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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Editorial

ST2 Sociologia da Saúde[ Voltar às Áreas ]

Mesa nº 2 - Concepções de saúde, vivências de doença e relações terapêuticas [ Voltar às Mesas ]

  • PAP1557 - Fundamentos, propósitos e intenções manifestos na interacção profissional-doente no contexto do Gabinete de sub-visão do Instituto de Oftalmologia Dr. Gama Pinto
    Resumo de PAP1557 - Fundamentos, propósitos e intenções manifestos na interacção profissional-doente no contexto do Gabinete de sub-visão do Instituto de Oftalmologia Dr. Gama Pinto  PAP1557 - Fundamentos, propósitos e intenções manifestos na interacção profissional-doente no contexto do Gabinete de sub-visão do Instituto de Oftalmologia Dr. Gama Pinto
    •  SILVA, Maria Teresa Denis da CV - Não disponível 
    • PAP1557 - Fundamentos, propósitos e intenções manifestos na interacção profissional-doente no contexto do Gabinete de sub-visão do Instituto de Oftalmologia Dr. Gama Pinto

      A institucionalização do direito à saúde na constituição de 1976 como direito social e humano não parece ter conseguido, na prática dos profissionais de saúde, abalar a relação paternalista que coloca o doente numa situação de submissão face à dominância do poder/saber médico central ou periférico que o doente, nos termos de Parsons, deve acatar humildemente como “um bom doente”. É este papel de passividade e submissão do doente que nos propomos problematizar nos meandros dos direitos humanos/direitos sociais de cidadania como campo de construção social assente em práticas norteadas por direitos e deveres que, nos termos de Foucault, submetem os cidadãos a constrangimentos inerentes às relações de poder. O observatório dos sistemas de saúde (2002) apresenta o empowerment do doente como uma questão central que não se coloca tanto ao nível da reivindicação mas do exercício efectivo dos direitos. Nesta perspectiva promotora de saúde, de capacitação e aquisição de competências, informação e conhecimento que permitam ao doente agir e decidir conscientemente enquanto cidadão, os profissionais de saúde assumem particular relevância enquanto agentes facilitadores ou condicionadores da capacitação do doente, uma vez que, a sua acção pode mobilizar recursos promotores do doente cidadão ou, por outro lado, condicioná-la fazendo emergir o seu poder de decisão assumindo uma postura autoritária. Ou seja, a acção dos profissionais de saúde pode assumir uma atitude de ajuda paternalista de decisão em favor dos doentes sem apelo à participação destes ou, ao invés, incrementar uma relação de parceria facultando informação propiciadora de uma acção partilhada e conscientemente informada. Tomando por base estas premissas propomo-nos apresentar uma perspectiva analítica sobre a prática dos profissionais de saúde no serviço de sub-visão do Instituto de Oftalmologia Dr. Gama Pinto enquanto agentes fomentadores ou não de capacitação e autodeterminação do doente.
