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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Editorial

ST2 Sociologia da Saúde[ Voltar às Áreas ]

Mesa nº 8 - Saúde mental: políticas e práticas[ Voltar às Mesas ]

  • PAP1482 - Doença psiquiátrica e Itinerários terapêuticos – contributos para uma reflexão sobre a reconfiguração dos cuidados formais de saúde mental
    Resumo de PAP1482 - Doença psiquiátrica e Itinerários terapêuticos – contributos para uma reflexão sobre a reconfiguração dos cuidados formais de saúde mental PAP1482 - Doença psiquiátrica e Itinerários terapêuticos – contributos para uma reflexão sobre a reconfiguração dos cuidados formais de saúde mental
    •  NOGUEIRA, Cláudia CV - Não disponível 
    • PAP1482 - Doença psiquiátrica e Itinerários terapêuticos – contributos para uma reflexão sobre a reconfiguração dos cuidados formais de saúde mental

      Pese embora uma legislação pioneira, que desde a década de 60 preconiza um sistema de cuidados psiquiátricos de proximidade, integrados no seio da própria comunidade – por contraposição ao modelo tradicionalmente vigente, centrado nas grandes instituições psiquiátricas (“totais”) –, Portugal só muito recentemente iniciou o seu processo de desinstitucionalização. Trata-se de um processo de reconfiguração dos serviços formais de saúde mental que se tem traduzido num desigual andamento dos objectivos estabelecidos pelo Plano Governamental. Com efeito, tem-se assistido mais rapidamente ao desmantelamento dos hospitais psiquiátricos do que à criação dos correspondentes serviços alternativos na comunidade. No actual contexto de crise financeira (como se sabe, já traduzida em significativos retrocessos do Estado Social), é muito elevado o risco de que o processo de desinstitucionalização em curso venha a ser interrompido ou venha a concretizar-se de forma muito incompleta, potenciando o aprofundamento da vulnerabilidade das pessoas com doença mental e suas famílias. É este um risco tanto mais elevado quanto se sabe que, historicamente, estamos perante um domínio tendencialmente desvalorizado pelo investimento estatal, mesmo em tempos de relativa estabilidade económica. Assim sendo, perante um tal enquadramento, é acrescida a responsabilidade da Sociologia quanto à realização e disseminação de estudos empiricamente sustentados, capazes de contribuir para uma profícua reflexão sobre os desafios em causa. É precisamente neste sentido que se propõe a presente comunicação. Partindo dos resultados de um estudo recentemente concluído no Centro de Estudos Sociais, analisam-se os itinerários terapêuticos de um conjunto de homens e mulheres com diagnósticos de doença mental (esquizofrenia e doença bipolar). Tendo como referência as suas primeiras experiências de institucionalização hospitalar, a análise faz-se percorrendo as seguintes fases: fase que antecede o 1º internamento; fase coincidente com o 1º internamento; fase posterior ao 1º internamento. Do estudo empreendido, decorrem importantes conclusões quanto às características das modalidades de acompanhamento actualmente existentes, bem como à forma como estas se articulam (ou não) entre si. Numa última análise, pela forma como permite identificar quer os aspectos mais negativos, quer os aspectos mais positivos do modelo vigente, a análise dos itinerários individuais permite-nos escrutinar um conjunto de ilações para o futuro, não apenas sobre os caminhos que se devem abandonar, como também sobre os caminhos que se devem manter/desenvolver, como, finalmente, sobre os caminhos que se devem reinventar ou até mesmo inventar de novo no sentido de incrementar o mais possível os níveis de bem-estar e de autonomia de quem tem uma doença mental.

  • PAP0863 - (Re) Construindo discursos e práticas: A experiência social de um grupo de famílias no quotidiano da doença mental - os desafios das pesquisas participativas
    Resumo de PAP0863 - (Re) Construindo discursos e práticas: A experiência social de um grupo de famílias no quotidiano da doença mental - os desafios das pesquisas participativas 
    •  DOMINGOS, Alexandra CV - Não disponível 
    • ALVES, Fátima CV de ALVES, Fátima
    • PAP0863 - (Re) Construindo discursos e práticas: A experiência social de um grupo de famílias no quotidiano da doença mental - os desafios das pesquisas participativas

