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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Editorial

ST2 Sociologia da Saúde[ Voltar às Áreas ]

Mesa nº 6 - Medicamentos, mercados e ideologias e terapêuticas [ Voltar às Mesas ]

  • PAP1157 - Relação com os Fármacos: casos de toxicodependentes e alcoólicos em tratamento
    Resumo de PAP1157 - Relação com os Fármacos: casos de toxicodependentes e alcoólicos em tratamento PAP1157 - Relação com os Fármacos: casos de toxicodependentes e alcoólicos em tratamento
    • NUNES, Madalena CV de NUNES, Madalena
    • PAP1157 - Relação com os Fármacos: casos de toxicodependentes e alcoólicos em tratamento

      Com base na experiência de trabalho numa comunidade terapêutica e na centralidade que a medicação parece assumir para os toxicodependentes e alcoólicos aí internados, propusemo-nos indagar da relação destes com os fármacos. Apoiamo-nos nos estudos existentes sobre automedicação e nas indagações acerca dos usos problemáticos e dos usos não problemáticos de substâncias psicoactivas. A nossa abordagem conjuga a medicalização das sociedades e a farmacologização da vida quotidiana com a especificidade de uma população cuja “doença” consiste no abuso de álcool e/ou de outras drogas. Coloca-se a hipótese de que a familiaridade desta população com essas substâncias e os seus efeitos, e a banalidade da procura de estados alterados de consciência por via de consumos, tornam a experiência própria e dos pares uma das fontes de conhecimento, favorecendo a interpenetração dos seus saberes experienciais com os saberes dos sistemas periciais. Outra dimensão equacionada no desenho da relação desta população com os medicamentos é o seu estatuto de indivíduos inseridos nos dispositivos de tratamento específico do sistema nacional de saúde, que se constituiria como facilitadora da permeabilização dos seus saberes aos saberes periciais consolidando assim a especialização dos seus saberes leigos. É abordado não só o comportamento presente – em que o internamento restringe a autonomia dos indivíduos e estes se engajam num processo declarado de mudança de comportamentos face a substâncias e a outras dimensões globalizantes da própria vida – como os comportamentos passados – de quotidiano não institucionalizado, com a “doença” activa e com o eventual recurso a formas de aquisição desviante das substâncias, quer nos casos em que os consumos são ocultados com sucesso através da arte de administrar impressões, quer nos casos em que são assumidos rótulos como o de “agarrado” . Avaliar-se-à, entre outros, se o comportamento face aos medicamentos difere com a legalidade ou ilegalidade da droga de eleição (álcool/outras drogas) e se a relação com medicamentos de efeito psicotrópico se distingue da relação com os restantes tipos de medicamentos.
  • Madalena Ferreira Nunes

    Licenciatura em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP), em 1996.
    Mestrado em Sociologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL), em 2008.
    Formadora certificada pelo Conselho Científico-Pedagógico.
    Directora de Sociodrama pela Sociedade Portuguesa de Psicodrama (SPP).
    Trabalha junto de toxicodependentes e alcoólicos na Comunidade Terapêutica de Ponte da Pedra (ARS-Norte)
  • PAP0930 - Contributo para a definição de uma tipologia de comportamentos e atitudes face aos sintomas de doença
    Resumo de PAP0930 - Contributo para a definição de uma tipologia de comportamentos e atitudes face aos sintomas de doença PAP0930 - Contributo para a definição de uma tipologia de comportamentos e atitudes face aos sintomas de doença
    • CALHA, António Geraldo Manso CV de CALHA, António Geraldo Manso
    • PAP0930 - Contributo para a definição de uma tipologia de comportamentos e atitudes face aos sintomas de doença