  • PAP1449 - Na busca da cura física e espiritual: os praticantes de terapêuticas alternativas e as suas representações da medicina convencional
    Resumo de PAP1449 - Na busca da cura física e espiritual: os praticantes de terapêuticas alternativas e as suas representações da medicina convencional  
    • LUZ, Manuela Sousa CV de LUZ, Manuela Sousa
    • PAP1449 - Na busca da cura física e espiritual: os praticantes de terapêuticas alternativas e as suas representações da medicina convencional

      O crescente aumento da procura das chamadas terapias alternativas e ou complementares na sociedade portuguesa representa na actualidade um fenómeno social alvo de aceso e polémico debate no campo da saúde, assim como político e científico. A progressiva aceitação social dessas práticas terapêuticas por via de uma legitimação informal - designadamente da Medicina Tradicional Chinesa - levanta algumas questões pertinentes nomeadamente quanto aos motivos e processos sociais que estão subjacentes a essas escolhas. Uma adesão que deixa antever atitudes críticas relativamente à actuação da medicina convencional pela ausência de uma abordagem holística, saciada e potenciada em contraponto pelas práticas terapêuticas ancestrais nomeadamente do oriente. Neste documento propõe-se, deste modo, apresentar alguns resultados empíricos que surgem no âmbito da tese de licenciatura intitulada “Terapias Alternativas: Formas Contemporâneas de Cura Física e Espiritual”, assumindo-se como um contributo para o estudo do fenómeno, alvo de estudo sociológico quer do ramo da saúde quer da religião, pois, estar-se-á face a uma mudança no que se refere ao padrão tradicional de comportamentos em ambos os domínios. A pesquisa de índole qualitativa dá conta das representações dos praticantes de terapêuticas alternativas (PTA) quanto à abordagem da medicina alopática na busca da cura física e espiritual, colocando como um grande desafio ao paradigma biomédico, nomeadamente, ao nível quer ao nível dos tratamentos das doenças crónicas quer no que respeita aos diagnósticos. Sem a pretensão de generalizar a informação obtida, a investigação evidencia, contudo, sinais de um sincretismo terapêutico protagonizado nomeadamente por doentes oncológicos pediátricos assim como pelos seus cuidadores, na procura do alívio da dor sem efeitos colaterais dos químicos ou dos sintomas de stress e de ansiedade. Face a um hibridismo de saberes, o fenómeno em análise dá visibilidade ao carácter proactivo do agente, na busca da cura e do bem-estar, não ficando, assim pelos padrões institucionalizados da medicina convencional. Comportamentos que merecem um olhar atento da sociologia da saúde para melhor compreender e analisar a complexidade do fenómeno.
  • Manuela Sousa Luz , após um percurso profissional de cerca de 15 anos na área da assessoria de comunicação e jornalismo, em 2004, ingressou na Faculdade de Letras da Universidade do Porto e obteve o grau de licenciatura de Sociologia (pré-Bolonha, licenciatura cinco anos), em 2009, com a tese “Terapias Alternativas: formas contemporâneas de cura física e espiritual”. Interessada nas questões de confluência entre saúde e religião na sociedade portuguesa, iniciou o Doutoramento em Sociologia, em 2011, na Universidade do Minho, onde se encontra a frequentar o primeiro ano lectivo.
    Em 2003, no exercício da sua cidadania, foi co-fundadora do Movimento para a Oncologia Pediátrica Integrada, em 2003, e nesse seguimento apresentou no ano 2005 uma comunicação em co-autoria no XVIII Seminário Internacional "Participação, Saúde e Solidariedade: Riscos e Desafios", sob o título Defesa e desenvolvimento do direito à saúde no âmbito da Oncologia Pediátrica Estudo de caso de exercício de cidadania.
  • PAP1365 - Memórias negras femininas e promoção da saúde
    Resumo de PAP1365 - Memórias negras femininas e promoção da saúde 
    •  ALMEIDA, Giane Elisa Sales de CV - Não disponível 
    • PAP1365 - Memórias negras femininas e promoção da saúde

      A proposta de comunicação baseia-se num artigo onde a discussão assenta-se nas interfaces da produção de memórias entre mulheres negras na cidade de Juiz de Fora. Os dados da pequisa Entre palavras e silêncios: memórias da educação de mulheres negras em Juiz de Fora – 1950/1970, revelaram a experiência de jovens mulheres negras ocorrendo delimitadas pelas díades sociológicas, proibição x fruição e negação x resistência, que em ultima análise constituem-se como possibilidades de reconfigurações identitárias diante de experiências como a do racismo e do sexismo. Essas díades são percebidas como fruto de uma insistente tentativa de silenciamento das memórias da população negra em geral, e das mulheres negras em particular, Esses dados, recolhidos a partir de depoimentos de história de vida ancorados na história oral como metodologia de pesquisa, motivaram o desdobramento do estudo em busca de perceber, a partir da comparação dos relatos produzidos, a memória de mulheres negras como possibilitadora de promoção da saúde. Assim, discutiremos as impressões e análises possíveis a partir da observarção e sistematização das memórias de mulheres, nomeadas griôs, que compoem como agentes comunitárias de saúde a equipe da Estratégia da Saúde da Família Essa estratégia foi escolhida como um campo de desdobramento da pequisa Entre palavras e silêncios, por se caracterizar como uma modalidade de assistência a saúde, onde as iniciativas educacionais são consideradas instrumentos de promoção da saúde e os determinantes sociais do adoecimento são vistos como integrantes das alternativas de manejo dos diversos problemas de saúde. Essa possibilidade é o que justifica o desdobramento da pesquisa se dando nesse espaço onde o adoecimento do corpo é vislumbrado por fatores outros que não só as causas biológicas. Dentre os determinantes sociais de doenças figuram de maneira significativa os reflexos das práticas de racismo e sexismo fortemente presentes em nossa sociedade e pouco consideradas em suas repercussões materiais e simbólicas.
