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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Editorial

ST13 Sexualidade e Género[ Voltar às Áreas ]

Mesa nº 7 - Erotismo, prazeres e afectos[ Voltar às Mesas ]

  • PAP1418 - PARA ALÉM DA DOR: FANTASIAS DE PRAZER, PODER E ENTREGA. Um estudo sobre Sadomasoquismo
    Resumo de PAP1418 - PARA ALÉM DA DOR: FANTASIAS DE PRAZER, PODER E ENTREGA. Um estudo sobre Sadomasoquismo PAP1418 - PARA ALÉM DA DOR: FANTASIAS DE PRAZER, PODER E ENTREGA. Um estudo sobre Sadomasoquismo
    • MOTA, Ana Mafalda CV de MOTA, Ana Mafalda
    • OLIVEIRA, Alexandra Alves CV de OLIVEIRA, Alexandra Alves
    • PAP1418 - PARA ALÉM DA DOR: FANTASIAS DE PRAZER, PODER E ENTREGA. Um estudo sobre Sadomasoquismo

      O BDSM (Bondage e Disciplina, Dominação e Submissão e Sadomasoquismo), vulgarmente designado por sadomasoquismo, tem sido associado à perversão sexual e à patologia mental, tanto pela comunidade científica, como pelo discurso mediático. Contudo, este é um fenómeno complexo que não é compreensível através de visões simplistas e redutoras. Nesta comunicação apresentamos as conclusões de uma investigação cujos objetivos foram conhecer e caracterizar os atores, as práticas e os contextos do BDSM em Portugal, aceder às motivações e aos significados que estes atores atribuem ao seu envolvimento nas práticas e examinar a perceção que detêm sobre a reação social do exogrupo. Optamos por uma visão próxima do fenómeno, escolhendo uma metodologia qualitativa assente na realização de entrevistas semiestruturadas e na observação participante, tanto em contexto virtual como real, por considerarmos relevante tomar a perspetiva dos atores sociais envolvidos. Na análise de dados, recorreu-se à análise de conteúdo, adoptando a lógica indutiva de construção de categorias a partir dos dados. Da nossa investigação concluímos que o comportamento BDSM não é homogéneo e que este é um termo genérico que inclui uma variedade de dinâmicas e identidades sujeitas a alterações no espaço e no tempo. Ainda inferimos que o comportamento dos praticantes de BDSM resulta de uma construção pessoal e social que pode ser vivenciada de diferentes formas e ter diversos significados. Para estes praticantes, todos os aspetos ligados com o BDSM precisam de ser negociados e enquadrados num relacionamento consentido. Também concluímos que o BDSM não se encerra nos equívocos populares sobre extrema dor e danos duradouros, devendo ser entendido como uma fantasia. Por fim, as representações sociais detidas sobre o BDSM conduzem à estigmatização dos praticantes que gerem a sua identidade, ocultando o comportamento BDSMer ou desenvolvendo construções de oposição ao mainstream sexual. Julgamos que a pertinência dos dados obtidos com esta investigação se liga com a quase total ausência de estudos em Portugal sobre este tema e que esta abordagem compreensiva pode contribuir para uma visão mais ampliada das sexualidades. Ainda mais, quando a perspectiva médico-psiquiátrica tem patologizado estes comportamentos, parece-nos que esta investigação, ao dar voz aos atores, pode fornecer uma visão da prática de BDSM como manifesto de um princípio básico de autonomia sexual e de autodeterminação, o que ganha particular importância num momento de crise financeira como a actual que pode desprezar a luta contra a falta de reconhecimento e cidadania dos grupos minoritátios.
  • Ana Mafalda Mota, é mestre em Psicologia, especialização na área de Comportamento Desviante e Sistema de Justiça, tendo efectuado uma tese sobre BDSM, vulgarmente designado por Sadomasoquismo, no contexto português. A sua área de interesse de investigação reside nas sexualidades minoritárias.
    Alexandra Oliveira é professora da Universidade do Porto, na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, onde exerce funções de docente e de investigadora na área da Psicologia do Comportamento Desviante e da Justiça. Os seus interesses relacionam-se com o género e a sexualidade; a norma, o desvio e a reação social, tendo vindo a dedicar as suas pesquisas ao trabalho sexual. Das suas publicações destaca o livro "Andar na vida: prostituição de rua e reacção social" (Almedina, 2011), uma adaptação da sua tese de doutoramento.
  • PAP1129 - Girls' Pleasure in Boys' Love: Yaoi Fandom as Women Empowerment
    Resumo de PAP1129 - Girls PAP1129 - Girls
    • MONTEIRO, Núria Augusta Venâncio CV de MONTEIRO, Núria Augusta Venâncio
    • PAP1129 - Girls' Pleasure in Boys' Love: Yaoi Fandom as Women Empowerment

