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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012
Associação Portuguesa de Sociologia
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PAP1182 - A indústria do medo e o consumo da segurança - impactos sobre a vida urbana

- MAIA, Rosemere Santos
- FEITOSA, Clarisse Lopes Leão
PAP1182 - A indústria do medo e o consumo da segurança - impactos sobre a vida urbana
O medo e a sensação de insegurança têm sido a tônica das cidades contemporâneas, sobretudo das metrópoles, tornando-se sentimentos que independem do confronto real com algum ato de violência. Potencializados pelo individualismo, pela impessoalidade, pela crescente competitividade, acabam por transformar a urbe em espaço hostil e fragmentado. Instalado o medo, instalam-se os seus especuladores, o que faz da indústria e do mercado da segurança investimentos extremamente lucrativos, em contextos em que o Estado se mostra incapaz de garantir a segurança pública e onde defesa face à violência urbana torna-se uma tarefa de cada indivíduo. Por outro lado, não há como negarmos a grande influência da mídia tanto na promoção dos medos, quanto dos dispositivos para enfrentá-los. Verifica-se, por assim ser, uma crescente ampliação e sofisticação dos mecanismos de segurança, mais e mais transformados em ícones de consumo e utilizados como elementos de distinção social. Tais aparatos que, até bem pouco tempo, pareciam privilégio dos segmentos médios residentes nos “enclaves fortificados”, começam a ganhar adesão por parte dos segmentos mais pobres, conforme demonstrado através da investigação que realizamos num bairro popular do Rio de Janeiro. As análises de Bauman (2008) nos ajudam a compreender tal fenômeno. Segundo o autor, não há na “modernidade líquida” sinais ou fronteiras claramente definidos que nos tornem aptos a identificar ou separar o bem do mal, identificar amigos e inimigos. O mal se apresenta a partir de qualquer lugar, a qualquer momento. Por isto vivemos numa era de crise de confiança, o que ameaça as relações humanas e os vínculos sociais e torna a cidade fonte de perigo constante. Assim, também os moradores dos bairros populares passam a depositar na tecnologia a esperança de uma vida melhor e mais segura, mesmo que isto implique no rompimento de tradicionais formas de sociabilidade e proteção, antes ancoradas em estreitos laços comunitários. Fica, assim, comprometida a vivência, por cada cidadão, do espaço público enquanto locus de sociabilidade, de exercício de liberdade e de prática política. Seria o fim da urbe?
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PAP0974 - Aprender a viver com o que se tem? Endividamento e educação financeira
- SANTOS, Ana Cordeiro

- FRADE, Catarina
- COSTA, Vânia
PAP0974 - Aprender a viver com o que se tem? Endividamento e educação financeira
O modelo de escolha racional foi, até recentemente, a principal referência na área das políticas de protecção do consumidor. Assumia-se que os consumidores são agentes racionais que agem em consonância com os seus melhores interesses. Necessitam apenas de dispor da informação necessária para a tomada de decisão. Aos reguladores competia apenas garantir a disponibilização de informação tida por relevante. Contudo, vários estudos no âmbito da economia comportamental, da psicologia cognitiva e social e da sociologia do consumo têm produzido abundante evidência empírica que indica que as pessoas se afastam de uma forma sistemática deste modelo. Por exemplo, os indivíduos baseiam as suas decisões em informação que se encontra disponível, acessível ou mais saliente, que não é necessariamente a informação mais relevante para o problema que têm entre mãos. Para além disso, as decisões de consumo são moldadas pelo contexto social, pelo mimetismo ou pela persuasão.
As políticas de protecção do consumidor na área financeira têm sistematicamente incidido sobre a educação financeira dos consumidores, considerando que a dificuldade das escolhas nessa área se resolve com mais literacia financeira. Os programas e estratégias de educação financeira postos em prática assentam, contudo, o mais das vezes, em muitos dos pressupostos do modelo de escolha racional, descurando o modo como as pessoas efetivamente enfrentam os problemas financeiros e tomam (ou não) uma decisão nesse domínio.
É por isso de registar o facto de vários organismos europeus que trabalham na área da protecção do consumidor virem reconhecendo a importância das ciências comportamentais para as políticas de protecção do consumidor na área financeira. Com efeito, a eficácia das políticas públicas requer uma boa compreensão dos factores que afectam as decisões dos consumidores.
Esta comunicação procura, numa primeira parte, explorar a importância da compreensão do comportamento financeiro dos consumidores na construção da regulação do consumo e da política do consumidor e, numa segunda parte, aferir a eficácia de políticas de educação financeira para contornar alguns comportamentos que comprometem o bem-estar dos consumidores.
Ana Cordeiro dos Santos é economista do Núcleo de Estudos sobre a Ciência, Economia e Sociedade do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Doutorada em Economia e Filosofia pela Universidade Erasmus de Roterdão (Holanda), mestre em Economia e Políticas Sociais pela Universidade de Roskilde (Dinamarca) e licenciada em Economia pelo Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa. O seu trabalho de investigação tem incidido sobre as implicações teóricas e de política da economia experimental e comportamental, nomeadamente a construção de mercados e de outras instituições sociais e o seu impacto sobre o comportamento humano. Das suas publicações mais recentes constam o livro The Social Epistemologyof Experimental Economics, London: Routledge, 2010, e o artigo "Behavioral and experimental economics: are theyreallytransformingeconomics?", Cambridge JournalofEconomics, 2011, 35, 705-728.
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PAP0917 - Alimentação, Austeridade e Criatividade: consumo e cidadania nas cantinas escolares