      A doença mental tem vindo a constituir-se num domínio de crescente interesse a nível internacional, no que respeita ao desenvolvimento de políticas públicas, mas também no que diz respeito à investigação necessária para balizar essas opções de política (OMS, 2001). Portugal tem seguido essas tendências internacionais, com atrasos e com especificidades. A realidade portuguesa revela a coexistência de características do moderno e do tradicional, o que tem dificultado a desinstitucionalização psiquiátrica na prática (Hespanha, 2009). Na realidade, a desinstitucionalização dos doentes mentais tem sido suportada pelas famílias (Alves, 1998, 2011). Esta pesquisa procura compreender o impacto da doença mental nas vivências quotidianas e nas trajectórias de vida dos familiares cuidadores de pessoas com doença mental crónica. Quais as necessidades sentidas? Quais os recursos mobilizados? Quais os processos desencadeados para lidar com a doença mental? A comunicação apresenta os principais resultados obtidos junto de um grupo de 10 cuidadores familiares de pessoas com diagnósticos clínicos de doença mental, que participaram em onze sessões de grupo realizadas entre Junho e Dezembro do ano de 2010, utilizando uma metodologia de investigação qualitativa e participativa. Os resultados dão visibilidade à situação vivenciada pelos cuidadores familiares nos múltiplos níveis onde a vida quotidiana decorre: gestão da doença; inserção comunitária e social; interacção familiar; gestão económica e nível cultural (as crenças; os preconceitos; os estereótipos, as tensões e as ambiguidades entre cuidadores, família nuclear e alargada, vizinhança, instituições, profissionais e serviços). Os impactos são múltiplos e abrangem as várias dimensões desta quotidianidade, ressaltando a escassez de recursos comunitários formais e informais para o apoio destas famílias. Apesar de se poderem observar trajectórias diferenciadas, os participantes no grupo foram construindo, ao longo das sessões, uma consciência colectiva das necessidades, das vivências, dos problemas, dos recursos existentes para lidar com a doença e suas consequências. Neste contexto, problematizam-se as potencialidades e limitações das metodologias participativas ao nível da investigação e ao nível da cidadania activa que autorizam e dinamizam. Por fim, discutem-se os impactos da doença mental na vida quotidiana da família no contexto da reforma e da reestruturação dos serviços de saúde mental em curso, previstas no Plano de Saúde Mental (2007-2016). Pesquisa efectuada no âmbito do Mestrado em Ciências Sociais e Saúde, do ISSSP, por Alexandra Domingos (mestranda), e Fátima Alves (CEMRI/FCT/UAb), (orientadora científica).
  • Fátima Alves
    prof Auxiliar do Departamento de Ciências Sociais e de Gestão da Universidade Aberta; Investigadora integrada no CEMRI - Participa atualmente em dois projectos de investigação financiados: 'Politicas e Racionalidades de Saúde' em parceria com o ISCSP; ISCTE; UNiversidade de Évora; Universidade Federal do Rio Grande do Sul; é investigadora responsável pelo projeto “Impacto das políticas de saúde mental nas redes sociais de apoio à reabilitação e integração em contextos interculturais diversos: o caso de Portugal e Alemanha”, em parceria com a Universidade de Hamburgo, o Centro de Psicologia da Universidade do Porto, o CAPP/ISCSP e o Laboratório de reabilitação psicossocial.
  • PAP0769 - Fora do hospital: desinstitucionalização da doença mental e redes informais de apoio
    Resumo de PAP0769 - Fora do hospital: desinstitucionalização da doença mental e redes informais de apoio 
    •  PORTUGAL, Sílvia CV - Não disponível 
    • PAP0769 - Fora do hospital: desinstitucionalização da doença mental e redes informais de apoio