      INTRODUCTION The history of technology evolution has always been permeated by fierce voices that denounced the mind control that they would cause. In this sort of criticisms were include mass communication and culture. Following this logic, consumers were not able to interpret and select the information, but absorbed everything that was delivered to them. I wish to present a phenomenon that demonstrates the existence of a culture of participation and the challenging and active role of women on it. Named Yaoi, from the Japanese, and meaning Boys Love, refers to a diverse range of entertainment productions, all centered in the theme of male homosexuality. Mostly created by women and for women, Yaoi can use already popular masculine figures, and transform them into gay figures, or can create their own characters. These sort of productions came not only from professionals but there is a whole fan culture surround it and around the world. Following the steps of the western partner Slash Fiction, women and girls manipulate what we can call "hegemonic masculinity role models. OBJECTIVES The purposes of my presentation are to explain the Yaoi fandom, their purposes and characteristics, always having in mind three main goals. The first is to demonstrate Yaoi as a possibility for women empowerment in mass media and gender manipulation. The second is to reveal that they are unable to really contradict the gender dichotomy. AT last, I would like to expose the different representations of boys and girls concerning Yaoi. METHODOLOGY My communication will be based specially on literature review. Theoretical articles, studies, and even fan pages will be taken into account. They will be compared to some of the conclusions that I have gathered during my master's thesis, namelly concerning the comparison of the attitudes of girls and boys facing Yaoi and male homosexual scenarios. CONCLUSIONS The power of Yaoi comes from the sexual, erotic and gendered manipulation of masculine characters and from the deeply participatory culture around it. Yet the couples are still organized according to the dual logic, that associates the dominant with the masculine and the submissive with the feminine. In this way, it seems difficult to escape gender and sex inequality. Although using femininity and submission connected to a man can be a possibility of breakdown from the bipolar perspective about gender and sex, when it is the only, or the mainly, standard for this couples, it works as a reinforcement of the association of the feminine with subordination, This is even more accurate considering that most of the stories and situations involve the coercion by the dominant partner so that the submissive one accepts the relationship and all his demands. At last, and as expected, boys do not accept lightly this kind of productions, while girls are more open to it. KEYWORDS: Yaoi, gender, sexuality, fandom, culture, Japan
  • Núria Augusta Venâncio Monteiro,

    Licenciada em Sociologia, com o Mestrado obtido na mesma área de estudos, exerce funções de investigação no Sapo Labs, Departamento de Comunicação e Arte, da Universidade de Aveiro. Os interesses de investigação orientam-se para as esferas da construção do género e da sexualidade, assim como para qualquer domínio de índole (sub)cultural.
  • PAP0296 - Heterossexualidade(s): heteronormatividade e subversão em Married Love, de Marie Stopes
    Resumo de PAP0296 - Heterossexualidade(s): heteronormatividade e subversão em Married Love, de Marie Stopes 
    •  ORFÃO, Jorge Correia CV - Não disponível 
    • PAP0296 - Heterossexualidade(s): heteronormatividade e subversão em Married Love, de Marie Stopes

      Este ensaio visa focar alguns aspectos que se centram na construção de identificações sexuais, as quais emergem dos discursos dominantes, que condicionam práticas e relações sociais. Partindo de uma análise da obra Married Love de Marie Stopes, identificarei alguns elementos que contribuem para a construção da heterossexualidade, abordando o conceito de heteronormatividade e a forma como emergiu na sociedade ocidental. Tornarei evidente que, ao apelar para novas práticas sexuais entre marido e mulher, a autora subverteu a norma vigente na sua época. Ao mesmo tempo, ao escrever um manual de casamento que insiste na reformulação das convenções matrimoniais, Stopes reforça a ideia da heteronormatividade, acabando ela própria por criar novas convenções relacionadas com a prática heterossexual, as quais são impostas na sociedade como a norma. Proponho, neste trabalho, introduzir um diálogo entre os objectivos da obra em si com alguns dos fundamentos desenvolvidos pela teoria queer. O século XIX marcou o início das grandes discussões em torno da sexologia, através das quais emergiram modelos sexuais que cientificamente foram sendo instituídos na sociedade. O primeiro capítulo do livro Heterosyncrasies: -Female Sexuality When Normal Wasn’t (2005), de Karma Lochrie, intitulado “Have We Ever Been Normal?” dá-nos uma breve descrição histórica centrada nesse mesmo século, dado ser uma época fulcral na normalização dos padrões da sociedade. Nessa altura, surgiu uma terminologia específica para a(s) sexualidade(s), através da qual a sua própria concepção se distanciou dos ideais da reprodução para um padrão baseado no desejo/prazer sexual (Lochrie 2005: 11). Married Love é um livro que descreve a sexualidade humana e explica como se deve fomentar a “arte do amor” entre marido e mulher, apelando ao conhecimento do corpo e da sua relação com a sexologia. Não há dúvida de que os teóricos de sexologia do século XIX tiverem um papel relevante na origem da obra de Stopes. Considerando que a teoria queer descentraliza a heterossexualidade como a identidade privilegiada que restringe a naturalidade do sexo, ao longo da discussão deste ensaio, veremos que Marie Stopes apresenta uma reformulação da norma relativa às práticas sexuais entre marido e mulher, o que por si reforça a ideia da heteronormatividade. Após uma breve análise dos fundamentos da teoria queer chegamos à conclusão de que tais fundamentos se opõem aos propósitos de Married Love. O que se procura na teoria queer, no fundo, é a desconstrução das categorias e padronizações da(s) sexualidade(s). Ao entrar em ruptura com essas categorizações da sexualidade humana, o discurso feminista deverá ter em conta que a sociedade ocidental, ainda predominantemente heterossexista e patriarcal, necessita de criar espaço para a diversidade e investir na mobilização para a mudança desse paradigma.
  • PAP0249 - Poliamor - género e feminismo, ausências presentes
    Resumo de PAP0249 - Poliamor - género e feminismo, ausências presentes 
    • CASCAIS, António Fernando CV de CASCAIS, António Fernando
    • CARDOSO, Daniel CV de CARDOSO, Daniel
    • PAP0249 - Poliamor - género e feminismo, ausências presentes

      Poliamor – uma identidade de relação onde vários relacionamentos amorosos e/ou sexuais podem ter lugar em simultâneo, com o consentimento informado dos envolvidos. Esta recém-formada identidade (que data de 1990) não se encontra marcada por uma psiquiatrização ou medicalização prévia, embora não seja, de todo, a primeira vez que se constitui uma forma de não-monogamia responsável. Como uma forma não-hegemónica de performar relações, o poliamor coloca-se contra discriminações sexuais e de género, sendo composto por uma forte base feminista e queer. Mas até que ponto a questão do género é central neste discurso? Como é que a preocupação por uma maior igualdade de género está presente, ou não, quando as noções de poliamor são apresentadas? A partir do trabalho de autores feministas e de uma perspectiva foucauldiana sobre a construção da identidade, procura-se problematizar o género tal como ele surge nos e-mails da mailing list “alt.polyamory”, a primeira que surgiu sobre o assunto e um dos pontos de origem da própria palavra-identidade. A pesquisa parte da análise de conteúdo e discurso das conversações iniciadas por recém-chegados à mailing list durante o ano de 2009. A presente comunicação procura mostrar como a construção ética de um sujeito abstracto pode constituir-se como um problema para a expressão das questões de género envolvidas no negociar de dia-a-dia de relações íntimas e/ou sexuais, e como o feminismo pode, afinal de contas, apresentar-se como sub-texto que influencia a representação do poliamor e da criação de uma ética poliamorosa, mesmo quando não se encontra explícito na sua formulação. Isto permite uma construção e desconstrução do género, a reflexão sobre o seu papel no próprio acto da comunicação interpessoal, ocupando assim um lugar representacional dúplice - visível mas invisível, actuando mas não sendo reconhecido. A questão a problematizar é, então, se se pode construir um pensamento e uma atitude feminista na ausência do feminismo como locus explícito de discurso.
  • António Fernando Cascais

