que mesmo no atual contexto, marcado por forte desemprego e precariedade, as desigualdades de origem social se traduzem em desigualdades de oportunidades e estas em percursos marcadamente distintos entre tipos de jovens. Neste sentido, recorrendo à análise da literatura (Pais, 2001; Biggart & Walther, 2006; Guerreiro & Pegado, 2006; Palos, 2014; Guerreiro e Abrantes, 2007; Diogo, 2007; Ferreira, 2014; Lobo, Ferreira, & Rowland, 2015) identificam-se as principais variáveis caracterizadoras da transição dos jovens da escola para o mundo do trabalho e utiliza-se a Análise das Correspondências Múltiplas para definir perfis de ingresso no mundo do trabalho. De seguida, aperfeiçoam-se estes perfis com análise de clusters, sendo finalmente relacionados com as razões de saída da escola e com a escolaridade obtida. Este último aspeto permite aprofundar o conhecimento que o papel da escolaridade joga neste processo de transição. Os dados empíricos desta comunicação enquadram-se no projeto juventude açoriana e mundo do trabalho e são estatisticamente representativos dos Açores. Esta região representa um importante laboratório sobre os desafios e as transformações que perpassam a juventude portuguesa, na medida em que é a mais jovem região do país com uma taxa de desemprego juvenil muito elevada e o abandono escolar precoce mais alto da União Europeia. Os jovens inquiridos neste estudo (15 a 34 anos) caracterizam-se por já terem terminado o seu percurso escolar e foram alvo de um inquérito por questionário. Os resultados obtidos permitiram encontrar quatro grupos de dimensão muito distinta, estruturados em torno de dois eixos principais, sendo que o primeiro se polariza em torno das qualificações escolares e profissões desempenhadas e o segundo à volta da idade e da experiência de trabalho.

DORES, António Pedro

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  • COM0021: Rendimento Básico Incondicional - uma perspectiva abolicionista dos controlos sociais
  • SECÇÃO: Pobreza, Exclusão Social e Políticas Sociais
  • MESA: Políticas públicas e avaliação
  • RESUMO:
    Um dos mais fortes argumentos justificativos da crise foi “estamos a viver acima das nossas possibilidades”. Não se referindo essa a frase ao esgotamento dos recursos não renováveis na Terra mas à política da dívida. Quem deve deve pagar. Isto é, quem não está em condições de sacar mais do que precisa para viver, em particular os pobres, devem pagar mais do que até aqui, como quem se purga e, assim, purificar toda a sociedade em “risco estrutural”. Numa situação assim descrita, as políticas sociais são incapazes de oferecer perspectivas de vida que não sejam a sujeição ao assistencialismo, isto é, a partição da sociedade entre os que podem pagar as suas despesas e os que só podem sobreviver por favor alheio. Coincide, talvez não por acaso, com o ressurgimento da discussão do Rendimento Básico Incondicional. Para substituir o Rendimento Social de Inserção e outras prestações condicionadas a contratos. Substituir a ajuda económica e social pelo direito à dignidade concretizado por uma verba entregue regularmente no tempo e capaz de permitir a existência sem ajudas a qualquer pessoa sem necessidades especiais. Um dos principais obstáculos identificados deste tipo de políticas é a oposição dos trabalhadores das áreas sociais, incluindo sociólogos, cujos empregos (nas suas versões actuais) podem ser postos em risco de obsolescência. Ao mesmo tempo, e contraditoriamente, as expectativas de transformação associadas ao RBI fundam-se num novo aproveitamento das capacidades sociais actualmente atrofiadas pela cultura de controlo adoptadas pelas políticas sociais contratualizadas. A questão é: o que é mais racional? Manter um sector económico cuja matéria-prima é o crescente número de pobres ou abolir esse sector dando directamente, como um direito, dinheiro directamente a todas as pessoas, sem discriminações? Admitindo a miséria ser assim abolida, qual seria o impacto do RBI nas profissões de apoio social e nas teorias que as orientam?
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  • COM0029: Alternativas à prisão
  • SECÇÃO: Sociologia do Direito e da Justiça
  • MESA: Justiça e Sistema de Justiça Criminal
  • RESUMO:
    A irracionalidade da prisão, como modelo de execução de penas, tem sido geralmente reconhecido. As finalidades das penas não condizem com os resultados práticos, ao nível da prevenção criminal. Os riscos de violação dos direitos das pessoas são generalizados, independentemente dos diferentes níveis de investimento e gestão das prisões no mundo. A instalação global do sistema e a sua permanência, apesar das evidências negativas acumuladas, sugere haver interesses presentes a nível dos Estados favorecidos pela situação. Para disciplinar as classes dominadas (Foucault; Wacquant). Desde os anos setenta, quando se encarou a possibilidade de abolir as prisões, como veio a acontecer com os manicómios, imaginaram-se formas alternativas de execução de penas. De então para cá, porém, observou-se o aumento exponencial do uso das prisões e, ao mesmo tempo, um uso suplementar de penas alternativas, sobretudo usadas a respeito de novos crimes, por exemplo estradais ou violência doméstica. O Observatório Europeu das Prisões, de que os autores são parte, observou as alternativas à prisão em 8 países e sugere a adopção de uma nova perspectiva com vista a fixar um factor de competição entre o uso das prisões e as suas alternativas, sem aumento (de preferência, com diminuição) de condenados. Para desse modo a sociedade beneficiar de mais prevenção criminal, menos problemas sociais derivados do uso das prisões, menores custos orçamentais, melhor qualidade de serviços sociais.

DOS S. ARAÚJO, Ana Cristina

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  • COM0422: “Espaço Urbano, suas Mudanças, seus Arranjos e seus Conflitos”
  • SECÇÃO: Globalização, Política e Cidadania
  • MESA: Crise e Lutas Sociais
  • RESUMO:
    AT – Globalização, Política e Cidadania ARAÚJO, Ana Cristina dos Santos – Mestranda do Programa de Pós-graduação em Sociologia da Universidade Federal Fluminense-UFF E-mail: ana.araujo@ippur.ufrj.br “Espaço Urbano, suas Mudanças, seus Arranjos e seus Conflitos” Tendo em vista meu objeto de pesquisa desenvolvido junto ao Programa de Pós-graduação em Sociologia da Universidade Federal Fluminense visando a questão da identidade e ações reivindicativas delimitado ao espaço da Favela Desterrado, no município de Macaé. Trata-se de uma comunidade representativa das favelas dos grandes centros urbanos - por possuir um conjunto de problemas inerentes ao processo de ocupação à revelia dos órgão públicos e uma urbanização não planejada -, que conta com uma pluralidade de migrantes e demandas físicas e sociais não supridas, e cujas intervenções urbanísticas do Estado não foram capazes de solucionar. A crise na atividade canavieeira, a partir dos anos setenta, gerou a estagnação do desenvolvimento econômico da Região Norte Fluminense. Nos últimos anos, contudo, esta região vem despontando como área privilegiada, condição essa garantida pela atividade petrolífera da Bacia de Campos, sofrendo um expressivo aumento populacional na sua área urbana mudando o perfil dos bairros, criando desigualdades visíveis e promovendo a heterogeneidade da paisagem urbana. Esse processo resultou em uma grande favelização do município de Macaé, desde o começo da década de 1980. Assim como o mundo vive, desde a década de 1980, uma nova face do capitalismo, que interveio nas relações de trabalho, nos fluxos de capitais, nas empresas e pessoas em caráter local, regional e internacional, é de se esperar que essa mudança no mundo do trabalho fizesse com que as representações dos sujeitos sobre a sociedade também sofressem mudanças, reestruturando as formas de organização do ser coletivo e de sua mobilização social e política. Pautada produção acadêmica atual sobre mudanças ocorridas nas demandas e nas composições dos movimentos sociais no Brasil e no mundo, há a necessidade de verificar as possíveis ocorrências de novas modalidades de organização da ação política, de convocação para a participação e a motivação dessas ações. Bem com, entender quais são os pontos de continuidade, os pontos de descontinuidade e onde ocorrem os pontos de tensões entre eles. Palavras – chave: movimentos sociais, organização, favelização, política pública

E. MONTEIRO, Paulo Jorge

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  • COM0326: A expressão territorial do consumo de alimentos funcionais em Portugal
  • SECÇÃO: Sociologia da Saúde
  • MESA: Políticas e tendências emergentes no campo da saúde
  • RESUMO:
    A permeabilidade dos consumidores à ideologia da prevenção da doença e ao pensamento neoliberal, o qual sublinha o papel da transferência de responsabilidades para o individuo na gestão dos respectivos percursos de saúde e doença, tem suscitado a crescente apropriação dos alimentos como ferramenta promotora de saúde. A ciência alimentar e o marketing da indústria agro-alimentar têm, na lógica do mercado, procurado responder e dinamicamente insuflar esta tendência disponibilizando, entre outras opções, os designados alimentos funcionais, tecnicamente processados e associados a alegações de saúde ou nutricionais. Estes alimentos, já hoje integrando os hábitos alimentares de muitos Portugueses, enquanto objecto de fronteira, transportam a dinâmica entre a inocuidade do natural e o capital simbólico do medicamento para a mesa de jantar. É objecto desta comunicação, no âmbito de um projecto de Doutoramento em curso, detalhar os perfis de consumo de alguns dos principais segmentos desta categoria de alimentos e a respectiva expressão regional, tomando como estrutura as NUTS 2 e baseando-se na análise da combinação de resultados relativos a padrões de aquisição, desde 2013, provenientes de uma base de dados de cartões de pagamento de uma cadeia de hipermercados, com os resultados do inquérito nacional a 1200 respondentes do Observatório da Nutrição e Alimentação em Portugal (ONAP) – 1ª edição, concluído em finais de 2014. A distinta evolução regional das transacções efectuadas ao longo de 5 semestres, e respectiva decomposição por diferentes categorias alimentares, revelando eventual diferente sensibilidade à redução do rendimento disponível, assim como a sociografia dos consumos de alimentos funcionais por regiões constituirá importante contributo para o mapeamento destes consumos e pondo em evidência as eventuais assimetrias regionais na mobilização de recursos alimentares com objectivos terapêuticos.

ELIAS DE MORAIS, Edson

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  • COM0639: RELIGIÃO, ESPAÇO PÚBLICO E A POLÍTICA: UMA ANÁLISE HABERMASIANA.
  • SECÇÃO: Crenças e Religiosidades
  • MESA: Reconsiderações teóricas sobre continuidades e mudanças religiosas num mundo global
  • RESUMO:
    O presente trabalho tem por objetivo apresentar algumas das principais reflexões de Jürgen Habermas acerca do papel da religião no debate político na esfera pública, visando suas contribuições e limitações para se refletir acerca das mudanças ocorridas no Brasil, nos últimos anos, no que se refere aos conflitos entre algumas alas evangélicas e os movimentos sociais minoritários, frente ao Estado. Considerando a Teoria do Agir Comunicativo, Habermas propõe uma reflexão acerca da legitimidade e da importância do diálogo entre crentes e não crentes (belivers and nonbelivers) para o avanço da democracia liberal. Supondo a neutralidade do Estado Liberal, este não deve tomar partido e legislar previamente em favor de nenhum grupo reivindicatório, mas por sua vez, deve garantir a liberdade de culto e fé, bem como de suas manifestações públicas por ser um Estado laico e secularizado. De todo modo, O Estado só deve analisar argumentos pautados pela racionalidade científica, exigindo assim um processo de “tradução” das reivindicações religiosas junto a ele. Esta discussão é urgente na contemporaneidade, seja no âmbito local ou global, ou como alguns preferem: glocal, tendo em vista o avanço de formas fundamentalistas na maioria das tradições religiosas e suas reivindicações e participações no debate político. Assim, Habermas diferencia entre a “fé moderna” e a “fundamentalista”, sendo a primeira cônscia de suas limitações e da vivência entre a pluralidade de visões de mundo e a segunda como um processo de recuperação pré-moderno em que se exige exclusividade de suas verdades de fé potencializando conflitos e intolerâncias. Desta feita, partimos de uma apresentação panorâmica da Teoria Crítica e a localização do pensamento de Habermas nesta tradição, bem como, buscamos demonstrar em linhas gerais a relação entre religião e a sociedade e suas implicações políticas. Por último, concluímos com algumas reflexões críticas acerca das potencialidades e limites da teoria de J. Habermas para analisar o campo religioso brasileiro em suas singularidades. Este estudo nos leva a compreender o importante papel das demandas religiosas no debate das questões públicas, bem como da relação e seus limites com o Estado liberal.

ENTRENA-DURAN, Francisco

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  • COM0680: De la desagrarización a la construcción de nuevas ruralidades
  • SECÇÃO: Territórios: Cidades e Campos
  • MESA: Novas e Velhas Ruralidades: Permanências e Mudanças
  • RESUMO:
    Como consecuencia de la modernización y la globalización, muchas sociedades rurales están experimentando, paralelamente a su paulatina desagrarización, reestructuraciones y redefiniciones de sus usos, instalaciones, funciones socioeconómicas y significados culturales. Se está, pues, produciendo lo que se conoce como la emergencia y configuración de unas nuevas ruralidades. Entre las causas y consecuencias de estas transformaciones se pueden incluir las tendencias hacia la tecnificación de los modos de cultivo, la creciente extensión de la agricultura industrial, las todavía insuficientes opciones por la agricultura sostenible y ecológica, y el hecho de que se esté expandiendo un turismo rural de procedencia urbana y naturaleza más o menos transnacional, el cual implica una especie de redescubrimiento de lo rural por parte de amplios sectores urbanos más o menos desencantados de su mundo. En suma, se están produciendo en los territorios rurales significativas transformaciones socioeconómicas y resignificaciones simbólicas de los imaginarios colectivos heredados acerca de ellos. Tales territorios, de estar fundamentalmente dedicados a la agricultura y a estilos de vida acentuadamente tradicionales y localistas, están pasando a ser escenarios cuyas formas de producción y de vida están cada vez más conectadas a lo que sucede a escala global; es decir, están cada vez más glocalizadas.

ESPERANÇA, Eduardo

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  • COM0219: Dinâmicas da Técnica, Cultura & Valores
  • SECÇÃO: Identidades, Valores e Modos de Vida
  • MESA: Ficção, Vocação e (Re)invenção da Performance Identitária
  • RESUMO:
    No grande espaço social onde a sociologia averigua a construção contínua da cultura, através de todos os movimentos e objectos novos intruduzidos e usados pelas pessoas, uma atenção especial é orientada pelo sociólogo para a emergência de valores e proto-valores directa o indirectamente promovidos por estes novos objectos (materiais e imateriais) e usos. Questiona-se o modo ideal de fazer o seu levantamento, assim como da dinâmica dessa grelha de valores viva que em todos os momentos se vai ajustando.

ESTÊVÃO, Pedro

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  • COM0327: A construção de uma definição sociológica de resiliência: de uma noção “heroica” a um conceito crítico
  • SECÇÃO: Pobreza, Exclusão Social e Políticas Sociais
  • MESA: Conceptualizações e desigualdades sociais
  • RESUMO:
    O período da Grande Recessão constituiu-se como um contexto extremamente favorável para a penetração da noção de resiliência no discurso político e científico. Importando a noção da física, vários autores em ciências humanas e sociais têm definido resiliência como um atributo individual que é característico daqueles que são capazes de “prosperar na dificuldade” e de “transformar crises em oportunidades”. Todavia, esta versão do conceito de resiliência – que designamos como “heróica” - enferma de problemas insuperáveis de etnocentrismo, normativismo e individualismo. Para a contrariar esta versão, apresentamos um conceito crítico de resiliência, informado pela teoria social e pela investigação sobre a pobreza. Definimos resiliência como um processo aberto de reconfiguração dos modos de vida desencadeado por choques sistémicos – ou seja, alterações abruptas das condições de reprodução social, como crises económicas, revoluções políticas, desastres naturais ou guerras. Os processos de resiliência são compostos por duas dimensões centrais: a mobilização de recursos sociais e naturais – de capital social e meios de produção a reservas de água potável e ecossistemas inteiros; e a transferência de riscos – de desemprego, doença e fome a erosão e contaminação da terra arável. Ambas estas dimensões são necessariamente moldadas por processos de estruturação social, como a classe social, o género ou o território. Ao mesmo tempo, porém, os processos de resiliência contribuem para a reprodução e transformação das estruturas sociais e do ambiente. Por um lado, os processos de resiliência fazem uso de reservas finitas de recursos, que muitas vezes não são de fácil substituição e cuja exploração pode implicar pesados custos pessoais, sociais e ambientais. Por outro lado, podem uso de relações de poder e de mecanismos de desigualdade social existentes, contribuindo assim para o seu reforço. Propomos uma agenda de investigação sociológica para os processos de resiliência que parta desta conceptualização crítica e que ponha em relevo o papel desempenhado nestes processos pelas instâncias de ação coletiva - como o Estado, o poder local, a família e as organizações económicas não-mercantis.

FABRÍCIO, Ricardo

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  • COM0738: O desemprego segundo os desempregados
  • SECÇÃO: Trabalho, Organizações e Profissões
  • MESA: Emprego, desemprego, formação e suas territorialidades - V
  • RESUMO:
    A população ativa portuguesa esteve sujeita no decorrer da última década (2006-2015) a um conjunto de transformações, que são articuláveis com o comportamento da população empregada e da população desempregada. No entanto, para além das transformações e das variações quantitativas que são observáveis nestas populações, algumas delas traduzindo a ocorrência de fenómenos de erosão seletiva em determinados subconjuntos etários da população, existem outras dimensões que são parte inalienável do conjunto de transformações ocorridas. Mais do que o desemprego são, pois, as leituras dos desempregados sobre o desemprego que constituem territórios intactos e exploráveis para a análise sociológica. O desemprego não obedece a um registo social único, não admite leituras sempre convergentes, sobretudo, se considerada a existência de quadros de referências diferentes, que fazem do fenómeno uma construção social ampla, que pode e deve ser considerada, designadamente, por parte dos agentes públicos que se ocupam das políticas e das estratégias de reinserção dos desempregados no mercado de emprego. As representações sobre o desemprego são o cerne desta comunicação, que apresenta os resultados apurados numa inquirição dirigida a indivíduos desempregados e inscritos na Autoridade de Emprego. Trata-se de um exercício que procura condensar a tipificação dos fatores responsáveis ou explicativos pela existência do desemprego em geral e sujeitá-los a um esquema simplificado de representações (individualistas, coletivistas ou determinísticas). É um contributo que diverge dos exercícios centrados na aritmética dos empregos destruídos, criados ou disponíveis, visto que tem subjacente uma opção orientada para a tentativa de estabelecimento das representações-chave sobre o desemprego segundo os desempregados, alimentando assim uma perspetiva sociológica interessada em compreender melhor os desempregados, enquanto sujeitos integrados em grupos sociais heterogéneos e voláteis, regra geral, destituídos de recursos interpretativos nas leituras que habitualmente são feitas dos fenómenos que eles próprios corporizam.

FALANGA, Roberto

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  • COM0113: Portugal participa? Uma reflexão crítica sobre democracia participativa em Portugal
  • SECÇÃO: Globalização, Política e Cidadania
  • MESA: Periferias do Sul Próximo
  • RESUMO:
    Nas últimas duas décadas, Portugal destacou-se como um dos países europeus com o número mais elevado de processos participativos a nível municipal. Os mecanismos da democracia participativa têm vindo, nomeadamente, a promover o envolvimento da sociedade civil junto das autarquias para a melhoria das políticas públicas, geralmente no âmbito da preparação de planos estratégicos, intervenções territoriais e novos projetos. Tendo por base esta situação e o contexto da mais recente crise económica, financeira e de legitimação das instituições políticas, especialmente evidente na Europa do Sul, foi lançado em 2015 o projeto “Portugal Participa: Caminhos para a Inovação Societal”. Este projeto, promovido e gerido por uma parceria entre entidades públicas e privadas, visa promover o debate sobre democracia participativa através de diversas iniciativas no território nacional e acompanha de perto a experimentação de novos processos em quatro municípios: a criação do Fórum Concelhio para a Promoção da Saúde em Cascais, o Orçamento Participativo e a participação nos Núcleos Comunitários de Defesa Civil no Funchal, a participação no âmbito da revisão do Plano Diretor Municipal em Odemira, e a construção de uma Estratégia para a Freguesia de Campanhã no Porto. Contando com a posição privilegiada dos autores enquanto membros da equipa de avaliação externa do projeto, a intervenção visa analisar as componentes espaciotemporais em que o projeto tem vindo a atuar a nível nacional e focar-se-á na sua materialização nos quatro territórios. Serão realçados os fatores determinantes e contingentes da concretização do projeto, juntamente com os elementos transversais e contextuais que fundamentam os modelos de intervenção em cada um dos quatro municípios. Problematizar-se-ão ainda os resultados, bem como os limites e as potencialidades, das práticas em foco. Ao proporcionar uma reflexão abrangente sobre o projeto, a intervenção quer discutir o caminho da participação em Portugal e o seu impacto no território nacional. A análise mais detalhada sobre a atuação dos processos a nível municipal pretende contribuir para o debate sobre democracia participativa, sugerindo pistas de reflexão crítica baseadas em experiências no terreno.

FARINHA, Isabel

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  • COM0546: Uma propaganda cheia de graça: as casas económicas do Estado Novo
  • SECÇÃO: Arte, Cultura e Comunicação
  • MESA: Artes, intervenção e participação social
  • RESUMO:
    Este artigo analisa uma das vias que a propaganda consensualista do Secretariado de Propaganda Nacional (SPN) do regime do Estado Novo adoptou: a política de edificação dos bairros de casas económicas enquanto um dos signos mais expressivos do discurso oficial dos anos 30 a 60 do séc. XX. A pergunta central atenta ao modo como, por um lado, a propaganda de natureza abertamente integradora do programa das casas económicas, expressa e materializa os valores identitários dominantes da tradição e da autoridade e ordem, e por outro, projeta territorialmente a segregação dos atores sociais. A partir do cartaz “Deus, Pátria, Família: A Trilogia da Educação Nacional” (um dos sete cartazes editados pelo SPN em 1938 da série “A Lição de Salazar” distribuída por todas as escolas primárias do país) colocamos em relação, por um lado, o tempo e o modo em que a politica da moradia unifamiliar de carácter nacionalista - a casa portuguesa - ocorreu, e por outro, os discursos de auto-publicitação de um lar, habitado icónica e orgulhosamente, por uma família alegremente remediada, rústica, religiosa e patriarcal. A metodologia utilizada incidiu fundamentalmente na pesquisa documental de textos, plantas e imagens da época, e com maior acuidade, na análise de conteúdo de publicações do SPN e do Secretariado Nacional de Informação (SNI), e de dois órgãos de imprensa apontados como tendo posicionamentos editoriais distintos, os jornais Diário da Manhã e República (de 1933 a 1950). Como contributo, concluímos que a propaganda integradora de auto-elogio desta proposta urbanística (com modelos pré-definidos de ordenamento do território e tipologias arquitectónicas cuidadosamente padronizadas) ilustra, por um lado, a materialização dos valores da tradição, sobretudo os que se prendem com a família e o lar, e o filial acatamento da autoridade do Estado. E, por outro, afirmou-se significativamente, como um suporte de produção e reprodução da graça do paternalismo estatal, e da demonstração da função educativa do sistema, na proteção e segregação das classes laboriosas nas suas aldeias de bem-estar urbanas, símbolos de um modelo de bucolismo idílico.

FASSON, Karina

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  • COM0264: Relações raciais na infância: o ambiente escolar no contexto das políticas de combate ao racismo e promoção da igualdade racial no Brasil
  • SECÇÃO: Sociologia da Educação
  • MESA: A governação política dos territórios educativos (Sessão II)
  • RESUMO:
    Ao analisar-se as estatísticas de escolaridade entre crianças brancas e negras no Brasil, nota-se, a partir de 2002, dois movimentos: por um lado, inicia-se uma queda na diferença de escolaridade entre brancos e negros, após décadas de estagnação; ao mesmo tempo, tem-se a cristalização da diferença de escolarização entre crianças brancas e negras de 7 a 14 anos, a despeito da universalização do ensino nesse segmento a partir da década de 1990. Nesse sentido, a literatura sugere que parece haver um limite racial na diminuição das desigualdades, de modo que as experiência de preconceito e discriminação vividas pelas crianças negras no ambiente escolar teriam efeito sobre sua permanência, progressão e desempenho. Desse modo, nota-se a importância de estudos qualitativos no sentido de investigar as relações raciais no ambiente escolar e os mecanismos de produção e reprodução do preconceito racial durante a infância. É nesse contexto, então, que se insere minha pesquisa de mestrado em andamento, sobre a qual alguns resultados preliminares serão discutidos. Observa-se, nos estudos mais contemporâneos acerca das relações raciais na infância, a ausência de reações diante de atitudes e comportamentos racistas tanto por parte da família, como por parte do corpo docente da escola, e, por vezes, das próprias crianças vítimas de racismo. O silêncio mostra-se, assim, como resposta predominante: por parte dos adultos, os estudos evidenciam o despreparo para lidar com as situações de preconceito e discriminação, bem como o fato de as manifestações racistas não serem levadas a sério por estarem em contextos de brincadeiras. Já por parte das crianças, o silêncio reflete uma postura defensiva, na tentativa de não serem ridicularizadas novamente pelos colegas. Após décadas de mobilização do Movimento Negro no Brasil em torno de pautas de educação, em 2003 é promulgada a Lei 10.639/03, que torna compulsório o ensino da história e cultura africana e afro-brasileira no ensino básico. Para além da questão do conteúdo escolar, visa atuar tanto no eixo do reconhecimento identitário como também no eixo redistributivo, com a (re)educação das relações étnico-raciais. Por meio de pesquisa qualitativa, com realização de observação etnográfica em duas escolas públicas no município de São Paulo, a pergunta principal que se coloca é, então, a seguinte: Considerando estudos feitos em contextos anteriores e seus resultados, assim como os esforços atuais para o enfrentamento do racismo nas escolas, está em curso uma mudança na maneira com que são construídas as relações raciais de crianças entre si e com os adultos no ambiente escolar?

FERNANDES, Julyana de Lira

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  • COM0743: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: REFLEXÕES E PRÁTICAS ACERCA DA INCLUSÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA
  • SECÇÃO: Sociologia da Educação
  • MESA: Territórios educativos e (re)produção de desigualdades, exclusões e inclusões (Sessão II)
  • RESUMO:
    A presente comunicação tem como objetivo analisar, a partir do olhar dos professores, o processo de inclusão de jovens e adultos com deficiência na EJA– Educação de Jovens e Adultos, em algumas escolas públicas municipais da cidade de João Pessoa/PB- Brasil. O movimento de inclusão social tem motivado muitas discussões, o que têm indicado um conjunto de questionamentos de grande relevância para o campo de estudo sobre as práticas de inclusão, em especial as suas políticas inclusivas. Isto se dá porque, em seu objetivo principal, falar destas políticas supõe retomar o tema da igualdade e consequentemente o da diferença. Quando falamos de inclusão, não estamos nos referindo apenas às pessoas que apresentam alguma deficiência, mas a todos que são excluídos da sociedade, como é o caso dos jovens e adultos que não terminam seus estudos e que hoje fazem parte da EJA. Muito embora a legislação proclame e contemple o direito à educação para todos, isso não significa dizer que todos estejam participando dessas propostas educativas ou mesmo vivenciando experiências significativas para seu desenvolvimento psicossocial. No contexto histórico brasileiro, a EJA sempre representou um espaço de lutas contra a exclusão social. Partindo desse pressuposto, buscamos investigar como outra população também submetida à exclusão (as pessoas com deficiência) está sendo incluída nessa modalidade de educação. Nessa perspectiva, este trabalho teve como base os documentos disponibilizados pela Secretaria de Educação e Cultura da Cidade de João Pessoa, que possibilitaram uma análise do quadro de alunos com deficiência na EJA. Como eixo norteador, este estudo procurou contextualizar essas temáticas a partir do aporte teórico dos Estudos Culturais, focando algumas questões, tais como os tipos de deficiência existentes nas escolas que atuam na modalidade EJA; as principais dificuldades enfrentadas pelas professoras ao trabalharem com o aluno que apresenta algum tipo de deficiência; o nível de evasão e permanência dos jovens e adultos com deficiência na modalidade EJA; o perfil das professoras que atuam na EJA e sua visão com relação à inclusão. Baseados nessas questões norteadoras, o referencial metodológico se deu na realização de entrevistamos e da observação da prática de oito professoras que atuam na EJA com alunos com deficiência, distribuídas em cinco instituições da rede de ensino municipal. Os resultados obtidos indicaram a existência de um descompasso entre as políticas inclusivas e as políticas da EJA, favorecendo o desenvolvimento de práticas desvinculadas da realidade dos alunos em foco. Ficou evidente, também, o forte crescimento de alunos com deficiência matriculados nessa modalidade de ensino, indicando que a Educação de Jovens e Adultos se tornou um espaço de inserção para alunos que foram excluídos do ensino regular.

FERNANDES, Paulo

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  • COM0138: A negociação coletiva em Portugal 2008-2015: entre a crise e o pós "Troika"
  • SECÇÃO: Trabalho, Organizações e Profissões
  • MESA: Relações de trabalho, empresas e globalização - I
  • RESUMO:
    Este trabalho está enquadrado numa investigação mais aprofundada; dentro de um projeto de doutoramento, que tem vindo a ser desenvolvido sobre a negociação coletiva em Portugal, numa perspetiva diacrónica e sincrónica, por exemplo, a fim de compreender a evolução deste fenómeno, no contexto Português e em momentos particulares de rutura ou continuidade que tem marcado a sua evolução. O presente trabalho reflete sobre uma perspetiva temporal dos últimos 6 anos e tem como contexto, a transição de uma intervenção externa particular ("Troika") e seu fim, bem como, o cenário em termos de negociação coletiva resultante desta situação. A realidade Portuguesa em termos de negociação coletiva foi atravessada por um conjunto de alterações, não só jurídicas, mas também políticas, que, juntas, têm contribuído para mudar a sua distribuição em termos de sectores (indústria, comércio e novas tecnologias, para dar exemplos de alguns setores) bem como em termos de tipos de acordos que têm sido realizados no contexto de negociação. A negociação coletiva como objeto empírico tem um conjunto de dimensões que lhe estão associadas e que foram analisados ao longo deste estudo. Em primeiro lugar, consideramos o papel regulador que, desde então, estabeleceu um conjunto de regras e princípios para determinados grupos profissionais ou sectores. Este estudo considerou também, um conjunto de dados quantitativos e qualitativos que de alguma forma esclarecer a mudança que ocorreu dentro do período de referência (2008-2015) e explicar a mudança de negociação que parece ocorrer em termos de negociação coletiva em Portugal.

FIA MONTEIRO, Eloisa Souza

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  • COM0195: DESENVOLVIMENTO DE AGENDA 21: A EXPERIÊNCIA DO PROJETO SERRA AGENDA DO FUTURO 2012-2032 – ESTADO DO ESPÍRITO SANTO/BRASIL
  • SECÇÃO: Ambiente e Sociedade
  • MESA: Desenvolvimento sustentável e protecção da natureza
  • RESUMO:
    O artigo descreve o processo de desenvolvimento de "Agenda 21" como um programa prospectivo e de orientação para os planos futuros de municípios. A experiência aborda o município da Serra, Espírito Santo/Brasil, com população estimada em 485.376 e o Espírito Santo em 3.929.911 habitantes (IBGE, 2015), sendo o município da Serra o mais populoso do Espírito Santo. A Agenda está estruturada em três partes: na Parte 1, Serra Hoje – 2012, apresenta análise cujo intuito é proporcionar uma leitura do contexto do município, especialmente no período 2000-2012, avaliando os avanços e desafios a partir de temáticas como demografia, saúde, educação, esporte, cultura, economia, criminalidade, pobreza e desigualdade, meio ambiente, mobilidade urbana, espaço urbano e gestão e governança. Construiu-se o mapa de avanços e desafios, a fim de propiciar síntese de fatores essenciais para pensar o desenvolvimento do município da Serra. No período analisado ocorreram grandes avanços na Serra, entre outros, a infraestrutura do ensino fundamental, crescimento no número de profissionais e nos serviços de educação e saúde, crescimento do PIB e desafios como a demanda da educação infantil e ensino médio, os índices de criminalidade, pobreza e desigualdades. Na Parte 2, Serra do Futuro – 2032, o objetivo fundamental é apresentar os cenários prospectivos e projeções para o futuro do município da Serra. As projeções de desenvolvimento do futuro estão ancoradas em três dimensões: os aspectos externos e locais ao município; as incertezas críticas - condicionantes de futuro com baixo grau de previsibilidade e alto impacto; e os cenários prospectivos, ferramenta para ordenar as percepções sobre ambientes futuros alternativos, orientar estratégias e metas. Os cenários configuram três perspectivas possíveis para o município – cenário de retrocessos, de inércia e de avanços – que proporcionam conhecimentos, competências e aprendizados para as oscilações que os eventos futuros impõem sobre a realidade da cidade, antecipando oportunidades e riscos na caminhada em direção ao futuro. A Parte 3, Caminhos para o Futuro – 2012-2032, descreve a estratégia direcionada ao futuro desejado, caminhos escolhidos pela sociedade serrana para que o desenvolvimento se concretize nos próximos anos. Ou seja, representações para onde olhar, o que buscar e quais metas atingir em termos de desenvolvimento humano, cidadania e direito, desenvolvimento econômico e sustentabilidade, cidade e identidade e gestão e governança. A estratégia de desenvolvimento está articulada em 10 macro-programas e 44 projetos prioritários. Para que o desenvolvimento aconteça entra em cena o processo de gestão estratégica, que envolve avaliar o presente, definir estratégias, projetar o futuro, indicar prioridades, viabilizar os jogos de atores, construir indicadores, monitorar as ações e avaliar os resultados.

FONSECA PEREIRA, Orlando Manuel

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  • COM0213: O turismo como fator de desenvolvimento local: o caso da aldeia de Penedos (Mértola) - Apresentação dos resultados da investigação.
  • SECÇÃO: Turismo e Lazer
  • MESA: Mobilidades turísticas
  • RESUMO:
    Esta comunicação resultou da conclusão de um Pós-doutoramento, subordinada ao tema: O turismo como fator de desenvolvimento local: o caso da aldeia de Penedos (Mértola), que visou encontrar contributos dos atores locais para garantir a sustentabilidade da aldeia, com um enfoque especial no turismo, tendo em conta o problema existente – abandono populacional, envelhecimento e empobrecimento do território. As pessoas do território são o elemento chave no processo, logo têm que assumir a sua participação, é preciso que em conjunto saibam valorizar economicamente esse património, como motor do desenvolvimento local. Numa investigação desta natureza o nosso objetivo central procurou alcançar/mostrar que o turismo é um fator diferenciador de desenvolvimento económico local sustentável (LSED). Metodologicamente, seguimos o paradigma qualitativo, onde a investigação-ação recorre de uma panóplia de metodologias com vista a melhor empreendimento científico, havendo neste caso ainda, a estratégia de atores, ou seja, os pontos de vista dos stakholders implicados no estudo são indispensáveis. Pois, procurou-se analisar a realidade selecionada específica e estimular a tomada de decisão, estrategicamente seguimos o estudo de caso, com recurso às técnicas documentais e não - documentais, destacando a aplicação da entrevista semiestruturada aos 12 atores locais designados de elementos-chave na investigação (considerados lideres com capacidade de influenciar a comunidade, são responsáveis e representam as principais entidades, designadamente: Centro Popular dos Trabalhadores de Penedos, Clube de Caçadores de Penedos, Associação de Desenvolvimento Terras do Baixo Guadiana, ADPM- Associação de Desenvolvimento do Património de Mértola, União de Freguesias de São Miguel do Pinheiro, São Sebastião dos Carros e São Pedro de Pólis, Câmara Municipal de Mértola e alguns habitantes de Penedos individuais, com vontade de empreender e desenvolver eventuais projetos na área do turismo e desenvolvimento. Para além destes stakholders de incidência local, temos outros de caráter regional, como a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, a Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo e o Instituto Politécnico de Beja e a Universidade do Algarve. O tratamento da informação aconteceu através da análise de conteúdo e da aplicação do programa informatizado MACTOR de Michel Godet (onde os objetivos visam a análise das motivações, dos meios de ação dos atores, procurando compreender as suas estratégias e relações de força). Este trabalho resultou de 3 momentos distintos: O turismo como fator de desenvolvimento local: enquadramento teórico e revisão da literatura; metodologias de ação aplicadas ao estudo da comunidade e por último a apresentação dos resultados da investigação.

FONSECA, Susana

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  • COM0120: Alterações climáticas e as crianças – novas vulnerabilidades?
  • SECÇÃO: Ambiente e Sociedade
  • MESA: Alterações climáticas
  • RESUMO:
    É reconhecido pela comunidade científica que as alterações climáticas terão, como uma das suas consequências mais visíveis, a ocorrência com maior frequência e intensidade de eventos climáticos extremos. Estes eventos poderão, em muitos casos, resultar em desastres ou catástrofes de dimensão significativa, cujos impactos se farão sentir de forma mais intensa sobre os grupos mais vulneráveis, entre eles as crianças. No caso de catástrofe, as crianças são um dos grupos mais vulneráveis. As suas características especificas em termos físicos, emocionais/psicológicos e educacionais, associadas a fatores como a idade, o género, as condições de saúde, o acesso a recursos, o ambiente construído em que vivem ou as redes de sociabilidade, colocam-nas habitualmente numa situação de grande dependência e vulnerabilidade. Isto mesmo é reconhecido pela agência das Nações Unidas encarregue de trabalhar com as crianças – a UNICEF – que assumiu recentemente a necessidade de reforçar o seu trabalho e intervenção sobre o tema das alterações climáticas, por o considerar como uma das grandes ameaças aos direitos das crianças no presente e, em particular, no futuro. Neste contexto, esta comunicação apresenta dois objetivos. Por um lado debater até que ponto as alterações climáticas são uma nova problemática que merece reflexão na área da relação entre as crianças e as catástrofes. Introduz novos desafios em termos dos riscos que coloca ao contexto das crianças, ou estamos apenas perante mudanças em termos de regularidade e intensidade de riscos já bem conhecidos ou trabalhados? Por outro, identificar as principais estratégias de comunicação sobre o tema com as crianças, pondo em relevo o papel que lhes é destinado neste trabalho. As crianças são vistas como um agente passivo que essencialmente recebe informação, ou é-lhes dado espaço para fazerem ouvir a sua voz e participarem ativamente em todo o processo? Os resultados a apresentar estão integrados no projeto de investigação CUIDAR – Culturas de resiliência à catástrofe entre crianças e jovens, financiado pelo programa Horizon 2020, que está a ser desenvolvido no ICS-Ulisboa,em parceria com o Reino Unido, Espanha, Itália e Grécia. Na recolha da informação foram e estão a ser usados vários métodos, entre eles, análise bibliográfica e de conteúdo de programas direcionados a crianças, entrevistas a representantes de instituições com intervenção no tema e um estudo piloto realizado numa escola em Lisboa, através do qual se põe em relevo as capacidades de envolvimento das crianças na definição dos riscos que os rodeiam e de como agir perante eles.

FORTUNA, Carlos

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  • COM0757: Outros sentidos dos espaços urbanos
  • SECÇÃO: Territórios: Cidades e Campos
  • MESA: Outras Paisagens: Outras Práticas Sociais - A
  • RESUMO:
    Os lugares são percebidos e apropriados de formas distintas e mesmo opostas pelos sujeitos. Entre os lugares marcantes da identidade pessoal (o bairro ou a rua em que se nasceu), os lugares de visitação turistica e os lugares de horror e sofrimento são diversos os dispositivos socioemocionais mobilizados na construção de sentido. Neste território de disputas de significado a dimensão emocional/sensorial tem hoje um papel decisivo, que no entanto não está isenta da lógica de "demarcação" social ditada pela cultura de consumo e o voyeurismo do "deixa andar" de que resulta a própria diminuição da qualidade de vida dos sujeitos modernos. Esta comunicação procura discutir os termos diferenciados em que diversos tipos de espaços urbanos (lúdicos, de trabalho, ou do quotidiano urbano em Portugal são (re)conhecidos e sujeitos a disputas de sentido segundo diferentes atores sociais.

FREITAS, Francisco

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  • COM0642: Grandes dados e os desafios atuais para a produção de conhecimento
  • SECÇÃO: Teorias e Metodologias
  • MESA: INOVAÇÕES METODOLÓGICAS E CONSTRUÇÃO DE CONHECIMENTO EM CIÊNCIAS SOCIAIS
  • RESUMO:
    Os grandes dados constituem uma das mais recentes expressões da sociedade em rede. Para lá de eventuais exageros existentes na descrição do fenómeno, para lá para própria incerteza que o caracteriza, é seguro que os grandes dados constituem já um repositório válido, que contempla dimensões sociais e estabelece múltiplos contactos com a realidade, e que comporta consequências identificáveis. Nesse sentido, a mobilização de teorias e dos métodos e técnicas está agora sujeito a especificidades próprias que importa ter em conta quando se pretende compreender determinadas esferas do social. De outra forma, poderá dizer-se que a resposta a determinadas questões passa, também, pela utilização de novos repositórios de dados, como é já notório que a interpretação dos mesmos carece de novas abordagens e estratégias que permitam investigação realmente operante. Partindo do princípio pelo qual é importante dar resposta a este novo contexto e que o mesmo deve ser conhecido, esta apresentação visará, como tal, dar conta dos principais desafios levantados pelos grandes dados às metodologias de investigação. Nesse sentido, será discutido até que ponto a tradicional descontinuidade entre abordagens quantitativas e qualitativas é transponível para este domínio, ou se porventura é requerida outro tipo de estratégia, assim como as novas correspondências que associam aos diferentes níveis de análise e granularidade da informação. Pretende-se, também, contrastar os dois campos dados por um lado pelas metodologias ditas tradicionais, e as novas metodologias digitais e o seu papel para compreensão da realidade social presentemente. Por último, será dado destaque à importância assumida pelo fator espaço nos trabalhos versados em metodologias digitais. Os resultados a apresentar são deduzidos de um trabalho de doutoramento que visa uma análise de cariz macro dos efeitos dos grandes dados na democracia através de um tratamento multidimensional deste conceito.

GALLERO, María Cecilia

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  • COM0171: La conservación del suelo subtropical y el aporte teórico-práctico de Alberto Roth
  • SECÇÃO: Ambiente e Sociedade
  • MESA: Ambiente e desenvolvimento
  • RESUMO:
    El problema de la erosión no es nuevo en las regiones subtropicales, ni en Misiones, lugar donde se asentó Alberto Roth. Un suizo que sobresalió por su trabajo como conservacionista y ecologista. Nació en Basilea en 1901. Estudió horticultura y fruticultura en Straelen, Alemania. En 1924 emigró hacia Argentina y recién casado llegó un año más tarde a Santo Pipó. Desarrolló un método para la conservación del suelo en los yerbales y empezó con la lombricultura para la producción de abono orgánico. Difundió sus ideas conservacionistas en diversas revistas y varios libros. En la actualidad la “Fundación Alberto Roth” preserva su legado en donde fuera su vivienda (Lote 31, Santo Pipó). La metodología utilizada parte de la historia ambiental, la cual centra su análisis en cómo los humanos han sido afectados por el medio ambiente a través del tiempo y viceversa. El objetivo de esta ponencia es situar históricamente su obra, analizar sus métodos para difundir el cuidado del suelo y la sustentabilidad de las chacras, aspectos que lo transformaron en un incansable educador, defensor del medioambiente misionero hasta el fin de sus días (1985) y un precursor en relación a la conservación del suelo en la provincia de Misiones.

GASPAR, Filomena

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  • COM0411: A monoparentalidade e a pobreza no espaço rural e urbano
  • SECÇÃO: Pobreza, Exclusão Social e Políticas Sociais
  • MESA: Pluralidade dos modos de vida de pobreza # 1
  • RESUMO:
    Este artigo pretende estudar o fenómeno da pobreza infantil, a sua origem, o que a promove e como se agrava ou diminui, tema relevante e recuperado do trabalho de licenciatura apresentado na cadeira de Demografia e Políticas Sociais. Seleciona-se o núcleo familiar monoparental, que tem a cargo o segmento populacional jovem a cargo (infantil e adolescente, comportando crianças e jovens com idades até aos 17 anos), considerando que a pobreza infantil se associa a dinâmicas familiares. Sobre o território, factor importante e influente nesta matéria, centra-se a análise em duas regiões nacionais - Algarve e Norte (NUTSII), visando obter uma visão binária na vertente sócio económica e social (espaço rural / urbano - litoral / interior). Temporalmente, incide no período de 2008 a 2014. Utilizando revisão bibliográfica, exploratória e dados estatísticos, é traçado o quadro das características do núcleo de famílias monoparentais e apurado o seu peso no total nacional das famílias. Para o enquadramento europeu do risco de pobreza, utiliza-se análise quantitativa de indicadores com padrões definidos (limiar do risco de pobreza, índice de Gini e PIB per capita), que posicionam Portugal perante os restantes países da União Europeia dos 28. Ancorada ao risco de pobreza encontra-se a temática da desigualdade, observada nas NUTSII escolhidas pelos indicadores do nível de escolaridade e das condições perante o trabalho, no núcleo familiar monoparental. Estes indicadores remetem para as vertentes sócio-económica e de género (condição perante o trabalho; acesso à empregabilidade; nível de escolaridade; assalarização; transações sociais; pensões; tendência legislativa para a atribuição de poder paternal). Mais se equaciona a correlação entre pobreza, desigualdade e exclusão social em quatro vertentes: simbólica, económica, inacessibilidade ao consumo pela imitação e identitária. Em simultâneo, aborda-se a exclusão social intergeracional como condicionante para a mobilidade social ascendente, aspirações, oportunidades de vida e acessibilidade a recursos. Sobre politicas sociais para a monoparentalidade, o Estado de Previdência e o Fundo de Garantia de Alimentos Devidos a Menores são ferramentas vocacionadas para garantir condições de subsistência e de sobrevivência (primeiros patamares na pirâmide da hierarquia das necessidades), mediante transferências sociais. Mas como se consolida a perceção e vivência da pobreza pelas populações? Qual o contributo dos contextos sociais e do conhecimento? Como poderá a pobreza ser um indicador mensurável na dimensão sócio-cultural? Estarão as políticas sociais padronizadas de acordo com as necessidades populacionais? Alguns autores abordados: Alfredo Bruto da Costa, Amélia Bastos, Pierre Bourdieu, Sara Falcão Casaca, Elvira Pereira, Eduardo Rodrigues.