      Conhecer as formas de intervenção da família e das redes sociais e analisar a articulação entre cuidados formais e informais revela‐se um elemento fundamental para avaliar os impactos da desinstitucionalização na vida das famílias e dos indivíduos. O mapeamento dos actores activos na prestação de cuidados às pessoas com doença mental permite conhecer a capacidade de resposta das redes sociais, o tipo de apoio prestado e as necessidades sentidas, fornecendo elementos para a identificação dos factores que bloqueiam ou facilitam a implementação da filosofia de desinstitucionalização. Esta comunicação procura responder a este objectivo recorrendo a conceitos e metodologias da teoria das redes. Com base nos resultados de um projecto de investigação que permitiu aceder à história de vida dos indivíduos, reconstituindo trajectórias, necessidades, estratégias, laços e apoios sociais, a análise apresentada centra‐se em vinte entrevistas realizadas a pessoas com doença mental e em sete estudos de caso seleccionados a partir desse conjunto. No âmbito dos estudos de caso foram realizadas vinte e oito entrevistas (entre duas a oito pessoas por caso) a elementos das redes sociais dos indivíduos – familiares, amigos, colegas, vizinhos, técnicos. Estes instrumentos analíticos permitiram olhar as redes sociais das pessoas com doença mental e identificar alguns traços que apresentamos nesta comunicação. Em primeiro lugar, a reduzida dimensão e densidade das suas redes sociais. A doença mental produz um fechamento das redes sociais que começa antes do seu diagnóstico, mas que se intensifica com este, rompendo com muitos dos laços anteriormente estabelecidos. O eclodir da doença condiciona fortemente os laços relacionais dos indivíduos, restringindo as suas sociabilidades e limitando as suas possibilidades de apoio social e afectivo. Em segundo lugar, a orientação das redes é para os laços de parentesco e, especificamente, para o parentesco restrito – pais, cônjuges, irmãos, filhos. No interior da família restrita, as mulheres são as grandes polarizadoras das relações e por quem passa a articulação entre diferentes laços e apoios. A escassez de nós na rede e o centramento no parentesco restrito relaciona‐se com outra característica que encontramos nas redes sociais das pessoas entrevistadas – a forte sobreposição de papéis dos elementos da rede, traduzida, sobretudo numa forte sobrecarga familiar no enfrentamento da doença. Esta deve‐se sobretudo a um outro traço das redes – a sua segmentação. Sobretudo entre redes formais e informais, encontramos ausências de interacção e articulação que prejudicam a inserção social e a autonomia dos indivíduos.
  • PAP0686 - A desinstitucionalização da doença mental em Portugal: um olhar a partir das instituições
    Resumo de PAP0686 - A desinstitucionalização da doença mental em Portugal: um olhar a partir das instituições 
    • HESPANHA, Pedro CV de HESPANHA, Pedro
    •  PEREIRA, José Morgado CV - Não disponível 
    • PAP0686 - A desinstitucionalização da doença mental em Portugal: um olhar a partir das instituições

      A filosofia desinstitucionalizadora que marcou as reformas psiquiátricas que ocorreram em muitos países desde os anos 1960 exige, para ser eficaz, um conjunto de condições que nem sempre as reformas conseguem assegurar e, por isso, corre o risco de fracassar. Dentre essas condições incluem-se a descentralização dos cuidados, a integração dos cuidados de saúde mental nos restantes cuidados de saúde, o reconhecimento da natureza complexa da doença mental (entre o biológico e o social) e da necessária multidisciplinaridade das respostas, a manutenção sempre que possível das pessoas com perturbação mental no seu meio e o envolvimento dos cuidadores informais no processo terapêutico. Um estudo realizado, em Portugal, a partir de um hospital psiquiátrico revelou as dificuldades com que as reformas estão a ser levadas à prática e o tipo de obstáculos que se levantam relativamente a cada uma dessas condições. Seguindo as trajetórias de um conjunto de pessoas com perturbações mentais graves que passaram pelos serviços do hospital foi possível aprofundar o modo como estas interagem com as instituições e com a comunidade, a visão que têm dos profissionais e dos cuidadores que as acompanham e as estratégias que desenvolvem para minimizar os efeitos mais negativos da institucionalização. Abordam-se sucessivamente as reformas psiquiátricas em Portugal, a progressiva abertura do hospital psiquiátrico estudado à filosofia descentralizadora e desinstitucionalizadora, e a receptividade e impacto das políticas de saúde mental, incluindo a reforma atualmente em curso, na instituição. A visão dos dirigentes e profissionais cruzam-se com as dos doentes e suas famílias, para analisar questões como o desenraizamento social, o modelo terapêutico, a disciplina e a autonomia dos doentes, a relação terapêutica e a confiança, o consentimento informado e a reserva de informação, as representações e os medos, o risco da dependência institucional.
  • Pedro Hespanha
    Sociólogo. Professor da Faculdade de Economia de Coimbra e Membro Fundador do Centro de Estudos Sociais.
    Coordenador do Programa de Mestrado “Políticas Locais e Descentralização".
    Tem investigado e publicado nas áreas dos estudos rurais, políticas sociais, sociologia da medicina, pobreza e exclusão social
    Coordena o Grupo de Estudos sobre Economia Solidária (ECOSOL/CES)
  • PAP0600 - VIVER COM DEPRESSÃO CRÓNICA – RECONSTRUÇÃO BIOGRAFICA E REPRESENTAÇÕES SOBRE A SUA PROPRIA DOENÇA
    Resumo de PAP0600 - VIVER COM DEPRESSÃO CRÓNICA – RECONSTRUÇÃO BIOGRAFICA E REPRESENTAÇÕES SOBRE A SUA PROPRIA DOENÇA  PAP0600 - VIVER COM DEPRESSÃO CRÓNICA – RECONSTRUÇÃO BIOGRAFICA E REPRESENTAÇÕES SOBRE A SUA PROPRIA DOENÇA
    • NETO, Cecília CV de NETO, Cecília
    • ALVES, Fátima CV de ALVES, Fátima
    • PAP0600 - VIVER COM DEPRESSÃO CRÓNICA – RECONSTRUÇÃO BIOGRAFICA E REPRESENTAÇÕES SOBRE A SUA PROPRIA DOENÇA

