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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

Requisitos Mínimos:
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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Editorial

ST12 Arte, Cultura e Comunicação[ Voltar às Áreas ]

Mesa nº 11 - Artes e comunidades: identidades, memórias, patrimónios[ Voltar às Mesas ]

  • PAP1508 - MANIFESTAÇÕES DA CULTURA POPULAR NO BRASIL: Invenções e tradições de identidades regionais.
    Resumo de PAP1508 - MANIFESTAÇÕES DA CULTURA POPULAR NO BRASIL: Invenções e tradições de identidades regionais. 
    •  MORAES, Antonio Carlos CV - Não disponível 
    •  SILVA, Paula Cristina da Costa CV - Não disponível 
    •  SANTOS, Milainy Ludmila CV - Não disponível 
    • PAP1508 - MANIFESTAÇÕES DA CULTURA POPULAR NO BRASIL: Invenções e tradições de identidades regionais.

      O texto é uma análise de manifestações culturais em regiões geopolíticas brasileiras e suas influências em vários setores sociais tais como educação escolar, urbanização, saúde coletiva, lazer e identidade cultural. Submetemos um recorte de análise feita a partir de dados coletados em uma região específica do Brasil. O Estado do Espírito Santo. Uma região litorânea do Brasil, com dezenas de comunidades que vivem da pesca, da coleta de mariscos, do artesanato, com destaque para as Panelas de Barro e da culinária, com destaque para a Moqueca de Peixe, uma iguaria específica da região. Junto a estas características, o poder público da região resgatou e fortaleceu algumas manifestações artísticas e culturais que contribuíram de forma significativa com a construção de uma imagem cultural de identidade regional a muito tempo reclamada pelos formadores de opinião, críticos de arte, produtores culturais e imprensa local, pressionados por regiões geopolíticas que dividem suas fronteiras e que possuem traços bastante definidos culturalmente como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. Analisamos manifestações nas quais predominam aspectos marcantes da religião afro-cristã e brincadeiras cantadas e dançadas como elementos centrais de construção de identidade regional. Trata-se de práticas enraizadas em comunidades que foram consumidas pelo trabalho das grandes cidades urbanas, pela poluição dos manguezais, pela chegada cada vez maior de templos religiosos de seitas cristãs conservadoras, católicas e protestantes e pela falta de renovação do quadro de praticantes. Se de um lado existem vários fatores internos e externos às comunidades para que as manifestações fossem extintas, por outro lado, os governos municipais e estadual fazem um grande esforço para resgatar e preservar tais manifestações no sentido de garantir imagens e tradição. Tudo isso ocorre a contragosto e grande resistência dos setores conservadores da sociedade local, que não desejam ser identificados culturalmente com práticas fundadas por pobres pescadores, artesãos e cozinheiras de origem africana e indígena. Optamos por uma pesquisa documental e análise apoiada na questão da tradição, invenção e reinvenção. Analisamos vídeos, letras de músicas, publicidades governamentais e textos jornalísticos que nos permitiram concluir que o interesse lúdico e religioso das comunidades é o ponto de convergência no conflito entre as elites sociais, as políticas de governos e a sobrevivência das manifestações.
  • PAP1493 - HISTÓRIA, MEMÓRIA E PATRIMÔNIO: a preservação da memória social nos museus da Região do Cariri cearense
    Resumo de PAP1493 - HISTÓRIA, MEMÓRIA E PATRIMÔNIO: a preservação da memória social nos museus da Região do Cariri cearense 
    •  MARINHO, Rosana Pereira CV - Não disponível 
    • PAP1493 - HISTÓRIA, MEMÓRIA E PATRIMÔNIO: a preservação da memória social nos museus da Região do Cariri cearense

