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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Editorial

Crenças e Religiosidades[ Voltar às Áreas ]

Mesa nº 4 - Religião e política I[ Voltar às Mesas ]

  • PAP1204 - Religião, Politica e Vulnerabilidade Societal
    Resumo de PAP1204 - Religião, Politica e Vulnerabilidade Societal PAP1204 - Religião, Politica e Vulnerabilidade Societal
    • SEMEDO, Adilson Filomeno Carvalho CV de SEMEDO, Adilson Filomeno Carvalho
    • PAP1204 - Religião, Politica e Vulnerabilidade Societal

      Um dos grandes desafios do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (P.A.I.G.C.), após a Independência Nacional de Cabo Verde, foi a modernização de um país herdado do colonialismo português. O corte com determinadas práticas tradicionais afigurava-se fundamental na prossecução de tal objectivo e pela primeira vez na história do arquipélago o Estado divorciava-se formalmente da Igreja, inaugurando assim uma nova fase nas relações entre o religioso e o político. Tomando como referência as constatações de Bauman (2010) acerca da natureza da relação entre o religioso e o político o artigo tem como propósito demostrar que a vulnerabilidade societal cabo-verdiana minou os intentos de laicização do P.AI.G.C./C.V. e atenuou a sua pujança enquanto força dirigente da sociedade e do Estado. Destarte, focados na dimensão da secularização que Dobbelaere (2004) designa de secularização societal, procuramos demonstrar que, no caso Cabo-verdiano, o processo de laicização do Estado que procede da Independência Nacional é ambíguo e a variável que sustenta esta constatação são as comunicações tornadas públicas da Presidência da República com o Bispado de Cabo Verde e com a Santa Sé, que demonstram que com a laicização o Estado procurou acima de tudo controlar o factor religioso através de um jogo de difícil equilíbrio. Para tal efeito, o artigo apresenta uma síntese do conjunto de comunicações que foram tornadas públicas através dos jornais «Voz de Povo» e «Tribuna» no período da primeira República de Cabo Verde (1975-1991) e que tiveram como protagonistas a Presidência da República, o Bispado de Cabo Verde e o Vaticano e que apresentam o reconhecimento do Vaticano como a âncora que Presidência utilizou para reforçar a legitimidade do poder do partido que representava face a instituição religiosa dominante nas ilhas, a Igreja Católica, ao mesmo tempo em que internamente a administração da Igreja era «convidada» a colaborar no árduo desenvolvimento do pais. Tendo como base um quadro de vulnerabilidade secular, Cabo Verde constitui, no nosso entendimento, um exemplo dos arranjos que a religião e a política podem constituir num quadro de crise e de reconfiguração societal.
  • «Adilson Filomeno Carvalho Semedo, investigador Integrado no Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Formação: Licenciatura em Ciências Sociais; Mestrado em Estudos Africanos.
    Projectos: Investigador do projecto “Religião e Política: os posicionamentos públicos da Igreja Católica perante as mudanças políticas em Cabo Verde (1975-2001), dentro do programa de doutoramento em Sociologia, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, sob orientação da Doutora Helena Vilaça e financiado pela FCT.
    Áreas de interesse: Religião e Política; Género e Religião; Pluralismo Religioso e Legislação sobre a Liberdade Religiosa; Religião e Modernidade; Teoria Social.
    Publicações recentes: SEMEDO, Adilson F. C. (2009). RELIGIÃO E CULTURA: A Influência da Igreja Católica na Reprodução da Dominação Masculina em Cabo Verde. Porto: CEAUP, Colecção: e-books.»
  • PAP1170 - Crença e política entre portugueses(as): valores, práticas e percepções
    Resumo de PAP1170 - Crença e política entre portugueses(as): valores, práticas e percepções  PAP1170 - Crença e política entre portugueses(as): valores, práticas e percepções
    • SILVA, Manuel Carlos CV de SILVA, Manuel Carlos
    •  RIBEIRO, Fernando Bessa CV - Não disponível 
    • PAP1170 - Crença e política entre portugueses(as): valores, práticas e percepções

