• English version
  • Versão Portuguesa
  • Versão Espanhola
  • Versão Francesa


VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

Requisitos Mínimos:
Windows XP ou superior.
Adobe Acrobat Reader

©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Editorial

Identidades, Valores e Modos de Vida[ Voltar às Áreas ]

Mesa nº 4 - Identidades Juvenis[ Voltar às Mesas ]

  • PAP1408 - O impacto das TIC no quotidiano juvenil: implicações para as dinâmicas de confiança, autonomia e identidade pessoal
    Resumo de PAP1408 - O impacto das TIC no quotidiano juvenil: implicações para as dinâmicas de confiança, autonomia e identidade pessoal PAP1408 - O impacto das TIC no quotidiano juvenil: implicações para as dinâmicas de confiança, autonomia e identidade pessoal
    • FERREIRA, Nuno CV de FERREIRA, Nuno
    • PAP1408 - O impacto das TIC no quotidiano juvenil: implicações para as dinâmicas de confiança, autonomia e identidade pessoal

      Esta comunicação pretende apresentar os resultados de uma pesquisa feita no âmbito de uma tese de doutoramento em sociologia na qual se procura desmontar – em disposições e atitudes – as diversas práticas relacionadas com as TIC, entrelaçadas com as dinâmicas de sociabilidade, práticas identitárias e autonomia de adolescentes de classe média urbana e escolarizada. Pretende-se, pois, dar a conhecer os resultados do estudo que utilizou um dispositivo metodológico baseado numa série de entrevistas a jovens e um inquérito extensivo, por questionário. As TIC, tornaram-se ferramentas predominantes para a coordenação da vida diária, para a actualização de si próprio e das relações sociais. O impacto do telemóvel no quotidiano juvenil, imprime novos ritmos e formas de comunicar. A sobrevalorização da contingencialidade das regras sociais exprime-se na coordenação das actividades diárias, a qual é negociada e alterada no momento, assumindo um carácter flexível e potenciando, ainda, aspectos da autonomia pessoal (Stald; Castells). Outra característica impactante nas disposições quotidianas dos jovens é a possibilidade de conectividade permanente, seja através de SMS’s, telefonemas ou da internet. Alguns indícios recolhidos na pesquisa revelam uma preponderante necessidade de comunicação e actualização instantâneas. As consequências para a sociabilidade são imensas. Refira-se, por exemplo, a interrupção do fluxo normal de interacção em co-presença, ou a permeabilidade das próprias relações amorosas face aos riscos associados à privacidade ou a um acesso virtualmente ilimitado às redes sociais. As implicações para a identidade pessoal tornam-se importantes se tivermos em conta o feedback social facilitado e instantâneo dos outros: se este for positivo, os ganhos para a confiança – um dos pilares da construção identitária – são integrados no mundo offline. Contudo, uma sobrevalorização do feedback poder minar a autonomia, evidenciando um conflito latente entre as escolhas pessoais e estilo de vida e a importância da aprovação instantânea – porque mais facilitada e mais rápida – das amizades virtuais ou reais. O risco aumenta com a conectividade permanente, que permite contornar a solidão. Apesar de terem sido observadas diferentes atitudes perante o uso do telemóvel, sobressaem traços de dependência comunicacional e mesmo alguma compulsividade onde, por exemplo, as chamadas e SMS’s assumem uma função fática – manter a comunicação como o principal objectivo, em detrimento do conteúdo. O telemóvel torna-se, assim, um meio de suporte instantâneo e presença emocional (Stald) actuando como um “substituto” da confiança (Giddens). O quotidiano juvenil actual parece, assim, ser pautado por complexas dinâmicas de confiança e de reciprocidade, sendo que esta parece assumir um carácter mais imediatista (contingencial) em detrimento de um ethos coerente ao nível dos valores.
  • Nuno Ferreira: licenciado em Sociologia pelo ISCTE-IUL. Presentemente
    a terminar o
    doutoramento em Sociologia pela mesma instituição. Tem como interesses de
    pesquisa as metodologias de investigação, a identidade pessoal, os processos
    educativos e juventude. Assistente convidado na ESECS - Instituto
    Politécnico de Leiria.
  • PAP0735 - Illusio perversa: a construção da identidade juvenil em territórios de exceção
    Resumo de PAP0735 - Illusio perversa: a construção da identidade juvenil em territórios de exceção 
    •  CAVALCANTE, Ricardo Moura Braga CV - Não disponível 
    •  FREITAS, Geovani Jacó de CV - Não disponível 
    • PAP0735 - Illusio perversa: a construção da identidade juvenil em territórios de exceção

