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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

Requisitos Mínimos:
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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Editorial

ST12 Arte, Cultura e Comunicação[ Voltar às Áreas ]

Mesa nº 13 - O artista e a obra de arte: interfaces na contemporaneidade[ Voltar às Mesas ]

  • PAP1559 - Leituras e políticas no fotojornalismo: a World Press Photo Foundation nos novos mundos da arte e da cultura.
    Resumo de PAP1559 - Leituras e políticas no fotojornalismo: a World Press Photo Foundation nos novos mundos da arte e da cultura. 
    •  BARRADAS, Carlos CV - Não disponível 
    • PAP1559 - Leituras e políticas no fotojornalismo: a World Press Photo Foundation nos novos mundos da arte e da cultura.

      Durante os últimos 56 anos, a World Press Photo (WPPh) Foundation tem sido uma das mais importantes instituições a nível mundial na promoção da ascensão dos padrões no fotojornalismo e na sua divulgação para vários tipos de públicos. Uma das suas principais atividades é o concurso anual de fotojornalismo, que une a pertinência social e cultural dos seus temas à estética fotográfica, valorizando o papel da classe fotojornalística para além do seu uso tradicional em jornais e revistas. A exposição itinerante, composta pelas fotografias vencedoras nas diversas categorias, é visitada anualmente por mais de dois milhões de pessoas (www.worldpressphoto.org) em 45 países, uma estimativa que reflete bem a sua popularidade. Tem sido amplamente debatida a noção de que atualmente a fotografia de imprensa é mais do que um meio de documentação de um evento, passando a ser um instrumento de denúncia e facilitador de fortes debates e controvérsias sobre temas específicos como a pobreza, a guerra, emigração, género e sexualidade, ambiente, ciência e outros. A presença das fotografias vencedoras da WPPh nos outros meios mediáticos (por vezes até sem terem sido publicadas nos meios “formais”) ilustra essa relevância. O papel ambivalente da fotografia, simultaneamente opressor e emancipador, possui uma influência inegável na sociedade atual. Este caráter, por vezes indefinido, leva à colocação de questões sobre o objeto de estudo aqui abordado como: enquanto um actor cultural global, a WPPh leva ao estabelecimento de articulações relevantes entre fotografia e crítica social? Qual o papel da WPPh na classe fotojornalística (enquanto reforço ou efeito agregador dos/as profissionais?), assim como nos promotores e organizadores da exposição nos mais de 100 locais onde esta será colocada, vulgo intermediários culturais, que actuam em várias esferas, desde o sector público ao sector privado? O propósito desta comunicação é expor as percepções, convicções e ideias das pessoas e grupos que de vários modos estão vinculadas às fotografias vencedoras e sua decorrente exposição itinerante. Para tal, foram entrevistados/as intermediários culturais que solicitam a vinda da exposição às cidades portuguesas de Maia, Lisboa e Portimão, bem como colaboradores da própria WPPh e fotojornalistas (premiados e não premiados) que dão conta da maneira como esta fundação pode servir interesses variados, numa caleidoscopia de instâncias e vectores como é o caso do campo das políticas culturais.
  • PAP1520 - CARISMA NA ARTE: UMA NOÇÃO TURVA
    Resumo de PAP1520 - CARISMA NA ARTE: UMA NOÇÃO TURVA 
    • CONDE, Idalina CV de CONDE, Idalina
    • PAP1520 - CARISMA NA ARTE: UMA NOÇÃO TURVA

