PAP0681 - A (re)construção identitária e projetos de futuro de jovens brasileiros imigrantes em Portugal
Em geral as pesquisas sobre a imigração brasileira em Portugal têm dado prioridade aos estudos das características da imigração, destacando questões econômicas, de gênero, e estereótipos atribuídos aos(às) brasileiros(as). Porém, este texto, que resulta de uma pesquisa desenvolvida como pós-doutoramento no Centro de Estudos Sociais – CES/UC, realizada em 2011, procura aproximar os estudos de juventude dos estudos migratórios, especificamente da imigração brasileira em Portugal. Em grande parte dos estudos migratórios, a juventude possui quase total invisibilidade, raramente a expressão “jovem” ou “juventude” aparece, pois, se for identificada e considerada como uma categoria social específica tornar-se-iam imprescindíveis outras formas de olhar e considerar essa população, uma vez que, para esse grupo, há uma série de implicações que impactam diretamente nas políticas de acolhimento. Nesse sentido, nas políticas migratórias os jovens são incluídos em outras categorias, como trabalhador, estudante ou filho de imigrante. Tomando o jovem brasileiro, imigrante em Portugal, como categoria central de estudo, e, a partir dos seus contextos vivenciais nas regiões de Lisboa, Costa da Caparica e do Porto, que esta investigação foi realizada, revelando o complexo processo de (re)construção identitária e diferentes projetos de futuro pautados em elementos de autoidentificação, majoritariamente relacionados com a origem brasileira. Foram identificados três tipos de estratégias identitárias utilizadas pelos jovens brasileiros: uma corresponde aos jovens que tentam a todo custo preservar a identidade brasileira, e para isso apegam-se às memórias do vivido no Brasil, outra, corresponde aos jovens que aceitam negociar a identidade, e como defesa criam uma imagem negativa dos próprios brasileiros, e, por último, aqueles que, mesmo assumindo uma identidade brasileira, demonstram disposição em assimilar elementos da cultura portuguesa e encontrar e criar identificações com os jovens do país anfitrião, procurando amenizar o sofrimento das perdas deixadas para trás. Apesar das adversidades que o processo migratório apresenta, os jovens imigrantes apostam no futuro, esperam ter uma vida melhor e deparar-se com o sucesso. Para alguns, o futuro é planejado para ser vivido em Portugal; para outros, em diferentes países europeus, América do Norte ou Austrália, mas para a maioria dos jovens entrevistados, no Brasil, sua terra de origem.