      Diversamente dos modelos tradicionais de socialização descritos por Bourdieu (2001), como a família e a escola, os jovens e adolescentes do Jangurussu, um dos bairros mais pobres e violentos da cidade de Fortaleza-Ceará, veem a inserção no mercado ilegal do tráfico de entorpecentes como uma forma de dar vazão a sua fonte de energia vital. Esse modelo de entrada na vida adulta, como pudemos observar por meio de entrevistas, parece ser a regra do jogo social naquele território de exceção (CAVALCANTE, 2011), é a sua illusio, na definição do sociólogo francês. Mais do que uma questão meramente econômica, a filiação a esse mundo da violência e da droga apresenta-se como um componente definidor e estruturador de identidades. Talvez resida aí a razão de muitos adolescentes não conseguirem explicar por que decidiram se envolver com esse tipo de atividade e, principalmente, por que não conseguem deixá-la. Sua adesão ocorre quase que sob o efeito de uma força gravitacional irresistível. Reformulando o conceito desenvolvido por Zaluar (2004), poderíamos dizer que o que ocorre no Jangurussu – e, por extensão, a uma série de regiões em que o tráfico se apresenta como a atividade econômica predominante - é uma illusio perversa. Sem levar isso em consideração, acreditamos ser muito difícil compreender as relações sociais nesse território. Um ponto comum nos relatos dos adolescentes ouvidos durante a pesquisa é a ausência ou pouca influência dos pais em suas ações cotidianas, aliada à insignificância da instituição escolar em suas vidas. A presença do Poder Público é quase nula no Jangurussu. Por causa disso, seu poder de socialização torna-se pouco relevante. Paralelamente a isso, as famílias deixam de ter influência sobre esses jovens muito cedo, conforme relatos ouvidos. Em determinado momento de suas trajetórias, eles abandonam essas duas instituições rumo a um mundo novo marcado pela autoafirmação constante e mediado pela violência. As regras do jogo social de uma parcela significativa dos adolescentes do Jangurussu são adquiridas então em meio a grupos secundários de socialização, como os amigos e, mais adiante, criminosos mais experientes que passaram, muitas vezes, pelo mesmo processo de formação identitária. O ingresso no mundo do crime ocorre sempre após um chamado, uma proposta que oferece, de certa maneira, um propósito à vida daquela pessoa em formação. Do ponto de vista da constituição de identidade, que outras illusios existentes no bairro possuem tanta força, a ponto de se opor a essa trajetória? Evidentemente, não se trata aqui de afirmar que todos os adolescentes do bairro têm suas identidades constituídas por meio dessa socialização secundária. O que queremos ressaltar é que, pelas razões já expostas, eles se encontram bastante suscetíveis a isso.
  • PAP0615 - A inserção dos estudantes estrangeiros englobados em programas de mobilidade universitária na comunidade académica da Universidade do Minho e no contexto social circundante
    Resumo de PAP0615 - A inserção dos estudantes estrangeiros englobados em programas de mobilidade universitária na comunidade académica da Universidade do Minho e no contexto social circundante PAP0615 - A inserção dos estudantes estrangeiros englobados em programas de mobilidade universitária na comunidade académica da Universidade do Minho e no contexto social circundante
    • FERREIRA, Filipe CV de FERREIRA, Filipe
    • PAP0615 - A inserção dos estudantes estrangeiros englobados em programas de mobilidade universitária na comunidade académica da Universidade do Minho e no contexto social circundante

