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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Editorial

ST13 Sexualidade e Género[ Voltar às Áreas ]

Mesa nº 1 - Teorizando a sexualidade e o género (I)[ Voltar às Mesas ]

  • PAP1292 - Resistência Epistemológica Feminista como Estéticas do Existir
    Resumo de PAP1292 - Resistência Epistemológica Feminista como Estéticas do Existir 
    • SANTOS, Jenniffer Simpson dos CV de SANTOS, Jenniffer Simpson dos
    • PAP1292 - Resistência Epistemológica Feminista como Estéticas do Existir

      Problematizar a relação constituída com o outro, com o mundo e consigo mesmo parece ser condição basilar para que se possam abrir novas saídas mais positivas e mais saudáveis para a prática da liberdade e a invenção da vida. De modo que indagar sobre as relações assimétricas de poder não é apenas uma questão de obtenção de direitos, mas também de desnormatização dos discursos, dos saberes hegemônicos instituintes. O que possibilita cogitar algo diverso do que nos é oferecido como único meio de aspirar equivalência igualitária de direitos. Trata-se de considerar a dimensão ética e estética dessa luta. Pois, não basta reivindicar por visibilidade, é preciso também questionar-se: Qual tipo de visibilidade queremos? O texto parte desta problemática para discutir uma forma de resistência ao assujeitamento por meio de modos criativos e estilizados de vida que evita a comparação de subjetividades ao reivindicar direitos. Para essa reflexão, fiz um diálogo dos conceitos foucaultianos de resistência, experiência e estética do existir com as colaborações tecidas por Sandra Harding e Judith Butler sobre a teoria do conhecimento feminista, como forma de acentuar a necessidade do caráter inovador ao questionarmos o pensamento com o qual reinvidicamos direitos. Os estudos feministas expuseram conexões ocultas entre o privado e o público, permitindo que se observassem vínculos de poder antes desprezados nas tramas das relações sociais. O reconhecimento dessa dimensão da desigualdade social, que pode atravessar outras assimetrias de poder, acarretou em vários modos de resistências epistemológicas e práticas no sentindo de tornar visível e inaceitável o que era considerado natural. Nessa perspectiva, a resistência, enquanto estética da existência, está em consonância com as categorias analíticas dos estudos feministas como vivência, emoção e cotidiano que apontam para a necessidade de aceitar a instabilidade das categorias analíticas e usar essa própria instabilidade como recurso de pensamento e prática criativa perante a vida, na luta para abrir espaços de liberdade (criativos) dentro dos regimes de poder concretos em que vivemos, contribuindo para possibilitar a transformação de uma realidade socialmente mais justa e diferenciada. Palavras-chave: resistência; feminismo; estética da existência.
  • Jenniffer Simpson dos Santos, Doutoranda em Sociologia pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Atualmente estuda as mulheres indígenas no Amazonas sobre a perspectiva feminista e pós-colonial.
  • PAP1258 -
    Resumo de PAP1258 -  
    • PEREIRA, Maria do Mar CV de PEREIRA, Maria do Mar
    • PAP1258 -