      A informação em tempos hodiernos é um instrumento modificador da consciência humana e do seu grupo social, pois o sintoniza com a memória do seu passado e expõe as perspectivas para o seu futuro. Diante da realidade socioeconômica e sociocultural da Região do Cariri, surge a proposta da utilização da preservação da memória através da recuperação, organização, disseminação e uso da informação, como uma ação de reestruturação e reconstrução da historicidade e memória social. O patrimônio histórico-cultural da Região do Cariri cearense é rico e diversificado, um verdadeiro caldeirão cultural. Além disso, a região está localizada no coração do Nordeste Brasileiro, possibilitando o encontro da memória social regional com a identidade coletiva, situação perfeitamente possível, disto que por meio da socialização política ou histórica, possa ocorrer fenômenos de projeção ou identificação com determinada situação do passado, tão intensa e presente, que podemos falar em memória herdada. Considerando o desenvolvimento da Região do Cariri, tornam-se indispensáveis estudos sobre o processo de formação sócio- cultural, embasado na dimensão histórica. Analisando o patrimônio sob diversos olhares, com ênfase nos museus e memoriais, possibilita- se o uso de seus acervos e da sua documentação histórica para a divulgação da memória social, através da educação patrimonial. Dentro desse contexto, nos perguntamos: Qual a importância dos museus e memoriais para a divulgação da memória social? De que maneira, os museus e memoriais, contribuem para a preservação da memória social da região? Deste modo, essa pesquisa se fundamenta na construção da identidade social da Região do Cariri, no intuito de socializar os diferentes enfoques e fontes especializadas de informação, através dos lugares de memória; propiciando uma consciência plena sobre a importância da preservação e das políticas de salvaguarda do patrimônio histórico-cultural, bem como utilização de políticas de educação patrimonial para divulgação da memória social. Desta maneira, pretende-se abrir espaços para a discussão desta temática, sob perspectivas interdisciplinares, peculiarmente a partir de experiências concretas e abordagens conceituais. Considerando também a tessitura socioeconômica e cultural, em suas múltiplas expressões, individuais e coletivas.
  • PAP1450 - O papel da Cultura na promoção política: o caso prático das Capitais Culturais
    Resumo de PAP1450 - O papel da Cultura na promoção política: o caso prático das Capitais Culturais  
    •  REIS, Júlio César CV - Não disponível 
    • PAP1450 - O papel da Cultura na promoção política: o caso prático das Capitais Culturais

      Nesta comunicação pretende-se reflectir que embora não havendo uma só ideia de Europa, esta na prática está hoje confinada à retórica da União Europeia, continuamente construída por instituições e corpo legislativo e que utiliza a Cultura como caução intelectual. Este processo precisa de tornar indistintas as noções de Cultura e de Civilização. Porém, os valores civilizacionais, materiais, inserem-se num sistema económico particular, que vai gerando projectos e programas específicos. É o caso do projecto da UE, Capitais Culturais da Europa. Em Portugal este circuito já teve algumas escalas: Lisboa 94, Porto 2001 e agora Guimarães 2012. Entretanto, inventou-se um pequeno programa doméstico decalcado do original e assim nasceram as Capitais Nacionais da Cultura: Coimbra 2003 e Faro 2005. Novo projecto adoptado com uma nova e subsequente mudança de escala. Assim, a todos os problemas e contradições que já se verificavam na versão original, parecem ter sido acrescentados outros derivados da nova escala, “bairrista” ou “paroquial”. O resultado tem sido não só a produção de “cultura”, sem outro critério, senão o de um mercado de consumidores, os denominados “públicos da cultura”, que levariam tempo a produzir em dimensão apropriada; e também a desmesuradas expectativas dos agentes locais que se acham sempre menosprezados face aos grandes “cabeças de cartaz” das programações que se pretendem cosmopolitas. Por outro lado, que Europa se mostra a quem? Se são os agentes locais a “fazer a festa” para os vizinhos que diferença há em relação às “festas da aldeia”? Interessa questionar, então, se esta noção de “cultura” – de objectos, criações, programações, etc. – poderá ser algo mais do que um processo visando à integração social e cultural das várias populações através da produção de um “gosto médio”, ou de uma “moda”. Sabemos que na nossa contemporaneidade o “corpo social” foi perdendo homogeneidade, perda de referenciais identitários outrora amplamente partilhados, sendo agora, e cada vez mais intensamente, território de novas e constantes negociações. À desvalorização do “político” tem correspondido uma sobrevalorização do “cultural”. Assim, a “cultura prática” eficaz é uma “cultura promocional” que visa reforçar o “elo social”, através do sistemático apoio do Estado – a “política cultural” como “pão e circo”. Do que aqui resulta é um programa de festivais, festas e espectáculos, onde ritualmente se comunga de comunga de “experiências extraordinárias” mas banalizadas – uma nova forma de Barroco. E tal como na antiga forma, dela emerge a mesma máxima – “L’État c’est moi”. E a mesma mecânica de dominação. Agora, já não um soberano, concreto e real, mas uma abstracção: o Povo, nas suas várias máscaras ouOu seja, o corpo político de funcionários da Cultura, dos vários agentes, produtores, artistas e outros intermediários; e das respectivas corporações. Capital cultural, o que significa hoje?
  • PAP0998 - Grandes eventos da pequena cultura popular: festivais internacionais CIOFF realizados em Portugal em 2010
    Resumo de PAP0998 - Grandes eventos da pequena cultura popular: festivais internacionais CIOFF realizados em Portugal em 2010 
    • NEVES, José Soares CV de NEVES, José Soares
    • LIMA, Maria João CV de LIMA, Maria João
    • PAP0998 - Grandes eventos da pequena cultura popular: festivais internacionais CIOFF realizados em Portugal em 2010