  • PAP1348 - Para uma reflexão sobre o papel da sociologia na investigação em cursos de saúde
    Resumo de PAP1348 - Para uma reflexão sobre o papel da sociologia na investigação em cursos de saúde 
    • URBANO, Cláudia Valadas CV de URBANO, Cláudia Valadas
    • PAP1348 - Para uma reflexão sobre o papel da sociologia na investigação em cursos de saúde

      A proposta de comunicação que aqui apresentamos surge na sequência dos I e II Encontros de Sociologia da Saúde, organizados pela secção de Sociologia da Saúde da APS. Depois das reflexões, realizadas nesses encontros, sobre o papel da Sociologia na formação em saúde e sobre os docentes de sociologia na relação com os seus pares e com os seus alunos, seria igualmente interessante reflectir um pouco sobre os momentos em que a sociologia é (ou não) convocada para colaborar tanto na formação em investigação, como nos projectos de investigação, e em que sentido surge esse apelo. Como são aí vistos os investigadores sociólogos e que intervenção têm? Em que etapas do processo de investigação são solicitados a colaborar? Que expectativas criam e que expectativas são criadas pelos outros? Esta reflexão, apesar de não ser baseada num estudo empírico, é construída a partir da nossa experiência pessoal enquanto docente de Sociologia e de uma área temática da unidade curricular de Investigação, numa escola superior de saúde. Mais do que apresentar conclusões, pretende-se reflectir em conjunto sobre a investigação em cursos de saúde, numa perspectiva sociológica, e convocar a experiência de outros colegas sobre esta questão, com o objectivo de, à semelhança do que foi feito nos Encontros de Sociologia da Saúde, procurar compreender de que forma se pode legitimar mais ainda a participação dos sociólogos na formação superior em saúde.
  • Nome: Cláudia Valadas Urbano
    Afiliação institucional: investigadora no CesNova - FCSH/UNL e docente
    no Instituto Politécnico de Santarém
    Área de formação: Sociologia
    Interesses de investigação: Sociologia do Ensino Superior, Sociologia
    do Risco, Sociologia da Saúde
  • PAP1150 - Mais é melhor? Das escolhas aos desafios conceptuais e metodológicos em narrativas pessoais de doença.
    Resumo de PAP1150 - Mais é melhor? Das escolhas aos desafios conceptuais e metodológicos em narrativas pessoais de doença. PAP1150 - Mais é melhor? Das escolhas aos desafios conceptuais e metodológicos em narrativas pessoais de doença.
    •  BARRADAS, Carlos CV - Não disponível 
    •  NUNES, João Arriscado CV - Não disponível 
    •  QUEIRÓS, Ana Filipa CV - Não disponível 
    •  SERRA, Rita CV - Não disponível 
    • PAP1150 - Mais é melhor? Das escolhas aos desafios conceptuais e metodológicos em narrativas pessoais de doença.