- TEIXEIRA, José

- TRUNINGER, Mónica

- HORTA, Ana

- SILVA, Vanda

- ALEXANDRE, Sílvia

PAP0917 - Alimentação, Austeridade e Criatividade: consumo e cidadania nas cantinas escolares
Em Portugal, a alimentação escolar desempenha um forte papel no acesso ao consumo alimentar e na atenuação dos impactos da pobreza. Muitas vezes, crianças e jovens tem acesso à única refeição quente do dia através deste importante sistema de provisão. Para além disso, esta refeição é juridicamente contornada por critérios de qualidade, segurança, higiene alimentar e nutrição. Porém, este sistema de provisão, sustentado numa forte presença do Estado Social, encontra-se fragilizado na sequencia da crise financeira despoletada em 2008 e, mais concretamente, pelas atuais políticas de austeridade e de reconfiguração institucional e administrativa do sector público. Questões como o aumento do IVA nas refeições escolares, dívidas aos fornecedores, cortes na despesa e estruturas orgânicas do Estado ameaçam a eficácia e abrangência deste sistema. Este último visa, por um lado, contribuir para a segurança alimentar dos mais carenciados e, por outro, para a adequação dos hábitos alimentares da população juvenil aos critérios biomédicos regidos pelos discursos da saúde e da nutrição. Embora a crise venha acentuar as assimetrias no acesso ao consumo alimentar, já conduziu a processos de inovação nos modos de aprovisionamento alimentar. É o caso de algumas cantinas que permanecem abertas durante todo o período lectivo. Situações como esta, em que se evidencia o papel determinante de certos agentes sociais na produção de inclusão social, e por isso mesmo, manifestando alguns elementos de uma cidadania ativa, conduzem-nos à análise de processos criativos diversificados para colmatar a ação fragilizada do Estado. Por recurso a um conjunto de entrevistas realizadas a agentes institucionais determinantes nestes processos (câmaras municipais, escolas, entre outros) procurámos compreender o papel da criatividade e da cidadania na flexibilização institucional em algumas escolas da região de Lisboa. Para tal, partimos do modelo dos modos de provisão de Warde (2002) para explorar os circuitos múltiplos de acesso ao consumo alimentar das populações escolares mais vulneráveis.
José Pedro Teixeira, licenciado em Sociologia no ISCTE-IUL (Instituto Universitário de Lisboa) em 2010, está actualmente está a terminar o mestrado em Comunicação, Cultura e Tecnologias de informação na mesma instituição e é bolseiro de investigação no ICS –UL (Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa) desde 2011 no âmbito do projecto “FCT (2011-2014) (PTDC/CS-SOC/111214/2009): “Entre a Escola e a Família: conhecimentos e práticas alimentares das crianças em idade escolar”. Os seus interesses de investigação são a sociologia do consumo, sociologia da alimentação e das desigualdades sociais.
Mónica Truninger, socióloga, integrou o Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL) em 2008 como investigadora auxiliar. Tem uma Licenciatura em Sociologia pelo ISCTE (1996), trabalhou como assistente de investigação no Observa entre 1997 e 2001 em vários projectos sobre ambiente e sociedade. Em 2001 vai para Inglaterra onde fez o seu doutoramento em Sociologia na Universidade de Manchester. A tese intitulada Organic Food in Portugal: Conventions and Justifications tratou o consumo e o mercado dos produtos de agricultura biológica em Portugal, particularmente na cidade de Lisboa. Entre 2005 e 2008 integrou uma equipa interdisciplinar das Universidades de Bangor (País de Gales) e de Surrey (Inglaterra) como investigadora de pós-doutoramento. Antes do regresso a Portugal, passou ainda pela Universidade de Cardiff (País de Gales) onde foi assistente de investigação num projecto comparativo entre o Reino Unido e Itália sobre ementas escolares e sustentabilidade. Em 2010 publicou o livro O Campo Vem à Cidade – Agricultura Biológica, Mercado e Consumo Sustentável, editado pela Imprensa de Ciências Sociais. E em 2012 publicará o livro em co-autoria com Mara Miele intitulado Children, Food and Nature: linking the plate and the planet through school meals (Ashgate). Tem publicado artigos em revistas internacionais como: Journal of Consumer Culture; Food Trends in Science and Technology; International Journal of Agricultural Resources, Ecology and Governance e International Journal of Life Cycle Assessment.