GATO, Antonia

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  • COM0179: Tarrafal: O Território do campo de concentração português
  • SECÇÃO: Sociologia do Direito e da Justiça
  • MESA: Territórios de Crime e de Controlo
  • RESUMO:
    Em abril de 1936, o Governo português decreta a criação de uma colónia penal para os presos políticos e sociais no Tarrafal, deixando expresso que se tratava de um “simples estabelecimento penal pertencente ao sistema da metrópole”, planeado de forma transparente e respeitando os melhores critérios para um regime de internamento humano. No entanto, ao redigido opõe-se o conhecimento de quem viveu a realidade dos factos, e que, apelando às suas experiencias pessoais dentro do estabelecimento demonstram as contradições suscitadas entre o registado oficialmente e veredicto. De acordo com o diploma legal, a escolha do local para a construção e funcionamento do estabelecimento resultou de um estudo prévio, efetuado por técnicos às diferentes ilhas do arquipélago de Cabo Verde, no qual se concluiu que o Tarrafal da Ilha de Santiago reunia as condições adequadas. Para os reclusos, a distância, a localização e o clima, possuíram uma natureza instrumental, racionalmente calculada para asseguraram o total isolamento e a contração de doenças que extenuassem os corpos até aos limites da resistência humana. A região baixa das achadas do Tarrafal, plana, árida e declivada, facilitava a vigilância e a imensidão do mar em volta da ilha tornava-se a barreira mais aterradora. O clima possui características próprias, formando sazonalmente pântanos cujas águas estagnam sob o calor abrasador do sol e por todo o lado proliferam anófeles, implacáveis mosquitos transmissores do paludismo, “executores discretos” que traziam as febres e a morte resultante como uma causa natural pela qual ninguém podia ser responsabilizado. São estas características do espaço físico do Tarrafal que permitiram ao espaço construído dentro do recinto prisional, obter os resultados esperados neste tipo de estabelecimentos, sem comprometer o regime do Estado Novo com políticas desumanas. Na memória das vítimas, o Campo do Tarrafal, traduziu-se num lugar de pena de morte requintada e cruel, um “Campo de Morte Lenta”, também descrito como a “Aldeia da Morte”, o “Pântano da Morte” ou ainda como o “Inferno Amarelo”, de qualquer modo a imagem da morte cola-se ao espaço físico, levantando a questão: De que modo o território constituiu um fator determinante para a perceção do presídio como um campo de concentração?

GERMINIANI, Haudrey

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  • COM0266: As políticas públicas do biocombustível e a inclusão social: um estudo comparativo entre o Brasil e Portugal
  • SECÇÃO: Classes, Desigualdades e Políticas Públicas
  • MESA: Políticas Públicas e Territórios
  • RESUMO:
    O mundo rural vem passando por intensas transformações, nos seus modelos de apropriação do território, do meio ambiente e das relações de trabalho. Em interface à intensa diversificação das formas rurais de organização social e produtiva, os países tem procurado promover estratégias para o desenvolvimento territorial, em termos de arranjos produtivos locais, que contemplem tanto o crescimento econômico, quanto a responsabilidade com o meio ambiente e redução das desigualdades sociais e de gênero. O desenvolvimento territorial deve se basear em políticas públicas e programas “de dentro para fora”, valorizando as demandas dos diversos setores e atores sociais, seus conhecimentos, experiências e potencialidades, de forma a fomentar a autonomia e a identidade territorial e de gênero, oportunizando condições produtivas a homens e mulheres, adequadas às dinâmicas políticas, econômicas, socioculturais e ambientais. Portugal traz como meta obrigatória a inclusão de 20% de fontes de energia renovável até 2020, conforme Comissão Europeia em 2003, descobrindo seu potencial energético, adotando o biodiesel em virtude da frota de diesel no país e promovendo políticas para a inclusão dos pequenos produtores. O Brasil prevendo constitucionalmente a garantia do desenvolvimento nacional e a redução das desigualdades sociais e regionais, e a busca pelo meio ambiente ecologicamente equilibrado insere-se na busca pelo mercado de biodiesel. (Alves e Vasconcellos (2005),. Dentre essas ações, emerge no Brasil o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB), criado em 2004 e regulamentado em janeiro de 2005, mediante Lei 11097, que objetiva promover de forma sustentável, tanto técnica quanto econômica, a produção e uso do Biodiesel, por meio da agricultura familiar, com enfoque na inclusão social e no desenvolvimento regional, via geração de emprego e renda (VASCONCELOS, 2013). O presente trabalho tem por objetivo estudar as ações governamentais das energias renováveis em específico o biodiesel, no âmbito brasileiro e português, devendo essa regulação perpassar por formulações de políticas públicas de médio e longo prazo. Neste contexto, foi estruturada a seguinte pesquisa, descritiva e exploratória, que teve como objetivo comparar e analisar como esses países estão atrelando a produção e uso do biodiesel com o desenvolvimento territorial sustentável e promovendo a inclusão social. Conclui-se que a produção do biodiesel pela agricultura familiar somente poderia ser desencadeadora de arranjos produtivos locais para o desenvolvimento territorial sustentável, caso as ações dos programas de incentivo a produção e uso de biodiesel estivessem atreladas a outras políticas sociais, tecnológicas e ambientais, incorporando a equidade de gênero e buscando a transformação da realidade das famílias rurais, tornando-as não apenas sujeitos sociais, mas principalmente sujeitos políticos.

GOMES BEZERRA, Roselane

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  • COM0049: A reinvenção de espaços urbanos: dimensões sociais de processos de requalificação na cidade de Almada
  • SECÇÃO: Territórios: Cidades e Campos
  • MESA: Reabilitação Urbana: Novos Usos e Significados - A
  • RESUMO:
    A paisagem urbana contemporânea vem sendo reconfigurada por meio de projetos de requalificação de áreas portuárias desativadas, de antigas instalações industriais abandonadas ou de antigos centros históricos degradados. Dentro desse contexto, a cidade de Almada, em Portugal, chega ao século XXI com as instalações da antiga Lisnave abandonadas e com diversos edifícios relacionados a indústria naval em ruínas. Essa paisagem que foi se configurando em Almada, nas últimas décadas do século XX, contribuiu para a sua classificação como uma cidade pós-industrial. Como consequência dessa configuração muitos projetos de intervenção urbana foram desenvolvidos e alguns implementados. Esse processo de requalificação vivenciado na cidade de Almada pode ser entendido como a reinvenção dos espaços urbanos, no contexto de políticas públicas que buscavam uma nova “vocação” para as cidades, com investimentos voltados para o desenvolvimento de áreas de contemplação, lazer e cultura. O objetivo da minha comunicação é apresentar uma análise dos discursos de arquitetos e decisores políticos no Fórum de Participação para a apresentação do projeto de Requalificação da Rua Cândido dos Reis, no ano de 2010. Após essa análise farei também uma exposição da avaliação da implementação desse projeto, a partir de narrativas de pessoas que trabalham nessa rua, que a partir de 2012 teve o processo de requalificação concluído. A etnografia realizada na rua Cândido dos Reis, alguns anos após a conclusão das obras de requalificação, dará pistas para ampliar o debate sobre políticas urbanas e o processo de reinvenção das cidades contemporâneas, especialmente no tocante ao tema do “planeamento e gestão do território”. Dentro dessa perspectiva poderemos aprofundar também o debate sobre “as dimensões sociais da infraestrutura urbana”, assim como sobre “espaço público e cidadania urbana”. Vale ressaltar, que a concepção de “requalificar para qualificar os espaços e a vida das pessoas” é muito comum em diversas narrativas dos planos de intervenção urbana, não só na cidade de Almada, mas em diferentes cidades que vivenciam processos de requalificação. Nesse sentido, percebo que esse facto realça ainda mais a importância de auscultar as pessoas que “experimentam” esses projetos de intervenção urbana no seu quotidiano.

GOMES CORREIA, Rita

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  • COM0395: Doutoramentos em biotecnologia em Portugal: prevalências geográficas e temáticas
  • SECÇÃO: Conhecimento, Ciência e Tecnologia
  • MESA: Ensino superior e redes
  • RESUMO:
    Em 2000 foram definidas as linhas políticas base da União Europeia até 2010, naquela que ficou conhecida como a “Estratégia de Lisboa”. A biotecnologia foi uma das poucas áreas explicitamente mencionadas e acompanhadas de perto pela Comissão. Partindo da convicção de que o âmbito das ciências da vida e da biotecnologia, assim como o das tecnologias da informação, constituía um novo eixo da economia baseada no conhecimento e, como tal, uma nova oportunidade para a sociedade e a economia, a Comissão Europeia apresentou em Janeiro de 2002 uma estratégia de atuação específica para este domínio no seguimento de uma consulta pública, lançada em Setembro de 2001, sobre os diversos aspetos em jogo. A orientação “Ciências da vida e biotecnologia – Uma estratégia para a Europa” assentava em três eixos principais: atrair os recursos necessários para desenvolver e aplicar as novas tecnologias; conquistar o apoio e confiança dos cidadãos para as políticas implementadas; e reforçar o posicionamento estratégico e económico da Europa no panorama mundial. O documento apontava que a revolução verificada nestes domínios teve origem na investigação e que os laboratórios públicos de investigação e as instituições universitárias assumiam um papel fundamental tanto enquanto base científica quanto como meio de interação com a pesquisa realizada nas empresas e outros organismos privados. Acompanhando a enorme expectativa relativamente à biotecnologia no contexto europeu e internacional, esta área é oficialmente apontada como uma prioridade para o desenvolvimento económico e científico de Portugal desde o início da década de 80. De tal forma que, a par das tecnologias de informação, este tem sido o campo disciplinar em que o Estado português tem formal e deliberadamente revelado uma maior aposta. Exemplo disso é o número de doutoramentos nesta área. Entre 1970 e 2014, foram realizados ou reconhecidos em Portugal 230 doutoramentos nos domínios científicos referentes às diversas aplicações da biotecnologia: biotecnologia médica; biotecnologia industrial; biotecnologia ambiental; e biotecnologia agrária e alimentar. A presente comunicação visa assinalar as prevalências geográficas e temáticas que se verificam em Portugal ao nível dos doutoramentos em biotecnologia.

GONZÁLEZ GÓMEZ , Teresa

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  • COM0182: A proposal to include social participation for a sustainable and smart tourism.
  • SECÇÃO: Turismo e Lazer
  • MESA: Mobilidades turísticas
  • RESUMO:
    In the design of touristic initiatives the interpretations and social constructions of space are usually discriminated in terms of the degree of power that each actor has in context. The importance of taking into account these interpretations relies on the basis of a better and inclusive governance and in general terms for a sustainable and smart tourism. Facing the growing positioning of the concept and policy of the “smart” (city, development, tourist destination ...). in the literature, it can be seen the dominance of the technological sense of the concept, well above its original intent: to create more sustainable spaces in different dimensions (environmental, social, economic and political) based on the needs of the population and relying on technology as a key tool for this. However, this work maintains the hypothesis that there is not intelligent development and sustainable tourism if it is not socially inclusive, that is, if it doesn’t consider the perception that every social actor has concerning aspects like the environment, the use of space, etc for which such initiative is being planned. What it urges for the inclusion of social participation in development policy. Thus, a sustainable and smart touristic development goes through a form of governance based on the knowledge of the positions of power of all the different stakeholders involved and in their perspectives, in order to promote a more politically. The aim of this paper is to analyze the discourses of different stakeholders about the use of space and the impact of touristic development, and to propose the inclusion of this analysis in the design of what it can be name as sustainable and smart tourism. To do this we take an example of local actors’ diagnosis about an initiative of touristic development based on golf courses (PBG) in the south-west of the Iberian Peninsula. For doing so, we did 30 in-depth interviews, and a focus group with 18 local stakeholders (Hence SH) affected and/or interested in the PBG in the Southwest of Iberian peninsula, in the province of Huelva. Our main results point out two clearly different social discourses about the socio-environmental impacts of PBG, depending on the degree of influence in decision taking about the design and development of the projects. Also, our figures underline that local stakeholders perceive full coincidence on the beneficiaries of the projects and the influential local actors. These interpretations of space and touristic development are usually discriminated in terms of the degree of power that each actor has in context. Thus a sustainable and smart tourism initiative goes through a more inclusive governance based on the knowledge of those positions of power and the actors’ perspectives to promote a more politically sustainable tourism, and in the long-term, more profitable (in its various meanings) for all players.

GONÇALVES, Eva

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  • COM0224: O aluno como broker na relação escola-família
  • SECÇÃO: Sociologia da Educação
  • MESA: Tensões e reconfigurações da instituição escolar (Sessão I)
  • RESUMO:
    O papel que o aluno pode assumir na relação entre escola e famílias surgiu como tema de interesse na sequência da realização de um estudo sobre as apropriações dos papéis que professores e encarregados de educação podem assumir na educação, no contexto dos novos modos de regulação do sistema educativo (Gonçalves, 2015). A importância que o aluno assume nas dinâmicas que se geram entre escola e famílias foi visível em três aspetos. O primeiro relativo ao desempenho escolar do próprio aluno cujo insucesso parece aproximar alguns encarregados de educação dos diretores de turma; enquanto as famílias dos educandos de maior sucesso parecem ter menor necessidade de comunicar com os professores além das reuniões de pais e parecem estar mais afastadas da vida escolar. O segundo aspeto diz respeito à função que o aluno assume no processo de comunicação entre a escola e a família através transmissão de recados escritos e orais, detendo os alunos o controlo da informação transmitida e do tempo que decorre entre o emissor e o recetor, tal como observado noutros estudos (Perrenoud, 1987). O terceiro aspeto é influência que os alunos têm nas decisões sobre a participação dos seus encarregados de educação nas atividades realizadas pelas escolas tendo em vista incentivar a participação parental na vida escolar. Estes aspetos confirmam que os alunos têm um papel de ator social ativo na relação escola-família (Sarmento, 2005), embora sejam raramente ouvidos no âmbito dos estudos sobre esta temática (Silva, 2006). O objetivo deste trabalho é aferir como o aluno influencia a relação que se estabelece entre os professores, mais especificamente o seu diretor de turma, e o seu encarregado de educação, respondendo às seguintes questões: em que momentos o aluno é mobilizado pelo seu diretor de turma e encarregado de educação no âmbito das suas relações? Os encarregados de educação incluem ou ouvem os alunos antes de decidir participar ou não em eventos informais e/ou formais na escola? O aluno assume um papel ativo como mediador ou broker da relação? Nesta comunicação iremos procurar dar resposta a estas questões através da análise de conteúdo a entrevistas semi-dirigidas aplicadas a alunos do 9º ano de escolaridade (num total de dezasseis), seus diretores de turma e encarregados de educação, recolhidas, mas ainda não exploradas neste aspeto no estudo acima referido (Gonçalves, 2015), em cinco escolas públicas localizadas em três municípios diferentes e caracterizadas por contextos educativos e socioeconómicos distintos. A análise efetuada permitir-nos-á tipificar o papel do aluno na relação escola-família, tendo em consideração o seu percurso escolar, contexto socioeconómico e características da instituição escolar onde estuda.

GRASSI , Marzia Grassi

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  • COM0597: Vidas Transnacionais, Mobilidade e Família
  • SECÇÃO: Migrações, Etnicidade e Racismo
  • MESA: Posters
  • RESUMO:
    O grupo de investigação “Vidas Transnacionais, Mobilidade e Família” integra a linha temática “Percursos de vida, Desigualdades e Solidariedade” no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, fazendo também parte do Observatório da Família e das Políticas da Família. O grupo desenvolve investigação sobre os múltiplos efeitos da mobilidade no mundo contemporâneo, adotando uma abordagem transnacional informada pelos estudos das migrações e da família. O objetivo deste grupo é analisar o impacto da migração nos indivíduos e nas suas relações nas famílias e nas redes transnacionais, considerando as diferenças de género e de geração no acesso à migração nos países de origem assim como as condições de integração no país de chegada. A abordagem teórica propõe ultrapassar a perspetiva norte-sul, considerando-a não operatória para captar os múltiplos efeitos das ligações transnacionais, económicas e sociais uma vez que esta subestima a capacidade de agência dos migrantes. Considerando a necessidade de estudar a vida dos indivíduos em movimento, que deixam as suas famílias para trás, mas não os seus laços com os outros membros da família, esta abordagem contribui para a discussão do uso da categoria “migrante” e sugere que o movimento dos indivíduos é uma característica da sociedade contemporânea globalizada que produz efeitos em todos os países envolvidos na trajetória migratória que não pode ser estudado como sendo uma circunstância momentânea. As experiências das famílias transnacionais de um ponto de vista económico, politico, social e cultural são analisadas considerando o impacto, as causas e as consequências nos diferentes atores envolvidos. Considerando a mobilidade de pessoas, bens e ideias que caracterizam o mundo contemporâneo nos últimos anos e as suas repercussões em instituições como a família, na afetividade, nas novas formas de conjugalidade, na paternidade, nos cuidados a crianças, nas relações inter e intrageracionais, o grupo de trabalho tem vindo a desenvolver diversos projetos de investigação nacionais e internacionais e projetos de doutoramento adotando uma abordagem metodológica multi-situada que privilegia o uso complementar de técnicas qualitativas e quantitativas, bem como o método comparativo. O poster contém uma síntese dos diversos projetos, em curso ou concluídos recentemente, bem como da produção científica e atividades de disseminação desenvolvidas no âmbito do grupo de investigação.

GUEBE, António

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  • COM0789: A Influência do Serviço Militar Obrigatório na Construção da Cidadania em Angola: O caso da comunidade rural Vakuvale
  • SECÇÃO: Globalização, Política e Cidadania
  • MESA: Cidadania e Participação Social
  • RESUMO:
    A abordagem do tema visa determinar a capacidade do serviço militar obrigatório na transformação de um simples indivíduo pertencente às ditas comunidades fechadas, conservadoras das suas tradições ao cidadão, munido de deveres e de direitos à posse comum. O estudo exigiu o emprego do método estudo de caso com enfoque na comunidade rural Vakuvale do Sul de Angola. Os resultados confirmam o poder do cumprimento do serviço militar obrigatório, por via da socialização, da transformação da consciência do indivíduo, do local a um todo nacional, construindo a cidadania. No entanto, a falta de oportunidades de emprego, devido ao baixo nível de escolaridade, por um lado, e da falta de incentivos às políticas de desenvolvimento locais que se adeqúem ao modo de vida dos povos em referência, por outro lado, influenciaram, pela negativa, no passado, fazendo com que os indivíduos, ao regressarem para a comunidade, regridam aos níveis de consciência e de socialização anteriores. Actualmente, a implementação dos programas de impacto sociais e agrícolas nas regiões, em curso, pode mudar o quadro das tendências.

GUERRA, João

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  • COM0126: Reforçar o desenvolvimento sustentável - dos ODS à COP21
  • SECÇÃO: Ambiente e Sociedade
  • MESA: Desenvolvimento sustentável e protecção da natureza
  • RESUMO:
    O agudizar dos sinais de degradação das condições ambientais tornou-se evidente nas últimas décadas, mas se cabe à humanidade decidir como usar os recursos disponíveis, tal liberdade surge progressiva e inextricavelmente cerceada pela complexidade ecológica e pela ética da responsabilidade que, à medida que os novos valores ecológicos vingaram, parece ter-se instalado. Assim, é numa perspetiva que postula maior eficácia na ação, maior capacidade de monitorização e maior integração das várias dimensões do desenvolvimento sustentável que emergiram os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e decorreu a COP 21 de que resultou o Acordo de Paris. Importa, ainda assim, perguntar, a partir de uma análise crítica dos dois eventos, se as flagrantes e crescentes desigualdades socioeconómicas, que se repercutem nos vários níveis de governança, não impedirão o progresso desta estratégia de generalização de objetivos. Procurando responder a esta questão, teremos em conta que, se nos últimos anos uma sensação de desesperança e fatalismo parece ter impregnado a vida moderna, não deixa de ser igualmente verdade que a consolidação da ideia de desenvolvimento sustentável global e, agora, a monitorização admitida podem potenciar a mudança ambicionada.
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  • COM0125: ClimAdaPT.Local - Resultados preliminares de um inquerito alargado
  • SECÇÃO: Ambiente e Sociedade
  • MESA: Alterações climáticas
  • RESUMO:
    Nas últimas décadas as Alterações Climáticas têm ganho uma visibilidade crescente em torno de um debate que, apesar de transversal, não está isento de insuficiências e ambiguidades. Se está garantida a quasi unanimidade em torno da relevância do problema, para governantes e governados há uma miríade de outros problemas quotidianos que desviam esforços e implicam, frequentemente, uma exiguidade de resposta que adia uma ação institucional e socialmente eficaz. Alicerçada a sua atividade na proximidade dos cidadãos e dos problemas, a partir do lugar mediador que desempenham entre sociedade civil, setor privado e governo central, os municípios apresentam-se como atores estratégicos fundamentais no esforço de adaptação das comunidades locais que, a mal ou a bem, acabará por realizar-se. Com estes pressupostos, o projeto ClimAdaPT.Local tem como objetivo iniciar um processo contínuo de elaboração de Estratégias Municipais de Adaptação às Alterações Climáticas (EMAAC) e a sua integração nas ferramentas de planeamento municipal. Pretende-se alcançar este objetivo pela capacitação do corpo técnico municipal, pela consciencialização dos atores locais e pelo desenvolvimento de ferramentas e produtos que facilitem a elaboração e implementação das EMAAC nos municípios participantes no projeto e, no futuro, nos demais municípios portugueses. O projeto é coordenado pelo grupo de investigação Climate Change, Impacts, Adaptation and Modelling (CCIAM) da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e conta com a parceria de diversas entidades portuguesas e norueguesas (académicas, empresas, ONG e municípios), nomeadamente: CEDRU, WE CONSULTANTS, QUERCUS, Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, Universidade de Aveiro, ICETA/CIBIO-Açores, Câmara Municipal de Cascais, Câmara Municipal de Almada, Câmara Municipal de Sintra e cCHANGE. Centrando-se, muito particularmente, nos resultados de alguns inquéritos aplicados no âmbito do projeto (avaliação on-going) aos vários grupos de intervenientes (técnicos autárquicos, decisores políticos, stakeholders mais relevantes auscultados nos 26 municípios incluídos, esta apresentação irá descrever algumas das principais conclusões iniciais de um conjunto de inquéritos que, desde o início, procuraram, acompanhar o desenrolar de atividades.

GUERREIRO, André

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  • COM0229: Interdisciplinaridade em ciências sociais – passado, presente ou futuro?
  • SECÇÃO: Teorias e Metodologias
  • MESA: INOVAÇÕES METODOLÓGICAS E CONSTRUÇÃO DE CONHECIMENTO EM CIÊNCIAS SOCIAIS
  • RESUMO:
    A interdisciplinaridade tem sido alvo de uma crescente atenção no seio das ciências sociais. Se a segunda metade do século XX viu os departamentos das universidades e as disciplinas académicas multiplicarem-se e especializarem-se, criando divisões dentro doutras divisões, o século XXI, ao mesmo tempo que não parece ter abrandado a tendência, tem também sido marcado por abordagens interdisciplinares a vários níveis. Os novos desafios, sobretudo notórios nas temáticas ligadas às políticas públicas, à tomada de decisão, ao mundo organizacional e até à esfera ambiental, levaram a que muitas áreas se redefinissem para lá das divisões clássicas das disciplinas académicas tradicionais e se situassem num plano epistemológico assumidamente interdisciplinar. Os métodos interdisciplinares são ao mesmo tempo passado e presente desta forma de abordar a investigação científica, que é ela própria em sua essência igualmente fruto do passado e presente. Por tal ordem de razões, e atendendo aos novos desafios globais, as abordagens interdisciplinares são cada vez mais comuns nos manuais de investigação, nos vários handbooks focados em temáticas e não em campos científicos, e nas revistas científicas que têm vindo a explorar novos temas nas fronteiras do que a sua própria área científica tradicionalmente assumiu como limite. Autores como Julie Klein, Gaff & Ratcliff, Johan Heilbron defendem que a interdisciplinaridade é uma nova tendência dominante, contrariando a tendência para a especialização, enquanto Brint et al apontam que a interdisciplinaridade representa “o sinal mais claro de erosão das disciplinas enquanto modelo predominante de organização no mundo académico.” Mas até que ponto é que isto se tem verificado no caso português em particular? Em Portugal, a questão da interdisciplinaridade tem passado algo despercebida, só muito recentemente tendo entrado para o debate académico. Efetivamente, o tema é há já vários anos discutido no plano político, sobretudo ligado aos processos de tomada de decisão e da implementação de políticas públicas. Tirando alguns centros de investigação que se pautam por possuírem um corpo de investigadores interdisciplinar, a produção literária académica continua a reflectir uma fragmentação disciplinar e a temática da interdisciplinaridade tem sido ignorada nas publicações de referência em Portugal, sendo apenas referida de passagem em poucos trabalhos, de forma genérica. A presente comunicação irá abordar a crescente popularidade das abordagens interdisciplinares no contexto político, social e cultural subjacente, terminando numa análise da interdisciplinaridade no plano científico português, de modo a identificar a sua prevalência nas ciências sociais em Portugal e o estádio em que se encontra.
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  • COM0199: A questão da autenticidade – do objetivismo à fenomenologia do turismo
  • SECÇÃO: Turismo e Lazer
  • MESA: Fenoménica turística
  • RESUMO:
    A autenticidade é um termo recorrente nos estudos turísticos. Desde que fora introduzido em 73 por MacCannell, tem sido central nos vários trabalhos direcionados para as vertentes científica ou aplicada. Nos últimos anos a tónica centrou-se de igual forma nas experiências, tendo resultado como produto a romantização da autêntica experiência turística. A tese de MacCannell centrava-se na teatralidade da autenticidade que era como que encenada, numa linguagem dramatológica assumidamente inspirada em Goffman. O entendimento feito em relação ao conceito de autenticidade seria, todavia, questionado e alvo de debate, sobretudo devido à indefinição de significados que representava. Seria assim classificado de conceito museológico de autenticidade, por oposição ao conceito de autenticidade subjetiva. A autenticidade subjetiva seria o tema central dos trabalhos de Cohen, que em 1979 introduziria uma abordagem construtivista da autenticidade. No seu entender, o papel de turista não era unitário, correspondente apenas ao turismo de massas. Diferentes turistas procurariam diferentes formas de turismo, procurando (e recriando) experiências distintas. E nascia assim a fenomenologia do turismo. A ideia da autenticidade emergente de Cohen seria que as experiências não se relacionavam somente com o local num binómio autêntico/inautêntico, mas antes numa relação entre o turista e o objeto turístico, significando isto que diferentes turistas poderiam viver experiências distintas ao interagir com os mesmos objetos turísticos, mediante como estes eram construídos no seu imaginário. Em 1999 Wang deu um novo contributo ao conceito, apresentando a autenticidade existencial, ao focar-se inteiramente nas experiências subjetivas, continuando a linha fenomenológica introduzida nos estudos turísticos por Cohen. A análise de Wang desloca-se do espaço para a consciência e para as experiências subjetivas que os turistas vivem ao realizarem determinadas atividades – daí a designação de autenticidade baseada na atividade. Esta linha, inspirada no pós-modernismo e nos trabalhos de autores como Baudrillard e Umberto Eco, punha em causa a existência de algo verdadeiramente autêntico, pois no mundo pós-moderno, a simulação substituiu o original. A forma como as cópias ou as reproduções seriam tão boas ou até mesmo melhores que os originais era justificada pela crença subjetiva dos turistas de que estariam a experienciar algo autêntico, independente de ser o não. A comunicação abordará esta evolução que os estudos turísticos viveram, do plano objetivo material para o construtivista fenomenológico, concluindo com uma análise do conceito de autenticidade nos últimos anos, à luz da análise pós-moderna da autenticidade nas experiências turísticas.

GUIA, Maria João

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  • COM0097: “Os espaços da(s) (in)Justiça(s): os “velhos” e “novos” territórios das vítimas de crime
  • SECÇÃO: Sociologia do Direito e da Justiça
  • MESA: Territórios de Crime e de Controlo
  • RESUMO:
    A figura da vítima de crime e os direitos que a protegem na União Europeia têm vindo a ser debatidos a nível processual e a nível dos apoios que os Estados-membros têm o dever de facultar. A Diretiva 2012/29/UE, cujo prazo de transposição para os ordenamentos jurídicos dos Estados-membros terminou em 16 de Novembro de 2015, destacou diversos aspetos prioritários na defesa dos direitos das vítimas de crimes: um deles foi precisamente a adequação dos espaços da justiça. Num estado de direito, os espaços da justiça – e pensamos aqui no espaços do processo penal e dos tribunais – estão no cerne das estruturas cívicas e democráticas, símbolos dos princípios constitucionais da igualdade e do acesso ao direito e à justiça. Entre o processo, a forma e a função, os edifícios dos tribunais são, assim, a materialização visível do exercício da justiça. Daí a importância de se refletir sobre as condições em que se encontram, a adequação aos diferentes tipos de conflitos e diligências processuais e, sobretudo, a adequação aos utentes que aí entram todos os dias ou aos profissionais que neles trabalham. Nesta comunicação iremos focar-nos sobre os espaços da justiça existentes a partir da reflexão de Branco (2013; 2015), de Guia (2013) e de Pedroso (2011). Tomaremos como ponto de partida a investigação levada a cabo sobre o estatuto da vítima no processo penal e os espaços dos tribunais em Portugal para questionar se as recomendações apresentadas na referida Diretiva, nomeadamente no ponto 53 do preâmbulo [“os Estados-Membros devem ser incentivados a introduzir, especialmente no que diz respeito a tribunais e a postos de polícia, medidas exequíveis e práticas que prevejam, por exemplo, a existências de entradas e zonas de espera separadas reservadas às vítimas”]; ou se a alínea a) do artº 23º [“As inquirições às vítimas devem ser realizadas em instalações concebidas ou adaptadas para o efeito”] foram implementados na recente Lei 130/2015, de 4 de setembro, procurando verificar a sua implementação prática em diversas fases do espaço do processo: a fase da informação às vítimas, da audição das mesmas pela autoridade judiciária e a do alojamento e acompanhamento seguro. Procuraremos ainda apresentar propostas de melhoramento dos espaços do processo e da justiça, tendo em conta a dignidade das vítimas e a sua “integridade física, mental e moral” no que concerne a “idade, o género, qualquer eventual deficiência e a maturidade” (ponto 9 do preâmbulo da mencionada diretiva).

HENRIQUES, Augusto

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  • COM0470: O processo de regulamentação da Osteopatia em Portugal
  • SECÇÃO: Trabalho, Organizações e Profissões
  • MESA: Género, Profissões e regulação institucional das relações de trabalho I
  • RESUMO:
    Olhamos para esta problemática à luz da Sociologia das profissões. A Osteopatia em Portugal tem tido dificuldades em afirmar-se como profissão e estabelecer áreas jurisdicionais. Nesta fase da investigação empírica, baseamo-nos numa análise documental exaustiva. Desde meados do século passado verificou-se maior interesse nas práticas médicas alternativas e complementares (MACs). Ao longo do tempo, autores vários, como Maria de L. Teixieira, M. Saks ou D. Callaham debruçaram-se sobre esta temática. A Ordem dos médicos (OM), durante décadas, baseando-se no artº 358 do Código Penal, alínea B, (usurpação de funções) atuou judicialmente contra muitos profissionais das MACs. No entanto, ao pesquisar-se na Base Jurídico-Documental sobre processos de MACs, nada se encontrou de Acordãos sobre a Osteopatia. É do conhecimento geral, (durante décadas) os profissionais das MACs foram processados judicialmente pela OM Portuguesa, baseando-se no Decreto-lei de 1942; nunca se arrogarem de médicos ou praticaram atos exclusivos dessa profissão. Em 1998 a OM inicia o denominado processo do ato médico (AM). Foi vetado por SE o Sr.Presidente da República (PR) em set. de 1999. Ao vetar o diploma que definia o AM, o PR deu um sinal inequívoco relativamente à necessidade de regulamentação das MACs; revelou que a definição do AM contrariava a Constituição, reservava para os médicos alopatas o exclusivo do exercício das profissões de saúde. Nessa época já os profissionais das MACs usavam estratégias várias, encetavam esforços na Assembleia da República (AR) para promulgar legislação que originasse a regulamentação e a legitimação profissional da Osteopatia, como também doutras MACs. Vários atores principais tentavam ao mesmo tempo gerir conflitos e divergências inter e intra-profissionais. Iniciou-se um processo, centralizado-se num fechamento ocupacional. Em 7 de dez. de 1999 foi apresentado na AR o primeiro Projecto de Lei nº 34/VIII «Regulamentação das Medicinas não Convencionais», outros sucederam. Tais iniciativas só vieram a ser aprovadas em 15 de julho de 2003: a Resolução 64/2003 para a Osteopatia e a Lei 45/2003 para mais 5 áreas das MACs., (foram apelidadas de Terapêuticas não Convencionais). Perante os diplomas legais aprovados, só em 2005 se nomeou a Comissão InterMinisterial técnica consultiva para preparar a regulamentação, com 6 representantes das profissões mencionadas na Lei, incluia peritos (a maioria conetados com a medicina alopática e farmácia). Entretanto, outra Lei que regulamenta a 45/2003 foi aprovada, a 71/2013 em 2 de setembro. Colocou-se outra profissão a Medicina Tradicional Chinesa, que ‘à força’, a OM queria que fosse apelidada de Terapêutica Tradicional Chinesa. Todos os atores das MACs repudiaram tal. Desenvolveu-se o processo no Ministério da Saúde procedendo-se à entrega das primeiras cédulas profissionais na Administração Central do Sistema de Saúde, em 01 out. 2015.

HENRIQUES, Susana

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  • COM0109: Novas Substâncias Psicoativas: políticas públicas, mercados e espaços invisíveis
  • SECÇÃO: Sociologia do Consumo
  • MESA: Identidades, espaços de consumo e políticas publicas
  • RESUMO:
    A problemática da droga é inerente a todas as culturas humanas e, enquanto tema multifacetado e complexo, é ativo e ativado por inúmeros fatores, conferindo às políticas públicas um papel essencial, para além do meramente regulador. Tal como aconteceu noutros países da Europa ao longo dos últimos anos, uma nova era de substâncias psicoativas teve no contexto português um importante marco em 2007, com a abertura das smartshops e a proliferação de lojas virtuais (voltadas para a venda destas substâncias exclusivamente online) dedicadas ao comércio ‘legal’ de Novas Substâncias Psicoativas (NSP) e produtos para consumo. De forma genérica, as questões centrais deste debate orientaram-se para os temas habituais: saúde pública; as (sub)culturas juvenis; direitos e deveres dos cidadãos; o contexto da sociedade de consumo e democrática; o enquadramento legal, etc. No entanto, o papel das NSP foi muito mais para além de todas estas questões, adquirindo novas formas de se colocarem entre os indivíduos e de se desenvolverem enquanto mercado criado e recriado por determinados grupos de sujeitos. Mais do que isso, encarregam-se agora de ocupar novos espaços de propagação, negociação e introdução no quotidiano de pequenos grupos de consumidores, compradores ou somente curiosos, tirando forte partido das características positivas e possibilidades de anonimato do mundo virtual. Tratando-se do fenómeno mais recente em termos de visibilidade pública e de atenção política, importa analisar atentamente as políticas públicas que têm surgido neste âmbito, que tipos de respostas o configuram, bem como os complexos processos sociais aqui implicados. Neste sentido, a presente comunicação pretende desenvolver um olhar sociologicamente enformado sobre as políticas públicas da droga em Portugal, tendo por base o impacto das NSP nas mesmas, as novas funcionalidades da era tecnológica no campo dos consumos e o enquadramento de ações que têm acompanhado estas novas tendências de mercado em Portugal.

HERMOZILHA, Patrícia

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  • COM0730: Alentejo e Trabalho Agrícola: encruzilhadas do desenvolvimento no século XXI
  • SECÇÃO: Territórios: Cidades e Campos
  • MESA: Novas e Velhas Ruralidades: Permanências e Mudanças
  • RESUMO:
    O Alentejo é a seguir ao Algarve a unidade territorial do país com menos residentes. A baixa densidade populacional é uma constante na sua história quando comparada com o povoamento no litoral. Os territórios de baixa densidade sociodemográfica portugueses apresentam uma localização geográfica predominante no interior do país e características particulares ao nível económico, social, urbano, institucional e relacional. Em Portugal é a partir dos anos 50 que a o êxodo rural se acentua, as causas são múltiplas, mas há grandes linhas que ajudam a perceber este fenómeno, podendo assim referir-se, a insuficiência de rendimentos provenientes da actividade agrícola, a insegurança laboral, na medida em que, o trabalho no campo é sazonal, não é contínuo e está dependente do clima. O desejo de ter uma melhor qualidade de vida, uma nova profissão, uma nova especialização, são factores que pesaram na decisão de abandonar o meio rural e partir em busca de melhores condições de vida, uma vez que os centros urbanos são vistos como zonas de vida mais fácil por oferecerem mais oportunidades. A insuficiência das atividades económicas, a falta de oportunidades de emprego, as limitações dos mercados locais, a perda e o envelhecimento da população, os insuficientes serviços e equipamentos, a marginalização territorial, são, entre outras, questões encaradas como obstáculos ao desenvolvimento. Considera-se, no entanto, que os moldes sobre os quais se desenvolve o actual trabalho agrícola no Alentejo estão ocultos numa realidade pouco explorada, mas que descortinada, conduz-nos a pertinentes considerações. O sector primário no Alentejo, convoca um grande número de pessoas que, ainda que há mercê da sazonalidade da atividade agrícola, são deslocadas dos seus países de origem para aldeias e vilas alentejanas, trazendo novas dinâmicas e sociabilidades aos territórios de baixa densidade populacional Em que moldes se desenvolve o trabalho agrícola e quais as condições laborais destes imigrantes, são pertinentes questões que se colocam relativamente ao trabalho agrícola no alentejo do século XXI.

IANNUZZI, Giulia

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  • COM0624: Privately protected areas as a policy tool for nature conservation: the case of Portugal
  • SECÇÃO: Ambiente e Sociedade
  • MESA: Desenvolvimento sustentável e protecção da natureza
  • RESUMO:
    Approaches for nature conservation are undergoing a change of governance paradigm. There is a growing recognition that efforts to tackle nature degradation should been directed toward the engagement of multiple actors, and the involvement of local communities. Concurrently, areas owned and managed for nature conservation purposes on a voluntary basis by international, national or local NGOs, foundations, companies and private landowners are gaining momentum. The involvement of private landowners is seen as a promising and flexible approach to enhance and extend the existing systems of natural reserves where protected areas run by public actors are still the cornerstone of conservation strategies. A growing number of countries have provided legal frameworks for the recognition of private protected areas also permitting their integration in the national network of protected areas - and have eventually implemented government-led mechanisms to incentivize their creation. The article discusses potentialities and challenges of private protected areas as a complementary policy instrument for nature conservation strategies. It then focuses on the Portuguese case providing a preliminary classification of private conservation initiatives in Portugal that range from NGOs management of Natura 2000 sites, to the case of a private protected area (the Faia Brava Natural Reserve) classified and integrated in the national network of protected areas in 2010.

JOAQUIM, Graça

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  • COM0239: Imaginários e Autenticidades: o caso dos produtores de narrativas de viagem
  • SECÇÃO: Turismo e Lazer
  • MESA: Fenoménica turística
  • RESUMO:
    A comunicação explora alguns dos resultados de uma investigação mais vasta sobre os Viajantes, as suas narrativas, modos de vida e representações sociais, centrando-se no universo dos viajantes produtores de narrativas de viagem e nas dimensões da representação sobre a viagem e o turismo. Teoricamente enquadrado pelos desenvolvimentos conceptuais da experiência turística e das autenticidades, os resultados demonstram profundas diferenças no universo dos produtores de narrativas de viagem, onde pontuam alguns dos mais mediáticos autores nacionais. Puros e Duros, Profissionais e Viajantes Turistas são categorias que espelham a diversidade dos viajantes estudados e as suas representações sobre a viagem e o turismo. As representações dos Viajantes produtores de narrativas de viagem marcam , indelevelmente, os imaginários turísticos e podem até configurar estes protagonistas como minorias inovadoras do turismo ao codificarem de prestígio os lugares objecto das suas narrativas, abrindo caminho à indústria turística. O poder simbólico destes viajantes marca os territórios das experiências turísticas na acepção do bom gosto de Bourdieu, transformando voluntária ou involutariamente estes actores em protagonistas centrais das viagens e do turismo. Nesta comunicação são explorados alguns dos resultados de uma investigação mais vasta sobre Viajantes, centrando-se apenas nos produtores de narrativas de viagem e nas representações sobre a viagem e o turismo. Foram analisados para as dimensões das representações da viagem e do turismo os seguintes viajantes: Amílcar Correia, Ana Isabel Mineiro, Filipe Morato Gomes, Francisco Silva, Gonçalo Cadilhe, Humberto Lopes, José Tavares, Luís Maio. Miguel Sousa Tavares ,Tiago Costa, Tiago Salazar e Nuno Lobito.

JORGE, Maria do Rosário

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  • COM0227: As dinâmicas de residência e de usufruto lúdico da população jovem da cidade de Lisboa
  • SECÇÃO: Territórios: Cidades e Campos
  • MESA: Reabilitação Urbana: Novos Usos e Significados - B
  • RESUMO:
    Num tempo de mobilidade generalizada associada à disponibilidade para a viagem e à precarização profissional, a cidade continua a ter uma inegável atractividade como destino residencial, profissional e lúdico. Contudo, em cidades como Lisboa, verificou-se uma diminuição da população residente e um envelhecimento progressivo dos seus habitantes. À medida que a cidade perde sistematicamente população residente jovem nas últimas décadas em relação aos concelhos limítrofes, paradoxalmente ganha atractivos para ser visitada por mais jovens qualificados, atraindo-os inclusive para viver no centro da cidade. São profissões liberais intelectuais e quadros tecnico-científicos, estudantes universitários estrangeiros e jovens profissionais criativos de todo o mundo que usam a cidade como local de ensino, trabalho ou diversão. Sem esquecer que estas dinâmicas devem ser compreendidas no quadro do crescimento contínuo da Área Metropolitana de Lisboa (AML), o paradoxo entre o enfraquecimento progressivo do peso da população jovem residente na cidade de Lisboa e o aumento da população jovem visitante coloca desafios muito claros aos decisores públicos. Se, por um lado, o usufruto jovem da cidade cresce, este é fundamentalmente temporário - de curta e média duração - e associado a actividades académicas, turísticas, lúdicas ou recreativas. Por outro lado, a cidade revela uma reduzida capacidade de fixação de população residente jovem e, consequentemente, uma reduzida capacidade de rejuvenescimento. Deste modo, importa analisar a importância e a distribuição da população jovem na cidade e a sua relação com a AML e de que forma esta população está associada ao usufruto da cidade e à diversidade de utilizações no seu interior. Esta comunicação organiza-se em duas partes: uma primeira, em que se analisam as dinâmicas demográficas das últimas décadas da AML e, em particular, da cidade de Lisboa, com especial ênfase para o número e o peso dos jovens residentes e, uma segunda, em que se focam os lugares destinados ao consumo jovem na cidade e como este se liga à dinâmica de turistificação e estudantização.

JUNQUEIRA, Mariana Gravina P.

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  • COM0160: VISÕES DE TERRITÓRIO SOB UMA PERSPECTIVA MITOLÓGICA
  • SECÇÃO: Ambiente e Sociedade
  • MESA: Ambiente e desenvolvimento
  • RESUMO:
    Esse trabalho busca analisar características históricos-sociais que influenciam na relação homem natureza na contemporaneidade. Por se tratar de sociedades complexas, o próprio imaginário também difere-se muito na construção simbólica do ambiente. Daí surgem grandes conflitos já que a forma de perceber a realidade e conviver com ela é diversa. Parti da realidade da criação de uma unidade de conservação em um ambiente do sul de Minas Gerais, Brasil e me detive em compreender o processo, os avanços e os conflitos a que estiveram imersos. O início do processo esteve relacionado a uma corrente ambientalista, o naturalismo que se difundiu e influenciou a criação da Estação Ecológica do Papagaio, que depois se transformou em Parque Estadual. A corrente naturalista, seria uma aversão à sociedade e à cultura que se contraporia ao culturalismo que vê a sociedade detentora de todas as qualidades e a natureza, de todos os defeitos. Já o naturalismo propôs uma unidade entre sociedade e a natureza, considera o homem inserido na natureza, fazendo parte dela. No qual o homem produz o meio que o cerca e é ao mesmo tempo seu produto; contudo o que traz problema é a maneira que o homem faz essa intervenção e não o fato de fazê-la. (MOSCOVISCI, 1979) Apesar dessa visão simbiótica do homem com a natureza, o naturalismo reativo imagina a natureza intocada no mundo selvagem, na qual haveria uma representação simbólica na qual as áreas naturais intocadas pelo homem estariam em um estado puro, podendo ser inclusive anterior ao aparecimento do homem. Segundo Diegues (1994) esse mito é responsável pela suposição de incompatibilidade entre as ações de quaisquer grupos humanos e a conservação da natureza. O homem seria considerado sempre um destruidor em potencial do ambiente e deveria ser separado de áreas naturais e essas só estariam a salvo com métodos de proteção total. Esse mito moderno insere-se em um conjunto de representações do conservacionismo ambiental responsáveis por uma concepção biocêntrica da relação homem natureza, arraigado em ideais religiosos cristãos de paraíso perdido, os territórios considerados intocados foram transformados em áreas protegidas. Esse modelo de conservação foi chamado de moderno e divulgado pelos preservacionistas com objetivo de preservar as belezas naturais por meio dessas áreas intactas para benefício das populações urbanas. Assim, nessa perspectiva simbólica emergem os mais distintos conflitos entre populações que possuem percepções antagônica do ambiente e o que ele representa em suas vidas. Mesmo que acreditemos que estamos isentos deles, os mitos, segundo Morin (1999) não existem apenas em um passado superado, mas ao contrário se transformaram e deslocaram-se para a modernidade. Assim, mesmo tendo havido a dissolução das antigas mitologias, há o surgimento ou o ressurgimento de novos pensamentos simbólicos, mitológicos e mágicos na história contemporânea.