      Na heterogeneidade daquilo que é culturalmente entendido e vivenciado enquanto doença, um formato de concepção e análise desse fenómeno tem ganho crescente relevância nos estudos sociais da saúde e da medicina, as narrativas de experiência pessoal de doença. Estas permitem reconhecer o modo como os indivíduos constroem materiais para explorar a forma pela qual atribuem sentido à experiência de doença, e possibilitam igualmente aceder aos modelos explicativos e protótipos salientes (Kleinman, 1989) a partir dos quais constituem e definem as suas experiências para e com o conhecimento biomédico. É a partir da relação com este tipo particular de conhecimento que vão fazer uso do vocabulário e conceitos ali apreendidos e, consequentemente, estabelecer algum tipo de ligação, mais ou menos informada, com o sistema biomédico. No projecto de investigação “Avaliação do estado do conhecimento público sobre saúde e informação médica em Portugal”, procuramos explorar, através das narrativas de doença, novas abordagens sobre a experiência da doença e, particularmente, colocar a tónica naquilo que é a multiplicidade e singularidade de experiências, usando uma metodologia designada por sampling for range (Small, 2009), isto é, ao invés de procurar a representatividade estatística, são selecionados casos para entrevistas procurando cobrir uma diversidade de situações associadas a uma patologia específica. Deste modo, torna-se possível explorar os diferentes modos pelos quais emergem as experiências e trajetórias dos sujeitos em relação à doença. Procuramos, assim, através da apresentação das ferramentas metodológicas privilegiadas no projecto (particularmente o MINI – McGill Illness Narrative Interview, um guião de entrevista) e da sua articulação com resultados preliminares do mesmo, contribuir para um adensamento da discussão em torno das narrativas pessoais de doença (p.e. definição daquilo que conta como conhecimento da doença e do significado do conhecimento baseado na experiência), bem como para um levantamento sobre os desafios conceptuais e metodológicos que tal escolha apresenta.
  • PAP1016 - De um modelo biomédico de saúde a um modelo reflexivo de saúde: controvérsias em torno do Testamento Vital
    Resumo de PAP1016 - De um modelo biomédico de saúde a um modelo reflexivo de saúde: controvérsias em torno  do Testamento Vital PAP1016 - De um modelo biomédico de saúde a um modelo reflexivo de saúde: controvérsias em torno  do Testamento Vital
    • VICENTE, Inês Pedro CV de VICENTE, Inês Pedro
    • PAP1016 - De um modelo biomédico de saúde a um modelo reflexivo de saúde: controvérsias em torno do Testamento Vital

      O processo de afirmação e respeito pelos direitos humanos, particularmente das pessoas doentes, tem assumido uma maior centralidade na sociedade portuguesa, nomeadamente no que respeita ao direito ao acesso à informação pessoal do doente, ao consentimento informado em cuidados de saúde e à possibilidade de emitir declarações antecipadas de vontade, jurídica e socialmente designadas por Testamento Vital, uma manifestação escrita que declara antecipadamente a sua vontade em relação a cuidados de saúde que deseja ou não receber no caso de se encontrar incapaz de se expressar pessoalmente e de forma autónoma. Esta comunicação pretende reflectir sociologicamente sobre os juízos que estão na origem da criação das directivas antecipadas de vontade, não se tratando apenas de um instrumento de regulamentação de vontades em relação ao fim de vida, mas de toda uma atitude reflexiva em torno da autodeterminação da pessoa doente e dos dilemas e controvérsias a que estes estão sujeitos na sua vulnerabilidade. Partindo da génese da controvérsia pretendo caracterizar dois sistemas de argumentação, onde os modos de envolvimentos dos agentes envolvidos na disputa se fazem a partir de uma maior ou menor autonomia e autodeterminação face aos cuidados de saúde a que são sujeitos. O modelo biomédico de saúde, centrado no avanço das tecnologias da saúde e das ciências da vida, através da criação de novos instrumentos de prevenção, diagnóstico e análise cada vez mais sofisticados, que define a doença através de critérios objectivos, coloca o profissional de saúde no centro da acção médica, e defende que um corpo pode voltar a ser saudável quando submetido a um tratamento médico assistindo-se a um aumento da esperança média de vida e por consequência de situações de doença terminal, que levam a um prolongamento desnecessário da vida humana e de situações de grande sofrimento que podem advir deste modelo de acção. A partir da reflexão sobre este modelo de cuidados de saúde surge uma nova problemática mais direccionada aos direitos das pessoas doentes destacando todo um conjunto de questões relacionadas com a bioética, assumindo uma maior sensibilidade pelos direitos individuais dos doentes, no que respeita à sua situação de dependência, vulnerabilidade e dignidade, surgindo a necessidade de regulamentação que destaque o direito dos doentes relativamente à sua autonomia em cuidados de saúde, quebrando-se o papel de doente passivo, sem poder de acção decisivo sobre o seu tratamento e processo de cura.