      Esta comunicação parte de interrogações sobre o carisma para propôr uma perspectiva que esclareça melhor os sentidos que esta noção turva pode ter na arte. Prefiro chamar-lhe turva a obscura, termo algo negativo, porque não oblitera propriamente o que procura descrever mas embacia a percepção de várias dimensões e modelos da singularidade artística. Com efeito, falar em carisma tornou-se um lugar comum para definir o indefinível. Ou seja, qualidades idiossincráticas ou inefáveis de alguns artistas e por vezes também transferíveis para obras mais siderantes em museus imaginários, de tradicionais a actuais. Aí, aparecem com uma aura similar à de relíquias e rituais sagrados, um enigma e/ou ou matéria com excepcional potencial de atracção, como a Monalisa, por exemplo, tão carismática como Leonardo, o seu autor. Mas para além deste exemplo óbvio, outros se podem se podem evocar desde as vanguardas do século XX, apesar de igualmente tanto se falar da dessacralização trazida pela arte moderna e pós-moderna. Sejam as “acções” de Joseph Beuys ainda nos anos 60 ou a performances de Marina Abramovic até ao presente, para citar dois nomes reconhecidos muito como carismáticos, seja todo o escol de pares com mais paradigmas desta excepção artística e que passam, naturalmente, também pelo da celebridade. Desde que foi exemplarmente fabricada por Andy Warhol na sua Factory até à apoteose mercantil e mediática das obras de Damien Hirst. Contudo, apesar desta aparente evidência do carisma, podemos perguntar o que realmente significa na arte, até que ponto se pode aplicar assim a casos afinal bem distintos, e com que diferenças relativamente às outras formas religiosas e políticas do carisma. Duas referências incontornáveis que se reportam, respectivamente, à sua matriz original e à declinação mais habitual também na sociologia. Como no conceito weberiano em que o carisma, continuadamente ligado às propriedades magnéticas e persuasivas de certas personalidades, se associa então ao exercício do seu poder na forma de dominação legítima, porque consentida. Ainda que irracional, na definição de Max Weber, por esse envolvimento emocional com a liderança carismática que, no limite, adoração alienada ou halucinada de seitas e massas.Ora, um dos propósitos da comunicação é mesmo também discutir a importação deste conceito ou modelo weberiano para os universos artísticos. O que, aliás, acontece implicitamente quando sociologia da arte usa o termo carisma e ainda num sentido quase indistinto de singularidade: noção vizinha não menos tautológica, associada a indefiníveis e ao poder simbólico. Alternativamente, e com apoio em várias imagens de obras e artistas, procurarei distingui-las e decompôr a noção de carisma artístico em quatro dimensões nem sempre estão todas implicadas em o que chamamos “carismático”. A saber, dimensões pessoais, relativas à singularidade inclusive biográfica dos indivíduos; dimensões autorais que justamente mostram como a contrario da irracionalidade carismática, a arte tem sempre uma racionalidade estética e expressiva que advém da sua tradição intertextual e erudita; e, finalmente, dimensões espirituais que apesar de secundarizadas pela sociologia são um ponto de contacto com a acepção original do carisma. Mais transcendente, religiosa ou do sagrado, e também como manifestação de dádiva, para além de poder. A este propósito trata-se novamente de esclarecer sentidos e variações que podem ser radicais para o espiritual e a dádiva na arte. Assim, e com apoio em várias imagens da arte moderna e contemporânea, procurarei abordar este aspecto, nomedamente num plano: a relação, de comprometida a ambígua e iconoclasta, que muitas obras e artistas têm com a iconografia religiosa e outros ideários espirituais ou pastorais. Um momento, então, para se poder considerar a Bíblia tão carismática como O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991) de José Saramago ou os Versículos Satânicos (1988) de Salman Rushdie. Tal como o carisma que se pode encontrar em direcções moderada ou radicalmente opostas: a participação de artistas na arquitectura e decoração de igrejas, Piss Christ (1987) de Andres Serrano e os 112 Cristos com Andy Warhol interpretou A Última Ceia (1495-98) de Leonardo. The Last Supper (Christ 112 Times), realizada em 1986, um ano antes da sua morte, e que é uma das maiores telas do mundo. Só com paralelo na dimensão de outro quadro, igualmente tão carismático: o Paraíso (1588) de Jacopo Tintoretto no Palazzo Ducale em Veneza.
  • Idalina Conde. Docente no Departamento de Sociologia da Escola de Sociologia e Políticas Públicas do ISCTE-IUL Instituto Universitário de Lisboa e investigadora do CIES - Centro de Investigação e Estudos de Sociologia. Principal domínio de actividade e interesses sociologia da arte e da cultura, bem como abordagens biográficas.
  • PAP1324 - Objectos irrequietos e imagens que a história fixou na obra de Joana Vasconcelos
    Resumo de PAP1324 - Objectos irrequietos e imagens que a história fixou na obra de Joana Vasconcelos 
    •  MORA, Teresa CV - Não disponível 
    • PAP1324 - Objectos irrequietos e imagens que a história fixou na obra de Joana Vasconcelos

