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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Editorial

ST11 Sociologia das Emoções[ Voltar às Áreas ]

Mesa nº 1 - Emoções em contextos de violência e/ou espaço doméstico[ Voltar às Mesas ]

  • PAP1415 - Quando emoções e conflitos desencadeiam um crime: uma investigação sobre os crimes da paixão
    Resumo de PAP1415 - Quando emoções e conflitos desencadeiam um crime: uma investigação sobre os crimes da paixão 
    •  CRISÓSTOMO, Fernanda Vieira CV - Não disponível 
    • PAP1415 - Quando emoções e conflitos desencadeiam um crime: uma investigação sobre os crimes da paixão

      A palavra passional deriva do latim passionalis, de passio (que significa paixão) e é utilizada pela terminologia jurídica brasileira para designar atos impulsionados por paixão, em que o autor do crime perde o controle de sua razão e age de acordo com sua emoção, sendo assim caracterizado o crime passional. Sendo os crimes passionais envoltos de uma aura de sentimentos mistos que se entrelaçam (amor, ódio, desejo, poder, honra, vergonha), este objeto possibilita desenvolver uma sociologia da emoção, cuja análise sociológica do crime e de seus autores perpassa saber como indivíduos são capazes de atitudes extremadas mediante uma forte emoção. A pesquisa faz uma reflexão acerca dos sentimentos presentes nos relatos de acusados (homens e mulheres)de crimes passionais, buscando compreender o enlace entre violência e emoção. Tencionando perceber quem são estes indivíduos, quais foram suas motivações para que houvesse a concretização do ato e como justificam suas ações. A investigação proposta a respeito da temática referida tem como objetivo observar o modo como os sentimentos do indivíduo social ultrapassam a linha do conflito interpessoal e tornam-se violência, e de que forma fenômenos emocionais particulares tornam-se fenômenos sociológicos. Sendo o crime passional carregado de sentimentos intensos, faz-se necessário, além do desenvolvimento de uma sociologia do conflito, uma sociologia das emoções. A análise das emoções no seio dos crimes passionais é pautada a partir do pressuposto de que o conflito emocional de um indivíduo também é influenciado pelo contexto sócio-cultural em que ele está inserido. Assim, faço referência a Breton (2009), que em sua produção intelectual, ao fazer reflexões acerca da emoção, afirma que: A afetividade parece, em primeiro contato e de acordo com o senso comum, um refúgio da individualidade, um jardim secreto onde se cristaliza a intimidade de onde brota uma indefectível espontaneidade. Mas, mesmo quando ela é sincera e genuinamente oferecida, a afetividade permanece uma emanação característica de certo ambiente humano e de determinado universo social de valores.(BRETON, 2009, p. 112-113). A metodologia se deu através da análise de notícias de crimes passionais veiculadas nos principais jornais de Fortaleza-CE (Brasil); consulta de livros que expõem observações sobre a temática; estudo de processos judiciais com depoimentos dados por indivíduos que cometeram crimes passionais e, principalmente, entrevistas semi-estruturadas com indivíduos que mataram seus cônjuges/namorados/amásios. Tais entrevistas foram divididas em dois eixos: um voltado para a “história de vida” do entrevistado, tendo a função de propiciar aproximação e adquirir a confiança do entrevistado e outro que objetivou adentrar mais profundamente em todos os âmbitos que se referem ao crime passional.
  • PAP1339 - A Sociologia das Emoções e a acção social em contextos de risco e incerteza: interrogações sociológicas e evidências empíricas sobre a violência de género
    Resumo de PAP1339 - A Sociologia das Emoções e a acção social em contextos de risco e incerteza: interrogações sociológicas e evidências empíricas sobre a violência de género 
    •  LISBOA, Manuel CV - Não disponível 
    • PAP1339 - A Sociologia das Emoções e a acção social em contextos de risco e incerteza: interrogações sociológicas e evidências empíricas sobre a violência de género

      Esta comunicação tem como objectivo reflectir sobre várias interrogações suscitadas a partir de investigações sociológicas feitas em Portugal, onde os actores sociais são condicionados a agir em contextos de risco e incerteza; de algum modo, tais preocupações teóricas e metodológicas estão na origem da organização da recente secção temática da APS sobre as emoções. Ela resulta em muito da insatisfação teórica que uma equipa da Universidade Nova de Lisboa foi sentindo em várias investigações empíricas, que tem realizado nos últimos 15 anos, em diferentes domínios do social. O caso do estudo sociológico da violência de género é disso paradigmático. A acção dos actores sociais envolvidos, vítimas ou agressores, particularmente nos contextos limite da interacção violenta, não pode ser compreendida sem se ter em consideração as várias dimensões emocionais e sentimentais que emergem e condicionam essa mesma acção. Algumas delas são mesmo determinantes na produção e reprodução da violência. De facto, as velhas teorias das ciências sociais, por mais importantes que ainda o sejam, parecem já não dar resposta a um conjunto amplo de problemas das sociedades actuais, pelo que, talvez, sejam necessárias rupturas epistemológicas que permitam construir novos objectos de estudo e produzir novas metodologias de pesquisa. A Sociologia das Emoções pode a esse nível dar um contributo significativo: chamando a si uma área que tradicionalmente tinha sido deixada à Psicologia e abrindo portas à articulação com outras ciências numa perspectiva interdisciplinar.
  • PAP1202 - Violência sexual contra crianças e adolescentes: dimensões da dor e do sofrimento na experiência de familiares de vítimas
    Resumo de PAP1202 - Violência sexual contra crianças e adolescentes: dimensões da dor e do sofrimento na experiência de familiares de vítimas 
    •  ALMEIDA, Andrija CV - Não disponível 
    •  NORONHA, Ceci. CV - Não disponível 
    • PAP1202 - Violência sexual contra crianças e adolescentes: dimensões da dor e do sofrimento na experiência de familiares de vítimas

