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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

Requisitos Mínimos:
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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Editorial

ST1 Sociologia da Educação[ Voltar às Áreas ]

Mesa nº 1 - A construção do (in)sucesso escolar[ Voltar às Mesas ]

  • PAP1479 - Insucesso e Abandono Escolar e a Construção Social da Masculinidade
    Resumo de PAP1479 - Insucesso e Abandono Escolar e a Construção Social da Masculinidade 
    • CARRITO, Manuela CV de CARRITO, Manuela
    • ARAÚJO, Helena C. CV de ARAÚJO, Helena C.
    • PAP1479 - Insucesso e Abandono Escolar e a Construção Social da Masculinidade

      A relação entre o insucesso escolar e identidade de género é claramente relevante, quando dados estatísticos nos diferentes países da Europa confirmam um maior insucesso escolar e elevadas taxas de abandono nos jovens do sexo masculino com menores recursos económicos ou com capital cultural não reconhecido pela escola (Araújo et al, 2010; Charlot, 2009; Nóvoa, 2005; Derouet, 2004). Influenciados por contextos culturais de uma masculinidade assente em valores de poder e afirmação mas experimentando dificuldades na obtenção de sucesso escolar, muitos jovens, integram uma masculinidade marginalizada (Connell 1995; 1997, 2001) baseada em atitudes de contestação, agressividade e heterossexualidade performativa, que precocemente “os empurra” para formas de trabalho precário, desvalorizadas e mal remuneradas (Entwisle et al, 2005; Kane, 2006). Na linha dos estudos referidos procura-se reflectir sobre a construção da masculinidade no contexto escolar, recorrendo a sessões de Focus Group, no sentido de entender a heterogeneidade e as singularidades dos jovens com percursos escolares marcados pelo insucesso e em risco de abandonar o sistema de ensino. Uma análise exploratória do material recolhido permite-nos perceber o desejo de virem a alcançar uma certificação escolar, embora o estudo seja desvalorizado, enquanto actividade necessária ao êxito escolar. Referem que “se quisessem” até tinham boas notas, mas “não têm paciência para os livros”, “nunca estudaram na vida”, indiciando uma adesão, mais ou menos consciencializada, ao binómio masculinidade/actividade física em contraponto com feminilidade/ trabalho mental (Arnot, 2007). Os valores hegemónicos encontram-se muito presentes, sendo uma referência normativa dos comportamentos adequados à masculinidade, As diferenças de género são percepcionadas e fundamentadas de acordo com concepções essencialistas pois a defesa de características “naturais”, que distinguem rapazes e raparigas, homens e mulheres, aparece como um discurso normativo raramente questionado. A homofobia e a defesa da heteronormatividade desempenham um papel muito forte, servindo não só para a marginalização e punição de todos os que divergem da norma, mas também, como um exemplo para os que tentem desviar-se do comportamento socialmente sancionado. Ouvem-se outros discursos, minoritários, que remetem para diferentes formas de viver a masculinidade, “masculinidades dissonantes” (Silva & Araújo, 2007), que assumem práticas mais distanciadas dos valores hegemónicos, encontrando contudo dificuldade, na afirmação das suas vozes, relativamente a uma ordem de género (Connell, 2001) muito poderosa no contexto escolar. Como defende Connell (2001: 160): “No hay ningún mistério sobre el porqué algunas escuelas construyen masculinidades: fueron creadas para eso”.
  • Maria Manuela Ribeiro Carrito
    Doutoranda em Ciências da Educação
    Membro do Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE)
    Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto

    Interesses de investigação: Ciências da Educação e Estudos de Género


    Helena Costa Araujo
    hcgaraujo@mail.telepac.pt;
    haraujo@fpce.up.pt
    Professor of Sociology of Education
    and Gender Studies
    University of Porto/Faculty of Psychology and Education
    and Director of the
    Centre for Research in Education (CIIE)
    tel. 351.22.6079700
    fax. 351.22.6079725
    http://www.fpce.up.pt/ciie/?q=researchers/helena-c-araújo
  • PAP1290 - Relação Família e escola na municipalidade de Mariana: as vozes da reprodução social.
    Resumo de PAP1290 - Relação Família e escola na municipalidade de Mariana: as vozes da reprodução social. PAP1290 - Relação Família e escola na municipalidade de Mariana: as vozes da reprodução social.
    •  PRADO, Giovani Barbosa CV - Não disponível 
    • COUTRIM, Rosa Maria da Exaltação CV de COUTRIM, Rosa Maria da Exaltação
    • PAP1290 - Relação Família e escola na municipalidade de Mariana: as vozes da reprodução social.