      A comunicação que se propõe centra-se na apresentação dos resultados de uma investigação que teve por objectivo a construção de uma tipologia de atitudes face a sintomas de doença com base nos dados disponibilizados pelo European Social Survey. Procura-se, desta forma, contribuir para a caracterização de padrões diferenciados de comportamento perante a doença através da definição de perfis de comportamento e da identificação dos referenciais simbólicos envolvidos no processo de cura e na relação médico/paciente. A metodologia seguida baseou-se no recurso a diferentes técnicas estatísticas: numa primeira fase, recorreu-se à Análise de Clusters, de modo a identificar diferentes perfis de comportamento em relação a um conjunto de sintomas de doença; posteriormente, utilizou-se a Análise de Componentes Principais na análise dos referenciais simbólicos relativamente ao processo de cura e à relação médico/paciente. Os resultados obtidos demonstram a existência de padrões diferenciados de comportamentos associados a factores sociais e culturais relacionados com a condição dos indivíduos. Foi possível definir uma tipologia de atitudes face aos sintomas de doença constituída por quatro grupos, confirmando que as diferenças de atitude correspondem a diferentes universos de referência relativamente à idealização do processo de cura e à conceptualização da relação médico/paciente. Perfil 1: constituído por indivíduos que valorizam, sobretudo, o papel do médico e as propriedades dos medicamentos no processo de cura, desvalorizando, de forma acentuada, a capacidade auto-regenerativa do organismo. Na concepção da relação médico/paciente evidenciam facilidade na comunicação e proximidade no estatuto dos actores envolvidos. Perfil 2: perfil marcado por posições intermédias relativamente às diferentes questões consideradas. Ao nível do processo de cura, os indivíduos atribuem o mesmo grau de importância às capacidades do médico, às propriedades do medicamento e à capacidade regenerativa do organismo. Perfil 3: constituído por indivíduos que, face aos sintomas de doença, privilegiam os contactos informais, constatámos que as atitudes evidenciadas no processo de cura passam pela confiança na capacidade de autocura e nas propriedades dos medicamentos. Em termos comparativos, este grupo, entre todos os considerados, é o único que desvaloriza o papel do médico no processo de recuperação. Perfil 4: indivíduos que apresentam grande confiança na capacidade auto-reguladora do organismo na recuperação dos desequilíbrios fisiológicos e subestimam o papel dos medicamentos nesse processo. A percepção que têm da relação médico/paciente é marcada, em especial, pelo distanciamento entre os intervenientes e pela desconfiança de ocultação da informação por parte do médico.
  • António Calha é docente na Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Portalegre, licenciado em Sociologia pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e mestre em Sociologia pela Universidade de Évora. Investigador do C3I-IPP. Doutorando em Sociologia no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL). As suas áreas de interesse incluem: sociologia da saúde; sociologia da educação; sociologia do desenvolvimento. Contactos: antoniocalha@hotmail.com; antoniocalha@essp.pt.
  • PAP0810 - Modos de relação com as medicinas alternativas: uma abordagem qualitativa de trajectórias terapêuticas
    Resumo de PAP0810 - Modos de relação com as medicinas alternativas: uma abordagem qualitativa de trajectórias terapêuticas  
    •  PEGADO, Elsa CV - Não disponível 
    • PAP0810 - Modos de relação com as medicinas alternativas: uma abordagem qualitativa de trajectórias terapêuticas

