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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Editorial

Crenças e Religiosidades[ Voltar às Áreas ]

Mesa nº 6 - Religiosidade, corpo e cura[ Voltar às Mesas ]

  • PAP1151 - Cura física e espiritual: uma reflexão em torno dos conceitos e dos seus usos (work in progress)
    Resumo de PAP1151 - Cura física e espiritual: uma reflexão em torno dos conceitos e dos seus usos (work in progress) 
    • LUZ, Manuela Sousa CV de LUZ, Manuela Sousa
    • PAP1151 - Cura física e espiritual: uma reflexão em torno dos conceitos e dos seus usos (work in progress)

      O mundo contemporâneo caracteriza-se pela coexistência de processos de manutenção da tradição, invenção e reinvenção da tradição, mas também de destradicionalização. No campo da religião fica bem patente essa realidade, onde a encruzilhada de diversas crenças dá corpo a novos quadros de significação e de orientação na vida do homem. O mesmo se constata na esfera da medicina convencional do Ocidente, onde nos deparamos com tensões e debates sobre novos saberes sobretudo inspiradas em filosofias orientais. Atendendo a esta propensão, torna-se sociologicamente pertinente o estudo dos fenómenos relacionados com a busca da cura, bem-estar físico e espiritual, nomeadamente, na sociedade portuguesa contemporânea, onde se revelam dinâmicas sociais híbridas e uma crise de homogeneidade das práticas e ou doutrinas do campo da saúde e da religião. Se, por um lado, surgem as terapias alternativas ou complementares à medicina alopática, porque esta enferma de uma abordagem holística do indivíduo (mente-corpo- espírito), potenciada e saciada em práticas ancestrais do oriente; por outro, encontramos dentro da mesma perspetiva, mas no cristianismo, a ênfase nos dons do espírito como forma de libertação e de cura. Um fenómeno não exclusivo do pentecostalismo evangélico tendo emergido, ainda que com pouca visibilidade, em grupos carismáticos católicos com o Vaticano II e adquirido maior impacto nas últimas décadas. Trata-se de tendências religiosas e terapêuticas que convocam um olhar sociológico com vista a compreender esta imbricação da terapia e da espiritualidade, numa sociedade cada vez mais global, secular e individualista mas que, em contraponto, revela, igualmente, sinais de reencantamento do mundo pela busca da cura e bem-estar através de vivências mágicas. Face ao fenómeno social exposto e no âmbito do projeto de doutoramento em curso, propomo-nos refletir nesta comunicação, de modo tão abrangente quanto possível, conceitos que são centrais nesta pesquisa, nomeadamente, o conceito de espiritualidade e terapia, cura e doença. Uma reflexão que pretende ser um contributo para a análise da complexidade do fenómeno que se perspetivará num estudo comparativo dos praticantes de terapias alternativas (New Age) e dos carismáticos católicos.
  • Manuela Sousa Luz , após um percurso profissional de cerca de 15 anos na área da assessoria de comunicação e jornalismo, em 2004, ingressou na Faculdade de Letras da Universidade do Porto e obteve o grau de licenciatura de Sociologia (pré-Bolonha, licenciatura cinco anos), em 2009, com a tese “Terapias Alternativas: formas contemporâneas de cura física e espiritual”. Interessada nas questões de confluência entre saúde e religião na sociedade portuguesa, iniciou o Doutoramento em Sociologia, em 2011, na Universidade do Minho, onde se encontra a frequentar o primeiro ano lectivo.
    Em 2003, no exercício da sua cidadania, foi co-fundadora do Movimento para a Oncologia Pediátrica Integrada, em 2003, e nesse seguimento apresentou no ano 2005 uma comunicação em co-autoria no XVIII Seminário Internacional "Participação, Saúde e Solidariedade: Riscos e Desafios", sob o título Defesa e desenvolvimento do direito à saúde no âmbito da Oncologia Pediátrica Estudo de caso de exercício de cidadania.
  • PAP0939 - Religiosidade e bem-estar em idosos portugueses
    Resumo de PAP0939 - Religiosidade e bem-estar em idosos portugueses PAP0939 - Religiosidade e bem-estar em idosos portugueses
    • FERREIRA, Ana Veríssimo CV de FERREIRA, Ana Veríssimo
    • NETO, Félix CV de NETO, Félix
    • PAP0939 - Religiosidade e bem-estar em idosos portugueses

