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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

Requisitos Mínimos:
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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Editorial

ST7 Conhecimentos, Ciência e Tecnologia[ Voltar às Áreas ]

Mesa nº 5 - Tecnociencia, biomedicina e valores[ Voltar às Mesas ]

  • PAP1335 - Para uma cartografia dos estudos do envelhecimento eritrocitário
    Resumo de PAP1335 - Para uma cartografia dos estudos do envelhecimento eritrocitário 
    •  ALMEIDA, Maria Strecht CV - Não disponível 
    • PAP1335 - Para uma cartografia dos estudos do envelhecimento eritrocitário

      O presente trabalho reporta um estudo sobre a dinâmica de investigação de um problema particular nas ciências da vida e biomedicina – o envelhecimento do eritrócito (ou célula vermelha) – e no qual se procura o seu mapeamento. Os eritrócitos constituem a população celular mais abundante do sangue humano, sendo desde meados do século XX bem conhecido que, na saúde e em condição normal, o eritrócito tem um tempo de vida na corrente sanguínea de aproximadamente cento e vinte dias; durante esse período o eritrócito sofre um processo de envelhecimento que culmina com remoção selectiva das células velhas. A investigação em torno deste processo de envelhecimento celular tinha tido a sua origem em trabalhos levados a cabo pelos anos vinte e ligados ao interesse em melhor compreender a base de anemias hemolíticas. Mais tarde, o eritrócito tornou-se um modelo experimental privilegiado nos estudos do envelhecimento celular. Pelos anos setenta e oitenta, é clara uma linha de investigação neste sentido: o eritrócito, uma célula que nos mamíferos é especialmente simples – desprovida de material genético, por exemplo –, seria pela sua simplicidade um modelo experimental útil na investigação de processos de envelhecimento e as expectativas sobre o conhecimento que proporcionaria estendiam-se à sua aplicabilidade a sistemas mais complexos incluindo o organismo inteiro. O eritrócito como modelo no estudo do envelhecimento tem, nesse período, um lugar destacado, sendo um modelo experimental inicial importante na biogerontologia. A evolução temporal do número de publicações relacionadas segue um padrão interessante e em conjunto com indicadores de crescimento global da biogerontologia mostra claramente que nesses estudos os investigadores deixaram a privilegiar este modelo experimental. Quando se olha o cenário dos estudos do envelhecimento eritrocitário na sua dimensão mais ampla, uma das questões que se coloca é a de saber como se articulam os estudos do envelhecimento desta célula per se (que têm expressão no âmbito da clínica e ainda da preservação em banco) e os estudos do eritrócito como modelo experimental na investigação do envelhecimento celular. Pode interrogar-se ainda: como circula (ou se apropria) o conhecimento que vai sendo produzido? em que contextos ocorreu a mobilização de investigadores de (e para) diferentes áreas? Com base numa análise bibliomética/cientométrica do crescimento do campo de investigação – foram explorados indicadores de produtividade e de relações –, apresenta-se um mapeamento da dinâmica de investigação deste tema concreto e discute-se o que esse pode mostrar na perspectiva mais alargada do campo das ciências da vida e biomedicina.
  • PAP0695 - Iniciativas colaborativas para aproximar as ciências da vida e ciências sociais da sociedade
    Resumo de PAP0695 - Iniciativas colaborativas para aproximar as ciências da vida e ciências sociais da sociedade PAP0695 - Iniciativas colaborativas para aproximar as ciências da vida e ciências sociais da sociedade
    •  CASTRO, Irina CV - Não disponível 
    •  NEVES, Daniel CV - Não disponível 
    •  SERRA, Rita CV - Não disponível 
    •  SANTOS, José Borlido CV - Não disponível 
    •  MARTINS, Sónia CV - Não disponível 
    •  SILVA, Sandra CV - Não disponível 
    •  NUNES, João Arriscado CV - Não disponível 
    • PAP0695 - Iniciativas colaborativas para aproximar as ciências da vida e ciências sociais da sociedade

      A crescente complexidade resultante do envolvimento da ciência com distintos públicos tem estimulado o desenvolvimento de novas abordagens para a compreensão da ciência, educação científica e investigação, por um lado, e das preocupações, experiências e conhecimentos do público, por outro. Iniciativas como as Science Shops ou investigações de cariz comunitário e participativo são fundamentais para a promoção de diálogos inovadores entre a ciência e diferentes públicos e comunidades. Através dos distintos modelos de investigação-ação, essas iniciativas procuram ampliar o espaço da ciência para projetos colaborativos que operem na intersecção das ciências sociais e ciências da vida, em domínios como os da saúde e do ambiente. Desta forma, cientistas e públicos leigos podem trabalhar em conjunto na identificação de problemas relevantes e projetar, implementar e avaliar respostas adequadas. No entanto, e apesar da diversidade a nível mundial de experiências e modelos de investigação deste tipo de iniciativas, Portugal surge como um dos poucos países que não apresenta uma tradição nestes modelos. Assim, e inspirada nestas experiências, foi criada uma unidade de investigação que promove atualmente uma série de projetos de investigação-ação. Alguns destes incluem associações de doentes e organizações ligadas à promoção dos direitos de pessoas portadoras de diferentes tipos de deficiência ou criadoras de estigma social, comunidades de imigrantes e escolas, entre outros, com o objetivo de demonstrar as características inovadoras e as potencialidades destas abordagens. O projeto “ (BioSense) O envolvimento da ciência com a sociedade: Ciências da Vida, Ciências Sociais e Públicos ”, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, visa criar e implementar esta unidade dentro de universidades e centros de investigação em Portugal. Neste momento envolve os esforços das Universidades de Coimbra e Porto através da cooperação do Centro de Estudos Sociais e do Instituto de Biologia Molecular e Celular, respectivamente. Como parte das estratégias de implementação, foram estabelecidas parcerias de trabalho com outras instituições de investigação, e com estudantes de doutoramento, pós-doutorados e projetos de investigação e extensão. Como parte do BioSense foi também criada uma plataforma online (http://biosense.org.pt) para a partilha dessas experiências, com informação sobre os projetos em curso, tal como para divulgação de iniciativas de formação de facilitadores para o trabalho de investigação.
  • PAP0397 - Debates éticos em torno da investigação em embriões de origem humana
    Resumo de PAP0397 - Debates éticos em torno da investigação em embriões de origem humana 
    •  ALVES, Bruno CV - Não disponível 
    • SILVA, Susana CV de SILVA, Susana
    • PAP0397 - Debates éticos em torno da investigação em embriões de origem humana

      Desde 2006 que, em Portugal, os embriões de origem humana sem possibilidade de envolvimento num projeto parental podem ter como destino a investigação científica (Lei n.º32/2006, de 26 de Julho). A disseminação da investigação em embriões de origem humana como um imperativo terapêutico de mobilização coletiva tem contribuído para a sua configuração numa questão de saúde pública que suscita problemáticas normativas e éticas. Nesta comunicação pretendemos compreender os temas que orientam o debate ético em torno da investigação em embriões de origem humana em Portugal, perspetivando tal conhecimento como um elemento fundamental para que a participação de todos os cidadãos nesse debate se materialize. O mapeamento dos documentos éticos produzidos no âmbito da investigação em embriões de origem humana no nosso país foi realizado através de uma pesquisa nas bases de dados do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida, Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida e Associação Portuguesa de Bioética, utilizando para o efeito as palavras-chave “embrião” ou “embriões”. Selecionaram-se para análise de conteúdo doze documentos emitidos entre janeiro de 2006 e dezembro de 2010. O debate ético sobre a investigação em embriões de origem humana envolveu apenas especialistas, sobretudo na área da medicina, e centrou-se em três temas principais; 1) classificação do estatuto do embrião de origem humana, acentuando-se a sua dimensão biológica, em alinhamento com a perspetiva concepcionista do embrião; 2) princípios que devem orientar o equilíbrio entre as expectativas e os riscos associados à investigação em embriões de origem humana; 3) e princípios que sustentam a discussão ética neste domínio. Os resultados mostram a diversidade de posições e argumentos usados neste debate, quer entre organismos, quer entre os elementos de um mesmo organismo. A discussão baseia-se na potencial instrumentalização dos embriões de origem humana e na definição dos princípios que devem orientar o controlo e a regulação das práticas de investigação em embriões de origem humana. Ao mesmo tempo, tal debate alerta para a avaliação das expectativas da opinião pública, num contexto em que a escassez de comprovação empírica dos resultados prometidos pela investigação com células estaminais embrionárias deve ser complementada por pesquisas de soluções médicas que utilizem fontes e tecnologias alternativas. Conclui-se que a discussão dos aspetos éticos associados à investigação em embriões de origem humana focaliza-se nos princípios morais e socioculturais que devem ser usados para regulamentar tal prática científica e enquadra-se numa bioética interventiva onde está ausente a reflexão sobre as visões e experiências dos casais que tornam possível a concretização da investigação em embriões de origem humana.
  • Susana Silva
    susilva@med.up.pt

    Susana Silva, doutorada em Sociologia, é investigadora auxiliar no Departamento de Epidemiologia Clínica, Medicina Preditiva e Saúde Pública da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, exercendo as suas atividades no Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP). Na investigação privilegia o estudo da compreensão pública da biotecnologia e da saúde e dos usos sociais das tecnologias reprodutivas e genéticas. Participa em diversos projetos financiados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, destacando-se a coordenação de estudos sobre as decisões dos casais em torno do destino dos embriões criopreservados e papéis parentais e conhecimento em unidades de cuidados intensivos neonatais. Tem publicações recentes em revistas internacionais, como a Sociology of Health & Illness; Health; Health, Risk & Society; PLoS ONE; Journal of Biomedicine and Biotechnology; Forensic Science International; New genetics and society; e BioSocieties.

  • PAP0284 - As decisões dos casais em torno dos destinos dos embriões
    Resumo de PAP0284 - As decisões dos casais em torno dos destinos dos embriões 
    • SILVA, Susana CV de SILVA, Susana
    • MACHADO, Helena CV de MACHADO, Helena
    •  SAMORINHA, Catarina CV - Não disponível 
    • SOUSA, Sandra CV de SOUSA, Sandra
    •  RODRIGUES, Teresa CV - Não disponível 
    • PAP0284 - As decisões dos casais em torno dos destinos dos embriões

      Desde 2006, ano em que foi publicada a lei da procriação medicamente assistida (Lei n.º32/2006, de 26 de Julho), que os casais envolvidos nestas técnicas se veem confrontados com a necessidade de decidir os destinos a dar aos seus embriões criopreservados. Nesta comunicação apresentamos os resultados de um inquérito aplicado entre 17 de agosto e 16 de novembro de 2011 a 118 indivíduos (48 casais e 22 mulheres) envolvidos em 70 casos de fertilização in vitro ou injeção intracitoplasmática de espermatozoides na Unidade de Medicina da Reprodução do Hospital de S. João (Porto), visando analisar as experiências e visões dos casais quanto aos direitos, deveres e responsabilidades associados ao processo de decisão em torno dos destinos dos embriões. O questionário foi administrado quando os casais realizavam o exame para confirmar gravidez. Este permitiu a obtenção de dados sociodemográficos e informações sobre o tipo de decisão tomada quanto aos destinos dos embriões criopreservados, opiniões sobre os motivos que justificam tais decisões e sobre a investigação em embriões de origem humana, história reprodutiva do casal, perceção do suporte social e avaliação interpessoal da relação conjugal. No formulário atual de consentimento informado para criopreservação de embriões, aprovado em outubro de 2008, os casais deverão escrever “sim” ou “não” à frente das seguintes afirmações: “Consentimos no uso dos nossos embriões para doação a outros casais inférteis” e “Consentimos no uso dos nossos embriões em projetos de investigação científica”. A grande maioria dos casais (85,7%; n=60) autorizou o uso dos seus embriões em projetos de investigação e apenas 11,4% (n=8) não o consentiu. A proporção de casais que autorizou a doação dos seus embriões para outros casais inférteis é comparativamente mais baixa (52,9%; n=37), aumentando a percentagem daqueles que recusaram tal opção (38,6%; n=27). Conclui-se que as novas formas de cidadania tecnológica e biogenética resultantes das aplicações de técnicas de procriação medicamente assistida em Portugal parecem revelar uma elevada recetividade do público leigo ao progresso científico e tecnológico, ilustrada pela proporção de casais que consentem doar os seus embriões para investigação científica. Esta decorre da valorização da ciência e da tecnologia como instrumentos ao serviço da humanidade e de relações sociais de poder assentes na celebrização do poder médico. As decisões dos casais quanto à doação de embriões a casais inférteis podem traduzir a multidimensionalidade das representações sociais de parentesco e filiação, onde a primazia dos vínculos biogenéticos nas relações sociais entre pais e filhos coexiste com uma crescente fragmentação da família tradicional baseada nos laços genéticos.
  • Susana Silva
    susilva@med.up.pt

