PAP0776 - ENTRADO - andamentos breves de uma monitorização in progress
A comunicação tem por base um Relatório de Monitorização Externa do projecto teatral ENTRADO, realizada entre Dezembro de 2009 e Julho de 2011, no âmbito de uma parceria estabelecida entre a PELE e o Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Quando iniciámos esta colaboração, a PELE e nós, foi com o intuito de acompanharmos o processo de criação teatral subjacente ao projecto ENTRADO (Setembro de 2009 a Maio de 2010). Fazê-lo não tanto dentro, e a partir, do espaço da prisão, mas sim fora, e à distância relativa dos actores, dos micro-espaços e tempos, das relações que, entretanto, se estabeleciam entre reclusos, equipa artística e equipa directiva e técnica da prisão. O primeiro andamento desta história foi o de decidir que tal acompanhamento incidiria sobre as percepções, as vivências, os afectos, as expectativas, os discursos daqueles actores, sem, de algum modo, interferir in loco num território que seria mais próximo e próprio dos actores directos, já integrados no terreno, do que de nós mesmos. Desta forma, o nosso primeiro momento de observação – no sentido do confronto com o meio social em causa – foi o das conversas regulares com a equipa artística e o da leitura atenta e orientada dos traços documentais que aquela ia desenhando com o grupo de reclusos e todos os outros intervenientes. Fizemo-lo entre Dezembro de 2009 e Setembro de 2010. Neste mesmo período, e com andamentos a velocidades diferenciadas, realizámos entrevistas a todos os actores institucionais envolvidos e inquéritos por questionário a alguns dos reclusos participantes.
Com o acompanhamento externo do projecto, desde logo nos apercebemos das suas especificidades: por um lado, a singularidade da arte teatral como mecanismo de um co-processo de criação cultural (criadores, reclusos, técnicos, guardas e direcção); por outro, as dificuldades em tornar visível e exequível tal projecto no contexto institucional prisional. Dificuldades estas decorrentes tanto da lógica de funcionamento da instituição em causa – uma prisão, o Estabelecimento Prisional do Porto – como de algumas resistências dos diferentes actores participantes, internos e externos ao contexto prisional. Contudo, a temporalidade do processo transformou-o, pouco a pouco, num processo partilhado, conquistado e construído por todos.