LALANDA, Piedade

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  • COM0083: Transições, espaços e envelhecimento
  • SECÇÃO: Famílias e Curso de Vida
  • MESA: Cuidados e Envelhecimento
  • RESUMO:
    O envelhecimento, mais do que um processo biológico, confunde-se com a trajetória ou percurso de vida. A sua definição está marcada e associada a transições, vividas de forma diferente em função dos atores, das suas histórias e dos contextos sociais e familiares em que se inserem. Enquanto processo de construção e reconstrução identitária, envelhecer significa reconfigurar o mapa identitário (Lalanda, 2003, 2015) ou seja, o modo como os diferentes domínios de identificação ou espaços (Augé, 2014) se conciliam e constroem a identidade, num determinado momento do percurso de vida. Podemos analisar o envelhecer na perspectiva das perdas de papéis ativos (teoria funcionalista) ou compreender este processo numa ótica interacionista e fenomenológica (simultaneamente de reorganização, reconfiguração existencial e adaptação). Pretende-se, nesta comunicação, abordar a relevância do conceito de espaço de identificação no processo de envelhecimento, analisando o modo como as transições, da reforma ou da viuvez, alteram o mapa identitário dos idosos e correspondem a mudanças nos territórios de referência, particularmente ao nível do espaço doméstico. Importa conhecer em que medida o idoso, ou sénior, decide ou é compelido a alterar a sua relação com o espaço doméstico, inclusive ao ponto de abandonar (Caradec, 2015) essa referencia identitária, em prol de uma coresidência com descendentes ou de um acolhimento institucional. Propomo-nos refletir, a partir de um conjunto de entrevistas em profundidade, sobre o modo como as transições, da reforma e/ou da viuvez, marcam o processo de envelhecimento (Caradec, 2015) e alteram ou reconfiguram o mapa identitário atual do idoso, avaliando o lugar dos espaços de referência, que resultam da sua trajetória vivida (familiar, profissional entre outras), no sentido da coesão ou do desfasamento entre o que a pessoa entende ser e aquilo que a idade lhe devolve como imagem. A propósito, Alain Touraine refere numa entrevista (2000), "sinto a velhice entrar em mim, mas ela não sou eu. É uma intrusa que se instalou na minha casa e estende o seu domínio, mas que me é estranha e não tenho intenção de me vergar às suas ordens". Bibliografia de referência • Augé, Marc (2014), Une ethnologie de soi - le temps sans âge, Paris, Ed. Seuil. • Caradec, Vincent (2015), Sociologie de la vieillesse et du vieillissement, Paris, Armand Colin. • Lalanda, Piedade (2003), "Transições familiares e construção da identidade das mulheres", Dissertação de Doutoramento, ICS/Universidade de Lisboa. (2015), Encruzilhadas na construção da identidade das mulheres, Lisboa, Ed. ICS (no prelo). • Touraine, Alain e Farhad Khosrokhavar (2000), La recherche de soi - dialogue sur le sujet, Paris, Ed. Fayard.

LAZZARI, Márcia

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  • COM0790: Áreas preservadas: estudo sobre o contraponto legal entre a defesa do homem e a defesa do território
  • SECÇÃO: Ambiente e Sociedade
  • MESA: Desenvolvimento sustentável e protecção da natureza
  • RESUMO:
    Este artigo objetiva apresentar um estudo de caso a partir de uma disputa que ocorre em âmbito administrativo federal e estadual em torno da regularização fundiária de um território ocupado por remanescentes de quilombolas, no estado do Amazonas no norte do Brasil. Em 2006 este território foi reconhecido como Comunidade Quilombola pela Fundação Cultural Palmares, ligada ao Ministério da Cultura, executado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. Ocorre que o Ministério do Meio Ambiente, por meio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade contestou a regularização fundiária da comunidade, alegando tratar-se de um Parque Nacional e consequentemente referir-se a uma unidade de proteção integral da fauna e da floresta, fato que exclui a possibilidade de ocupação e moradia de pessoas. Na verdade a criação deste parque, conhecido como Jaú, provocou a saída compulsória de centenas de famílias ribeirinhas que viviam à margem do rio Jaú, obrigadas a recomeçar a vida nas periferias de zonas urbanas do Amazonas e apenas esta comunidade acabou permanecendo. Em março de 2014, o governo federal brasileiro, por meio da Câmara de Conciliação da Advocacia Geral da União determinou a remoção dos moradores, sem consultá-los, e esta decisão está sendo questionada pelo Ministério Público Federal do estado do Amazonas, que entrou na justiça contra a remoção das famílias do Tambor, exigindo a titulação territorial da comunidade por parte do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. A discordância entre a instância estadual e a federal em relação à natureza da ocupação, acaba estabelecendo direcionamentos diferenciados em relação à regularização territorial, trazendo a tona pelo menos duas questões importantes que serão abordados neste artigo, de um lado analisar o que significa proteger a natureza em detrimento do homem, levando em conta os aspectos presentes na abordagem da biopolítica, desenvolvida por Foucault, e por outro lado, buscar compreender como esta questão vem sendo tratada nos últimos anos pela ótica da conservação ambiental, da preservação cultural e da salvaguarda do homem considerando as práticas governamentais voltadas para o planeta, compreendidas enquanto deslocamento da biopolítica para o que Passetti conceitua como ecopolítica, que se configura a partir da produção de uma verdade capitalista apoiada na concepção sustentável de tudo que se relaciona ao planeta. Objetiva-se ter como referência as premissas do Plano Amazônia Sustentável em relação ao ordenamento territorial, enquanto priorização da promoção do desenvolvimento sustentável com a implantação de um modelo que abarque a melhoria do nível de vida, indagando o que significa priorizar a preservação de uma área que adquire status de protegida, vislumbrando priorizar as futuras gerações em detrimento da proteção de famílias que também precisam ter conservadas sua cultura e a sua vida?

LEAL DE MELO DAHIA, Sandra

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  • COM0335: Contribuições do tema deficiência para a pesquisa em direitos humanos
  • SECÇÃO: Globalização, Política e Cidadania
  • MESA: Cidadania e Participação Social
  • RESUMO:
    O campo dos estudos sobre deficiência, embora assuma um lugar ainda periférico no âmbito das ciências humanas e sociais, tem estimulado a reflexão e o debate acerca dos direitos humanos, sobretudo, a partir da construção de uma visão mais ampla da ideia de dignidade humana, de acordo com uma concepção emancipadora e multicultural dos direitos humanos (SANTOS, 2006). No entanto, o diálogo entre culturas e grupos sociais variados é intensamente atravessado por relações de poder que precisam ser reconhecidas e enfrentadas em favor de uma luta legítima por justiça. Partilhando de objetivos teóricos e políticos comuns, como a experiência de opressão e o combate à desigualdade, o movimento dos deficientes, para se fortalecer politicamente, tende a se articular com grupos, igualmente vulneráveis, aproximando a deficiência de outras categorias analíticas como sexo, etnia, orientação sexual, etc. É assim que, sob a orientação teórica do modelo social da deficiência, perspectiva teórica iniciada nos anos 70, os estudos sobre a deficiência ganham o status de fenômeno sociológico, se distanciando de uma concepção estritamente médica da deficiência. Para a abordagem social, a deficiência é o resultado de uma interação complexa entre corpos com lesão e sociedade. O modelo social separa os conceitos de lesão e deficiência como equivalentes da tensão entre esfera natural e esfera social, respectivamente. Lesão se refere à biologia humana, deficiência abrange restrições sociais, de caráter material e simbólico. A origem da desigualdade se desloca do corpo para a sociedade. A deficiência se torna uma experiência relacional com a sociedade. No curso do seu desenvolvimento, o modelo social vem progressivamente se aproximando de uma epistemologia feminista. Se, por um lado, o produto deste cruzamento teórico tem favorecido a emergência de questões de grande relevância social, como a discussão sobre o cuidado e a interdependência como condições humanas para a vida coletiva, por outro lado, tem se tornado fonte de vários conflitos, alguns deles desencadeadores de uma visão depreciativa da deficiência. O presente estudo se voltará especificamente para uma possível consequência destes embates. Discutiremos, particularmente, a crítica expressivista de Adrienne Asch (1990) ao aborto por anomalia fetal, também conhecido como aborto seletivo. De acordo com Asch, o aborto seletivo, evidente conquista da reflexão feminista, deveria ser debatido com base nos direitos e interesses dos deficientes, tendo em vista que poderia significar uma séria ameaça à sua integridade moral e à sua dignidade. Asch denuncia um possível e sutil julgamento negativo sobre a vida dos deficientes. Ao demonstrar preocupação com a condução dos debates atuais sobre genética, Asch nos remete à história, quando mulheres, negros e homossexuais experimentaram desafios semelhantes que culminaram numa ampla revisão de valores.

LIBERATTI, Angela Ines

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  • COM0027: Representações populares no urbano português e brasileiro: uma genealogia
  • SECÇÃO: Territórios: Cidades e Campos
  • MESA: Estratégias de Urbanização: Desafios e Resultados - A
  • RESUMO:
    A urbanização portuguesa foi resultado de um processo milenar de muitas influências, assim como as possibilidades de representação popular e suas instituições, que constituídas historicamente, possibilitaram a emergência de uma cultura política que se sobrepôs inclusive aos Estados absoluto e ditatorial. Uma genealogia da representação popular das instituições urbanas em Portugal, indica a impossibilidade de reprodução, na colônia brasileira, do modelo português. Poderíamos afirmar que, em sua historicidade, o Brasil inverteu a lógica portuguesa, onde a instituição que deveria ser a da representatividade popular se torna a reafirmação das imposições da elite? A longa tradição rural portuguesa e a construção de uma cultura ligada à terra foi transplantada para o Brasil desde o século XVI. Porém, há muito que se considerar sobre o significado do uso da terra, do urbano e de como se constituíram as formas de representatividades populares nesses dois espaços distanciados pelos usos e embates que vão produzindo suas histórias e seus regimes de verdade. Em uma história da continuidade poderíamos encontrar no Brasil as tradições portuguesas, porque essa visão pressupõe instituições atuais como forma aperfeiçoada do que foi no passado daí a nossa opção pela genealogia que nos permite verificar as rupturas e descontinuidades. Em Portugal, o processo de formação rural ou urbana dos concelhos permitiu desde sempre, mesmo que com irregularidades em seu uso, a possibilidade de representação popular, o conventos publicus vicinorum. Transplantada para o Brasil, essa possibilidade foi excluída porque o que se chamou de Câmara Municipal, são outras práticas, que na atualidade são problemáticas para a representação popular. Em Portugal, mesmo em épocas de concentração de poderes reais houve sempre um apego às autonomias dos conselhos, à possibilidade de representação das vontades populares e ao discurso localista, presentes ainda hoje, conforme se observa nas instituições locais. Diferente do Brasil onde o poder local foi exercido pelos proprietários da terra em instituições elitizadas das quais emanavam uma ordem social muito mais imposta do que consentida e que, mesmo seguindo a ordenação jurídica portuguesa, se constituiu em outra coisa, muito diferente da instituição portuguesa. Em uma sociedade constituída por alguns homens ricos, vistos pelos portugueses como honrados, que formaram desde cedo uma elite favorecida pelas recompensas, como títulos e mercês por parte do rei português, ou de seus representantes no Brasil os embates foram outros, que não o da luta pela representatividade. São nesses contextos diversos que poderemos entender as práticas políticas que derivam das Câmaras Municipais e as historicidade das atuais representações populares democráticas ou o seu avesso, tanto em Portugal como no Brasil.

LOUREIRO, Carla

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  • COM0385: JOGOS ELETRÔNICOS NA ESCOLA: O “OFÍCIO DE CRIANÇA” E O “OFÍCIO DE ALUNO”
  • SECÇÃO: Sociologia da Educação
  • MESA: Tensões e reconfigurações da instituição escolar (Sessão I)
  • RESUMO:
    Pretendemos refletir nesta comunicação acerca dos desafios da instituição escolar diante das tecnologias, em especial dos jogos eletrônicos, que, independente da escola permitir, ignorar ou proibir, já fazem parte do dia-a-dia das crianças. Tal reflexão, é parte de pesquisa de Doutorado em andamento no âmbito do “Observatório de Práticas Escolares-OPE”, da Universidade do Estado de Santa Catarina, Brasil, que busca compreender como se constitui o brincar com videogames na escola, problematizando seus impactos na cultura lúdica infantil e nas ideias de infância contemporânea. Também nessa direção, salientamos que tal pesquisa veem sendo realizada no Laboratório de Brinquedos do Colégio de Aplicação (LABRINCA) que se configura como uma brinquedoteca escolar que visa estimular à expressão e a experimentação da cultura lúdica infantil. O seu público é composto, majoritariamente, pelas turmas dos Anos Iniciais do Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Santa Catarina (CA/UFSC), acompanhadas por seus professores, no horário de aula. De maneira específica, buscaremos refletir sobre as formas pelas quais a escola vem enfrentando o desafio de construir caminhos diferenciados neste cruzamento entre cultura digital e cultura escolar, tal como ele se edificou na escola pública, a partir da modernidade. Para esta análise observamos a forma como as crianças e a escola se relacionam com os jogos eletrônicos, presentes no LABRINCA, buscando captar por meio dos processos de interação das crianças, a partir das culturas da infância e os seu pilares (Sarmento, 2004) os impactos ao “oficio de aluno”. Neste sentido, percebemos que a presença dos jogos eletrônicos na escola incide na revisão das relações entre brincar e aprender, que passam a ser colocadas de maneira diferente. Este encontro tenso, complexo e paradoxal, tem motivado processos em curso de reinstitucionalização do “oficio de aluno”, de escola e “ofício de criança” (Sarmento, 2011), gerando reconfigurações do sistema de representações com que a sociedade moderna se habitou a pensar dominantemente a infância, a educação, o brincar e a condição de aluno.

LUIZ FERNANDO, Rojo Mattos

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  • COM0018: O estatuto das emoções nas práticas esportivas
  • SECÇÃO: Sociologia do Desporto
  • MESA: Práticas e significados desportivos
  • RESUMO:
    Desde a publicação de “A Busca da Excitação”, esta obra de Norbert Elias é não apenas uma das mais importantes referências no estudo das emoções nos esportes, mas muitas vezes a única perspectiva teórica utilizada para analisar este tema no campo das práticas esportivas. Neste trabalho, eu irei inicialmente discutir alguns aspectos deste livro, enfatizando sua capacidade de propor uma “configuração sociológica” das emoções no processo civilizatório ocorrido na Inglaterra do século XIX, a qual pode ser estendida para compreender algumas dimensões do estabelecimento do esporte moderno em grande parte da Europa Ocidental, mas que não pode ser pensada como uma chave universal, capaz de resolver todos os problemas relativos às interseções entre esporte e emoções. Em seguida, irei apresentar outra referência teórica, denominada de perspectiva contextualista por Lila Abu-Lughod e Catherine Lutz. Minha intenção aqui não é realizar uma simples substituição de referencial teórico, mas deslocar uma análise que busque explicar a função das emoções no fenômeno esportivo, em uma chave universalista, por outra que busque interpretar os diferentes papéis jogados pelos discursos emotivos e/ou sobre as emoções nos processos sociais. Partindo da noção de discurso, tal como utilizado por Foucault, estas autoras focam na investigação do que é construído por e através das emoções em diferentes contextos culturais. Com isto, escapam não apenas da limitação que poderia advir de uma mera coleção ou tradução de termos associados com a emoções em distintas sociedades, como também de uma compreensão da emoção como uma válvula de escape para as tensões contidas em um self interior, universalizado a partir de um padrão individualista próprio das sociedades ditas “ocidentais”. Para finalizar este trabalho, irei apresentar brevemente três de minhas próprias pesquisas recentes, nas quais desenvolvi este aspecto das relações entre emoções e esporte a partir deste referencial proposto. Na primeira delas, realizada entre 2004 e 2006, me debrucei sobre a mídia televisiva esportiva brasileira na cobertura dos Jogos Olímpicos, para interpretar como os discursos sobre as emoções ali transmitidos contribuíam na construção e no reforço dos estereótipos associados às diferenças étnicas e de gênero. Na segunda, desenvolvida entre 2007 e 2008, com atletas de esportes equestres no Rio de Janeiro (Brasil) e Montevidéu (Uruguai), analisei como estes discursos sobre as emoções reintroduziam as diferenças de gênero em um esporte no qual não existe separação por sexos nas suas diferentes modalidades de competição. Por fim, no trabalho que atualmente realizo, desde 2013, com atletas de esportes adaptados em uma associação de deficientes físicos, tenho procurado estudar como os discursos sobre a compaixão e a superação estabelecem distinções entre diferentes percepções sobre a prática esportiva de atletas com deficiência.

M MARQUES, Ricardo

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  • COM0300: Habitação em Portugal – mercantilização e políticas públicas
  • SECÇÃO: Territórios: Cidades e Campos
  • MESA: Habitar a Cidade: Política e Ação - A
  • RESUMO:
    A análise trabalha a temática da habitação na sua relação com o urbanismo na lógica da construção de territórios sustentáveis. Tendo como objeto de investigação o território português examina as principais dinâmicas e políticas de habitação traçando comparações históricas e discursivas. Embora centrada nos séculos XX/XXI apresenta uma linha histórica acerca das problemáticas habitacionais em Portugal, atribuindo principal enfoque às diferentes políticas públicas que foram prosseguidas. Os resultados apontam para os seguintes resultados: 1- As dinâmicas construtivas não foram ponderadas atendendo a padrões demográficos caracterizados pela diminuição da população, êxodo migratório, envelhecimento e diminuição da dimensão média da família; 2- A crise socioeconómica dos últimos anos conduziu à insegurança habitacional (ex. entrega de casas aos bancos pela incapacidade do pagamento dos créditos à habitação, ao consumo, e, inclusive, de dívidas ao Estado); 3- Sobrelotação e deterioração das condições habitacionais e do parque habitacional; 4- Desinvestimento no setor da habitação social, resultado das dificuldades de gestão do Estado e/ou dos municípios e gradual transferência para a esfera dos privados; 5- Manutenção da mesma linha histórica entre os séculos XIX e XX (ou seja, a “retórica” da habitação tem sido caracterizada por uma lógica de mercado que se traduziu pela pressão para a construção e para a mercantilização da habitação); 6- Responsabilidade direta do Estado nas políticas de crédito bancário com reflexos imediatos nos mercados da compra e do arrendamento, solidificando uma cultura de “posse” e de “proprietários”; 7- Dificuldades acrescidas por parte das famílias resultantes do desemprego, imigração e diminuição do poder de compra; 8- Instrumentos de planeamento urbano pouco adequados às diferentes realidades geográficas e demográficas e tendência para a ocupação extensiva do solo em detrimento da regeneração urbana; 9- Tendência para a insistência num discurso assente na internacionalização dos setores transversais da construção e insistência em políticas habitacionais que induzem a uma postura especulativa da habitação no sentido de atrair clientes/mercados internacionais (ex.Vistos “Gold”); 10- Reemergência de novos movimentos sociais que combatem pelo direito à habitação e pela rejeição das lógicas de mercado. Por último, a análise observa que o setor da habitação constitui um dos mais instáveis, não só em termos do que acarreta no âmbito de orçamento e endividamento familiar, como também no seu papel de alavancagem (enviesada) da gestão das políticas de âmbito nacional e/ou municipal. Realça, igualmente, a debilidade da proteção do Estado à habitação, dando como exemplo o recente (mas contestado) programa governamental que determina o fim das penhoras de primeiras habitações no caso de famílias que possuem dívidas ao Estado.

MACHADO, Filomena Maria Ribeiro da Silva

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  • COM0135: O Projeto Educativo Municipal enquanto recurso para uma gestão partilhada e participada dos territórios educativos: o caso do município de Alvito
  • SECÇÃO: Sociologia da Educação
  • MESA: A governação política dos territórios educativos (Sessão II)
  • RESUMO:
    As cartas educativas instituíram-se em Portugal, a partir do ano 2003 (decreto-lei 7/2003, de 15 de Janeiro) para se afirmarem enquanto instrumento e prática de planeamento, tendo como meta a melhoria da educação, do ensino, da formação e da cultura num dado território, ou seja, ser parte integrante do seu desenvolvimento social. Aos municípios foi lançado o desafio de abraçarem este projeto, tomando-o como oportunidade para territorializar a política educativa nos seus diferentes níveis de intervenção. Neste âmbito, surgem, com particular relevância, os conceitos de território educativo e de projeto educativo municipal. Em ambos os casos, encontramos uma grande diversidade de princípios, e processos, no domínio da planificação e da gestão das políticas educativas, que implicam a mobilização local dos atores e contextualizam a ação política local. A este propósito, torna-se pertinente analisar como os atores locais, impulsionados por estes processos, interpretam a realidade social e concebem estratégias de intervenção na área educativa. Com o objetivo de explorarmos os fundamentos e a forma como se processa a construção partilhada e (re)configurada dos território educativos, tomaremos como exemplo, o município de Alvito, onde decorre o processo de revisão da Carta Educativa e de construção do Projeto Educativo Municipal. Dois instrumentos que enfatizam a importância que um município deverá dar ao planeamento educativo e participado face às características específicas da realidade do município. Assumindo-se como uma resposta integrada às necessidades das comunidades, o Projeto Educativo Municipal (PEM) visa clarificar a vontade do município em construir uma determinada realidade, em termos de educação e formação, para todas as pessoas, em todas as fases e contextos de vida, prevendo e articulando os recursos para a construir e sequenciando e priorizando as etapas para a implementar. A partir da leitura dos aspetos singulares do território educativo de Alvito (um dos municípios mais pequenos do País) e das suas interseções com os territórios envolventes, a presente comunicação pretende explorar as características, as fases, as mais-valias e os resultados da aplicação de uma metodologia participativa e partilhada de construção do primeiro PEM de Alvito, enquanto pressuposto de uma gestão estratégica, corresponsável e sustentável do território educativo e formativo.

MADEIRA, Cláudia

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  • COM0588: Um território (des)valorizado culturalmente? Dois tempos (e lugares) do Bairro da “Quinta do Mocho”
  • SECÇÃO: Arte, Cultura e Comunicação
  • MESA: Artes, intervenção e participação social
  • RESUMO:
    Esta comunicação procura problematizar as dinâmicas territoriais e culturais que se verificaram desde 1997 a 2016 no Bairro da Quinta do Mocho, em Sacavém. De um bairro periférico em processo de realojamento, constituído por cerca de 5000 habitantes, na maioria africanos, a viverem em condições precárias (num núcleo de barracas e 12 prédios semi-acabados nos anos 70 e sem condições de saneamento básico) este território transformou-se num novo bairro denominado Terraços da Ponte implantado no mesmo local, com uma parte substancial da mesma população. Durante vários anos essa reabilitação urbana constituidora de um bairro social não foi suficiente para valorizar a identidade coletiva e cultural deste território. Contudo, recentemente, teve lugar no bairro um festival de Arte Urbana do qual nasceu uma galeria de graffiti que tem vindo a ser reconhecida nacional e internacionalmente, projectando o bairro como um local alternativo no circuito turístico e cultural. Importa analisar as dinâmicas de “positivação” deste território e os impactos para a identidade coletiva desta população.

MAGANO, Olga

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  • COM0286: Mobilidade social dos diplomados da Universidade Aberta: percursos de vida e de trabalho
  • SECÇÃO: Classes, Desigualdades e Políticas Públicas
  • MESA: Desigualdades educativas e mobilidade social
  • RESUMO:
    O nível de escolaridade concluído e a atividade profissional exercida continuam a ser duas das principais dimensões consideradas para a definição do estatuto social dos indivíduos (Shnapper, 2007; Estanque, 2005) e para os lugares de classe na estrutura social. A expetativa de obter um diploma do ensino superior é um objetivo que muitos indivíduos adultos procuram concretizar e os leva a esse percurso de aprendizagem. Através de um inquérito por questionário aplicado aos licenciados da Universidade Aberta que concluíram a sua licenciatura entre 2011 e 2013 pretendemos conhecer o perfil sociográfico dos licenciados da Universidade Aberta e a relação entre a obtenção da licenciatura com processos de mobilidade social ao nível da carreira profissional mas também ao percurso de vida (entendida não apenas no plano da atividade profissional, mas também de outras dimensões da vida que considerámos no questionário, por exemplo, ao nível das relações sociais e interpessoais mas também de satisfação pessoal e enriquecimento cultural). Ou seja, temos por principal objetivo aprofundar até que ponto o diploma é entendido como um instrumento para a concretização das expetativas em termos de autoestima e de prestígio social, no sentido de “distinção” desenvolvido por Pierre Bourdieu. O perfil dos estudantes da Universidade Aberta diferencia-se de outros estudantes do ensino superior de ensino presencial, por se tratar de uma população adulta quase sempre inserida já no mercado de trabalho. De facto, o "público" da Universidade Aberta convida-nos a abordagens mais integradas e inovadoras das trajetórias de vida e a aprofundar o debate sobre os processos de formação das classes e de mobilidade social (e estrutural) nas sociedades contemporâneas. Tendo em linha de conta os objetivos individuais para a realização da licenciatura e a sua efetiva concretização procurou-se conhecer as trajetórias sociais, perceber se existe um progressão ou diferença significativa entre a situação profissional antes da entrada na Universidade Aberta e após a conclusão da licenciatura, ou seja, analisar as mudanças ao nível da categoria/atividade profissional ou a melhoria das condições de trabalho e a satisfação em relação às atividades laborais desenvolvidas. Bourdieu, Pierre. (1979). La Distinction: Critique Sociale du Jugement Paris: Les Éditions de Minuit Estanque, Elísio. (2005). “Trabalho, desigualdades sociais e sindicalismo”. Revista Crítica de Ciências Sociais (71), 113-140. Schnapper, Dominique (2007), Qu’est-ce que l’intégration?, Paris, Éditions Gallimard: folio actuel. Inédit.

MAIA REBOUÇAS, Gabriela

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  • COM0295: APRENDENDO COM OUTROS TERRITÓRIOS: PESQUISA COMPARATIVA EM CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS
  • SECÇÃO: Sociologia do Direito e da Justiça
  • MESA: Direito e Territórios legais
  • RESUMO:
    As provocações de uma modificação dos espaços de fronteiras, com aberturas e fechamentos, refletem-se também no campo epistemológico, na tentativa de constituir um espaço interdisciplinar de conhecimento. O campo do direito, tradicionalmente disciplinar e pouco afeito à pesquisa empírica, nomeadamente concentrado no estudo deontológico de normas, tem sido cada vez mais provocado por estudos comparativos. No entanto, fazer pesquisa comparativa tem exigido uma reflexão mais apurada, tendo em vista as dificuldades de se estabelecer o status metodológico ou normativo de um direito comparado. Além do mais, comparar institutos, culturas ou estratégias da justiça exige, ao contrário de um exercício meramente exegético, uma compreensão das potencialidades e limites metodológicos que os instrumentos de pesquisa comparativa podem oferecer. Este artigo aborda a pesquisa comparativa, buscando outros territórios epistemológicos nas ciências sociais e humanas, para refletir sobre um lócus adequado para desenvolver pesquisas comparadas no direito. As dificuldades de adequá-la essencialmente como ‘método’ e apresentando diferentes abordagens que a nominam como ‘técnica’, ‘estudo’, ‘análise’, dão impulso a refletir sobre um ‘direito comparado’, também indicando as dificuldades de identificar sua natureza de ‘disciplina autônoma’. Se a utilização da pesquisa comparada gera debate quanto à sua capacidade de produzir resultados controlados e verificáveis no campo das ciências sociais e humanas, um panorama sobre seus usos, limites e potencialidades ajuda o pesquisador a fazer uma escolha adequada de seus instrumentos de pesquisa e análise. Para esta abordagem, que tem a forma de uma revisão teórico-crítica, três pontos são propostos: 1) um panorama exemplificativo (e não estatístico) da pesquisa comparativa no território das ciências sociais e humanas; 2) uma reflexão sobre o direito comparado, e seu possível enquadramento metodológico ou normativo; e 3) a tentativa de sistematização de usos possíveis, limitações e potencialidades para uma pesquisa comparativa esperando estimular o campo jurídico a olhar além de suas fronteiras disciplinares e a apreender com outros territórios.

MARCHI, Rita de Cássia

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  • COM0368: Tornar-se homem na escola – uma análise da produção e reprodução escolar da desigualdade etária e de gênero.
  • SECÇÃO: Sociologia da Educação
  • MESA: Territórios educativos e (re)produção de desigualdades, exclusões e inclusões (Sessão III)
  • RESUMO:
    Este artigo analisa a produção e conservação escolar da masculinidade em um internato de elite para rapazes no século XIX no Rio de Janeiro, retratado no romance O Ateneu (do escritor brasileiro Raul Pompeia). Discutem-se as experiências disciplinares sofridas pelo menino Sérgio - narrador e protagonista do romance – e que são destinadas a transformar seus traços infantis e/ou femininos em características adultas e masculinas. Essa análise sociológica de obra literária – inspirada na metodologia descrita por P. Bourdieu em As Regras Da Arte - permite observar como atuam, no meio escolar, mecanismos históricos responsáveis pela desistoricização e eternização relativas das estruturas da divisão sexual - descritos por P. Bourdieu em A Dominação Masculina - e os mecanismos disciplinares - descritos por M. Foucault em Vigiar e Punir. A produção e conservação da masculinidade no colégio Ateneu passa por rituais que definem identidades, conferindo marcas distintivas socialmente reconhecidas que tanto consagram a norma viril quanto estigmatizam e punem comportamentos vistos como efeminados e/ou infantis. Relativa à construção social da masculinidade, analisa-se a passagem da infância para a vida adulta mediada pela condição de aluno. No movimento de transformação da criança em adulto (ou do menino em homem) o veículo ou técnica dessa transformação é a disciplina que rege todo processo de socialização. Assim, ‘fazer-se homem’ (no colégio Ateneu) implica trabalho ininterrupto de construção de si diante do outro e contra o feminino, sendo a virilidade (como toda identidade) eminentemente relacional e a aprendizagem das disposições e virtudes necessárias à vida adulta realizada pelo trabalho histórico de eternização do arbitrário social, isto é, das estruturas da divisão sexual inscritas em uma suposta natureza (masculina/feminina). Esse processo de des-historicização das estruturas sociais - baseado na diferenciação ativa em relação ao sexo oposto, no caso da identidade de gênero - também atua na diferenciação entre crianças e adultos. A escola é retratada no romance como instituição socializadora que realiza a reprodução da vida social (trabalho histórico de eternização das estruturas sociais), transmitindo pressupostos do patriarcalismo (baseados na homologia da relação homem/mulher e adulto/criança). Assim, a família patriarcal – e seu pressuposto, a dominação masculina ou visão androcêntrica do mundo – é o princípio e modelo da ordem social como ordem moral fundamentada na dominação dos homens sobre as mulheres e dos adultos sobre as crianças.

MARINHO, Luena

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  • COM0260: A distância entre filhos e pais – impactos da separação geográfica em famílias angolanas.
  • SECÇÃO: Migrações, Etnicidade e Racismo
  • MESA: Posters
  • RESUMO:
    A globalização e as inovações tecnológicas facilitaram a mobilidade humana e abriram a porta ao transnacionalismo, permitindo que os indivíduos apesar de distantes se sintam próximos. O modo de vida criado pelo transnacionalismo leva a mudanças nas relações familiares, criando uma dinâmica específica, implica cuidados à distância e produz várias formas de parentalidade. Este artigo pretende enfatizar os desafios que se colocam à criação/educação das crianças que ficam em Angola ao cuidado de outros, enquanto um ou ambos os pais se encontram imigrados em Portugal. Partindo das experiências de crianças angolanas que vivem separadas dos seus pais migrantes em Portugal, pretende-se investigar de que modo a separação geográfica entre pais e filhos influencia a vida das crianças; o impacto das migrações nas relações familiares e o modo como crianças reconfiguram os seus papeis na teia das relações sociais transnacionais e redefinem os conceitos de família e parentalidade. Utilizando uma metodologia qualitativa que tem como base entrevistas feitas com os pais migrantes e com crianças, bem como a realização de actividades de carácter criativo com crianças (desenhos, colagens), o artigo explora o funcionamento da relação parental à distância, procurando descrever e compreender os efeitos das migrações no domínio das relações familiares, privilegiando o ponto de vista das crianças. Espera-se contribuir para os estudos na área das famílias transnacionais, dando também um contributo à área de estudos da sociologia da família e da infância, nomeadamente na sua interação com a vivência transnacional e ainda dar visibilidade às representações sociais de família das crianças.

MARIVOET, Salomé

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  • COM0417: Espacialidades do Espiritual na Pintura Pós-moderna. Contributos para o estudo do transcendental místico na linguagem pictórica da obra de arte
  • SECÇÃO: Arte, Cultura e Comunicação
  • MESA: Estéticas, artes e representações
  • RESUMO:
    Em cada época e cultura, a arte representa uma visão do mundo, de apreensão do real objectivo e subjectivo, fortemente determinado pelas crenças religiosas dominantes. Desde o Renascimento que a desmitificação do mundo levou ao seu desencantamento. Na arte, e em particular na pintura, este facto motivou a procura de novos elementos plásticos integradores da totalidade na leitura das obras de arte. Nos tempos presentes, a designada pós-arte enfatiza a arte pela arte, a técnica, e a fragmentação do real, sinalizando a perda do sentido existencial e do espiritual na apreensão do mundo. Ainda assim, tanto quando podemos concluir, encontramos nas obras de arte de Kandinsky e Rothko uma representação de real unificado, cuja plena compreensão só se torna possível à luz da narrativa mítica abstracta, quântica e cosmológica da espiritualidade da Nova Era.
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  • COM0494: Equipamentos de Fitness nos Parques Urbanos de Lisboa: uma análise da satisfação da oferta desportiva
  • SECÇÃO: Sociologia do Desporto
  • MESA: Redes, lugares e fluxos desportivos
  • RESUMO:
    O desporto como manifestação cultural tem sido sujeito a um processo de democratização desde a segunda metade do século XX, apesar das determinações do mercado dos consumos culturais (Rojek, 1995; Marivoet, 1998; Horne, 2006). Por um lado, as lógicas de diferenciação social nos estilos de vida desportivos, e os fracos recursos dos grupos sociais mais desfavorecidos, têm erguido barreiras no acesso às ofertas desportivas organizadas, tais como os clubes e ginásios (Bourdieu, 1987). Por outro, as políticas desportivas públicas municipais têm contrariado tais barreiras, ao investirem na criação de ofertas públicas de acesso livre e gratuito a todos munícipes. Os equipamentos de fitness nos parques urbanos da cidade de Lisboa, com o objetivo de promover a prática regular do exercício ao ar livre associada à vida saudável e ao bem-estar, são disso exemplo. Com a nossa investigação pretendemos saber, em que medida esta oferta desportiva contribui para o aumento da participação desportiva. Tanto quanto nos foi dado observar, os utentes dos parques urbanos em estudo apresentam na sua maioria hábitos desportivos. Apesar da transversalidade de grupos sociais encontram-se mais representados os mais desfavorecidos. A maioria encontra-se satisfeita com a oferta, embora com algumas condicionantes. Deste modo, o estudo aprofundou a importância da oferta pública gratuita e de livre acesso na democratização do acesso à prática desportiva.

MARQUES, Susana

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  • COM0378: Estado de bem-estar e igualdade de género: O desenvolvimento das políticas de articulação trabalho-família em Portugal no período 1976-2009
  • SECÇÃO: Classes, Desigualdades e Políticas Públicas
  • MESA: Desigualdades de género, estado de bem-estar e inclusão social
  • RESUMO:
    Um dos desafios que as trabalhadoras e os trabalhadores têm de enfrentar na sua vida quotidiana é o de encontrar um equilíbrio satisfatório entre as responsabilidades profissionais e familiares. O progressivo enfraquecimento do modelo do ganha-pão masculino na maioria das sociedades, consubstanciado na crescente integração das mulheres no mercado de trabalho, veio colocar desafios acrescidos de articulação trabalho-família aos casais com dependentes a cargo. Com efeito, a presença de dependentes no agregado familiar cria, para as pessoas (sobretudo para as mulheres) que carecem de redes de apoio informal, uma situação de dependência em relação a serviços e equipamentos formais de apoio à família. Neste particular, o Estado de bem-estar surge como operacionalização da responsabilidade do Estado em garantir a organização e a implementação de políticas sociais, bem como a segurança económica dos/as cidadãos/ãs e a igualdade entre mulheres e homens, por via de mecanismos públicos de protecção social. Neste particular, no contexto da União Europeia e de acordo com as estatísticas produzidas pelo Eurostat, Portugal encontra-se entre os países da UE-15 que menor percentagem do PIB têm vindo a afectar à protecção social, posicionando-se sendo sempre abaixo da média europeia, desde 2000. Por outro lado, apresenta há algumas décadas uma das mais elevadas taxas de emprego feminino da Europa Ocidental, preponderando no país um padrão de duplo emprego predominantemente a tempo inteiro. Uma vez que os elevados índices de inserção das mulheres portuguesas no mercado de trabalho não são acompanhados de uma partilha equitativa das responsabilidades domésticas, este panorama constitui um obstáculo considerável à articulação entre a vida profissional e a vida familiar. Esta questão encerra um desafio para os governos, na medida em que carece da disponibilidade de uma ampla gama de infraestruturas e serviços públicos de apoio às famílias e outras políticas de articulação trabalho-família, como regimes de protecção da maternidade e da paternidade orientados para a igualdade, Planos Nacionais para a Igualdade, entre outras. A presente comunicação resulta de uma reflexão sobre os principais resultados de uma investigação efectuada no âmbito de uma dissertação de doutoramento (Marques, 2016). A investigação consistiu uma análise diacrónica das políticas de articulação da vida trabalho-família em Portugal desde 1976 (construção da democracia) até 2009 (novo regime jurídico de proteção social na parentalidade, orientado para partilha e a igualdade de género) e das suas implicações em matéria de igualdade de género. A análise empírica foi concretizada pela exploração do debate parlamentar, a análise de imprensa e 20 entrevistas individuais semi-estruturadas a agentes (actores) que contribuíram para os avanços legislativos no plano da articulação trabalho-família no período em análise.

MARTINS, João Eduardo

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  • COM0105: Acção pública, individuação e agir poiético: Contributos para uma sociologia dos indivíduos à escala do território local
  • SECÇÃO: Teorias e Metodologias
  • MESA: DEBATES TEÓRICOS E CLARIFICAÇÕES CONCETUAIS
  • RESUMO:
    Procura-se com esta comunicação fazer uma reflexão teórica, empiricamente sustentada, a partir da análise sociológica dos modos de apropriação local de uma medida de política pública de educação básica de adultos, implementada em Portugal, à escala do território nacional; a Iniciativa Novas Oportunidades. Explora-se a pertinência analítica de um triplo movimento teórico em curso na teoria sociológica contemporânea, em diferentes domínios de análise, para os articular entre si na inteligibilidade social das políticas públicas à escala do território local. O movimento que vai da análise das políticas públicas a uma sociologia política da acção pública, com centralidade no conceito de acção pública. O movimento que se desloca de uma sociologia da socialização para uma sociologia da individuação com centralidade no conceito de épreuve. O movimento de uma sociologia da acção que se desloca para a compreensão de um agir social num contexto de subida das incertezas com centralidade do conceito de agir poiético, significando este, um agir que resulta do fazer que decorre da produção da acção enquanto ela se produz. Desenvolve-se desta forma uma reflexão teórica que decorre da busca da compreensão da acção pública à escala local, centrada numa sociologia dos indivíduos, num contexto de instabilidade estrutural. Situa-se a sociologia da individuação no movimento mais lato de uma sociologia à escala dos indivíduos, salientando-se a sua potencialidade heurística enquanto macrossociologia que partindo da análise das existências individuais, não se fica por esse nível de análise, uma vez que tem como objectivo principal a compreensão sociológica de como uma determinada singularidade societal produz determinado tipo de indivíduos, num determinado contexto sócio-histórico. A sociologia da individuação procura deste modo ultrapassar os falsos dualismos entre macro e micro sociologia e indivíduo e sociedade para procurar pensar as suas articulações ao serviço da análise empírica. Este modo teórico de inteligibilidade do social foi suportado metodologicamente num estudo qualitativo, levado a cabo numa lógica da descoberta, com o intuito de estudar em profundidade dois casos, na região do Algarve.

MARTINS, Marta

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  • COM0051: EXCHANGE – Partilha transnacional de informação genética na UE: desafios sociais e éticos
  • SECÇÃO: Conhecimento, Ciência e Tecnologia
  • MESA: Sessão de posters
  • RESUMO:
    Ao longo da última década, a UE tem investido na criação de um sistema pan-europeu de partilha de informação, por via das chamadas Decisões Prüm, como instrumento de estreitamento da cooperação no combate ao crime transfronteiriço, terrorismo e imigração ilegal. O chamado sistema Prüm inclui, entre outras disposições, que todos os Estados-membro devem estabelecer bases de dados genéticos nas suas jurisdições, criando condições para a partilha automática e recíproca da informação com outros Estados-membro. As perceções do incremento de riscos à segurança pública, bem como os desafios levantados pela porosidade das fronteiras internas e externas da União Europeia (UE), têm sido apresentadas como motivos para a implementação de mecanismos capazes de identificar e controlar indivíduos e populações “perigosas”. Num contexto de proliferação de tecnologias biométricas direcionadas para a gestão e controlo da identidade dos cidadãos, a genética forense surge como uma das ferramentas privilegiadas em função da crença generalizada no seu potencial de certeza e “verdade” na identificação de autores de crime. Este poster apresenta um projeto de investigação (EXCHANGE) que se propõe a explorar os desafios sociais e éticos presentes nas relações existentes entre um campo de conhecimento altamente especializado – a genética forense – e a vigilância da UE a partir da implementação de Prüm, com base nos seguintes eixos: Controlo social – Compreendendo o modo como os geneticistas forenses constroem “novas” formas de controlo social ao mesmo tempo que são reforçadas e reproduzidas “velhas” formas de suspeição e discriminação. Cidadania – Explorando as perspectivas dos geneticistas forenses sobre implicações éticas, legais, sociais e culturais associadas ao uso das tecnologias de DNA no contexto da partilha transnacional de material genético. Democracia – Analisando os pressupostos políticos subjacentes à natureza obrigatória de Prüm, e evidenciando as implicações na implementação deste sistema nos vários países europeus, tendo em consideração diferentes posicionamentos e condições legislativos, operacionais, logísticos e tecnológicos. O projeto aqui apresentado visa produzir resultados passíveis de serem aplicação na definição de políticas europeias orientadas para o equilíbrio entre segurança pública e respeito pelos direitos humanos, transparência e confiança pública.
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  • COM0041: Risco, segurança e criminalidade: o suspeito “transnacional”
  • SECÇÃO: Modernidade, Risco e Segurança das Populações
  • MESA: Segurança das populações, políticas públicas e cidadania
  • RESUMO:
    Face ao incremento da mobilidade de pessoas no espaço da União Europeia (UE) e a uma escala global, a criminalidade transnacional apresenta-se, cada vez mais, como uma fonte de preocupação política. De forma a dar resposta a potenciais riscos para a segurança pública, tecnologias forenses, como o DNA, têm sido mobilizadas no âmbito de práticas governamentais de expansão de bases de dados de informação que visam vigiar e controlar populações e indivíduos “suspeitos”. A este respeito destaca-se o facto de a UE ter criado um sistema transnacional para partilha automatizada de informação genética forense com vista a prevenir e combater a criminalidade organizada e transfronteiriça, o terrorismo e a imigração ilegal. Com base numa análise semiótica de materiais apresentados em encontros científicos destinados a debater a criminalidade transfronteiriça no espaço Europeu, a presente comunicação visa compreender significados morais e políticos de gestão do risco e de populações suspeitas. Os dados revelam que os processos e significados subjacentes à categoria “suspeitos transnacionais” articula conceções territoriais associadas à criminalidade. Por um lado, o suspeito transnacional e autor de criminalidade transfronteiriça projeta noções de território “europeu” e “global”. Por outro lado, são reproduzidas inscrições territoriais que reproduzem associações de criminalidade a populações de determinada nacionalidade e etnia. A monitorização transnacional de "populações suspeitas" envolve assim a produção de uma ampla gama de “novas” formas de controlo social que atuam sob a égide da neutralidade da ciência e tecnologia, pelas quais são (re)construídas categorias que agregam novas e “velhas” formas de suspeição e discriminação. De processos de materialização, visualização e quantificação da criminalidade transfronteiriça emergem categorizações de suspeição que reproduzem conceções dominantes de risco e segurança pública, ao mesmo tempo que vulnerabilizam os grupos sociais mais afetados por desigualdades económicas e políticas.

MATEUS, Sandra

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  • COM0226: Políticas de integração dos descendentes de imigrantes na sociedade portuguesa (1976-2015)
  • SECÇÃO: Migrações, Etnicidade e Racismo
  • MESA: Integração 2
  • RESUMO:
    Objetivos: No período atual, um contingente (pela primeira vez) significativo de jovens descendentes de imigrantes encontra-se no grupo etário modal de ingresso no ensino superior. Esta geração foi o público-alvo das políticas de inclusão social e escolar de imigrantes que se iniciam na década de 90. No quadro do projeto "Caminhos escolares de jovens africanos (PALOP) que acedem ao ensino superior" (FEINPT), decorrido entre Novembro 2014 e Julho 2015, identificámos e analisámos as principais políticas – iniciativas, ações, medidas legislativas – de iniciativa pública e privada, que, direta ou indiretamente, contribuíram para a inclusão escolar dos descendentes de imigrantes, ou outras, mais genéricas, que tiveram impacto na sua experiência. Esta comunicação tem como objetivo debater estas políticas através da análise da presença dos descendentes de imigrantes na legislação portuguesa, entre 1976 e 2015. Dá conta das modalidades, frequência e enquadramento dessa presença, e o modo como as políticas contribuem, ou obstacularizam, a integração na sociedade portuguesa. Métodos: Através de uma análise documental, procedeu-se ao levantamento de acções que visaram, diretamente ou indiretamente, os filhos de imigrantes no domínio educativo, direitos fundamentais, acesso à nacionalidade e regimes de permanência. Analisaram-se 96 leis, programas e acções, cronologicamente, em vários níveis: os modos como os descendentes são ou não referenciados nas políticas; as transformações nas políticas de inclusão; a evolução na frequência das iniciativas. Resultados: Os descendentes começam a marcar presença na legislação no final dos anos 80, na formulação dos primeiros programas de combate ao insucesso escolar. Na década de 90 encontra-se o maior número de iniciativas de pendor intercultural. Entre 2000 e 2010, salientam-se acções no domínio da língua, regimes de equivalência, e intervenção de proximidade. Ocorre uma transição da interculturalidade e compensação educativa para a definição de estatuto, direitos e apoios específicos. Depois de 2010 vão encontrar-se iniciativas mais esporádicas ou simbólicas. Conclusões: Apesar dos esforços realizados nas décadas de 90 e 2000, a revisão dá conta de uma perda de relevância destes jovens como objeto de políticas públicas, e a sua submergência no grupo dos alunos em condição de desfavorecimento social, bem como dá indícios de uma segregação destes alunos nas vias vocacionais profissionalizantes.