    Docente de Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa e membro do Centro de estudos de Comunicação e Linguagens. Doutor em Ciências da Comunicação. Interesses de investigação: mediação dos saberes, filosofia e ética das ciências e das técnicas, estudos queer, biopolítica.
    Daniel Cardoso
    Doutorando em Ciências da Comunicação na FCSH-UNL e Professor Assistente na ULHT
    Interesses de investigação: jovens, novos media, cibercultura, sexualidades, género, não-monogamia responsável, intimidade, teoria queer
  • PAP0144 - Representações Sociais do Erotismo Nipônico: Dominação, Consumo e Influências na Produção de BD´s
    Resumo de PAP0144 - Representações Sociais do Erotismo Nipônico: Dominação, Consumo e Influências na Produção de BD´s PAP0144 - Representações Sociais do Erotismo Nipônico: Dominação, Consumo e Influências na Produção de BD´s
    •  JÚNIOR, Amaro Xavier Braga CV - Não disponível 
    • PAP0144 - Representações Sociais do Erotismo Nipônico: Dominação, Consumo e Influências na Produção de BD´s

      O trabalho analisa as interligações semióticas na produção e consumo de Bandas Desenhadas e desenhos animados vinculados aos produtos eróticos produzidos pelo mercado Japonês, através dos Mangás e Animes. Apesar das trocas sexuais e das relações inter-raciais entre os grupos seguir os parâmetros da normalidade social, a produção de uma arte erótica midiatizada, através das BD´s produzidos no Japão, caminho no sentido contrário. Em relação às animações e às BD´s, existe uma dominação no gênero erótico pelo mercado japonês. Até que ponto estas trocas interculturais, de consumo e produção destes bens afeta as relações interpessoais? Um dos ambientes destacados na pesquisa faz referências à grande diversidade de modalidades eróticas produzidas pelo Japão nestes produtos midiáticos e as reconstruções múltiplas quanto às práticas homoafetivas e de outras sexualidades. Estes produtos são desenvolvidos não só para Gays e Lésbicas, mas para meninas héteros que gostam de vê relações entre meninos (Boy´s Lover) ou com meninas (Shoujo-Ai) o contrário, meninos héteros que gostam de lê histórias com romances lésbicos (Yuri) ou entre meninos (Yaoi) e ainda BD´s para Crossdressing, Hermafroditas (Futanari), ou que se vinculem a modalidades sexuais ainda consideradas desviantes socialmente como Pedofilia. Compreender a inserção destes temas inusitados (para os padrões ocidentais) é compreender que é possível dialogar com a diversidade sexual sem o perigo de tropeçar em visões deterministas quanto aos conceitos de impropriedade, barbárie ou quais outros levantados por aqueles que vêem a diversidade sexual como antinatural ou problemática. Os japoneses, através dos mangás, conseguem apresentar esta pluralidade de papeis e identidades sexuais sem tratar tais questões como problema ou transtorno. O trabalho avalia as mudanças indiretas que penetram através da publicação e consumo de Bandas Desenhadas Japonesas (Mangas) com temas vinculados a Sexualidade ou com concepções de gênero completamente distintas e que são apropriadas pelos leitores destes gêneros e que inconscientemente incorporam seus valores sociais e definitórios. Questiona-se até que ponto elas corroboram para uma emancipação compreensiva ou fortalecem estereótipos sobre as questões de sexualidade e gênero, ocasionando uma reconfiguração sobre a percepção da população quanto às temáticas envolvidas.