      O aumento sustentado da esperança média de vida e a diminuição da natalidade nos países europeus conduziu-nos a um processo acentuado de envelhecimento da população com consequências socioeconómicas preocupantes neste contexto de crise. Têm sido desenvolvidos diversos estudos sobre a população idosa, sendo feitas várias abordagens sobre as suas condições, formas de vida e alterações nos seus hábitos e costumes. Muitas investigações deram ênfase à importância da religião para conseguir enfrentar os desafios da idade, como o isolamento social, o enfraquecimento cognitivo, a dor, a incapacidade física e a tomada de decisões acerca dos cuidados no fim da vida. De acordo com vários autores, os recursos encontrados na religião atuam diminuindo a depressão, a ansiedade, o abuso do álcool, a solidão e mesmo o suicídio, situações comuns na população idosa. Neste contexto de crise, atualmente instalada, parece pertinente analisarmos a religiosidade e a vivência dos rituais enquanto promotores de sentimentos próssociais, de união e bem-estar. Este trabalho de campo foi desenvolvido no âmbito de uma investigação de pós-doutoramento e analisa a relação entre a religiosidade (organizacional e não organizacional e atitudes face ao cristianismo) e o bem-estar (satisfação com a vida e afetividade positiva e negativa e solidão) num grupo de 187 idosos portugueses a residir na região de Lisboa e Santarém. A religiosidade refere-se ao grau de ligação e aceitação que cada indivíduo tem face à instituição religiosa e à forma como põe em prática as suas crenças e rituais. Verificou-se que as mulheres têm atitudes mais favoráveis ao cristianismo, rezam e sentem mais a presença do divino e maior bem-estar existencial mas mais solidão do que os homens. Os idosos com atitudes mais favoráveis ao cristianismo, que rezam ou meditam mais, sentem maior bem-estar espiritual (religioso e existencial) e mais satisfação com a vida, apreciando-a e acreditando que a relação com Deus contribui para a sensação de bem-estar. Também revelam mais afetos positivos (dizem ser mais entusiasmados, interessados e fortes, ativos, atentos, inspirados e emocionados). Os idosos que frequentam mais a igreja ou outro local religioso sentem menos solidão.
  • Ana Maria Veríssimo Ferreira
    Professora convidada na Escola Superior de Educação de Lisboa, Vice-Presidente da Direção do Agrupamento de Escolas General Humberto Delgado, bolseira de pós-doutoramento em Psicologia (Religiosidade e Bem-estar) da Fundação para a Ciência e Tecnologia, na Fac. de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. Tem 30 anos de serviço como professora do ensino básico, secundário e superior. Trabalhou na ANQ – Agência Nacional para a Qualificação, Ministério da Educação. Doutorou-se em Ciências da Educação pela Universidade Aberta (2006) na especialidade de Educação Intercultural e Mestrado em Relações Interculturais (Universidade Aberta, 1997) Investigadora nos Projectos da FCT: “Juventude Imigrante: Aculturação e o paradoxo de adaptação em Portugal” e “Perdão e Amnistias: Perspectivas Europeias, Africanas e Asiáticas”. Colaboração em livros e publicação de artigos em revistas da especialidade em Portugal e no estrangeiro.
    E-mail: ana@jaf.pt
    Félix Fernando Monteiro Neto
    Félix Fernando Monteiro Neto é desde 1977 docente da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, onde exerce desde 1993 as funções de Professor Catedrático do Grupo de Psicologia. Licenciou-se em Psicologia pela Universidade de Paris VII (1975), obteve o D.E.A (Diplôme d’Études Approfondies) em Antropologia Normal e Patológica pela Universidade de Paris V e École des Hautes Études en Sciences Sociales (1976). Doutorou-se em Antropologia Normal e Patológica pela Universidade de Paris V e École des Hautes Études en Sciences Sociales (1980) e em Psicologia Social pela Universidade do Porto (1985). Obteve a Agregação em Psicologia pela Universidade de Coimbra (1990).
    É autor de dezasseis obras e de mais de duas centenas de artigos sobre Psicologia Social e Psicologia Intercultural. Estes artigos encontram-se publicados em diversas revistas nacionais e estrangeiras da especialidade.
    E-mail: fneto@fpce.up.pt
  • PAP0884 - “Santa Gianna Defensora da Vida” – uma leitura fenomenológica-cultural da devoção aos santos
    Resumo de PAP0884 - “Santa Gianna Defensora da Vida” – uma leitura fenomenológica-cultural da devoção aos santos 
    • SOARES, Hugo Ricardo CV de SOARES, Hugo Ricardo
    • PAP0884 - “Santa Gianna Defensora da Vida” – uma leitura fenomenológica-cultural da devoção aos santos