MATIAS FERREIRA, Vítor

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  • COM0537: O Retorno do Movimento Social?
  • SECÇÃO: Globalização, Política e Cidadania
  • MESA: Crise e Lutas Sociais
  • RESUMO:
    Periodicamente, a problemática dos Movimentos Sociais ressurge no quadro das dinâmicas sociais e políticas. Como um paradoxo, esse ressurgimento apresenta uma “novidade”, como se estivéssemos perante algo completamente inesperado. E, contudo, a História é feita, precisamente, dessas emergências sociais, inclusive como base ou mesmo como motor, das respectivas transformações sociais. A presente Comunicação pretende revisitar essa mesma problemática, tomando como referência um quadro territorial mais genérico, não necessariamente encerrado nas ditas fronteiras nacionais. Não estará em causa apresentar situações empíricas concretas, mas elas não deixarão de alimentar o debate sobre a problemática dos Movimentos Sociais, em particular no actual contexto de crise económica e de superação política com que certos países europeus se confrontam nas últimas décadas.

MATOS, Sara

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  • COM0043: Terrorismo e geopolítica da ciência e tecnologia na UE
  • SECÇÃO: Conhecimento, Ciência e Tecnologia
  • MESA: Tecnologias e segurança
  • RESUMO:
    Os recentes ataques em Paris reacenderam nas agendas políticas em vários Estados-membros da União Europeia a necessidade de aprofundar a cooperação transfronteiriça de natureza policial e judiciária. Neste cenário, ganharam renovada legitimidade no espaço público e político a implementação de redes e sistemas tecnológicos sofisticados que visam controlar a mobilidade de indivíduos e populações “suspeitas”. Entre práticas que visam o combate ao terrorismo, à criminalidade organizada ou à chamada imigração ilegal, destaca-se o intercâmbio de informação e de dados pessoais por via de bases de dados informatizadas de grande escala, que permitem a busca automatizada de informação genética e impressões digitais, assim como práticas de data mining e big data. Trata-se de um sistema tecno-científico sustentado, entre outros aspetos, em culturas de objetividade e retóricas de infalibilidade e “certezas” associadas à ciência e tecnologia, mas que tende a reproduzir lógicas, processos e hierarquias tradicionais na prossecução de imperativos de securitização da(s) sociedade(s) europeia(s). A presente comunicação visa discutir dois aspetos centrais: 1. A geopolítica dos sistemas científicos e tecnológicos na União Europeia, que, entre outros aspetos, promove a expansão de empresas privadas fornecedoras de artefactos tecnológicos associados a ideologias securitárias. 2. Os desafios à cidadania e à democracia, pela complexificação do princípio da proteção da privacidade com a circulação de dados pessoais para fins de prevenção de ameaças à segurança pública. Serão problematizados fluxos transnacionais que traduzem modos de fazer e utilizar ciência e tecnologia que, sob a égide de preocupações “globais e comuns” de cariz securitário, reproduzem desigualdades e assimetrias com profunda inscrição territorial, social, histórica e política.

MATOSSIAN, Brenda

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  • COM0400: Urbanización y migración en la Patagonia argentina: correlaciones con la diferenciación socioresidencial en ciudades medias
  • SECÇÃO: Territórios: Cidades e Campos
  • MESA: Territórios Urbanos e Mobilidades - A
  • RESUMO:
    La Argentina es un país de temprana y profunda urbanización. En la historia de la conformación del territorio, las migraciones del campo a la ciudad habían constituido un aporte de relevancia sobre todo desde mediados del siglo XX, cuando comenzaron a sumarse habitantes rurales a las periferias de las principales ciudades, proceso que aun no se ha detenido y se reproduce muy activamente en todo el país. A su vez, las migraciones internacionales latinoamericanas se fueron sumando a tal proceso. En particular, en la región patagónica, las urbes reproducen este modelo pero mucho más activo que en el resto del país. Las ciudades de 50.000 habitantes y más, en esta región, reunieron hacia 2010 poco más de 50 % de la población patagónica y el 55 % de población urbana. Esos niveles de atracción urbana se vinculan con oportunidades económicas y laborales de la región, sumadas a la vigencia de un imaginario colectivo de una vida tranquila, segura y en contacto con la naturaleza. Este mismo imaginario ha consolidado a muchas de estas ciudades como destinos turísticos de prestigio internacional. Se advierte una dualidad en los orígenes, entre los migrantes de clases acomodadas y aquellos que buscan trabajo en los sectores menos calificados que no los nativos no cubren. La propuesta de esta ponencia es caracterizar las ciudades patagónicas que crecieron por fuertes aportes migratorios y la diferenciación socioresidencial. Se hará especial énfasis en los casos de San Carlos de Bariloche y Puerto Madryn, ciudades medias de vocación turística en las provincias de Río Negro y Chubut respectivamente. Asimismo, se busca mostrar cómo ese crecimiento definió perfiles urbanos de mayor o menor diversidad relacionados con la construcción de las identidades culturales que hacen a estas ciudades mosaicos sociales heterogéneos y complejos. La metodología utilizada remite al uso de las fuentes censales a través de bases de microdatos del tipo Redatam, sumado al análisis de casos según la técnica de áreas sociales que muestran la diversidad en los patrones residenciales de los espacios urbanos. Entre los resultados esperados se reconoce la fuerte presencia de migración internacional latinoamericana y sobre todo fronteriza, proveniente de Chile. Por su parte, también se pretende ponderar el peso de la migración interna, con gentes venidas de distintos puntos del país. En muchas de sus ciudades entre un 50 y un 35 % de población no ha nacido en las provincias a las que cada una pertenece. En tal orden de ideas, resulta indispensable conocer la composición migratoria de quienes habitan las ciudades, información que contribuye a diseñar una práctica de intervención basada en la gestión de la diversidad en las ciudades.

MEDEIROS VEIGA, Marcia Regina

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  • COM0591: Acessibilidades, mobilidades e sociabilidades: A(s) velhice(s) sob o prisma do(s) territórios(s)
  • SECÇÃO: Dinâmicas Populacionais, Gerações e Envelhecimento
  • MESA: Envelhecimento e Relações Sociais
  • RESUMO:
    Propomos, com esta comunicação, uma discussão sobre as múltiplas vivências e experiências de velhice(s) a partir de uma contextualização territorial. Compreendemos o território não apenas como um espaço geográfico, mas, também, como um espaço relacional histórico, social, cultural, afetivo, político, económico, ao mesmo tempo palco e ator das dinâmicas sociais. Para este fim, escolhemos duas diferentes tipologias territoriais da cidade de Coimbra, Portugal: o casco histórico, conhecido como "Alta", e a zona do Botão, distante cerca de vinte minutos do centro urbano, mas com algumas características identitárias próximas do rural. Assim, dentro de um plano metodológico e conceptual interdisciplinar, com base em dados estatísticos e demográficos, recolhidos através do Instituto Nacional de Estatística; observações descritivas e analíticas; e entrevistas semiestruturadas com idosos e idosas dos dois territórios em questão, pudemos perceber similaridades e diferenças entre ambos e, dessa maneira, elaborar algumas considerações importantes sobre as lógicas estabelecidas entre as duas categorias - velhices e territórios -, a partir dos eixos norteadores de nossa investigação: as acessibilidades, as mobilidades e as sociabilidades. Concluímos que as sociabilidades das pessoas idosas, tanto na esfera familiar quanto nas relações construídas com os demais sujeitos que compõem determinado território, são definidoras para a uma qualidade de vida satisfatória na(s) velhice(s). Quanto mais profundas forem tais sociabilidades, baseadas na corresponsabilidade e no compromisso mútuo, ancoradas em relações horizontais marcadas pelo reconhecimento e respeito às diferenças e pluralidades, próprias a nós, humanos, e à complexidade social e cultural da contemporaneidade - geracionais/de idade, de sexo/género, de condição económica e social, para citar alguns exemplos -, melhores e mais legítimas serão as trocas sociais. Os territórios, são, neste sentido, determinantes para a construção e o estabelecimento destas sociabilidades. As acessibilidades territoriais - algumas vezes próprias da geografia do lugar; outras construídas a partir de iniciativas públicas ou privadas, geralmente no plano da coletividade -, possibilitando maiores proximidades e convívios sociais, melhores mobilidades e, consequentemente, maior autonomia, especialmente às pessoas idosas, podem potencializar e positivar as relações sociais, qualificando e (re)significando as experiências da velhice, que pode, assim, se transformar em uma fase da vida compensatória e feliz.

MENESES ALVES, Tahiana

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  • COM0340: Construção das identidades de género de homens diagnosticados com a doença mental
  • SECÇÃO: Sociologia da Saúde
  • MESA: Corpo, género e práticas de saúde
  • RESUMO:
    Esta pesquisa de caráter qualitativo tratou da articulação entre doença mental, género, masculinidades e identidades. O objetivo geral foi analisar a experiência com a doença mental a partir de relatos de homens em tratamento psiquiátrico numa instituição no norte de Portugal. Para isso, investimos na categoria género enquanto variável presente nas narrativas destes homens sobre as causas que atribuem à própria doença mental e sobre as mudanças por esta provocada em variadas esferas da vida e que produz impactos nas identidades masculinas. Consideramos a noção de doença mental enquanto uma construção social limitada, circunscrita e possibilitada por um componente material (no sentido de que a doença muda através do tempo e do espaço, mas possui uma realidade material). Consideramos também que um modelo holístico (combinação entre fatores biológicos, psicológicos e sociais) seja a forma mais adequada de compreendê-la, e a sua análise a partir de uma base sociológica foi o nosso foco. A recolha de informações foi realizada através de entrevistas de história de vida com oito homens com diagnóstico psiquiátrico e analisada a partir de uma perspetiva das relações sociais de género com enfoque nas masculinidades. O estudo mostra a presença, nas diversas formas de vivenciar a doença mental e nos discursos da grande maioria dos entrevistados, uma orientação das suas vidas quotidianas – antes e após o diagnóstico – ligada às estruturas de género tradicionais e ao modelo hegemónico de masculinidade.

MENESES ALVES, Thiago

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  • COM0440: Entre dilemas e oportunidades: a produção plural do rock teresinense no século XXI
  • SECÇÃO: Arte, Cultura e Comunicação
  • MESA: Culturas musicais contemporâneas, memórias, património e vivências
  • RESUMO:
    Inserido no contexto mais amplo de um projeto de doutoramento, o presente paper tem por objetivo discutir a produção de um segmento do rock autoral da cidade brasileira de Teresina no século XXI a partir da organização de um catálogo dos projetos musicais que compõem este grupo. Se, por um lado, as mudanças estruturais recentes verificadas no âmbito da produção, mediação e consumo da música colocam em xeque a centralidade do modelo de geração de lucro a partir da venda de fonogramas em suportes materiais (o long play, o compact disc, dentre outros), por outro lado, abrem uma série de oportunidades para contextos mais à margem dos grandes centros culturais e grandes circuitos comerciais. Neste cenário, à primeira vista, favorável, aparecem novos dilemas em torno de tópicos como a sustentabilidade financeira das empreitadas em meio a uma cultura da “gratuidade”, além da dificuldade de alcance tendo em vista o contexto abundante e ultra segmentado da produção musical contemporânea. A despeito destes complexos desafios, fatores como (1) a produção vasta e plural, além do (2) êxito de alguns destes projetos musicais, permitem afirmar que é particularmente frutífero o momento em que se encontra a produção roqueira de Teresina. No que diz respeito ao primeiro fator, foram catalogados 128 projetos musicais, ativos ou extintos, com produções fonográficas autorais, organizados em cinco grandes grupos: “rock regional”, “rock-pop”, “rock vintage”, “indie rock” e “outros”. No que diz respeito ao segundo fator, foi destacada a circulação de vários artistas oriundos daquele contexto em diversas instâncias de legitimação de abrangência nacional e, em alguns casos excepcionais, internacional (sites e publicações especializadas, programas de TV e rádio, dentre outros).

MINEIRO, João

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  • COM0152: Podemos falar um campo universitário? Transformações e disputas nas universidades portuguesas entre 1988 e 2015
  • SECÇÃO: Sociologia da Educação
  • MESA: A governação política dos territórios educativos (Sessão IV)
  • RESUMO:
    Nos seus 927 anos de história, as universidades foram sempre, e em simultâneo, um espelho e um motor das relações sociais e da sua época histórica. É dessa história, em particular da sua expressão entre os séculos XIX e XX, que se estruturam as universidades modernas. Contudo, partindo desse pressuposto, esta comunicação analisa as principais transformações e disputas nas universidades portuguesas entre 1988 e 2015, procurando responder a três questões fundamentais. Quais foram as principais mudanças no ensino superior português nos últimos 27 anos? O que é que elas nos revelam sobre as conceções em disputa nas universidades? Podemos falar de um campo universitário português como autonomia relativa no atual quadro do capitalismo e das mutações na organização do Estado? Olhando para os discursos diretos, a partir de entrevistas semi-diretivas, de 18 atuais e antigos reitores e dirigentes estudantis do período de 1988-2015, e para um conjunto de relatórios e legislação deste período, esta comunicação organiza-se em três dimensões. Primeiro, desenvolve-se uma análise sobre os vinte e sete anos de transformações estruturais do ensino superior português, olhados à luz dos discursos dos agentes universitários, e discutidos no quadro das transformações no regime económico neoliberal que emerge no anos 80, do papel político de instituições supranacionais como o Banco Mundial e da história particular da sociedade portuguesa no pós 25 de Abril. Em segundo lugar, olhamos para o que é que os discursos dos agentes universitários revelam sobre os dissensos e as disputas no campo universitário português em torno das transformações estruturais que se foram sucedendo. Finalmente, procura-se discutir em que medida estas transformações e disputas nos ajudam a refletir sobre a existência e as características de um campo universitário português enquanto campo social com autonomia relativa no espaço social. Como se perceberá, uma ideia central desta comunicação é justamente a noção de campo universitário. A orientação desta pesquisa mobiliza o dispositivo analítico da teoria geral dos campos de Pierre Bourdieu porque ele nos permite aprofundar três importantes olhares. O primeiro é o de caracterizar as transformações estruturais do campo universitário a partir dos discursos diretos dos seus agentes. O segundo é o de identificar as universidades enquanto subconjunto do espaço social, cuja natureza, limites e fronteiras são uma materialização das disputas e das lutas no campo. E por último, permite aprofundar uma discussão sobre se no atual quadro do neoliberalismo e das mutações no campo do Estado com o New Public Management, é possível ainda falar numa ideia de universidade enquanto campo, isto é, enquanto elemento institucional com autonomia relativa no espaço social. São essas discussões a que aqui se dará dar corpo.

MINTEGUIAGA, Analia

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  • COM0532: Des institucionalizando la política social: neoliberalismo en Ecuador
  • SECÇÃO: Pobreza, Exclusão Social e Políticas Sociais
  • MESA: Políticas públicas e avaliação
  • RESUMO:
    En el contexto de una crisis marcada por el estrepitoso declive en los precios de los commodities, retornan a América Latina recetas ya ensayadas de ajuste fiscal con implicaciones negativas sobre el empleo, y en términos más generales, sobre la provisión de bienestar. Frente a esto es necesario reflexionar sobre la estrecha relación entre algunas formas de política social y la profundización de exclusiones sociales, económicas, territoriales y políticas. Aquí se enfatizan dos formas especificas: las privatizaciones, y la reorientación del gasto estatal hacia el servicio de la deuda pública. Ambas tienen un impacto directo sobre la capacidad del Estado de asegurar la realización de derechos y de proveer niveles mínimos de bienestar social. El proceso de modernización neoliberal en Ecuador profundizó las desigualdades sociales y territoriales a través de la desestructuración del Estado, de su dominio integral sobre el territorio y de su capacidad para proveer servicios mínimos a poblaciones “periféricas”. Para analizar las formas en que estas dimensiones del ajuste generan procesos de exclusión y atrofia institucional a través de una política social hiper focalizada, este trabajo presenta un estudio del Fondo de Solidaridad (1995-2010) y del Fondo de Estabilización, Inversión Social y Productiva y Reducción del Endeudamiento Público – FEIREP/CEREPS (2002-2008). Aunque los fondos difieren en su diseño, temporalidad y objetivos comparten lógicas político ideológicas y de operación. Tuvieron un rol en el intento por otorgar legitimidad a políticas impopulares como las privatizaciones y el privilegio otorgado al servicio de la deuda; constituyeron una suerte de para-institucionalidad restrictiva en tanto destinaron recursos a programas y proyectos de salud y educación sin poder ser utilizados para resolver crisis inmediatas en los sistemas públicos; y aunque funcionaron durante momentos de profundas necesidades sociales se enfocaron en la población “más necesitada” o “más pobre” sin un enfoque de derechos o de universalidad en la garantía de los mismos. Para poder identificar los sentidos y lógicas detrás de estos dos fondos esta investigación abordará el análisis en “clave institucional”. Siguiendo a Repetto (2000) se identificará a los actores relevantes, (a quienes se dirige la política, quienes se benefician de la misma, quienes entran en procesos de negociación y/o contestación por el contenido y/o la dirección de las mismas) y los recursos políticos, económicos, organizacionales y simbólicos que poseen para disputar la conformación de la agenda. El análisis concluye con una reconstrucción del contexto y las oportunidades políticas que posibilitaron la desestructuración de estos fondos para identificar las lógicas que estuvieron en juego y los resultados que han dado en materia de desarrollo social.

MONTEIRO DA SILVA BARBOSA, João Roberto

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  • COM0473: A guerra dos lugares para atração de investimentos do setor automobilístico no Brasil.
  • SECÇÃO: Globalização, Política e Cidadania
  • MESA: Estado e Políticas Públicas
  • RESUMO:
    No Brasil, desde que se instalou, durante a década de 1960, a indústria automobilística possui papel de grande importância na economia nacional, representa cerca de 20% da produção industrial. Nos últimos anos grandes investimentos têm sido realizados, tanto na modernização e expansão das plantas existentes, quanto na abertura de novas fábricas, em diferentes regiões do país. A ampliação dos fluxos de capital estrangeiro no setor automotivo fomentou processos de competição territorial. O distanciamento do governo federal da definição de políticas regionais despertou o apetite dos mais distintos Estados brasileiros: do Rio Grande do Sul ao Amazonas, de Rondônia à Pernambuco, a esmagadora maioria dos Estados compete hoje para atrair novos investimentos, dada a importância e repercussão econômica do estabelecimento das montadoras nas regiões em que são instaladas. Diante desta problemática, realizou-se pesquisa exploratória, composta por levantamento bibliográfico sobre alterações na distribuição espacial desta indústria desde sua instalação e o papel do Estado e estudo de caso sobre o processo de atração da nova planta da empresa Mercedes-Benz, no município de Iracemápolis, estado de São Paulo , para evidenciar a competição entre os entes subnacionais para atração de novas plantas fabricantes de veículos automotores e os mecanismos utilizados neste processo. A escolha dos destinos dos recentes investimentos produtivos do setor automotivo, mais do que pela vocação locacional, foi baseada na concessão de vultosos incentivos fiscais e financeiros pelo poder público – em especial do município – e estes, em razão dos artifícios utilizados, sacrifica sua capacidade de investimento e não consegue atender às demandas sociais emergentes, ampliadas pela própria chegada do empreendimento e suas consequências. Como inexiste a vocação local e infraestrutura necessária disponível para viabilizar as operações industriais automotivas, a maior parte das ações do poder público local relaciona-se com a disponibilização de infraestrutura e oferta de serviços públicos diretamente relacionados com o empreendimento – usualmente acordados previamente e determinantes para tomada de decisão da empresa investidora -, o que, em curto prazo, gera um efeito perverso no território.

MORA, Teresa

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  • COM0697: The Individual and the common: arte política e crítica social
  • SECÇÃO: Arte, Cultura e Comunicação
  • MESA: Mundos da arte, dinâmicas e lógicas de funcionamento
  • RESUMO:
    Dois enunciados prévios a esta proposta: (1) o facto de assistirmos, desde o final dos anos 90, em contextos internacionais diversos, a uma multiplicação de eventos artístico-culturais que em declinações várias (das artes visuais às artes performativas) e com múltiplos formatos organizativos têm vindo a evidenciar a tendência atual para as práticas artísticas se configurarem pelos seguintes traços: a urgência da realidade, a viragem para o social e a crítica como posicionalidade; (2) o objetivo geral de investigar práticas artísticas portadoras de propostas críticas e alternativas ao modelo de sociedade vigente, o que coloca no centro da comunicação que proponho a arte política entendida como a arte que distende o questionamento do modo de organização da sociedade nas suas estruturas de poder e de dominação. Esta comunicação reporta-se a um estudo de caso sobre a rede de teatros europeus House on Fire, fundada em 2011 pelo Maria Matos – Teatro Municipal de Lisboa. O enquadramento programático da Rede House on Fire no “paradigma da responsabilidade social e do ativismo” devolve-nos o ponto de vista político a partir do qual pretendo seccionar analiticamente a arte. A estrutura em rede, em simultâneo com a delimitação europeia da programação co-produzida e exibida pelos dez teatros (europeus) da House on Fire, fornecem-nos, por seu turno, o elemento de des-territorialização propício a que se incorra na questão mais geral do potencial alternativo que certas dinâmicas de desterritorialização podem, ou não, estar a inscrever no contexto cultural da sociedade portuguesa, nomeadamente através do sector da produção artística. Nesta comunicação, abordar-se-ão especificamente práticas artísticas inscritas no programa temático "The individual and the common", situado no intervalo 2013-2104 da programação da Rede House on Fire. Sendo a problematização da relação individual-comum tão central nas teorias sociológicas, e estando, desde final da década de 90, a ser reavivada, no pensamento crítico contemporâneo, a sua assunção na programação da House on Fire releva a proximidade da prática artística aos elementos científico-social e filosófico-político. Com base em material documental vário, nomeadamente o site de divulgação da rede House on Fire, folhas de sala, e testemunhos dos artistas envolvidos, serão apresentados alguns dos resultados relativos à articulação das seguintes linha de abordagem: 1- identificar, nessas práticas artísticas, problemáticas de crítica social, incluindo a, eventual, presença do elemento utópico, isto é, o desvio e a abertura a outros modos possíveis de viver em comum; 2- explorar similitudes de natureza conceptual e autoral entre as problemáticas de crítica social aí identificadas e eventuais repertórios de ação discursiva provenientes da cultura científico-filosófica.

MORAIS, César

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  • COM0346: Dinâmicas de inserção profissional entre jovens graduados do ensino superior durante o período de assistência económica em Portugal.
  • SECÇÃO: Trabalho, Organizações e Profissões
  • MESA: Emprego, desemprego, formação e suas territorialidades - III
  • RESUMO:
    Durante o último período de assistência económica em Portugal, entre 2011 e 2015, as estatísticas oficiais sobre o emprego assinalam um conjunto de alterações ao nível do mercado de trabalho nacional. Além de uma flagrante perda de empregos, as principais tendências identificadas refletem uma degradação da qualidade do emprego, especialmente ao nível dos contratos de trabalho e dos rendimentos salariais. Estas reconfigurações afetaram a maioria da população mas tornaram-se especialmente notórias entre a população jovem, em particular junto dos indivíduos que procuram inserir-se no mercado de trabalho pela primeira vez. As análises sociológicas que se debruçam sobre a inserção profissional ancoram estas mutações numa “nova ordem capitalista contemporânea” à qual correspondem novas formas e relações com o trabalho e o emprego. Para as caracterizar, emergem gramáticas conceptuais que incluem termos como empregabilidade, precarização, subemprego, desajustamento profissional ou perda de valor do trabalho. Porém, são ainda escassas as análises que focam a sua atenção no período de “assistência económica” (para se utilizar a designação oficial gerada no quadro da UE) que vigorou em Portugal nos últimos anos e nos seus efeitos junto do segmento populacional mais jovem e qualificado, isto é, entre os recém-graduados do ensino superior. Esta comunicação procura, justamente, contribuir para um melhor conhecimento dessas dinâmicas. A análise recorre a um conjunto de dados estatísticos oficiais do Instituto Nacional de Estatística, nomeadamente, as “taxas de atividade”, “inatividade”, “emprego” e “desemprego”, o “grupo profissional dos empregados”, o “tipo de contrato de trabalho” e o “rendimento líquido mensal auferido”. Trata-se de uma análise evolutiva, uma vez que observa as variações nestes indicadores entre os anos de 2011 e 2015, mas também comparativa, pois perfila dados para a população total nacional e para os indivíduos com idades entre os 25 e 34 anos, tendo em conta os seus distintos níveis de instrução. Não deixaremos ainda de confrontar os dados referentes à população portuguesa com os respeitantes ao conjunto de países da zona euro – obtidos através do Eurostat –, procurando localizar o caso português entre os parceiros europeus, com especial atenção a eventuais paralelismos com países que foram alvo de intervenções económicas similares à que ocorreu em Portugal.

MORATTI FRAZÃO, Samira

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  • COM0360: A suspeita que marca: representações (tele)jornalísticas de refugiados africanos e a disseminação de pânicos morais contra os fluxos (i)migratórios no Brasil
  • SECÇÃO: Migrações, Etnicidade e Racismo
  • MESA: Refugiados
  • RESUMO:
    O objetivo do artigo, recorte de tese em andamento, é verificar como representações sociais nas narrativas de (tele)jornais brasileiros podem ter contribuído para a criação de pânicos de ordem moral contra refugiados de origem africana durante um caso de suspeita de ebola no Brasil em 2014. Como consequência, tais representações podem impactar a opinião pública, acarretando desdobramentos na inserção e integração de imigrantes e refugiados em seus locais de mobilidade. Parte-se da hipótese que o modo como as narrativas (tele)jornalísticas e as representações nela apresentadas foram construídas produziram pânicos morais com base em suspeitas sem comprovações que as confirmassem posteriormente, implicando em reações racistas e xenofóbicas por parte do público contra os imigrantes. Método: Para a análise das reportagens foi utilizado o “Guia das Migrações Transnacionais e Diversidade Cultural para Comunicadores – Migrantes no Brasil”, das autoras Denise Cogo e Maria Badet Souza, considerando aspectos técnicos da prática (tele)jornalística das reportagens e dos comentários do público nos sites de notícias. O referencial teórico é composto pelas obras de Roger Chartier (História) e Serge Moscovici (Psicologia Social) sobre o conceito de representação; Paul Ricoeur (Filosofia/História), Luiz Gonzaga Motta e Célia Ladeira Mota (Jornalismo) e o conceito de narrativa, Kenneth Thompson (Sociologia) e o conceito de Pânico Moral, bem como a legislação nacional e internacional que estabelece os direitos dos(as) refugiados(as), e autores ligados aos estudos de Jornalismo, História e Migrações. Resultados: Foram analisadas duas reportagens de um total de 68 publicadas em outubro de 2014 em sites de notícias e telejornais brasileiros cuja temática fosse o "primeiro caso de suspeita de ebola no Brasil". O refugiado guineano envolvido na suspeita teve imagens suas, assim como identificação documental e de moradia expostas nas reportagens, sem direito de resposta e defesa durante ou posterior a veiculação do material jornalístico. Em virtude da suspeita da doença, outros imigrantes e refugiados de origem africana e/ou negros de outras nacionalidades alegaram ter sofrido preconceito racial à época, incluindo casos de xenofobia. Notou-se que as reportagens expuseram o refugiado em questão como "ameaça", marginalizando-o e, por conseguinte, impactando a inserção e integração de outros imigrantes. Conclusão: Tais representações fomentaram não apenas discursos de ódio contra imigrantes, como também puseram em risco sua integridade física, impactando de forma negativa suas vidas muitas das quais tentam ser reconstruídas em razão de perseguições sofridas em seus locais de origem e demais fatores que os levaram a migrar.

MOREIRA, Vera

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  • COM0154: Os motivos da insatisfação com o trabalho e o turnover. Estudo de caso num call center de uma instituição bancária
  • SECÇÃO: Trabalho, Organizações e Profissões
  • MESA: Relações de trabalho, empresas e globalização - II
  • RESUMO:
    Acompanhando a nova fase do capitalismo que emergiu dos escombros do fordismo, os call centers são uma atividade económica em forte expansão, o que é potenciado pela globalização e liberalização dos mercados, pelo crescimento do setor dos serviços, pela difusão em larga escala das tecnologias da informação e da comunicação e pela restruturação produtiva que caracteriza o regime da “acumulação flexível” (Harvey, 2008). Neles se compaginam o admirável mundo novo tecnológico e um trabalho e relações de trabalho típicos de épocas passadas, tendo vários autores sublinhado as semelhanças existentes entre os call centers e as fábricas submetidas ao regime despótico do taylorismo (Bono, 2000; Bain et al., 2002; Cousin, 2002; Venco, 2006). Por outro lado, os centros de atendimento constituem o símbolo do modelo de organização empresarial em rede, característico da atual fase do capitalismo. Segundo alguns estudos, como os de Maslach et al. (1993); de Chambel e Castanheira (2010) ou de Rod e Ashill (2013), os operadores de call center realizam tarefas rotineiras, com pouca ou nenhuma variedade, repetindo o mesmo discurso “horas a fio” e são desprovidos de qualquer autonomia. Daí estarem fortemente sujeitos ao burnout, à exaustão e ao cinismo para com o cliente, o que pode condicionar a sua satisfação com o trabalho. Para lá da natureza do trabalho, as características organizacionais – que dizem respeito à supervisão, ao grupo de pares, ao salário e recompensas, à possibilidade de progressão na carreira e às condições físicas do local de trabalho – e as características sociodemográficas dos operadores também podem influenciar a satisfação, como sugerem os trabalhos de Hackam e Oldham (1980); Canavagh (1992); Mobley (1992) ou Holman (2005). O quadro de insatisfação pode culminar na saída do trabalhador da organização, como defendem Tuten e Neidermeyer (2004) ou Robbins (2013). Do ponto de vista organizacional, o turnover constitui um problema, dados os custos inerentes, sobretudo os que advém da necessidade de contratação e formação de novos trabalhadores. Esta comunicação baseia-se num estudo realizado no call center de um banco onde se verifica um muito elevado turnover dos assistentes de outbound. Foi seu objetivo compreender os motivos que podem induzir este fenómeno. No seu âmbito foram realizadas entrevistas exploratórias a ex-operadores, tendo sido posteriormente administrado um questionário aos operadores que haviam rescindido o contrato com a Empresa de Trabalho Temporário que os colocava na instituição bancária. Concluiu-se que as tarefas simples e repetitivas e a falta de autonomia, juntamente com a insatisfação relativamente ao salário e às recompensas, bem como a perceção negativa de progressão na carreira e ainda a perceção de burnout constituem fatores que podem influenciar negativamente a satisfação no trabalho e, consequentemente, conduzir ao turnover.

MOYA PELLITERO, Ana María

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  • COM0475: A dimensão do património intangível em paisagens urbanas históricas multiculturais. Bairro da Mouraria como estudo de caso
  • SECÇÃO: Territórios: Cidades e Campos
  • MESA: Habitar a Cidade: Política e Ação - B
  • RESUMO:
    O neoliberalismo e a globalização no século XXI, provoca uma aceleração da mudança e as transformações socioeconómicas e força a mobilidade constante e fluxos sociais da população. Nomadismo e mobilidade são características de nossa sociedade líquida global (Gilroy, 2004; Bauman, 2000; Urry, 2000, 2007). Existem efeitos dos fluxos sociais e migrações sobre a transformação do património urbano e a identidade das paisagens urbanas históricas. É relevante procurar um equilíbrio entre o património histórico-cultural existente e a influência da chegada de grupos multiculturais imigrados. A gentrificação causada pelo turismo de cidades, juntamente com a diversidade cultural dos imigrantes ameaça o sentido de continuidade física e sociocultural do lugar. É necessário o conceito de inclusão, integração e readaptação de novos valores e práticas forasteiras, enfatizando o respeito e compromisso pela preservação de legados culturais já existentes. O equilíbrio entre a coexistência e o compromisso forma parte integrante da sustentabilidade sociocultural do património urbano histórico (Turner, 2015). A Sustentabilidade sociocultural é baseada num equilíbrio entre o desenvolvimento económico e sociocultural e a continuidade dos valores culturais e a qualidade de vida existentes. Sem continuidade não há legado cultural, e sem comunicação e participação ativa da população não há sustentabilidade sociocultural. A paisagem urbana histórica é, então, um território existencial dentro de uma práxis estético-ética, onde há uma relação entre o social, o mental (mundo da subjetividade) e o registo ecológico ambiental (Guattari, 1989). Valores culturais e diversidade de interpretações e perceções do lugar estão também ligados aos diferentes grupos geracionais que integram uma comunidade (Mannheim, 1923). O desenvolvimento sociocultural do património e da paisagem urbana histórica permite a manifestação geracional de novas práticas de criação, representação, registro e comunicação como o uso das TIC’s e as redes sociais. O estudo de caso do bairro da Mouraria, em Lisboa, esta sujeito a processos de imigração e diversidade étnica e cultural (Mendes, 2012; Fonseca & McGarrigle, 2013). O bairro da Mouraria, junto com a sua natureza multicultural, convergem, desde 2010, as políticas de renovação urbana e a participação ativa de plataformas vicinais e organizações sociais e culturais. Este estudo de caso nos permite compreender o património intangível desta paisagem urbana histórica multicultural, com processos específicos socioculturais que acontecem dentro da comunidade local, visitantes e a comunidade imigrada, que nos ajudam a elucidar padrões de sustentabilidade sociocultural para o entendimento dos potenciais de desenvolvimento e conservação da sua paisagem urbana histórica.

NETO, Cícero José Alves Soares

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  • COM0030: As emoções nos registros memorialistas dos portadores de câncer/cancro: Uma análise comparativa da memória documental.
  • SECÇÃO: Sociologia das Emoções
  • MESA: Experiências emocionais
  • RESUMO:
    A proposta desta comunicação oral é apreender as mensagens sublimares manifestadas nos registros memorialistas dos portadores de câncer/cancro, conforme a memória documental das obras dos autores brasileiros e portugueses vivenciados pelos portadores da patologia. Inicialmente, no campo conceitual, a intenção é mapear o que são as emoções e qual a tipologia que se apresenta no cenário temático. Em seguida, o foco será a arquitetura analítica da medicina tradicional chinesa (MTC), com a sua composição estrutural: nutrição, plantas medicinais, acupuntura, exercícios energéticos (tai chi e chi kung) e meditação. Entretanto, a proposta interpretativa holística da MTC apropria-se da emoção e vincula esta manifestação emocional a um órgão do corpo humano, provocando uma interação somática que provoca uma leitura integrada. Por fim, busca-se apreender, nos registros memorialistas dos portadores da patologia, as mensagens emocionais subliminares do sofrimento humano da fonte documental. Portanto, a questão central desta investigação é decodificar qual a mensagem emocional, por intermédio das mensagens subliminares, que os portadores do câncer-cancro, manifestam do sofrimento humano nas fontes documentais dos registros memorialistas? Metodologicamente, a estratégia desta investigação privilegia a fonte documental, por intermédio dos registros memorialistas das obras publicadas pelos autores dos portadores da patologia, no Brasil e em Portugal, analisados sob o método da análise de conteúdo. O universo investigado, os registros memorialistas dos autores portadores de câncer-cancro, torna-se uma fonte privilegiada do conflito pessoal, por intermédio do canal emocional que se materializa no campo somático. Historicamente, esta proposta de trabalho de pesquisa evoluiu nos eventos nacionais e internacionais das ciências humanas, e, em especial, nos grupos de trabalho da sociologia das emoções. Neste contexto, emergiu o método comparativo de investigação dos registros memorialistas dos autores brasileiros e portugueses que vivenciaram o problema de saúde e socializaram o problema por intermédio dos registros memorialistas. Portanto, em última instância, a proposta interpretativa pretende apreender a mensagem subliminar manifestada nos registros memorialistas dos autores que conviveram com o conflito emocional do câncer-cancro.

NORONHA OLIVEIRA, Rayane Noronha Oliveira

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  • COM0394: Entre tensões e divergências políticas: a questão do aborto no Senado Federal brasileiro
  • SECÇÃO: Sexualidade e Género
  • MESA: Género e (Des)Igualdade
  • RESUMO:
    No Brasil, entre maio e setembro de 2015, ocorreram quatro audiências públicas sobre aborto no Senado Federal. Essas audiências são fruto de uma sugestão (SUG 15/2014) feita por um cidadão, que propôs a regulamentação da interrupção voluntária da gravidez pelo Sistema Único de Saúde durante as doze primeiras semanas de gestação. A sugestão foi publicada no Portal e-Cidadania do Senado Federal e obteve em torno de 20 mil votos, apoio suficiente para ser encaminhada formalmente à Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa da Casa. As audiências tiveram o objetivo de reunir especialistas e ativistas favoráveis e contrários à legalização e descriminalização do aborto, visando à ampliação do debate sobre o aborto no Brasil. Por meio das análises de discurso e de conteúdo das falas feitas nessas audiências públicas, essa pesquisa tem o objetivo de identificar quais são os argumentos centrais para os grupos que se dizem favoráveis e contrários à legalização do aborto no Brasil. Essa pesquisa de metodologia mista será constituída em duas fases: a primeira será a análise qualitativa dos 32 discursos proferidos em todas as audiências, que estão disponibilizados por vídeos no site do Senado; e a segunda será a análise quali quantitativa dos conteúdos taquigráficos das falas, por meio do software Iramuteq. Nas análises serão utilizadas ferramentas teóricas que permitam articular as falas proferidas nas audiências com a conjuntura social e política atual, aspirando, assim, maior compreensão sobre o tema em questão e suas intersecções. Além disso, será feita uma análise comparativa entre alguns países da América e da Europa, para melhor compreender a divisão territorial que o tema do aborto provoca mundialmente. Para fins ilustrativos o mapa da situação do aborto no mundo demostra uma divisão geográfica entre as nações em que o direito ao aborto é negado e acessado. A partir da representação é possível perceber que a maior parte dos países do hemisfério norte, atualmente considerados como desenvolvidos, permite, até certo momento da gestação, o aborto sem restrições. Nos países do hemisfério sul, rotulados como em desenvolvimento, concentrados no continente Africano, na América Central e na América do Sul, o aborto segue com severas restrições, e quando permitido se deve obedecer alguns requisitos. Esses abortos, na maioria das vezes, são autorizados apenas quando identificado risco de morte ou de agravo à saúde da gestante e em caso de gravidez resultante de estupro.

NUNES JUNIOR, Paulo Cezar

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  • COM0244: Cidades e Festivais Culturais: Primeiras Aproximações
  • SECÇÃO: Arte, Cultura e Comunicação
  • MESA: Festivalização da cultura e recomposições musicais contemporâneas
  • RESUMO:
    A partir de uma revisão bibliográfica em revistas científicas e livros sobre o assunto, esta apresentação tem o objetivo de investigar as associações estabelecidas entre cidades e festivais culturais e as relações de apropriação entre sujeito e espaço urbano. Ao preencher espaços públicos de usos não previstos a eles pelo planejamento urbano, os festivais culturais tornam-se estratégias interessantes para a (re) criação das formas de habitar a cidade e utilizar os espaços públicos. Ao ativar novas retóricas de sentido, tais eventos revelam associações inéditas ou mesmo resgatam movimentos de resistência ao modelo imposto pelo urbanismo. Desta problemática inicial poderão se desdobrar ainda a questão das identidades culturais, as redes de sociabilidades envolvidas, a função de âncora econômica exercida pelos eventos culturais, construção imaterial das cidades, o papel simbólico dos festivais em seus campos políticos e institucionais, os discursos da segurança pública e os jogos de conflito envolvidos, a sedimentação das possibilidades de ressignificação da cidade e seus espaços não-formais como lócus privilegiados para as manifestações artístico-culturais, para o encontro, para o exercício da urbanidade. Ao inaugurar novas retóricas de sentido para a cidade, os festivais culturais revelam apropriações inéditas ou mesmo resgatam relações que não puderam resistir ao modelo de imposto pelo urbanismo. Colocando em prática os desdobramentos pretendidos neste estudo, buscarei criar linhas de fuga e traçar novos contornos que permitam a investigação de diferentes sentidos atribuídos a estes eventos, novas formas de interação que afetam o sujeito na esfera individual e coletiva. A realidade urbana (material e imaterial) será tomada no trabalho como um campo de possibilidades que pode ser reinventado a cada instante, e o exercício de investigar, de antecipar possibilidades, de trabalhar para uma transformação construída “à surdina”, só pode ser concretizado a partir das novas associações estabelecidas com o espaço da cidade que, apropriado de forma autêntica, pode revelar-se como potente via de ressignificação de nossas práticas sociais.
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  • COM0243: PROJETO CARAVANA RURAL: ENTRE MEDIAÇÃO CULTURAL, CAMPO E CIDADE
  • SECÇÃO: Territórios: Cidades e Campos
  • MESA: Novas e Velhas Ruralidades: Permanências e Mudanças
  • RESUMO:
    Na praça da Barra, dezenas de crianças se organizam para assistir uma peça de teatro; nos muros da Escola Técnica de Agropecuária Limassis da Escola Municipal, adolescentes participam da oficina de bioconstrução; no Espetáculo Teatral infantil promovido no galpão das Posses, atores mesclam música e contração de histórias enquanto artistas e produtores do festival registram memórias orais e imagens de idosos residentes de zonas rurais para a futura montagem de uma exposição fotográfica itinerante. Estas são algumas das inúmeras cenas que compuseram a grade de programação da quinta edição do FICA – Festival Integrado de Cultura e Arte ocorrida no mês de setembro de 2015 (Brasil) e editado anualmente em uma série de cidades na região do Sul do Estado de Minas Gerais e seus respectivos bairros rurais. Trata-se de um festival de artes integradas com programação na área de música, dança teatro, artes visuais, performances e oficinas de formação que tem por objetivo principal promover a mobilização social por meio do intercâmbio artístico e cultural nas cidades do sul de Minas Gerais. A proposta surgiu, em 2011, com um projeto de extensão universitária, intitulado “Lazer e Espaço Urbano em Itajubá: Diagnóstico e Proposta de Novos Usos”, que pôde ser executado pelo financiamento do edital interministerial PROEXT MEC SESu – Programa de Extensão Universitária. Originalmente, o projeto previa ações conjugadas com disciplinas de ensino de graduação e frentes de pesquisa, dentro de um cronograma que vislumbrava quatro etapas de execução: diagnóstico e mapeamento de espaços de lazer e cultura na cidade; ações junto a grupos e artistas locais; realização de um festival de artes integradas e elaboração de documentos sobre o desdobramento das ações (NUNES JUNIOR, 2012). Foi a partir das experiências práticas com a produção do festival que as demandas oriundas da zona rural ganharam relevância na escolha da programação e fio condutor principal que guiou a escolha da proposta curatorial para sua quinta edição, cujo um dos desdobramentos principais foi o Projeto Caravana Rural. O projeto consistiu na oferta de ações culturais para bairros e zonas periféricas das cidades participantes do evento, em temáticas e formatos de atividades (escolhas de locais, datas e horários) eleitos pelas lideranças e moradores locais. Ao todo, foram executados nove eventos (ateliês na roça, espetáculos teatrais, oficinas de bioconstrução), além da montagem da exposição fotográfica Retratos, que envolveu o trabalho de resgate de memória oral com moradores da zona rural. Assim, a partir deste mote temos o objetivo principal de apresentar a forma como o conceito de mediação cultural vem sendo tratado pelos pesquisadores da área, buscando construir pontes estabelecer novos marcos teóricos a partir das experiências vivenciadas no Festival Integrado de Cultura e Arte.

NUNES, Nuno

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  • COM0150: Tendências da condição precária na Europa: reconfigurações da desigualdade laboral
  • SECÇÃO: Classes, Desigualdades e Políticas Públicas
  • MESA: Territórios de desigualdade, trabalho e qualidade de vida
  • RESUMO:
    A progressiva (neo-)liberalização das economias está na base de mudanças das estruturas de emprego nos países europeus, e da diversificação das condições de acesso e manutenção dos laços laborais. As características do emprego estão a mudar, o emprego permanente a tempo inteiro tem vindo a ser substituído por diversas formas de emprego com graus diferenciados de precarização. Neste trabalho, propomos uma discussão, com referenciação empírica, sobre o conceito de precariedade e a sua inscrição nos debates sobre as desigualdades sociais contemporâneas. Na operacionalização do conceito, as análises desenvolvidas ora dão ênfase aos fatores a montante relacionados com a situação de mercado que enforma as relações sociais de trabalho (as condições jurídicas de contrato e de regulação das relações laborais, o grau de segurança, as perspetivas de progressão de carreira, assim como os níveis de rendimento salarial), ora sublinham sobretudo dimensões ligadas à situação de trabalho (em termos de autoridade, controlo dos processos produtivos e grau de autonomia na execução de tarefas). Procurar-se-á debater estas dimensões, quer na forma como se conjugam entre si, quer com outros traços de diferenciação estrutural e interindividual, ligados a características sociodemográficas de género e idade, e também relativamente aos recursos qualificacionais de que os sujeitos são portadores. Mobilizando os instrumentos teóricos e operatórios da problemática das desigualdades sociais, é analisada a hipótese da constituição de um espaço europeu do trabalho em reconfiguração, fortemente segmentado e acumulativo de desigualdades, pelo que se procura localizar estruturalmente a diversidade de práticas e contextos de precariedade e as suas múltiplas implicações sociais. Considerando a Europa enquanto mosaico constitutivo de diferentes países e regiões, mas também enquanto espaço transnacional, o presente estudo assenta numa análise extensiva e comparativa do contexto europeu, tomando como fonte empírica dados internacionais recentes do Inquérito ao Emprego respeitantes aos 28 países da União Europeia. Serão apresentados resultados de investigação que visam discutir a multidimensionalidade e interseções entre um conjunto de desigualdades sociais e as características de emprego mais ou menos precárias, reveladoras de condições de desigualdade laboral na Europa.

NUNES, Pedro

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  • COM0299: Novas configurações na indústria fonográfica em Portugal: uma análise sociológica
  • SECÇÃO: Arte, Cultura e Comunicação
  • MESA: Festivalização da cultura e recomposições musicais contemporâneas
  • RESUMO:
    Dentro do domínio de estudos em música popular pouca atenção tem sido dada aos impactos das novas configurações da indústria dita musical global fora do contexto anglo-saxónico e particularmente em paises semi-periféricos como Portugal. Boa parte dos estudos dentro desta temática tem privilegiado para além do contexto anglo-saxónico, o caso das editoras multinacionais em detrimento das editoras locais (ditas independentes). Partindo de discussões mais amplas acerca da relação entre o local e o global na produção de música e de investigação empírica sobre o tema que recolhi nos últimos anos, este paper irá incidir sobre o caso Português, através da análise de três impactos significativos da amplamente discutida crise do setor discográfico, motivada por fenómenos de desintermediação e acesso gratuito no consumo de música, na reconfiguração do campo de produção musical em Portugal: em primeiro lugar o da deslocalização das editoras multinacionais e consequente desinvestimento em repertório local; em segundo lugar o do surgimento de novos atores no campo da edição de discos, ligados a grandes grupos mediáticos e especializados em certas áreas (comunicação e management de artistas, sobretudo); em terceiro lugar, o surgimento de pequenas estruturas editoriais locais dedicadas à edição de artistas locais, com valores e ideologias próximos das editoras independentes tradicionais, estudadas em contexto anglo-saxónico, mas com práticas enformadas pelos novos contextos de desmaterialização e de funcionamento em rede caraterísticos das sociedades ocidentais no novo milénio. Esta discussão levará em linha de conta as análises sociológicas de certos autores (Frith, Negus, Hesmondhalgh, e.o.) sobre a relação entre indústria fonográfica e musical e entre editoras multinacionais e independentes aplicando-as ao contexto português.

