PAP0828 - Divórcio e assimetrias de género: processos, negociações e impactos
As estatísticas evidenciam uma elevada taxa de
divorcialidade nas últimas décadas com um
considerável impacto nas vidas familiares e na
sociedade.
O divórcio, seja nos seus antecedentes, seja
nos próprios processos e seja ainda nos seus
impactos e consequências nomeadamente nas
responsabilidades parentais em relação aos
filhos configura um campo em que desigualdades
de género afloram, se reproduzem ou mesmo se
agravam.
Neste âmbito, após um breve enquadramento
teórico sobre as diferenças e assimetrias de
género, far-se-á uma breve resenha histórica
da evolução numérica e social do divórcio e
correlativas alterações legais desde a I
República ao 25 de Abril de 1974 e
subsequentes alterações. Seguidamente serão
apresentados dados relativos ao divórcio tendo
por base as respostas de 56 inquiridos
divorciados (34 mulheres e 22 homens) no
âmbito de uma pesquisa levada a cabo em
Portugal, tendo por base a aplicação de um
inquérito a 800 pessoas sobre as (des)
igualdades de género em Portugal num projecto
aprovado e financiado pela FCT e finalizado em
2011 (PTDC/SDE/72257/2006).
Considerando na análise variáveis como o sexo,
a profissão, a idade, os 56 divorciados
inquiridos responderam, para além das questões
comuns a pessoas não divorciadas, a
determinadas questões relativas ao divórcio:
as suas opiniões passadas face ao divórcio, os
motivos para a decisão do divórcio, a
iniciativa da separação ou divórcio, qual o
tipo de processo (litigioso ou por mútuo
consentimento), a atitude inicial face ao
divórcio, a existência ou não de tentativa de
reconciliação, o grau de satisfação face ao
divórcio, a avaliação da decisão do divórcio,
a probabilidade de novo casamento e eventuais
razões.
Para além destas respostas ao referido
inquérito foram ainda realizadas entrevistas
semi-estruturadas a pessoas divorciadas que,
do ponto de vista qualitativo, permitiram um
olhar mais aprofundado sobre as diferenciadas
representações e expectativas sobre o
casamento, tensões e negociações no exercício
do poder doméstico, assim como motivações e
razões, balanços e impactos do divórcio, uns
positivos outros negativos.
Dos dados de ordem quantitativa e qualitativa
foi possível inferir que o divórcio se, por um
lado, gera, em grande parte dos casos,
processos de descompressão, alívio e
satisfação recíproca, por outro, comporta
práticas e representações diferenciadas por
sexo e, por vezes, impactos desiguais
nomeadamente em termos económicos e psico-
sociais, com mais frequência em desfavor da
mulher, embora nalguns casos com impactos
negativos no homem nomeadamente de dependência
na gestão do quotidiano, o que leva mais
homens que mulheres a recasarem-se.
Palavras chave: divórcio, desigualdade,
família, género,Portugal