      Um dos traços atribuído com recorrência a muitas das peças da artista plástica Joana Vasconcelos (n. 1971) é a dimensão de familiaridade nelas inscrita, em resultado de conterem objectos imediatamente reconhecíveis pelo seu uso quotidiano, tais como secadores de cabelo, blisters de comprimidos, ou cadeiras de escritório... Mas este jogo de familiaridade com o mundo contemporâneo, a reenviar-nos à tradição do ready-made (de Marcel Duchamp), pode ser associado, pelo prisma do público (especializado, ou não), ao potenciar do contacto com uma zona de significação irrequieta, situada, afinal, entre familiaridade e estranheza, e resultante, entre outros procedimentos, da recontextualização e redimensionamento dos objectos reutilizados. Neste sentido, as peças de J. Vasconcelos cumpririam a função de móbis culturais, isto é, de nos moverem diversamente para re-pensar aspectos normativos e categorias do mundo em que vivemos, independentemente das peças mais abstractas desse pensamento em acção (as ideias ou conceitos) se aproximarem, ou não, das próprias concepções da artista. Tradição e modernidade, globalização e portugalidade, público e privado, artesanal e industrial são algumas das noções antinómicas que têm sido com recorrência enunciadas em textos sobre a obra de J. Vasconcelos para evidenciar a sua acção de entrecruzar ou diluir esses registos culturais e identitários opostos. Por outro lado, o convocar-se autores de filosofia e das ciências sociais, como W. Benjamin, J. Butller, Marx ou J. Baudrillard, tem vindo a reforçar e complexificar a dimensão de intertextualidade que atravessa esse pensamento em acção sobre... a obra de J. Vasconcelos. Nesta comunicação procura-se divulgar os primeiros passos desse percurso pelo trabalho de J. Vasconcelos como texto (sobre e de). Orientam-no três eixos: identificar o(s) sentido(s) que J. Vasconcelos tem vindo a atribuir à(s) sua(s) obra(s); confrontá-lo(s) com as ideias que têm sido investidas nas diversas leituras sobre a(s) mesma(s); e estimar em que medida a reinscrição do seu trabalho nesse fio temporal de intertextualidade tem vindo a reconfigurar quer a relação discursiva da artista com a sua obra, quer a atitude relativamente crítica que se considera ser subjacente à concepção das suas peças.
  • PAP1044 - Espectáculos com “gente real”
    Resumo de PAP1044 - Espectáculos com “gente real” 
    • MADEIRA, Cláudia CV de MADEIRA, Cláudia
    • PAP1044 - Espectáculos com “gente real”

      Hoje é frequente encontrarmos o próprio público com núcleo central de um espectáculo, não como receptor último, agente que assiste a uma obra/processo/mensagem pré-definida e que tem de a descodificar nos códigos próprios cunhados pelo artista, mas como agente activo, “colaborador”, “co-criador”, ou mesmo “conteúdo” desse mesmo espectáculo. O próprio espectador torna-se um meio para questionar e dar corpo a questões/ problemáticas do social. Esta “activação” do espectador no sentido da criação e participação no acto artístico ainda que não traduzindo uma dinâmica nova tem-se ampliado desde os anos 90 através de um contexto de maior “hibridação estrutural” (Pieterse) onde a esfera da arte se articula/mistura ou se dilui com as outras esferas do social. Essa dinâmica que no campo da crítica de arte tem vindo a ser definida como “retorno ao real” (Hal Foster), “ viragem para o social” (Claire Bishop), “estética relacional” (Nicolas Bourriaud) e que na filosofia tem vindo a ser problematizada por Jacques Ranciére através do conceito de “emancipação do espectador”, parece encontrar uma base analítica na “sociologia performativa” de Jeffrey Alexander. A partir desta perspectiva e tendo por base um conjunto de entrevistas efectuadas a artistas portugueses de diversas esferas do que pode ser denominado de uma” arte social” (uma arte implicada intencionamente e performativamente no social) — desde a arte política, à arte pública, à arte género, à bio arte, à arte ambiental e à arte tecnológica—, procuraremos analisar as representações sobre a reconfiguração e hibridização de papéis — do artista e do espectador— através do conceito de participação, assim como analisar recorrências e especificidades entre esferas artísticas sobre como são pensadas e problematizadas hoje pelos artistas as funções da arte na sociedade.
  • Cláudia Madeira (1972) Socióloga. Encontra-se desde Setembro de 2009 a desenvolver o seu projecto de pós-doutoramento, intitulado "Arte Social", no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, enquanto bolseira da FCT. Com o apoio destas duas instituições doutorou-se em Sociologia com a tese" O Hibridismo nas Artes Performativas em Portugal" (2008), da qual já resultou uma publicação dedicada à análise do conceito de híbrido desde o mito, passando pelas ciências exatas e pelas ciências sociais, que se denominou "Hibrido: do Mito ao Paradigma Invasor?" (Mundos Sociais, 2010), encontrando-se no prelo para publicação no ICS outra dedicada ao processo de hibridização nas artes em Portugal. É ainda autora de "Os Programadores Culturais: Novos Notáveis" e de vários artigos sobre novos hibridismos nas artes. Actualmente, dá o seminário "Metamorfoses do Espectáculo" no mestrado de Comunicação e Artes, na Universidade Nova de Lisboa.
  • PAP0858 - O estudo do trabalho cultural e artístico pela sociologia em Portugal
    Resumo de PAP0858 - O estudo do trabalho cultural e artístico pela sociologia em Portugal PAP0858 - O estudo do trabalho cultural e artístico pela sociologia em Portugal
    • MARTINHO, Teresa Duarte CV de MARTINHO, Teresa Duarte
    • PAP0858 - O estudo do trabalho cultural e artístico pela sociologia em Portugal