OLIVEIRA, Maria João

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  • COM0576: Educação para a Cidadania e para os Direitos Humanos: promoção da participação cívica numa escola do ensino primário em Angola
  • SECÇÃO: Sociologia da Educação
  • MESA: Posters
  • RESUMO:
    Esta comunicação visa apresentar uma parte dos resultados do projeto “Requalificar uma Escola de Capalanga” , através do qual se ampliou e requalificou arquitetonicamente uma escola primária em Angola - Província de Luanda - e onde se está a desenvolver um projeto piloto de implementação do modelo educativo de Educação para a Cidadania. Este é um projeto que tomou como referência, em muitas das suas componentes, o projeto “Fazer a Ponte” (implementado em Vila das Aves, 1976, Portugal) e que prevê, ainda, que a escola se afirme como pólo de uma dinâmica de desenvolvimento local integral. A requalificação do edificado da escola terminou em dezembro de 2014, tendo começado em fevereiro de 2015 a implementação do novo modelo pedagógico através da formação de professores em metodologias de aprendizagem cooperativa e participada, bem como da organização de um conjunto de dinâmicas/atividades onde se promove a ligação entre a escola e a comunidade envolvente (exemplo, Pais, Universidade, Comissão de Moradores, Direção Provincial e Municipal de Educação, autoridades locais). Durante o presente ano, para além da continuação das diferentes atividades de operacionalização do modelo educativo, estão a ser implementadas dinâmicas de vida e gestão escolares democráticas. Estas, particularmente direcionadas para os alunos, envolvem um conjunto de sessões e atividades de promoção da educação para a cidadania e para os direitos humanos, capazes de fomentar o desenvolvimento de cidadãos adultos ativos e participativos na sociedade. Com o objetivo de aprofundar relações entre variáveis e verificar os resultados destas atividades, recorreu-se a um modelo de avaliação pela investigação (Guerra, 2006), com recurso a um plano de investigação longitudinal e a um grupo de controlo. Assim, no âmbito deste projeto de partilha e construção transcultural de um modelo educativo, propomo-nos apresentar neste congresso a metodologia de investigação e os resultados do questionário administrados aos alunos da escola, onde são analisados os seguintes indicadores: autonomia e proatividade; participação e cooperação na escola; equidade na participação; reconhecimento da importância da participação cívica e conhecimento sobre os direitos humanos universais.

OLIVEIRA, Maíra

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  • COM0523: FESPACO e a diáspora: sobre a autorrepresentação da questão racial no cinema africano.
  • SECÇÃO: Migrações, Etnicidade e Racismo
  • MESA: Integração 1
  • RESUMO:
    Introdução. No decorrer do processo colonial europeu, grandes contingentes populacionais africanos foram obrigados a migrar. Fenômeno que está diretamente relacionado à escravatura. Esta realidade provocou um processo incontornável, resultado das estruturas políticas e econômicas perpetuadas pelo colonialismo. A ponto de, mesmo com o fim do tráfico escravista, este fluxo não ter desacelerado. Pelo contrário, atingiu níveis globais e transformou-se em importante fenômeno social. Por conta deste impacto, a repercussão desta dinâmica provocada por tantas migrações forçadas, tem sido escolhida como objeto de análise e representação entre os filmes premiados pelo FESPACO – Festival Pan-Africano de Cinema e Televisão de Ouagadougou. Trata-se do maior e mais antigo evento de audiovisual voltado para a produção africana, que ocorre em Burkina Faso, desde 1969. E que promove a exibição e discussão de filmes produzidos no continente e seus territórios diaspóricos. Objetivos. Neste sentido, para esta comunicação oral, proponho apresentar os dados da investigação, ainda em processo, que estou realizando como projeto de doutoramento. Onde investigo de que forma, os filmes premiados abordam a questão da identidade racial. Para tanto, analiso de que maneira estão representadas as implicações destes fluxos na reformulação de símbolos, tradições e práticas culturais relacionadas ao mundo negro-africano. Métodos. Com efeito, em 2015, acompanhei a 24ª edição do FESPACO. E estudei os 12 filmes premiados ao longo desses 47 anos de evento, que abordam histórias sobre o intenso trânsito humano que acontece especificamente dentro da África, e entre este continente e a Europa. A partir de uma leitura sociológica, no âmbito das representações sociais, procurei observar obras e contexto de realização enquanto um tipo específico de conhecimento. Objetos fílmicos e textuais premiados em relação, inclusive, ao contexto de realização do festival. Tendo em vista as ideologias políticas referentes a manutenção deste ritual de premiação. Resultados. Partindo de tais procedimentos, observei como são autorrepresentadas determinadas identidades negro-culturais. Há, no conjunto desses filmes, uma reformulação imagética no sentido de romper com as continuidades coloniais. Conclusões. Desta forma, como resultado proponho apresentar a análise sobre um conjunto de imagens e suas respectivas conjunturas, que podem nos ajudar a perceber determinadas características relacionadas a estes fluxos migratórios. Bem como também, de que maneira essas imagens narram o quanto essas migrações forçadas acentuam a razão pela qual o racismo é uma prática concreta e disseminada de tratamento direcionado às diásporas africanas. • Secção Temática: Etnicidade(s) e Identidade(s)

OLIVEIRA, Nuno

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  • COM0145: A implementação da formação em Português para Falantes de Outras Línguas em Portugal: o caso dos imigrantes adultos com pouca ou nenhuma escolaridade.
  • SECÇÃO: Migrações, Etnicidade e Racismo
  • MESA: Integração 2
  • RESUMO:
    A oferta do Português para Falantes de Outras Línguas destinada a imigrantes adultos tem registado uma expansão contínua em Portugal nos últimos quinze anos. Falamos de programas que têm como objectivo promover a integração escolar e profissional, o acesso à nacionalidade e o desenvolvimento cognitivo. A presente comunicação discute como estas políticas oficiais do ensino da língua portuguesa têm tido como principal público-alvo uma população que não é representativa das necessidades globais dos adultos imigrantes. Referimo-nos em particular aos adultos imigrantes de baixa escolaridade, cujas necessidades escolares têm sido negligenciadas. Considerando que 9% do total de formandos são, efectivamente, imigrantes adultos com pouca ou nenhuma escolaridade, as necessidades específicas deste grupo não têm sido suficientemente acauteladas pelas políticas existentes, nem a sua acomodação institucional tem sido a mais adequada. O artigo começa por contextualizar a literacia dos adultos imigrantes nos debates internacionais e nacionais. De seguida, analisa os principais programas oficiais de ensino do Português para Falantes de Outras Línguas para adultos imigrantes. Os dados referentes a estes programas são complementados pela pesquisa de terreno, compreendendo entrevistas realizadas junto de professores e funcionários estatais cujo foco permite elucidar as principais barreiras e estratégias com impacto neste grupo de formandos. Finalmente, argumenta que os programas devem considerar soluções mais adequadas dadas as efectivas necessidades de cada público, sobretudo tendo em conta os resultados contraproducentes de turmas demasiado heterogéneas em termos de literacia e a arbitrariedade dos processos informais em curso.

PALMA SALEIRO, Sandra

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  • COM0265: “Travesti”: Insulto ou identidade?
  • SECÇÃO: Sexualidade e Género
  • MESA: Género, sexualidade e representações
  • RESUMO:
    Na sociedade portuguesa a vivência de género fora da prescrita no tradicional sistema binário dos dois sexos/géneros é ainda um fenómeno social invisível e desconhecido. Ao nível das ciências sociais, e especificamente na sociologia portuguesa, só muito recentemente começou a ser objeto de interesse. Uma das pesquisas pioneiras na exploração deste objeto foi o projeto “Transexualidade e Transgénero: Identidades e Expressões de género”, desenvolvido no CIES-IUL, com financiamento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. O estudo, que implicou entrevistas em profundidade, inquéritos por questionário e incursões etnográficas em espaços frequentados por pessoas de expressão trans, permitiu mapear uma diversidade de identificações de (trans)género, entre as quais a de “travesti”. Na língua e cultura portuguesas, o termo “travesti” é um dos mais tradicionalmente utilizados para sinalizar o fenómeno de expressão de uma identidade de género fora dos moldes socialmente expectáveis face às características biológicas (“sexo”) de determinado indivíduo. Foi, no entanto, diminuto o número de pessoas que reivindicou essa como sua identidade de género no presente, sendo frequente as que a rejeitaram ou dela se demarcaram. A utilização leiga da palavra para designar uma amálgama indiferenciada de pessoas “estranhas” em termos de género (e até de orientação sexual), funcionando muitas vezes como um insulto, bem como as próprias características do modo de transgénero coberto por este termo nos espaços trans, são fatores que contribuem para essa rejeição. Trata-se de um modo híbrido de vivência de género, uma expressão da feminilidade que não oculta partir de um corpo de macho, como se houvesse uma “feminilidade específica dos machos” ou “um feminino diferente, uma outra possibilidade de feminino” (Silva, 1993), que “contempla em si também o masculino” (Benedetti, 1997), situando-se à margem do sistema dicotómico de género e do aceitável para o transgénero. Assim, as “histórias travesti” parecem ter-se tornado “histórias indesejáveis” (Ekins e King, 2010), a partir do momento em que o discurso sobre a transexualidade se tornou dominante e legitimador das identidades trans “aceitáveis”. E, nesse sentido, ou são silenciadas ou são denegridas, servindo apenas para uma comparação com aquilo que se não é ou se não deve ser, funcionando estrategicamente como alteridade da transexualidade. E é bastante clara, na realidade portuguesa, a demarcação das próprias pessoas transexuais, dos/as clínicos/as e até de parte do movimento associativo, a este “mal-afamado”, e/ou contraproducente politicamente, modo de transgénero. Nesta comunicação pretende-se, pois, refletir sobre o “travesti”, na sua dupla vertente de insulto e de identidade.

PALOS, Ana Cristina

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  • COM0419: Juventude e mundo do trabalho: configurações da precariedade
  • SECÇÃO: Trabalho, Organizações e Profissões
  • MESA: Relações de trabalho, empresas e globalização - III
  • RESUMO:
    Nas sociedades atuais a flexibilização do emprego e a liberalização das relações contratuais têm sido perspetivadas como condições indispensáveis para o crescimento económico. Neste contexto, temos assistido à generalização da precarização do trabalho e à individualização das relações laborais, o que tem inevitavelmente acantonado os jovens em empregos precários, salários baixos e escassas oportunidades de construção de percursos profissionais estáveis. Têm sido amplamente debatidas as múltiplas repercussões da precariedade no processo de autonomização, situação problemática no sul da Europa, em geral (Serracant, 2015; Minguez, 2012) e em Portugal, em particular (Guerreiro, Cantante & Barroso, 2009; Alves, Cantante, Baptista & Carmo, 2011; Soeiro, 2012). A desocultação empírica da incidência e dos contornos desta precariedade laboral juvenil, no contexto do arquipélago dos Açores, foi um dos objetivos que orientou o projeto “juventude açoriana e mundo do trabalho” desenvolvido, no âmbito do Observatório da Juventude dos Açores, junto de jovens (15 a 34 anos) com experiências laborais (467 jovens). O tipo de contrato de trabalho e a duração do emprego são alguns dos indicadores disponíveis para definir a precariedade, mas, como referem Eckert & Mora (2008) e Diogo (2012), estes são insuficientes para a avaliar, pelo que temos de considerar outros aspetos da relação de emprego, designadamente a descontinuidade do emprego, o rendimento auferido e o acesso a proteção social. A descontinuidade do emprego, em particular, obstaculiza a construção de um projeto profissional, bem como a promoção e qualificação profissional, fragilizando a vinculação aos contextos laborais. A análise do comportamento destes indicadores na amostra em estudo permite perceber que a precariedade é uma passagem obrigatória nos processos de inserção profissional dos jovens, não só porque muitos experienciam dificuldades de estabilização contratual e auferem fracos rendimentos, mas também porque, na sua quase totalidade, têm vivenciado, e muitos de forma reincidente, períodos de desemprego mais ou menos longos. A análise multivariada (Análise das Correspondências Múltiplas) permite configurar 3 grupos de dimensões muito distintas, estruturados segundo variáveis relacionadas com o desemprego, a situação contratual e a experiência de trabalho. A sua composição permite perceber que a tendencial precarização das relações laborais produz impactos diferenciados junto dos jovens em função das suas caraterísticas sociais e culturais, nomeadamente, a sua condição etária, de género e a duração dos seus percursos escolares e formativos.

PATRÍCIO, Maria Teresa

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  • COM0193: Indicadores de desempenho para os Institutos Superiores Politécnicos: construção de uma proposta
  • SECÇÃO: Conhecimento, Ciência e Tecnologia
  • MESA: Ensino superior e redes
  • RESUMO:
    O objetivo desta comunicação é o de apresentar os resultados de um projeto financiado pela FCT, que visa desenvolver um modelo de avaliação de desempenho dos institutos superiores politécnicos em Portugal, centrado na construção de indicadores de investigação aplicada e de criação cultural, domínios de intervenção mais consonantes com a missão e o impacto regional decorrente da ação daqueles institutos. O projeto tomou como princípios orientadores a importância da pesquisa aplicada como vertente relevante de investigação científica, orientada para a produção, transferência e disseminação de conhecimento com interesse e impacto regional. Considerou ainda a complementaridade entre a aferição de indicadores de índole quantitativa e qualitativa, de forma a traduzir a abrangência das atividades desenvolvidas pelo ensino superior politécnico e a ultrapassar uma abordagem relativamente clássica aos mesmos. A estratégia metodológica da pesquisa centrou-se na análise de três estudos de caso, coincidentes com três institutos superiores politécnicos, de características e dimensões distintas (Institutos Politécnicos de Bragança, de Leiria e de Portalegre), a partir dos quais foram selecionados doze projetos de investigação aplicada, todos eles com impacto regional e cobrindo diferentes domínios científicos. Como mecanismo de recolha de informação foram realizadas entrevistas aos coordenadores dos projetos e aos utilizadores dos resultados/produtos. Complementarmente, analisou-se informação estatística produzida pela Direção Geral de Estatística, Educação e Ciência. Os resultados apurados são apresentados de um acordo com um modelo organizado em três dimensões de análise: inputs, outputs e impactos da investigação aplicada. Este modelo é precedido de um enquadramento teórico a partir da literatura sobre o tema, designadamente a que se reporta ao desempenho das instituições de ensino superior vocacionadas para a pesquisa aplicada, procurando aferir a sua relevância nos domínios social, económico, cultural, entre outras áreas, nas regiões onde operam. A comunicação termina com a identificação de algumas interrogações e pistas de reflexão, a desenvolver em futuras pesquisas, como por exemplo, quais as limitações decorrentes da utilização de indicadores clássicos no contexto dos institutos superiores politécnicos e como adaptá-los à sua realidade? Como medir os impactos de natureza social, cultural, económica, política e simbólica, decorrentes da investigação aplicada?

PAULA, João M. Pulquério de

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  • COM0298: O boato e o rumor em pequenos grupos: exclui ou integra?
  • SECÇÃO: Trabalho, Organizações e Profissões
  • MESA: Género, Profissões e regulação institucional das relações de trabalho II
  • RESUMO:
    É indubitável que nas organizações os pequenos grupos de trabalho têm vindo a assumir um maior protagonismo e importância, pelo que é essencial compreender as suas dinâmicas. Esta investigação tem o seu enfoque nos processos comunicativos intragrupo. O “território” que nos ocupa é, pois, uma destas configurações discursivas, uma que urge compreender de tão desconhecida e inexplorada que é, mas que, não obstante, vive sub-repticiamente por entre o Social, sendo uma figura omnipresente e invisível que transforma e influencia, sobremaneira, as interações sociais. Desta feita, o objeto que se olha é o boato e o rumor e, como este pode funcionar “em ambientes de trabalho marcados por lógicas de exclusão, segregação e relegação, mas também de integração…” (Urze, Serrano, Almeida, 2016). Assim sendo, intenta-se apresentar e discutir as conclusões de uma dissertação de mestrado em Sociologia apresentada à Universidade de Évora, na qual se investigou o boato em três settings profissionais. O foco recai sobre as pequenas equipas, repartidas por três grupos (professores universitários, técnicos superiores e enfermeiros), recorrendo à entrevista semi-diretiva. Numa análise que procura o contraste entre grupos, analisou-se o objeto em quatro dimensões, essenciais para a sua compreensão aturada. Assim, procura-se caracterizar o boato, entender as suas origens, que funções desempenha, e, por fim, a jusante, capturar as suas consequências. Enfatiza-se a capacidade de metamorfose dos grupos e equipas em função do boato. Tal constatação afigura-se como essencial à compreensão das dinâmicas intragrupo na esfera profissional. Retira-se, como principal conclusão, que o boato é dicotómico, apresentando duas vertentes que se entrecruzam. Uma primeira, que se pode caracterizar como uma dimensão positiva do boato, que pode estreitar relações interpessoais e com isso facilitar processos de integração no grupo. Porém, releva-se a sua vertente negativa, ligada à exclusão e segregação de atores destes “territórios”, enquadrável, nas suas formas mais extremadas, com o bullying. Tal origina lógicas de caráter exclusivo, às quais se contrapõem alguns fatores de mitigação que emergiram desta investigação (e.g status, interação vis-à-vis). Por outro lado, também se capturaram fatores de potenciação (e.g dissonância cognitiva, conformismo, crowd behavior) que importa conhecer, para que, conjugando todas as variáveis que aqui se confrontam, poder gerir um fenómeno, que é, em ultima análise, indissociável de condicionantes de índole cultural.

PEDRO VICENTE, Inês

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  • COM0463: Entre viver e estar vivo: dilemas dos profissionais de saúde em contextos hospitalares de fim de vida
  • SECÇÃO: Sociologia da Saúde
  • MESA: Experiências de doença e práticas profissionais
  • RESUMO:
    Os cuidados de saúde orientados para o tratamento de doentes terminais assumem múltiplas configurações sociais e territoriais. Em Portugal, estes cuidados, genericamente designados por cuidados paliativos, começaram a ser implementados no Sistema Nacional de Saúde e a ganhar visibilidade social e política nos anos ’90 do século XX, numa fase tardia de um processo de disseminação gradual e diferenciado em toda a Europa. Com a necessidade crescente de tratamento de doentes terminais nas diferentes tipologias de cuidados oferecidas pelo Sistema Nacional de Saúde, torna-se emergente compreender as dinâmicas profissionais específicas associadas à pratica quotidiana de cuidados paliativos, que espoletam múltiplas formas de reivindicação pública por um aumento difuso e integrado das diferentes tipologias de cuidados paliativos em território nacional. No sentido de explicitar as questões apresentadas procuraremos analisar, do ponto de vista sociológico, as narrativas mobilizadas pelos diferentes atores envolvidos na reivindicação pública pela implementação e reconhecimento dos cuidados paliativos em Portugal. Para tal procurar-se-á apresentar os resultados do projeto de investigação “Construindo caminhos para a morte: uma análise de quotidianos de trabalho em cuidados paliativos”, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, assim como os resultados do projeto de doutoramento decorrente, com enfoque nas diferentes formas de organização do trabalho hospitalar em torno dos doentes na fase terminal da vida, através de uma abordagem de caráter qualitativo, com recurso ao método etnográfico e à realização de entrevistas a profissionais de saúde. Partindo de uma análise inspirada na sociologia pragmática, é nosso propósito explorar as narrativas mobilizadas pelos profissionais de saúde nas suas dinâmicas de trabalho, por um lado, através da forma como estes profissionais lidam, nos seus quotidianos, com a complexidade de situações sociais, nomeadamente aquelas que são causadas pela confrontação, ao nível da interação, entre diferentes carreiras experienciais e pessoais relacionadas aos cuidados de final de vida. E, por outro lado, através da forma como os profissionais tentam construir arranjos que possam reduzir este tipo de complexidade com o objetivo de promover o conforto dos pacientes e diminuir o seu sofrimento nas suas trajetórias de final de vida.

PEREIRA, Ana Paula Cunha

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  • COM0401: AS POLÍTICAS EDUCACIONAIS NO BRASIL: POSSÍVEIS RECONFIGURAÇÕES PARA O TRATO DO LAZER NA ESCOLA PÚBLICA
  • SECÇÃO: Sociologia da Educação
  • MESA: Posters
  • RESUMO:
    Este texto é parte da pesquisa intitulada “Educar para o lazer nas aulas de Educação Física do Colégio Estadual Rio Grande do Norte” financiada pela Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), iniciada em julho de 2015 e aprovada pelo Comitê de Ética e Pesquisa sob o n. 42228415.00000.5237. Trata-se de uma investigação abrangendo duas dimensões. A primeira, relacionada com a participação dos alunos do Ensino Médio junto ao Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC) e, as dificuldades descritas por eles em vivenciarem a dimensão do lazer em seus cotidianos. A segunda, baseia-se na possibilidade de desenvolver, junto a equipe diretiva da escola e a Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro um redimensionamento do tema do lazer no Currículo Mínimo exigido nas escolas estaduais situadas no Rio de Janeiro. Isto porque, apesar da Constituição Brasileira de 1988 ter incluído o Lazer como um dos Direitos Sociais dos Trabalhadores no Título II, Capítulo II, Artigo 6°, observa-se uma perceptível carência na implementação de políticas públicas voltadas para o lazer no âmbito da Educação Formal. No entanto, vale destacar que isto não se configura como um problema exclusivo do Brasil. Sivan, pesquisadora da Universidade de Hong Kong do Departamento de Estudos em Educação, vem dedicando-se as pesquisas a respeito do trato do lazer-educação nos currículos escolares. De acordo com Sivan (2006, tradução nossa), apesar do lazer ser reconhecido como parte do campo de conhecimento da Educação, ele não tem sido amplamente discutido e implementado. Harris, pesquisador da área de Ciências Sociais no Reino Unido, atribui esta lacuna do lazer na educação como um efeito da institucionalização, da profissionalização e da burocratização na educação. O pesquisador acrescenta que o sistema educacional institucionalizado atualmente apresenta características que limita a possibilidade do aluno experimentar o lazer (HARRIS, 2008). Diante desses pressupostos o objetivo dessa pesquisa foi promover a capacitação dos professores de Educação Física por meio de um redimensionamento do trato com o tema do lazer nas aulas de Educação Física, desenvolvendo discussões de âmbito teórico-prático, visando uma ressignificação do lazer no espaço escolar. Para isso, lançamos mão do método de pesquisa-ação por associar-se justamente a ação para a resolução de um problema coletivo, “no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo” (THIOLLENT, 2008, p. 16). Referências: HARRIS, D. Key Concepts in Leisure Studies. London: SAGE, 2008. SIVAN, A. Leisure and Education. In: ROJEK, C.; SHAW, S.; VEAL, A. J (Org.), A Handbook of Leisure Studies. United State, United Kingdom: Palgrave Macmillan, p. 433-447, 2006. THIOLLENT, M. Metodologia da pesquisa-ação. 16. Ed. São Paulo: Cortez, 2008.

PESCADA, Susana Soares

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  • COM0186: Cuidados Continuados Integrados na Região do Alentejo: um diagnóstico orientado
  • SECÇÃO: Sociologia da Saúde
  • MESA: Políticas e tendências emergentes no campo da saúde
  • RESUMO:
    A presente comunicação resulta de uma pesquisa em curso, no âmbito do programa de Doutoramento em Sociologia da Escola de Ciências Sociais da Universidade de Évora, cujo objetivo central passa pela elaboração de cenários prováveis de evolução dos Cuidados Continuados Integrados (CCI) na Região do Alentejo, para o horizonte temporal de 2020. Face às alterações demográficas (envelhecimento progressivo), do padrão de morbilidade (aumento de doenças crónicas e incapacitantes) e da estrutura familiar e social (novas formas de organização familiar, frágeis redes de vizinhança), a problemática dos CCI tem vindo, nos últimos anos, a ocupar um lugar privilegiado no domínio das políticas públicas e no conhecimento científico, ao demonstrar a sua particular importância quanto à sua sustentabilidade, equidade territorial, avaliação e qualidade, monitorização e modos de governação. As estratégias e as recomendações vindas de documentos oficiais e de pesquisas de âmbito nacional e internacional evidenciam que os desafios são bastante significativos, cuja solução passa por arranjos e ações futuras comuns, razão pela qual se justifica relançar um olhar sociológico e prospetivo sobre o sistema de CCI. Inspirado na metodologia prospetiva de Michel Godet (designado por “Método dos Cenários”) (Godet, 1993), a presente pesquisa utiliza um software específico que visa integrar a análise estrutural, a estratégia de atores e a elaboração de cenários. A reflexão que aqui se propõe resulta de um diagnóstico orientado para uma caracterização do sistema de CCI, delimitado à região do Alentejo, prévio à discussão do conjunto de variáveis que o caracterizam (análise estrutural), assim como à sua envolvente estratégica (análise estratégica) e possíveis comportamentos das variáveis-chave (jogo de hipóteses probabilizados sobre questões-chave para o futuro). Ao partir da composição espacial específica do sistema de CCI da Região Alentejo, procura-se, nesta fase, detetar as grandes dinâmicas em torno das quais se articulam os debates e as discussões atuais sobre os CCI, estruturadas em quatro problemáticas fundamentais – dinâmicas demográficas, dinâmicas socioculturais, dinâmicas político-legais e económicas. Evidenciam-se, assim, as várias mudanças que operam nesse domínio, as novas tendências emergentes com as suas potencialidades, fragilidades, estrangulamentos ou patologias. Partindo de dados obtidos com entrevistas e com a consulta e sistematização de documentos diversos, desde estudos já realizados sobre os CCI, reuniões com especialistas e profissionais, descrevem-se, previamente à análise estrutural, os mecanismos e atores determinantes na formação e transformação dos CCI e as dinâmicas que enformam esse domínio e os agentes que aí interagem.

PIMENTEL, Teresa

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  • COM0262: Constrangimentos demográficos ao planeamento estratégico da educação a nível municipal: análise comparativa
  • SECÇÃO: Sociologia da Educação
  • MESA: Territórios educativos e (re)produção de desigualdades, exclusões e inclusões (Sessão IV)
  • RESUMO:
    Em Portugal, as políticas educativas têm assumido um caráter preponderante, principalmente a partir da viragem dos anos oitenta, altura em que se assiste a uma reformulação no modo de regulação do sistema de ensino, ou seja, «no conjunto de processos de orientação da conduta dos atores e definição das regras do sistema educativo» (Maroy 2006 cit em Batista 2012, 15-16). A partir da necessidade de reforma, o tema da «descentralização» começa a pautar a política educativa portuguesa (Justino e Batista 2013). Entendemos descentralização enquanto um processo aliado ao conceito de subsidiariedade, ou seja à transferência de funções e tarefas para o nível mais baixo da ordem social capaz de as cumprir, pressupondo uma redistribuição de autoridade, poder, recursos e responsabilidades (McGinn & Welsh, 1999 cit em Batista 2012). Progressivamente, os responsáveis municipais deparam-se com novas responsabilidades delegadas pelo governo central (Decreto-Lei nº 115-A/98 e n.º 7/2003, alterado na Lei n.º 41/2003 e na Lei n.º 6/2012; Decreto-Lei nº 75/2013) e com o estreitamento das relações com as escolas e agrupamentos de escolas. Cada vez mais os responsáveis locais são chamados a planear a educação no seu município de forma estratégica, isto é, elaborando um plano de ação que inclua não só um diagnóstico da realidade educativa local (tal como se verificava nas primeiras Cartas Educativas, cujo principal conteúdo era o diagnóstico da rede e parque escolar) mas também que estabeleça metas e prioridades de ação, bem como as estratégias e políticas a implementar de forma a alcançar as metas estabelecidas (Chang, 2008). Este planeamento estratégico implica lidar com constrangimentos a que o planeamento a nível nacional é pelo menos parcialmente alheio, como é exemplo a competitividade territorial/escolar entre municípios adjacentes, particularmente quando se tratam de municípios de pequena dimensão populacional. Assim, coloca-se a seguinte questão: que constrangimentos ligados à dimensão populacional são particularmente relevantes no planeamento estratégico da educação a nível municipal, comparativamente ao nível nacional? Nesta comunicação procuraremos identificar alguns aspetos que permitem começar a responder a esta questão através da análise comparativa entre o diagnóstico e projeção da população nacional e da população de dois municípios com características diferenciadas no que diz respeito à sua dimensão populacional e localização no território nacional.
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  • COM0248: Desafios locais da descentralização educativa: a influência mútua da demografia escolar na definição da oferta educativa de via profissional
  • SECÇÃO: Sociologia da Educação
  • MESA: A governação política dos territórios educativos (Sessão IV)
  • RESUMO:
    Num momento em que o processo de descentralização educativa em Portugal significa o assumir de novas responsabilidades pelas autoridades locais (Cerca 2007), mais recentemente pela Lei nº 75/2013, é preciso dar resposta a um conjunto de desafios, cada vez mais exigentes e complexos, que são colocados não só a estas entidades mas também aos agrupamentos e escolas não agrupadas. Para responder a estes desafios é preciso planear estrategicamente (Chang 2008) a educação da população a escolarizar do município, o que passa pela caracterização e projeção da população em idade escolar e pela identificação das ofertas educativas que melhor se adequam não só à motivação dos alunos mas também às condições de empregabilidade que o próprio município pode oferecer, dado o seu tecido socioeconómico. Estes dois aspetos influenciam-se mutuamente e é esta influência que pretendemos retratar. A população escolar, tal como qualquer outra população, vive e reproduz-se através de dinâmicas próprias, as dinâmicas da atividade escolar, que consistem na sucessão permanente e cíclica de entradas e saídas individuais no sistema de ensino (Bandeira 2007). Mas enquanto uma população-mãe (exemplo: população portuguesa) assegura a sua renovação pela substituição de gerações, a população escolar depende de fatores exógenos para se reproduzir (Bandeira 2007, 517). Um desses fatores é a definição de políticas públicas que condicionam o acesso ao ensino e o percurso escolar, como é o caso da definição da oferta educativa ao nível do ensino profissional, que tem sido objeto de um forte investimento e de uma procura crescente por parte dos alunos/famílias que optam por esta via de ensino, vocacionada para a qualificação de jovens e sua preparação para o mercado de trabalho (Peliz 2014). Com efeito, a via profissional tem vindo a ser apropriada pelas escolas secundárias da rede pública, mas é cada vez mais condicionada pela diminuição da população em idade escolar que, a par com a crise económico-financeira (cujas consequências no (des)emprego parecem cristalizar-se) e com a incerteza que prevalecem na escolha das trajetórias escolares (Sebastião 2009), contribui para a desmotivação dos jovens para a obtenção de uma maior qualificação, o que se traduz na manutenção de baixos níveis de qualificação em alguns concelhos e territórios do país e na manutenção do desajustamento da oferta educativa aos eixos de desenvolvimento socioeconómico de cada município (Peliz 2014). Na comunicação que nos propomos apresentar, procuramos responder a alguns destes desafios em dois municípios, com características diferenciadas no que diz respeito à sua dimensão populacional, contexto socioeconómico e oferta educativa. Com esse objetivo, apresentaremos a caraterização e projeção da população em idade escolar e a forma como esta pode influir na oferta educativa profissional atual e na definição da oferta educativa profissional num futuro próximo.

PIMPÃO LUCAS, Catarina

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  • COM0568: Ligação afetiva em espaço urbano: Estudo do Centro Histórico de Santarém
  • SECÇÃO: Sociologia das Emoções
  • MESA: Territórios emocionais
  • RESUMO:
    O tema desta comunicação surgiu no âmbito do trabalho desenvolvido no Doutoramento em Estudos Urbanos ao constatar que a investigação sobre a cidade permite, mais que qualquer outra, uma amplitude de temáticas e que o estudo sobre a ligação entre o habitante, o espaço e os elementos afetivos que condicionam a vivência e utilização do espaço é de importância reconhecida e cada vez mais necessário tendo em conta o atual contexto social e a crescente urbanização É objectivo desta comunicação abordar a questão da ligação afetiva no espaço urbano e mapear os afetos tendo como referência os sentimentos e emoções expressados pelos moradores, visitantes e demais frequentadores do centro histórico da cidade de Santarém, num exercício que permita, por um lado iniciar a construção do estudo de caso e por outro articular a vertente teórica para a análise e conhecimento do conjunto de relações que indivíduos estabelecem entre si e entre o que os rodeia num espaço urbano específico Desenvolver uma análise sociológica da interação entre o individuo e a cidade a partir da sua natureza, evolução e criação de uma imagem afetiva. Mapear os sentimentos, afetos e sensações acerca dos espaços e locais, permitindo ao sujeito compreender o que é, o que o representa para ele determinado local. Definir o simbolismo do espaço através da identidade do lugar, perceção, apropriação do espaço e apego, identidade social urbana, memorias associadas ao lugar, mapas cognitivos e cognição do espaço. Categorizar a afetividade como cientifica, refletindo sobre as condições de vida da(s) comunidade(s) em estudo, estudando sociologicamente a interação entre o(s) individuo(s) e o seu meio físico urbano/cidade, considerando os recursos existentes e os comportamentos. Assim pretende-se apresentar com o trabalho desenvolvido para esta comunicação caracterizar e mapear a afetividade, atribuir qualidades afetivas (agradável, desagradável, bonito, feio, entre outros) ao espaço urbano em estudo, identificar o significado simbólico do espaço urbano/cidade e descrever o envolvimento afetivo do habitante com o espaço urbano/cidade a forma como este identifica o espaço urbano/cidade.

PINHEIRO, Sara

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  • COM0256: Quotidianos de jovens de etnias não-dominantes em torno da Cidadania Europeia
  • SECÇÃO: Migrações, Etnicidade e Racismo
  • MESA: Integração 2
  • RESUMO:
    Considerando a etnia como construção social (Behtoui, 2006) e como forma de identidade (Seabra, 1999), embora a etnia como coesão de grupo, se distancie da noção de "raça" ou "povo" (Mendes, 2010), esta comunicação reflete sobre o modo como a CE dos/as jovens é construída e se deixa construir. Questionamos se e como estudantes de diferentes etnias que frequentam a Escola em Branco (1), se sentem acolhidos e vivenciam a CE e se serão “sancionados por fazerem parte de famílias com origem em países diferentes do país em que se encontram” (Seabra, 2012:186), ou seja, pelas suas origens diferenciadoras. A etnia parece representar uma “nova” forma de desigualdade a par das classes sociais e das questões de género (Casa-Nova, 2001), e da presença de culturas distintas, como uma das características das sociedades contemporâneas em que as diferenças étnicas estão mais evidenciadas (Perotti, 1997). A relação entre as sociedades atuais e os sujeitos reflete as dinâmicas de globalização, em que se integra a cidadania europeia (CE). Enfatiza-se o foco nos direitos humanos, compreendidos na ampliação transnacional (Santos, 2014) fomentando a participação cívica e da CE, desafiando a diversidade (Macedo, 2011). Emerge uma discussão sociológica abrangente sobre a CE que a insere no debate global sobre educação e sociedade (Arnot, 2009). De forma complementar são colocadas perante uma nova ´luz´ questões como igualdade, justiça social e inclusão, constituindo-se relevantes na educação (Arnot, 2009; Araújo, 2007) e na compreensão da CE. Este projeto assenta num estudo de caso que decorre numa escola profissional de economia social, com jovens entre os 15 e os 25 anos de diferentes cursos, muitos deles/as com processos de insucesso e alguns de abandono escolar. Para esta comunicação trazemos as categorias emergentes dos dados da observação de tipo etnográfico, em espaços da escola, desde as aulas, a áreas de trabalho e de lazer entre jovens, desafiando o debate e a partilha de conhecimento, numa lógica interpretativa. Exploram-se possibilidades de construção de relações significativas entre dados, que podem levar à compreensão de conexões entre os sentidos produzidos pelos/as participantes e o que é analisado (Thomas, 2003). Tratando-se de um projeto ainda em desenvolvimento esperamos conseguir compreender se jovens de diferentes etnias e origens não dominantes vivenciam, experienciam e se identificam com a pertença e inclusão na CE, concebendo a relação intercultural como pilar da dimensão étnica. (1) Usamos o pseudónimo Escola em Branco para respeitar os princípios de confidencialidade essenciais na investigação. Esta denominação tem por base a inquietação com as etnias não-dominantes. Podendo as pessoas jovens ser de pele branca ou não branca isto pode estar associado ou não a diferentes grupos étnicos, em termos culturais, questão que terei que clarificar ao longo da pesquisa.

PINHO, Filipa

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  • COM0575: Migrações e crise: o colapso da emigração portuguesa para Espanha em 2008
  • SECÇÃO: Migrações, Etnicidade e Racismo
  • MESA: Emigração
  • RESUMO:
    Objetivos No projeto que serve de base à presente comunicação, e que se está a iniciar este ano, pretende-se analisar e explicar o crescimento e a crise da emigração portuguesa para Espanha na primeira década do século XXI. De destino principal da emigração portuguesa no início da primeira década dos anos 2000, Espanha passou ao 5º lugar do ranking dos países de destino da emigração portuguesa em 2013, e tem perdido capacidade de atração em resultado da estagnação do setor da construção, que tinha previamente absorvido a maioria dos imigrantes da época anterior. Porém, Espanha permanece como um dos seis países com mais portugueses imigrados residentes e é escasso o conhecimento acerca desta emigração. A hipótese subjacente ao projeto é a de que, nas migrações entre os dois países, há fluxos que permanecem. O enquadramento teórico remete para a discussão da relação entre migrações e depressões nos ciclos económicos, com origem na economia neoclássica, que atribui às migrações (aqui, internacionais) um papel regulador dos diferenciais salariais e/ou do ciclo económico entre países. Com taxas de desemprego elevadas, um país terá maior pressão emigratória e o saldo migratório será favorável à emigração. Mas esta correspondência dependerá do tipo de crise e dos setores em que se fará mais sentir, da sua extensão, dos países de origem e destino, e dos migrantes envolvidos. Métodos Na comunicação serão apresentados alguns dados resultantes da componente extensiva, portanto da análise de fontes documentais e estatísticas sobre a emigração portuguesa para Espanha e, se possível, outras que permitam uma caracterização comparada e longitudinal dos perfis dos migrantes. Será muito importante analisar a composição da população portuguesa emigrada em Espanha, em linha com os dados sobre o volume de entradas e com alguma problematização sobre as várias fontes disponíveis para a recolha desta informação. Resultados/Conclusões Já neste século, houve ma descida fortíssima entre 2007 e 2008 no universo dos trabalhadores portugueses inscritos na segurança social espanhola: de 72.107, passaram a 53.004. Para o setor dos serviços, a descida corresponde a pouco mais de 1.000 trabalhadores (de 58.720 a 57.444). Ou seja, existem indicadores fortes de que na emigração portuguesa para Espanha estejam representados fluxos migratórios com comportamento diferenciado, assim como deve identificar-se a especificidade dos perfis de imigrantes, os quais carecem de estudo. Conclusões A este nível, é preferível pensar em pistas de análise. Mas serão apresentados alguns dados do enquadramento da emigração portuguesa para Espanha no conjunto da emigração portuguesa no século XXI e identificadas algumas pistas de caracterização do tipo de emigração antes, durante e depois da crise.

PINTO, Hugo

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  • COM0106: Resiliência da Inovação e Desenvolvimento Regional: Uma Análise de Redes de Colaboração no Algarve
  • SECÇÃO: Conhecimento, Ciência e Tecnologia
  • MESA: Territórios e inovação
  • RESUMO:
    A grande volatilidade e turbulência económica, os crescentes riscos tecnológicos, sociais e ambientais, e os sucessivos choques nos sistemas socioeconómicos têm conferido um interesse crescente à noção de resiliência nas Ciências Sociais. Os estudos sobre a resiliência têm vindo a integrar um carácter evolucionista para entender como a resiliência opera a diferentes níveis e como estes níveis interagem uns com os outros. A noção de resiliência ao nível do sistema de inovação refere-se à capacidade de um sistema específico lidar com um choque externo ou interno e continuar ou melhorar a sua função. As dinâmicas inovadoras de uma região dependem largamente dos actores existentes e da sua conectividade, pelo que a resiliência de um determinado sistema de inovação pode ser analisada através do estudo das redes de inovação. Partindo do estudo de caso do Algarve, esta análise utiliza métodos de análise estrutural de redes sociais para mapear os actores e as centralidades na cooperação e inovação no desenvolvimento regional. A análise utiliza dados recolhidos através de web content mining, partindo da listagem de organizações que beneficiaram de apoios públicos à inovação através do programa operacional regional entre 2007 e 2013. O mapeamento da rede de inovação no Algarve é comparado com modelos teóricos de redes resilientes quanto a indicadores estatísticos de hierarquia e homofilia. A comunicação conclui com implicações para políticas públicas.

PIRES ROSA, Manuela

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  • COM0289: Padrões de mobilidade e perceções ambientais da mulher em Faro
  • SECÇÃO: Ambiente e Sociedade
  • MESA: Ambiente e desenvolvimento
  • RESUMO:
    A análise dos padrões de mobilidade da mulher é desenvolvida considerando a cidade de Faro e é suportada por inquéritos à mobilidade desenvolvidos no projeto de investigação INLUT - Integração dos usos do solo e transportes em cidades de média dimensão, pelas Universidades de Trás-os-Montes e Alto Douro, de Lisboa e do Algarve. O projeto foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia e teve como objetivo específico analisar os padrões de deslocação dos habitantes de cidades de média dimensão. No município de Faro, nas atividades económicas, as mulheres constituem 51 % dos ativos. Os inquéritos à mobilidade foram realizados, em 2013, aos residentes no eixo urbano Faro/Montenegro-Gambelas. Os 1277 inquiridos realizaram 2363 viagens/dia, sendo 44,8 % efetuadas em automóvel (como condutor), 40,5 % a pé, 4,3 % em transporte público e 2% em bicicleta. Em relação às mulheres 42,3 % das viagens foram efetuadas em automóvel (como condutoras), 41,7 % a pé, 5 % em transporte público e 0,5 % em bicicleta. Elas usam menos a bicicleta e os motociclos do que os homens. Na avaliação de perfis (atitudes) chegou-se à conclusão que existe uma maior consciência ambiental por parte das mulheres em relação aos homens. Não obstante ocorrer uma grande percentagem no uso do automóvel como condutoras, elas partilham automóvel, marcham a pé e viajam em transportes públicos em percentagens maiores do que as dos homens. Conclui-se que as mulheres tem uma mobilidade mais sustentável.

PISCO COSTA, Rosalina

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  • COM0433: Sapos, Cobras e Alecrim: conhecimentos sobre a biodiversidade da Cidade de Évora
  • SECÇÃO: Ambiente e Sociedade
  • MESA: Riscos e recursos naturais
  • RESUMO:
    O crescente desenvolvimento e urbanização do território promove a interacção entre o ser humano e as espécies silvestres em meios urbanos. Tornar esta relação positiva é determinante para a conservação da biodiversidade urbana e requer sensibilidade por parte dos habitantes dos centros urbanos. Um dos objectivos do Museu Virtual da Biodiversidade (MVBIO) é sensibilizar a comunidade para a conservação da natureza através da promoção do conhecimento sobre a biodiversidade em Portugal, tendo em conta não só o comportamento e adaptação dos animais e plantas aos diversos tipos de ambiente, incluindo o urbano, mas também a forma como os indivíduos interpretam a sua presença e impacto em meios citadinos. Este poster parte de duas investigações complementares para apresentar um projecto de investigação em curso no MVBIO com o objectivo de avaliar os conhecimentos da população residente na cidade de Évora sobre a biodiversidade urbana, nomeadamente, a herpetofauna e a flora nativas. Metodologicamente, a investigação apoia-se na recolha de dados através de um inquérito por questionário, hetero-administrado a uma amostra da população residente nas freguesias urbanas. O guião de questionário incorpora como componente central dois portefólios de espécies seleccionadas de herpetofauna e flora, os quais possibilitam a identificação visual de espécies para posterior aprofundamento de informação. Efectivamente, além da verificação da quantidade e diversidade de espécies (re)conhecidas pelos inquiridos, pretende-se descrever o nível de literacia científica afim, em concreto, a designação comummente atribuída (nome(s) vulgar(es) e/ou científico), habitat e estado de conservação. De modo complementar, procurar-se-á também identificar as principais fontes de conhecimento sobre as espécies e enunciar os usos, benefícios, riscos e/ou malefícios que lhes estão associados. Por fim, o estudo pretende ainda compreender os motivos que explicam eventuais diferenças no nível de conhecimentos sobre a biodiversidade urbana. Deste modo, cruzar-se-ão os dados anteriormente descritos com os contextos sociais de pertença e de origem dos inquiridos, procurando na geração e na socialização as variáveis explicativas relevantes. No final, espera-se que os resultados desta investigação possam ser disseminados à comunidade e, principalmente, servir de base à produção de conteúdos e realização de actividades várias por parte do Museu Virtual da Biodiversidade tendo em vista a prossecução da sua missão no âmbito da divulgação e educação para a ciência.
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  • COM0514: Viagens na Minha Terra. Notas sobre mobilidades, materialidades e sentidos do VFR
  • SECÇÃO: Turismo e Lazer
  • MESA: Mobilidades turísticas
  • RESUMO:
    Por todo o mundo, viajar para visitar familiares e amigos (VFR, Visiting Friends and Relatives) constitui um fenómeno social total que envolve anualmente milhares de pessoas, quilómetros e euros. Portugal, território de territórios aquém e além-fronteiras, não constitui excepção. Por um lado, no espaço geográfico do país, migrações internas obrigam a mobilidades mais ou menos frequentes e ou pronunciadas entre norte e sul, interior e litoral ou continente e ilhas. Por outro lado, e à escala global, a forte tradição de e/imigração, associada a uma Diáspora numerosa e dispersa, adensa, complexifica e alarga o fenómeno para domínios de reflexão e acção diversa, como seja o das famílias transnacionais, o turismo genealógico ou de raízes. Embora não exclusivamente, as férias de Verão e a época de Natal constituem os espaços-tempo icónicos da visita a familiares e amigos. Rituais familiares por excelência, estes momentos considerados especiais nos calendários das famílias enformam a construção social desta experiência específica de turismo: ao mesmo tempo que distinguem e definem os vários protagonistas envolvidos como anfitriões ou convidados, envolvem-nos numa trama complexa de mobilidades, materialidades, sentidos, emoções, memórias e imaginário. Através de uma abordagem criativa e inovadora, esta comunicação explora pontes de diálogo e cruzamento entre os estudos da família, do turismo e do lazer, tendo em vista a compreensão mais aprofundada da experiência por detrás da visita a familiares e amigos. Metodologicamente, apoia-se na apresentação e análise de estatísticas oficiais, as quais são posteriormente interpeladas a partir de recolha empírica realizada pela autora. No final, espera-se que esta reflexão possa servir para estimular o debate em torno das mobilidades, da viagem ou do turismo, suas motivações e experiências e, ao mesmo tempo, contribuir para dar mais visibilidade a um fenómeno frequentemente sub-representado na literatura e investigação sociológicas em geral, e no território português em particular.

PITEIRA, Margarida

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  • COM0189: O paradoxo da criatividade: Práticas de GRH e criatividade em contexto de trabalho
  • SECÇÃO: Trabalho, Organizações e Profissões
  • MESA: Inovação, conhecimento e dinâmicas organizacionais
  • RESUMO:
    Ser criativo, hoje em dia, é uma exigência que se coloca aos profissionais das organizações contemporâneas. A criatividade defende-se, assim, como epicentro de algumas profissões. Abraça-se aqui o conceito de criatividade como uma dimensão da inovação organizacional, a qual assume um relevante papel estratégico na angariação de vantagens competitivas. Este trabalho partiu do pressuposto de que a criatividade, em contexto de trabalho, decorre, em larga medida, das práticas de gestão de recursos humanos (GRH); - assim como do seu alinhamento com as várias áreas organizacionais, visando alcançar elevados desempenhos dos trabalhadores (Teece, 2007, Colombo & Delmastro, 2008). Consequentemente, a investigação que se apresenta teve como principal objetivo compreender o papel das práticas de gestão de recursos humanos na orientação da criatividade, enquanto variável estratégica de inovação. Metodologicamente seguiu-se a abordagem do estudo de caso. Na recolha de dados, foram desenvolvidos instrumentos para aferir e comparar dois tipos de percepões: das organizações e dos trabalhadores. Realizaram-se um conjunto de entrevistas (n=5, aos principais diretores de departamento) numa empresa inovadora, que faz parte do ranking Great Place to Work português, constituindo o estudo de caso. Em complemento, para aferir a perceção dos trabalhadores, desenvolveu-se um questionário, aplicado online a trabalhadores portugueses (n=253 inquiridos), de diversos setores de atividade. Os resultados desta investigação demonstram a influência entre as diversas práticas de gestão de recursos humanos e o desenvolvimento de Competências Criativas (CC). Estrategicamente, as políticas de Gestão de Recursos Humanos, via as práticas implementadas, podem incrementar a criatividade: recrutando e selecionando, formando, promovendo, reconhecendo e recompensando. Deste modo, promovem-se ambientes, onde a criatividade é um requisito posto à prova. Por sua vez, na perceção dos trabalhadores, a criatividade é fundamental às organizações. Mas, paradoxalmente, sendo necessária, nem todas as práticas são consonantes. Na generalidade, as organizações, não formam, não reconhecem, nem recompensam. Exigem criatividade, mas não são criadas condições para a sua expressão no contexto de trabalho. O presente trabalho tem as seguintes implicações: i) teóricas - apresentando a definição de criatividade, sistematizando-se as competências relacionadas; ii) práticas - através da apresentação de um guia de boas práticas gestão de recursos humanos para a inovação, sustentando-se a abordagem das CC; e, ainda iii) metodológicas - através da exposição do Guia para Avaliação de Competências Criativas e Práticas de Gestão de Recursos Humanos.

PUGNALONI, Clara

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  • COM0754: COMUNICAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO, CIDADANIA E EMPODERAMENTO
  • SECÇÃO: Globalização, Política e Cidadania
  • MESA: Periferias do Sul Próximo
  • RESUMO:
    Este artigo relacionou o impacto da comunicação pelas mídias sociais nas rebeliões iniciais da designada Primavera Árabe, posteriormente estendida a diversos países, inclusive ao Brasil, em junho de 2013, com a Comunicação para o Desenvolvimento (ComDev). As manifestações uniformes em sua forma de organização, pela Internet, ultrapassaram barreiras impostas e inauguraram, naquela altura, uma forma diferente de mobilização. A Mass Self Communication (MSC) ou Autocomunicação de Massa teve visibilidade internacional nas rebeliões do norte da África e Oriente Médio, que se estenderam para todo o mundo. À internacionalização da informação e mobilização da comunidade internacional alinharam-se e ampliaram-se as ações de ComDev. Há muito projetos de organizações não governamentais (ONGs) e de Organizações Internacionais (OIs) já ocorriam e eram disseminados por uma comunicação sem a mediação das grandes corporações da mídia tradicional. Ferramentas e meios de propagação de conteúdos alternativos como o vídeo, as rádios comunitárias, o teatro, a fotografia, as histórias em quadrinhos, ou pequenos folhetos eram eficazes em levar informações aos rights holders ou em difundir seus clamores. Surgida por iniciativa da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), nos anos 1960, a ComDev, percebe-se alinhou-se aos princípios da Nova Ordem Mundial de Informação e Comunicação (NOMIC). Ampliado o seu alcance, com a mediação das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), tornou-se instrumento essencial para ONGs de defesa dos direitos humanos e alternativa de pressão à governos na garantia da integridade de atores sociais em risco. Este artigo explora a relação entre a ComDev, Mass Self Communication (MSC), a cobertura de Agências de Notícias e a percepção de ONGs alinhadas à defesa dos Direitos Humanos sobre a aproximação entre essa forma de mobilização e o empoderamento dos atores sociais, em caso de conflito ou conflito latente. A partir das pesquisas conceitual e empírica foi gerado um Quadro Comparativo por categoria de Análise que demonstrou a hipótese, bem como o resgate de princípios da Nova Ordem Mundial da Informação e Comunicação (NOMIC).

QUEIROZ, Camila

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  • COM0555: REPRESENTAÇÕES DAS IMIGRANTES BRASILEIRAS NA IMPRENSA PORTUGUESA - UMA ANÁLISE DO JORNAL PÚBLICO
  • SECÇÃO: Migrações, Etnicidade e Racismo
  • MESA: Integração 4
  • RESUMO:
    Objetivos: O presente artigo pretende discutir a maneira com que a imprensa portuguesa retrata as imigrantes brasileiras, a partir da análise de um veículo de comunicação conhecido por sua alta qualidade editorial e pela credibilidade que tem junto aos leitores portugueses. Métodos: Escolhemos como recorte à pesquisa empírica um corpus de quarenta notícias veiculadas no jornal Público. As notícias foram extraídas do sítio eletrônico do referido veículo, em levantamento, por ordem de relevância (seleção oferecida pelo próprio sítio), dos termos “imigrantes brasileiras”. Mais de duas mil notícias foram elencadas, datadas de 2003 a 2015, pelo que optamos por analisar as quarenta primeiras. Realizamos, por meio da Análise de Conteúdo temática, a quantificação e divisão das notícias por sessões (previamente estabelecidas pelo veículo), a partir do que nos foi possível definir e interpretar as categorias em que as imigrantes brasileiras são frequentemente representadas. Portanto, em nossa fundamentação teórica abordamos questões de gênero, racismo e imigração no contexto atual que nos ajudam a compreender as maneiras pelas quais o referido grupo é representado/significado na mídia impressa portuguesa. Resultados: As categorias temáticas elencadas apontam para representações da imigrante brasileira enquanto: 1) prostituta, 2) contraventora, 3) vítima (de exploração laboral ou sexual) e 4) dado demográfico. Conclusões: Ao buscarmos a maneira com que um jornal considerado isento e crível retrata, em seus conteúdos, o grupo das imigrantes brasileiras, percebemos que, ao associar esse grupo com frequência à prostituição (tratando-o de maneira estereotipada), a mídia concorre para desestabilizá-lo socialmente. Este fato se deve, principalmente, porque os meios de comunicação encontram eco na sociedade, que acaba por elaborar sua visão de mundo a partir do viés recortado pelas notícias. A reprodução/cristalização do estereótipo “brasileira-prostituta” torna o grupo ainda mais vulnerável, de maneira que os marcadores de gênero – raça – nacionalidade (colonialidade) que interseccionam esse grupo parecem corroborar para que a situação de marginalização seja sensivelmente aumentada.

QUINTELA, Pedro

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  • COM0288: A obscuridade do trabalho na “agenda” criativa em Portugal
  • SECÇÃO: Arte, Cultura e Comunicação
  • MESA: Criatividade, meios artísticos e políticas públicas
  • RESUMO:
    No início do século XXI o debate em torno do potencial das indústrias culturais e criativas e, mais recentemente, da economia criativa globalizou-se, originando importantes alterações nalguns dos fundamentos das políticas públicas contemporâneas. Em particular na Europa, têm sido realizados diversos estudos com o propósito de mapear e definir estratégias de desenvolvimento do setor cultural e criativo a diferentes escalas territoriais. Portugal não tem estado à margem destes processos, tendo o debate em torno do “potencial criativo” do país, das suas cidades e regiões obtido uma grande visibilidade na última década, tanto no plano técnico-científico, como sobretudo no plano político, ao despoletar a realização uma série de estudos, projetos, instrumentos e medidas de política pública. No entanto, constata-se que a análise das questões do trabalho manteve-se, em larga medida, ausente da generalidade dos estudos, discussões e estratégias orientadas para o desenvolvimento do setor cultural e criativo. A preponderância de abordagens de cariz essencialmente macroeconómico, mas também uma crescente retórica de matriz neoliberal que informa muitos destes discursos, documentos e instrumentos de política pública, ajuda certamente a explicar que a análise dos contornos, condições e modalidades específicas em que se desenvolve o chamado “trabalho criativo” permaneça como um tema de investigação ainda relativamente pouco estudado, tanto no plano internacional como, sobretudo, nacional. Nesta comunicação, proponho um enquadramento do processo de disseminação desta nova retórica em torno das indústrias culturais e criativas em Portugal, procurando compreender os seus principais contornos e refletir acerca dos seus principais impactos do ponto de vista das políticas públicas. Focando em particular o domínio do trabalho no setor, abordarei a necessidade de um olhar mais atento e informado acerca da realidade do mercado laboral português. Finalmente, procurarei ilustrar algumas destas preocupações a partir do trabalho de investigação que tenho vindo a realizar sobre a realidade dos designers de comunicação em Portugal, mobilizando dados recolhidos através de entrevistas com profissionais de diferentes gerações e a trabalhar em diferentes domínios, da observação direta de diferentes contextos e atividades relacionadas com esta área e ainda de um inquérito online.

QUIÑONEZ LEÓN, Efraín

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  • COM0458: El fracaso de las políticas de combate a la pobreza en México
  • SECÇÃO: Pobreza, Exclusão Social e Políticas Sociais
  • MESA: Políticas públicas e avaliação
  • RESUMO:
    Desde los años 80 del siglo pasado, en América Latina se han venido aplicando políticas focalizadas a fin de eliminar la pobreza. Bolsa familia en Brasil, Solidaridad en México (hoy denominado Prospera), y otros programas similares en Colombia, Chile, Argentina y otros países se han venido aplicando para disminuir los aspectos más brutales de la pobreza en el hemisferio. Con el triunfo de las políticas neoliberales en el orbe y su aplicación singular en muchos países, las estrategias de ajuste estuvieron dirigidas a la redefinición del papel del Estado como agente del desarrollo, a la apertura de los mercados, la eliminación de protecciones arancelarias y un severo proceso de reducción del déficit público que se tradujo en recortes salariales y una disminución de los presupuestos en las políticas sociales de los gobiernos. En México, se han venido aplicando en los últimos 30 años estas medidas de transferencia condicionada de recursos, a fin de atenuar los impactos más negativos de la pobreza resultante de las políticas de ajuste y, sin embargo, el número de pobres, son altibajos, prácticamente se mantiene en niveles altos; los datos oficiales así lo confirman cuando se asegura que al menos la mitad de los mexicanos experimenta en algún grado la pobreza, derivada de la carencia de algún tipo de bien para satisfacer necesidades inmediatas (vivienda, acceso a la ciudad, educación, salud; entre otros) y, de todos ellos, poco más del 20% se encuentra padeciendo la pobreza extrema, es decir, aquella población cuyos ingresos no alcanzan para cubrir satisfactoriamente sus necesidades de alimentación. Frente a este panorama, conviene reflexionar cuáles son las razones por las que los niveles de pobreza no ceden pese a la aplicación de las políticas públicas para combatirla. Nuestra perspectiva se nutre de la sociología del desarrollo inaugurada por Norman Long (2007), la cual pretende destacar el papel que los actores tienen cuando se tratan de aplicar políticas. El presente trabajo pretende aportar algunas ideas respecto los programas de combate a la pobreza partiendo del caso mexicano, pero igualmente se trataría de estimular algún tipo de comparación con otros países, las medidas aplicadas y el éxito de las mismas frente a un fenómeno que afecta a millones de habitantes.
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  • COM0465: ¿Qué hay de nuevo entorno a la urbanización en América Latina?
  • SECÇÃO: Territórios: Cidades e Campos
  • MESA: Estratégias de Urbanização: Desafios e Resultados - A
  • RESUMO:
    Hasta los años 70 del siglo pasado América Latina experimentó un proceso urbanizador que significó un crecimiento desbordado de algunas ciudades representativas de estos fenómenos, como la Ciudad de México, Santiago en Chile, Buenos Aires en Argentina, Bogotá en Colombia o Sao Pablo en Brasil; sufrieron importantes transformaciones tanto en términos de la expansión físicas de las ciudades, como en la incorporación de cada vez más población en su espacio. Después de los 80 nuevas dinámicas se impusieron con la implantación de políticas neoliberales que aceleraron los procesos de ocupación del espacio, agudizando los problemas no resueltos del periodo previo. En efecto, la ciudad se desfigura ante el crecimiento desmesurado del espacio urbano y sus límites no sólo retan los marcos jurídicos para establecer las fronteras sino que, además, las formas de adscripción simbólica que los ciudadanos tenían como certezas para ubicar sus orígenes están siendo desafiados por la diversidad y fragmentación de la vida en la ciudad. El concepto mismo de ciudad puede ya no invocar una dimensión clara del lugar y sus habitantes cuando sus fronteras se desdibujan. La ciudad neoliberal se inserta en los circuitos mundiales de la comunicación, los flujos transterritoriales de la población, sobre la base de una revolución tecnológica que nos acerca sin suprimir nuestras diferencias. La relación entre urbanización e industrialización característica de las sociedades más desarrolladas, nunca fue un proceso completamente acabado en América Latina. Hoy se argumenta que el nuevo eje o las nuevas dinámicas de la urbanización a escala mundial produce procesos desindustrializadores, pero es un argumento que quizá solamente pueda sostenerse para las economías más desarrolladas, pero resulta al menos dudoso que ello esté ocurriendo de la misma forma en el contexto latinoamericano. La expansión física de los entornos urbanos produce lo que Davis (2006) llama procesos de hiperurbanización, con un caudal de pobreza y precarización del trabajo que no tiene paralelismo histórico. Si las ciudades latinoamericanas que soportaron la deserción de amplios contingentes de población del campo y se acomodaron en villas miseria, favelas o colonias populares característicos de entornos urbanos degradados; hoy en día la tendencia parece haberse agudizado. Con base en estas ideas, el presente trabajo pretende ofrecer un panorama de las nuevas dinámicas de la urbanización en América Latina, tomando como eje algunos de los casos más emblemáticos arriba apuntados. Nuestras reflexiones pretenden, también, contribuir a una suerte de ejercicio comparativo frente a otro tipo de realidades en torno a los nuevos patrones de expansión de las ciudades.

RAMALHO, Nélson

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  • COM0085: Quem são os Clientes de Travestis Trabalhadoras do Sexo em Portugal? Breve Caracterização dos T-Lover’s
  • SECÇÃO: Sexualidade e Género
  • MESA: Modelos relacionais, conjugalidade e cidadania
  • RESUMO:
    Em Portugal, os estudos sobre os clientes da prostituição são escassos, e os da prostituição travesti são aparentemente inexistentes, contribuindo para que esta população se mantenha numa total invisibilidade. Não conhecemos quase nada sobre quem recorre aos serviços sexuais das travestis: Quem são? Quais as motivações que orientam o seu interesse sexual? Quais as lógicas de ação que presidem as suas relações comerciais com as travestis? Como se autorreferenciam quanto à sua sexualidade? E como negoceiam o juízo social condenatório face a uma prática que incorpora duas dimensões marcadas pelo preconceito: a prostituição e a travestilidade? Deste modo, propusemo-nos a conhecer e caracterizar (i) os clientes da prostituição travesti; (ii) as estratégias pessoais utilizadas na gestão da identidade estigmatizada; e (iii) as práticas clientelares desenvolvidas junto das travestis prostitutas em contextos de rua ou de apartamento. A dificuldade de localização, aproximação e contacto com este grupo de homens – autointitulado por t-lovers – conduziu-nos à necessidade de, num primeiro momento, desenvolver uma etnografia em territórios digitais, nomeadamente em páginas de internet que visavam a promoção de serviços sexuais de travestis e em fórum de discussão destinados à troca de experiências e à obtenção de informação diversa entre t-lovers. Mais tarde, num segundo momento, aplicou-se, num dos fóruns de t-lovers, um questionário on-line, tendo-se obtido um total de 147 respostas válidas. Registámos que, do perfil t-lover fazem parte homens, de idades compreendidas entre os 30 e os 49 anos, residentes nas grandes cidades, que declaravam ser predominantemente cristãos e apresentavam um elevado grau de escolarização e uma condição financeira razoável. Eram casados e/ou viviam em união de facto, constituindo famílias tradicionais. Ainda que se identificassem como heterossexuais, o fascínio recorrente pelo pénis das travestis e o gosto pelo desempenho do papel de “passivos” era motivo para os fazer questionar a sua sexualidade. Porém, rejeitavam definir-se como homossexuais, dado que a sua atração sexual não era dirigida para as masculinidades. Estes homens viviam, na sua maioria, assombrados pelo medo de, um dia, estes desejos, virem a ser descobertos e, consequentemente, destituídos da sua masculinidade. Como tal, geriam a sua identidade entre a vivência e a ocultação das suas pulsões sexuais. Esta tensão permanente era geradora de sentimentos angustia, incompreensão e isolamento. Os territórios digitais (em especial, os fóruns de discussão de t-lovers) era, para muitos, o único espaço “habitável” onde podiam “existir” e sentir-se compreendidos e “normalizados”. Estes territórios eram sentidos como um verdadeiro refúgio onde podiam exprimir abertamente os seus desejos, libertando-se do peso do estigma.

RAPOSO, Otávio

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  • COM0425: Faces do racismo nos subúrbios de Lisboa. Uma reflexão sobre a violência policial na Cova da Moura
  • SECÇÃO: Migrações, Etnicidade e Racismo
  • MESA: Integração 2
  • RESUMO:
    Apresentação Os episódios de violência policial não são incomuns nos bairros desfavorecidos dos subúrbios de Lisboa, onde parte substancial dos moradores são negros e de origem africana. Essa violência não só é um tema frequente da conversa dos jovens que lá vivem, como se expressa também nas suas manifestações artísticas: música rap, peças de graffiti, etc. Em fevereiro de 2015, jovens da Cova da Moura foram alvo da truculência policial, o que mereceu destaque na imprensa nacional e internacional. Esse acontecimento levou moradores da Cova da Moura a organizar uma mobilização contra a violência policial e o racismo, que contou com a solidariedade de outros bairros amplos setores da sociedade civil. Objetivos A partir do episódio de violência policial mencionado, pretendemos analisar o fenómeno do racismo, tendo como perspetiva as experiências e subjetividades dos moradores da Cova da Moura, principalmente dos mais jovens . Queremos, ainda, problematizar os eventos de fevereiro de 2015 com vista a contribuir para uma melhor compreensão do racismo na sociedade portuguesa. Métodos Esta comunicação baseia-se numa pesquisa etnográfica desenvolvida entre artistas imigrantes na Cova da Moura, no âmbito do projeto “O trabalho da arte e a arte do trabalho”, financiado pelo Alto Comissariado para as Migrações (Comissão Europeia / FEINPT). O racismo e a violência policial, não sendo inicialmente objeto central da pesquisa, tornaram-se uma realidades incontornáveis durante o trabalho de campo desenvolvido . Acompanhámos desde o início a detenção dos jovens e as manifestações de solidariedade pela sua libertação no âmbito do trabalho de campo etnográfico desenvolvido, realizámos entrevistas e estivemos em reuniões e debates sobre o caso. Resultados Como resultado dessa pesquisa, esperamos alimentar o debate sociológico sobre o fenómeno do racismo na sociedade portuguesa. Para tal, iremos problematizar os processos de rotulação e criminalização dos quais os jovens negros dos bairros desfavorecidos são alvo por diversas instituições e pelos media. Conclusão A discriminação racial e o estigma territorial afetam intensamente os moradores de origem africana que habitam bairros dos subúrbios de Lisboa, como a Cova da Moura, cuja população é responsabilizada pela insegurança que o “cidadão comum” enfrenta. Esse processo de rotulagem tem a ativa participação dos media e de várias instituições, co-responsáveis por legitimar uma atuação desproporcional e, por vezes, violenta da polícia.

REIS, Liliana

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  • COM0513: A mão aberta à espera de se fechar
  • SECÇÃO: Segurança, Defesa e Forças Armadas
  • MESA: Cidadania e Segurança
  • RESUMO:
    A lógica fatalista da segurança dominou a doutrina realista das relações internacionais. A concepção hobbesiana do homo homini lupus criaria o dilema da segurança com o qual, quer os indivíduos, quer o Estado, estariam confrontados. A Era Global, ao mesmo tempo que enfraqueceu as fronteiras físicas e o monopólio securitário estatal, multiplicou as forças de bloqueio à liberdade. Num contexto de governança global têm emergido novos modelos de segurança, aparentemente cerceadores, uma vez mais, da liberdade. Mas qual será a tendência que se apresenta no sistema das relações internacionais, pós moderno? Para Bauman, a modernidade líquida, apesar de caracterizada pela desvinculação do tempo-espaço e da alteração comportamental relativamente à ordem, não substituiu o medo. Com efeito, a concepção dos direitos humanos universais resultado do ideário liberal, parece substituída, pela edificação de novos axiomas securitários, dominados novamente, pela insegurança difusa e por lógicas de poder, conforme é argumentado por Didier Bigot e Ken Booth.

REIS, Paula

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  • COM0681: Reconhecimento de diplomas, qualificações profissionais e competências no espaço europeu: um processo linear? O caso dos enfermeiros portugueses
  • SECÇÃO: Migrações, Etnicidade e Racismo
  • MESA: Emigração
  • RESUMO:
    A proporção de jovens emigrantes qualificados aumentou nos últimos anos, em Portugal. Os dados disponíveis sugerem que o fenómeno tem particular expressão entre os diplomados em enfermagem. Apesar da livre circulação de pessoas estar consagrada nos diferentes tratados europeus e das possibilidades de mobilidade geográfica na União Europeia serem consideradas elevadas, são diversos os constrangimentos de ordem política, jurídica, administrativa e prática que continuam a obstaculizar a mobilidade de trabalhadores. Com efeito, várias observações conduzidas no contexto europeu colocam em evidência o subaproveitamento de mão-de-obra qualificada. Um dos entraves assinalados nessas pesquisas, e pela Comissão Europeia, continua a residir no reconhecimento de diplomas, qualificações profissionais e competências. O seu reconhecimento formal e informal (enquanto elemento de capacitação económica e de distinção), ou não reconhecimento, pode influenciar os resultados obtidos não só no acesso ao mercado de trabalho, mas também no interior do próprio mercado. Atendendo ao limitado conhecimento científico acerca do modo como se processa o reconhecimento formal e informal das qualificações profissionais e competências dos enfermeiros portugueses no espaço europeu, bem como a sua inserção profissional nos mercados de trabalho dos países de acolhimento, a investigação em curso (PD/BD/106023/2014) tem como objectivo principal: identificar, analisar e compreender as lógicas e dinâmicas, formais e informais, que subjazem aos processos de reconhecimento de diplomas, qualificações profissionais e competências aferindo o seu impacto na mobilidade e na inserção profissional. Através de uma análise comparativa entre dois dos principais países de destino, considerando a escala nacional e regional, pretendemos: (i) categorizar e aferir as diferenças nas políticas nacionais de imigração qualificada; (ii) identificar os seus determinantes; (iii) categorizar e aferir as diferenças nos processos de reconhecimento; (iv) identificar os agentes nacionais e regionais relevantes nesses processos, aferindo o seu grau de influência na sua definição e implementação; (v) identificar e caracterizar as dinâmicas dos diferentes mercados de trabalho; (vi) caracterizar a inserção profissional dos enfermeiros portugueses nos diferentes mercados de trabalho, identificando e analisando as similitudes e diferenças; e (vii) caracterizar os processos de incorporação dos enfermeiros portugueses nos diferentes países de acolhimento, identificando e analisando as similitudes e diferenças. Combinamos duas metodologias distintas, contudo complementares (quantitativa - análise de dados estatísticos e inquérito extensivo – e qualitativa – entrevistas em profundidade e netnografia), expandindo as potencialidades analíticas e conjugando uma orientação explicativa e compreensiva.

RESENDE, José

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  • COM0496: Entre o público e o íntimo: tensões perante as fronteiras incertas do íntimo e o público em confronto na educação sexual escolar
  • SECÇÃO: Sexualidade e Género
  • MESA: Corpo, género e (re)conhecimento
  • RESUMO:
    Educar a sexualidade na escola supõe criar as condições do encontro com o Outro, ter e unir os corpos, ligar seres humanos e gerações, estar presente numa identidade de género, construir um território comum. Nestes encontros, a fronteira da intimidade do outro é estabelecida a partir do momento onde as suas relações corporais, num sentido muito amplo, se tornam objeto de transmissão para os outros. Trata-se, portanto, de um domínio de intervenção sobre a pessoa humana do aluno, na medida em que a sexualidade vem tocar de uma maneira mais sensível e mais existencial a identidade e a intimidade de cada um. Na relação pedagógica o aspeto mais acutilante está no encontro entre o adulto e o jovem, quando os corpos geracionais se unem e se reencontram constantemente nas suas próprias interrogações sexuais, e onde o medo de transgredir as fronteiras do íntimo ou do privado está bem presente. Das tensões que parecem existir nestas fronteiras, por vezes híbridas e difíceis de gerir, os professores manifestam a necessidade de salvaguardar as aproximações discursivas, gestuais e corporais, que mesmo sem evidência de qualquer caráter de erotismo, se presumem sob suspeita de assédio ou de tentativa de abuso. Por outro lado, os professores são confrontados pelo apelo, por vezes lancinante, das necessidades e preocupações dos alunos. A voz dessas necessidades, ou como diria Levinas, o rosto dos alunos, interpela continuamente o professor, chamando-o à responsabilidade de um desempenho face a face capaz de libertar os jovens daquilo que os oprime. Paradoxalmente, esta interpelação corporificada no frente a frente, pode ser considerada como intrusiva, reprimindo em vez de libertar. O que é antropologicamente acionado na co-presença do aluno quando este se mostra vulnerável perante o professor? Que jogos de linguagem operam? Que jogos corporais mobilizam? Na sequência do tempo e do espaço dedicado à educação sexual, e na linha de pensamento que incorpora a questão da hibridação das fronteiras entre o íntimo e o público na relação pedagógica, destacam-se três aspetos fundamentais: a ascensão irreversível à pessoa humana do aluno, como ética da alteridade, que se exerce no contexto da diversidade, da igualdade, da luta contra a violência de género e das restrições homofóbicas; a rede complexa de interações que conduzem às falsas perceções, aos mal-entendidos e ao retraimento, como motivo primordial de desencontros afetivo-cognitivos entre professores e alunos; a todo o jogo reversível de transformações que colocam em causa as éticas tradicionais sustentadas no sujeito, numa dialética de passagem entre o íntimo e a construção social da identidade que ocorre e se clarifica, a ritmos singulares. Os dados recolhidos, através de um trabalho exploratório de natureza etnográfica realizado em três escolas do ensino público e no âmbito de um projeto de Doutoramento em curso, servem de suporte empírico a esta comunicação.
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  • COM0429: O mandato docente à prova das reconfigurações do sistema de ensino: tensões, mal-estar e dilemas no quadro de uma instituição escolar compósita
  • SECÇÃO: Sociologia da Educação
  • MESA: Tensões e reconfigurações da instituição escolar (Sessão II)
  • RESUMO:
    Portugal integra uma dinâmica transnacional nas últimas décadas de mutações em matéria de política educativa: a transição do programa de justiça para a instituição escolar assente na territorialização das políticas educativas e transferência de responsabilidades para os estabelecimentos de ensino no que respeita aos resultados escolares dos alunos que albergam. Esta transferência é suportada por um novo modelo de intervenção do Estado na Educação, onde a monotorização de procedimentos dá lugar paulatinamente a uma monotorização de resultados – em concordância com um modelo de governação por normas e regras padronizadas. A mudança de paradigma do programa de justiça escolar é acompanhada igualmente de um processo de massificação do sistema educativo, suportado por diretivas políticas orientadas para o objetivo de elevação das qualificações escolares da população. Neste contexto, alunos oriundos de meios social e culturalmente mais diversificados protagonizam trajetos progressivamente mais longos nos sistemas educativos, até patamares de ensino mais elevados no quadro de uma escolaridade obrigatória progressivamente dilatada. Este novo enquadramento político e institucional acarreta por sua vez uma profunda complexificação para a atividade docente. Por um lado, esta nova composição da população estudantil contém em si o gérmen de novas exigências do ponto de vista da relação pedagógica com os alunos, solicitando um trabalho de proximidade junto de alunos mais distantes da cultura escolar. Por outro, este crescimento dos alunos matriculados no sistema de ensino ocorre no quadro de um paradigma para a Escola centrado na eficácia do ponto de vista dos resultados escolares obtidos dos alunos – com repercussões sobre o trabalho desenvolvido pelos docentes, na medida em que essa eficácia constitui a medida de avaliação do trabalho desenvolvido. Pretende-se assim nesta comunicação abordar os dilemas e tensões que se geram entre os docentes, enquanto principais agentes do trabalho educativo, no contexto duma instituição escolar atravessada por diversas solicitações de difícil conciliação (desde as demandas exteriores para a eficácia na ação educativa até às exigências relacionais decorrentes dos novos públicos escolares com que os professores se confrontam) e que trazem incerteza no seio desta classe relativamente ao que é um bom profissional de ensino. No âmbito de um projeto de Doutoramento que tem como pano de fundo uma reforma ocorrida no setor educativo e que se enquadra nestas transformações no sistema educativo e no mandato docente (a reforma Estatuto da Carreira Docente de 2007), o trabalho de campo realizado em 5 escolas do sistema educativo português, envolvendo diferentes técnicas de recolha de dados – entrevistas, questionário por cenários e observação etnográfica –, fornece o suporte empírico para a presente comunicação.

ROCHETTE CORDEIRO, António Manuel

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  • COM0666: Os contextos socioculturais de um território no (in)sucesso e no abandono escolar. Um caso de estudo no Portugal Central.
  • SECÇÃO: Sociologia da Educação
  • MESA: Territórios educativos e (re)produção de desigualdades, exclusões e inclusões (Sessão IV)
  • RESUMO:
    As retenções escolares têm vindo a ser apresentadas por diferentes autores como um fenómeno social, uma vez que a origem social dos alunos parece influenciar fortemente as taxas de insucesso e abandono escolar, existindo tendência para que os alunos com piores resultados sejam aqueles cujo suporte familiar, social e cultural é mais débil e afastado do padrão defendido pela escola. No sentido da procura dessas relações num extenso e heterogéneo território do Portugal Central (19 municípios contíguos entre o litoral e a média montanha) foi implementado um projeto supramunicipal de prevenção do abandono e combate ao insucesso escolar, cujo objetivo servirá, a curto prazo, de suporte à formulação de candidaturas a fundos comunitários no âmbito da Estratégia Europa 2020, por parte das escolas e dos diferentes atores educativos dos territórios. A diversidade de conclusões obtidas no diagnóstico inicial motivou a vontade de perceber a relação entre os territórios e alguns indicadores de sucesso e insucesso escolar. O objetivo passou pela análise do comportamento dos resultados escolares (notas de frequência, exames nacionais e taxas de retenção e desistência) face às diversas caraterísticas físicas e socioculturais (e mesmo económicas) dos territórios envolvidos. Para tal utilizou-se uma metodologia estatística de análise multivariada (Análise de Componentes Principais), numa tentativa de identificar padrões de homogeneidade territorial. Paralelamente construiu-se um indicador compósito baseado nos resultados do 4º ano de escolaridade. O cruzamento destas duas dimensões permitiu refletir sobre a (in)existência de correlação entre os perfis socioeconómico e cultural dos territórios e os resultados escolares dos alunos, sendo esta refletida cartograficamente através da metodologia de interpolação IDW (Inverse Distance Weighting). Tendo em conta a multiplicidade de fatores que podem condicionar o sucesso educativo, os resultados apresentados constituem-se como sólido ponto de partida para investigações futuras, bem como para a monitorização exigida na implementação de um plano de intervenção.
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  • COM0667: Reorganização de rede escolar em territórios de baixa densidade em Portugal. Construção de uma Matriz de análise
  • SECÇÃO: Sociologia da Educação
  • MESA: A governação política dos territórios educativos (Sessão II)
  • RESUMO:
    Os territórios de baixa densidade, num Portugal heterogéneo e desigual, podem apresentar matizes muito variadas, mostrando uma segmentação do espaço de baixa densidade, sejam os de índole puramente rural (ou de montanha), ou as pequenas bolsas próximas de centros urbanos, assumindo-se nesse quadro que a ruralidade ainda surge, por norma, como um ónus. Nesse sentido, as escolas de 1º ciclo destes territórios caracterizam-se por genericamente terem poucos alunos, poucos recursos e encontrarem-se inseridas em comunidades isoladas, resultado da desertificação e envelhecimento que caracterizam estes territórios. Segundo a tutela, estes factos na última década constituíram-se como obstáculos à modernização da escola do 1º CEB, facto que levou ao encerramento de largas centenas de escolas por todo o territórios nacional. Contudo, observam-se também argumentos que defendem a sua manutenção, uma vez que as escolas em meio rural permitem utilizar os conhecimentos existentes e desenvolver sinergias entre toda a comunidade educativa, utilizando a riqueza do espaço envolvente de modo a permitir às crianças passar do meio familiar para a escola sem rutura do contexto familiar, favorecendo as relações entre indivíduos e facilitando uma construção do tecido social. O desafio de implementar, e isto com uma década de atraso, uma “Matriz” de baixa densidade para a reorganização da rede escolar justifica-se por nos encontrarmos num momento em que se discutem os caminhos que os territórios de baixa densidade podem trilhar no sentido de uma maior coesão territorial, assim como se questiona a autonomia e a descentralização das funções sociais nas comunidades locais. O objetivo da matriz prende-se assim com a necessidade de preservar as débeis dinâmicas destes territórios, muito além do enfoque do limiar mínimo de alunos (21). A morfologia, a rede viária (distância–tempo e sinuosidade) e as dinâmicas demográficas (passadas, atuais e prospetivas), bem como os fatores de índole pedagógica e de comunidade envolvente nas quais a necessidade de desenvolver um projeto pedagógico diferenciador, foram assumidos na matriz como fatores decisivos nas condições de aprendizagem dos alunos e do seu sucesso futuro enquanto cidadãos.

RODRÍGUEZ BARCÓN, Alberto

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  • COM0235: Producción Cultural, Turistificación y Cambio Social: Comparativa entre los Procesos de Gentrificación en los Centros Históricos de Porto y A Coruña.
  • SECÇÃO: Territórios: Cidades e Campos
  • MESA: Estratégias de Urbanização: Desafios e Resultados - B
  • RESUMO:
    El objetivo principal de nuestra comunicación es la de articular una análisis comparativa sobre la evolución de los procesos de gentrificación residencial en los centros históricos de Porto (Portugal) y A Coruña (Galicia). De manera prácticamente generalizada, los centros históricos se han convertido en actores fundamentales del cambio social en la ciudad contemporánea mediante una revitalización y reorientación de sus funciones comerciales y turísticas. La cultura, entendida bajo los parámetros de la producción y el consumo cultural, se ha constituido como un elemento transversal en el conjunto de las políticas urbanas y las estrategias de crecimiento económico. De este modo, los centros históricos configuran un ámbito urbano de confluencia y síntesis de diversos procesos que aparecen, por lo general, fuertemente entrelazados y que derivan, en última instancia, en fenómenos de desplazamiento y revanchismo social. Nuestro interés se centra, principalmente, en entender como esta interacción entre diversos procesos en el centro histórico se proyecta sobre el mercado residencial generando escenarios de gentrificación y cambio social. Entendemos que es posible, mediante una análisis comparativa entre ambas ciudades, evidenciar la existencia de itinerarios y características compartidas en la evolución del fenómeno gentrificatorio, así como particularidades propias derivadas de cada contexto local. Diseñaremos nuestro marco comparativo en base, principalmente, a tres ejes de investigación: 1) Mercado de la vivienda y cambios físicos en el centro histórico. 2) Procesos de "turistificación" y transformación de los espacios y redes de consumo mediante procesos de gentrificación comercial. 3) El papel de la administración pública local. El análisis comparativo internacional constituye un instrumento de investigación fundamental para abordar el estudio de temas tan complejos y multifactoriales como el de la gentrificación, especialmente mediante el contraste de realidades sociológicas y urbanas paralelas que conservan, no obstante, diferencias estructurales y específicas. El marco metodológico de la comunicación contará con material estadístico derivado de nuestra reciente tesis doctoral sobre la gentrificación en el centro histórico de A Coruña, así como de la realización de una estancia pre-doctoral, mediante beca, en la ciudad de Porto además de otras ciudades portuguesas. De manera complementaria, utilizaremos material fotográfico y cartográfico de elaboración propia para caracterizar y explicar, con mayor dinamismo, los tres ejes anteriormente propuestos.

ROLDÃO, Cristina

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  • COM0207: Afrodescendentes e Oportunidades de Acesso ao Ensino Superior
  • SECÇÃO: Sociologia da Educação
  • MESA: Territórios educativos e (re)produção de desigualdades, exclusões e inclusões (Sessão I)
  • RESUMO:
    A presença dos afrodescendentes no ensino superior português tem estado tradicionalmente associada à mobilidade internacional de estudantes, muitas vezes suportada por acordos diplomáticos e de cooperação celebrados entre Portugal e os PALOP. Contudo, cada vez mais os estudantes de origem africana no ensino superior referir-se-ão também a afrodescendentes que viveram toda ou boa parte da sua vida em Portugal e que são descendentes de imigrantes africanos que chegaram no quadro dos fluxos migratórios dos anos 1980 e 1990, período de forte incremento e diversificação da imigração africana. Passados cerca de 25 anos, uma parte desses jovens estarão hoje a frequentar o ensino superior, realidade emergente cujos traços gerais procuramos dar conta neste trabalho. Dentro da população afrodescendente, essa foi também a primeira geração cujos percursos escolares se desenrolaram num quadro macro-institucional em que existem políticas especificamente orientadas para a inclusão social e escolar de descendentes de imigrantes e minorias étnicas (de que são exemplo o surgimento do Secretariado Entreculturas em 1991 e do Projeto de Educação Intercultural em 1993) ou para o combate à exclusão em contextos com, entre outras coisas, elevada diversidade étnico-cultural (como é o caso do programa TEIP-Territórios Educativos de Intervenção Prioritária, criado em 1996, e do programa Escolhas, que surge em 2001). Mas, talvez, sobretudo, essa geração chega e frequenta a escola num período de profunda transformação do sistema educativo, em que decorre um processo abrangente de expansão do acesso ao ensino secundário por via da diversificação curricular, de que a aposta nos cursos profissionais é talvez um exemplo paradigmático (particularmente a partir de 2004). Diferentes estudos têm vindo a mostrar que os caminhos escolares dos descendentes de africanos no ensino básico e secundário encontram obstáculos acrescidos, com expectáveis consequências a jusante, como nas oportunidades de acesso ao ensino superior, mas pouco se sabe ainda sobre esta realidade. Quais os níveis de escolaridade dos jovens afrodescendentes? Como tem evoluído, na última década, o seu acesso ao ensino superior? Quais as condições socioeconómicas e capital escolar das famílias destes jovens? Como se caracterizam os seus percursos escolares no ensino superior e no passado? A presente comunicação procura ser um contributo inicial para responder a essas questões, mobilizando para o efeito dados estatísticos provenientes de diversas fontes secundárias, e trabalhados, no âmbito do projecto “Caminhos escolares de jovens africanos (PALOP) que acedem ao ensino superior” (ACM/FEINTP).

ROQUE DANTAS, Ana

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  • COM0424: Recursos emocionais socialmente desiguais
  • SECÇÃO: Sociologia das Emoções
  • MESA: Emoções sociais
  • RESUMO:
    Esta comunicação explora as regularidades sociais em torno da expressão e experiência de sentimentos, incidindo sobre as especificidades socioculturais que diferenciam as percepções emocionais. A literatura indica que as emoções reflectem ideologias culturais, crenças e normas partilhadas socialmente e, como tal, a sua experiência é influenciada social e culturalmente. Neste sentido, e incidindo sobre a percepção de sentimentos – e mais especificamente sobre a percepção de felicidade –, coloca-se a hipótese de que a sua experiência, vivência e procura variam de acordo com o contexto social e biográfico. Em termos metodológicos, recorremos a uma abordagem a diferentes níveis, articulando a análise da expressão (medida numa amostra extensa e representativa dos portugueses, dados do European Social Survey - ESS), com a compreensão dos significados e práticas sociais que lhe estão associados e as condições sociais em que são produzidos, através de dados recolhidos por meio de um inquérito sociológico por questionário desenvolvido especificamente com este objectivo. Os resultados indicam que há diferenças nas percepções de felicidade (e de outros sentimentos) decorrentes da posição social ocupada, do sexo e da idade. Ainda que a importância social da felicidade trespasse toda a sociedade, os resultados sugerem uma diferenciação social em torno das formas de sentir, pois a diferente apropriação da ideia de felicidade parece estar dependente da posição social ocupada. A procura de felicidade, bem como a sua expressão é portanto um recurso emocional socialmente desigual.

ROSSI, Túlio

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  • COM0037: Amor romântico e cinema hollywoodiano: considerações sociológicas sobre imagens, gênero e emoções
  • SECÇÃO: Sociologia das Emoções
  • MESA: Experiências emocionais
  • RESUMO:
    Propõe-se aqui revisitar os resultados de minha pesquisa de doutorado, publicada em 2015 com o título: Uma Sociologia do amor romântico no cinema: Hollywood – anos 1990 – 2000. À luz de novas leituras e reflexões, questiona-se, em profundidade, a construção social de referenciais para a vida amorosa e a participação do cinema hollywoodiano na difusão de discursos, imagens e modelos de realização pessoal. A pesquisa teve como principal objeto de análise prescrições, modelos e ideais de amor presentes em filmes hollywoodianos, enquanto construções sociais e históricas, entendendo que o cinema de grande público teria, ao longo do século XX até hoje, contribuído de forma significativa com essas construções. Seguindo a metodologia de análise sociológica de filmes de Pierre Sorlin (1982), foram estudadas cinco produções: Pretty Woman (1990); Sleepless in Seattle (1993); Titanic (1997); Closer (2004); The Holiday (2006). Observaram-se construções recorrentes do “amor ideal” sobrevalorizando não apenas seu aspecto imaginário, mas, principalmente, sua relação metalinguística e citacional com imaginários próprios do cinema hollywoodiano. Concordando que “A vida afetiva [...] é ao mesmo tempo imaginária e prática” (Morin, 1972, p.12), debateu-se como este cinema contribui para constituir modelos específicos de realização amorosa, tornando-se parte das experiências e da vida cotidiana dos espectadores. Além de estudos em sociologia do cinema, mobilizaram-se referências importantes em sociologia das emoções (Shields, Cancian, Solomon et al.) e outras que também problematizaram mais especificamente amor e romantismo (Beck, Beck-Gernsheim; Campbell; Chaumier et al.). Adotou-se uma abordagem compreensiva do amor enquanto “significação”, enfatizando seu caráter de atribuir sentido específico a emoções, experiências e relações íntimas e, a partir disso, constituir expectativas e projetos de vida correspondentes conforme normas culturais de relacionamento referentes a como, quando, por quem e com que intensidade seria legítimo usar o termo amor para definir os próprios sentimentos. Isto posto, propõe-se aqui problematizar e desconstruir imaginários sobre a “feminilidade” que tendem, conforme padrões heteronormativos, a lhe atribuir uma inclinação “natural” à afetividade, condicionando a realização feminina plena ao encontro definitivo de um parceiro amoroso. Por fim, trabalha-se sob a perspectiva de uma rede de entrelaçamentos de significados socialmente construídos, onde amor e feminilidade se cruzam e são vinculados de forma a se reforçarem mutuamente.

