PAP0555 - AGROEXTRATIVISMO E DINÂMICAS DA RELAÇÃO SOCIEDADE-NATUREZA NA REGIÃO DO BICO DO PAPAGAIO, ESTADO DO TOCANTIS, BRASIL.
O objetivo desse artigo é discutir sobre as dinâmicas das relações sociedade-natureza na região do Bico do Papagaio– estado do Tocantins, Brasil, tomando como referência a produção e a reprodução social agroextrativistas. Situado na região de transição entre o bioma Cerrado e a Amazônia brasileira, em fronteira com os estados do Maranhão e Pará, as dinâmicas socioambientais, na região, são marcadas por disputas em torno da posse e uso dos “recursos naturais” (terra, recursos extrativistas e outros) entre diferentes atores sociais, dentre eles, os agroextrativistas, associando-se à privatização das terras, ao cercamento das áreas, à proibição e/ou limitação de acesso ao coco babaçu e à substituição da biodiversidade pelos campos de pastagem homogênea. Pelas análises de dados levantados na região por meio de uma pesquisa etnográfica observou-se que as estratégias de reprodução social adotadas pelos agroextrativistas, têm produzido efeitos transformadores, em vários níveis e intensidades, nas dinâmicas de relações sociedade-natureza, produzindo resultados menos nocivos ao ambiente. Por outro lado, as atividades agropecuárias (criação de gado e monocultivos) e a produção silvícola, contribuem para a produção de efeitos negativos ao ambiente natural com a diminuição da biodiversidade e a ameaça às formas de exploração agroextrativista. Nesse sentido, pode-se caracterizar essas dinâmicas, na atualidade, produzidas por processos que se alternam entre aqueles que potencialmente produzem efeitos negativos, a exemplo da agropecuária, e pelos processos que são capazes de produzir efeitos na direção de contribuir para a diminuição da pressão sobre o meio natural, como é o caso dos modos de produção agroextrativista e as mobilizações em prol da preservação do babaçu.
Palavras-chave: Dinâmicas de relações sociedade-natureza, reprodução social, agroextrativismo, coco babaçu, Tocantis, Brasil