      A abordagem das profissões pela sociologia constitui uma tendência recente na história desta disciplina em Portugal. E se as primeiras análises sociológicas de grupos ocupacionais incidiram em profissões institucionalizadas – como médicos e engenheiros –, o sector da cultura e das artes e os agentes que aí intervêm têm sido alvo de uma vaga analítica mais tardia. Impulsionada pela expansão da sociologia da cultura nas últimas duas décadas, esta vaga traduz-se num acervo de investigações em fase de crescimento. Que perfis profissionais têm sido focados? Através de que metodologias? Com que contributos para o melhor conhecimento do sector cultural e artístico? O objectivo da presente comunicação é responder a estas questões, caracterizando o leque de estudos que a sociologia em Portugal tem produzido sobre profissões culturais e artísticas. Trata- se de ocupações compondo um grupo heterogéneo e com especificidades, por nele caberem domínios e ocupações com maior ou menor ênfase na criação, difusão e conservação e ainda pela diversidade de funções em causa (artísticas, técnico-artísticas e de mediação). Optou-se por estabelecer como critério de recenseamento de textos a posse conjunta de três atributos: ter autoria de sociólogos; ancorar em investigações empíricas; estar publicado. No balanço contido nesta comunicação, os estudos sociológicos sobre o trabalho cultural e artístico são categorizados de acordo com os objectos e as metodologias utilizadas. Os principais resultados dos estudos sistematizam- se em seis tópicos/seis secções temáticas: i) artistas e companhias; ii) trajectórias e reconhecimento – juventude, género, nacionalidade; iii) escritores, editores e política; iv) da importância dos mediadores culturais; v) novos modelos de produção/ difusão e redefinição de perfis; vi) representações e relação com a profissão. O balanço aponta as áreas menos abordadas pela sociologia na análise dos agentes e profissões culturais e artísticas. Consideram-se ainda os traços que o trabalho no sector da cultura e das artes partilha com o emprego noutras áreas de actividade.
  • Teresa Duarte Martinho é socióloga e completou o doutoramento em Sociologia em 2011 no ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL). É licenciada em Sociologia (1990) pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE). É mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação (2000), pelo ISCTE, e em Estudos Curatoriais (2006), pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL).
    Actualmente, é investigadora de pós-doutoramento no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL) (http://www.ics.ul.pt). Desde 1996, participou em diversos projectos de investigação no Observatório das Actividades Culturais (OAC) (http://www.oac.pt) entidade fundada em 1996 por: Ministério da Cultura, Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e Instituto Nacional de Estatística (INE). Interesses de investigação: profissões e ocupações culturais e artísticas; políticas culturais; processos de mediação da arte e da ciência: práticas, actores e trajectórias.
  • PAP0324 - Perceções e divulgação de artistas plásticos africanos em Portugal
    Resumo de PAP0324 -  Perceções e divulgação de artistas plásticos africanos em Portugal PAP0324 -  Perceções e divulgação de artistas plásticos africanos em Portugal
    • PEREIRA, Teresa Matos CV de PEREIRA, Teresa Matos
    • PAP0324 - Perceções e divulgação de artistas plásticos africanos em Portugal

