PAP0419 - POLITICAS ALIMENTARES: INTERFACES ENTRE SAÚDE, CONSUMO E PRODUÇÃO DE ALIMENTOS
A associação entre o modelo agroindustrial de produção de alimentos, caracterizado pela padronização, globalização e cadeias longas de abastecimento e o consumo de alimentos que leva a problemas como o sobrepeso e as doenças crônico-degenerativas, tem sido cada vez mais evidente. Dessa forma, a pobreza, as dificuldades de sobrevivência e a exclusão de pequenos agricultores, somam-se às questões de transição nutricional, insegurança alimentar e aos “food scares”. Nesta íntima relação, há que se fazer referência aos prejuízos ao meio ambiente, como a perda da biodiversidade, a poluição, o aumento da produção de lixo, a escassez de água, entre outros. Estes problemas atuais servem para refletir sobre a saúde não de forma reducionista, mas interligada. Se grande parte dos problemas de saúde é de foro ambiental e, destes, considera-se a alimentação o principal contribuinte, então, pensar a saúde da população é pensar o modelo agroalimentar e consequentemente, o modelo de desenvolvimento que a sociedade pretende. Nos debates sobre desenvolvimento rural sustentável, tem-se defendido a mudança paradigmática do modelo produtivista para outro modelo que, entre outras transformações, reconecte a produção ao consumo de alimentos. Esta reconexão não só faz referência ao encurtamento da cadeia de abastecimento alimentar, mas também remete à reflexão sobre a interdependência entre esses dois domínios na construção de novos padrões de produção e consumo, já que modelos específicos de consumo promoveriam modelos específicos de produção e vice-versa. Nesse raciocínio é que a preocupação em relação ao consumo de alimentos interliga-se com o debate sobre saúde e as concepções, os princípios e a operacionalização da promoção da saúde. Considerando estas discussões este trabalho buscou evidenciar, as estratégias utilizadas para argumentar e promover a produção e abastecimento local de alimentos e ao mesmo tempo a saúde da população a partir da intervenção via programas como o Programa de Alimentação Escolar e o Programa de Agentes Comunitários de Saúde. Para tanto, utilizou-se o estudo de caso do município de Rolante (RS). Os programas de saúde e de alimentação são potenciais instrumentos do Estado para delinear as direções, construções e reconstruções das práticas alimentares que não só sejam positivos na saúde das populações, mas incentivem a produção de alimentos mais adequadas do ponto de vista cultural, social e ambiental. O artigo relaciona estes elos de forma a apontar a abrangência e complexidade da problemática alimentar que até aqui vem sendo tratada de forma assimétrica e separada, oferecendo novas reflexões e perspectivas às políticas publicas, aos estudos acadêmicos e a ação dos atores sociais. Contribui também para o debate e os estudos sobre a recente e profícua temática da Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável.