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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

Requisitos Mínimos:
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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Editorial

ST7 Conhecimentos, Ciência e Tecnologia[ Voltar às Áreas ]

Mesa nº 3 - Ciência e Participação Pública[ Voltar às Mesas ]

  • PAP1122 - Articulações entre estratégias científicas e legitimidade democrática perante os riscos tecnológicos
    Resumo de PAP1122 - Articulações entre estratégias científicas e legitimidade democrática perante os riscos tecnológicos 
    • JERÓNIMO, Helena CV de JERÓNIMO, Helena
    • PAP1122 - Articulações entre estratégias científicas e legitimidade democrática perante os riscos tecnológicos

      Nas situações de conflito e debate em torno dos riscos ambientais e de base tecnológica estão em causa diversas estratégias técnico-científicas que tendem a articular-se com diferentes opções institucionais e perspectivas sócio-políticas. Partindo desta ideia, pretende-se nesta comunicação argumentar e ilustrar empiricamente como os processos de legitimidade democrática entram em correspondência com distintas estratégias científicas. Perante os riscos ambientais e tecnológicos não existe apenas uma única estratégia técnico-científica, mas uma pluralidade de possibilidades. A existência de alternativas científicas em disputa põe em acção cenários em que as capacidades dos cidadãos se confrontam também com a abertura ou fechamento quanto ao acolhimento do poder de cidadania. Não raras vezes, e neste tipo de riscos, a acção política observa um padrão de orientação baseado sobretudo em dispositivos tecnológicos que prescinde da sua sujeição a exames rigorosos e a críticas vindas da cidadania, e muitos cientistas acompanham-nos nesta tendência. Tendem, assim, a ficar negligenciadas outras orientações e até possibilidades de estratégias científico-tecnológicas alternativas que podem estar conectadas com valores mais consentâneos com a sustentabilidade ambiental e a qualidade de vida do que com a eficiência económica. Mas os ditames de políticos, peritos e contra-peritos não se encontram dissociados da escala de valores que orienta a sua prática política ou científica e que modela uma determinada visão do mundo, de progresso e dos modelos de desenvolvimento. Daí que o enfrentamento dos riscos ambientais e tecnológicos devesse invocar um encontro frutuoso entre estratégicas científicas plurais e alternativas entre si com formas de aprofundamento da democracia que elevasse os problemas a níveis onde é possível encontrar uma solução holística mais congruente com valores da cidadania e da sustentabilidade.
  • Helena Jerónimo, Professora Auxiliar do ISEG (Instituto Superior de
    Economia e Gestão), da Universidade Técnica de Lisboa, doutorada em
    Sociologia pela Universidade de Cambridge. Interesses de investigação:
    estudos sociais de ciência e tecnologia, risco e incerteza, teoria
    social.
  • PAP1077 - Entre o “défice” e o “diálogo”: uma proposta de análise para diversas modalidades de promoção de cultura científica
    Resumo de PAP1077 - Entre o “défice” e o “diálogo”: uma proposta de análise para diversas modalidades de promoção de cultura científica PAP1077 - Entre o “défice” e o “diálogo”: uma proposta de análise para diversas modalidades de promoção de cultura científica
    • CONCEIÇÃO, Cristina Palma CV de CONCEIÇÃO, Cristina Palma
    • PAP1077 - Entre o “défice” e o “diálogo”: uma proposta de análise para diversas modalidades de promoção de cultura científica