  • Inês Pedro Vicente é Licenciada em Sociologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e mestranda da mesma instituição em Sociologia, especialização em Conhecimento Educação e Sociedade, sob a orientação do Professor Doutor José Manuel Resende, com o projecto Controvérsias públicas em torno do direito dos doentes à informação e ao consentimento informado e às directivas antecipadas de vontade e bolseira de investigação da Fundação para a Ciência e Tecnologia no projecto Construindo caminhos para a morte: uma análise de quotidianos de trabalho em cuidados paliativos, desenvolvido pelo CESNOVA – Centro de Estudos em Sociologia da Universidade Nova de Lisboa.
  • PAP0815 - Do discurso público sobre saúde às concepções e investimentos de saúde dos indivíduos: regularidades sociais e atribuições de sentido
    Resumo de PAP0815 - Do discurso público sobre saúde às concepções e investimentos de saúde dos indivíduos: regularidades sociais e atribuições de sentido  
    •  PEGADO, Elsa CV - Não disponível 
    • PAP0815 - Do discurso público sobre saúde às concepções e investimentos de saúde dos indivíduos: regularidades sociais e atribuições de sentido

      Nesta comunicação pretende-se dar conta das concepções, orientações e práticas de saúde dos indivíduos, situando-os duplamente. Primeiro, no plano macro, já que essas concepções e práticas ocorrem num quadro cultural valorizador de determinadas formas de perspectivar a saúde e a doença, e num quadro normativo que define o que é desejável e indesejável em termos de práticas relacionadas com a saúde. Segundo, no plano micro, uma vez que o carácter contigencial das concepções e práticas está patente na sua variação entre os grupos sociais, na sua mutabilidade ao longo do ciclo de vida dos indivíduos, bem como na sua dependência relativamente à condição de saúde dos indivíduos num determinado momento. Num contexto social e ideológico de forte valorização da saúde e de um correlativo imperativo da prevenção, enquanto estratégia dominante do discurso público, quais as lógicas que presidem às práticas quotidianas dos indivíduos em matéria de saúde e de doença? Que tipo de orientações face à saúde e à doença podem ser identificadas? Que tipo de investimentos de saúde são valorizados e em que medida são confluentes ou contraditórios relativamente à ideologia dominante? Qual a relação entre as orientações gerais e os investimentos concretos dos indivíduos face à saúde? A procura de respostas a este encadeamento de questões resulta da discussão do material empírico produzido no âmbito de uma pesquisa sociológica sobre consumos terapêuticos desenvolvida no CIES-IUL. Recorreu-se a uma estratégia de investigação pluri-metodológica, combinando a aplicação de um inquérito por questionário a uma amostra representativa da população residente em Portugal, com a realização de entrevistas semi-directivas a 75 indivíduos, de ambos os sexos, de diferentes grupos etários e com diferentes níveis de qualificação académica, em contextos urbano e rural. A categorização das orientações e investimentos de saúde dos indivíduos permitiu identificar as tendências dominantes, mas também as lógicas emergentes, as ambivalências e as aparentes contradições. Em traços gerais, prevalecem orientações face à saúde que designámos por “activismo preventivo”, isto é, a crença na possibilidade de prevenir as doenças e a ênfase na responsabilização individual. Em consonância, os investimentos de saúde dos indivíduos assentam sobretudo em lógicas preventivas, essencialmente de carácter “higienista” (associadas ao que correntemente se designa por “estilos de vida saudáveis”) ou “medicalizado” (concretizadas no recurso às tecnologias médicas de controlo da saúde). Parece ainda estar a emergir uma outra lógica preventiva, a “prevenção terapêutica natural”, que passa pelo consumo de produtos terapêuticos/medicamentos naturais com fins de prevenção. Por fim, um número significativo de indivíduos revelou ausência de investimentos de saúde, ou por efectivo alheamento face à saúde, ou por adesão a uma cultura hedonista.
