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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

Requisitos Mínimos:
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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Editorial

ST13 Sexualidade e Género[ Voltar às Áreas ]

Mesa nº 8 - Corpo, disciplina e self[ Voltar às Mesas ]

  • PAP0373 - Um corpo para Servir: o trabalho doméstico e a construção cultural do corpo feminino.
    Resumo de PAP0373 - Um corpo para Servir: o trabalho doméstico e a construção cultural do corpo feminino. 
    •  SILVA, Marusa Bocafoli da CV - Não disponível 
    •  FRANCISCO, Renata de Souza CV - Não disponível 
    • PAP0373 - Um corpo para Servir: o trabalho doméstico e a construção cultural do corpo feminino.

      O espaço doméstico foi historicamente construído como um espaço a ser ocupado pelas mulheres, diferentemente dos homens que assumem o posicionamento no espaço público. Dessa forma, o ato de cuidar da casa, do marido e dos filhos foi e continua sendo tratado como obrigação da mulher. Na medida em que há a saída dessas mulheres do espaço privado para assumir tarefas remuneradas, elas acabam sendo impelidas a ocupar cargos que estejam de acordo com a sua “natureza”, ou seja, tarefas de cuidado, assim como o cuidado com o lar de outras mulheres. Assim, este artigo busca iniciar a discussão sobre a feminização do trabalho doméstico e de que forma a construção cultural do corpo feminino corroborou para delimitá-lo como campo quase exclusivo da mulher.
  • PAP0230 - Os projetos individuais de gestão do corpo da mulher-mãe: o self enquanto construção social
    Resumo de PAP0230 - Os projetos individuais de gestão do corpo da mulher-mãe: o self enquanto construção social PAP0230 - Os projetos individuais de gestão do corpo da mulher-mãe: o self enquanto construção social
    • SOUSA, Sandra CV de SOUSA, Sandra
    • PAP0230 - Os projetos individuais de gestão do corpo da mulher-mãe: o self enquanto construção social

      Nesta apresentação, baseada na dissertação de Mestrado “As Narrativas do Corpo na Voz da Mulher-Mãe”, analisam-se os projetos individuais de gestão do corpo da mulher-mãe de acordo com o respetivo espaço social, realçando-se as inter-relações entre o corpo vivido e sentido e o corpo real. Pretende-se analisar a imagem corporal da mulher-mãe, numa linha sociológica, procurando em simultâneo, conjugar diferentes perspetivas científicas que engrossam o tema e o tornam num objeto de estudo que deve ser abordado enquanto um elemento dinâmico, mutável e inserido no contexto da sociedade moderna. Procurando as abordagens mais centradas na capacidade do indivíduo de decidir para além das estruturas sociais, remete-se a atenção para como as sociedades contemporâneas têm tornado o corpo como uma preocupação óbvia, de como o indivíduo gere as impressões de si próprio. Esta ideia tornou-se evidente nas sociedades contemporâneas, tal é a centralidade do nosso corpo na definição de quem somos. Investigadores pós-modernistas defendem que o consumo de determinados produtos (cirurgias plásticas, lipoaspirações, cosméticos, dietas, fitness, etc.), ou a mercantilização do corpo, tornou-se central na forma como as pessoas se definem nas sociedades reflexivas, desde que os bens de consumo se tornaram o centro dos significados culturais, os quais vieram substituir outras formas de formação da identidade, nomeadamente aquelas relacionadas com a religião e produção. Nas sociedades reflexivas o indivíduo está embutido no pressuposto de que se pode alcançar a autorrealização ao longo do espaço de autoexpressão e crescimento pessoal. Os indivíduos têm projetos de construção da sua própria identidade com o objetivo de alcançar a realização pessoal. Um dos projetos em que os indivíduos são encorajados a fazer investimentos significativos é o corpo, surgindo este como parte integrante de um projeto de construção do próprio self. A investigação empírica teve como objetivo captar os discursos sobre a evolução do corpo na mulher-mãe, procurando deste modo, analisar as narrativas construídas na primeira pessoa sobre um tema que lhes é muito próximo. Revelou-se, através de uma metodologia qualitativa, com a realização de entrevistas semidiretivas a um grupo restrito, de que forma as mulheres-mães apresentam os seus discursos, identificando-se os processos de identidade social. Concluiu-se que existe uma transversalidade nas diferentes perspetivas sobre o corpo da mulher-mãe, e que o self enquanto construção individual engloba tanto a dimensão física/material como a dimensão mais subjetiva, aquela que é vivida e sentida.
  • Sandra Sofia Moreira de Sousa, bolseira de investigação no Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, licenciada em Sociologia das Organizações pela Universidade do Minho (1998) e mestre em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (2010), tem como interesses de investigação a área da ciência e tecnologia, nomeadamente a vertente da reprodução medicamente assistida.
  • PAP0195 - O corpo mediático: o masculino na publicidade
    Resumo de PAP0195 - O corpo mediático: o masculino na publicidade 
    •  JANUÁRIO, Soraya Barreto CV - Não disponível 
    • CASCAIS, António Fernando CV de CASCAIS, António Fernando
    • PAP0195 - O corpo mediático: o masculino na publicidade