      Neste artigo temos como intento discutir as relações entre duas importantes instituições: a família e a escola. Tendo como mote a associação cada vez maior do discurso científico no educar das novas gerações observando as variações de seus impactos nas camadas populares com o passar dos anos. Realizaremos, destarte, uma análise com o propósito de refletirmos acerca do funcionamento dos mecanismos seletivos das instituições de ensino e seus reflexos nas desigualdades sociais. Com o objetivo de compreendermos a construção do discurso da escola dirigido às gerações das famílias de camadas populares na cidade de Mariana - MG, estamos realizando entrevistas com pais e filhos adultos (com idades entre os dezoito e vinte e cinco anos) baseadas na técnica da História Oral Temática, além de pesquisa documental. Os depoentes supramencionados são referenciados a um Centro de Referência de Assistência Social do município (órgão público vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania da Prefeitura), encontrando-se, portanto, em um quadro de “vulnerabilidade social”. A partir de um assunto definido previamente, a história oral temática se compromete com o esclarecimento ou opinião do entrevistado sobre algum evento definido, no caso, o processo de escolarização. As análises dos dados estão sendo feitas a partir do olhar principal de dois teóricos: Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron e nos apontam, juntamente com os dados coletados até o momento, para a desvalorização dos discursos e práticas familiares em prol de um conhecimento cientifico e educador da escola. Assim, a escolha do destino esbarra nas experiências de fracasso observadas entre as gerações e o meio. Além disso, a falta de conhecimento e familiaridade com o cursus escolar por parte desta camada social acaba por favorecer menores investimentos e ampliar as barreiras em relação a um possível êxito. Percebemos, assim, uma escola que acaba por ser arrolada às apreciações das camadas dominantes, sem muitas preocupações com a cultura popular local (majoritariamente afro descendente) e suas expressões e manifestações.
  • Rosa Coutrim é professora do Departamento de Educação da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e membro do Núcleo de Estudos Sociedade, Família e Escola (NESFE) e do Centro de Investigação Identidade(s) e Diversidade(s) (CIID). Atualmente está fazendo seu pós doutoramento no Instituto Politécnico de Leiria e suas áreas de interesse são relação família-escola e relações intergeracionais.
  • PAP1223 - O Olhar Bourdiano sobre os Trajectos Escolares de Contratendência
    Resumo de PAP1223 - O Olhar Bourdiano sobre os Trajectos Escolares de Contratendência  PAP1223 - O Olhar Bourdiano sobre os Trajectos Escolares de Contratendência
    • ROLDÃO, Cristina CV de ROLDÃO, Cristina
    • PAP1223 - O Olhar Bourdiano sobre os Trajectos Escolares de Contratendência

      Parte da curiosidade suscitada pelos trajectos escolares de sucesso de alguns jovens com origens sociais desfavorecidos, aquilo a que chamaremos na linha de Costa e Lopes et al (2008), trajectos escolares de contratendência ascendente, advém de aparentemente terem pouco lugar nas teorias que, entre as décadas de 60 e 80, se debruçaram sobre a maior vulnerabilidade escolar das classes populares. Aliás, as pesquisas pioneiras sobre esses trajectos “inesperados”, na sua maioria de origem francesa, tecem-se num movimento mais geral de crítica àquilo a que podemos chamar, talvez correndo o risco de uma excessiva simplificação, “teorias da reprodução cultura”, na qual o trabalho de Pierre Bourdieu pode ser enquadrado. Na extensa obra de Pierre Bourdieu não é conhecida nenhuma pesquisa especificamente dedicada a esse tipo de trajectos. É interessante aliás, que das poucas vezes que se refere directamente a esses casos o autor considere que dão “uma aparência de legitimidade à selecção escolar” e “crédito ao mito da escola libertadora” (Bourdieu, 1998, 1966:59). Ainda assim, é possível encontrar não só pequenos apontamentos do autor sobre estes trajectos “inesperados”, como algumas pistas analíticas para a sua explicação, algumas advindas dos contributos do autor para a análise das classes sociais e recomposição social, outras das suas propostas para a análise das desigualdades sociais na escola. Na presente comunicação pretende-se discutir parte dessas ferramentas analíticas, cruzando-as com as conclusões de algumas pequisas sobre trajectos escolares de contratendência nas classes populares e com os resultados obtidos na análise dos dados do questionário Estudantes à Entrada do Secundário 07/08 do Observatório de Trajectos dos Estudantes do Ensino Secundário (OTES-GEPE/ME).
  • Cristina Roldão
    Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-IUL)
    Licenciada e doutoranda em Sociologia
    A investigadora tem-se dedicado, entre outras coisas, à análise das desigualdades sociais – de classe e de origem étnico-nacional – no acesso à escola e no sucesso escolar, quer de um ponto de vista extensivo, através da participação no Observatório de Trajectos dos Estudantes do Ensino Secundário (OTES), quer qualitativo, por via do trabalho de terreno em projetos como a avaliação do Programa Escolhas, do Programa TEIP e nos territórios do Programa K’CIDADE. Outra linha de trabalho, tem sido aquela iniciada no projecto “Imigrantes Idosos: Uma Nova Face da Imigração em Portugal”, onde teve a oportunidade de desenvolver uma análise extensiva de fundo sobre esta população ainda pouco conhecida, assim como intensiva, através de múltiplas entrevistas biográficas.
  • PAP0915 - Sucesso escolar e adaptabilidade cultural
    Resumo de PAP0915 - Sucesso escolar e adaptabilidade cultural 
    •  SEABRA, Teresa CV - Não disponível 
    • PAP0915 - Sucesso escolar e adaptabilidade cultural