  • PAP0564 - Protagonismos alternativos de saúde: tempos e espaços
    Resumo de PAP0564 - Protagonismos alternativos de saúde: tempos e espaços  
    •  ROSA, Maria do Rosário CV - Não disponível 
    • PAP0564 - Protagonismos alternativos de saúde: tempos e espaços

      Esta comunicação insere-se no trabalho de doutoramento em Sociologia da saúde sobre os 'protagonismos alternativos de saúde' desenvolvida na Universidade Aberta. Partimos da ideia de que a construção da saúde se edifica através de um diálogo entre as forças estruturais de promoção e regulação oficial da saúde e as energias agenciais de construção individual da saúde que incorporam os saberes, mas também as crenças e vivências que se interpenetram entre a saúde e a vida. Trazemos para o debate teórico, as inter-relações entre a saúde definida pelo discurso biomédico hegemónico presente no sistema nacional de saúde, e que é possibilitada através dele, e a saúde que é construída pelos indivíduos nos seus contextos de vida e que se expressa nas suas práticas e sentidos das suas trajectórias biográficas. A emergência de sistemas de saúde alternativos dá lugar a um pluralismo de cuidados que corresponde a construções reflexivas de percursos que estão para lá da normatividade da medicina. Essas escolhas leigas correspondem a racionalidades distantes da razão da ciência ao constituírem-se como sistemas explicativos complexos que se referem à experiência subjectiva. Esta comunicação problematiza o fenómeno dos ‘protagonismos alternativos nas trajectórias de saúde’ entendido como as atitudes activas de construir a própria saúde com recurso a abordagens que não se incluem na biomedicina. Sendo este fenómeno relativamente recente na sociedade portuguesa e praticamente não analisado sociologicamente, interessa-nos situar os pilares analíticos que baseiam a sua compreensão. Partimos de um diálogo teórico entre alguns pilares da racionalidade positivista, dualística, cartesiana que marca o conhecimento científico e o pensamento moderno da biomedicina (e dos discursos oficiais de saúde que dele derivam) para o questionamento dos sentidos e significados dos movimentos leigos de adesão às medicinas alternativas e complementares. A nossa intenção é o entendimento da acção leiga que se desloca do sistema oficial, biomédico de cuidados de saúde para a procura de vias alternativas de a cuidar e promover. O que leva os indivíduos a procurar sistemas ‘alternativos’ para promover a saúde e lidar com a doença? Como integram esses sistemas no seu quotidiano e como os articulam com o sistema biomédico? Quais as racionalidades leigas que privilegiam na sua configuração explicativa e interventiva os sistemas alternativos? O enfoque escolhido para esta comunicação centra-se na análise dos tempos e espaços das trajectórias de saúde dos sujeitos entrevistados, individuos que se deslocaram do sistema médico convencional para sistemas de saúde alternativos.Como é que estes tempos e espaços se distinguem dos possibilitados pela medicina convencional? De que modo eles resultam ou são o resultado das representações e construções de saúde destes sujeitos?