      Tem-se registado em Portugal um significativo aumento da investigação sobre género (na Sociologia e outras áreas disciplinares) e um crescente reconhecimento da relevância da teoria feminista para a compreensão dos mais diversos fenómenos sociais. No entanto, muitas/os das/os investigadoras/es especializadas/os nestas temáticas reportam que o seu trabalho nem sempre é reconhecido por colegas e instituições como conhecimento científico "a sério", credível e válido. Nesta comunicação proponho-me analisar estes processos de negociação do "estatuto epistémico" (Pereira, 2011) dos estudos sobre as mulheres, de género e feministas (EMGF) em Portugal. A comunicação tem por base dados recolhidos num estudo etnográfico conduzido em 2008/09, que incluiu observação participante em vários contextos de trabalho e sociabilidade académica (aulas, conferências, lançamentos de obras, defesas de teses, etc.), entrevistas com 36 académicas/os, estudantes e outras/os, e pesquisa em arquivos. Recorrerei ao conceito de "boundary-work" (Gieryn, 1999) e a propostas teóricas dos "science and technology studies" e epistemologia feminista para explorar como é que, na sua prática académica quotidiana, as/os académicas/os portuguesas/es demarcam - de modo performativo, como argumentarei - as fronteiras entre conhecimento "científico" e "não científico". A comunicação incluirá uma breve apresentação dos resultados da etnografia mas focar-se-á, em particular, nos discursos públicos de académicas/os que não fazem investigação sobre género, analisando de que forma falam sobre os EMGF em aulas ou comunicações em conferências. Observei que a investigação feminista é frequentemente descrita nesses contextos como capaz de gerar conhecimento científico valioso MAS só em algumas condições e até certo ponto. Apresentarei exemplos destas afirmações adversativas (i.e. discursos assentes num "mas" ou outra conjunção equivalente), examinando a sua estrutura, conteúdo e recurso à caricatura e humor, de modo a identificar o "boundary-work" que estas afirmações produzem. Demonstrarei que geram uma representação da investigação feminista como estando parcialmente dentro e parcialmente fora das fronteiras do conhecimento científico. Argumentarei que estes discursos contribuem para posicionar a investigação feminista como um corpo de conhecimento pertinente mas sempre potencialmente deficitário a nível epistémico e, como tal, secundário. Sugerirei também que esta representação dos EMGF contribui para reproduzir e legitimar o fenómeno generalizado e há muito identificado (ver por exemplo Amâncio, 2003) de apropriação selectiva da investigação feminista em Portugal, permitindo às/aos investigadoras/es utilizar os conceitos feministas que são compatíveis com os seus quadros teóricos, e simultaneamente contornar as críticas feministas a esses mesmos quadros teóricos. ~Nota: Uma versão mais alargada e aprofundada desta comunicação está disponível aqui: Pereira, Maria do Mar (2012), “«Feminist theory is proper knowledge, but...»: The status of feminist scholarship in the academy”, Feminist Theory, 13 (3).
  • Maria do Mar Pereira É professora auxiliar de Sociologia e Estudos de Género na Universidade de Leeds (Reino Unido) e investigadora no CEMRI, Universidade Aberta, e no Centro Interdisciplinar de Estudos de Género (ISCSP-UTL). Completou em 2011 o doutoramento na London School of Economics and Political Science, com uma tese sobre o estatuto epistémico dos Estudos sobre as Mulheres, de Género e Feministas em Portugal. Antes disso, formou-se em Sociologia pelo ISCTE-IUL, com uma dissertação sobre a negociação do género numa escola em Lisboa, que será editada em 2012 pela Imprensa de Ciências Sociais com o título Fazendo Género no Recreio: a Negociação do Género e Sexualidade entre Jovens na Escola. Tem também publicado textos em revistas nacionais e internacionais sobre epistemologia, metodologia, pedagogia, género e sexualidade. Mantém um envolvimento activo em movimentos feministas em Portugal e no estrangeiro.


    Nota: Uma versão mais alargada e aprofundada desta comunicação está disponível aqui:


    Pereira, Maria do Mar (2012), “«Feminist theory is proper knowledge, but...»: The status of feminist scholarship in the academy”, Feminist Theory, 13 (3). 

  • PAP1002 - Academia, Activismo e Sexualidade: reflexões acerca de uma Sociologia Pública Queer
    Resumo de PAP1002 - Academia, Activismo e Sexualidade:  reflexões acerca de uma Sociologia Pública Queer PAP1002 - Academia, Activismo e Sexualidade:  reflexões acerca de uma Sociologia Pública Queer
    •  SANTOS, Ana Cristina CV - Não disponível 
    • PAP1002 - Academia, Activismo e Sexualidade: reflexões acerca de uma Sociologia Pública Queer

      Apesar de amplamente contestado, o legado positivista continua a produzir efeitos na forma como fazemos sociologia hoje. Tal herança traduz-se nos modos dominantes de recolher e analisar informação, conducentes a resultados fracos, por vezes despiciendos, e com pouca ressonância social e política. O conceito de sociologia pública, proposto inicialmente por Herbet J. Gans e amplamente desenvolvido por Michael Burrawoy, foi crucial na crítica a uma sociologia tradicional de influência positivista. Com base nesta noção, e claramente inspirada pelos contributos feministas e queer, nesta apresentação sugere-se a possibilidade – e a importância –, de assumir o carácter sempre político de todas as formas de conhecimento, incluindo o conhecimento sociológico. O argumento central é que apenas uma sociologia assumidamente comprometida pode levar a resultados transparentes, relevantes e úteis, em particular na esfera dos estudos sobre sexualidade. Esta apresentação está dividida em quatro partes. Na primeira parte, consideram-se brevemente para os antecedentes da Teoria Queer, de forma a clarificar contextos e conceitos. Segue-se uma revisitação do modelo de sociologia pública, enfatizando o seu potencial analítico e político. Subjacente ao conceito de sociologia pública está a premissa de que o conhecimento pode contribuir para processos de inclusão ou exclusão, dependentes da utilização que lhe é dada. A terceira parte trata dos impactos epistemológicos e éticos de ‘agentes-duplos’, ou seja, de quem assume um duplo estatuto enquanto cientista-activista na esfera dos estudos LGBT/queer. Sugere-se aqui que este duplo estatuto de cientista-activista constitui uma oportunidade para construir e disseminar conhecimento de base empírica, mantendo simultaneamente um sentido de responsabilidade social e empenho político. Por fim, propõe-se o desenvolvimento de uma Sociologia Pública Queer, uma nova perspectiva crítica que dialoga directamente com a noção de cidadania sexual. A Sociologia Pública Queer reconhece o seu carácter politicamente situado, ao mesmo tempo que contribui para a desconstrução de preconceitos e processos de exclusão e opressão com base na orientação sexual e identidade de género. Defende-se que tal compromisso entre academia e activismo fortalece a acção colectiva, respondendo simultaneamente a desafios que se colocam aos estudos sobre sexualidade no momento presente.
  • PAP0549 - Feminismo islâmico no Oriente Médio: Egito e Turquia
    Resumo de PAP0549 - Feminismo islâmico no Oriente Médio: Egito e Turquia  PAP0549 - Feminismo islâmico no Oriente Médio: Egito e Turquia
    •  LIMA, Cila CV - Não disponível 
    • PAP0549 - Feminismo islâmico no Oriente Médio: Egito e Turquia

