PAP1286 - As incubadoras sociais como modelos de transferência de tecnologia nas universidades: reconhecimento, redistribuição e justiça
As mudanças na sociedade contemporânea, nomeadamente a passagem de uma sociedade industrial para uma sociedade da “economia do conhecimento” (Jessop, 2010) fundamentada na ideologia de justificação do “espírito do capitalismo” (Boltanksi & Chiapello, 2009) privilegiaram o desenvolvimento da área científica, sobretudo na chamada pós – revolução industrial. A abordagem teórica proposta pelo modelo da tripla hélice de Etzowitz e Leydesdorrf (1997), a teoria das redes sociotécnicas (Latour, 2005), e as teorias sobre as ciências e conhecimento (Stokes, 1998, Popper, 1972) marcaram as mudanças epistemológicas e metodológicas das relações estabelecidas entre universidades, Estado e mercado.
Tais transformações impulsionaram outros contornos para o debate sobre ciência e tecnologia, ao passo que as universidades passaram a adoptar novos modelos de produção do conhecimento comprometidos particularmente com o desenvolvimento económico. Deste modo, a universidade deixou de produzir o conhecimento onde valorizava-se sobretudo o processo de construção, para focalizar em relações e dinâmicas quer seja com o Estado, quer seja com o mercado. Estas mudanças impulsionaram alterações em aspectos importantes das universidades, nomeadamente o tipo de contrato social estabelecido com a sociedade (Dagnino, 2006).
Ao considerarmos os modelos atuais de transferência de saberes utilizados pelas universidades, verifica-se uma acentuada invisibilidade e exclusão dos segmentos não lucrativos. Haja vista, que o modelo teórico da triple helix circunscrito nos conceitos do conhecimento e da inovação, por um lado não promove interfaces com as chamadas epistemologias de fronteira e não elucida o compromisso social das ciências, e por outro não inclui nas redes estabelecidas outros atores. Assim, tem-se a emergência de novos modelos de produção do conhecimento, em particular a expansão para modelos como a quadruple helix (Carayannis, & Campbell, 2009), o surgimento das incubadoras tecnológicas, e mais recentemente na América Latina e como alternativa prática, as incubadoras sociais comprometidas essencialmente na transferência de tecnologia para organizações da economia social.
E portanto, o presente trabalho, tenciona apresentar um modelo analítico sobre as condições de construção de um paradigma alternativo ao modelo triple hélix, com base nas transições paradigmática da ciência pós – moderna (Santos, 2009), e na consequente exigência de reconfiguração e incorporação da justiça social numa lógica de sustentação mútua entre redistribuição e reconhecimento (Fraser, 2006; Santos, 2006). Optou-se como método a análise do desenvolvimento de metodologias alternativas como as incubadoras académicas sociais e a revisão dos mecanismos de interação da "tripla hélice" face aos desafios das sociedades contemporâneas.