PAP0786 - Da Crise Cultural e Artística na Sociedade Actual: ameaça ou ocasião?
A presente comunicação inscreve-se na esteira da Sociologia da Arte e pretende ajudar-nos a reflectir sobre o papel actual da cultura e das artes, procurando perspectivar se a crise presente é uma ameaça ao que nos caracteriza enquanto seres humanos, ou antes uma oportunidade de mudança de paradigmas.
Na sociedade de consumo em que vivemos (e a que alguns autores, como Guy Debord, também chamam sociedade do espectáculo), o homo sapiens tornou-se no homo consumericus (Gilles Lipovetsky, Le Bonheur paradoxal). No campo cultural e artístico também se denotam várias alterações fruto desta conjuntura. Procuraremos, com esta comunicação, indagar sobre algumas das mutações que este quadro conjuntural provoca, tais como a reflexão sobre a questão sempre premente da utilidade da arte (e que arte?), interrogando, desde logo, a pertinência deste assunto num momento em que as indústrias culturais e criativas se apresentam como vias de desenvolvimento económico e social.
A noção de cultura (material e imaterial) continua a merecer debates inflamados. Na Declaração Universal da Diversidade Cultural, a UNESCO define-a nos seguintes moldes: «culture should be regarded as the set of distinctive spiritual, material, intellectual and emotional features of society or a social group, and that it encompasses, in addition to art and literature, lifestyles, ways of living together, value systems, traditions and beliefs». Se pensarmos a arte e a cultura a partir destas premissas, e dentro de um contexto que promove o desenvolvimento das indústrias culturais e criativas, poderemos questionar, num segundo momento, sobre aquilo que as artes e as culturas nos trazem e causam enquanto sociedade composta de indivíduos e organizada colectivamente.
Num terceiro e último momento, procederemos a uma cogitação sobre o papel da cultura e da(s) arte(s) nos cenários de crise e, pertinentemente, no âmbito da conjuntura presente. Uma crise é uma ruptura de um determinado equilíbrio. A etimologia da palavra (Krisis) remete para campos como a decisão, o julgamento, a distinção. Assim, momentos de ruptura como aquele que vivemos acarretam perigos, mas constituem-se como charneiras que servem para alterar paradigmas, para o questionamento e decisão sobre novos rumos enquanto sociedade activa e consciente. Que arte servirá estes momentos?