  • PAP0474 - Ter saúde na última fase da vida: lógicas do saber leigo
    Resumo de PAP0474 -  Ter saúde na última fase da vida: lógicas do saber leigo PAP0474 -  Ter saúde na última fase da vida: lógicas do saber leigo
    • GOMES, Inês CV de GOMES, Inês
    • PAP0474 - Ter saúde na última fase da vida: lógicas do saber leigo

      O mundo contemporâneo da saúde reúne características que permitem a produção de contextos sociais plurais, por vezes com elementos contraditórios entre si. Nestes, cada indivíduo constrói o seu espaço singular face à saúde, apropriando-se e recriando no seu quotidiano o material social que lhe é mais significativo. Esta acção criativa expressa um território de decisão e transformação importante, a que acresce ainda a diferença de expressão da saúde por associação a cada etapa do trajecto de vida. Cada tempo social de vida confere um pano de fundo único na compreensão das lógicas que movem as práticas e o pensar sobre a saúde individual. Na velhice, a leitura realizada sobre as mudanças fisiológicas ocorridas determina a progressiva alteração de necessidades, do tipo de problemas que podem surgir, assim como a percepção que cada indivíduo desenvolve sobre a sua condição, recursos necessários e estratégias de actuação adequadas. Nesta fase, ocorrem igualmente significativas mudanças ao nível da estrutura familiar, actividade económica e redes sociais, com potenciais efeitos na saúde, assim como no tipo de utilização dos recursos sociais disponíveis. O ter saúde é uma noção subjectiva em permanente mudança, construída no confronto dinâmico entre as disposições sociais dominantes ou mesmo residuais sobre o significado de ser saudável. Constitui assim um elemento micro de leitura das lógicas sociais que estabelecem a condição pessoal perante a saúde num certo tempo da vida, num determinado tempo sócio-histórico. Por outro lado, o progressivo aumento da esperança de vida tem vindo a permitir o aparecimento de uma última idade temporalmente mais longa, com a possibilidade de ser vivida com mais saúde. Esta expectativa social permite o desenvolvimento de novas lógicas em torno da noção de saúde pessoal, que importa analisar. Com base na realização de entrevistas junto de mulheres e homens em idade mais avançada, procurou-se apreender e explorar as lógicas que suportam à construção das suas noções pessoais de saúde no seu tempo actual de vida.
  • Inês Gomes é Investigadora Colaboradora no CESNOVA – Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa, onde actualmente desenvolve o seu doutoramento em sociologia, subordinado ao tema “Saúde e envelhecimento: Práticas e representações sociais de género”. Mestre em Saúde Pública, conta com um trajecto profissional e académico na área da saúde, tendo-se dedicado neste âmbito aos temas do envelhecimento e do género.
  • PAP0307 - As desigualdades na saúde: classes sociais e estilos de vida
    Resumo de PAP0307 - As desigualdades na saúde: classes sociais e estilos de vida 
    • ANTUNES, Ricardo CV de ANTUNES, Ricardo
    • PAP0307 - As desigualdades na saúde: classes sociais e estilos de vida

      A presente investigação pretende analisar a relação entre a estrutura de classes sociais e as desigualdades na saúde, procurando explicar os mecanismos mediadores que convertem o social no biológico. Sustenta-se como hipótese central que as desigualdades inscritas na ordem social se traduzem numa incorporação individual da desigualdade sob a forma de disparidades perante a doença e a morte, ou seja que as relações que os indivíduos têm com os seus corpos e sintomas, com os sistemas de saúde e com as possibilidades de tratamento são condicionadas pela posição e trajectória social. No plano teórico recorre-se a contributos das áreas disciplinares da sociologia das classes sociais, da sociologia da saúde e da epidemiologia. A investigação é assente numa estratégia de tipo extensivo-quantitativo, tendo por base a informação presente nos processos hospitalares relativos aos óbitos ocorridos em 2004 e originários de duas instituições hospitalares, uma localizada em Lisboa e a outra em Beja. A totalidade dos processos analisados corresponde a um universo de 1935. Os resultados da investigação permitem concluir que, se por um lado, a relação entre as classes sociais e a longevidade não resulta num padrão linear, que traduza uma relação directa entre maiores recursos e maiores tempos de vida, por outro, tendencialmente, as categorias de classe que concentram maiores recursos económicos, culturais e técnicos, apresentam em média, uma longevidade superior, em cerca de 10 anos, relativamente ao conjunto de categorias de classes assalariadas de base. Procedeu-se igualmente a uma análise de correspondências múltiplas, no sentido de operacionalizar a estruturalidade multidimensional, envolvida neste espaço social de desigualdade em saúde, em que interagem diversos factores como as classes sociais, o género, as regiões, os efeitos geracionais, os comportamentos e estilos de vida, os tipos de doenças ou as causas de morte.
