PAP0271 - Racismo contra Mulheres Brasileiras em Portugal? Algumas Reflexões.
Este artigo parte de
pesquisa empírica e
bibliográfica sobre
mulheres brasileiras
imigrantes em
Portugal, através
das quais foi
possível evidenciar
situações de
preconceito e
discriminação que
estas mulheres
sofrem nesse país.
Empreende, também,
um mapeamento
empírico discursivo
de como o
preconceito é
(re)construído,
especialmente nos
media. Busca-se
refletir sobre esse
fenômeno a partir
das discussões
conceituais em torno
do racismo, enquanto
ideologia e prática
social (Machado,
2000). Ao entender a
importância dos
diferentes conceitos
(racismo novo,
cultural,
diferencialista e
desigualitário),
propõe-se uma
abordagem ainda
pouco difundida e
uma especificação
teórica, no intuito
de colaborar com
avanço no
conhecimento sobre
migrações,
etnicidade e
racismo. Trata-se de
introduzir a
perspectiva
epistemológica
descolonial
(Quijano, 2000;
Mignolo, Grosfogel,
2008), descolonial
de gênero (Gonzáles,
1988; Brah,
Anzaldua, et al,
2004; Lugones, 2008)
e o conceito
histórico de racismo
(Fanon, 1983;
Balibar,
Wallerstein, 1988;
Munanga, 2003). Na
perspectiva
proposta, a
modernidade é
entendida como
profundamente
marcada pela
colonização e,
assim, a sociedade
atual não pode ser
compreendida
distante de uma
análise crítica
desse processo
histórico e de suas
consequências
contemporâneas. Uma
das principais
marcas da
colonização consiste
na introdução e na
disseminação da
categoria mental
raça, a qual
permanece
atualmente. Segundo
essa perspectiva, o
racismo colonial
dividiu a população
em raças,
articulando para
isso supostas
características
físicas, culturais e
comportamentais,
para inferiorizar,
essencializar e
estigmatizar grupos
humanos não
europeus. Essa
divisão (mental,
ideológica) em raças
continuaria operando
atualmente, o que se
alteraria são as
práticas de
discriminação e os
grupos alvo conforme
o contexto. Na
Europa, os grupos
mais afetados por
essa racialização
são os imigrantes,
que em sua maioria
são oriundos de
antigas colônias. Na
atual conjuntura de
crise econômica esse
racismo tende a
agravar-se. O
presente trabalho
propõe que essa
perspectiva é
importante para
compreender a
situação das
mulheres brasileiras
imigrantes. A partir
da pesquisa empírica
verificou-se que
essas mulheres são
vistas em Portugal
como portadoras de
características
comuns, são elas:
comportamentais
(sorrir, seduzir,
ser simpática,
disponível para
sexo, ser dócil),
culturais (dançar
sensualmente, falar
errado, alto e
sensual, gostar de
festas) e físicas
(são mestiças –
incluindo aquelas
que no Brasil são
consideradas
brancas, têm o corpo
em curvas, têm
nádegas
sobressalientes).
Através dessas
características, as
imigrantes
brasileiras são
essencializadas,
inferiorizadas e
estigmatizadas em
Portugal. Torna-se
possível perceber
que elas são vistas
a partir da
categoria mental
raça e são vítimas
de práticas sociais
que podem ser
entendidas como
discriminação
racial.