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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Editorial

Crenças e Religiosidades[ Voltar às Áreas ]

Mesa nº 8 - Festa, Rituais e Sincretismos Religiosos I[ Voltar às Mesas ]

  • PAP1437 - Imagens da sexualidade e virtudes femininas: Um diálogo afro-brasileiro de Imaculada Conceição e Iemanjá
    Resumo de PAP1437 - Imagens da sexualidade e virtudes femininas: Um diálogo afro-brasileiro de Imaculada Conceição e Iemanjá PAP1437 - Imagens da sexualidade e virtudes femininas: Um diálogo afro-brasileiro de Imaculada Conceição e Iemanjá
    • EDOARDO, Laysmara Carneiro CV de EDOARDO, Laysmara Carneiro
    • PAP1437 - Imagens da sexualidade e virtudes femininas: Um diálogo afro-brasileiro de Imaculada Conceição e Iemanjá

      Esta comunicação tem por mote uma interpretação acerca de imagens de duas entidades femininas, que centralizam no Catolicismo e no Candomblé a feminilidade e o papel da mulher diante das virtudes determinadas pelas suas qualidades. Considerando que o Candomblé tem base nas tradições pagãs africanas e que, a partir do sincretismo com a primeira, constitui-se em uma religião cristã eminentemente brasileira, bem como a constatação de Roger Bastide de que a Imaculada Conceição, a partir do mesmo sincretismo, é reconhecida pelos candomblistas como Iemanjá, entidade das águas salgadas, dona dos reinos marítimos, e decorrência direta das mães ancestrais (Iá Mi Oxongá), são debatidas as confluências e embates entre essas duas representações sacras, no sentido de identificar como a sexualidade e a transposição dos vícios sexualizados-femininos passam a ser evidenciados por meio de pinturas e imagens de ambas no imaginário ocidental, principalmente brasileiro. A partir de narrativas mitológicas, textos litúrgicos e registros imagéticos, procura-se evidenciar o modo pelo qual essas imagens apresentam características que delineiam as qualidades femininas, considerando uma passagem e, também, um confronto entre a fecundidade e a condição de mãe, assim como o papel da sexualidade e a categoria de amante, já que há, por um lado, a fecundação sem sexo e a superação do corpo nu de Eva e Lilith, por exemplo, e por outro a relação com a deusa de seios gigantes e a sereia, em contraponto à mulher branca de cabelos e vestido longos, representada por uma beleza casta e distanciada. Neste sentido, abordar o tema por meio da imagem remete à interpretação objetiva acerca da artificialidade do corpo coletivo, onde é possível percorrer as representações que se sublimam através dele pelos olhares que o viram e o vêem em continuum, sendo que, num relacionamento entre a imagem do feminino e a construção da imagem das mulheres-referenciais, é possível também promover um olhar sobre as construções contemporâneas na percepção dos indivíduos, no sentido de ilustrar os desejos, vontades e as expressões corporais que se elaboram como respostas às prerrogativas e provocações do mundo exterior a ele mesmo, sobretudo quando estas dizem respeito à convergência entre sexualidade e religiosidade.
  • Laysmara Carneiro Edoardo - PAP1437
    Mestre em Letras pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná, bacharel e licenciada em Ciências Sociais pela mesma instituição. Docente no ensino superior, produz pesquisa interdisciplinar sobre as relações entre imagem, juventude e sexualidade, no que tange a ficcionalização do cotidiano.
  • PAP0762 - Bruxaria e religiosidade popular - crenças e práticas ocultas num quotidiano católico
    Resumo de PAP0762 - Bruxaria e religiosidade popular - crenças e práticas ocultas num quotidiano católico 
    •  ROCHA, Paula CV - Não disponível 
    • PAP0762 - Bruxaria e religiosidade popular - crenças e práticas ocultas num quotidiano católico

      A presente comunicação é resultante da dissertação de Mestrado em Sociologia desenvolvida no ano lectivo 2009/2010, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, na qual se pretendeu perceber os novos contornos da religiosidade popular, embebidos por práticas de bruxaria na área geográfica do Vale do Sousa (interior do distrito do Porto). Neste sentido, importa realçar que a prática religiosa católica em Portugal – sobretudo no Norte -, define-se na religiosidade popular que em vários momentos se cruza com a bruxaria tradicional, mais frequentemente, no que diz respeito aos seus rituais, orações e finalidade das preces. Os católicos romanos vivem uma ambivalência entre o catolicismo e o ocultismo popular com origens na Idade Média, dando lugar a um sincretismo que concilia a prática religiosa e a prática mágica. Verificamos que são sobretudo as situações limite relacionadas com a saúde, o trabalho, os problemas sentimentais e a vida familiar que causam maior instabilidade espiritual nos indivíduos, conduzindo-os a procurar ajuda quer na Igreja, quer nas bruxas. Tal facto leva-nos, também, a considerar que desde que a relação com o sagrado, no sentido durkheimiano do termo, pode operar-se em dois registos, seja o religioso institucional (a Igreja) ou privado, traduzido na busca de Deus ou dos seus mediadores (os santos e a Virgem Maria); seja o mágico, sob a forma das bruxas e dos espíritos. Para uma abordagem multidimensional da realidade, estudámos quer o vértice da procura, quer o vértice da oferta envolvidos no campo, complementado com a opinião da “Igreja”, mais propriamente a opinião dos seus sacerdotes. Neste sentido, foi utilizada a metodologia qualitativa, sob a forma de observações no terreno (consultórios, salas de espera e rituais), análise documental, entrevistas formais e informais (bruxos, utentes e padres) e, também, com recurso à metodologia quantitativa, através da aplicação de inquéritos por questionário a católicos romanos (numa dimensão estatisticamente pouco representativa, embora sociologicamente relevante).
  • PAP0303 - A festa do Acorda Povo no Recife - Brasil: história, cotidiano e religiosidades. (1950-1980)
    Resumo de PAP0303 - A festa do Acorda Povo no Recife - Brasil: história, cotidiano e religiosidades. (1950-1980) 
    •  SANTOS, Mário Ribeiro dos CV - Não disponível 
    • PAP0303 - A festa do Acorda Povo no Recife - Brasil: história, cotidiano e religiosidades. (1950-1980)

