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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
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Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Editorial

ST2 Sociologia da Saúde[ Voltar às Áreas ]

Mesa nº 4 - Fontes de informação em saúde e diversidade das suas apropriações sociais [ Voltar às Mesas ]

  • PAP1361 - Perspectivismo leigo na organização significante das paisagens informacionais sobre saúde
    Resumo de PAP1361 - Perspectivismo leigo na organização significante das paisagens informacionais sobre saúde 
    • CLAMOTE, Telmo Costa CV de CLAMOTE, Telmo Costa
    • PAP1361 - Perspectivismo leigo na organização significante das paisagens informacionais sobre saúde

      A agenda das ciências sociais sobre as questões da informação sobre saúde, ao ser singularmente torneada por solicitações sociais, tendeu a promover abordagens fragmentárias do papel de (particularmente) novos meios de informação, enredar-se em mapeamentos normativos das paisagens informacionais a que tais meios acrescem, e a ecoar pressupostos hipodérmicos do seu impacto nas práticas de saúde dos indivíduos. Partindo de uma pesquisa empírica sobre pluralismo terapêutico nas práticas de consumo medicamentoso, pretende-se aqui materializar uma abordagem mais integrada do papel da informação nos quotidianos de saúde, procedendo por outros princípios analíticos. Em primeiro lugar, dando conta da precedência impositividade social e cultural da pluralidade informacional na estruturação da relação dos indivíduos com qualquer (novo) meio de informação particular. Segundo, simetrizando essa pluralidade de meios nas paisagens informacionais na sua abordagem sociológica, esconjurando quaisquer pressupostos normativos da primazia ou hierarquização de uns meios sobre outros, para fazer emergir as perspectivas leigas que os relevam, organizam, e que produzem a sua congruência e consequência para as práticas de saúde dos indivíduos. Finalmente, captar a processualidade dos princípios dinâmicos que fundeam o perspectivismo leigo na estruturação dos papéis e formas de validação específicos (e, consequentemente, da relevância) que diferentes meios de informação assumem em diferentes circunstâncias nos processos de construção cognitiva que moldarão os saberes e acção leigos no plano da saúde. Por essas vias analíticas, visa-se restituir um mapeamento dos critérios que organizam a relação leiga com a diversidade de meios de informação sobre saúde e, a partir dessas ferramentas conceptuais, articular uma caracterização de diferentes trajectórias e configurações informacionais que tais critérios estruturam processualmente nos quotidianos e percursos de saúde dos indivíduos. Tal, espera-se, permitirá sustentar um quadro mais complexo e afinado de compreensão sociológica e ponderação social do papel e significância que os meios de informação assumem nas práticas de saúde dos indivíduos, clarificando o perspectivismo leigo como princípio operatório inescapável de análise da consequência da transformação das paisagens informacionais nas trajectórias terapêuticas.
  • Telmo Costa Clamote, formado em Sociologia pelo ISCTE e pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Investigador do CIES-IUL e docente na Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa (ESTeSL). Interesses de investigação nos domínios da saúde, da ciência e do conhecimento, em torno de objectos como o pluralismo médico, o associativismo de doentes, ou as relações leigas com informação sobre saúde.
  • PAP0975 - Modos de apropriação de informação sobre saúde: adaptação de um instrumento de investigação qualitativa.
    Resumo de PAP0975 - Modos de apropriação de informação sobre saúde: adaptação de um instrumento de investigação qualitativa. PAP0975 - Modos de apropriação de informação sobre saúde: adaptação de um instrumento de investigação qualitativa.
    • ABREU, L. CV de ABREU, L.
    •  BORLIDO-SANTOS, J. CV - Não disponível 
    •  NUNES, J.A. CV - Não disponível 
    •  VILAR-CORREIA, M.R. CV - Não disponível 
    • PAP0975 - Modos de apropriação de informação sobre saúde: adaptação de um instrumento de investigação qualitativa.