      A pesquisa objetiva analisar aspectos tocantes às dimensões da vitimização indireta por violência sexual infanto-juvenil, buscando compreender os significados que familiares próximos de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual em Salvador-Bahia atribuem à experiência e aos efeitos do fato violento em suas vidas. O estudo insere-se na perspectiva qualitativa e, desse modo, utiliza a entrevista narrativa como principal ferramenta metodológica de coleta de dados. O trabalho de campo desenvolveu-se em duas unidades da rede de atenção à infância e à adolescência em Salvador, referenciadas no atendimento a vítimas de crimes sexuais. O universo dos sujeitos da pesquisa constituiu-se de catorze familiares de crianças e adolescentes que sofreram violência sexual na capital baiana. No presente estudo, as mulheres se apresentaram mais comumente nos serviços como as figuras representativas da parentalidade, da responsabilidade e do cuidado com os membros mais jovens da família, o que guarda relações com o contexto mais amplo no tocante à construção social em torno de papéis de gênero. Na pesquisa, o discurso êmico apresenta a experiência de familiares de vítimas de violência sexual infanto-juvenil como sendo marcada por intensa dor, sofrimento psicológico acentuado e confluência de emoções tais como desespero, negação, medo, sentimento de perda, culpa, vergonha e desejo de vingança. Observam-se ainda aspectos concernentes à modulação coletiva da experiência de sofrimento e de vitimização por episódios violentos, bem como a incidência de aspectos morais relacionados aos papéis de gênero (mormente, as expectativas culturais em torno da maternidade) enquanto componentes da experiência de dor e sofrimento acarretado por agressão sexual infanto-juvenil e, ao mesmo tempo, como mecanismo geral e particular de tradução/ interpretação/ comunicação dessa dor. Além disso, o estudo evidencia que, se por um lado, o sofrimento e as novas demandas oriundas da violência são vivenciados pelas pessoas em concomitância os desafios ordinários da vida; por outro lado, o fato violento produz rupturas no ritmo habitual da existência destes sujeitos, ocasionando rompimento com o próprio eu e com a ordem do mundo da vida cotidiana, cujos desdobramentos e implicações reverberam no cuidado de si, na saúde, no mundo do trabalho e nas redes de referência e sociabilidade.
  • PAP0868 - Componente emocional da arte doméstica na saúde
    Resumo de PAP0868 - Componente emocional da arte doméstica na saúde  
    •  LEANDRO, Maria Engrácia CV - Não disponível 
    • ESTEVES, Alexandra Patrícia Lopes CV de ESTEVES, Alexandra Patrícia Lopes
    •  HENRIQUES, Virgínia Barroso CV - Não disponível 
    •  GOMES, Maria José CV - Não disponível 
    • PAP0868 - Componente emocional da arte doméstica na saúde