Investigadora de pós-doutoramento no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa com bolsa da Fundação de Ciência e Tecnologia. Membro da equipa de investigação do Observa – Observatório de Ambiente e Sociedade. Doutoramento em Sociologia da Comunicação, Cultura e Educação, licenciatura em Sociologia e mestrado em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação pelo ISCTE. Actualmente participa em projectos de investigação sobre questões sociais relacionadas com energia, sustentabilidade e alimentação.
Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1995), mestrado em Educação (2000) e doutorado em Ciências Sociais (2005) pela UNICAMP. Atualmente é investigadora Pós-doc da FCT (Fundação para a Ciência e a Tecnologia) no CRIA (Centro em Rede de Investigação em Antropologia)-ISCTE-IUL (Instituto Universitário de Lisboa); pesquisadora colaboradora do CERES (Centro de Estudos Rurais-UNICAMP, Brasil) e membro da equipa de editores da RURIS, a revista deste mesmo centro. Tem experiência na área de Ciências Sociais, Antropologia, com ênfase em Antropologia rural; vem trabalhando e colaborando com vários pesquisadores, tanto em Portugal como no Brasil. Os temas das pesquisas são os seguintes: sexualidades, jovens, gênero, ruralidades, educação, alimentação, mobilidades, imagens.
Sílvia Alexandre é Investigadora de pós-doutoramento no SOCIUS - ISEG/UTL com bolsa da Fundação de Ciência e Tecnologia. Doutorada em Gestão (Especialidade em Organização e Desenvolvimento dos Recursos Humanos) pelo ISCTE e Mestre em Sistemas Socio-organizacionais da Atividade Económica pelo ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão). Atualmente está a desenvolver trabalhos na área do consumo sustentável, da publicidade e da alimentação.
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PAP0492 - Consumo, informalidade e ilegalismos
- JESUS, Cláudio Roberto de
PAP0492 - Consumo, informalidade e ilegalismos
A pretensão deste trabalho é fazer uma discussão sobre a sociedade de consumo e suas variantes na periferia do mundo a partir de 1980 e a sua relação com a informalidade. Pretende-se analisar uma mudança radical nas relações do comércio informal, principalmente no caso dos camelôs da cidade de Belo Horizonte (MG/Br). Pode-se dizer que a partir de tal década, ao mesmo tempo em que há uma relativa ampliação do mercado consumidor interno, fica mais evidente a distância entre as classes sociais no Brasil. A comunicação de massa encarregou-se de divulgar as marcas e incutir os valores a ela associados. No entanto, a maior parte da população não tinha como comprar tais mercadorias. Não se constitui no Brasil um modo de consumo ligado à marca no seio das camadas populares. A distância entre o produto de marca e o salário dos trabalhadores foi gradualmente sendo encurtado com a expansão do comércio de produtos pirata e/ou contrabandeados. Nos anos de 1990, verifica-se a proliferação de produtos falsificados, ou que tentam imitar as marcas mais famosas e os camelôs passam a ser os principais varejistas de tais mercadorias. Apesar de a forma e de o contexto serem bem diferentes em relação aos países de capitalismo avançado, a formação de uma sociedade de consumo no Brasil tem, em grande medida, a mesma função de amortecedor dos conflitos sociais. A partir de então, se estabelece uma complexa relação entre trabalho informal e produtos ilegais. A percepção dual do legal/ilegal torna-se ainda mais frágil na medida em que há um envolvimento direto ou indireto do Estado na regulação da atividade dos camelôs. Especificamente no caso de Belo Horizonte, a retirada dos camelôs das ruas, antes de resolver o problema, tornou ainda mais complexa a questão, com a criação do shopping popular.
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PAP0436 - Consumo de tecnologia: proposta sobre a “verdade” do objecto.
- MENDONÇA, Pedro