      Este trabalho foca-se, essencialmente, na adaptação e aplicação de um instrumento de investigação qualitativa que pretende avaliar o estado atual do conhecimento da populacão portuguesa sobre um conjunto de doenças (asma e cancro). Trata-se de um guião de entrevista semi-estruturado (McGill Illness Narrative Interview – MINI), que tem como objetivo diagnosticar as representações que emergem das narrativas de doentes sobre o modo como vivenciaram a doença. O MINI, construído por três investigadores do departamento da psiquiatria transcultural da Universidade de McGill, pode também ser utilizado noutras áreas das ciências sociais, nomeadamente, em estudos sociais sobre saúde e medicina (Groleau, Young & Kirmayer, 2006). Nesse sentido, o instrumento está atualmente a ser adaptado e validado pelos membros da equipa de um projeto que tem como objetivo geral investigar o uso e os modos de apropriação da informação em saúde na população portuguesa. O projeto a), onde o presente trabalho se integra, insere-se no âmbito do Programa Harvard Medical School-Portugal Program. O MINI apresenta-se originalmente estruturado em cinco módulos: 1. Narrativa Exploratória; 2. Narrativa Protótipo; 3. Modelo da Narrativa Explicativa; 4. Serviços Médicos e Respostas ao Tratamento; 5. Impacto na Vida. Este guião foi adaptado e reconfigurado para a população portuguesa e em concordância com os objetivos do projeto acrescentou-se um sexto módulo sobre fontes da informação. O MINI adaptado (MINIa) permite compreender até que ponto a doença e a experiência do entrevistado são influenciados pelos processos sociais e pelos contextos culturais, possibilitando identificar os conceitos de angústia e os estereótipos sociais emergentes dos respetivos contextos socioculturais (Groleau e Kirmayer, 2004). Utilizando o guião MINIa, realizaram-se entrevistas piloto durante 12 meses a doentes com patologias específicas: cancro da mama e asma. Uma análise qualitativa preliminar dos dados recolhidos coloca como principais fontes de informação, em primeiro lugar os Médicos, seguidos da Internet e da Televisão. A recolha de dados evidenciou, ainda, que o MINIa se revelou um valioso instrumento quer para estudar a eficácia das ferramentas de comunicação, quer para identificar potenciais fontes/redes de comunicação de sáude. _________ a O projecto designa-se «Evaluating the state of public knowledge on health and health information in Portugal» do Programa Harvard Medical School Portugal e é financiado pela FCT – Fundação para a Ciência e Tecnologia.
  • Liliana Abreu

    LicenciadaemSociologia e mestreemSociologia, pelaFaculdade de Letras da Universidadedo Porto. Desde o fim da licenciatura tem trabalhadoemprojetos de investigação, comobolseira FCT. Trabalhouemprojetos no âmbito da Sociologia da Cultura e EducaçãoArtística; Mobilidade de ConhecimentoCientífico e, maisrecentemente, naarea da Sociologia da Saúde, enquantobolseira de investigaçãonumprojeto no âmbito do Programa Harvard Medical School. Demomento, vaiiniciar a suabolsa de doutoramento FCT, ingressando no ProgramaDoutoralemSaúdePública(2012) da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.
  • PAP0973 - Literacia em saúde e fontes de informação em Portugal
    Resumo de PAP0973 - Literacia em saúde e fontes de informação em Portugal 
    •  FERREIRA, Pedro CV - Não disponível 
    •  SANTOS, Osvaldo CV - Não disponível 
    • PAP0973 - Literacia em saúde e fontes de informação em Portugal