      As festas juninas no Recife - Brasil serão tratadas nesse estudo como um problema histórico relevante, considerando as especificidades como cada grupo social se apropria dessas práticas culturais e as representam, reorganizando-as de acordo com os seus interesses particulares. Chamamos atenção para as experiências religiosas que se estabelecem no cotidiano da cidade, especialmente as comemorações do Acorda Povo. Nesta festa, os encontros e desencontros, mesclam traços marcantes do intercâmbio entre as culturas religiosas católicas e afro-brasileiras, representados de diferentes maneiras, seja pela cor das roupas e indumentárias, nos cânticos e louvores, no banquete peculiar, entre outras experiências. O Acorda Povo consiste numa procissão festiva, que sai pelas ruas de algumas comunidades da cidade, durante a madrugada do dia 24 de junho. Em geral, é organizada em sinal de agradecimento por uma graça alcançada, seja por algum devoto de São João ou filhos de santo da religião dos orixás, popularmente, conhecida como Candomblé ou Xangô. As ruas é o principal cenário de realização dessa celebração. Nesse espaço de sociabilidade, o sagrado e o profano se conectam e se misturam, assumindo diferentes temporalidades. Durante o estudo, iremos nos debruçar nas diferentes formas de representação da religiosidade vivenciada no momento da festa, analisando os rituais públicos e privados, o momento festivo do coco, a ornamentação das ruas por onde o cortejo passa, das casas onde a procissão faz as paradas, entre outros elementos, que nos possibilita identificar uma prática cultural criadora de diferentes territórios, acompanhados de novos significados, que demarcam simbolicamente o espaço de vivência da festa. Por se tratar de um assunto relacionado às práticas populares, a documentação referente ao assunto registrada em bibliografia e na imprensa escrita é praticamente inexistente, o que nos leva a fazer uso como suporte metodológico, dos relatos de memórias e dos acervos familiares, sobretudo, álbuns fotográficos, dos seguidores das manifestações analisadas.
  • PAP0247 - O bom filho à casa torna: sobre o paradoxo vivido por fieis que retornam ao culto afro após experiencia neo pentecostal.
    Resumo de PAP0247 - O bom    filho à casa torna: sobre o paradoxo vivido por fieis que retornam ao culto afro após experiencia neo pentecostal.  
    •  SILVA, Pablo Juan Candido da CV - Não disponível 
    • PAP0247 - O bom filho à casa torna: sobre o paradoxo vivido por fieis que retornam ao culto afro após experiencia neo pentecostal.

      Se a religião é cada vez mais, como destaca Prandi (2003), menos aquela que se nasce, mas uma que se elege - selecionada de uma pluralidade e permite aos que se ingressam nelas hoje o não compromisso com esta amanhã - possibilitando-os pelas variadas opções e intensa competição, entre elas um fiel cada vez menos fiel e mais um pesquisador constante, expresso no pequeno grau de lealdade entre ele e a religião, é natural que se pense que esses fiéis que abandonam os cultos afros, e engrossam as estatísticas censitárias em favor de um pentecostalismo e neopentecostalismo sempre em ascensão, muitos deles retornam a sua religião de origem. Percebe-se cada vez mais, é que adesão à igreja não é uma decisão irrevogável. Muitos dos que convertem se desconvertem,ou seja, voltam a sua religião de origem. Esse é o caso de muitos candomblecistas que após passarem pelos bancos das igrejas neopentecostais retornam à religiosidade afro, porém, trazem para esse universo, idéias alheias à este universo eles: maniqueísmo, vida pós-morte e noções de individuação entre os sujeitos, uma vez que essas denominações religiosas, contrariamente ás religiões afros, são “religiões do self” (Plaideau 2008). Esses retornados (nome dados aos candomblecistas que após um período de freqüência no neopentecostalismo retornam ao candomblé), embora poucos mencionem a sua trajetória pelos cultos afros, é destacado por essa autora o fato de alterar profundamente a maneira como estes reconciliados com a religião de origem se movem dentro deste universo, o que a leva a supor que o trânsito entre esses dois mundos não se dá de maneira impermeável. Questionam as práticas rituais como o sacrifício animal, critica a materialização da fé, idolatria além de desejarem estabelecer acordos diferenciais com as entidades, num claro sinal da valorização da individuação entre sujeitos, valor esse caro as religiões de raízes protestantes, mas, alheio aos cultos afros. Operando dentro de uma lógica judaico- cristã, de bem e mal como dimensões diametralmente opostas, projetando noções de culpa e responsabilidade individual num universo pagão, (Pladieu 2008) estes sujeitos que como diria Isaías Negrão (1996) estão entre a cruz e a encruzilhada, tentam operar preceitos cristãos, de um universo escatológico – morte, juízo, inferno e paraíso (Motta 2004) - em uma religiosidade que se dirigem para as questões práticas da vida.