      Fruto dos processos de mudança em curso no domínio das ciências e da sua relação com outras esferas sociais, nos últimos anos tem vindo a registar-se uma crescente atenção à questão da promoção da cultura científica das populações. Tal é patente tanto no plano da reflexão teórico-analítica sobre os processos de educação científica e de comunicação pública da ciência, como no que toca ao desenvolvimento de acções específicas neste domínio (de que são exemplo múltiplos projectos de ensino experimental das ciências, exposições científicas, dias de “portas abertas” em laboratórios, colóquios dirigidos a audiências alargadas, cafés de ciência, entre outros). Qualquer que seja o plano considerado, a noção de cultura científica tende a ser alvo de entendimentos bastante diversificados, como diversas são também as modalidades adoptadas no que respeita à sua promoção junto de públicos não especializados. Na bibliografia de referência é frequente encontrar-se alusão à oposição entre duas abordagens fundamentais: por um lado, o chamado “modelo do défice”, que grosso modo pressupõe a transmissão didáctica e discursiva de conhecimentos científicos, numa perspectiva internalista das ciências, em actividades dirigidas a públicos considerados como homogéneos e despojados de saberes relevantes; e, por outro, o que se pode designar como o “modelo do diálogo”, que apela a uma transformação de tais actividades (e da própria forma de entender a relação dos cidadãos com a ciência). Tendo por base uma análise teórica aprofundada destes modelos e dos debates em torno de noções como literacia científica, compreensão pública da ciência ou diálogo entre ciência e sociedade, bem como a observação de várias acções concretas neste domínio, o que agora se apresenta é uma tipologia para análise deste tipo de actividades, particularmente atenta à diversidade dos seus enquadramentos e modos de concretização. Considera-se que esta pode constituir não só um instrumento relevante para a análise de intervenções públicas nesta área, como também suscitar o debate em torno da multiplicidade e eventual complementaridade das opções que podem estar aqui em causa (e que tendem a ficar algo obscurecidas quando se enuncia cada um daqueles dois modelos de forma agregada). De modo a ilustrar a operacionalização daquela tipologia são tomadas em consideração algumas das actividades desenvolvidas em Portugal no âmbito do programa Ciência Viva, nas suas várias vertentes.
  • Cristina Palma Conceição, investigadora no Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, onde também leciona. É doutorada em Sociologia, interessando-se em particular por questões no domínio da sociologia da ciência e comunicação pública da ciência.
  • PAP1046 - As redes sociais na mobilização política dos cidadãos
    Resumo de PAP1046 - As redes sociais na mobilização política dos cidadãos  
    • LOBO, Mafalda CV de LOBO, Mafalda
    • PAP1046 - As redes sociais na mobilização política dos cidadãos

      Na campanha eleitoral para as presidenciais portuguesas de 2011, todos os seis candidatos (Cavaco Silva, Manuel Alegre, Fernando Nobre, Francisco Lopes, Defensor Moura e José Manuel Coelho) aderiram à internet e à utilização das redes sociais para fazer campanha política. A internet foi assumida como plataforma necessária na divulgação das suas estratégias políticas, na mobilização, angariação e envolvimento cívico dos cidadãos online. A palavra-chave deste novo fenómeno é interactividade. Face à proliferação de plataformas digitais, os actores políticos vêm na rede, um instrumento a explorar, dado que algumas franjas do eleitorado se revêem mais nos novos media que nos tradicionais. A internet no campo político, está a tornar-se uma ferramenta que promove o debate, a participação política e a cidadania (novos instrumentos no afirmar da democracia participativa) ao modificar tendencialmente a natureza e as formas da comunicação política das sociedades democráticas, e têm vindo a ter um forte impacto no interior das comunidades, e parecem influenciar o comportamento dos indivíduos. Os actores políticos ao perceberam esta influência, encaram este novo cenário mediático; por um lado, como uma ameaça, por outro, um desafio. A massificação dá assim lugar à individualização, explicada através de diferentes perspectivas (kerckhove, 1995; Dyson, 1998). O conjunto de novas Tecnologias da Comunicação (NTC), interactivas personalizadas, poderá estar a pôr em causa o próprio processo de legitimação política, em que o modelo de democracia representativa poderá vir dar lugar a um modelo mais individualizado, a que se chama de democracia directa. Abrem-se assim, novos canais para a comunicação directa entre políticos e cidadãos, colocando em curso uma mudança de paradigma assente num modelo político mais de carácter individualizado e personalizado, que a internet permite. Assim, propomo-nos apresentar a forma como os candidatos às eleições presidenciais de 2011, utilizaram as redes sociais para interagir com os cidadãos; por outro, a forma como os cidadãos fizeram uso deste novo meio de comunicação no contexto da campanha. Pretende-se no final, analisar comportamentos e o modo como a internet tem vindo a alterar a forma como nos relacionamos com a classe política e as instituições políticas nesta sociedade cada vez mais marcada pelo espaço público digital.
  • Mafalda Lobo é licenciada em Comunicação Social e mestre em Comunicação Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP). Colabora, desde 2007 como investigadora do Centro de Administração e Políticas Públicas do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (CAPP-ISCSP), e no Centro de Investigação Media e Jornalismo (CIMJ) da Universidade Nova de Lisboa (FCSH). Neste momento, está em processo de doutoramento no ISCSP, na área dos novos media e comunicação política.
  • PAP0767 - A gaguez enquanto objecto de fronteira: reflexões em torno da constituição de um dispositivo de colaboração
    Resumo de PAP0767 - A gaguez enquanto objecto de fronteira: reflexões em torno da constituição de um dispositivo de colaboração 
    •  NEVES, Daniel CV - Não disponível 
    • PAP0767 - A gaguez enquanto objecto de fronteira: reflexões em torno da constituição de um dispositivo de colaboração