      O aumento das doenças crónicas, nomeadamente das doenças mentais crónicas, bem como as mudanças operadas no domínio das respostas à doença mental coloca-nos perante a necessidade de avaliar os seus impactos na vida das pessoas, dos grupos e das organizações sociais, mas também de compreender as vivências, as alterações e ajustamentos que exige ao nível da identidade e dos modos de vida. Em Portugal há poucos estudos sobre a experiência com a doença mental, sobretudo sobre a forma como aqueles que a vivenciam no seu quotidiano a experienciam e com ela convivem quotidianamente. Nesta comunicação, que se baseia em evidência empírica resultante de um estudo exploratório apoiado em entrevistas em profundidade junto de 10 pessoas com diagnóstico psiquiátrico de depressão crónica, onde se analisam as concepções sobre a sua própria doença e a percepção sobre os impactos na vida quotidiana, procuram-se os sentidos que se tecem a partir dessas experiências pessoais no quotidiano. Esta pesquisa adopta uma abordagem qualitativa que privilegia o ponto de vista do nativo de Geertz (1993) e se apoia no argumento de pluralidade de habitus e de contextos de acção (Lahire, 2005). Procurámos assim compreender como é que os próprios sujeitos que vivenciam a depressão a entendem, a explicam e interpretam, a introduzem no seu quotidiano e lidam com as suas consequências e impactos nos vários níveis e contextos onde a sua vida decorre. Daremos especial ênfase às concepções e representações sobre a sua própria doença, evidenciando as tensões entre a ‘normalidade’ (passado) e a experimentação subjectiva do novo ‘eu’ (identidade actual). Nota: Pesquisa efectuada no âmbito do Mestrado em Sociologia da Saúde e da Doença (ISCTE/IUL) por Cecília Neto (na qualidade de mestranda) e Fátima Alves (na qualidade de orientadora cientifica).
  • Nome:
    Neto, Cecília

    Afiliação institucional:
    Centro de Educação Especial Rainha Dona Leonor – Socióloga e responsável técnica do serviço CAAAPD – Centro de Atendimento, Acompanhamento e Animação à Pessoa com Deficiência e Doença Mental

    Área de formação:
    Mestrado em Sociologia da Saúde e da Doença (2008-2010)
    Licenciatura em Sociologia Industrial das Organizações e do Trabalho (1990-1995)
    Pós-Graduação em Gestão de Projectos em Parceria (2004-2005)

    Interesses de investigação:
    Sociologia da Saúde e da Doença, com Preferencial interesse Saúde e Doença Mental

    Trabalhos de Investigação:
    2012/2013 – Participação no Projeto Luso-Alemão Doença Mental, coordenado pela Profª Fátima Alves
    2010/2011 – Projecto de Investigação “Experiência Subjectiva com a Doença Mental Crónica”enquadrado no âmbito do Mestrado em Sociologia da Saúde e da Doença do ISCTE/IUL, Co-coordenado por Fátima Alves e Graça Carapinheiro.
    2009/2011 – Elemento do grupo de trabalho epidemiológico “Rastreio no âmbito da doença mental no conselho de Caldas da Rainha” em parceria do Núcleo de Intervenção em Saúde Mental de Caldas da Rainha com a Delegação de Saúde Pública; com orientação do Doutor Luís Pais Ribeiro