      É frequente afirmar-se que, perante o processo de secularização, as pessoas vão deixando de professar e sobretudo praticar actividades religiosas e, por outro, perante a crise do sistema político-partidário, vão descrendo dos políticos profissionais e da própria política, designadamente partidária. O objectivo desta comunicação visa testar e aferir estas afirmações com base em dois tipos de instrumentos: um primeiro, de teor estatístico, que dê conta da evolução das crenças e práticas religiosas com base nos censos e noutros estudos já realizados em Portugal; e um segundo com base em dados empíricos recolhidos a propósito de uma investigação centrada nas (des)igualdades de género, que teve, entre outros instrumentos e técnicas quantitativas e qualitativas, a aplicação de um inquérito a 800 pessoas em Portugal Continental distribuídas por sexo, idade, profissão, tipo de residência (rural ou urbano), activo-não activo, projecto este aprovado e financiado pela FCT e finalizado em 2011 (PTDC/SDE/72257/2006). As questões colocadas remetem para problematização e uma breve avaliação sobre as várias perspectivas sobre a religião e, sobretudo, para a necessidade de analisar a relação da religião quer com os valores, quer com a política. Considerando variáveis como o sexo, a profissão, a idade, foram colocadas e analisadas diversas questões tais como o tipo de crença ou religião professada (ou nenhuma) e respectivas práticas diferenciadas por profissão e género, o grau de adesão e confiança, também por profissão e género, nos partidos para defender seus interesses ou resolver problemas e, em especial, as atitudes perante as desigualdades de género por sexo, grupo profissional e nível de escolaridade. Os dados recolhidos confirmam que a grande maioria dos portugueses é católica, distribuindo-se os restantes por outras religiões ou simplesmente são agnósticos ou ateus. Todavia, em termos de práticas religiosas regulares, além de a taxa de não praticantes ser superior à dos praticantes, as taxas de praticantes são diferenciadas por grupos profissionais e mais elevadas entre as mulheres que entre os homens. Por outro lado, em termos de expectativas e percepções face aos partidos no que respeita a defesa dos seus interesses e resolução de problemas, os inquiridos mostram, em termos relativos, uma maior confiança em entidades não partidárias (sindicatos, movimentos cívicos, centros sociais/paroquiais e associações de vária ordem) que nos partidos políticos. Palavras- chave: religião, política, valores, práticas e percepções, Portugal.
  • Silva, Manuel Carlos
    Licenciado e doutorado pela Universidade de Amesterdão em Ciências Sociais, Culturais e Políticas. Professor catedrático em Sociologia e Director do Centro de Investigação em Ciências Sociais (CICS) na Universidade do Minho. Distinguido com o Prémio Sedas Nunes pela obra “Resistir e Adaptar-se” (1998, Afrontamento) sobre o campesinato, tem publicado sobre o rural-urbano, o desenvolvimento e as desigualdades sociais. Foi Presidente da Associação Portuguesa de Sociologia (APS).
  • PAP0768 - Organizações Islâmicas e Desenvolvimento em Moçambique
    Resumo de PAP0768 - Organizações Islâmicas e Desenvolvimento em Moçambique 
    •  ANDRÉ, Carla CV - Não disponível 
    • PAP0768 - Organizações Islâmicas e Desenvolvimento em Moçambique

