PAP0607 - Sexualidades, juventude e educação: relações e configurações sociológicas entre sexualidades e género
De uma perspectiva sociológica da educação, este
texto procura dar conta dos debates de jovens
em torno da temática das sexualidades e
educação, de modo a captar as suas percepções
acerca das mudanças que têm (re)configuradp as
relações entre sexualidades, género e educação.
Concretamente, procura-se perceber a natureza e
extensão dessas mudanças, dando particular
atenção ao modo como o campo educacional está a
ser modelado. Trata-se de apresentar resultados
da pesquisa realizada no âmbito do Projecto
Sexualidades, Juventude e Gravidez Adolescente
a Noroeste de Portugal, financiado pela FCT.
São examinados alguns dos principais
desenvolvimentos e debates suscitados pela
análise de 42 Grupos de Discussão Focalizada,
realizados com rapazes e raparigas, de vários
contextos sociais, escolas básicas e
secundárias, em grupos mistos, só rapazes ou só
raparigas. Apesar de estar subjacente a este
texto uma compreensão localizada sobre
realidades nacionais, a análise e resultados
que se apresentam, não dispensa a confrontação
com estudos portugueses similares (Almeida e
al, 2004, Vilar e Gaspar, 2000, Moita 2006,
Fonseca 2009, Ferreira e Cabral 2010, Moita
2003, Nogueira, 2000). Dialoga-se também com o
conhecimento de países europeus (Kehily 2002;
Lees 2000, Aapola, Gonick, and Harris 2005,
Paetcher 2007; Allen 2008; Trimble 2009, Arnot
2009), ou com estudos brasileiros (Heilborn et
al, 2006; Louro, 2001) ou ainda com pesquisas
de autores/as australianas e americanas (Keddie
2009; Fine 2006 e 2009). Carrear estas
perspectivas permite compreender melhor “as
comunidades de interpretação das sexualidades”
locais/globais (Kehily & Nayak, 2009).
construídas pela juventude portuguesa, ao mesmo
tempo que mobiliza os desafios científicos e
dos movimentos e fóruns sociais, relacionados
com cidadania sexual e intima. As categorias
encontradas no mundo das sexualidades (lugares
de género, relações diferenciais geracionais,
sexualidades normativas e marcadas, contextos
de aprendizagem e educação; sexualidades (des)
protegidas; gravidez jovem e DST, sujeitos de
confidencialidade, controlo e pressão nos
relacionamentos; etc.) permitem considerar
como, apesar dos passos dados de maior
igualdade de género e sexual, os padrões
tradicionais e conservadores continuam a actuar
como pesadas formas de direccionamento social,
embora em moldes ressignificados,
considerando o nível das relações de género,
poder e autonomia.