PAP0605 - O Artista e a Música na Sociedade Cultural Digital: Evolução dos direitos performativos em Portugal
GT Comunicação Social
A música, como elemento de expressão cultural, é também um negócio. Um negócio que esta presente em todas as esferas de consumo da sociedade, em inúmeros suportes, físicos ou digitais, e variados meios de distribuição, sendo o canal digital o mais recente meio que eleva o debate dentro da classe artística, tanto pelas suas virtudes, como pela controvérsia causada pela aguerrida vontade de uma cultura prossumer, que tem conseguido mudar o paradigma vigente de um consumo exclusivo físico, transformando hoje a tendência do consumo musical, num consumo multiplataforma.
Apesar de ser um crescimento de substituição de hábitos de consumo, os meios complementam-se valorizando o negócio como um todo, dando assim ao consumidor, aos produtores, aos músicos, e a todos os envolvidos no negócio da industria musical (ou fonográfica), novas formas de crescer e valorizar este sector criativo.
A discussão não se prende tanto em se a sociedade caminha para um consumo digital de música, mas em como esse consumo evoluirá ao longo dos próximos anos, e principalmente, qual o papel do artista na gestão da sua própria carreira, e no processo económico, social e digital que se desenrola ao seu redor.
Por outro lado, o artista, criador, interprete, executante de uma obra, é também o resultado de um talento natural, fruto das inúmeras escolhas pessoais e profissionais que o tornaram num músico profissional. É um emissor, criador e intérprete, de algo dificilmente quantificável que eleva os sentidos, e que a todos na sociedade, desde os tempos mais primitivos do homem, nos toca, e nos une culturalmente. Se existe um elemento unificador na cultura humana, a música é certamente um deles.
A sociedade cultural é avaliada não só pela abstração da qualidade artística dos elementos que a compõem, mas pelo valor económico, pela mais valia, e pelo retorno económico que um investimento traz aos seus investidores. Não se pretende uma crítica com esta afirmação, pretende-se uma constatação de facto, possível de ser avaliada e medida, um modelo de base de comparação, favorável à difícil ligação da qualidade artística como modelo de fomentação cultural e meio de retorno económico. A indústria musical ainda a adaptar-se à sua evolução, num debate que ainda não teve um fim, mas no qual se constata que o paradigma do mercado cultural musical mudou, e ainda não terminou a sua evolução disruptiva.
Se o artista é um instrumento de expressão cultural, um produtor de cultura, e o processo de criação é abstracto, como se avalia o seu retorno económico num mundo em que as suas prestações deixam de ser quantificadas em unidades físicas de venda a retalho, e passam para uma quantificação digital de venda em lote, ou por subscrição. O que significa consumo digital para o artista na era da Web 2.0?