    Susana Silva, doutorada em Sociologia, é investigadora auxiliar no Departamento de Epidemiologia Clínica, Medicina Preditiva e Saúde Pública da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, exercendo as suas atividades no Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP). Na investigação privilegia o estudo da compreensão pública da biotecnologia e da saúde e dos usos sociais das tecnologias reprodutivas e genéticas. Participa em diversos projetos financiados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, destacando-se a coordenação de estudos sobre as decisões dos casais em torno do destino dos embriões criopreservados e papéis parentais e conhecimento em unidades de cuidados intensivos neonatais. Tem publicações recentes em revistas internacionais, como a Sociology of Health & Illness; Health; Health, Risk & Society; PLoS ONE; Journal of Biomedicine and Biotechnology; Forensic Science International; New genetics and society; e BioSocieties.

    Helena Machado
    hmachado@ics.uminho.pt

    Helena Machado é doutorada em sociologia e professora associada com agregação no Departamento de Sociologia da Universidade do Minho. É membro do Centro de Investigação em Ciências Sociais e do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Os seus interesses de investigação centram-se na área da sociologia da genética forense, da genetização das relações sociais, e das representações mediáticas em torno da tecnologia no combate ao crime. Tem coordenado diversos projetos de investigação sobre esses temas, com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Desenvolve investigação pioneira em Portugal sobre os impactos sociais, jurídicos e éticos da utilização de tecnologia de DNA em contextos forenses.
    Sandra Sofia Moreira de Sousa, bolseira de investigação no Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, licenciada em Sociologia das Organizações pela Universidade do Minho (1998) e mestre em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (2010), tem como interesses de investigação a área da ciência e tecnologia, nomeadamente a vertente da reprodução medicamente assistida.
  • PAP0091 - Laboratórios do sujeito: práticas de meditação como agenciamentos heterogéneos
    Resumo de PAP0091 - Laboratórios do sujeito: práticas de meditação como agenciamentos heterogéneos PAP0091 - Laboratórios do sujeito: práticas de meditação como agenciamentos heterogéneos
    • CARVALHO, António CV de CARVALHO, António
    • PAP0091 - Laboratórios do sujeito: práticas de meditação como agenciamentos heterogéneos