      Este estudo propõe a análise do comportamento social, retratado através dos meios de comunicação, das masculinidades e do corpo masculino. Nas últimas quatro décadas, a sociedade e os media têm exercido uma influência crítica e observadora sobre o corpo, estabelecendo padrões estéticos, rotulando e classificando as pessoas de acordo com a sua imagem corporal, prestando um culto à beleza e à perfeição, socialmente aceites. As regras sociais, a família e o desporto, são factores preponderantes no fortalecimento do cuidado masculino com a sua imagem e a sua inserção social. A relevância do tema deve-se à inegável influência dos meios de comunicação nos valores estéticos e na imagem corporal. Na contemporaneidade, as identidades deixam de ser únicas e fixas para serem multifacetadas e cambiantes. Os estudos culturais e de género, ao analisar o que é veiculado nos media, procuram entender como são retratadas para a sociedade e para os indivíduos as mudanças que permeiam a sociedade na actualidade. Até meados dos anos 80 o corpo masculino permaneceu oculto. Pouco se viu e se falou dele na nossa cultura. Na década de 80, personagens cinematográficos tornaram-se modelos de propagação da imagem corporal construída através do corpo musculado e a intensa veiculação difundiu-se globalmente devido ao alcance do cinema causando uma verdadeira corrida aos ginásios, e sendo ainda, referência directa aos praticantes de musculação. Pretende-se identificar aspectos da exposição do corpo masculino na publicidade, nos media impressos, e analisar sua apropriação pelo mercado publicitário. Centrando a nossa análise nas questões ligadas ao corpo, à masculinidade e à sexualidade, procuraremos perceber como este tipo específico de discurso publicitário veiculado nos media, representa o corpo masculino na actualidade, expressando determinados perfis de homens e reconfigurações importantes na identidade masculina. A nossa investigação trata justamente de perceber como é retratado o corpo masculino na publicidade contemporânea, e de que forma o corpo e a masculinidade são revelados no mercado publicitário. Neste sentido, utilizaremos como quadro metodológico, a análise semiológica de anúncios impressos no mercado editorial europeu. A nossa discussão parte do quadro conceitual estabelecido por Michel Foucault acerca do corpo na sociedade disciplinar para analisar a sua representação na publicidade. Ainda acerca do corpo, recorremos as teorias de David Le Breton.
  • António Fernando Cascais

    Docente de Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa e membro do Centro de estudos de Comunicação e Linguagens. Doutor em Ciências da Comunicação. Interesses de investigação: mediação dos saberes, filosofia e ética das ciências e das técnicas, estudos queer, biopolítica.
  • PAP0138 - Utopias corporais e riscos físicos: a propósito de hiper-disciplinas alimentares e de exercício físico entre jovens
    Resumo de PAP0138 - Utopias corporais e riscos físicos: a propósito de hiper-disciplinas alimentares e de exercício físico entre jovens 
    •  FERREIRA, Vitor Sérgio CV - Não disponível 
    • PAP0138 - Utopias corporais e riscos físicos: a propósito de hiper-disciplinas alimentares e de exercício físico entre jovens