      Os estudos de ciência e tecnologia têm apontado os méritos na mudança de um modelo de Entendimento Público da Ciência para um modelo de Participação Pública na Ciência, com ênfase em processos de co-produção de conhecimento. Destes, as experiências de investigação colaborativa, baseadas num paradigma de community based participatory research,revelam algumas das complexidades das relações entre ciência, sociedade e democracia. Estas experiências definem-se como procedimentos de co-produção de conhecimento caracterizados pela participação de múltiplos actores epistémicos, oriundos não só do universo dos diversos saberes académicos, mas também dos colectivos emergentes da sociedade civil, partindo do reconhecimento da sua igual capacidade de produção de conhecimento tentando, para tal promover relações igualitárias e não hierárquicas entre os actores envolvidos (Boavida e Pontes, 2002). Esta comunicação procurará apresentar algumas reflexões resultantes da colaboração desenvolvida entre o Centro de Estudos Sociais e a Associação Portuguesa de Gagos no âmbito do projecto Biosense e analisada no projecto de doutoramento “Diálogos e traduções epistémicas nas práticas de investigação colaborativa: um estudo comparado”. Este visa analisar o modo como distintos dispositivos de colaboração entre epistemologias científicas e leigas conseguem promover a integração de saberes não científicos em processos de produção de conhecimento. A gaguez surge como uma entidade complexa, não estabilizada, cujas causas não foram totalmente identificadas e cujos tratamentos carecem ainda de consenso quanto à sua eficácia. No panorama português esta discussão surge num estado incipiente e dependente da tradição anglo-saxónica. Esta colaboração procurará fomentar um conjunto de diálogos entre gagos, terapeutas da fala, juristas, psicólogos, especialistas nas neurociências, na linguística, entre outras, com o objectivo de fomentar uma reflexão sobre a gaguez, as suas causas, formas de enfrentamento e diferentes enquadramentos jurídicos e clínicos. O objectivo assumido nesta comunicação será o de reflectir sobre a capacidade do dispositivo colaborativo criado em promover um diálogo entre os distintos actores epistémicos que supere o modelo do défice e as dinâmicas de saber/poder que surgem associadas às relações cidadãos/cientistas. Desde modo, o que se procura analisar é a capacidade de nestas colaborações os cidadãos emergirem não como objectos de investigação, mas enquanto sujeitos activos de conhecimento. Para tal, o horizonte da promoção de uma ecologia de saberes (Santos, 2006) surge como central na construção destes dispositivos, através dos quais se busca fomentar a emergência de um mais democrático e efectivo conhecimento científico, que incorpore as preocupações, éticas, morais e culturais dos cidadãos.
  • PAP0685 - Abrir a produção tecnológica às ciências sociais e à participação pública
    Resumo de PAP0685 - Abrir a produção tecnológica às ciências sociais e à participação pública 
    •  NASCIMENTO, Susana CV - Não disponível 
    •  PÓLVORA, Alexandre CV - Não disponível 
    • PAP0685 - Abrir a produção tecnológica às ciências sociais e à participação pública

