PAP1399 - Mulheres e Música Rock em Portugal
Sendo a música rock, quer em Portugal, quer noutros contextos, um campo predominantemente masculino, um campo de produção, reprodução e valorização de imaginários associados a estereótipos de masculinidade (Bayton, 1993; Fournet, 2010; Guerra, 2010), afigura-se relevante o estudo do papel das mulheres neste campo musical. Nesta comunicação, parte de um doutoramento em curso, pretende-se explorar questões relacionadas com o papel das mulheres músicas de rock, partindo da abordagem da socióloga Tia DeNora no entendimento da música. DeNora (2000) coloca a tónica na forma como a cultura (música) é um meio constitutivo da vida social, um recurso na produção da vida social, que permite modos de ser, pensar e sentir, num processo que designa por “música-em-acção” [music-into-action]. Assim, a música não é sobre o social mas é, sim, o social, uma forma de fazer, que entra na estrutura da experiência social. Pretende-se perceber como é que o rock sustenta um imaginário de género, entendendo a música como recurso para performances de género; como é que, usando a música como recurso, estas mulheres negoceiam imagens, ideias e práticas e como constroem a sua posição, como mulheres músicas, neste campo artístico masculinizado e também fora dele (família, amigos, valores, afiliações políticas, activismo social). Como é que funciona a (re)produção de práticas e significados musicais(rock) genderizados/sexuais? Como é que as mulheres, entendidas como “criadoras mediadas” apropriam a música rock? Tomando então Portugal como estudo de caso, pretende-se analisar as trajectórias das mulheres músicas de rock, tendo-se também em conta a análise das suas redes sociais, online e offline, observando o papel das chamadas redes sociais virtuais da Web 2.0 e da comunicação-mediada-por-computador (CMC) e observando os nós humanos e não-humanos que constituem as redes sociais destas mulheres.