      Partindo da pregação testemunhal de uma devota da santa italiana Gianna Beretta Molla, num evento da Renovação Carismática Católica (RCC) na cidade de Campinas, Brasil, na qual ela narra sua experiência mística na relação com esta santa, o objetivo deste texto é pensar esta experiência tendo como ponto de partida tanto a narração em si, quanto a somatização dos efeitos místicos da cura milagrosa. Para tanto, baseio-me na noção fenomenológica de “corporeidade” elaborada por Merleau-Ponty e desenvolvida pelo antropólogo Thomas Csordas. A idéia é compreender como, ao longo da narrativa desta devota, se configura uma relação caracterizada pela homologia entre sua biografia e a da santa e pela inter-subjetividade de seus corpos fenomênicos. Neste caso, o uso do paradigma da corporeidade é útil para pensar a somatização resultante desta relação (e que aqui podemos chamar de milagre), pois permite aprofundar algumas questões ou perspectivas. Thomas Csordas, através do paradigma da “corporeidade”, olha para o corpo fenomênico como o lócus da cultura e o meio de sua experimentação, do “fazer-se humano” em suas infinitas possibilidades. Ou seja, o corpo é o lócus existencial da cultura e do sujeito. No caso etnográfico que me proponho analisar a devota conta sua aflição, que é a mesma da santa. No seu discurso, muitas vezes estava a falar de si, mas parecia estar falando sobre a santa, tamanha as aproximações retóricas do discurso. Noutros momentos, falava da santa, mas poderia muito bem ampliar a descrição para si. Desta relação devocional tão íntima e intensa surge a intervenção somática: a cura, que por sua vez, alimenta ainda mais a devoção mostrando que há um sistema que a organiza e que se retro-alimenta. O paradigma da corporeidade, segundo Csordas, não elimina a análise pelo paradigma da cultura, mas a complementa. Sua aplicação neste tipo de trabalho pode ser de grande rendimento, já que em muitos estudos a eficácia da cura miraculosa (ou mágica) é atribuída unicamente ao social, deixando de lado a perspectiva da experiência individual dos fenômenos.
  • meu nome é Hugo Ricardo Soares, sou graduado em História pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Brasil; mestre em Antropologia Social pela Unicamp com a dissertação "A Produção Social do Santo - um estudo do processo de beatificação do padre Rodolfo Komorek" e atualmente, doutorando em Antropologia Social também pela Unicamp.
    Minha pesquisa de doutoramento é uma continuação daquela desenvolvida no mestrado, só que o enfoque agora é o processo jurídico de beatificação/canonização do padre Rodolfo Komorek. Para desenvolvê-la, estou fazendo, neste ano de 2012, um estágio de pesquisa em Roma, Itália sob a supervisão do professor Nicola Gasbarro da Universidade de Udine e com financiamento da agência de fomento à pesquisa Capes (Capacitação de Pessoal de Ensino Superior) do governo brasileiro.
    O Objetivo é entender como se desenvolve a fase "romana" do processo de canonização e quais os pontos de convergência entre a dita devoção "popular" dos fiéis brasileiros ao padre Komorek com os anseios da instituição eclesiástica na produção de seus santos
    Portanto, meu interesses de pesquisa, desde o mestrado, podem ser resumidos à abordagem antropológica e sociológica da dinâmica de produção de crenças no inteiror do catolicismo, com enfoques especiais na produção dos santos e santidade.
  • PAP0877 - O corpo como lugar de experiência e prática religiosa
    Resumo de PAP0877 - O corpo como lugar de experiência e prática religiosa 
    • RIGONI, Ana Carolina Capellini CV de RIGONI, Ana Carolina Capellini
    • PAP0877 - O corpo como lugar de experiência e prática religiosa