      . Dimensão dos festivais realizados em Portugal em 2010 . O festival de folclore como espaço de sociabilidade entre os participantes . O festival como espaço de espetáculo Metodologia qualitativa intensiva Visionamento de Festivais internacionais CIOFF em Portugal 2010
  • José Soares Neves, investigador do Observatório das Actividades Culturais, professor auxiliar convidado no ISCTE-IUL, sociólogo.
    Interesses de investigação: Práticas de leitura; Práticas culturais; Públicos da cultura; Políticas culturais; Museus.
    Maria João Lima, investigadora do Observatório das Actividades Culturais.
    Mestre em Ciências Musicais (ramo Etnomusicologia) pela FCSH-UNL.
    Áreas de interesse: Sociologia da Cultura; Políticas Culturais; Práticas Culturais Expressivas.
  • PAP0992 - Arte Pública Participada: o Monumento à Multiculturalidade no Parque Urbano do Fróis
    Resumo de PAP0992 - Arte Pública Participada: o Monumento à Multiculturalidade no Parque Urbano do Fróis  PAP0992 - Arte Pública Participada: o Monumento à Multiculturalidade no Parque Urbano do Fróis
    • GATO, Maria Assunção CV de GATO, Maria Assunção
    •  RAMALHETE, Filipa CV - Não disponível 
    •  VICENTE, Sérgio CV - Não disponível 
    •  ESTEVES, José CV - Não disponível 
    • PAP0992 - Arte Pública Participada: o Monumento à Multiculturalidade no Parque Urbano do Fróis