      Numa perspectiva sócio-histórica, coube a Norberto Elias o pioneirismo do estudo da lenta socialização (civilização) das pulsões. Com o decorrer do tempo, o contexto social produz paulatinamente uma distinção e uma distanciação entre o que se sente e a acção que esse sentimento suscita. Tal implica não falar e reagir de imediato, mas dar tempo para reflectir antes de o fazer; substituir a passagem ao acto instantâneo ou impulsivo por uma decisão amadurecida. Perdura, então, uma praxe das pulsões ditas “naturais” ou inatas e um enquadramento das mesmas, dando forma a um conteúdo socialmente partilhado, tendo sido objecto de mudanças que induzem “novas emoções”, ou seja, uma outra forma de dar azo às pulsões “naturais” e uma outra sensibilidade na sua relação com o mundo cultural e social. Tal não significa que as emoções sejam “totalmente socializadas” sob a égide da razão reflexiva e reduzidas a qualquer expressão linguística ou discursiva. Seria ignorar a componente corporal e sensual das emoções. Todavia, ainda que provavelmente haja um enraizamento orgânico das mesmas, tal não significa que sejam a expressão de algo interno expressa no exterior. Verifica-se, outrossim, que há um contexto emergente da manifestação das emoções: interações, inter-relações, inter-dependências são o espaço próprio das emoções, dado possuírem uma tarefa comunicativa incontestável: desencadeiam-se entre pessoas que se comunicam por palavras, gestos, sinais, ou mesmo por silêncios. Mas a actividade emocional não emerge espontaneamente. Constroem-se no seio de uma relação específica com outrem que implica a duração temporal, permitindo que os laços simbólicos se enraízem numa dimensão corporal, numa forma de solidariedade (que não exclui a violência e o conflito), fundadora da composição do Eu e da sua identidade, um modo de mediação que permita estabelecer e provar a sua humanidade para além das actividades exigidas pela sobrevivência. Porém, as emoções assumem impactos diferentes segundo as circunstâncias, os grupos, as profissões… Na comunicação que nos propomos apresentar, versando sobre o trabalho emocional do cuidado doméstico (emotion work) e o trabalho emocional profissional (emotion labour), apoiando-nos num trabalho de campo à base de entrevistas semi-estruturadas, visamos relevar, por um lado, que o trabalho emocional na família, não sendo apanágio exclusivo de um dos seus membros, favorece a prevenção da doença e, por outro, que as profissões de cuidados, utilizam as suas competências e saber-fazer em matéria emocional, graças à socialização nas componentes emocionais da “arte doméstica”.
  • Alexandra Esteves é doutorada em História Contemporânea pela Universidade do Minho e investigadora do CITCEM. Atualmente, leciona na Universidade Católica Portuguesa. A sua investigação insere-se no campo da História Social, muito particularmente nos domínios da história da marginalidade, violência e prisões nos séculos XVIII e XIX, e da saúde nos séculos XIX e XX. Autora de vários trabalhos científicos, tem apresentado os resultados da sua investigação em vários congressos e em revistas da especialidade nacionais e estrangeiras.
  • PAP0650 - Emoções que aprisionam: o papel das emoções na permanência das mulheres vítimas de violência doméstica
    Resumo de PAP0650 - Emoções que aprisionam: o papel das emoções na permanência das mulheres vítimas de violência doméstica 
    • CEREJO, Dalila CV de CEREJO, Dalila
    • PAP0650 - Emoções que aprisionam: o papel das emoções na permanência das mulheres vítimas de violência doméstica

      Pretende-se com a presente proposta de comunicação, aprofundar o conhecimento na área da violência de género a partir de uma perspectiva da sociologia das emoções. Tendo em conta os resultados obtidos através das pesquisas realizadas pela equipa de investigação do SociNova/CesNova, sabemos que a maior parte das mulheres de demonstram passividade em relação aos actos de violência dos quais são vítimas. Recorrentemente, na resposta à pergunta “Como reage/reagiu ao acto”, a maioria das mulheres refere “não fazer nada ir calando”. Através e tais referências, interessa-nos elaborar novas interpretações no sentido de percepcionar o papel que as emoções sociais, particularmente a vergonha e a culpa, desempenham na vivencia das situações de violência e de que forma esta poderão, eventualmente, condicionar a sua acção social. Assim, vergonha e a culpa serão analisados como duas emoções sociais que funcionam como motores de inibição de uma (re)acção explicita aos actos de violência. Sabemos que as emoções sociais se diferenciam de outros patamares de emoções uma vez que estas são alvo de um processo de aprendizagem e de assimilação de valores sociais: «aquilo que aprendemos a gostar ou a detestar, discretamente, ao longo de uma longa experiência de percepção e emoção» (Damásio, 2003: 66). As emoções não são apenas experiências individuais, importando definir o que em nós é inato ou socialmente adquirido. Desta forma, a importância da sociologia das emoções para este trabalho reside na sua capacidade de perceber a forma como as emoções influenciam o self, como as teias da interacção social são moldadas pelas emoções, como o indivíduo desenvolve ligações e laços com a estrutura social e com os seus símbolos culturais e, a forma como estes últimos condicionam a vivência e a forma como se expressam as emoções. (Turner e Stets, 2007). Parece-nos importante referir que quando falamos de uma acção/reacção/decisão, falamos de um de conjunto de variáveis de natureza diversa, imbricadas entre si, algumas remetendo para dimensões justificativas mais racionalizáveis, outras decorrentes de factores emocionais, ou mesmo biológicos. De algum modo, e de acordo com o que referem alguns autores provenientes das teorias dos sistemas, a compreensão da acção ou da ausência de uma acção ou reacção explícita, só poderá ser explicado através de fecundação entre o sistema de personalidade, o sistema social e o sistema cultural: os principais elementos da teoria da acção. Tais sistemas ao interpenetrarem-se conduzem a acção do actor (condicionam-na, até) dentro de uma estrutura de acção social que muitas vezes confronta o actor social como “um dilema de acção” ou “dicotomias”.Em jeito de súmula, a presente proposta de comunicação ancora-se na teoria da acção social beneficiando da sociologia das emoções, sendo que a tentativa de produção do conhecimento novo far-se-á a partir da análise da relação entre “estrutura social” e “acção”.
  • Bolseira de Doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia desde 2009 e assistente de investigação no CesNova - Centro de Estudos em Sociologia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa desde 2007, e também assistente de investigação no Observatório Nacional de Violência e Género da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, desde 2008. É conferencista convidada da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, para 1º e 2º ciclo, desde 2006. Membro da Secção de Sociologia das Emoções, da Associação Portuguesa de Sociologia.