      Este artigo reporta os resultados de uma investigação realizada no âmbito da licenciatura em Sociologia na Universidade do Minho. A partir das experiências de convívio numa residência universitária, onde residimos durante três anos, foi possível obter muitos contactos com estudantes estrangeiros de mobilidade universitária. Nesta convivência permanente percebemos que a inserção destes estudantes dentro da comunidade académica local, bem com o meio social envolvente da universidade, era uma questão pertinente. A partir desse ponto, observamos um certo distanciamento dentro da própria sala de aula entre os estudantes portugueses e os estrangeiros que frequentavam as nossas unidades curriculares. Um afastamento que, na nossa óptica, ia para além da sala de aula. Se por um lado os rituais de acolhimento têm os objectivos de inserir principalmente os estudantes portugueses que se matriculam para completar a licenciatura na Universidade do Minho, por outro, os estudantes estrangeiros têm o seu próprio espaço de acolhimento e constroem os seus próprios eventos e celebrações, como festas e passeios. Todos estes factores de complexidade, mas igualmente de distaciamento dos estudantes estrangeiros englobados em programas de mobilidade universitário com a comunidade académica local e no meio social da Universidade do Minho, integram o nosso objecto de estudo. Para compreender tais aspectos, foi fundamental enquadrar teoricamente o estudante universitário da academia minhota a partir de estudos realizados por Almeida et all (2002). Com base nestas investigações, partimos para uma observação empírica sobre os percursos de inserção dos estudantes estrangeiros englobados em programas de mobilidade universitária na comunidade académica local, bem no meio social que rodeia a Universidade do Minho. Esta observação foi apoiada em entrevistas semi-estruturadas realizadas a estes estudantes, que partilharam suas experiências e representações durante o intercâmbio que fizeram em Portugal. Experiências estas marcadas por um certo distaciamento em relação aos colegas portugueses, por falta de reciprocidade por parte destes últimos. Este distanciamento não se verifica no que toca ao meio social da cidade de Braga, onde os estudantes demonstram um sentimento de pertença quando se fala da cidade.
  • Filipe André Von Nordeck Sousa Ferreira
    Universidade do Minho
    Mestrando de Sociologia - Desenvolvimento e Políticas Sociais

    Cultura e Estilos de vida
    Mobilidade e dinamicas sociais
    Desenvolvimento e Políticas Sociais
  • PAP0489 - “Mas os ricos não moram aqui!”: identidade, estigmatização e media na percepção de crianças e jovens de um bairro social
    Resumo de PAP0489 - “Mas os ricos não moram aqui!”: identidade, estigmatização e media na percepção de crianças e jovens de um bairro social 
    • MARÔPO, Lidia CV de MARÔPO, Lidia
    •  MEIRINHO, Daniel CV - Não disponível 
    • PAP0489 - “Mas os ricos não moram aqui!”: identidade, estigmatização e media na percepção de crianças e jovens de um bairro social

      Notícias relacionadas a acontecimentos violentos ocorridos na Quinta do Mocho, em Sacavém, Loures, são frequentes nos telejornais e jornais impressos do país. Notícias positivas, no entanto, são raras. O bairro foi construído há nove anos para realojar famílias provenientes principalmente das ex-colónias africanas que viviam em barracas desde a década de 1980. Hoje é habitado por cerca de 2600 moradores, dos quais aproximadamente 700 são crianças (de 0 a 18 anos). Frequentemente rotulado como “problemático” pelos media, o bairro, por outro lado, é um espaço fundamental de construção da identidade de crianças e jovens filhos de imigrantes, que se recusam a chamar o sítio onde vivem pela denominação oficial (Urbanização Terraços da Ponte) e continuam a identificá-lo pelo antigo nome do “bairro de lata” onde viveram seus pais ou avós. Apesar dos inúmeros relatos que caracterizam a estigmatização de que são vítimas – “Os meus familiares não vêm cá. Pensam que vão logo ser assaltados.”/ “Os taxistas não querem entrar aqui”/ “Alguns dizem na escola: Vou lá pôr o pé e levo um tiro na cabeça e sou assaltado!” – as crianças e jovens afirmam gostar do sítio onde vivem, especialmente pela convivência com os amigos e pessoas do local. A estigmatização parece ser vista como uma ameaça externa e inevitável, contraposta com uma forte identidade de pertença comunitária, revelada em múltiplas formas que por vezes confirmam e outras contradizem o estereótipo do bairro e dos jovens “problemáticos” construído pelos media. Neste artigo, partimos de diversas metodologias qualitativas (grupos de discussão, entrevistas, produção de vídeos/fotos e observação participante) aplicadas em encontros semanais durante seis meses com cerca de 25 crianças e jovens entre 9 e 16 anos no Projeto Esperança (Programa Escolhas) para analisar processos de construção identitária e de negociação de sentidos num contexto de exclusão social, com especial atenção para a influência mediática.
  • Lidia Marôpo
    Investigadora de pós-doutoramento no Centro de Investigação Media e Jornalismo/Universidade Nova de Lisboa
    Professora auxiliar na Universidade Autónoma de Lisboa
    Doutorada em Ciências da Comunicação (FCSH/UNL)
    Interesses de investigação: representações de crianças e jovens no discurso noticioso, crianças e jovens como audiências dos media, sociologia da infância e sociologia do jornalismo.
  • PAP0216 - Jovens (sub)urbanos: identidades e estilos de vida juvenis no Pica Pau Amarelo
    Resumo de PAP0216 - Jovens (sub)urbanos: identidades e estilos de vida juvenis no Pica Pau Amarelo PAP0216 - Jovens (sub)urbanos: identidades e estilos de vida juvenis no Pica Pau Amarelo
    • BARBIO, Leda CV de BARBIO, Leda
    • PAP0216 - Jovens (sub)urbanos: identidades e estilos de vida juvenis no Pica Pau Amarelo