      Os feminismos no Oriente Médio são as expressões da intersecção entre modernidade e Islã. Enquanto defesa e luta política pela emancipação da mulher surge pioneiramente no Egito, nos anos 20, com inspiração nos modos de vida seculares franceses, porém em conseqüência de hibridação cultural se transformaram profundamente, num processo de confrontação e assimilação teórico-discursiva entre movimentos seculares e islâmicos. No Egito o feminismo secular amargou ostracismo com as repressões de Gamal Nasser e sofreu limitações pelo autoritarismo de Hosni Mubarak. Na Turquia, o feminismo secular surgiu apoiando incondicionalmente as reformas de emancipação de Kemal Atatürk, contudo ressurge nos anos 80 com um posicionamento altamente crítico a estas mesmas reformas, alegando que elas reafirmavam o status quo islâmico de sexualidade e gênero na esfera privada. Nesse mesmo processo histórico surgem no Egito os movimentos islâmicos de mulheres, o que origina por volta dos anos 80 o feminismo islâmico. Atualmente, o feminismo secular e o islâmico convergem, paradoxalmente, com agendas programáticas e políticas diferentes. As argumentações teórico-discursivas do feminismo islâmico são de justiça e emancipação a homens e mulheres que seriam expostas se as leituras das escrituras sagradas do Islã forem feitas com um olhar feminista. Nesse sentido, esta comunicação compreende num primeiro momento, um detalhamento dos feminismos seculares no Oriente Médio, considerando como exemplos o Egito e a Turquia e num segundo momento propõe reflexões a cerca dos métodos e discursos do feminismo islâmico e sua inter-relação com a modernidade.
  • PAP0476 - Mulheres em Situação de Rua e Afetos: Revisitando o debate sobre o
    Resumo de PAP0476 - Mulheres em Situação de Rua e Afetos: Revisitando o debate sobre o  
    •  SILVA, Rosimeire Barboza CV - Não disponível 
    • PAP0476 - Mulheres em Situação de Rua e Afetos: Revisitando o debate sobre o

      As práticas feministas vêm contribuindo, através de sua história, para desestabilizar categorias até então inquestionáveis dentro da ciência moderna. As várias formas de opressão, bem como a diversidade de lutas, espaços, formas de fazer e criar dessas mulheres, seus múltiplos pertencimentos e os silenciamentos aos quais elas eram relegadas serviram de catalisador para a emergência de um novo corpus teórico que questionava, desde a experiência vivida, o universalismo, o essencialismo e o eurocentrismo. Os contributos das várias teóricas, académicas, críticas, activistas feministas, manifestações políticas, lideranças comunitárias e artistas serviram para fundamentar, desconstruir e desvelar a suposta neutralidade da ciência. O não-lugar, de onde costumavam falar os cientistas, era denunciado assim em seu projecto epistémico de sujeição e colonização da diversidade de saberes e pluralidade de conhecimentos assentes nas experiências cotidianas. Estudos sobre a cultura política das emoções foram escritos com profundidade e rigor e as estruturas patriarcais da ciência moderna foram colocadas em cheque através de debates intensos. Contudo, parece-nos, que mesmo após diversos avanços e o delineamento de um complexo quadro teórico, a questão da objectividade, e consequentemente a ideia de uma razão que lhe sirva de sustentação, embora surjam como revistas e reinterpretadas, seguem sem serem rejeitadas, mesmo pelos estudos que formam actualmente o quê chamamos “affective turn”. Se questionou “a” modernidade, mas não as práticas modernas que persistem informando nossos discursos. O affective turn apesar de ser criticamente contundente ao enfrentar as concepções herdeiras da modernidade falha quando não propõe sua transformação e a superação de tal modelo e, segue privilegiando a razão em detrimento da emoção, expurgando de suas críticas as experiências e saberes dos quais se alimenta. Assim, o objectivo de nosso paper é, através de uma discussão que dialogue com os recentes estudos que representam o “affective turn” na teoria feminista, recuperar a proposta de uma política dos afectos presente na filosofia de Baruch Spinoza, argumentando sobre a necessidade de superação do legado moderno que libere nossas práticas teóricas e políticas do jugo da “objectividade”. Dessa forma, propomos o (re)encontro da filosofia spinozana pela teoria feminista e destas com as lutas de mulheres lideranças de um movimento de pessoas em situação de rua no Brasil, onde os afetos, já são comumente compreendidos como variações contínuas de nossa capacidade de existir e como lugar de expansão de nossa potência de acção no mundo.