      No âmbito da ajuda ao desenvolvimento, no século XX, doadores e agências de desenvolvimento ocidentais desprezaram as afinidades da religião no combate à pobreza e à exclusão social, na dinamização das sociedades civis, ignorando sinergias positivas entre a religião e o desenvolvimento. Esta circunstância decorre da ambivalência predominante entre os doadores oficiais ocidentais, influenciados pela separação legal entre a Religião e o Estado nas democracias liberais, impedindo-os de reconhecer as organizações religiosas como importantes stakeholders em questões de desenvolvimento, convictos da oposição entre razão e fé e da inflexibilidade dos discursos religiosos face à mudança política e social. Na primeira década do século XXI assiste-se a uma mudança, nos discursos e nas políticas de desenvolvimento, e ao reconhecimento necessário do papel das organizações religiosas na ajuda ao desenvolvimento. Nesta investigação pretende-se destacar a importância das organizações religiosas islâmicas, em Moçambique, e o seu acesso privilegiado às populações muçulmanas, carentes de ajuda, quando comparadas com as congéneres seculares. No âmbito do Islão a prática do humanitarismo deve ser cumprida por todos os crentes. Todo o muçulmano deve esmola. O desenvolvimento de acções humanitárias, de forma voluntária, traduz-se num acto de confirmação e validação da fé: "Nunca atingireis a verdadeira piedade enquanto não fizerdes esmola do que prezais" (Quran, s. 3, v. 86). Além da dimensão moral da acção destaca-se a religiosa, pelo que, através os textos sagrados, é legalmente instituída a obrigatoriedade do acto. O acto de humanitarismo é, por isso, a prova da piedade do muçulmano em relação aos mais desfavorecidos muçulmanos ou não muçulmanos. Ellis e Terr Haar (2001) salientam a importância da religião no desenvolvimento do continente africano no século XXI, enquanto J. Benthall (2002: 151) destaca o papel das organizações religiosas na prestação de serviços indispensáveis ao bem-estar das populações: “(...) All societies, rich and poor, have developed systems of mutual aid to mitigate social suffering (…). Voluntary associations can show surprising resilience. (...) Religious organizations are often among the most effective in mitigating social suffering”. Assim, pretende-se reflectir sobre as actuais motivações religiosas para a prática da acção humanitária na perspectiva do Islão e perceber de que forma os actos de humanitarismo, elementos essenciais da prática religiosa islâmica, constituem a base de programas humanitários promovidos pelas organizações religiosas; compreender o papel do Estado moçambicano na regulação da pluralidade e participação religiosa no desenvolvimento do país.
  • PAP0565 - A participação política dos evangélicos brasileiros
    Resumo de PAP0565 - A participação política dos evangélicos brasileiros PAP0565 - A participação política dos evangélicos brasileiros
    • PAEGLE, Eduardo Guilherme de Moura CV de PAEGLE, Eduardo Guilherme de Moura
    • PAP0565 - A participação política dos evangélicos brasileiros

      A presente comunicação busca analisar a presença políticas dos evangélicos brasileiros, algo facilmente perceptível depois do período de redemocratização do país, ocorrida após 1985. Dentro da perspectiva de análise, a ampliação da representatividade política do referido grupo religioso está dentro da ótica do chamado “voto evangélico”, dentro da ideia de que “irmão vota em irmão”, instrumentalizando-o como uma estratégia de angariar votos dentro desse segmento. Além disso, o uso de lideranças carismáticas que ofereçam candidaturas, o uso do púlpito para o apoio oficial de algumas denominações evangélicas em prol de um determinado candidato escolhido pela cúpula eclesiástica, a possibilidade de conseguir novas concessões públicas de rádios e TV, a participação de colocarem as propostas morais para a sociedade em temáticas como homossexualismo, eutanásia e aborto, a busca de ocupação dos espaços públicos, como por exemplo, a “Marcha para Jesus” organizada pela Igreja Renascer em Cristo, o aumento tanto em números absolutos quanto percentuais dos evangélicos nas duas últimas décadas (fenômeno chamado por Magaldi Cunha de “explosão gospel”) formam um conjunto de fatores que trouxeram os evangélicos para dentro da cenário político. Rompe-se assim, ao menos em parte, a mentalidade de que o evangélico ou o crente não se mete em política porque isso faz parte “do mundo”, ou seja do pecado, e como os cristãos são separados por Deus, nessa teologia, as preocupações do cristianismo seriam apenas no mundo transcendental ou espiritual e não no mundo terreno. A expressão “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” reforça essa ideia. Neste sentido, a influência dos grupos pentecostais e principalmente dos neopentecostais com a teologia da prosperidade com a ênfase na prosperidade financeira e na saúde está fazendo uma leitura que a prosperidade do Brasil enquanto nação passa pela ocupação da maior quantidade de cargos públicos como forma de cristianizar o seu povo e as esferas estatais.
  • Eduardo Guilherme de Moura Paegle é graduado e mestre em História pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), na qual, atualmente é doutorando por esta universidade no Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas. Atualmente tem uma bolsa de estudo da CAPES (governo brasileiro) no ISCTE\IUL por quatro meses em Lisboa. Sua área de interesse é sobre os evangélicos brasileiros, relações da religião com a política e mercado, o trânsito e o transnacionalismo religioso, e as interfaces entre fé e performance. Seu tema de tese de doutorado é "A 'mcdonaldizaçã' da fé. O culto como espetáculo entre os evangélicos brasileiros." Estuda em Portugal, igrejas neopentecostais de origem brasileira para verificar o fenômeno de transnacionalismo religioso, de como as igrejas brasileiras se adaptam em contextos diferentes das suas origens.