      Considerando a expansão da dinâmica imigratória presente no nosso país e a decorrente fixação progressiva de um contingente assinalável de população escolar com diferentes origens nacionais, a presente investigação visa, por um lado, conhecer o desempenho escolar destas crianças e jovens, considerando um leque diversificado de variáveis de ordem estrutural e processual, e, por outro, compreender o modo como os contextos familiares e escolares se constituem enquanto elementos potenciadores ou redutores das possibilidades de materialização do ideário da igualdade de oportunidades propiciada pela instituição escolar nas sociedades modernas. Para o efeito, comparam-se os resultados escolares de alunos com diferentes origens nacionais – Portugal, Cabo Verde e Índia – e diferentes condições socio-culturais, presentes em escolas do ensino básico da Área Metropolitana de Lisboa e explora-se em que medida as dinâmicas familiares e os processos escolares se relacionam com a desigualdade de desempenho. Recorreu-se à aplicação de inquéritos por questionário a 837 alunos distribuídos por oito escolas, à recolha de informação estatística em cada uma das escolas e realizaram-se entrevistas a progenitores de crianças com origem cabo-verdiana e indiana. A análise do conjunto da informação recolhida permitiu identificar a supremacia do desempenho escolar dos alunos com ascendência indiana tanto em relação aos alunos autóctones como aos de origem cabo-verdiana, mesmo controlando o efeito de outras variáveis estruturais. Foi, ainda, possível detectar diferenças entre os grupos de alunos quanto à sua vivência familiar (modos de relação com os país de origem e com a escolaridade) e à sua experiência escolar (comportamento, relação com as pessoas e com as aprendizagens). A adaptabilidade cultural enquanto processo de socialização específico dos alunos com origem indiana revelou-se um elemento central do êxito escolar. Palavras-chave: sucesso escolar, desigualdades sociais, imigração, educação, escola
  • PAP0351 - A contribuição de práticas socializadoras de famílias populares para o bom desempenho escolar de seus filhos e os impactos da inserção dos mesmos em escolas de alto prestígio acadêmico
    Resumo de PAP0351 - A contribuição de práticas socializadoras de famílias populares para o bom desempenho escolar de seus filhos e os impactos da inserção dos mesmos em escolas de alto prestígio acadêmico 
    •  VIANA, Maria José Braga CV - Não disponível 
    •  GONTIJO, Ana Beatriz Ratton Ferreira CV - Não disponível 
    • PAP0351 - A contribuição de práticas socializadoras de famílias populares para o bom desempenho escolar de seus filhos e os impactos da inserção dos mesmos em escolas de alto prestígio acadêmico

      A CONTRIBUIÇÃO DE PRÁTICAS SOCIALIZADORAS DE FAMÍLIAS POPULARES PARA O BOM DESEMPENHO ESCOLAR DE SEUS FILHOS E OS IMPACTOS DA INSERÇÃO DOS MESMOS EM ESCOLAS DE ALTO PRESTÍGIO ACADÊMICO Maria José Braga Viana Ana Beatriz Ratton Ferreira Gontijo Faculdade de Educação (UFMG) - Minas Gerais/ Brasil Apresenta-se nesse trabalho os resultados de duas pesquisas que tomaram o “Programa Bom Aluno de Belo Horizonte”, Minas Gerais - Brasil (patrocinado por uma ONG, o Instituto Severino Ballesteros) campo empírico. Esse Programa seleciona alunos(as) na rede pública de ensino a partir do final do ensino fundamental - oriundos dos meios populares e que apresentam bom desempenho escolar -, oferecendo as condições materiais e psico-pedagógicas para o seu encaminhamento para escolas da rede privada de grande prestígio acadêmico, como bolsistas. Esse trabalho apresenta resultados dois estudos autônomos, embora ligados pelo campo empírico comum e por uma abordagem também comum no campo teórico da Sociologia da Educação. O primeiro estudo buscou identificar elementos nas práticas socializadoras das famílias que pudessem elucidar o bom desempenho escolar em pauta, estatisticamente improvável para os meios populares no Brasil. Um dado reiterado que emergiu desse estudo, por exemplo, é o do sentido positivo atribuído à escolarização e à escola pelos filhos/alunos, construído no contexto socializador familiar, sentido que vem acompanhado de uma forte disposição à autonomia em relação aos estudos. O segundo estudo identificou e analisou impactos sobre os mesmos jovens, e suas famílias, advindos da inserção em um novo ambiente escolar de alto nível acadêmico, impactos que foram observados: na rede de sociabilidade do aluno, em sua experiência escolar mais geral, em suas práticas e disposições culturais, bem como nas práticas socializadoras de suas famílias. Esses trabalhos contribuem, à sua maneira, para dar visibilidade à excepcionalidade das trajetórias escolares investigadas, inovando no campo de estudos sobre sucesso/longevidade escolar em meios populares. Essa inovação se localiza no fato de investigar alunos bolsistas em escolas de renome social e acadêmico, isto é, fora do espaço que lhes é mais “natural”, o das escolas públicas. Palavras-chave: excelência escola famílias populares práticas socializadoras familiares; fronteiras sociais experimentadas