      A literacia em saúde refere-se aos conhecimentos, competências e motivações para aceder, compreender, avaliar, gerir e utilizar de forma eficaz informações sobre saúde, a fim de formarem juízos e tomarem decisões em termos de utilização do sistema de saúde, prevenção de doenças e promoção da saúde e de qualidade de vida. Baixa literacia em saúde está associada a menor capacidade para autogestão da saúde e a dificuldade em aceder a serviços de saúde de forma eficiente, em obter informações relevantes sobre eles, incapacitando a decisão informada. Melhorar a literacia em saúde pode contribuir para reduzir as desigualdades na saúde. Uma das principais estratégias de qualquer programa de prevenção/promoção da saúde é a educação para a saúde. Embora a pesquisa científica tenha mostrado que as crenças de saúde não são uma condição suficiente para a adoção de comportamentos saudáveis, é consensual que o conhecimento da saúde seja uma condição necessária, normalmente tida em conta pelos vários modelos que têm sido propostos para predizer o comportamento de saúde, em que as crenças geralmente aparecem como determinante principal. A lógica subjacente baseia-se no facto de as crenças de saúde constituírem um dos preditores dos comportamentos de saúde Assim sendo, aquisições de literacia em saúde permitem transformar crenças erradas em conhecimento útil para autogestão dos processos de saúde/doença. A forma como se obtêm a informação sobre saúde é portanto crítica no desenvolvimento dos níveis de literacia em saúde de uma população. Neste sentido, é importante considerar as várias fontes possíveis de informação. Além da aprendizagem formal (em escolas, faculdades, etc.), os meios de comunicação (televisão, rádio, jornais, revistas, etc.) e a Internet são conhecidos por serem protagonistas relevantes na difusão de informações de saúde. Quando usados na promoção da saúde, estas fontes de informação podem desempenhar um papel eficaz em termos de ganhos de literacia em saúde. A partir de um inquérito representativo da população portuguesa sobre a literacia em saúde da população portuguesa, a comunicação propõe uma primeira abordagem à relação entre os conhecimentos sobre saúde da população portuguesa e as fontes de informação através dos quais são obtidos. Procura-se assim identificar as principais fontes de informação, os conteúdos procurados e as motivações de quem os procura, que serão discriminados em função das variáveis sociológicas normalmente usadas nos estudos extensivos. A questão central que se procurará assim analisar é o impacto que o diferencial acesso às fontes de informação exerce nos níveis de literacia da população portuguesa.
  • PAP0167 - Saúde e bem-estar: Entre a relação diária e a info-exclusão - Perfis de utilização da internet da população portuguesa.
    Resumo de PAP0167 - Saúde e bem-estar: Entre a relação diária e a info-exclusão - Perfis de utilização da internet da população portuguesa. 
    • ESPANHA, Rita CV de ESPANHA, Rita
    •  MENDES, Rita CV - Não disponível 
    • FONSECA, Rui Brito CV de FONSECA, Rui Brito
    • CORREIA, Tiago CV de CORREIA, Tiago
    • PAP0167 - Saúde e bem-estar: Entre a relação diária e a info-exclusão - Perfis de utilização da internet da população portuguesa.