      Em Portugal a receção e divulgação da obra de artistas plásticos africanos tem evidenciado, ao longo das últimas duas décadas uma cadência intermitente, marcada pontualmente pela integração das artes plásticas no discurso da lusofonia ou do pós-colonialismo sem que estes factos tenham contribuído na realidade para uma discussão ou análise crítica das suas linguagens particulares, decorrentes, nomeadamente, dos seus trânsitos transnacionais ou permanências continuadas, bem como das dinâmicas históricas que envolvem Portugal e África. Com esta comunicação propõe-se um olhar sobre a obra de alguns artistas africanos, procurando vislumbrar algumas dinâmicas tais como a afirmação de identidades partilhadas, a problematização das realidades experienciadas nos países de origem ou nos espaços diaspóricos, a guerra e a violência, a reflexão acerca da própria história que envolveu a Europa e a África, assumidas como matéria de reflexão plástica, e desvendando linhas de continuidade entre passado e presente, numa trajetória solvente das fronteiras impostas pelo discurso histórico, que, em última análise, revelam as transfigurações e múltiplas faces da temporalidade vivida, narrada ou transformada em terreno de utopias.
  • Nota Curricular

    Nome: Teresa Matos Pereira
    Formação: Doutoramento em Belas Artes, Mestrado em Teorias da Arte e Licenciatura em Artes Plásticas – Faculdade de Belas Artes de Lisboa

    Docente no Instituto Politécnico de Setúbal – Escola Superior de Educação e Investigadora no CIEBA- Faculdade de Belas Artes de Lisboa.
    Interesses de investigação. Artes visuais e colonialismo; discursos artísticos e pós-colonialidade.

    Textos :
    - «A Condição da mulher em Angola na cerâmica de Helga Gamboa, in :ESTÚDIO, Vol.3, nº5, FBA-Ul/CIEBA, Lisboa, 2012( pp.112-118). ISSN 1647-6158
    - «As Artes Plásticas nos Labirintos da Colonialidade», in RODRIGUES, José Damião e RODRIGUES Casimiro. Representações de África e dos Africanos na História e Cultura – séculos XV a XXI. PONTA Delgada: CHAM, 2011 (pp.371-387)

    - «Desenhos de África, Desígnios Coloniais, Desejos Suspensos: Artes Plásticas e Colonialidade» in CIEA7, Lisboa, ISCTE-IUL (disponível em http://hdl.handle.net/10071/2533 )
    - "Intervisualidade e Metáfora. Trajectórias dos Signos na Pintura Angolana e Portuguesa durante a segunda metade do séc. XX " In Actas do VI Congreso de Estudios Africanos en el Mundo Ibérico (CD-ROM) Depósito Legal: GC- 247-2009
  • PAP0143 - CRISES IDENTITÁRIAS NA PRODUÇÃO E CONSUMO DE BANDAS DESENHADAS: questões de Reprodução e Hibridização
    Resumo de PAP0143 - CRISES IDENTITÁRIAS NA PRODUÇÃO E CONSUMO DE BANDAS DESENHADAS: questões de Reprodução e Hibridização PAP0143 - CRISES IDENTITÁRIAS NA PRODUÇÃO E CONSUMO DE BANDAS DESENHADAS: questões de Reprodução e Hibridização
    •  JÚNIOR, Amaro Xavier Braga CV - Não disponível 
    • PAP0143 - CRISES IDENTITÁRIAS NA PRODUÇÃO E CONSUMO DE BANDAS DESENHADAS: questões de Reprodução e Hibridização

