PAP1334 - A Proteção Social no Brasil: a nova face dos cuidados
Ao analisar o desenvolvimento da proteção social no Brasil, a família se destaca como instituição fundamental na provisão dos recursos, mesmo a entendendo como lócus do desenvolvimento dos indivíduos, as características assumidas por ela é de total responsabilidade pelos proventos. Além da família outra instituição merece destaque neste contexto, a igreja, que com por meio de ações de filantropia, pautadas no humanismo cristão, desenvolveu e desenvolve ações de respostas imediatas as necessidades dos indivíduos. Ambas as instituições são movidas por sentimentos de afeto, afinidades, e solidariedade (SZYMANSKI, 2002). Nessa relação se manifesta as ações de cuidado mútuo pautado em motivações individuais, que estão fundamentadas no mérito, no favor e na graça e não no reconhecimento de direitos e na estabilidade e segurança da provisão. Tanto a família quanto a igreja fazem parte da comunidade próxima, que é aquela que reproduz a sociabilidade primária, um tipo de provisão pautada nas relações de cuidado com e para o próximo, sem exigir especialização da atenção destinada (CASTEL, 1998). No século XX, o Brasil tem um ganho, no que tange a proteção social, que é a inserção do Estado nas ações de provisão e cuidados aos necessitados, a princípio esta era destinada a um grupo seleto, os trabalhadores, em seguida ela foi ampliada aos seus dependentes e, em 1988, a Constituição Federal a promulga como dever do Estado ampliado a todos os cidadãos brasileiros. Mas nos anos 1990 emerge no contexto político do país um processo de reforma do Estado, que refletiu no desmonte de políticas sociais públicas e na negligência do Estado, na execução de seu papel como provedor (BEHRING, 2008). Neste contexto a comunidade próxima é evocada como elemento central para a produção dos cuidados e para a provisão das necessidades dos indivíduos, transformando o coletivo em problema individual tratado de forma solidária. Por outro lado o Estado promove ações de provisão fragmentadas e imediatas de forma seletiva, cuja finalidade é de estabelecer a desigualdade necessária para o bom desenvolvimento do capitalismo e ampliar o poder do mercado, que se utiliza de uma “face humanitária”, por meio de ações de “responsabilidade social” para transformar a pobreza e a questão social em palco de atuação de um só protagonista, o lucro, gerando fenômenos como a judicialização dos direitos, a mercantilização da pobreza, a refilantropização da assistência e a despolitização da questão social.
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