      Nas sociedades contemporâneas, a utilização das tecnologias da informação e comunicação, vulgarmente abreviadas para TIC, assumem uma relevância crescente no quotidiano dos cidadãos. No mundo actual, globalizado, em rede, as TIC encontram-se conectadas a quase todas as dimensões das nossas vidas: desde instrumentos de trabalho a auxiliares nas tarefas de gestão doméstica, passando por bibliotecas de conhecimento e instrumentos de lazer. Conceitos como o de distância e espaço, ganham novos significados, com o advento das TIC e a sua crescente massificação. A mobilidade real e a mobilidade virtual, proporcionadas pelo desenvolvimento das TIC, fizeram das sociedades contemporâneas, sociedade de fluxos rápidos e múltiplos. Ao nível da saúde, os impactos das TIC são, cada vez mais, relevantes. As possibilidades de trabalho em equipa, entre profissionais de saúde, geograficamente distantes, cresceram exponencialmente. O conceito de colaboração ganha uma outra dimensão prática e operacionalidade. Estas também possibilitam, pela primeira vez, que cada cidadão possa ter acesso ao seu registo individual de saúde, on-line, esteja em Portugal, França ou Inglaterra. Por outro lado, a informação clínica disponível on-line, permite que o cidadão informado possa ser também um actor, mais consciente e mais responsável na gestão da sua saúde individual, mas também na saúde da sua comunidade. Também a relação médico-utente poderá sofrer alterações com esta maior consciência e responsabilidade, individual e colectiva, dos cidadãos. A autonomia na gestão da sua saúde e doença, possibilitada pelo recurso às TIC, modifica a relação entre o profissional de saúde e o utente, pois a «”confiança cega” está a ser substituída por “confiança informada”» (Akerkar, 2004). Mas qual a relação dos portugueses com as TIC, no que respeita a assuntos de saúde e de bem-estar? Esta comunicação pretende apresentar os resultados de um inquérito, por questionário, efectuado à população residente em Portugal Continental, com idade igual ou superior a 15 anos. A partir dos seus resultados, foi possível aferir perfis sociográficos, na utilização da internet, em Portugal.
  • Rita Espanha
    Professora Auxiliar do ISCTE-IUL
    Investigadora do CIES-IUL
    Membro da Comissão Executiva do OberCom - Observatório da Comunicação
    Rui Brito Fonseca. Licenciado em Ciência Política, com especialização em relações internacionais, pela Universidade Lusófona. É também mestre em Ciência do Trabalho, pelo ISCTE-IUL, onde frequenta o programa de Doutoramento em Sociologia, estando a desenvolver dissertação sobre a ciência e a tecnologia na imprensa portuguesa, entre 1976 e 2005. É, desde 2000, investigador no CIES-IUL, onde tem vindo a desenvolver trabalho sobre comunicação, media e compreensão pública da ciência. É também Director de Recursos Humanos na AHBVA e docente no Instituto Superior de Ciências Educativas.
    ruibritofonseca@yahoo.com
    Tiago Correia, investigador do CIES-IUL e docente na Escola Superior de Saúde Egas Moniz, tem um doutorado em Sociologia pelo ISCTE-IUL, seguido de estudos pós-doutorados pela Universidade de Montreal e pela Universidade McGill. Autor e co-autor de diversos trabalhos académicos sobre teoria sociológica, profissões de saúde, organizações hospitalares e sistemas de saúde, temas sobre os quais tem incluído redes de investigação nacionais e estrangeiras. Recentemente foi nomeado como editor do American Journal of Sociological Research (USA) e do Modern Social Sciences Journal (UK).
  • PAP0102 - Epidemia midiática: produção de sentidos e riscos na configuração social de uma doença em discurso jornalístico
    Resumo de PAP0102 - Epidemia midiática: produção de sentidos e riscos na configuração social de uma doença em discurso jornalístico 
    •  MALINVERNI, Cláudia CV - Não disponível 
    • PAP0102 - Epidemia midiática: produção de sentidos e riscos na configuração social de uma doença em discurso jornalístico

      Meios poderosos de circulação de sentidos, os veículos de comunicação de massa têm capacidade de reestruturar os espaços de interação social, propiciando novas configurações à realidade. Situado no campo da comunicação e saúde, o presente estudo teve como objetivo analisar o discurso veiculado pelo jornal Folha de S. Paulo durante a epizootia de febre amarela silvestre, no verão 2007-2008. Para tanto, ancorou-se no referencial teórico das práticas discursivas e produção de sentidos no cotidiano, segundo o qual o sentido é uma construção social, de caráter coletivo e interativo, em que as pessoas, na dinâmica de relações sociais historicamente datadas e culturalmente localizadas, constroem os termos que lhes permitem compreender e lidar com as situações e fenômenos no cotidiano. A pesquisa baseou-se, ainda, nas hipóteses de agendamento (agenda-setting) e enquadramento (framing) para entender as condições de produção da notícia e evidenciar os repertórios interpretativos que conferiram novos sentidos ao acontecimento amarílico. Foram analisadas 118 matérias jornalísticas, entre 21 de dezembro de 2007 e 29 de fevereiro de 2008, recorte temporal que permitiu localizar a notícia que deu início ao fenômeno de agendamento do acontecimento amarílico, a evolução do grau de noticiabilidade do tema no jornal e o seu desgaste como pauta de relevância. Ao mesmo tempo, foram selecionados e analisados 40 documentos institucionais sobre a doença, emitidos pela autoridade de saúde pública brasileira no período do fenômeno em análise. Os achados indicam que o noticiário do jornal conferiu novos sentidos à febre amarela, deslocando discursivamente o evento de sua forma silvestre, espacialmente restrita e de gravidade limitada, para a urbana, de caráter epidêmico e potencialmente mais grave. Secundariamente, foram identificados os riscos a que a população brasileira foi exposta em função dos sentidos produzidos pelo discurso midiático, com a ocorrência de óbitos diretamente relacionados ao noticiário veiculado pela imprensa brasileira como um todo, e seus impactos sobre o sistema público de saúde.