ROWLAND, Jussara

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  • COM0390: “Há desastres em todo o lado”: uma análise de representações de riscos e catástrofes em desenhos ilustrados por crianças
  • SECÇÃO: Modernidade, Risco e Segurança das Populações
  • MESA: Riscos, vulnerabilidade e participação pública
  • RESUMO:
    As sociedades contemporâneas são marcadas por crescentes perigos que advêm não só de desenvolvimentos tecnológicos associados a novos riscos (acidentes nucleares ou industriais, terrorismo em larga escala, etc.), como também do agravamento de riscos naturais que tendem a acentuar-se devido à crescente urbanização e aos efeitos das alterações climáticas sobre a frequência e intensidade de eventos extremos. Em termos de conhecimento científico persistem incertezas e controvérsias, que impõem a necessidade de incorporar as perspetivas de cidadãos e comunidades numa governança do risco inclusiva (ver o framework de Sendai). Nesta abordagem, as crianças são geralmente um elemento esquecido na gestão participada do risco. Apesar de destinatárias frequentes de programas e medidas de prevenção em caso de catástrofe, as crianças são sobretudo vistas como elementos vulneráveis, ou então como futuros adultos, ignorando-se as suas perspectivas específicas sobre os eventos catastróficos e os seus possíveis contributos para a redução de riscos. A perspectivas das crianças sobre estas temáticas são no entanto centrais na definição de respostas mais eficazes ao risco de catástrofes a nível local e nacional. O objectivo desta comunicação é apresentar uma análise visual das múltiplas concepções sobre riscos e catástrofes de crianças entre os 10 e os 12 anos, a partir de 124 desenhos obtidos numa atividade que teve como objetivo a seleção de um logótipo para o projeto CUIDAR Culturas de Resiliência e Catástrofes entre Crianças e Jovens, financiado pelo programa Horizon 2020. A utilização do desenho como metodologia de investigação com crianças tem vindo a ser crescentemente valorizada, uma vez que pode ser um instrumento para a avaliação das representações das crianças, permitindo captar outras facetas das suas experiências, proporcionando maior autonomia, naturalidade e espontaneidade na expressão infantil. Os desenhos têm também sido utilizados como ferramentas analíticas ou descritivas, sendo que neste segundo caso as ilustrações produzidas pelas crianças são utilizadas como base para entender percepções individuais sobre determinadas ideias ou fenómenos, com o objectivo de avaliar a existência e prevalência de determinadas imagens estandardizadas presentes no imaginário infantil. Os desenhos produzidos pelas crianças nesta atividade relevam das suas noções subjetivas sobre catástrofes, bem como das suas interpretações sobre a percepção pública desses mesmos eventos. A nossa análise centra-se nas múltiplas definições de catástrofes que surgiram nos desenhos e tem em consideração não só as temáticas selecionadas pelos participantes para ilustrar um projeto relacionado com crianças e catástrofes, como também os principais elementos presentes nas ilustrações e as diferentes formas de os representar.

SALGADO CARDOSO DE OLIVEIRA, Beatriz

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  • COM0366: Territórios da memória: Walter Benjamin e sua infância em Berlim
  • SECÇÃO: Sociologia das Emoções
  • MESA: Territórios emocionais
  • RESUMO:
    Esta comunicação se dedica a problematizar o papel da memória individual nas práticas etnográficas urbanas, por meio da análise da obra de Walter Benjamin. A cidade e seus territórios são elementos centrais em determinadas obras do autor, como acontece por exemplo em seu célebre projeto das Passagens, no qual a Paris do século XIX serve à Benjamin como substrato para a disposição dos milhares de fragmentos e alegorias da modernidade, selecionados pelo autor ao longo de sua vida. Dentro desse panorama de textos urbanos de Benjamin, "Infância berlinense por volta de 1900" destaca-se por seu caráter singular: sob a notável influência de Proust e seu "Em busca do tempo perdido", Benjamin “lê” a cidade de Berlim através de suas recordações de infância, articulando uma importante categoria de seu pensamento – a memória involuntária. Diferentemente de Proust, porém, Benjamin rejeita em sua obra qualquer esquema cronológico, dando preferência à construção de espaços ou territórios emocionais. O ensaísta acaba por construir, por meio da memória, uma espécie de cartografia afetiva de Berlim. O empreendimento benjaminiano, todavia, revela ao leitor não apenas as memórias do autor, mas também um importante arcabouço de imagens dos espaços e habitantes da cidade de Berlim do início do século XX, evidenciando seus costumes e práticas cotidianas. Sob um olhar antropológico, a obra libera desta forma seu potencial etnográfico. A comunicação procura assim refletir sobre o papel da memória na construção de textos etnográficos, pois por mais que o pesquisador se sirva de uma variedade de métodos de coleta de material em campo, é inevitável que parte de seu trabalho tome como suporte um processo de rememoração de suas experiências, mesmo que dentro dos limites de seu arcabouço teórico. A articulação da memória involuntária em Infância berlinense, pode também nos remeter diretamente à problemática da autoantropologia – escrevendo sobre os espaços de sua infância, Benjamin acaba por escrever também sobre sua sociedade a as figuras de sua época.

SALGADO CUNHA, Noémia

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  • COM0124: A participação das comunidades em risco como critério das políticas públicas de cheias, em Portugal: aprendizagem política para a redução eficaz do risco de desastre e das desigualdades entre iguais
  • SECÇÃO: Modernidade, Risco e Segurança das Populações
  • MESA: Riscos, vulnerabilidade e participação pública
  • RESUMO:
    A teoria da vulnerabilidade fortemente incentivada a partir da década de 40, com a réplica da adaptação humana às cheias, questionou a naturalização do desastre da dominante teoria geofísica. Abriu espaço a novos estudos desta problemática e transformou a visão da resposta ao risco, tendo em vista a sua redução. Uma resposta efectiva a estes fenómenos extremos, pode ser promovida com a mudança de crenças, atitudes e objectivos das políticas públicas. Com a aprendizagem após as experiências e aquisição de novos conhecimentos, como sugere a abordagem da aprendizagem política do modelo das coalizões de defesa (MCD). Contudo, a controvérsia da mudança reside na inclusão na coalizão das comunidades que enfrentam as cheias. No que toca à concessão de voz a grupos sociais distintos e em especial aos mais vulneráveis. Isto, a fim de um melhor controlo do risco para as comunidades e agentes envolvidos, quando as ciências sociais explicam que o conhecimento tradicional, a experiência geracional e as memórias são fontes preciosas de atenuação da vulnerabilidade e incremento da resiliência. Em consequência, esta valorização torna as relações de poder iguais entre cidadãos e entre estes e o Estado, como argumentamos nesta comunicação. Sem ela, consideramos ser difícil acantonar propósitos e acções comuns e dotar as populações de maiores condições de segurança, quando as políticas públicas são as políticas da comunidade. A maioria dos autores reconhece que as pessoas com parcos recursos económicos são as mais vulneráveis. E esta comunicação visa reflectir e questionar se, e de que modo, as políticas aprenderam e mudaram quanto à sua inclusão, com os novos eventos de cheias. Assim como pretende discutir qual a influência da Directiva 2007/60/CE das inundações que sugere a participação popular. Combinando as abordagens da aprendizagem do MCD e do modelo de evento focal com as teorias da vulnerabilidade e da participação pública, recorremos à análise documental dos documentos de orientação política relativos às cheias e inundações no que toca aos processos de participação pública. Tomamos como estudo de caso o Baixo Mondego no período 2005-2015, por esta região representar um exemplo à escala nacional do problema de cheias em planícies aluviais. Analisar estes discursos com objectivo de aferir e debater as mudanças e aprendizagem das políticas no tocante à inclusão dos mais vulneráveis, auxilia-nos no cartografar do seu modelo de participação pública e do lugar que este grupo nele ocupa. É que a sua participação é fundamental para avaliar as suas condições de vulnerabilidade, tomar decisões mais convenientes e reduzir desigualdades.

SAMAGAIO, Florbela Maria

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  • COM0297: Os manuais de português do 1º Ciclo como territórios simbólicos da (des)igualdade de género
  • SECÇÃO: Sociologia da Educação
  • MESA: Territórios educativos e (re)produção de desigualdades, exclusões e inclusões (Sessão III)
  • RESUMO:
    A presente comunicação pretende lançar um olhar sobre os manuais do 1º Ciclo do Ensino Básico partindo do princípio de que os manuais escolares constituem veículos privilegiados de (re) transmissão de informação em ordem à aprendizagem das crianças na sala de aula. Neste espaço, são veiculados valores e saberes que (en) formam a cultura e o quotidiano das crianças, sendo que os manuais escolares assumem um papel estruturante no processo de aprendizagem e socialização. Assim, na sala de aula, procede-se à recontextualização do discurso pedagógico oficial, formalizado por um currículo regulamentado, centrado na figura do professor, a partir dos respetivos manuais escolares. No processo de socialização a criança reconstrói o “ mundo dos outros” e realiza uma reprodução interpretativa da realidade. A partir dos 6 anos, a criança inicia a escolaridade obrigatória e a prática da leitura torna-se regular. Importa pois conhecer os manuais escolares que as crianças leem, sistematicamente durante o 1º ciclo do Ensino Básico, e a partir dos quais também interiorizam, formalmente, a realidade do mundo que as rodeia, e da qual constituem parte integrante. A igualdade de género constitui uma das grandes preocupações das sociedades modernas e democráticas, sendo que a Escola, enquanto instituição histórica de socialização, assume uma significativa função de regulação social. Neste sentido, a presente comunicação, a partir do enquadramento teórico com base na sociologia da educação e dos mecanismos sociais de produção do discurso escolar formal, propõe uma análise de conteúdo dos textos mencionados e patentes nos Manuais de Português do 1º Ciclo do Ensino Básico, através de um processo de categorização com base nas imagens e representações de género, veiculadas pelos textos em questão. A metodologia operacionaliza-se, portanto, recorrendo a uma grelha analítica e de categorização com base nos seguintes elementos: identificação e breve contextualização do texto, tipo de texto, categorias de imagens veiculadas sobre o feminino e o masculino, com significações associadas, tendo em conta o nº de ocorrências. Tem como objetivos fundamentais a apresentação de resultados que permitam demonstrar o (des) equilíbrio existente entre as imagens do masculino e as imagens do feminino veiculado, sob o enfoque teórico da problemática da (des) igualdade de género. Pretende-se verificar se os manuais em questão se encontram de acordo com as orientações normativas das entidades competentes sobre a questão social da Igualdade de Género. Nesta linha de pensamento, a comunicação que se pretende apresentar oferece uma análise de confrontação com os princípios norteadores estipulados na Constituição da Republica Portuguesa (2005), na Lei de Bases do Sistema Educativo (1986), e defendidos pela Comissão para a Igualdade de Género (2009).

SANTOS, Cláudia Priscila C dos

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  • COM0364: As alterações ao Regulamento de Atribuição de Bolsas de Estudo no período de 2010 a 2015: o impacto na realidade da UTAD
  • SECÇÃO: Classes, Desigualdades e Políticas Públicas
  • MESA: Reconfigurações territoriais e estilos de vida
  • RESUMO:
    O estudo pretende analisar o impacto das alterações ao regulamento de atribuição de bolsas às candidaturas da UTAD, no período de 2010 a 2015. No estado da arte sobre as políticas de bolsas de estudos identificamos o discurso uniforme acerca da evolução desta política e suas consequências ao longo dos anos, consoante às alterações, consubstanciadas em novos regulamentos que modificam os procedimentos de análise para a definição dos estudantes que terão ou não as bolsas atribuídas. Estudos mais recentes indicam uma regressão ao longo dos últimos 10 anos que, segundo Lopes (2013), desafia o direito à igualdade de oportunidades de acesso e permanência no ensino superior, corroborando o argumento de Barrias (2015) para quem as alterações às regras de atribuição relativamente ao limiar de elegibilidade incidiram na diminuição dos estudantes com bolsas atribuídas e numa nova caracterização do patamar de carência socioeconômica num modelo que, para Cerdeira (2009), apresenta tendência à familiarização. Considerando estes argumentos, propomos a construção de um quadro analítico sobre os motivos de indeferimento das candidaturas às bolsas de estudos e a sua influência sobre a taxa de cobertura, considerando o direito à formação superior no quadro da igualdade de oportunidades, tendo como campo empírico os Serviços de Ação Social da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (SASUTAD). Utilizamos uma metodologia mista, quantitativa e qualitativa, cujos procedimentos contemplam a análise documental dos regulamentos de atribuição de bolsas em vigência no período de abrangência da pesquisa e a análise secundária de dados aos documentos de gestão do programa de atribuição de bolsas e fontes estatísticas complementares. Adotamos ainda a observação participante através dos relatos de experiência dos assistentes sociais junto aos estudantes da UTAD para contextualizar a intervenção dos técnicos superiores do setor de bolsas no quadro das alterações legais. Sendo este um estudo em desenvolvimento, pretendemos que os resultados gerados contribuam para a compreensão das consequências das alterações à regulamentação dos apoios sociais para os estudantes, sobretudo dos grupos sociais mais vulneráveis, cujo apoio é fundamental para a conclusão do ensino superior.

SANTOS, Marcos

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  • COM0650: Os territórios do território português: caraterização e perspetivas para territórios de baixa densidade
  • SECÇÃO: Territórios: Cidades e Campos
  • MESA: Territórios Urbanos e Mobilidades - B
  • RESUMO:
    Em Portugal desde a década de sessenta do século XX que se verificou uma alteração significativa na distribuição das populações no continente, associada a uma transformação na estrutura produtiva, possibilitada por impactantes inovações tecnológicas. Paralelamente tem também ocorrido no país uma assinalável modificação na dinâmica e na estrutura demográfica com repercussões estruturantes. Assim, segundo Almeida et al. (1994), CE (2008), Correia et al. (2006), Fernandes (s/d), Ferrão (2003), Sousa (2008), têm emergido diferentes tipos de territórios, caraterizados pela conjugação da desigual distribuição das atividades económicas, das populações, dos equipamentos e infraestruturas. Com base neste pano de fundo as questões a que os autores se propõem responder são as seguintes: • Que tipos de territórios são esses e quais as respectivas caraterísticas? • Qual o contexto (incluindo antecedentes próximos e tendências pesadas) que os enquadra e influencia? • Quais as perspetivas a médio prazo para os territórios de baixa densidade que se situam na faixa designada por interior? Pretende-se assim traçar cenários para esses territórios e discutir as causas subjacentes e respostas que implica cada um desses cenários. Bibliografia: Almeida, J. et al. (1994): Regiões rurais periféricas: que desenvolvimento? Uma experiência no concelho de Almeida, CAIS/CIES, Lisboa. CE (2008). Livro verde sobre a coesão territorial europeia: Tirar partido da diversidade territorial, COM (2008) 616 final, Bruxelas Disponível em http://ec.europa.eu/regional_policy/consultation/terco/paper_terco_pt.pdf Correia, T. P. et al. (2006). Estudo sobre o Abandono em Portugal Continental. Análise das dinâmicas da Ocupação do Solo, do Sector Agrícola e da Comunidade Rural. Tipologia de Áreas Rurais, Évora, Universidade de Évora Disponível em http://www2.fcsh.unl.pt/docentes/pcasimiro/DEM/ESTUDO_ABANDONO%202006.pdf Fernandes, B. M. (s/d). Sobre a tipologia de territórios, s.l., s.e. Disponível em http://www.landaction.org/IMG/pdf/BERNARDO_TIPOLOGIA_DE_TERRITORIOS.pdf Ferrão, João (2003). Dinâmicas territoriais e trajectórias de desenvolvimento, Portugal 1991–2001, Lisboa, INE Disponível em https://woc.uc.pt/fluc/getFile.do?tipo=2&id=5741 Sousa, Vanessa Duarte de. (2008). “A necessidade de reinvenção do paradigma de desenvolvimento rural – uma reflexão a partir do caso algarvio”. VI Congresso Português de Sociologia. Lisboa: APS Disponível em http://www.aps.pt/vicongresso/pdfs/16.pdf

SANTOS, Maria da Conceição dos

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  • COM0198: Tecendo as Redes de Cuidado Integral em Saúde com os fios, as linhas e os pontos da Interdisciplinaridade.
  • SECÇÃO: Mesa Intertemática de Posters (Sociologia da Saúde e Dinâmicas Populacionais, Gerações e Envelhecimento)
  • MESA: Saúde, Cuidados e Envelhecimento [Posters]
  • RESUMO:
    O Sistema Único de Saúde brasileiro assegura o acesso universal, no entanto há grandes desafios a serem superados na busca da equidade em saúde no Brasil. O Instituo Saúde e Sociedade, Universidade Federal de São Paulo, orienta o projeto pedagógico dos cursos da saúde pelas críticas à formação profissional disciplinar e fragmentada. As atividades de ensino priorizam a educação interprofissional, a formação para o trabalho em equipe e integralidade da atenção com ênfase na compreensão sócio histórica e cultural do fenômeno saúde-doença. Em 2012, a parceria entre UNIFESP e SMS de Santos sinalizava demandas relacionadas a recém-criada Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência. A história das pessoas com deficiências e incapacidades é marco significativo da história das desigualdades sociais. É importante identificar entre as necessidades de saúde desta população os fatores contextuais (ambientais e pessoais) como determinantes no processo de criação de incapacidade/funcionalidade. Pessoas com deficiência necessitam ações de promoção, prevenção, tratamento e reabilitação para alcançar máxima independência nas atividades de vida cotidiana assegurando autonomia, qualidade de vida e participação social. Atenção e cuidado à saúde e reabilitação apresentam desafios para o sistema de saúde e reclama por ações intersetoriais. Partindo-se da perspectiva crítico-reflexiva da interação ensino-serviço apresentamos o relato de experiência do projeto de extensão PET- Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Deficiência (2013/2015). Participaram 12 acadêmicos, uma docente e 6 preceptores. A ferramenta das narrativas e visita domiciliar, análise do grau de dependência funcional e de barreiras originavam um projeto terapêutico singular para acompanhamento do utente na rede de saúde. As análises dos dados sociodemográficos e epidemiológicos da SMS Santos demonstraram a ausência do uso de indicadores de riscos sociais em saúde, de incapacidade funcional e restrição à participação deste grupo populacional nos registros e sistema de informação, com unanimidade do uso dos indicadores de risco biológico revelando prática assistencial hegemônica do modelo biomédico, com alguma exceção dos serviços da atenção primária. Os trabalhos da equipe do PET propiciaram experiências diferenciadas em novo cenário de ensino-aprendizagem, contribuindo para fortalecer a relação entre serviço e ensino e formação interdisciplinar de discentes e profissionais dos serviços. Vivenciou-se discussões ricas de interlocuções interdisciplinares e com muitas possibilidades para a qualificação e busca de estratégias de superação das limitações da prática hegemônica do modelo médico para caminharmos na direção de práticas pautadas pelo princípio da integralidade do cuidado em rede voltado às necessidades de saúde das pessoas com deficiência contextualizadas nos determinantes sociais e culturais em saúde.

SAÚDE, Sandra Isabel Gonçalves

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  • COM0148: A Avaliação de Desempenho das Instituições de Ensino Superior Politécnico: tensões e reconfigurações resultantes da adoção de métricas específicas
  • SECÇÃO: Sociologia da Educação
  • MESA: A governação política dos territórios educativos (Sessão IV)
  • RESUMO:
    A definição de indicadores de avaliação de desempenho das Instituições de Ensino Superior (IES) é uma reflexão que em Portugal se tem vindo a consolidar na última década, tendo recebido um impulso adicional com a proposta de revisão do modelo de financiamento do ensino superior (encetada pelo anterior governo) e, especificamente, com a inclusão de novos indicadores/ponderadores de qualidade associados ao desempenho das IES. Dada a estrutura binária do nosso sistema, subdividido em universidades e politécnicos, foi assumido pela tutela, em 2014, a necessidade de identificar indicadores de desempenho diferenciados, passíveis de melhor aferir o efeito e a qualidade da ação desenvolvida. Para as Instituições de Ensino Superior Politécnico (IESP) assumiu-se como necessário definir “(…) indicadores de desempenho para a produção, transferência e difusão do conhecimento” (FCT/DGES, 2014 , p.1), isto é, que permitam aferir “(…) as atividades de investigação aplicada e de criação cultural e o seu impacto para as regiões em que estão inseridas (…)” (FCT/DGES, 2014, p.1). Esta comunicação procura situar e refletir como a especificidade das missões das IES, assim como, o contexto territorial em que se enquadram, devem ser marcadores obrigatórios a considerar na definição dos seus indicadores de avaliação de desempenho organizacional e de gestão da dinâmica educativa. Tendo por base a apresentação de indicadores específicos a considerar na avaliação de desempenho das IESP (desenvolvidos no âmbito de um projeto financiado pela FCT), centraremos a reflexão em torno das tensões, reconfigurações e mais-valias, para a gestão da dinâmica organizacional e educativa, que a aplicação destas novas métricas podem induzir. Os indicadores de avaliação propostos permitem, por agregação sucessiva, tipificar e caracterizar a performance desagregada (ETI/Departamento/IES) nas atividades de investigação aplicada, transferência de conhecimento, da prestação de serviços, da qualificação populacional e o contributo para a dinâmica territorial, que distinguem e tipificam o perfil de ação do Ensino Superior Politécnico. Em suma, importa contribuir para a compreensão do papel das IESP e da forma como a reconfiguração das métricas de desempenho podem ajudar à efetivação e à consolidação das suas missões no domínio educativo/formativo, da produção e transferência de conhecimento e da promoção do desenvolvimento regional.

SCHOUTEN, Maria Johanna

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  • COM0114: Famílias em trânsito: a temporalidade da «interface»
  • SECÇÃO: Famílias e Curso de Vida
  • MESA: Casa, Família e Trabalho: Diferentes Temporalidades
  • RESUMO:
    Esta comunicação incide sobre meios de transporte e deslocações territoriais, sob os prismas do género, da parentalidade e da gestão do tempo. Atendendo à problemática da articulação entre os contextos familiar, privado e profissional, focaliza-se o interface, ou seja, a transição de pessoas de um desses contextos para um outro. Nos dias de hoje, as fronteiras entre as várias dimensões da vida são fluidas e facilmente permeáveis, existindo inúmeras possibilidades de contacto virtual por meio das tecnologias de informação e de comunicação. Contudo, também nesta era digital as deslocações no espaço continuam a ser necessárias e desejadas, e nesta comunicação será desenvolvido enquanto exemplo principal o transporte dos filhos para o infantário, à escola ou ATL, bem como as estratégias e perceções dos pais em torno desta atividade quase diária. Com base numa pesquisa sobre agregados domésticos em duas zonas em Portugal com caraterísticas geográficas e demográficas diversas, serão indicados e problematizados alguns dados sobre transporte associados às variáveis «género» e «presença de filhos menores na família». Dados de caráter quantitativo e qualitativo apontam para diferenças entre homens e mulheres, não só no que diz respeito a tipos e padrões de deslocação mas também no que respeita aos significados atribuídos ao transporte e aos meios de transporte. As deslocações podem ser consideradas como pertencentes ao domínio do «trabalho», do «cuidar» ou do «lazer». A genderização da mobilidade muitas vezes é um sintoma e simultaneamente uma causa da sobrecarga feminina no contexto doméstico. As temporalidades familiares e individuais estão estreitamente associadas com as diversas deslocações, sejam elas rotineiras, sejam elas para objetivos especiais, por exemplo lazer. Também estão relacionadas com o meio de transporte utilizado. Quanto ao carro, este é capaz, consoante o tipo de deslocação, de assumir várias funções para além de puro meio de transporte. O «escritório móvel», retratado por Urry, em circunstâncias diferentes pode servir como «sala de estar móvel» ou até «espaço de brincar».

SEGABINAZZI, Marília

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  • COM0348: De um Texto às suas Diferentes Traduções: Sobre Política, Gestão e Tecnologias Digitais nas Redes de Ensino Municipais no Brasil.
  • SECÇÃO: Sociologia da Educação
  • MESA: A governação política dos territórios educativos (Sessão III)
  • RESUMO:
    Este trabalho objetiva compreender como as gestões municipais traduzem, no contexto da prática, as diretrizes do Programa de Implantação das Salas de Recursos Multifuncionais, especificamente no que diz respeito aos recursos de Tecnologias Digitais. Tomando-se por referência o método de análise do ciclo de políticas, proposto pelo teórico Stephen J. Ball, realizou-se um estudo de caso de dois municípios brasileiros, Belford Roxo –RJ e Florianópolis –SC, com dados colhidos a partir de entrevistas com gestores locais, além de observações diretas e análises documentais. No estudo, objetivou-se especificamente identificar como as tecnologias digitais aparecem nos documentos nacionais e locais da Educação Especial; investigar a relação entre as atividades gerenciais e a adoção das tecnologias digitais nas SRMs dos municípios estudados; descrever os caminhos percorridos por ambas as redes na implementação dessas salas, no que diz respeito às Tecnologias Digitais e identificar, na perspectiva dos gestores, as fragilidades e potencialidades do programa no que refere-se às Tecnologias Digitais. Como resultados, observou-se que, embora os textos locais da política revelem a influência de macrocontextos, a tradução desta política, no contexto da prática, é diferente em municípios também diferentes em função das especificidades e das contingências que cada local enfrenta. Ainda, os resultados apontam a figura do gestor como central no processo de tradução das políticas e que os caminhos percorridos pelos dois municípios pesquisados são diferentes no que se refere às estratégias adotadas para discutir as Tecnologias Digitais na rede e para habilitar escolas à implantação do programa. No entanto, estes caminhos apresentam semelhanças no que se refere à manutenção/atualização das tecnologias, à formação de profissionais e às fontes financiadoras, embora cada local tenha adotado estratégias diferentes para tratar destes fatores. No que se refere às fragilidades que os gestores percebem na adoção das Tecnologias Digitais, enquanto um município centrou a questão no âmbito administrativo, o outro considerou o fator humano como a maior fragilidade. Já nas potencialidades, ambas as gerências consideram que recursos de Tecnologias Digitais podem alcançar um papel fundamental na consecução dos objetivos das Salas de Recursos Multifuncionais. Concluiu-se que políticas de macro abrangência têm desdobramentos diferentes em realidades também diferentes, tornando necessária a flexibilização no processo de tradução das políticas.

SEPTIMIO, Carolline

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  • COM0580: O CORPO DOS CONDENADOS: ENTRE A LÓGICA MEDICALIZANTE E O CONVÍVIO SOCIAL
  • SECÇÃO: Sociologia da Educação
  • MESA: Territórios educativos e (re)produção de desigualdades, exclusões e inclusões (Sessão II)
  • RESUMO:
    Neste ensaio teórico, valendo-nos do conceito ancorado em Foucault (2012) acerca da tecnologia política do corpo, aguçamos o debate acerca do corpo deficiente e a lógica medicalizante que baliza a contemporaneidade. Em meio a receituários contra todo e qualquer mal estar social, utilizamos a obra de Machado de Assis “O Alienista” para elucidar questões como desvio padrão, saber e poder, exclusão e enquadramento das deformidades do corpo. O personagem principal do conto machadiano, Simão Bacamarte, busca por meio de seus conhecimentos médicos detectar possíveis desvios de condutas sociais. Simão estabelece a tentativa, para si e aos demais, da conquista de corpos potencialmente constituídos de elementos capazes de garantir a plenitude da sociedade. Nosso interesse volta-se à ideia do debate em torno da segregação do indivíduo diante da diversidade humana e da tentativa sempre presente da medicalização dos corpos indolentes, desviantes, improdutivos, desajustados, estranhos.

SEQUEIROS, Paula

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  • COM0445: Bárbara Virgínia, cineasta precursora e artista, de Portugal para o Brasil
  • SECÇÃO: Arte, Cultura e Comunicação
  • MESA: Identidades, práticas artísticas e pós-colonialismo
  • RESUMO:
    Luísa Sequeira, produtora cultural, jornalista e realizadora, trata especialmente as mulheres na cultura portuguesa, lu lusequeira@hotmail.com; Paula Sequeiros, investigadora pós-doc com o Centro de Estudos Sociais da U.C., investigadora associada do Instituto de Sociologia da U.P., paulasequeiros@ces.uc.pt. Bárbara Virgínia (1923-2015) é o nome artístico da primeira realizadora do cinema português, em 1946 a única realizadora no primeiro festival de Cannes, ao lado de Leitão de Barros, autor do épico nacionalista “Camões” que a tal a incentivou. Falecida recentemente em São Paulo, inicia na adolescência uma atividade multifacetada em concorridos recitais de poesia, que João Villaret positivamente destaca, na escrita para revistas e de livros - onde se incluem prescrições de etiqueta feminina para o convívio na classe média - programas de rádio, gravação de canções, atuação e escrita de guiões fílmicos, até à escrita de uma peça sobre António Nobre recusada pelo SNI. Os seus dois filmes apresentam algumas opções estéticas ousadas. Nascida em família desafogada que lhe proporciona educação artística, com passagens por Angola e Moçambique, acaba por emigrar e permanecer no Brasil onde constitui família própria, longe da desaprovação dos demais parentes quanto a papéis de género nos palcos ou à expressão de ideias avançadas no início da vida, e longe ainda dos demais constrangimentos da sociedade portuguesa de então. Após uma feérica carreira como "diseuse" de poesia pelo Brasil, abandona progressivamente a vida artística e centra-se nas atividades da família, acrescida de uma filha nascida aos 52 anos, mantendo ativa uma rede de relações culturais e sociais no contexto brasileiro. Partimos da análise de entrevistas e registos fílmicos testemunhais, de recortes de imprensa próprios e de uma fã, da leitura dos seus escritos e do que resta dos seus filmes, de um quadro teórico cruzando os contextos sociais e políticos da produção cultural nos dois países e relevando as questões de género, tudo na primeira metade do século, e ainda do "work in progress" de uma curta biográfica de Luísa Sequeira sobre Bárbara Virgínia. De uma perspetiva crítica apresentar-se-ão resultados preliminares da construção de uma biografia, ainda desconhecida, com os seus aspetos contraditórios privados e artísticos, discutindo o ético, o estético e o social.
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  • COM0472: “Como um romance”: nascimento e atribulações da biblioteca moderna em Braga
  • SECÇÃO: Arte, Cultura e Comunicação
  • MESA: Organizações, artes, práticas culturais e desenvolvimento
  • RESUMO:
    Paula Sequeiros, investigadora pós-doc com o Centro de Estudos Sociais da U.C., investigadora associada do Instituto de Sociologia da U.P., paulasequeiros@ces.uc.pt. Em Portugal, a biblioteca pública é instituída pelo poder liberal a partir dos finais do séc. 19, como particular coadjuvante do “sistema instrutivo”. Na Europa, a criação da biblioteca moderna foi uma realidade histórica e socialmente conformada pela normalização das línguas nacionais e pela introdução de sistemas nacionais de ensino, uma e outra ligadas à proclamação de identidades nacionais e das fronteiras redesenhadas. Um processo de crescente industrialização, de base colonial, e a montagem do aparelho de Estado burguês completa o cenário. No campo cultural, destacam-se uma forte atividade da imprensa periódica e a produção do romance, do incremento da literacia e do público leitor. O estudo do caso da conflituosa criação e morosa consolidação da Biblioteca Pública de Braga (1841), onde se inclui a análise da biografia e teoria profissional do seu bibliotecário primeiro, encerra interessante capacidade explicativa sobre as relações de poder em torno da propriedade, produção e formação intelectuais que moldaram a nova instituição, nomeadamente entre o Estado e a Igreja Católica. Esta capacidade explicativa estende-se ainda às visões e ações de grupos sociais diversos quanto à finalidade e utilidade da biblioteca pública, particularmente da parte da pequena burguesia da cidade de Braga e ainda do intelectual público então em formação. A abordagem utilizada nesta pesquisa, permitindo ultrapassar a ideia disseminada de que a biblioteca moderna se formou por um mero ato legislativo e administrativo, pretende dar um contributo à história e aos estudos culturais focados nesta instituição e nos serviços culturais prestados pela leitura pública.

SERAFINO, Irene

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  • COM0438: Reflexões sobre as ações da sociedade civil de carater cultural e artístico em contextos de marginalidade urbana: um estudo de caso
  • SECÇÃO: Pobreza, Exclusão Social e Políticas Sociais
  • MESA: Políticas públicas e avaliação
  • RESUMO:
    Partimos do pressuposto que indagar as atuais dinâmicas da sociedade a partir da noção de exclusão social abre linhas de análise e de interpretação dos novos desafios socioeconómicos e políticos. Apesar das críticas levantadas, este conceito proporciona-nos investigar as vulnerabilidades e as características da questão social (Castel, 2009) e os riscos das sociedades atuais (Beck, 2000) de forma holística. Permite considerar as fragmentações entre os indivíduos, a sociedade e o Estado focando no caráter multidimensional e processual da exclusão social, que envolve a esfera material, mas também cultural e relacional (Paugam,1996). No contexto de crise financeira e de deslegitimação política dos Estados-Providência, em um território onde estão presentes os traços da marginalidade avançada (Waquant,1997), as ações da sociedade civil parecem adquirir nova centralidade e importância a nível estratégico para enfrentar estas questões, mostrando-se como possíveis redes de apoio, de solidariedade e de inclusão. A partir destas reflexões, este trabalho se insere no âmbito de uma investigação de doutoramento sobre as ações da sociedade civil de carater cultural e artístico nos lugares da exclusão social e propõe analisar se e como tornam-se redes de apoio, pertença social, solidariedade e inclusão para os participantes e para as comunidades. No âmbito do trabalho de campo identificamos a potencialidade do uso de linguagens artísticas na ativação, participação e mobilização social e a importância simbólica destes projetos que permitem a reconstrução de narrativas, a relativização de visões estigmatizantes e a criação de experiências compartilhadas.

SGORLA, Andrey Felipe

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  • COM0452: DESCENTRALIZANDO POLÍTICAS, PROFISSIONALIZANDO JOVENS: UM ESTUDO DO PROGRAMA DE APRENDIZAGEM PROFISSIONAL
  • SECÇÃO: Trabalho, Organizações e Profissões
  • MESA: Emprego, desemprego, formação e suas territorialidades - IV
  • RESUMO:
    O presente trabalho propõe-se a investigar o Programa de Aprendizagem Profissional, no contexto da descentralização do Estado e da ampliação da presença das organizações da sociedade civil nas políticas públicas de juventude, analisando as trajetórias, os modelos de gestão e as estratégias das organizações para implementarem o programa, e as concepções e finalidades das atividades formativas, sustentadas pelos seus gestores. O Programa de Aprendizagem Profissional está inserido no âmbito das políticas de juventude do governo federal, nas ações direcionadas à qualificação profissional e à geração de emprego e renda. Do ponto de vista da inserção no mercado de trabalho, o programa visa a minimizar as atividades informais e aumentar as possibilidades de empregos legalizados para jovens ingressantes no mercado de trabalho. Para realizar a pesquisa, entrevistei gestores e coordenadores de três organizações da sociedade civil, além da experiência como profissional do terceiro setor, da participação em eventos, fóruns, congressos, as visitas e entrevistas com os gestores do programa, coletamos materiais sobre a história da organização, relatórios de atividades e materiais didáticos dos cursos. Identificamos, ao longo do trabalho que, as organizações mesmo com diferenças tão significativas nas suas trajetórias, nas estruturas e nos seus objetivos, na sua execução prática, o Programa de Aprendizagem Profissional adquire alguma similaridade. Nas três organizações estudadas, os gestores reproduzem uma visão de que as políticas públicas e das ações dirigidas aos jovens de classe popular, reforçam noções muito presentes no senso comum, tais como: a percepção do jovem de baixa renda como problema social; a ideia de que o tempo livre deve ser necessariamente ocupado para evitar que esses jovens se envolvam com as drogas e com o crime; de que os jovens pobres devem trabalhar desde cedo, sem terem tempo de se preparar para enfrentar a vida adulta, sem direito à moratória juvenil que a classe média oferece aos seus filhos. Mesmo com o avanço nas diretrizes gerais da Política Nacional de Juventude, na prática, a garantia do reconhecimento do jovem como um sujeito de direitos, ainda está distante na execução das políticas públicas. Constatamos que a descentralização produziu uma diversidade de modelos de gestão presentes na operacionalização do programa. Mas, ao contrário do que seria de esperar, as compreensões e os significados da política pública para a juventude adquirem feições muito semelhantes, mesmo quando executada por organizações tão distintas. Essa constatação reforça a percepção de que, da necessidade de se mudar o sentido da própria política, colocando em questão os significados e visões que ela reproduz, nas diferentes esferas, e redefinindo as finalidades de um programa de formação profissional para jovens pobres, da envergadura do Programa que foi o alvo deste estudo.

SILVA, Gabriela Tavares Candido da

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  • COM0462: EU NÃO NASCI NO SAMBA, MAS O SAMBA NASCEU EM MIM O QUE DIZER DA CONSTRUÇÃO DE UMA IDENTIDADE?
  • SECÇÃO: Arte, Cultura e Comunicação
  • MESA: Culturas musicais contemporâneas, memórias, património e vivências
  • RESUMO:
    RESUMO O texto pretende relacionar temas tais como identidade, representação cultural e subjetividade como os contextos de criação do samba e de sua simbologia. É importante notar, para não fugir ao óbvio, que este trabalho não busca resolver certas querelas antigas relacionadas aos samba, afinal, sua solução estaria em franca contradição com o próprio propósito do trabalho, que é o de interrogar-se sobre um fenômeno cultural que por mais que se tentem definir ele teimosamente insiste em se reinventar. A identificação que temos com uma determinada cultura e sua representação social ou política, entre outras categorias, por vezes nos remonta a reflexões sobre as noções de pertencimento, de afetividade e de práticas coletivas, conduzindo-nos a um jogo constante ora de distinção, ora de afinidade. Nesse sentido, podemos nos perguntar por que nos identificamos com uma determinada expressão cultural? E, por conseguinte, por que ao “escolhermos” determinadas expressões culturais estamos automaticamente nos abstendo de outras tantas expressões culturais? E, finalmente, será mesmo que podemos falar em escolhas? E esta seria resultante de um processo de decisão consciente, premeditada e calculada das nossas ações? Ou podemos pensar que existem outros atributos que interferem nesse processo de adesão? Essas são algumas das questões levantadas nesse trabalho. E, para fins de nossos interesses, procuraremos conduzi-las tomando o samba como nosso mote. O trecho da música É corpo, é alma, é religião (CRUZ; ROGÉ; NETO; 2014) diz muito do que estamos preocupados em trabalhar nesse artigo. Um sentimento de descoberta por algo novo, que conversa com as percepções de mundo e as necessidades mais implícitas, que pode nos dizer que ela só é exemplificada nos versos dessa canção nos apresentando um claro exemplo de um processo de identificação e pertencimento. Sobre uma identificação (NIXON, 1997) que só acontece no e pelo contato. Numa espécie de vivência prática. Por outro lado, podemos também dizer que a identidade do samba só existe a partir de outras identidades. Tudo aquilo que não existe no samba, que não faz parte de seus símbolos, rituais e que não dialoga com seu significante serve para defini-lo. Em outras palavras, a identidade, por assim dizer nasce da diferença. SILVA, Gabriela Tavares Candido da Estudante de Mestrado do Programa de Pós Graduação em Cognição e Linguagem E-mail: gabrielatcandido@gmail.com NASCIMENTO, Giovane do Professor do Programa de Pós Graduação em Cognição e Linguagem E-mail: giovanedonascimento@gmail.com

SILVA, Manuel Carlos

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  • COM0590: Entre desigualdades de género e estratégias de paridade na educação: alguns resultados de uma pesquisa
  • SECÇÃO: Classes, Desigualdades e Políticas Públicas
  • MESA: Desigualdades de género, estado de bem-estar e inclusão social
  • RESUMO:
    As desigualdades de género na educação são desde há algumas décadas objecto de estudo, constituindo todavia um campo relativamente recente. Vários estudos foram demonstrando a reprodução da desigualdade por território, classe e género em termos de acesso e sucesso, apontando em especial a discriminação feminina nos percursos escolares no passado. Embora as declarações legais de escolaridade obrigatória datem da primeira metade do século X1X, a sua realização é tardia, mantendo-se elevadas taxas de analfabetismo, nomeadamente durante o Estado Novo, até finais dos anos 70, colocando Portugal na cauda da Europa. Este panorama só será alterado no pós 25 de Abril de 1974, nomeadamente nas últimas três décadas. Com base em resultados de um projeto de investigação finalizado sobre “Desigualdades de Género no trabalho e na vida privada”, coordenado pelo autor do presente texto, sustenta-se e comprova-se a hipótese de trabalho de que quanto mais providas forem as famílias de origem, mais qualificados são os indivíduos; e, quanto menos providas forem, menos qualificados são. Por outro lado, quanto mais se ascende nos escalões etários, menos indivíduos qualificados em habilitações e vice-versa: quanto mais jovens forem os inquiridos/as, maiores níveis de habilitação possuem. Por fim, para além da elevação dos níveis de escolaridade em termos geracionais, verifica-se uma redução das disparidades entre homens e mulheres, sendo mesmo de relevar uma maior taxa de feminização no ensino secundário e superior e, portanto, uma mais intensa mobilidade educativa entre as mulheres, ainda que não profissional, que entre os homens.
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  • COM0593: Entre a inserção e a exclusão: a identidade étnica de imigrantes dos PALOP
  • SECÇÃO: Migrações, Etnicidade e Racismo
  • MESA: Integração 3
  • RESUMO:
    Este texto apresenta alguns resultados de um projeto de investigação coordenado pelo primeiro autor, no qual participaram as duas co-autoras, sobre relações interétnicas no distrito de Braga entre maioria autóctone e minorias as étnicas, das quais se destacam imigrantes africanos dos PALOP. Com efeito, após uma breve caracterização oo sociodemográfica de diversos grupos étnicos africanos em Braga com base num inquérito e entrevistas semi-estruturadas, faz-se uma análise desta população desde o seu país de origem ao país de chegada, analisando, em m especial, as representações e mundividências culturais dos imigrantes. Tomando como questão de fundo saber em que medida os imigrantes africanos negros estão e se sentem inseridos ou excluídos na região de acolhimento, os autores convocam para o debate alguns dos contributos mais relevantes nas ciências sociais sobre etnicidade e identidade étnica no contexto migratório. A identidade étnica não traduz uma realidade fixa e imutável mas é dinâmica e relacional e, como tal, é analisada no seu contexto espacio-temporal e social. Embora não possa ser reduzida à simples dimensão estratégica dos atores, ela tão pouco é uma entidade escondida por detrás dos acontecimentos mas algo que, não sendo independente das condições sociais e históricas, é também socialmente construída e negociada pelos diversos actores sociais em co-presença.

SILVA, Paula

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  • COM0157: Doença oncológica: duas faces da mesma moeda
  • SECÇÃO: Sociologia da Saúde
  • MESA: Experiências de doença e práticas profissionais
  • RESUMO:
    O presente trabalho foi desenvolvido no âmbito de uma tese de doutoramento e visa contribuir para o aprofundamento do conhecimento sociológico sobre o cancro, através da análise da articulação existente entre a experiência de viver a doença e o saber biomédico que lhe corresponde. Com esse objetivo foi tomado como referência o relatório anatomopatológico, cuja informação, ao estabelecer o diagnóstico de malignidade, o configura como basilar para a perceção da gravidade da doença. A doença oncológica relatada na primeira pessoa constituiu o ponto de partida deste estudo de natureza qualitativa, que teve por base os contributos da Grounded Theory (Glaser e Strauss, 1967). Foram realizadas 100 entrevistas a doentes de ambos os sexos que acederam a consultas de oncologia de dois hospitais públicos da cidade do Porto (Centro Hospitalar de São João e IPO-Porto). No decurso do processo de investigação foram ainda entrevistados outros atores ligados aos tipos de cancro contemplados na tese, nomeadamente clínicos e dirigentes de associações de doentes. A opção por esta abordagem teve como propósito traçar uma panorâmica mais abrangente da realidade em estudo, procurando caraterizá-la enquanto fenómeno permeado por fatores de natureza micro e macrossocial. Dada a maior incidência de doenças oncológicas na população idosa, o envelhecimento demográfico que se regista em Portugal enfatiza a repercussão pessoal e social que aquelas exercem. Acresce a este facto o contexto de recessão económica, cujos efeitos, refletindo-se necessariamente no universo da saúde/doença, adquirem maior notoriedade no cancro. A metodologia adotada justifica-se pela importância e adequação que revela na construção de uma teoria fundamentada nos dados obtidos no trabalho empírico, em especial os relativos às questões de identidade associadas à trajetória da doença/dolência. Nesta dinâmica, os fatores Tempo e Resiliência assumem-se como fulcrais.

SIMÕES, Carlos Jorge Sequeira

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  • COM0063: O processo identitário na construção de um ofício artístico múltiplo de vocação: Um olhar a partir da atividade de ensino da dança kizomba.
  • SECÇÃO: Identidades, Valores e Modos de Vida
  • MESA: Ficção, Vocação e (Re)invenção da Performance Identitária
  • RESUMO:
    Com esta comunicação pretende-se apresentar os resultados parciais da uma investigação sociológica de natureza qualitativa a decorrer no âmbito do mestrado em Sociologia da Faculdade de Economia da Universidade do Algarve, centrada nas trajetórias e na produção do processo identitário de atores que ensinam a dança kizomba enquanto vetor de um ofício artístico múltiplo de danças sociais de par. Ofício que tem como motor da ação o sentido de «vocação», desmultiplicando-se os atores tendencialmente através da poliatividade, como estratégia de sobrevivência, num modo de vida que se desenvolve num contexto não estruturado, nem regulamentado e de forte vulnerabilidade laboral. Ofício de livre entrada, mas condicionado pela necessidade de identificação dos atores com os papéis de bailarino, coreógrafo, professor e animador em simultâneo, assim como pela necessidade de detenção de disposições físicas, artísticas, de aprendizagem, de ensinar e de socializar, associáveis a estes papéis. Atores que têm de trabalhar constantemente recursos identitários, no intuito de agregação de sentido segundo uma imagem de si, a partir da qual efetuam a composição e recomposição do seu ofício, trabalhando contradições sociais como as variabilidades da prática no interior das danças sociais de par, e perante os condicionalismos de uma procura da actividade instável, tendo como foco orientador a procura da manutenção de um ofício de «vocação». Uma entrada pela sociologia compreensiva e por uma sociologia à escala individual com recurso a um estudo aprofundado que mobiliza como técnica de recolha de dados principal a entrevista semi-estruturada, que permitiu a compreensão das variabilidades intraindividuais das trajetórias e das identidades construídas num ofício artístico múltiplo, a partir do vetor de atividade de ensino da dança kizomba.

