PAP0115 - Imigração e Sinistralidade Laboral
Ainda que se verifique que o perfil
socioeconómico dos imigrantes se diversificou
ao longo destas últimas décadas, nota-se que
em muitos casos ainda se verifica a sua
ligação aos chamados trabalhos dos três D’s –
demanding, dangerous and dirty –, ou seja, aos
trabalhos mais exigentes, perigosos e sujos.
À semelhança de outros países, observa-se em
Portugal uma segmentação do mercado de
trabalho, estando os imigrantes sobre-
representados em algumas actividades
económicas. Ora a segmentação do mercado de
trabalho associada a algumas características
de inúmeros trabalhadores imigrantes – e.g.
dificuldades linguísticas, experiência
profissional, tempo de permanência no país,
barreiras legais, experiência de situações de
discriminação no acesso ao mercado de
trabalho, limitado conhecimento dos direitos
laborais e sistemas de segurança e saúde no
trabalho, acesso a formação e informação para
o exercício de determinadas actividades ou
tarefas – pode ter inúmeras consequências
negativas nomeadamente no que diz respeito a
baixos salários, excesso de horas de trabalho,
instabilidade nos vínculos laborais, maiores
exigências físicas no trabalho e maiores
riscos de acidentes de trabalho.
Da análise da sinistralidade laboral mortal e
não mortal dos últimos anos, em função da
nacionalidade, resulta que são os
trabalhadores imigrantes os mais vulneráveis a
acidentes. Não se verifica, contudo, uma
relação causal entre o fenómeno da imigração e
o problema da sinistralidade laboral. Por
outras palavras, o aumento ou diminuição da
imigração não influencia a respectiva evolução
da sinistralidade laboral, uma vez que não são
os países com mais imigrantes que apresentam
as mais altas taxas de sinistralidade laboral.
Em Portugal, em anos de aumento da imigração
não se verifica por correlação o aumento da
sinistralidade laboral no país. Há, pois,
outros factores específicos inerentes ao
próprio contexto de acolhimento de explicam a
sinistralidade laboral na sua globalidade e/ou
a segurança dos trabalhadores.
Globalmente, a maior sinistralidade laboral
dos imigrantes verifica-se não porque esses
trabalhadores são imigrantes, mas antes os
acidentes reflectem os sectores e/ou ocupações
e condições em que esses trabalhadores estão
empregados. Como se irá analisar em detalhe,
os trabalhadores imigrantes mostram-se mais
expostos ao risco de se associarem a trabalhos
menos saudáveis e fisicamente mais exigentes.
Uma melhor protecção dos trabalhadores
imigrantes com vista à diminuição da sua
sinistralidade laboral exige tanto medidas
políticas na vertente da integração de
imigrante, como políticas de segurança e saúde
no trabalho sensíveis às necessidades e
vulnerabilidades especificas desses
trabalhadores tão necessários ao mercado de
trabalho português.