      A literatura dos estudos de ciência e tecnologia tem abordado aspectos de performatividade e política ontológica em temas tão diversos como a medicina (Mol, 1999), a economia (Callon, 1998), metodologias das ciências sociais (Law, 2004) e a cibernética (Pickering, 2010). O tema da performatividade também tem sido um tópico central para o feminismo (Butler, 1990) e para a filosofia da ciência (Barad, 2003). Tendo como pano de fundo essa mesma literatura, o meu objectivo nesta apresentação é analisar práticas de meditação Vipassana e Zen como mecanismos que visam performar modelos de subjectividade. Através de observação participante em retiros, entrevistas semi-estruturadas, uma extensa revisão de literatura e a análise de experiências com meditação, pretendo demonstrar que os retiros vipassana funcionam como máquinas para transformar o "eu” através do recrutamento de dispositivos heterogéneos, tanto humanos como não humanos. Estes mecanismos comportam a modificação da performance psicossomática do sujeito através da aplicação de tecnologias meditativas, a regulação de aspectos organizacionais e ambientais e o recurso a diversos actantes (como sinos ou televisões transmitindo discursos durante os retiros). Estas formas calculadas de promover diversas associações têm um telos específico - o desenvolvimento de um ethos performativo (Spry, 2010) que governa a forma como o sujeito regula a esfera pessoal e inter-subjectiva. De facto, estas diferentes tecnologias contêm projectos para a transformação do sujeito através da modulação dos seus automatismos e dos ambientes que o rodeiam, constituindo projectos do humano. Tal possibilita que as interpretemos como agenciamentos heterogéneos para a subjectivação do indivíduo meditativo, como redes tecno-espirituais que visam uma modificação do sujeito. Como estes dois movimentos espirituais têm aplicações sociais mais vastas (como a introdução de cursos Vipassana em prisões para “disciplinar” os automatismos dos prisioneiros, ou a organização de retiros Israelo-Palestinianos, considerando o ethos meditativo como “motor” para a paz mundial), estes situam a prática da meditação numa agenda tecno-ontológica mais vasta. De facto, estas práticas recorrem à modulação tecnológica do indivíduo para governar a esfera psicológica e a social. Reconhecendo a interligação entre o subjectivo, o social e o tecnológico, os modos como diferentes camadas ontológicas são transformadas através da meditação serão explorados através de uma abordagem performativa.
  • António Carvalho é doutorando no departamento de sociologia e filosofia da Universidade de Exeter, Reino Unido, e investigador associado do centro de estudos sociais da Universidade de Coimbra. É licenciado em filosofia e mestre em sociologia. Os interesses de investigação dizem respeito aos estudos de ciência e tecnologia, tecnologias do sujeito e práticas de meditação.
  • PAP0017 - O humano na contemporaneidade: a utopia do homem perfeito e as deficiências
    Resumo de PAP0017 - O humano na contemporaneidade: a utopia do homem perfeito e as deficiências PAP0017 - O humano na contemporaneidade: a utopia do homem perfeito e as deficiências
    • MOURA, Simone Moreira de CV de MOURA, Simone Moreira de
    • PAP0017 - O humano na contemporaneidade: a utopia do homem perfeito e as deficiências

      Os progressos científicos, sobretudo os que dizem respeito à revolução genética, trazem à tona a preocupação com um possível mau uso desta e de sua indiscriminada exploração comercial, circunstância em que a liberdade individual, anunciada como uma liberdade de escolha sem precedentes, poderia estar ferindo a dignidade e os direitos humanos, compondo um novo cenário tão sombrio quanto os anteriores, visto que a seleção e o descarte dos incapazes, deficientes e ineficientes não se dariam mais pela via do extermínio, mas pela salvação dos eleitos, estes manipulados, programados e legitimados por argumentos científicos. Para tal análise apoio-me, em grande parte em grande parte, em proposições do paradigma semiótico, como caracterizado por Ginzburg (1989), uma metodologia que valoriza o pensamento conjetural, além de acolher o ensaio como gênero de composição do trabalho. Tomo por base especialmente publicações acadêmicas em diálogo com a produção cinematográfica intitulada Gattaca: a experiência genética (1997). Abordo neste entrelaçamento de produtos culturais, impactos e dilemas relacionados às inovações tecnológicas, em particular, as da engenharia genética e sua relação com as deficiências, ao problematizar a busca de melhorias da vida do homem pautada por um discurso científico que cada vez mais tende a almejar a ordenação das diferenças em nosso mundo, fixando-as no âmbito da norma e das diagnoses, com a promessa ou a efetiva oferta de intervenções que viabilizariam a cura ou a reparação de imperfeições humanas, sobretudo nas deficiências, cuja existência poderia ser previamente eliminada.
  • Simone Moreira de Moura
    Graduada em Pedagogia pela Universidade Federal de Juiz de Fora, Mestre e
    Doutora em Educação pela Universidade Metodista de Piracicaba. Atualmente
    é docente na Universidade Estadual de Londrina, Departamento de Educação.
    Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Educação Especial. Os
    temas a seguir aparecem com maior frequência nas ações, estudos e
    publicações: Educação e Dversidade, Educação Inclusiva, Deficiências,
    Eugenia e as Novas Tecnologias. Líder do Grupo de Pesquisa GEPEDETC (Grupo
    de Estudos e Pesquisa em Educação, Deficiências e Tecnologias). Aprovada
    para o Pós doutorado no Instituto de Psicologia da Universidade do Estado
    de São Paulo (USP) com o tema: Eugenia e Deficiências.