PAP0911 - Crise da sociedade salarial: Redes de solidariedade, recursos e estratégias de auto-organização do trabalho para a geração de renda e reprodução social de famílias pobres.
A compreensão das famílias em seu cotidiano, das formas como elas se organizam, produzem, reproduzem e criam novas formas de viver, suas maneiras de transpor as dificuldades por meio de sua própria visão de mundo, é um exercício complexo. As estratégias de reprodução social retratam a vida se desenvolvendo dentro daquilo que é concreto na existência das pessoas, a sobrevivência, a busca diária de superação das adversidades advindas de um contexto de desigualdade e pobreza. Os pobres são partes constituintes do sistema econômico, nasceram dele e diante de um abandono, respondem com uma capacidade de resilir e inovar diante das dificuldades. Diante desse contexto, a presente pesquisa tem por objetivo (i) traçar um perfil socioeconômico das famílias/grupos objetos desse estudo de modo a discutir a ocorrência de mudanças econômicas, sociais e simbólicas dos grupos/famílias estudados; (ii) identificar as diferentes estratégias de reprodução social das famílias pobres e de seus esforços de auto-organização para geração de trabalho e renda, destacando a emergência (ou não) de redes de solidariedade e dos princípios da Economia Solidária; (iii) identificar os recursos mobilizados no cotidiano das famílias, para sua sobrevivência, bem como os recursos não-monetários, proveniente das sociabilidades primárias e do acesso a bens e serviços coletivos, proporcionados pelo Estado ou por setores organizados da sociedade civil, como também pelo mercado. A matriz analítica do trabalho encontra-se assentada na discussão da questão social da sociedade pós-salarial; nas desigualdades sociais e pobreza; nas redes de solidariedade; nos recursos e estratégias das famílias para a sua reprodução social; e, na responsabilidade social (do Estado, da sociedade civil e do mercado).