PAP1568 - Configurações relacionais: uma análise comparativa ao longo do percurso de vida
As sociedades ocidentais têm vindo a assistir, ao longo do último século, a alterações fundamentais na vida familiar e nos percursos de vida, reflectindo-se numa transformação da intimidade e na pluralização dos círculos sociais de interacção. De forma a acompanhar este cenário de diversificação dos percursos de vida e de uma maior complexidade das configurações relacionais nas quais o indivíduo está inserido - na medida em que as relações íntimas e familiares não se circunscrevem nem à família nuclear nem aos limites do parentesco – o presente estudo faz um deslocamento do olhar exclusivo sobre as relações familiares per se em direcção a um espaço relacional mais alargado, o das relações de proximidade. O objectivo principal deste estudo é analisar comparativamente as redes de proximidade de portugueses pertencentes a diferentes coortes, e que atravessam, actualmente, diferentes fases do ciclo de vida. Procura-se compreender de que forma os indivíduos constroem as suas relações de proximidade ao longo do percurso de vida, privilegiando, em particular, o modo como equilibram os laços de sangue, de aliança e de afinidade. Através das perspectivas do percurso de vida e da abordagem teórico-metodológica da Análise de Redes Sociais, este estudo permitir-nos-á extrair diferentes configurações relacionais e perceber de que forma essas diferenças são atribuíveis a factores socio-estruturais (coorte, género, classe, escolaridade, profissão, localização geográfica), familiares e biográfic (eg., situação na conjugalidade, parentalidade) e biográficos (eg., mobilidade geográfica, acontecimentos e transições). Desta forma, queremos averiguar as diferenças nas configurações relacionais entre as coortes, i.e., como dependentes do percurso de vida, mas ao mesmo tempo encontrar uma diversidade de configurações dentro das coortes atribuíveis aos factores acima enunciados. Estes perfis morfológicos basear-se-ão na composição das configurações em termos de laço, mas também nas suas propriedades funcionais, ou seja, em indicadores estruturais como o tamanho, a densidade e a transitividade das redes.