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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

Requisitos Mínimos:
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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Editorial

ST13 Sexualidade e Género[ Voltar às Áreas ]

Mesa nº 4 - Sexualidade, género e cidadania[ Voltar às Mesas ]

  • PAP1299 - Filhos de duas mães: Representações médicas e jurídicas da maternidade lésbica
    Resumo de PAP1299 - Filhos de duas mães: Representações médicas e jurídicas da maternidade lésbica 
    •  MACHADO, Tânia Cristina CV - Não disponível 
    •  LOPES, Alexandra CV - Não disponível 
    • PAP1299 - Filhos de duas mães: Representações médicas e jurídicas da maternidade lésbica

      A Medicina e o Direito são, historicamente, duas agências de regulação social que têm vindo a definir – não sem dinâmicas de consensos e conflitos – quem são as mães e os pais “adequados”, com base em modelos normativos de género e de sexualidade. Mas se essa regulação tem agido no sentido da “normalização”, parece, também, abrir opções não normativas de vivência individual. Uma dessas opções é a procriação dissociada do acto sexual, ligada à emergência de novos aparatos tecnológicos que permitem encetar um processo reprodutivo medicamente assistido e legalmente regulado. A questão da procriação fora do âmbito de uma relação heterossexual parece ser problemática, na medida em que as tecnologias de PMA parecem contribuir para um tipo de reprodução “não natural”, reconfigurando a relação entre casamento, sexo e parentalidade. Desta forma, novos mecanismos de regulação do exercício da parentalidade têm sido accionados, assumindo a forma de requisitos de admissão aos tratamentos disponibilizados pela medicina da reprodução. Contrariando a ideia de que o destino das mulheres é a maternidade, existem determinados grupos de mulheres aos quais tem sido tradicionalmente negado o acesso às tecnologias de PMA, nomeadamente, as mulheres solteiras e as mulheres lésbicas, supostamente por não serem mães “adequadas”. O caso das mulheres lésbicas é o foco deste trabalho, procurando-se captar as representações médicas e jurídicas da maternidade lésbica, por via da realização de entrevistas semi- directivas junto de médicos especialistas em medicina da reprodução e de juízes que exercem a sua actividade em tribunais de família. Ainda que os discursos médicos e jurídicos acerca da maternidade lésbica por recurso à PMA pareçam ser unificados e conservadores, pretende-se, aqui, dar conta da existência de uma mescla de argumentos que derivam do habitus pessoal – incluindo a trajectória pessoal e o contexto social externo aos campos da medicina e do direito – em relação com o habitus profissional dos actores. As representações de médicos e juristas acerca da maternidade lésbica parecem ser trespassadas tanto por posições profissionais e/ou institucionais, como por posições individuais, nuns casos convergentes, noutros, divergentes.
  • PAP0403 - Dos cravos ao bouquet. O casamento entre pessoas do mesmo sexo em Portugal
    Resumo de PAP0403 - Dos cravos ao bouquet. O casamento entre pessoas do mesmo sexo em Portugal PAP0403 - Dos cravos ao bouquet. O casamento entre pessoas do mesmo sexo em Portugal
    • CASCAIS, António Fernando CV de CASCAIS, António Fernando
    • PAP0403 - Dos cravos ao bouquet. O casamento entre pessoas do mesmo sexo em Portugal

      Não existem, até ao momento, quaisquer estudos sobre o processo que conduziu à aprovação da lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo em Portugal, nem na área das ciências sociais, nem em nenhuma outra. Este processo afigura-se consideravelmente opaco para o observador desatento, incluindo o cientista social, 36 anos depois da revolução de 1974 e quatro décadas decorridas desde o início dos movimentos LGBT contemporâneos, mas apenas uns escassos quinze anos após a instalação tardia deles no nosso país. Um processo com fases sequenciais bem demarcadas, em sociedades tidas por modelares neste âmbito, ter-se-ia concluído em Portugal sem etapas intermédias. O presente paper pretende ensaiar uma primeira abordagem das interrogações e perplexidades por aquele levantadas. As questões relevantes para esclarecer o sentido da lei tratam de inquirir: em que consiste o seu adquirido (jurídico-político, social, cultural) no plano da alteração qualitativa por ele provocada no associativismo (representatividade, credibilidade e influência) e na inserção (visibilidade, aceitação e integração) das comunidades LGBT na sociedade portuguesa. As respostas permitem concluir, em contraposição, que: a) um grupo formalmente discriminado obtém um direito universal, com b) a consequente aquisição em termos de capital simbólico e c) cujo maior efeito para a sociedade portuguesa e para as comunidades LGBT é a desautorização das pretensões dos detratores históricos destas a representar qualquer maioria sociológica e o exclusivo de autoridade moral; mas que, em contrapartida, d) o processo foi inteiramente temporalizado pelas necessidades estratégicas da agenda político-partidária/governamental e por isso, centrífugo relativamente ao associativismo LGBT, desempoderando-o numa dependência imposta e ameaçando-o com o espetro da irrelevância; e) a lei tem o ónus do contra-ciclo, com o recuo em múltiplas outras conquistas sociais, por outro lado coincidente com um pico de descredibilização da classe política; f) à dinâmica emancipatória não correspondeu equivalente integração, visibilidade e capacidade de ação das pessoas LGBT que constituem a massa social de apoio ao casamento, cuja situação prevalecente de marginalidade tolerada as impede de tirar proveito próprio da lei, com o consequente risco de imposição de uma nova (homo)normatividade. Finalmente, as conclusões do presente estudo confirmam idênticos fenómenos e tendências verificados em estudos comparativos já realizados para os países europeus onde existe uma lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
  • António Fernando Cascais

