PAP1571 - Contribuiçôes para o estudo da diáspora goesa para Portugal
Alguns indivíduos de Calecute , Cochim e Ilhas de Angediva , mas não de Goa foram os primeiros indianos a chegar a Portugal nas naus de Vasco de Gama de acordo com os cronistas Gaspar Correia e João de Barros . Raulu Xett que trabalhou na côrte portuguesa como ourives e cuja obra de arte foi celebrada na exposição “ A herança de Rauluchantim” no Museu de S. Roque em 1996 , sinaliza entre 1518 e 1520, a presença de indus de Goa na côrte Real portuguesa no século XVI . Dois séculos e meio depois de Raulu Xett, José Custódio Faria, natural de Colvá, Salsete, Goa mais conhecido como Abade Faria , acompanhado pelo pai Caetano Vitorino Faria chegou a Portugal , na côrte, emigrando para Paris onde se dedicou ao hipnotismo , após desvendado o seu compromisso com a malograda conspiração goesa,dos Pintos , emergindo no célebre romance de Alexandre Dumas “ O conde de Montecristo “ na prisão de IF , perto de Marselha. Bernardo Peres da Silva e Constâncio Roque da Costa após a Revolução Liberal portuguesa, de 1820 e a Independência do Brazil , em 1822,marcam a diáspora goesa , neste período,em Portugal emergindo como deputados de Goa do Parlamento, ganhando sucessivas eleições até à sua morte em Portugal. A criação da Escola Médica de Goa em 1840 , após a perda do Brazil e o declínio do Império do Oriente nos séculos XVII –XVIII deveu-se eventualmente à necessidade de combate às doenças endémicas e tropicais das colónias africanas tornadas essenciais para um 3º Império Português de Á frica , nomeadamente depois da Conferência de Berlim na segunda metade do século XIX . Como única instituição de estudos superiores do Império Português da À sia , a Escola Médica de Goa , , formou licenciados que se tornaram uma elite subalterna no esquema imperial português ( Sousa, 2007) , mediando as relações do centro da Metrópole Colonial com as populações colonizadas de África da periferia . A fase seguinte da diáspora goesa para Portugal , foi marcada por centenas ou milhares de licenciados goeses de Medicina que vinham completar os estudos médicos nas Faculdades de Medicina, de Lisboa, Coimbra e Porto . Um contingente de estudantes goeses das Faculdades de Direito , na manifesta insuficiência da Escola Colonial de Quepém, Goa vinha engrossar este grupo . Mais tarde a Engenharia aprendida no IST foi outra alternativa dos estudantes goeses emigrados para Portugal nos anos cinquenta. Nomes como Alfredo da Costa que deu o nome à maternidade de Lisboa , Júlio Raimundo Gama Pinto , célebre oftalmologista , Adeodato Barreto , notário ,poeta e estudioso da cultura indiana em Coimbra e Lisboa ,e seu divulgador , Sebastião Rodolfo Delgado , professor de sânscrito na Faculdade de Letras de Lisboa, o patologista Mortó Dessai , os juristas Vassanta Porobo Tambá e XEncora Camotim , o professor de Ciências Políticas e Sociais Narana Coissoró , O engenheiro Civil Alfredo Bruto da Costa , assinalam esta auto-afirmação da diáspora goesa de vários séculos ao longo dos anos cinquenta e sessenta. A diáspora goesa em Portugal veio a engrossar após o fim da colonização portuguesa de Goa já há cinquenta anos com a integração na Índia e a emigração de centenas ou milhares de goeses via Bombaim , hoje Mumbai na Ìndia e Karachi no Paquistão onde atracavam os navios enviados pelo Estado Novo , vindos de Lisboa , por razões de opção de cidadãos pela nacionalidade e cultura portuguesas. O autor desta comunicação fêz parte com os pais já falecidos e duas irmãs vivendo em Lisboa dessa diáspora , tendo emigrado de Dabolim , Mormugão, Goa via Karachi para Lisboa ( Cais da Rocha) em Junho- Setembro de 1962. Após 1986, com a integração de Portugal na União Europeia a diáspora goesa para Portugal mudou eventualmente de motivações . Uns optaram por fixar-se em Portugal mas a maioria vem talvez para Portugal, adquirir a nacionalidade , emigrando para outros países da União mais prósperos e onde a relação no mercado de emprego entre a oferta e procura seja mais favorável com as suas habilitações. Esta situação talvez se tenha alterado com a recessão de Portugal desde 2007-2008. A integração da minoria goesa na sociedade portuguesa justificam que se digam como inexistentes manifestações de racismo , presentes apenas na memória colectiva goesa localizadas em termos larvares ,em Moçambique antes da independência , embora por analisar adequadamente . Em Portugal tal facto não existe nomeadamente depois de Abril de 1974, pelo menos em relação á minoria goesa. Bibliografia "Sousa, Teotónio R: de Sousa -Goan Diáspora in Portugal-Different Times , different Hues, -Lisboa 2007 ( a ser incluida na Monografia sobre Goa " Goa Antes e Depois" no prelo a ser publicada em Lisboa em 2012-2013)