PAP1265 - Juventude brasileira vulnerável ao crime: um panorama fruto da desigualdade
O presente trabalho tem como objetivo apresentar um panorama da juventude brasileira, buscando descrever o perfil predominante dos jovens que comentem atos infracionais no Brasil, uma vez que esse perfil tem cor, renda e gênero claramente demarcados. Para compreender alguns dos motivos que levam o jovem a criminalidade será pontuada a questão do trabalho, da escolarização e da violência, visando caracterizar em que contexto esse jovem está inserido. A fundamentação teórica será pautada em Ribeiro, Dias & Carvalho (2008); Sinase (2006); Araújo et alii (2009); Rédua & Souza (2009); Leher (2007); Pochmann (2008); Neri (2009); Spósito (2003); Haddad (2002) e Veloso (2009). Dessa forma, será possível compreender que os adolescentes em conflito com a lei são vítimas e culpados, estão incluídos de forma excludente, e são frutos de um sistema desigual. O fato de serem diferentes do padrão desejado, por subverterem o que é tomado como correto, os impulsionam para um mundo cruel, o da violência. Sua inclusão nesse grupo socialmente desprezado, configura uma sociedade na qual é melhor excluir o indesejável, e discursar o falso desejo de inclui-los, sem assumir que o padrão de inclusão é definido pelos dominantes. Em meio a esse jogo de poder estão os jovens, excluídos, querendo se incluir, lutando por espaço, onde as fronteiras são limitadas. Romper com essas forças é um desafio, e é nessa luta que esses adolescentes se contextualizam. Os centros de reabilitação onde os adolescentes em conflito com a lei ficam privados de liberdade deveriam ser o local da “socioeducação”; todavia, em suas práticas há marcas da desigualdade. Desse modo, será apresentado os achado de um Estudo de Caso realizado no Educandário Santos Dumont, que atende adolescentes infratoras, do sexo feminino, maiores de 12 anos, no Rio de Janeiro. Assim, nesse campo marcado pela desigualdade que esse trabalho busca compreender as tramas que cercam a juventude e almeja subsidiar futuros estudos educacionais sobre menores infratores, tema pouco presente nos cursos de educação e das ciências humanas e sociais das universidades públicas brasileiras.