      O desenho, a produção, a distribuição ou o uso de objectos técnicos são ainda conceptualizados e operacionalizados, na sua grande maioria, por agentes ou instituições de carácter exclusivamente tecnológico. No entanto, a condução destes processos beneficia cada vez mais das suas permeabilidades quer a conhecimentos teóricos e práticos vindos do pensamento social e humano, quer a paradigmas baseados na participação de populações não especializadas ou no recurso a saberes vernaculares. Debates nos Science and Technology Studies (STS) têm produzido um vasto campo de trabalho teórico no domínio tecnológico, o qual está agora aberto a desenvolvimentos práticos interdisciplinares, como no campo do design sensitivo a valores ou da ética na inovação tecnológica. Por seu turno, um conjunto de iniciativas em sustentabilidade ambiental e social tem procurado o envolvimento público na produção técnica, nomeadamente em áreas como a reabilitação urbana ou a gestão de sistemas para o tratamento de resíduos. É neste contexto que se enquadra o nosso trabalho. Em primeiro lugar, operamos neste quadro de abertura do campo tecnológico ao analisar o aumento de trabalhos interdisciplinares entre a arquitectura e a sociologia, a engenharia e a filosofia, a antropologia e o design, etc. Este cruzamento implica hoje uma troca de ideias, metodologias, materiais e modelos, que produzem não apenas bons resultados ao nível do debate científico, mas também múltiplas experiências concretas ao nível da concepção conjunta de artefactos. Em segundo lugar, recorremos também à análise de paradigmas de tecnologia participada ou aberta, reconhecendo o seu potencial como modos de ligação entre as teorias e as práticas técnicas com os mundos sociais onde estas se inserem e operam. Os benefícios em envolver populações não especializadas e mobilizar os seus conhecimentos, vão desde o desenvolvimento de novas aptidões nestas populações à criação de projectos com maior eficácia e legitimidade. Em terceiro e último lugar, apostamos numa mobilização destas duas tendências de abertura ao nível da produção tecnológica para o desenvolvimento de plataformas de trabalho. Estas plataformas permitem agregar cientistas, técnicos, investigadores sociais e humanos, e actores individuais e colectivos, tendo em vista a implementação de projectos de co-criação e co-gestão tecnológica. No momento presente, iremos apresentar uma análise de quadros teóricos e casos empíricos nacionais e internacionais com boas práticas a este nível.
  • PAP0232 - O “public engagement” nos actuais projectos desenvolvidos na área Ciência na Sociedade da União Europeia
    Resumo de PAP0232 - O “public engagement” nos actuais projectos desenvolvidos na área Ciência na Sociedade da União Europeia PAP0232 - O “public engagement” nos actuais projectos desenvolvidos na área Ciência na Sociedade da União Europeia
    • CARVALHO, Monica CV de CARVALHO, Monica
    • PAP0232 - O “public engagement” nos actuais projectos desenvolvidos na área Ciência na Sociedade da União Europeia

      O objectivo deste trabalho é apresentar os resultados de um primeiro estudo acerca do modo como o "engagement" é abordado nos projectos actualmente em curso financiados pelo 7º Programa-Quadro (FP7) da Comissão Europeia, na área Ciência na Sociedade (SIS). Em 2010, foram identificados dezasseis projectos voltados para a comunicação científica, em especial a participação pública na ciência, a partir da perspectiva do “engagement”. Após a selecção dos projectos em curso, os líderes dos projectos foram entrevistados por e-mail acerca dos seguintes temas: 1) o público a que se destinavam; 2) o significado de “engagement” na ciência; 3) por que o público deve envolver-se na ciência; 4) as técnicas utilizadas e que visam promover o “engagement” e 5) as expectativas em relação ao público. Os entrevistados tiveram que responder as questões a partir do projecto que coordenavam. Dos dezasseis líderes de projecto, nove responderam às perguntas. A partir das respostas, observou-se que, embora o modelo do “engagement” pareça estar disseminado entre os actuais projectos desenvolvidos na área Ciência na Sociedade, consoante o projecto, o “engagement” não tem o mesmo sentido e nem é necessariamente visto enquanto modelo de comunicação pública da ciência. De facto, o uso corrente do termo “engagement”, às vezes parece servir muito mais como recurso retórico do que propriamente referir-se a iniciativas comprometidas com um certo modelo de participação pública, visto como alternativo ao antigo modelo do défice. Num certo sentido, isto ratifica algumas afirmações de alguns autores sobre a maioria das iniciativas estabelecidas em torno da noção de engagement serem meras recriações da perspectiva do défice. A análise das respostas também considerou o modo como a ciência e o público são abordados, especialmente os valores e o que se espera da relação entre a ciência e o público. Para isso, utilizou-se como referência o Quadro Analítico dos Modelos de Comunicação Científica, de Brian Trench (2008).
  • Investigadora do Instituto de Bioética da Universidade Católica Portuguesa (Porto)
    Doutorada em Ciências da Comunicação pela Universidade federal do Rio de Janeiro
    Interesses de investigação: Comunicação da ciência; comunicação da saúde; risco; ciência e público