      Esta comunicação procura explorar a diversidade de modos de relação com as chamadas “medicinas complementares e alternativas” (correntemente designadas pela sigla CAM, na literatura anglo-saxónica) por parte dos indivíduos que a elas recorrem, bem como o modo como este recurso se inscreve nas suas trajectórias de saúde e de doença. Trata-se de uma abordagem qualitativa, baseada nas narrativas de indivíduos que, de forma mais esporádica ou mais regular, já recorreram às CAM. Estas narrativas, não sendo centradas exclusivamente nas CAM, mas nas trajectórias e consumos terapêuticos dos indivíduos, têm a vantagem de não isolar artificialmente o recurso às CAM, mas de o situar num quadro mais vasto de consumos, permitindo verificar como a pluralidade de recursos terapêuticos disponíveis se articula e se conjuga, quer nas práticas dos indivíduos, quer nas lógicas e racionalidades que lhes estão subjacentes. O material empírico é constituído por 30 entrevistas em profundidade realizadas no âmbito de uma pesquisa sociológica sobre consumos terapêuticos, desenvolvida em Portugal, no quadro do CIES-IUL. As entrevistas foram realizadas a indivíduos de ambos os sexos, de diferentes grupos etários e com diferentes níveis de qualificação académica, quer em contexto urbano, quer em contexto rural, em 2009. Os resultados revelam a existência de uma pluralidade de modos de relação dos indivíduos com as medicinas alternativas ou complementares, a vários níveis: o tipo de terapias a que se recorre; as circunstâncias e trajectórias do recurso; os padrões de recurso; as concepções de risco e eficácia associadas a estas medicinas; a relação com outros consumos terapêuticos; a relação com os terapeutas e os médicos da medicina convencional; as concepções de saúde e de doença e os investimentos de saúde. A análise culminou na construção de perfis-tipo que caracterizam e sistematizam os modos de relação dos indivíduos com as CAM, baseados essencialmente em duas dimensões: 1) as finalidades associadas ao recurso às CAM (estéticas, de prevenção da doença, de tratamento da doença); 2) e o peso das CAM no quadro dos consumos terapêuticos globais (exclusivismo ou prevalência da CAM, conjugação com a medicina convencional, recurso pontual). Importa referir que, conceptualmente, estes perfis correspondem sobretudo a modos de relação e menos a classificações que se possam atribuir aos utilizadores das CAM. Efectivamente, a análise veio demonstrar que os modos de relação com as CAM não são necessariamente coerentes e constantes ao longo do tempo, mas que vão sendo construídos e reconstruídos em função das várias fases do ciclo de vida e das experiências de doença (directas e indirectas) e, também, em função dos consumos terapêuticos que se vão fazendo.
  • PAP0737 - Indústria Farmacêutica, Patentes de Medicamentos e Saúde Pública: contradições permanentes entre o Mercado e a Vida
    Resumo de PAP0737 - Indústria Farmacêutica, Patentes de Medicamentos e Saúde Pública: contradições permanentes entre o Mercado e a Vida 
    •  MENEZES, Wellington Fontes CV - Não disponível 
    • PAP0737 - Indústria Farmacêutica, Patentes de Medicamentos e Saúde Pública: contradições permanentes entre o Mercado e a Vida

      A pesquisa científica tecnológica, mais conhecida como pesquisa e desenvolvimento (P&D), se tornou um potente instrumento de desenvolvimento capitalista na busca de invenções e inovações de produtos que possam adentrar na exploração de novos mercados e intensificação dos já conquistados através de suas mercadorias monopolizadas. Os países pioneiros de desenvolvimento tecnológico criaram uma série de barreiras e salvaguardas para que suas empresas transnacionais possam atuar livremente pelos mercados mundiais sem que seus produtos pudessem ser violados. Desta maneira, a liberdade e permutabilidade do conhecimento se tornaram cerceados por interesses de proteção das descobertas e técnicas científicas que, por sua vez, tem como interesse a garantia do monopólio dos lucros por parte das grandes indústrias farmacêuticas (criando uma enorme estrutura política de lobby internacional da chamada “Big Pharma”). A dimensão do poder destas empresas transnacionais que não se limitam às barreiras políticas e geográficas e atuam em muitos aspectos como verdadeiros Estados Nacionais, seja na agressividade da imposição de preços e proteção às suas mercadorias, seja no poder internacionalizado de coação econômica e jurídica perante nações de maior fragilidade institucional e socioeconômica. O impacto dos preços monopolizados se potencializa na dificuldade de acesso aos medicamentos nos países de menor potencial econômico e na ampliação da partilha desigual de renda oriunda das diferentes classes sociais. O objetivo geral deste presente trabalho é buscar compreender alguns dos mecanismos estabelecidos numa nova etapa capitalista sob a forma da apropriação dos bens intangíveis. Neste ínterim, as patentes de medicamentos é um elemento sob o qual o conhecimento (sob a luz da ciência e a tecnologia) se tornou uma forma quase inesgotável de lucratividade por parte das indústrias farmacêuticas. Na busca por mercados com viés monopolista, o conhecimento cerceado por patentes priorizam os lucros para seus detentores ao mesmo tempo em que as reais necessidades da saúde pública e o acesso humanitário aos medicamentos dentro de uma sociedade deixam de ser a prioridade.
  • PAP0660 - A prescrição de antidepressivos e calmantes: um estudo de caso sobre ideologias terapêuticas na prática clínica de Médicos de Família e Psiquiatras
    Resumo de PAP0660 - A prescrição de antidepressivos e calmantes: um estudo de caso sobre ideologias terapêuticas na prática clínica de Médicos de Família e Psiquiatras 
    • ZÓZIMO, Joana CV de ZÓZIMO, Joana
    • PAP0660 - A prescrição de antidepressivos e calmantes: um estudo de caso sobre ideologias terapêuticas na prática clínica de Médicos de Família e Psiquiatras