  • Ricardo Antunes, ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa; CIES,
    Doutorando em Sociologia, Licenciatura em Sociologia e Enfermagem,
    interesses na investigação - Sociologia da Saúde e das Classes Sociais
  • PAP0275 - Modelos Terapêuticos em movimento no Portugal do Século XIX, atores, discursos e controvérsias
    Resumo de PAP0275 - Modelos Terapêuticos em movimento no Portugal do Século XIX, atores, discursos e controvérsias 
    •  POMBO, Dulce Maria CV - Não disponível 
    • PAP0275 - Modelos Terapêuticos em movimento no Portugal do Século XIX, atores, discursos e controvérsias

      O século XIX foi povoado por heróis da nova ciência médica, mas também pelo crescente interesse em métodos ou sistemas alternativos à medicina dominante. Em Portugal além de faltar consenso relativamente ao número de sistemas médicos que estavam em voga e se praticavam no Reino, nesse período histórico, discutiram-se e analisaram-se doutrinas médicas que dominavam noutras escolas da Europa e que se ofereciam aos doentes. Esta comunicação pretende apresentar os Modelos Terapêuticos em movimento no Portugal do Século XIX, os seus atores, os seus discursos, os poderes e as controvérsias, de modo a contribuir para a necessária reflexão em torno desses modelos terapêuticos que disputavam o palco da saúde e da doença oitocentista. Efectivamente esses sistemas conhecidos e largamente utilizados na sociedade portuguesa de então dividiam opiniões, disputavam poderes e protagonismos, numa época em que a arte de curar oscilava entre as concepções dominantes que já vinham de períodos históricos anteriores e a ciência experimental. Consideramos que a compreensão da saúde e da doença nas sociedades contemporâneas, com os seus sistemas terapêuticos plurais, só poderá ser compreendida se procurarmos na história os seus sentidos originários que nos permitem perceber como se construiu a saúde e a doença e o cenário de dominação biomédica, bem como mapear a pluralidade de modelos terapêuticos existentes. Desta forma pretendemos dar visibilidade aos saberes plurais, não hegemónicos, que em torno destes fenómenos povoaram a nossa sociedade. Procedemos à análise documental de textos da época (periódicos, gazetas médicas, revistas, literatura, entre outros), numa tentativa de fazer uma primeira exploração e aproximação à temática. Foram treze os sistemas terapêuticos inventariados em Portugal até meados do século XIX, sendo que parte foi compilada pelo Marechal Duque de Saldanha e os restantes pelo Dr. Bernardino António Gomes, o médico do rei: a Allopatia, ou a medicina das escolas, reconhecida oficialmente; o sistema Chrono-Thermal; a Homeopathia; o Sistema Negativo; o Methodo de Raspail; a Hydroterapia; o Mesmerismo ou Magnetismo Animal; a Isopathia; a Kinesipathia ou Kinesitherapia; o Perkinismo; a Electrobiologia; a Medicina Hygiea e Odylismo. Será sobre a análise sociológica destes sistemas que esta comunicação se centra, revelando as racionalidades subjacentes em torno da saúde e da doença e as pluralidades terapêuticas no século XIX em Portugal. Palavras-chave: Sociologia da Saúde e da Doença, História, Modelos Terapêuticos.