    Docente de Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa e membro do Centro de estudos de Comunicação e Linguagens. Doutor em Ciências da Comunicação. Interesses de investigação: mediação dos saberes, filosofia e ética das ciências e das técnicas, estudos queer, biopolítica.
  • PAP0319 - (Ir)responsabilidade Social Empresarial (de Género): uma perspetiva reportada ao fenómeno do femícídio em Juárez, no México
    Resumo de PAP0319 - (Ir)responsabilidade Social Empresarial (de Género): uma perspetiva reportada ao fenómeno do femícídio em Juárez, no México  PAP0319 - (Ir)responsabilidade Social Empresarial (de Género): uma perspetiva reportada ao fenómeno do femícídio em Juárez, no México
    • FERREIRA, José Eduardo Catalão Garrido CV de FERREIRA, José Eduardo Catalão Garrido
    • PAP0319 - (Ir)responsabilidade Social Empresarial (de Género): uma perspetiva reportada ao fenómeno do femícídio em Juárez, no México

      A Cidade de Juárez, no México, é a cidade mais industrializada de toda a América do Norte e onde se concentra o maior número de empresas estrangeiras. Considerada por muitos a cidade mais perigosa do mundo é, também, aquela onde ocorrem mais mortes de mulheres por razões misóginas (femicídio), muitas das quais eram trabalhadoras das indústrias maquiladoras ali existentes. As empresas estrangeiras, sobretudo as norte-americanas, dos EU, terão contribuído positivamente para o crescimento económico e demográfico do México e daquela zona, mas, por outro lado, parece haver uma relação entre o aumento da criminalidade por razões misóginas e o trabalho das mulheres nas maquiladoras, que pode resultar do confronto de culturas e hábitos locais, enraizados na população mexicana, com os que são transportados do exterior com as empresas. As empresas estrangeiras, ao instalarem-se em países menos desenvolvidos do que o da origem, raramente levam em conta os impactos sociais e culturais que daí podem resultar, nomeadamente, quando estão em causa questões de género, que afetam principalmente as mulheres. Neste paper, partindo do exemplo de Juárez, chamamos à atenção para a crescente cosmopolitização das empresas e tendência para a exploração à escala global do trabalho feminino dos países menos desenvolvidos e do Terceiro Mundo e da necessidade de responsabilizar essas empresas e exigir que adotem medidas de Responsabilidade Social Empresarial de Género (RSEG), que possam evitar uma nova vaga mundial de desigualdades e, nomeadamente, impedir o aumento (global) da violência de género contra as mulheres dos países menos desenvolvidos e do Terceiro Mundo.
  • José Catalão Ferreira, doutorando do programa de doutoramento em "Direito, Justiça e Cidadania no Século XXI" da Faculdade de Direito, Faculdade de economia e Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, licenciado em Sociologia pela Faculdade de economia da Universidade de Coimbra, pós-graduado em Sociologia, em Economia Social e em Direito. Os temas de interesse são a economia social, a inclusão e exclusão social, as diferenças de género e tudo o que esteja relacionado com as organizações, o trabalho e emprego. Fez a dissertação de mestrado sobre o tema do empreendedorismo e as medidas de apoio à criação do próprio emprego e está em investigação para a tese de doutoramento com o título "Trabalho Procura Direito(s): da (des)coletivização à individualização do(s) direito(s) associados ao trabalho e emprego