      Esta comunicação baseia-se na pesquisa que estamos a desenvolver no âmbito do Doutoramento em Sociologia Urbana. Trata-se de um estudo de caso do Bairro Amarelo em Almada, especificamente dos jovens deste bairro. Interessava-nos perceber se a uma imagem exterior de uma população homogénea (de jovens "párias urbanos" e marginais e/ou anómicos) correspondia uma realidade interna. Através da pesquisa de terreno - observação participante, conversas informais e entrevistas - cedo começámos a perceber que não estamos, de facto, na presença de uma população homogénea. Estes jovens apresentam, com efeito, diversas estratégias de vida, diversas formas de configuração das suas identidades e de gestão de si face aos "outros significativos". Podemos identificar, assim, diversos estilos de vida entre estes jovens. Num primeiro grupo encontramos os jovens que desenvolvem as suas sociabilidades, estilos de vida e identidade nas imediações da actividade desenvolvida pelas instituições representantes da Política Pública desenvolvida nos "bairros críticos" (nomeadamente através do Programa Escolhas e da Santa Casa da Misericórdia de Almada), girando a sua vida em torno das propostas de actividades destas instituições. Num outro grupo identificamos jovens que se “constroem” enquanto indivíduos “dentro” da actividade das associações de bairro criadas por “filhos do bairro”, associações estas também impulsionadas pelo objectivo de “retirar os jovens dos maus caminhos” de que o bairro seria indutor (falamos, especificamente de duas associações, uma que desenvolve a actividade das marchas populares e outra que centra a sua acção no atletismo junto dos jovens). Encontramos, por fim, dois grupos de jovens que se constituem como actores e desenvolvem os seus estilos de vida em torno de grupos informais “alternativos”: um constituído pelos “jovens do hip hop underground” que se desenvolvem como indivíduos dentro desta subcultura/tribo urbana (uma reflexão sobre a adequação de uma ou outra categoria, ou de outras, será feita na comunicação), afectando os seus tempos e recursos a esta actividade que se torna, para eles, a parte central das suas existências. Temos, por fim, o grupo de jovens que vive “à margem”, isto é, numa cultura de contranormatividade, praticando actividades e desenvolvendo a sua identidade e estilo de vida “contra o sistema” e propondo (tal como muitos dos jovens do hip-hop aliás), uma forma de vida alternativa e um novo modelo de sociedade, pondo em prática uma estratégia de “inversão simbólica” dos atributos valorizados. Mais interessante do que inventariar a diversidade de identidades e estratégias de vida destes jovens será, no entanto, perceber como estes diferentes estilos de vida se entrecruzam e criam realidades e estilos de vida “híbridos”, através da análise das biografias dos jovens do Pica Pau Amarelo.
  • Leda Barbio, Socióloga pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da
    Universidade Nova de Lisboa.
    Doutoranda em Sociologia Urbana na mesma universidade, associada ao
    Cesnova e bolseira de doutoramento FCT.
    Investigação desenvolvida nas áreas da exclusão social, espaços urbanos
    degradados e culturas juvenis, a nível de formação académica e ainda
    nas áreas de sociologia da educação e dos consumos de substâncias
    psicoactivas a nível de investigação desenvolvida no Cesnova.