      A depressão é apontada como uma das principais causas de adoecimento nas sociedades ocidentais, prevendo-se que, em 2020, constitua a principal causa de morbilidade nos países desenvolvidos. O aumento da incidência desta patologia é acompanhado pela larga prescrição de psicofármacos em todo o mundo, sendo que em Portugal foram o 2º subgrupo farmacoterapêutico com maiores encargos financeiros para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), em 2009. Levantam-se então questões prementes em termos de saúde pública, da prestação de cuidados de saúde e da sustentabilidade do SNS. Assim, realizou-se um estudo de caso, com recurso a entrevistas em profundidade, da prescrição de antidepressivos e calmantes na prática clínica de médicos de família e psiquiatras, especialidades que assistem este tipo de condições e de cujos discursos emergirá uma narrativa social sobre o modo como as sociedades contemporâneas gerem o sofrimento mental comum e sobre o lugar que os médicos ocupam neste processo de gestão. É a nossa tese de que estaremos perante uma expansão do fenómeno da medicalização às dimensões psicológicas do indivíduo, através da farmacologização de situações de sofrimento mental que antes não constituíam objecto de gestão médica - como a tristeza ou o nervosismo. Esta psicomedicalização do indivíduo prender-se-á com a manutenção de ideologias terapêuticas centradas na biologização e normalização do comportamento individual, culminando no desenvolvimento da farmacologia como principal meio de gestão e tratamento da doença. Esta matriz cultural coloca igualmente um grande enfoque na prevenção e controle da doença, o que legitimará a medicalização e farmacologização destas situações “de fronteira” sob pena de que evoluam para estados verdadeiramente patológicos, e justificando o papel emergente dos médicos de família na manutenção da saúde mental e a incrementação do papel tradicional dos psiquiatras enquanto especialistas dedicados à doença mental. Esta comunicação tem assim como objectivo divulgar os principais resultados deste estudo de caso, discutindo os contributos possíveis a uma reflexão teórica, sociologicamente fundada, sobre a prescrição de antidepressivos e calmantes pelos médicos que as prescrevem e, como tal, principais agentes das ideologias que sustentam o consumo deste tipo de fármacos na gestão de um determinado tipo de sofrimento psicológico.
  • Joana Zózimo, membro do SOCIUS-ISEG e assistente de investigação no CIES-ISCTE, Licenciada em Sociologia e Mestre em Sociologia da Saúde pelo ISCTE-IUL, interessa-se pelos fenómenos de farmacologização e medicalização da sociedade, especialmente no que se refere às suas implicações no tratamento de doenças psiquiátricas.