PAP0436 - Consumo de tecnologia: proposta sobre a “verdade” do objecto.
Considerando o domínio dos objectos tecnológicos de consumo (principalmente do âmbito das TIC), assiste-se nos últimos anos à instalação do discurso da “vontade” ou “necessidade” do consumidor não só como condição de sucesso comercial mas também como realidade cada vez mais presente na inovação. Já antes inscrita noutras esferas, esta máxima tão própria do marketing ganha terreno em relação a artefactos onde a novidade, por tender a uma maior radicalidade, sempre foi mais difícil de “imaginar” ou “necessitar” por parte dos consumidores.
Este discurso salienta a aproximação entre os contextos de uso e invenção. Alguns construtivistas sociais da tecnologia colocam o consumidor enquanto actor importante na construção social da técnica (ver Cowan, 1989; Bijker & Pinch, 1989); estudiosos da inovação referem-se a uma democratização dos processos de criação tecnológica (ver von Hippel, 2006); no marketing, fala-se em dinâmicas de co-criação (ver Prahalad & Ramaswamy, 2000). Em todo o caso, estas concepções herdam a perspectiva de Alvin Toffler, nos anos 1980, segundo a qual assiste-se a uma terceira vaga em que o consumidor é cada vez mais um produtor, isto é, um “prosumer”. Hoje, sociólogos como George Ritzer (2009) aprofundam esta concepção à luz de desenvolvimentos recentes como a Web.2.
A comunicação proposta pretende problematizar estas concepções no que à construção de funcionalidades para artefactos tecnológicos diz respeito. Considerando críticas à sociedade de consumo e à construção de necessidades, como sejam as que apontam para a alienação das “necessidades verdadeiras e vitais” (Marcuse, 1964), o desaparecimento do “objecto verdadeiro” (Baudrillard, 1972) ou a falta de “coincidência entre poder e vontade” (Habermas, 1968), sugere-se uma abordagem crítica da origem das «soluções» tecnológicas que coloque em causa uma certa simplificação encontrada nas perspectivas que argumentam uma efectiva influência do consumidor na coisa produzida.
Com estes objectivos, relevamos a relação entre problema e solução na construção de artefactos tecnológicos funcionais no pressuposto de que uma solução «verdadeira» será aquela que procede de um problema declarado pelo utilizador. Neste sentido, distinguimos entre soluções produzidas a priori este tipo de declaração e soluções criadas a posteriori. Estas serão as mais espontâneas.
Em termos empíricos, analisamos fóruns na internet e outro tipo de plataformas onde consumidores de um artefacto tecnológico de navegação (GPS), desenvolvido por uma empresa portuguesa (Ndrive), propõem novas funcionalidades ou transformações às existentes. À luz da conceptualidade proposta, estabelecemos algumas distinções que nos permitem um olhar mais crítico e profundo à agência sobre a produção ou propensão para esta por parte dos consumidores de artefactos tecnológicos.
Pedro Mendonça; doutorando no Instituto de Ciências Sociais – Universidade de Lisboa;
Licenciatura em Filosofia, doutorando de Sociologia; tem interesse pela sociologia e pela
filosofia da tecnologia, em particular pela interferência dos processos persuasivos, típicos de um quadro retórico, no desenvolvimento tecnológico.
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PAP0157 - Disputas em torno da regulamentação publicitária: tensões entre Estado e Mercado no Brasil
- BEZERRA, Glícia Maria Pontes
PAP0157 - Disputas em torno da regulamentação publicitária: tensões entre Estado e Mercado no Brasil
Para pensar as questões relativas à regulação da publicidade no Brasil, faz-se necessário a compreensão de que a publicidade brasileira, nas últimas décadas, se consolidou como setor empresarial forte, recebendo grandes investimentos anualmente, tanto por parte da iniciativa privada como do Estado. Organizações da sociedade e órgãos estatais de várias cidades brasileiras começam a discutir essa ocupação do espaço público pelos anúncios privados e os impactos psicológicos, sociais e econômicos que as mensagens publicitárias causam nos indivíduos. Muitos estudos apontam que embora os impactos psicológicos, econômicos, políticos e sociais da publicidade sejam sentidos no cotidiano da sociedade brasileira, a regulação dessa atividade se constitui como um “ponto cego” e apenas recentemente ganhou espaço nas produções acadêmicas. Assim, o debate em torno da regulação surge como uma reação ao crescimento da importância da publicidade na sociedade atual, sendo, pois, apropriado de diversas maneiras pelo mercado publicitário, pelo Estado e pela sociedade civil. A relevância deste trabalho está na possibilidade de avançarmos em relação à compreensão do papel da publicidade e do mercado publicitário no Brasil, investigando as forças que o sustentam, as suas estruturas de poder e as disputas em torno da regulação da publicidade no Brasil. Para essa pesquisa nos interessa, sobretudo, compreender o patamar alcançado pelo neoliberalismo, pois, apesar do insucesso econômico que conduziu à grande crise econômica de 2008, esse modelo não teve revertida – apesar de contestada – a hegemonia do seu discurso de defesa do mercado autônomo, independente, livre de regras impostas pelo Estado. A publicidade se inclui como ferramenta dos setores industriais estando ao mesmo tempo como acessório necessário à persuasão e como fundamento essencial do sistema capitalista. É nesse contexto que a defesa da autorregulamentação publicitária se relaciona com o ideário neoliberal e finca as suas raízes, por meio do enfraquecimento do Estado e defesa da autonomia do mercado frente às iniciativas de regulação, abarcando também as indústrias culturais, representadas, no caso desse estudo, pela publicidade. Assim, a estratégia retórica em torno da autorregulamentação ganha força e se torna uma estratégia corporativa do mercado publicitário em defesa dos seus interesses econômicos.
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PAP0084 - Consumo de drogas, tratamento e reinserção