      Descrentes na possibilidade de mudar o Mundo, hoje muitos jovens requerem sobretudo espaço de acção para mudar a sua existência, o seu «mundo de vida». No âmbito deste, muitos tentam mudar o corpo de que se sentem proprietários, investindo-o de imaginários e desejos, de projecções e projectos, não raras vezes difíceis de concretizar. Esses corpos utópicos exprimem-se, frequentemente, pelo extremar da experimentação de limites físicos, caracterizando-se à vista desarmada por um excesso de presença no gesto ou na imagem. No constante desafio entre metas apetecidas e atingidas, há certos riscos físicos e sociais que se interpõem a estes corpos. Regimes corporais como as dietas ou a prática de actividades físicas, apesar de consensualmente representados como actividades promotoras de saúde e bem-estar, podem ver o sentido inicial da sua mobilização desvirtuado. Acontece quando a aplicação desses regimes se «radicaliza» pelo excesso de disciplina, na procura da conformidade aos modelos de perfectibilidade da corporeidade própria da época contemporânea: hiper-disciplinas alimentares e de exercício físico desenvolvidas no sentido da construção e/ou manutenção de um corpo bem definido na sua silhueta – magro no caso feminino, ou muscularmente tonificado no caso masculino. Ocorrendo, esses corpos correm o risco de uma leitura social próxima da patologia clínica, ou mesmo serem socialmente institucionalizados como «doentes». Certos distúrbios medicamente consagrados como psico-patologias poderão ser entendidos, no olhar sociológico, como efeitos da radicalização de projectos corporais. Referimo-nos, por exemplo, aos comportamentos clinicamente classificados como dismorfias corporais, como são, por exemplo, os casos da anorexia, medicamente classificada como um distúrbios do comportamento alimentar, ou da vigorexia, clinicamente classificada como uma dismorfia muscular. O objectivo desta comunicação será, então, a partir dos conceitos de utopia corporal e de risco, analisar o processo de agenciamento de hiper-disciplinas alimentares socialmente conotadas com comportamentos anorécticos e vigoréctivos, respectivos conteúdos simbólicos e valorativos, bem como as pressões e sanções sociais a que jovens que as agenciam estão sujeitos. Tal será feito a partir de um corpus de entrevistas realizadas a jovens rapazes auto-identificados como «viciados» na prática de musculação, e a jovens raparigas que, em dado momento das suas vidas, presente ou passado, se auto-identificaram como «anoréxicas».
  • PAP0032 - SUBTERFÚGIOS E FRONTEIRAS DO TEMPO : POR UMA REFLEXÃO DO ENVELHECIMENTO E VELHICE NA TRAVESTILIDADE
    Resumo de PAP0032 - SUBTERFÚGIOS E FRONTEIRAS DO TEMPO : POR UMA REFLEXÃO DO ENVELHECIMENTO E VELHICE NA TRAVESTILIDADE 
    •  NOGUEIRA, Francisco Jander de Sousa CV - Não disponível 
    • PAP0032 - SUBTERFÚGIOS E FRONTEIRAS DO TEMPO : POR UMA REFLEXÃO DO ENVELHECIMENTO E VELHICE NA TRAVESTILIDADE

      O objetivo deste trabalho é perceber como as travestis lidam com a experiência da velhice e o processo de envelhecer, uma vez que a busca por corpos que deslizam em direção a um feminino faz parte da vida de muitas delas. Busco ainda compreender os valores e significados atribuídos aos seus corpos, considerando a construção de novos itinerários corporais e sociais como dispositivos que são acionados no intuito de camuflarem seus corpos e de burlarem um “hiperpreconceito” em virtude do estigma social e moral por estarem na condição de travestis e agora velhas/idosas. Nesta experiência elementos sociais e culturais sobrepõem-se quando comparados a elementos de ordem cronológica e biológica presentes em estudos do campo da saúde, mais precisamente das especialidades: geriatria e gerontologia. As travestis quando sobrevivem às ruas e à violência vão construindo outros espaços de sociabilidades, ainda que marcadas pela “invisibilidade social”, elas criam e passam por outros lugares, como a própria casa, pela militância e constroem subterfúgios, inclusive diante das inadequações do sistema de saúde em lidar com suas singularidades. Com a emergência das sexualidades dissidentes e das discussões acerca do envelhecimento para além de uma visão biológica, as travestis e seus cursos de vida supostamente relacionados à violência, à baixa expectativa de vida, ao HIV/AIDS, aos riscos decorrentes ao uso de silicone industrial e à prostituição são colocados sob suspeita, assim, as discussões atuais reivindicam novos olhares das ciências sociais e humanas, da área biomédica, da saúde pública como também da teoria queer. Este trabalho vem sendo tecido a partir de uma pesquisa de campo em Fortaleza e em Lisboa, através de entrevistas com travestis (identificas pelo próprio grupo como “velhas/mariconas/Irenes”), observação participante em locais de prostituição travesti, boates, bares, cinemas pornô, domicílios, associações, ONG’s e nos serviços de saúde.