      Entendendo o corpo como o campo privilegiado de observação e compreensão sobre a maneira como as variadas formas religiosas atuam e quais são as implicações disso na vida prática daqueles que nela estão inseridos, o objetivo deste texto é refletir sobre as interdições/transgressões localizadas no corpo dos frequentadores de Igrejas Evangélicas tradicionais (pentecostais clássicas) e que operam sob os signos da “religiosidade”. A noção de religiosidade é compreendida aqui como o universo das práticas, das experiências subjetivas relacionadas à moralidade veiculada por tais igrejas. Neste sentido, desejo refletir sobre as práticas cotidianas relacionadas aos usos do corpo por aqueles que se encontram imersos neste universo evangélico específico. Utilizarei, no decorrer do texto, alguns exemplos empíricos retirados de minha pesquisa de mestrado, uma etnografia realizada numa Igreja Evangélica Assembleia de Deus, na cidade de Campinas, no estado de São Paulo, Brasil. Estes dados foram repensados a partir de algumas mudanças no cenário religioso atual e, principalmente, a partir de dados atuais, sistematizados para a pesquisa de doutorado que está em andamento. Apesar da estreita relação entre evangélicos e comportamentos vinculados a valores morais, percebemos hoje que há um descompasso entre o ensinamento institucional e a prática dos fiéis. O interesse central deste texto está justamente na experiência subjetiva (individual/coletiva) relacionada aos usos do corpo de pessoas que se encontram neste descompasso. Se os evangélicos sempre foram reconhecidos por sua adequação e obediência a padrões comportamentais, a questão central deste texto é: o que, na experiência de cada um, faz com que esses desencontros, em termos de gestão corporal, se tornem mais frequentes a cada dia? Além disso, mais do que pensar em tal descompasso é preciso compreender as novas adaptações a acomodações nas quais ele implica. Em linhas gerais, o que pudemos perceber em relação às práticas corporais, é que tanto as instituições religiosas se adaptam à nova demanda de ofertas para o corpo como o próprio individuo religioso busca realizar uma espécie de compatibilização entre as ofertas religiosas e as outras tantas que compõem a vida cotidiana na sociedade contemporânea.
  • Ana Carolina Capellini Rigoni
    Doutoranda na Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP
    Formada em Educação Física
    Interesses de Pesquisa: Educação do corpo, Religião, Educação Física Escolar, Antropologia
  • PAP0075 - Fazer corpo na duração, na duração do fazer corpo: o caso da procissão do Corpo de Deus em Portugal
    Resumo de PAP0075 - Fazer corpo na duração, na duração do fazer corpo: o caso da procissão do Corpo de Deus em Portugal 
    •  PEREZ, Léa Freitas CV - Não disponível 
    • PAP0075 - Fazer corpo na duração, na duração do fazer corpo: o caso da procissão do Corpo de Deus em Portugal

      Fazer corpo na duração pode ser tomada como uma espécie de fórmula de compreensão das procissões, no geral, e em Portugal no particular. Duração porque remetem a uma hi[e]stória de longa de séculos e séculos. Fazer corpo porque operar ligações é seu intento e feito fundamental. A expressão em francês – faire corps - indica, devido à homofonia entre corps (corpo) e coeur (coração), um potente double bind entre corpo e sentimento, agentes fundamentais em se tratando de festa. Além disso, como aplicada maussiana que sou, sigo o mestre que sempre dizia que a questão fundamental das ciências sociais era entender a sociedade e a sociedade é aquilo que faz corpo. Sociedade é corpo constituído por regras e práticas. Falo em fazer corpo também porque uma procissão é um cortejo de corpos, marchando corpo a corpo. Corpos em desfile, constituindo um corpo processional. Um corpo constituído a partir de vários corpos, que se ligam por sentimentos. Um corpo emocional, comunidade emocional em termos weberianos. Uma corporação: corpo/coração em ação. Corpo-r-ação/Cor-p-ação. Na procissão do Corpo de Deus, estamos no núcleo duro do fundamento, isto é, no corpus mítico-místico-ideológico do cristianismo: um deus que se faz corpo (kenosis)e que dá seu corpo em sacrifício (dádiva oblativa de si) para a salvação da humanidade, para sua redenção. A comunicação intenta empreender refletir sobre o fazer corpo na duração na duração do fazer corpo por meio do relato de uma experiência pessoal da dramatização ritual que faz a memória desse corpus na Procissão do Corpo de Deus em Portugal, notadamente em Lisboa.