      Nesta comunicação propõe-se a apresentação de um projecto de Arte Pública a instalar no Parque Urbano do Fróis, Monte da Caparica, cuja característica inovadora assenta num processo de criação/concepção completamente aberto e participado pela população que reside na área envolvente deste futuro Parque Urbano. O Parque Urbano do Fróis localiza-se no Monte da Caparica e na zona do PIA (Plano Integrado de Almada). Significa isto que a sua envolvente é composta por vários bairros de realojamento e por uma população residente de estratos económicos baixos mas bastante diversificada em termos socioculturais, cujos grupos maioritários contemplam portugueses, cabo-verdianos e ciganos. Este Parque Urbano pretende ser o espaço público de lazer e de ligação do Centro Cívico do Fróis, do qual também fazem parte um complexo de piscinas, uma biblioteca e a nova sede do Clube Recreativo União Raposense. Atendendo à diversidade sociocultural presente na envolvente deste Parque, a entidade camarária responsável solicitou a colaboração do Departamento de Escultura da Faculdade de Belas Artes de Lisboa para desenvolver um projecto de Arte Pública que fosse um monumento de referência urbana e evocativo da multiculturalidade existente naquele território. Respondendo a este repto constituiu-se uma equipa interdisciplinar com objectivos de desenvolver um processo de envolvimento e de participação da comunidade, com vista à criação e concepção de um “monumento” que fomentasse não só o reconhecimento e maior entrosamento dos grupos que compõem aquela comunidade, como também o seu envolvimento efectivo no processo de qualificação urbana em curso. Através de várias metodologias de participação, este processo partiu das leituras territoriais e das representações identitárias da comunidade para se concretizar em propostas concretas de objectos escultóricos. Serão estas propostas que irão estar na base do(s) objecto(s) artístico(s) que a equipa de escultores irá concretizar neste Parque Urbano durante a Primavera de 2012. Desta forma e pretendendo salientar o uso da arte como motor de participação pública e cidadã, esta comunicação será desenvolvida em quatro pontos. No primeiro abordar-se-á o tema da participação da população no ordenamento do território procedendo a um enquadramento deste projecto e discussão das suas premissas de envolvimento comunitário. No segundo serão apresentados e debatidos alguns dos conceitos essenciais ligados ao território em análise, nomeadamente, a multiculturalidade, a representação espacial, espaços de memória, de pertença e de referência. Num terceiro ponto será apresentada e discutida a metodologia de trabalho seguindo-se o projecto concretizado.
  • Maria Assunção Gato
    Afiliação institucional: DINÂMIA'CET-ISCTE/IUL
    área de formação: doutoramento em Antropologia Cultural e Social
    principais interesses de investigação: recomposições sociais, consumos e estilos de vida, modos de vida em espaço urbano
  • PAP0537 - “TESSITURAS DAS ARTES VISUAIS” PRÁTICA PEDAGÓGICA E EXPERIÊNCIA ESTÉTICA
    Resumo de PAP0537 - “TESSITURAS DAS ARTES VISUAIS”  PRÁTICA PEDAGÓGICA E EXPERIÊNCIA ESTÉTICA 
    •  BRICHTA, Simone de Fátima CV - Não disponível 
    • PAP0537 - “TESSITURAS DAS ARTES VISUAIS” PRÁTICA PEDAGÓGICA E EXPERIÊNCIA ESTÉTICA