    Publicações
    2011 – Artigo: “A Experiência Subjectiva com a Doença Mental Crónica - Estudo Exploratório sobre os Impactos na Vida Quotidiana em sujeitos diagnosticados com Depressão Crónica”, Co-autoras: Cecília Neto; Fátima Alves; Graça Carapinheiro; (Enviado para publicação em revista nacional).
    2012 – Documento conjunto, J. Pais-Ribeiro, Cecília Neto, Jorge Nunes, Mafalda Silva, Carla Abrantes, Sílvia Freitas, Sílvia Ferreira, Ângela Cerqueira, Ana Almeida, e Vítor Coelho, “Ulterior validação do questionário de saúde geral de Goldberg de 28 itens”, apresentada pelo Profº J. Pais-Ribeiro no 9º Congresso Nacional de Psicologia da Saúde, held in Aveiro, Portugal, 9-11 February 2012.
    Fátima Alves
    prof Auxiliar do Departamento de Ciências Sociais e de Gestão da Universidade Aberta; Investigadora integrada no CEMRI - Participa atualmente em dois projectos de investigação financiados: 'Politicas e Racionalidades de Saúde' em parceria com o ISCSP; ISCTE; UNiversidade de Évora; Universidade Federal do Rio Grande do Sul; é investigadora responsável pelo projeto “Impacto das políticas de saúde mental nas redes sociais de apoio à reabilitação e integração em contextos interculturais diversos: o caso de Portugal e Alemanha”, em parceria com a Universidade de Hamburgo, o Centro de Psicologia da Universidade do Porto, o CAPP/ISCSP e o Laboratório de reabilitação psicossocial.
  • PAP0317 - A noção de “saúde mental” e a funcionalidade político-científica da psiquiatria contemporânea: uma problematização
    Resumo de PAP0317 - A noção de “saúde mental” e a funcionalidade político-científica da psiquiatria contemporânea: uma problematização PAP0317 - A noção de “saúde mental” e a funcionalidade político-científica da psiquiatria contemporânea: uma problematização
    • CORBANEZI, Elton Rogério CV de CORBANEZI, Elton Rogério
    • PAP0317 - A noção de “saúde mental” e a funcionalidade político-científica da psiquiatria contemporânea: uma problematização

      Esta comunicação, diretamente relacionada à minha pesquisa de doutorado em curso, tem como objetivo questionar a funcionalidade político-científica da psiquiatria de orientação biológica contemporânea. Em um primeiro momento, a partir da reflexão de Michel Foucault no curso "Os Anormais" [1974-1975], trata-se de evidenciar como o poder médico-psiquiátrico alcançou, ainda no século XIX, a noção de virtualidade da patologia. Examina-se, desse modo, como a psiquiatria, em seu processo de “desalienização”, pôde tornar patológicas diversas condutas sem referir-se à alienação propriamente dita. Assim, com a difusão do poder médico-psiquiátrico sobre o não patológico, ressaltamos, por meio da noção foucaultiana de biopolítica, a importância da vida biológica e da saúde dos indivíduos e da população como problemas de poder e governo. Considerado então o valor político do dado biológico, trata-se de problematizar e questionar como – e de acordo com quais mecanismos de poder – a psiquiatria contemporânea de orientação biológica e a Organização Mundial da Saúde (OMS) podem operar uma significativa mudança de paradigma com a incorporação do elemento mental no conceito de saúde. Essa expressiva transformação de paradigma destinada à incitação da “saúde mental” – de fundamental importância para essa comunicação – encontra-se oficializada no Relatório Mundial da Saúde de 2001, da OMS, e sublinhada já no título do documento, a saber: "Saúde Mental: nova concepção, nova esperança". A partir da indicação a respeito da substituição do conceito moderno de “doença mental” pelo contemporâneo de “saúde mental”, a finalidade dessa comunicação é problematizar o poder médico-psiquiátrico contemporâneo da seguinte forma: i) qual pode ser a lógica de um paradoxo que amplia a nomenclatura do patológico (como atesta o DSM-IV [1994] – "Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais", da Associação Americana de Psiquiatria) e reforça simultaneamente a necessidade de “saúde mental”; ii) de que maneira a intensificação da saúde e a eliminação do sofrimento podem afetar, modular e moldar a experiência do indivíduo contemporâneo; iii) como, por meio da noção de saúde e a pretexto de incentivá-la, a vigilância e o controle científicos da psiquiatria podem criar formas de subjetivação dos indivíduos, determinando o modo de se viver em sociedade.
  • Elton Rogério Corbanezi. Possui Graduação em Ciências Sociais (bacharelado e licenciatura) pela Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (FFC/Unesp) e Mestrado em Sociologia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (IFCH/Unicamp). Foi bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) em Iniciação Científica e no Mestrado, com pesquisa em Michel Foucault, Friedrich Nietzsche e Machado de Assis, em relação aos seguintes temas: racionalidade médica, psiquiatria, loucura, razão, modernidade, literatura e sociedade. Atualmente é doutorando em Sociologia pelo IFCH/Unicamp e bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com pesquisa sobre a depressão e os processos de subjetivação provocados pelos dispositivos psiquiátricos contemporâneos.