- HENRIQUES, Susana

- CANDEIAS, Pedro

PAP0084 - Consumo de drogas, tratamento e reinserção
Os consumos e
dependências de
drogas são um
fenómeno transversal
a qualquer
sociedade, tanto no
tempo como no espaço
(Escohotado, 2004).
Uma das
singularidades deste
fenómeno nas
sociedades
ocidentais
contemporâneas
consiste na
possibilidade de
abandonar estes
consumos e
dependências com
recurso a ajudas
formais, de entre
uma pluralidade
delas, as
comunidades
terapêuticas.
As comunidades
terapêuticas têm
origem no Reino
Unido, datam da
década de 40 do
século passado,
tendo-se tornado
populares nos EUA a
partir de meados dos
anos 50. As actuais
comunidades
terapêuticas
resultam de um
desenvolvimento dos
grupos informais de
auto-ajuda criados
por
ex-toxicodependentes
que foram
incorporando no seu
staff especialistas
– médicos,
psicólogos,
psiquiatras, etc.
(Leon, 2000).
A presente
comunicação
apresenta dados de
um projeto de
investigação mais
abrangente que tem
como objetivo
estudar as
trajectórias sociais
de
ex-toxicodependentes
após alta clínica
numa comunidade
terapêutica.
A nível metodológico
a comunicação
congrega dados
provenientes de duas
fontes de
informação: em
primeiro lugar, os
processos clínicos
dos utentes que
completaram o
processo terapêutico
entre os anos de
1999 e 2009 na
Comunidade
Terapêutica Quinta
das Lapas da
Associação Dianova;
em segundo lugar, um
inquérito por
questionário
aplicado
telefonicamente a
ex-utentes desta
comunidade
terapêutica entre
Setembro e Dezembro
de 2010.
A comunicação que se
apresenta tem como
objectivos:
1) Efectuar uma
comparação da
situação social
destes ex-utentes,
em dois momentos no
tempo – à entrada do
tratamento e na
atualidade – tendo
por base os
indicadores de
caracterização
social, bem como a
sua situação perante
os consumos;
2) Identificar
estratégias e
agentes chave no
processo de
reintegração
vivenciado pelos
sujeitos.
Nome:
Susana Henriques
Habilitações académicas/profissionais:
Doutorada em Sociologia, especialidade me Sociologia da Educação, da Comunicação e da Cultura. Professora Auxiliar do Departamento de Educação e Ensino a Distância da Universidade Aberta, responsável por UCs de 1º, 2º e 3º ciclos. Investigadora no CIES-IUL e no LE@D-UAb, na área da educação, lideranças, literacias e das competências pessoais e sociais, bem como na área da comunicação.
Morada:
UAb – DEED
Campus do Taguspark
Edifício Inovação I
Av. Dr. Jacques Delors
2740-122 Porto Salvo, Oeiras
E-mail:
susanah@uab.pt; susana_alexandra_henriques@iscte.pt
Tel.:
213916300
Pedro Candeias. Licenciado em Sociologia no ISCTE em 2008, mestrando em Sociologia na mesma instituição. Assistente de investigação no CIES-IUL (Centro de Investigação e Estudos de Sociologia - Instituto Universitário de Lisboa) desde 2009. Principais áreas de investigação: migrações, tolerância social e reinserção social.