      Fruto de uma dissertação de mestrado em Sociologia, o trabalho apresenta diversas questões: Será que a maneira de desenhar uma BD revela a cultura de sua região de origem? Será possível reconhecer uma linguagem nacional em cada tipo de HQ? Os “Comics” representam a cultura estadunidense? As Bandé Dessinée representam a cultura francófona? E os Mangás, por sua vez, representam a japonesa? Se a resposta for positiva – e se defende esta perspectiva – como avaliar as produções que se espelham na linguagem de uma BD de outra cultura? BD de super-heróis que visualmente lembram os mangás japoneses, mas produzidos nos EUA, são um “Comic” ou um “Mangá”? Como proceder para avaliar estas HQ´s? O quanto elas têm de uma cultura o quanto se apropriam da outra? Estas nomenclaturas não são simples verbetes que nominam “Bandas Desenhadas” em inglês, francês ou em japonês. Compreender os limites estéticos de cada um é compreender os meios necessários para acessar suas Representações Sociais e efetivar os meios pelos quais os quadrinhos representam a cultura em que é produzida, isto é, se compõe enquanto produto identitários. O trabalho analisa o surgimento dos Mangá Nacionais, as assim chamadas bandas desenhadas produzidas no país com uma estética visual baseada nas HQ´s japonesas. Avalia o papel desempenhado pelos quadrinhistas na produção de fanzines e revistas e as escolhas estéticas que são feitas, na constituição e reconhecimento de uma linguagem nacional dos quadrinhos brasileiros e até que ponto reproduzem padrões comerciais e como corroboram para engendrar uma hibridização cultural responsável, segundo Bauman, por uma liquidez da identidade cultural. O trabalho resgata os perfis estéticos que definem a aparência e a estrutura do mangá no Japão e os compara com aqueles presentes nas versões nacionalizadas, concentrando o levantamento e o enfoque analítico em várias BD´s de sucesso editorial. Partindo da estrutura semiótica unida com a análise sociológica, procura-se discutir como os processos de reprodução da estética seqüencial – acolhido de forma despretensiosa por parte dos produtores de BD, podem incentivar a hibridização cultural, um fenômeno com efeitos não planejados na identidade e na estética nacional. O objetivo do trabalho, portanto, é mapear as estruturas que permitem perceber até que ponto a produção e consumo de BD contribui para dissipar ou fortalecer as fronteiras simbólicas entre “nós” e “eles”.
  • PAP0140 - Processos criativos da poesia na web: democratização e imagem
    Resumo de PAP0140 - Processos criativos da poesia na web: democratização e imagem 
    •  DABUL, Lígia CV - Não disponível 
    • PAP0140 - Processos criativos da poesia na web: democratização e imagem

      Esse trabalho descreve e analisa mudanças significativas e bastante difundidas nas formas de criação poética e no corpo do poema que acompanham a democratização da escrita poética efetuada na web. De fato, a observação da poesia criada e veiculada na internet depara com consideráveis transformações que vêm se dando já há cerca de vinte anos nas interações entre poetas e entre estes e seus leitores, e, principalmente, no corpo do poema. Como em tantas outras áreas da vida social, o estudo da poesia e de poetas por meio do que se mostra na web viabiliza, mais que acesso a dados, tocar em realidades da vida social inusitadas, baseadas em elementos originais, com nova natureza, por assim dizer. Além disso, a internet é conformadora de realidades sociais que reverberam e criam acontecimentos para bem além de suas telas, tecnologias, linguagens, hábitos, conduzindo a diversidade de experiências que talvez ainda não tenhamos processado com perguntas e aparato conceitual adequados, voltados para a singularidade desses fenômenos. Nessa comunicação, gostaríamos de apontar, em caráter preliminar, algumas maneiras por meio das quais poetas e não poetas interagem na internet em função de avaliações e práticas vinculadas à poesia, e apresentar também algumas novas configurações que a criação poética vem assumindo nesse meio, em especial no que diz respeito a alterações significativas no corpo, e, por extensão, na imagem do poema - sua silhueta, sua cor, textura, ambiente visual, dentre tantas outras. Por sua difusão, e por diversas das suas características, tratamos esse processo como “improvisação cultural” – generativo, em que pese basear-se em formas reconhecidas extensamente como poemas; temporal, ou seja, não eruptivo; extensivo, isto é, não redutível a rupturas individuais com modelos assentados de criação; e como prática em boa medida naturalizada pelos atores sociais envolvidos. Abordaremos, por conta de recorte que viabiliza a pesquisa e da proximidade da pesquisadora, a poesia escrita em português, com foco voltado para a brasileira.