SOUSA, Darcon

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  • COM0320: AS CONDIÇÕES E OS SIGNIFICADOS DO TRABALHO DE JOVENS MULHERES NA PRODUÇÃO INFORMAL DE ROUPAS: UM ESTUDO DE CASO NO INTERIOR DO NORDESTE BRASILEIRO
  • SECÇÃO: Classes, Desigualdades e Políticas Públicas
  • MESA: Territórios de desigualdade, trabalho e qualidade de vida
  • RESUMO:
    No Brasil, o setor industrial de confecções comporta uma grande heterogeneidade no que diz respeito ao porte das empresas e à variedade de produtos oferecidos ao mercado. Em várias regiões se consolidaram centros produtivos, cuja especialização guarda relação com os arranjos e vocações locais, os quais conformam espaços socioeconômicos dinâmicos, constituídos em objetos de estudo para diversas perspectivas teóricas. Todavia, fora dos polos regionais, sobrevivem micro empreendimentos que se apresentam como alternativa de renda para jovens sem acesso ao emprego formal quase inexistente em áreas distantes dos fluxos de capitais que se conectam aos mercados. Em muitas cidades interioranas, a fabricação de roupas envolve atores sociais em um circuito informal mobilizado a partir de pequenos investimentos e caracterizado pelo trabalho precário e subremunerado. Nesses lugares, a força de trabalho jovem e feminina aparece como fator de produção de baixo custo que sustenta os lucros de pequenos proprietários e de comerciantes que operam na clandestinidade. Em um pequeno município do interior da região nordeste do Brasil, onde vivem pouco mais de 4.000 habitantes, um circuito de produção de roupas de uso em praias foi criado desde quando iniciativas de alguns poucos indivíduos mobilizaram uma força de trabalho jovem, sem alternativas de emprego e renda, para produzir e vender esses produtos de modo informal e clandestino. Neste trabalho, está relatada a dinâmica socioeconômica desta produção, com ênfase nas relações sociais e de produção, desenvolvidas entre pequenos proprietários, trabalhadores do sexo feminino e vendedores ambulantes que escoam a produção no litoral nordestino. A análise empreendida, sob o ângulo de perspectivas teóricas da Sociologia Econômica, privilegia os sentidos atribuídos pelos sujeitos à sua condição, ao mesmo tempo em que identifica as determinações que estão por trás da estrutura econômica estudada. Os dados foram coletados por meio da aplicação de questionários e de entrevistas durante o trabalho de campo. Os resultados da pesquisa ressaltam as condições de trabalho precárias na produção estudada e a busca de atores sociais por emancipação econômica em um contexto de limitações, o que não impediu o surgimento de iniciativas que geraram lucros e rendas, ainda que à margem da regulação dos mercados formais.
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  • COM0319: POLÍTICAS PÚBLICAS E PARTICIPAÇÃO SOCIAL NO CONTEXTO DA INTEGRAÇÃO DO GOVERNO DE ESQUERDA À DINÂMICA POLÍTICA INSTITUCIONAL DO BRASIL
  • SECÇÃO: Globalização, Política e Cidadania
  • MESA: Estado e Políticas Públicas
  • RESUMO:
    A chegada ao poder do Partido dos Trabalhadores (PT) no Brasil, em 2003, constituiu-se em um fato inédito na história política do país, levando-se em conta que o PT originou-se no movimento sindical e consolidou sua influência na sociedade brasileira por meio da adesão de amplos segmentos intelectuais e progressistas ao seu projeto de governo. Entretanto, a assunção do PT não ocorreu sem concessões aos setores empresariais, os quais sempre enxergaram no partido uma ameaça à ordem econômica vigente. No parlamento, o PT formou coalizões com partidos conservadores para assegurar a governabilidade e a implantação dos planos esboçados num cenário sem rupturas. Mesmo sob constante pressão dos meios de comunicação e nos limites impostos pela institucionalidade política, o PT obteve êxito na adoção de diversas políticas sociais que formaram um cinturão de proteção social refletido em melhores condições de vida para os mais pobres. Todavia, ainda que tenham origem em reivindicações suscitadas pelos movimentos sociais, essas políticas não estreitaram as relações entre o governo e a sociedade organizada, de modo a permitir uma maior influência direta dela nas decisões governamentais. Mesmo em períodos nos quais o bom desempenho da economia favoreceu o aumento da renda e do emprego da classe trabalhadora, o PT não conseguiu criar mecanismos inclusivos de participação social. Em contraposição, a partir de 2013, quando eclodiram as manifestações de rua que intensificaram protestos difusos a expressarem intensa insatisfação com o establishment político, os meios de comunicação e a direita política capturaram a agitação popular e aumentaram a radicalização contra o governo. Tendo isto como pano de fundo, este artigo analisa as tentativas do governo do PT para reconquistar sua base social, principalmente por meio da implantação de políticas públicas de participação social. Depois de ver frustrada a tentativa de promover a participação por meio da regulamentação da “Política Nacional de Participação Social”, o governo criou o programa ‘Dialoga Brasil”, o qual se utiliza das redes sociais para dar voz aos cidadãos. Por intermédio de uma plataforma acessada pela internet, os cidadãos podiam apresentar sugestões para as diversas políticas públicas existentes. Neste trabalho, são analisados o contexto e a implantação dessa política de participação. Em termos metodológicos, trata-se de uma investigação qualitativa que se utilizou da análise de conteúdo de documentos como principal instrumento de coleta de dados. Os resultados da pesquisa assinalam o caráter simbólico da política pública estudada e sua descontinuidade, tendo se constituído num mecanismo tardio em relação aos objetivos pretendidos e em face dos impasses que levaram o governo do PT ser ameaçado de ter o seu mandato encolhido pelas forças políticas e econômicas que lhe fazem oposição.

SOUSA, Sandra

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  • COM0517: O processo administrativo e jurisdicional enquanto processo de territorialização.
  • SECÇÃO: Sociologia do Direito e da Justiça
  • MESA: Direito e Territórios legais
  • RESUMO:
    A relevância desta reflexão surge como uma evidência clara, sobre a mobilidade quotidiana das pessoas enquanto resultado de dinâmicas de articulação do espaço e da sociedade nomeadamente pelos dispositivos que dispõem o território nacional mas essencialmente nos dias atuais pressionados de certa forma sobre uma reorganização estrutural de nível económico pela qual se traduz com destaque a nível infraestrutural que por sua vez implicitamente, se estabelece uma relação de interdisciplinaridade ente forma social e económica. Evocando o enquadramento teórico da sociologia, assim como de outras ciências sociais, discute-se o papel do espaço na administração do território. Este exercício analítico implica também citar o território enquanto estrutura, ou seja, a sua organização, e enquanto processo também associado a políticas públicas, ou seja o ordenamento do território. Considera-se a existência de dois polos na divisão do território: por um lado, a parte administrativa, por outro lado a parte judicial. Analisando uma ordem jurídica assente no contrato social, verifica-se que o exercício do poder na sua aceção mais comummente utilizada, isto é, de forma tripartida pelos poderes executivo, legislativo e judicial que está na base da constituição do Estado de Direito. No âmbito do espaço, a ideia que prevalece como básica do direito, é que todo o sistema jurídico é validado pela delimitação do território nacional, assim como pelo direito de propriedade e outras questões arquitetónicas da justiça. Não se pode deixar de sublinhar que a importância do território assenta num mapa judicial, também sujeito a uma territorialização própria onde as competências asseguram a prossecução dos dos sistemas jurídico e jurisdicional. Nesta linha, pode-se constatar que o direito e a justiça enquanto instrumentos de modelação social, permitem numa vertente prática, na materialização das estruturas territoriais na vida quotidiana. Numa ótica em que o poder económico mobiliza a organização estruturação do território, é premente a análise do processo administrativo e judicial.

STELMASTCHUK, Ulisses

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  • COM0275: O gosto da rua: experiência e território em Walter Benjamin
  • SECÇÃO: Sociologia das Emoções
  • MESA: Territórios emocionais
  • RESUMO:
    Esta proposta de comunicação pretende demonstrar como Walter Benjamin, nas mais diversas reflexões sobre as territorialidades da cidade, faz da comida um objeto privilegiado de observação, a ponto de transformá-la em uma importante ferramenta aos atuais estudos dos espaços urbanos contemporâneos. No preciso legado deixado pelo sociólogo alemão, alguns escritos destacam-se pela capacidade de transformar a comida, uma ordinária imagem do pensamento, num recurso epistemológico primeiro para a realização de uma verdadeira análise etnográfica, capaz de revelar tantos os cenários e atores sociais nas diferentes espacialidades urbano e rurais, como também as experiências afetivas e sensoriais às quais o indivíduo moderno está sujeito em diversos contextos. Tal é a potencialidade evidenciada em Falerno e Bacalhau, texto reunido no conjunto de ensaios Rua de Mão Única (1928), onde Benjamin narra um percurso realizado pelas ruas de Roma, flanando por entre edificações, passagens, sentimentos e a multidão. Já em Borscht, o autor é capaz de empreender uma insólita experiência gustativa, repleta de espaços, imagens e memórias, ao descrever minuciosamente as sensações evocadas por uma tradicional sopa encontrada no Leste Europeu. Utilizada como um fascinante recurso metodológico de análise, na qual a remetência a Proust e a Claude Levi-Strauss não deve ser excluída, Benjamin apropria-se da comida na tentativa bem sucedida de gerar uma gama de incontáveis combinações de idéias que se revestem de um caráter espacial próprio. Munido de elementos cotidianos e autóctones, a exemplo da comida, Walter Benjamin prova, mais uma vez, que as experiências íntimas e sensíveis são inteiramente pertinentes ao campo do conhecimento, por quanto permitem a compreensão de sentidos e valores historicamente consolidados em diferentes espaços e temporalidades.

SÁ, Marcio

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  • COM0093: O que pode ser elaborado como capital num campo de negócios interiorano?
  • SECÇÃO: Teorias e Metodologias
  • MESA: DEBATES TEÓRICOS E CLARIFICAÇÕES CONCETUAIS
  • RESUMO:
    Esta comunicação se propõe a apresentar uma possibilidade de uso de um dos instrumentos conceituais do modo de produção científico consagrado por Pierre Bourdieu. A partir do entendimento da noção de capital como ferramenta de trabalho do investigador (e não apenas como um termo-conceito que compõe uma metalinguagem sobre o mundo), procura-se ilustrar por meio da demonstração de alguns dos resultados obtidos, como tal instrumento possibilitou a elaboração de diferenciações objetivas e simbólicas num campo de negócios específico. O ambiente empírico no qual foi empreendida a investigação é a microrregião Agreste do estado de Pernambuco, Nordeste brasileiro. Mais especificamente, os municípios em torno do eixo Caruaru-Toritama-Santa Cruz do Capibaribe. A pesquisa maior, da qual este trabalho faz parte, foi apresentada como tese em sociologia e teve como principal interesse os proprietários e seus negócios de produção e comercialização de confecções. Ambos germinaram no Agreste nas últimas décadas do século passado, a partir de uma história coletiva comum compartilhada por meio do comércio de feira de rua, e hoje constituem sua principal atividade econômica. O trabalho de terreno mais substantivo se deu ao longo de um processo de imersão de inspiração etnográfica, recorrendo a diversas técnicas de pesquisa qualitativa (conversas com informantes e demais agentes identificados como revelantes; observações diretas em feiras de rua, centros de compras, fabriquetas domésticas e mesmo em grandes fábricas locais; notas de campo; entrevistas semiestruturadas etc.). Tendo em vista organizar o material gerado e orientar sua análise, o modelo teórico bourdiesiano foi reelaborado em função do ordenamento dos temas que emergiram e compuseram a estrutura de análise. Em particular no que se refere à noção de capital, foi justamente seu potencial heurístico, de geração de alternativas razoáveis para o agrupamento e o entendimento acerca de tais temas, que se mostrou de significativa valia. A partir da noção bourdiesiana foram elaboradas duas das noções-bússolas (“Recursos diferenciadores no mercado local” e “traços distintivos dos proprietários”) que orientaram a investigação maior em termos comparativo-relacionais, tanto no que se refere aos proprietários quanto ao que também está objetificado e simbolizado em seus negócios. Tais noções me permitiram agrupar e analisar as diversas similaridades e diferenças significativas ao campo, de modo a melhor compreendê-lo nestes termos. O que foi identificado como recursos diferenciadores no mercado local e traços distintivos dos seus proprietários é explicitado por meio da comparação demonstrada na parte principal da comunicação, juntamente com o modo como se deram seus usos na prática, ou seja, no direcionamento dos esforços investigativos orientados por tais noções.

SÁ, Virgínio

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  • COM0722: Dinâmicas e representações sobre a gestão escolar: um estudo de caso num agrupamento de escolas
  • SECÇÃO: Sociologia da Educação
  • MESA: A governação política dos territórios educativos (Sessão III)
  • RESUMO:
    O estudo da administração e da gestão escolar emerge como uma problemática fundamental para a compreensão do exercício da democracia no espaço escolar. A presente comunicação decorre de uma investigação em curso subordinada ao tema “A governação e gestão das escolas públicas: o(a) diretor(a) em ação”. Este projeto, desenvolvido no âmbito do Centro de Investigação em Educação, do Instituto de Educação da Universidade do Minho, procura responder, entre outras às seguintes questões: i) . Em que sentido as reformas da administração escolar em Portugal, ao longo da última década, têm contribuído para a erosão dos processos de democratização e das práticas de participação nas escolas/agrupamentos? entre outras. Este estudo desenvolve-se em duas dimensões de investigação: uma de natureza mais extensiva, concretizada através da aplicação de um inquérito por questionário ao universo dos diretores de escolas/agrupamento, e outra de natureza mais qualitativa, materializada na realização de quatro estudos de caso. Os dados aqui mobilizados foram recolhidos num desses estudos de caso e decorrem da aplicação de entrevistas a alguns atores educativos e da análise de conteúdo de alguns documentos estruturantes do agrupamento, nomeadamente, o projeto educativo, o regulamento interno, o plano anual de atividades e o contrato de autonomia. Os dados mobilizados nesta comunicação direcionam o seu foco para as relações de poder e de autoridade entre os principais órgãos do agrupamento (diretor, conselho pedagógico e conselho geral) a partir da análise das representações dos docentes, do representante da autarquia e dos representantes dos pais e encarregados de educação desenvolvidas no seio do agrupamento escolar. Os dados denunciam a existência de uma densa teia de relações e de vários jogos de poder, mobilizados pelos diversos atores escolares, que se materializam na redefinição das fronteiras entre os vários órgãos de governo do agrupamento e na emergência de novas territorialidades.

TEIXEIRA GOMES, Cláudia

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  • COM0540: Vidas em projeto: o espaço educativo como palco potenciador de diálogos entre gerações
  • SECÇÃO: Dinâmicas Populacionais, Gerações e Envelhecimento
  • MESA: Envelhecimento e Relações Sociais
  • RESUMO:
    A presente pesquisa analisa o papel da educação nas sociedades envelhecidas, nomeadamente na promoção de novas formas de diálogo e partilha de experiências entre gerações. Considerando aquele que é o movimento multiforme do fenómeno de envelhecimento, é proposta uma análise da complexidade de dinâmicas de relações que se jogam entre, por um lado, as possibilidades de aprendizagem e aquisição cultural subjacentes na oferta educativa e, por outro lado, as escolhas, orientações e vivências de reconfiguração identitária promovidas naqueles e naquelas que compõem os segmentos etários mais velhos de novos públicos, não tradicionais, da população estudantil. A abordagem desenvolvida, assente num estudo de caso desenvolvido na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, articula dois níveis de análise: no plano macro-meso considera os impactos e desafios assumidos pela Universidade nas configurações de lifelong learning face às possibilidades de participação ativa dos cidadãos em fases mais avançadas das suas vidas num espaço de partilha intergeracional - ainda que fortemente subordinado a lógicas prevalecentes de educação-formação de população juvenil. No plano micro (onde se centra a presente comunicação), equacionam-se essas experiências nas suas relações com o desenvolvimento de competências de literacia, que variam de acordo com as estruturas de oferta formativa (formal e não formal), procurando-se compreender diferentes protagonismos subjacentes à retoma a contextos de educação-formação. Neste plano, focado numa análise de recursos, práticas e orientações de indivíduos com mais de 50 anos mobilizados em atividades de formação, propõe-se uma abordagem compreensiva de preferências por experiências de educação-formação. Os resultados de análises já desenvolvidas, de caracterização destes alunos, permitem o seu posicionamento em “padrões de vida de velhice distintiva” (Mauritti, 2004), delimitados por condições estruturais de favorecimento social. No mapeamento das experiências que demarcam as suas escolhas e orientações na ‘retoma à faculdade’, narrativas de (re)descoberta de si, de possibilidade de concretização de projetos de vida significativos ou de busca de alternativas a situações de rotura em ciclos de vida mais avançados (decorrentes de situações de desemprego de longa duração, reforma, perda do cônjuge, etc.), acabam por espelhar diálogos diferenciados e transições de vida, afinal, partilhados numa orientação comum de projeto educativo sempre, potencialmente, em atualização.

TEIXEIRA, Ana Lúcia

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  • COM0259: Da teoria à prática: quotas e igualdade de género na política em Portugal
  • SECÇÃO: Classes, Desigualdades e Políticas Públicas
  • MESA: Territórios de desigualdade, trabalho e qualidade de vida
  • RESUMO:
    Representando metade da população mundial (49,6% em 2015), as mulheres encontram-se subrepresentadas na área política em todo o mundo. Muitas têm sido as explicações avançadas para o afastamento das mulheres dos lugares de tomada de decisão política que passam por factores de ordem cultural e histórica; demográfica e socioeconómica; e política (ligada ao sistema eleitoral, configuração político-partidária, duração da democracia, entre outras). A acção afirmativa, através do estabelecimento de limiares mínimos de participação de cada um dos sexos como meio de alcançar a paridade, tem sido um dos temas mais debatidos, tanto academicamente como nas arenas política e pública, permanecendo ainda um assunto polémico. Mesmo que, até para os seus defensores, a aplicação de medidas de acção positiva não seja condição suficiente, parece constituir-se um elemento chave na aceleração e consolidação da mudança em direcção a uma participação igualitária de homens e mulheres na tomada de decisão política. A nível mundial, a proporção de mulheres nos parlamentos situa-se nos 22,9% ao passo que na Europa este valor sobe para os 25,9%. Em Portugal, após as últimas eleições legislativas de 2015, a proporção de deputadas eleitas atingiu os 32,6%. No presente trabalho, enquadrado numa investigação mais alargada sobre as desigualdades de género na política portuguesa, far-se-á uma análise do impacto da Lei da Paridade em Portugal, implementada em 2006, na evolução das eleitas para a Assembleia da República. Partindo da análise da composição das listas apresentadas pelos maiores partidos às eleições legislativas e da composição do Parlamento desde 1976, em termos de género, traçar-se-á o quadro de mudanças e imobilismos da participação política das mulheres no Portugal democrático. Para além de uma análise longitudinal, que revela um aumento sustentado da presença das mulheres na política (impulsionado pela Lei da Paridade), serão também destacadas as diferenças encontradas ao nível das várias forças políticas, que revelam que é nos partidos mais à esquerda que se encontra, invariavelmente, uma maior proporção de mulheres. Por último, e tendo em conta as grandes assimetrias verificadas no número de candidatas e de eleitas pelo território nacional, far-se-á ainda uma análise tendo em conta os diferentes círculos eleitorais.

TOMÁS, Licínio M. Vicente

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  • COM0428: Entre tradição e sobrevivência do trabalho do mar: Dilemas geracionais das comunidades piscatórias.
  • SECÇÃO: Dinâmicas Populacionais, Gerações e Envelhecimento
  • MESA: Envelhecimento e Relações Sociais
  • RESUMO:
    Somos herdeiros de uma tradição marítima na qual o mar sempre ocupou um inegável espaço de identidade. No essencial, quer em termos de processos quer no atinente ao teor das relações de enquadramento socio-laboral, o trabalho nas pescas permanece ainda mal conhecido entre nós. O mesmo é válido para as comunidades humanas que vivem da pesca marítima as quais, atravessadas por mudanças globais, procuram ativamente alternativas à faina do mar e aos rendimentos da atividade da pesca. Contudo, na encruzilhada da modernização dos métodos e das frotas, dos constrangimentos dos mercados globalizados e da indefinição política para o setor, as comunidades piscatórias procuram sobreviver entre dilemas que o dia-a-dia lhes coloca. Mas estas comunidades constituídas secularmente, que têm no trabalho do mar o seu fundamento e, por vezes o seu único sustento, encontram-se hoje dilaceradas por profundos dilemas visto que se assiste a uma transformação dos sistemas organizacionais da atividade, da sua identidade e do funcionamento das próprias comunidades profissionais, nomeadamente, em virtude das mutações mercadológicas, ambientais e políticas. Nos moldes atuais, a atividade da pesca é dificilmente sustentável e o setor tornou-se repulsivo. Perante a fuga de efetivos, o envelhecimento profissional destas populações indica que a renovação dos recursos humanos pode estar comprometida. Em suma, trata-se de saber como é que os homens do mar lêem o futuro da sua profissão na continuidade geracional. Assim, procuraremos na presente comunicação dar conta da forma como os homens do mar vivem os dilemas, paradoxos e contradições da sua situação de trabalho os quais definem em boa medida a sua condição de vida e de relação com o mundo.

TOMÁS, Maria Isabel

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  • COM0047: Pluralidade Religiosa e Políticas Públicas – A Realidade do Município de Lisboa
  • SECÇÃO: Crenças e Religiosidades
  • MESA: Identidades e performances religiosas no espaço público
  • RESUMO:
    A religião não desapareceu na Europa, antes porém, diversificou-se adquiriu novos contornos e deu lugar uma nova era de espiritualidades. As Igrejas tradicionais onde impera o coletivo deram origem a uma nova era de movimentos religiosos onde impera o indivíduo que decide a sua trajetória espiritual ao longo da vida. Podemos assim, inferir que a religião está presente no espaço público, quer através de espaços de culto, de instituições sociais, de estabelecimentos de ensino, programas e estações de rádio e televisão, entre outras formas de participação. Daí, que a configuração das nossas cidades evidencie uma pluralidade religiosa que, por sua vez, está relacionada com os fluxos migratórios, emigração e imigração, ocorridos no passado e no presente. Por outro lado, as Igrejas e organizações religiosas reforçam a construção da identidade e podem ser consideradas um local onde as pessoas se encontram e se ajudam mutuamente. Contribuindo, assim, para uma maior integração dos cidadãos. Ou seja, podemos constatar que, nos espaços religiosos, existe uma inter-ajuda entre as pessoas, na resolução dos seus problemas, como a legalização, a procura de emprego, o combate à solidão, entre outros. Podemos, assim, afirmar que a religião é essencial para o exercício da cidadania. Por seu turno, esta pluralidade originou um conjunto de políticas públicas, como a Lei da Liberdade Religiosa, que supostamente, veio regulamentar um conjunto de direitos já consagrados na Constituição da República Portuguesa, o Código Civil Português, entre outros documentos legais. O processo de secularização no sentido clássico do termo não se concretizou na sua totalidade, antes porém, o Estado intervém no domínio religioso, quer através da celebração de acordos com as entidades religiosas, quer através da regularização das mesmas. Realidade que nos leva a questionar a legitimidade estatal para o exercício de determinadas competências, como a definição do que é ou não é uma religião e /ou da religião que tem ou não tem o direito a aceder ao estatuto de entidade religiosa radicada.

VALENTE, Joel

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  • COM0162: A Música ao serviço da Religião
  • SECÇÃO: Crenças e Religiosidades
  • MESA: Identidades e performances religiosas no espaço público
  • RESUMO:
    A música é a combinação de ritmo, harmonia e melodia, de maneira agradável ao ouvido. Num sentido mais amplo, é a organização temporal de sons e silêncios (pausas). Das variadíssimas formas de dizer o que é a música, a mais comumente aceite é a que a define como harmonia entre as diferenças, numa sucessão de sons estruturados que provocam uma vibração em cada um capaz de lhe transmitir um sentimento. É ritmo, é arte, é envolvência e interioridade, é conforto e é, muitas vezes, forma de expressar o que de outra maneira não se consegue. Neste contexto, a música surge como uma forma de dizer o indizível, e aqui não só toca o sobrenatural como é uma forma simples de auxiliar o crente a chegar até Deus. Funciona como um “ascensor” que liga o imanente ao transcendente, o natural ao sobrenatural, estabelecendo uma gramática própria, que conjuga sabiamente a relação do Homem com Deus e de Deus com o Homem. Elevar através da música é impulsionar o ser humano a estabelecer diálogo, relação com Deus, que equivale ao que, na linguagem religiosa, se entende por oração. E, neste sentido, a música é uma mediação que remete para o infinitamente Outro, já que, ao transcender o âmbito do simplesmente humano, projeta-o para o divino. De forma a perceber a relação que a música estabelece com o crente, recorreu-se a uma amostra não probabilística, por conveniência, composta por 30 indivíduos, de ambos os sexos, com idades compreendidas entre 30 e os 65 anos, com atividades profissionais diferentes e residentes no Concelho de Moimenta da Beira, a quem se perguntou se a música o ajuda a chegar até Deus. Desta forma, através de uma abordagem qualitativa, proporcionada pelas entrevistas, foi possível concluir que a música dá um grande suporte à religião, já que ajuda o indivíduo, com mais ou menos fé, a encontrar o seu equilíbrio, seja pela via da contemplação, através do reconhecimento da grandeza e beleza de Deus, seja pela dimensão comunitária, tornando as celebrações mais vivas e agradáveis e, neste contexto, é também ela um instrumento funcional que unifica e dá sentido ao indivíduo e à própria comunidade.

VALENTE, Susana

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  • COM0414: Dilemas da mobilização pela sustentabilidade em tempos de crise
  • SECÇÃO: Ambiente e Sociedade
  • MESA: Desenvolvimento sustentável e protecção da natureza
  • RESUMO:
    No contexto de crise socioeconómica que se atravessou em Portugal e na Europa, pelo menos, desde 2008, o confronto de valores tendeu a agudizar-se: As políticas de austeridade criaram problemas sociais crescentes (mais desemprego, mais exclusão social…) e, simultaneamente, aligeiram-se ou descuram-se políticas e programas de proteção ambiental. Isto significou que cidadãos e decisores foram postos perante dilemas de difícil resolução, onde a urgência do imediato nem sempre terá acautelado o longo prazo. A sensação que prevalece é que a alternativa se reduziu, não raras vezes, à escolha do “mal menor”. A complexidade dos dilemas aumenta ainda mais quando se sobrepõem várias crises (financeira, económica, social, ambiental) e quando a um dilema se segue outro e outro, numa cadeia sucessiva e retroativa. Perante este cenário de crise e de pessimismo que ainda está por ultrapassar, e perante o discurso da sustentabilidade que, de alguma forma, se vislumbra como uma alternativa de esperança, o objetivo é apresentar um conjunto de dados do ISSP Ambiente III (2010-2012), tendo como foco o caso português e os dilemas que se colocam à mobilização ambiental no contexto europeu e, simultaneamente, observar os seus impactos nas atitudes face ao modelo de Desenvolvimento Sustentável que passa pela integração das suas 4 dimensões: ambiental, económica, social e de governança. Assim, para melhor dar conta desta complexidade que se coaduna e configura uma ideia holística de sustentabilidade, para além das variáveis do inquérito ISSP Ambiente III, recorremos ainda a um conjunto de indicadores internacionais que permitem a comparação e a compreensão, de uma forma mais contextual, das diferentes realidades sociogeográficas, remetendo para as iniquidades subjacentes aos dilemas que orientam a perspetiva analítica do presente capítulo. Neste sentido, utilizámos o Gross National Income per capita (GNI), o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o Coeficiente de Desigualdade Humana (CDH) e a Taxa de Desemprego. Todos indicadores constantes no Relatório de Desenvolvimento Humano de 2013 (UNDP, 2013).

VIEIRA, Elsa Cristina

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  • COM0404: Contornos de um empreendedorismo feminino em Portugal: do conceito às representações de género
  • SECÇÃO: Trabalho, Organizações e Profissões
  • MESA: Género, Profissões e regulação institucional das relações de trabalho II
  • RESUMO:
    Tradicionalmente mais trabalhado ao nível da economia (Parente et al, 2011) o termo empreendedorismo saltou para a ribalta social nos últimos anos, defendido como um desejável posicionamento dos agentes perante o trabalho e o emprego (Chaves e Parente, 2011). ‘Entrepreneur’ significa aquele que contrata, que constrói, que cria (Boava et al:2011). A contribuição de Joseph Shumpeter (1934) é decisiva para a consolidação do conceito de empreendedorismo como sinónimo de inovação. Já Drucker (1993) identifica o/a empreendedor/a com aquele que assume riscos e Hisrich (2004) define empreendedorismo como o processo de criar algo diferente e com valor. Podemos então dizer que empreender se relaciona com a criação ou reformulação de um negócio mobilizando para tal uma componente de inovação e com o objetivo de trazer valor para quem empreende e para a sociedade em geral (Brouard & Larivet, 2009). Neste sentido conhecer e compreender o perfil de empreendedor ou empreendedora é relevante para o conhecimento sociológico porque se trata de um agente de potencial mudança social. A expressão do fenómeno a nível nacional é relativamente reduzida: Portugal registou uma Taxa TEA (Total Entrepeneurial Activity) de 7,7%, ou seja, existem entre 7 a 8 empreendedores/as early-stage por cada 100 indivíduos em idade adulta. Esta taxa ocupa a 44º posição no universo de 69 países, sendo porém a 7ª mais baixa das 24 economias orientadas para a inovação. Relativamente à composição deste grupo populacional sabe-se que corresponde a 9,2% da população do sexo masculino e a 6,1% da população adulta do sexo feminino, havendo por isso uma tendência para uma masculinização desta população (GEM, 2015). O estudo pioneiro sobre mulheres empresárias dos anos 90 do século passado (Rodrigues, 1990) demonstrava uma forte ligação à herança familiar como motivação destas mulheres porém trabalhos mais recentes apontam para o aumento significativo de uma atitude empreendedora entre as mulheres mais jovens (Schouten, 2011; Assunção, 2012). Esta comunicação pretende debater a pertinência de se refletir o fenómeno e o conceito de empreendedorismo no feminino. Compreender em que medida esta conceptualização auxilia a compreensão de um fenómeno socialmente relevante e relevador das tendências contemporâneas do sistema de emprego português em simultâneo com uma leitura atenta à continuidade de estereótipos de género e de expetativas diferenciadas por se tratar de um grupo social tradicionalmente associado a uma posição social de apagamento, muito sujeita a hiatos de género e consequentes segregações no mercado laboral.

VIEIRA, Inês

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  • COM0671: O Mediterrâneo como território de mobilidade de refugiados
  • SECÇÃO: Territórios: Cidades e Campos
  • MESA: Outras Paisagens: Outras Práticas Sociais - B
  • RESUMO:
    O Mediterrâneo é considerado palco histórico de mobilidades, testemunha de importantes movimentos de pessoas e bens desde a antiguidade. O seu perfil mudou ao longo do tempo, a par de importantes evoluções da noção globalizada de mobilidades humanas. Nesta área podem ser observados diferentes processos de globalização, em parte descritíveis em metáforas como liquidez, fluidez e nomadismo. Porém, nos últimos anos o Mediterrâneo tem sido figurado como cenário de emergência, território de travessia para quem procura asilo, porta a sul para entrar na Europa. A este cenário associa-se uma série de dimensões de segurança e controlo que, a par da emergência humanitária, redespertam o debate sobre as responsabilidades nacionais e europeias em matéria de territórios marítimos. Esta problemática será aqui enquadrada numa perspectiva que atende à construção e desenvolvimento do problema social dos refugiados no Mediterrâneo. A partir da imprensa italiana, de 2013 a 2015, notícias tematicamente filtradas das plataformas digitais dos jornais La Repubblica e Corriere della Sera serão objecto de análise por framing. O problema será contextualizado na sua evolução temporal e temática, aprofundando o enquadramento de alguns eventos críticos. Partindo de uma interrogação crítica sobre as forças sociais e políticas que enformam as compreensões dominantes deste problema social emergente, procura-se reenquadrar o Mediterrâneo como território de referência para a mobilidade de refugiados no séc. XXI.

VIEIRA, Joana

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  • COM0418: “Sociologia é o que os sociólogos fazem”: os estágios como veículo de profissionalização
  • SECÇÃO: Experiências e Perfis Profissionais
  • MESA: Experiências e Perfis Profissionais
  • RESUMO:
    Com a expansão significativa do acesso ao ensino superior por novos públicos no decorrer da última década, também as licenciaturas em Sociologia sofreram um aumento no número de inscritos e, logo, de diplomados. Um dos indicadores na importância deste fenómeno na realidade portuguesa é a contribuição que a Associação Portuguesa de Sociologia tem vindo a dar para o estudo das inserções e experiências profissionais dos sociólogos - quer através da promoção de encontros científicos vários, quer pela criação da secção temática “Experiências e Perfis Profissionais” - prova liminar da importância atribuída pela comunidade científica portuguesa aos jovens diplomados em Sociologia para o futuro da profissão-sociólogo. A presente comunicação é o resultado das reflexões conjuntas de oito diplomados em Sociologia, que tiveram a oportunidade de estagiar em diversos contextos profissionais no âmbito da Unidade Curricular de Estágio, sob orientação da Professora Dra. Luísa Veloso, promovida pelos Mestrados em Sociologia e em Educação e Sociedade do ISCTE-IUL, em 2015/16. Os sociólogos foram integrados em três áreas atuação: escolar, proteção laboral, saúde mental, materno-infantil e em contexto prisional. Esta comunicação tem como objetivo fundamental contribuir para a compreensão dos papéis que os sociólogos podem assumir nos mais variados tipos de organizações, procurando desocultar os contextos e fatores mais conducentes ao desenvolvimento de perfis sociológicos integradores (Costa, 2004), bem como refletir acerca das potencialidades e limitações dos estágios curriculares enquanto primeiras aproximações ao mercado de trabalho. Haverá vantagens numa experiência profissional inicial mediada pela formação, contribuindo para a definição das práticas futuras e para a profissionalização da sociologia? Optou-se por uma abordagem qualitativa para explorar estas questões emergentes, recorrendo-se à análise de desasseis entrevistas realizadas após a conclusão dos estágios aos respetivos orientadores externos das instituições que receberam os estagiários, bem como a sociólogos com inserções profissionais (presentes ou passadas) semelhantes. Concomitantemente, os dados etnográficos recolhidos através de notas de campo no decorrer do estágio foram analisados, em função de quatro eixos de análise fundamentais: i) o tipo de organização e as respetivas culturas profissionais; ii) a proximidade/distância das tarefas realizadas face à formação sociológica de base; iii) os aspetos mais marcantes no processo de integração do sociólogo na organização; iv) as potencialidades e limitações do modelo vigente de estágio curricular para o desenvolvimento de perfis profissionais integradores.

VIEIRA, Ricardo

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  • COM0718: Projetos de vida labirínticos: uma opção de vida ou uma vida sem opção?
  • SECÇÃO: Pobreza, Exclusão Social e Políticas Sociais
  • MESA: Conceptualizações e desigualdades sociais
  • RESUMO:
    Na sociedade contemporânea ocidental é praticamente impossível que os projetos de vida das crianças, adolescentes e jovens não passem por um investimento na escola vista como um passaporte para a mobilidade social. A Escola só para alguns transformou-se, retoricamente, numa Escola para todos, desejavelmente mais inclusiva. Contudo, por detrás dessa pretensa inclusão social, há efeitos perversos e condicionantes vários que levam ao insucesso, abandono escolar e à exclusão social. O fenómeno da exclusão social é, hodiernamente, cada vez mais premente que seja tratado duma forma processual, preventiva e não meramente resolutiva. Importa perceber qual a aceção do conceito de pobreza e como é sentida pelos seus protagonistas, pela sociedade em geral e qual o papel do Estado nesta relação. Surgem constantemente novas formas de pobreza onde também a exclusão assume diferentes configurações. As dinâmicas sociais em mutação podem ditar a fragilidade social, a assistência ou mesmo a marginalização social. Os objetivos desta investigação, ainda em curso, sobre o projeto de vidas labiríntico de indivíduos excluídos pela sociedade por via de adições (álcool e drogas), trabalhos precários, desemprego, mudanças familiares e sociais passam pela autorreflexão e pela captação da perspetiva hermenêutica no indivíduo face ao contexto em que vive. Foram utilizadas entrevistas em profundidade e observação direta participante e não participante. Tratando-se de indivíduos cuja história de vida assume contornos bastante complexos, usámos uma técnica de aproximação ao photovoice (Wang e Burris, 1997): foi sugerido aos participantes que captassem através da imagem a sua recordação mais feliz, o que mais gostam nos seus dias e qual o seu maior sonho. Segundo Vieira, “as histórias de vida não são mero passado. São processos históricos na verdadeira aceção da palavra” (Vieira, 2009:16) pelo que compreender a sua perceção do passado, presente e futuro assume relevante importância para a perceção da construção de um projeto de vida. Ambicionamos aquilo que nas palavras de Machado Pais se traduz como “olhar de frente para o que se olha de lado” (Pais, 2001:241). Esta problemática considera a rua como espaço privilegiado de aprendizagem (infância), de encontro (juventude) (Vieira, 2011) e pretende perceber como é possível que se se metamorfoseie num espaço de trabalho, como nascem estas profissões da rua, que percursos biográficos estarão na base desta opção de vida e se será mesmo uma vida sem opção. É essencialmente na busca da autorreflexão, do questionamento que estamos a trabalhar, onde o mediador intercultural poderá intervir (intervenção) enquanto auxiliar na construção de projetos de vida, como se de um advogado social de tratasse, um construtor de pontes entre os excluídos e a sociedade e um valioso auxiliar na concretização de sonhos, enquanto mediador comunitário.

VILAVERDE E SILVA, Daniela

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  • COM0406: A Certificação Escolar pela via dos processos de RVCC: entre a esperança educativa e a desilusão social.
  • SECÇÃO: Sociologia da Educação
  • MESA: Trajetórias de vida e pluralidade de contextos educativos (Sessão I)
  • RESUMO:
    A certificação escolar pela via dos processos de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC) tem, em Portugal, uma história muito recente e pouco linear, sendo atualmente uma modalidade educativa residual, em contraposição com a efervescência do Programa Novas Oportunidades (2007-2012). O acordo de parceria adotado entre Portugal e a Comissão Europeia (Portugal 2020) inclui nos Programas Operacionais temáticos no Continente, o Programa Operacional Capital Humano (POCH) o qual prevê no âmbito da sua estratégia de intervenção - eixo 3: Aprendizagem, qualificação ao longo da vida e reforço da empregabilidade, a possibilidade de financiamento para os Centros para a Qualificação e o Ensino Profissional (CQEP) e para os processos de RVCC destinados a jovens e adultos. O (re)lançamento destes processos e desta certificação deve ser analisada sociológicamente de modo a que se possam interrogar os efeitos sociais deste tipo de certificação na construção de uma sociedade democrática igualitária. Nesta comunicação pretendemos refletir sobre o valor social do diploma obtido por esta certificação a partir do ponto de vista das representações dos adultos certificados pelo RVCC e dos técnicos de RVCC num Centro Novas Oportunidades. Esta reflexão resulta de uma investigação realizada num Centro Novas Oportunidades do distrito de Braga que contemplou um estudo de caso e incluiu as seguintes técnicas de investigação: a aplicação de um inquérito por questionário aos adultos certificados no ano de 2010 (com uma amostra de 50,2%, n =140) bem como entrevistas à equipa técnica dos processos de RVCC. A investigação incluiu também a aplicação de um inquérito por questionário aos diretores/coordenadores do Centros Novas Oportunidades do NUT III (com uma amostra de 79,7%, n=55). Os dados obtidos na investigação denunciam que os atores consideram que a certificação escolar obtida pela via do RVCC está longe de um consenso social que pode fragilizar a dimensão democrática desta nova arquitetura educativa em contraposição com a certificação obtida pelo ensino regular.

XAVIER, Beatriz

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  • COM0383: Regimes de vida sob conselho médico: (re) ações e valores das pessoas com hipertensão arterial
  • SECÇÃO: Identidades, Valores e Modos de Vida
  • MESA: Vida Quotidiana e Dinâmicas Espácio-Temporais
  • RESUMO:
    Ao longo de um trabalho de investigação com pessoas hipertensas seguidas em consulta específica em Cuidados de Saúde Primários, foi estudada a inclusão dos regimes médicos nos quotidianos destas pessoas, nomeadamente no que concerne a mudanças nos consumos alimentares. Foram realizadas entrevistas a 41 pessoas hipertensas e feita observação direta de seis consultas. A adoção de estilos de vida salutogénicos faz parte das recomendações dadas a estas pessoas de uma forma ainda mais incisiva do que aquela que é feita com todos nós de modo geral. A argumentação médica, sendo compreendida, é refeita, adaptada, moldada pelos doentes recorrendo a argumentos assentes em quotidianos e racionalidades diferentes das utilizadas na clínica. A medicalização do dia-a-dia está presente na preocupação com o exercício físico, perda de peso, controlo do volume corporal, que povoa os quotidianos nas sociedades da abundância. As pessoas com hipertensão são condicionadas pelo médico a autolimitações e também admoestados pelos seus próximos: não devem beber, comer em demasia, ser sedentários, etc. Perante isto, engendram formas de resistência como o não cumprimento das prescrições e desobediência às recomendações de conduta de vida ou a sua mitigação. A pressão para a necessidade de alterar hábitos, de fazer dieta, gera nos discursos dos entrevistados expressões como “uma certa dieta, entre aspas”, “é preciso é não abusar”, “ter cuidado”, que revelando concordância com a necessidade de estabelecer algum controlo alimentar são, contudo, na prática bastante maleáveis e indefinidas. Comportamentos alimentares muito sedimentados numa alimentação tradicional são vistos como incorretos e mesmo perigosos. Mas as recomendações relativas à alimentação são especialmente difíceis de praticar. A dieta é uma restrição aos prazeres da vida como a alimentação e o convívio. Ser livre é também poder comer o que apetece, o que pode contradizer os princípios da prevenção. Muitos hipertensos referem o gosto alimentar, o hábito, como um obstáculo à adoção dos conselhos relativos às mudanças das práticas alimentares. Dizem ser difícil alterar dietas alimentares realçando a relação e as razões dessa dificuldade com os constrangimentos e rotinas das suas vidas, nomeadamente o trabalho. Neste gosto está muito marcada a presença do sal e de alimentos simbólicos como o pão e o vinho O reconhecimento do hábito como mau para a saúde não leva a que o mesmo seja alterado pois considera-se que isso é muito difícil e que se perde o sabor e o prazer da refeição. Nas suas entrevistas, os inquiridos transmitem a ideia de que de que é preciso muita força de vontade, muita disciplina, para seguir os conselhos quer relativamente à alimentação quer à prática de exercício físico. Revela-se uma leitura moral das condutas que se expressa no sentimento de falha face aos regimes de dieta considerados apropriados ou corretos.
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  • COM0104: Entre as recomendações médicas e as práticas: um estudo com pessoas com hipertensão arterial
  • SECÇÃO: Sociologia da Saúde
  • MESA: Experiências de doença e práticas profissionais
  • RESUMO:
    Ao longo de um trabalho de investigação com pessoas hipertensas seguidas em consulta específica em Cuidados de Saúde Primários, foi estudada a inclusão dos regimes médicos nos quotidianos destas pessoas. Adotou-se uma abordagem assente nas narrativas pessoais de doença, através de entrevistas a 41 doentes, e observação direta da consulta. Questionamos e analisamos o processo de interpretação da doença, a forma como a construção de significados molda as condutas dos doentes, os processos de lidar com a doença no dia-a-dia. Os resultados das entrevistas revelam leituras muito distintas no que respeita à doença e ao estar doente por parte das pessoas com hipertensão. Ser classificado medicamente como um doente de risco assume interpretações diversas para as pessoas e no modo como lidam com isso nos seus quotidianos. Identificamos três modelos tipos de “ser doente hipertenso”: pró-ativo, cumpridor e distanciado. Como conclusões, podemos afirmar que as pessoas com hipertensão acompanhadas na clínica e orientados no sentido de conduzirem vidas mais saudáveis, pela adoção de hábitos alimentares, prática de exercício físico e controlo farmacológico, revelam maneiras diversas e pessoais de agir e combinar a informação médica com a sua experiência de lidar com a doença e com os seus quotidianos. A adoção de um estilo de vida saudável, pela individualização e internalização das normas médicas e sociais, centra no corpo o peso da ansiedade. A autoavaliação das pessoas no balanço do que do que deveriam fazer e do que fazem, revela a ideia de incumprimento e consequentes juízos morais relativamente ao seguimento dos princípios higiénicos de vida. As pessoas hipertensas usam os conceitos e as ideias de moderação, ter cuidado e equilíbrio como mecanismos de operacionalização entre as recomendações médicas e as práticas. Concordado com os princípios para uma vida mais saudável indicados pelo médico e reconhecendo a possibilidade de fazer escolhas, quer ao nível da alimentação quer do exercício de desporto, na prática a sua realização é vista como resultado de um esforço de vontade contra as tendências estruturais da organização do trabalho e do consumo e, portanto, muito difíceis de realizar.

ZANATTA, Mariana

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  • COM0215: Quando o fabrico se torna fábrica: os desdobramentos do processo de formalização da indústria de confecções em Caruaru/Pernambuco/Brasil
  • SECÇÃO: Trabalho, Organizações e Profissões
  • MESA: Relações de trabalho, empresas e globalização - II
  • RESUMO:
    A região do Polo de Confecções do Agreste Pernambucano é composta por diversos municípios com uma significativa produção de artigos de vestuário. Este território produtivo começou a se formar ainda na década de 1950 e, desde a origem, a maior parte das atividades produtivas é desenvolvida de maneira informal. Contudo, a partir de 1990 vem passando por processos crescentes de modernização, industrialização e uma imbricação cada vez maior com a dinâmica capitalista, atraindo a ação do Estado e do capital. Uma das principais transformações é a regularização fiscal das unidades produtivas. Frente a esta realidade nossa problemática se volta para o processo de formalização das unidades produtivas: pequenas oficinas que iniciaram suas atividades no domicílio, com mão de obra familiar e informal, e que se tornaram fábricas de confecção. Este artigo é fruto da tese de doutorado que está sendo desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul/Brasil e será concluída em Março de 2016. Esta investigação está baseada na interlocução entre uma síntese teórica das questões pertinentes ao mundo do trabalho e análise empírica, que teve como objeto vinte unidades produtivas domiciliares, na cidade de Caruaru, que se tornaram micro, pequenas e médias indústrias de confecção. Para a produção dos dados utilizamos como técnica de coleta de dados a entrevista em profundidade semiestruturada e a observação nos locais de produção. O estudo expõe o significado e resultados práticos da formalização, focando, principalmente, na reorganização das relações de trabalho. A análise mobiliza a discussão conceitual sobre informalidade, flexibilização e precariedade. Tendo a flexibilização do processo produtivo e das relações de trabalho como paradigma atual, sendo o trabalho familiar, informal e precário uma condição histórica e constitutiva deste território produtivo, existindo o crescente movimento de imbricação com a dinâmica capitalista cujos processos de formalização são uma expressão, perguntamos: Qual o significado da formalização? Por que os processos de formalização não têm avançado na superação da informalidade como elemento constitutivo das dinâmicas produtivas do Polo? A partir da formalização dos empreendimentos, o que está se constituindo como (novo) padrão em termos de relações de trabalho? Em que medida a formalização dos empreendimentos tem significado formalização das relações de trabalho através do assalariamento e garantia dos direitos trabalhistas? Os resultados da pesquisa indicam que a informalidade tem sido capaz de se preservar, se reproduzir, e, sobretudo ser ressignificada pela ação dos empresários e por meio dos novos métodos de gestão empresarial, tais como os processos de terceirização e subcontratação da produção que, no contexto do Polo, encontra uma atmosfera favorável e fértil devido à “naturalização” do trabalho informal.

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