      O trabalho se propõe investigar as tessituras em processos de aprendizagem através das artes visuais, presentes em práticas pedagógicas mediante experiências estéticas significativas. Trata-se de um estudo de caso no Sistema Municipal de Educação de Fortaleza, sendo problematizada a inovação pedagógica, através das imagens. Nesse estudo, com registro em fotografia e audiovisual, as artes são tomadas como forma de aprender pela via subjetiva do conhecimento poético; em teia sensível da intuição, emoção, criação, percepção e sensibilidade. Desse modo, se configura em pesquisa de campo, valendo-se da abordagem etnográfica com o uso técnicas projetivas, e observação. Propomos reconhecer que a arte pode criar um ambiente de sensibilidade, gerando condições para a inteligência se realizar. Isso significa que em uma cultura dominada pela imagem, a educação do olhar necessita de uma concepção de cultura que inclua imagens e os seus significados múltiplos. Nesse contexto, analisaremos mediante uma ação pedagógica que incite à intervenção, bem como, à construção da produção e partilha de habilidades constitutivas. Contudo,apesar de existir na Lei, a arte na educação brasileira representa na maioria das instituições de ensino um conhecimento secundário, é frequentemente reduzida à condição decorativa, para ser vista e reproduzida. Todavia, outras formas de pensar as práticas pedagógicas se desenham na contemporaneidade que não se adapta a educação fabril. Aspira-se que o conhecimento construído é intelectual e também é intuitivo. Considerando que o conhecimento acontece nos níveis da racionalidade (argumentação /reflexão) e do sensível (emoção, intuição, percepção, imaginação, criação). Questiona-se que separar aspectos conceituais de emocionais pode resultar em uma visão fragmentada do indivíduo, negando o pensamento, a emoção e a imaginação na construção do conhecimento. Ora, o sistema educacional só pode ser compreendido se nele for acrescido, significado o meio no qual o indivíduo está inserido, isso perpassa pelas imagens, sons, toques, texturas, cores e formas da natureza e do entorno de cada indivíduo. Analisaremos a educação nos ateliês de arte, vislumbrando fomentar um espaço singular, menos rígido, com conexões mais abertas, que se modificam com flexibilidade, apontando para a metacognição do processo de apropriação visual. A experiência estética na educação passa assim, a ser concebida como um espaço de construção de conhecimentos, como uma proposta de desenvolvimento humano. Dessa forma, o papel da experiência estética é aquele de ser um mecanismo funcional na inteligência, possibilitando a renovação tanto do indivíduo quanto da sociedade, sendo a educação que viabiliza a assimilação e a socialização de conhecimentos.
  • PAP0401 - O processo de transmissão de saberes e de espetacularização das manifestações populares do Nordeste do Brasil: negociações entre memória e esquecimento
    Resumo de PAP0401 - O processo de transmissão de saberes e de espetacularização das manifestações populares do Nordeste do Brasil: negociações entre memória e esquecimento 
    •  ACSELRAD, Maria CV - Não disponível 
    • PAP0401 - O processo de transmissão de saberes e de espetacularização das manifestações populares do Nordeste do Brasil: negociações entre memória e esquecimento

      Este trabalho tem como objetivo analisar o processo de transmissão de saberes em contraponto ao processo de espetacularização, aos quais a manifestação cultural do Cavalo Marinho encontra-se envolvida. O Cavalo Marinho é uma brincadeira que faz parte do conjunto de Reisados, comum a muitos Estados do Brasil, que envolve dança, música, teatro e poesia. A palavra Reisado, segundo Mário de Andrade (1982), deriva de “Reis”, e foi uma masculinização brasileira da palavra portuguesa Reisada, que significa “rapaziada” ou “patuscada”, coisas próprias de rapazes ou de patuscos, farra ou ajuntamento festivo de gente que se reúne para dançar e cantar. Os Reisados são festas populares que costumam ocorrer, sobretudo, durante o mês de janeiro, em muitos Estados do Brasil. O Cavalo Marinho é um espetáculo popular de rua, típico da zona da mata norte de Pernambuco e sul da Paraíba, Nordeste do Brasil. É realizado, sobretudo, por trabalhadores rurais, ligados ao corte da cana-de- açúcar. Conhecidos como « brincadores », os integrantes desta manifestação são descendentes de escravos e moradores de engenho, hoje, habitantes das periferias das vilas e cidades do interior, à margem das usinas, ainda em pleno funcionamento, da região. Buscando compreender tal manifestação cultural, enquanto experiência estética e prática social, problematizamos a visão romântica e homogeneizadora de cultura popular e tradicional nordestina, ainda bastante vigente, visando identificar no processo de transmissão de saberes – conjunto de estratégias pedagógicas que podem ser consideradas uma das formas pelas quais tais manifestações asseguram a sua perpetuação no tempo – um contraponto ao processo de espetacularização – circuito comercial de difusão cultural, ao qual se vinculam muitas manifestações populares da região, estas que terminam por assumir novos formatos e significados, a partir da inserção cada vez mais frequente neste mercado (Carvalho, 2004). Assim, propomos uma análise desta manifestação e de tais processos, considerando a dialogia, a resistência e as disputas simbólicas ali envolvidas.