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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

Requisitos Mínimos:
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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Editorial

Identidades, Valores e Modos de Vida[ Voltar às Áreas ]

Mesa nº 6 - Identidades ocupacionais[ Voltar às Mesas ]

  • PAP1451 - Estratégias de gestão dos processos de aculturação: as identidades pessoais como processos em gerúndio
    Resumo de PAP1451 - Estratégias de gestão dos processos de aculturação: as  identidades pessoais como processos em gerúndio PAP1451 - Estratégias de gestão dos processos de aculturação: as  identidades pessoais como processos em gerúndio
    • VIEIRA, Ricardo CV de VIEIRA, Ricardo
    • PAP1451 - Estratégias de gestão dos processos de aculturação: as identidades pessoais como processos em gerúndio

      A partir de entrevistas etnobiográficas com professores, com idosos e com imigrantes brasileiros em Portugal, tenho tentado compreender a identidade como processo inacabado, em gerúndio, de reconstrução ontológica entre o passado (memória) e o futuro (projecto) sendo a aculturação vista como processo de aprendizagem e de transformação de si. Nesta comunicação, procuro mostrar como os sujeitos interiorizam os vários elementos culturais de que se apropriam, nesse processo de bricolage (Lévi-Strauss, 1977, 1983 ), e como gerem as várias pertenças e identificações. Simultaneamente, cruza-se a análise com os conceitos de projecto e metamorfose estudados por Gilberto Velho (1981; 1994) para quem a existência de projecto é a afirmação de uma crença no indivíduo-sujeito. A construção de identidade, tal como a operacionalizamos, consiste em dar um significado consistente e coerente à própria existência, integrando as suas experiências passadas e presentes, com o fim de dar um sentido ao futuro. Trata-se de uma incessante definição de si próprio: o que/quem sou, o que quero fazer/ser, qual o meu papel no mundo e quais os meus projectos futuros, processo nem sempre pacífico e causador, por vezes, de muitas crises e angústias existenciais (Dubar, 2000). Neste quadro orientador, daremos conta, através das vozes dos entrevistados, das estratégias de gestão das diversidades culturais que atravessam o Ego, essa identidade pessoal que, assim, é sempre, também, social. O Eu é um nós mais monocultural, mais multicultural (ou ambivalente) ou intercultural que gere múltiplas pertenças de modo estratégico, como daremos conta na comunicação.
  • Ricardo Vieira, antropólogo e sociólogo, é Professor Coordenador Principal da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Leiria e investigador do CIID-IPL. Concluiu a sua Agregação em 2006. A sua investigação tem incidido sobre multiculturalidade e educação intercultural; histórias de vida e identidades; identidades pessoais e profissionais; identidades e velhices; mediação intercultural; educação e serviço social. No ano de 2000 foi galardoado com o prémio Rui Grácio, prémio para a melhor investigação em Portugal no domínio das Ciências da Educação. É autor e co-autor de uma dúzia de livros e de dezenas de artigos publicados em revistas nacionais e estrangeiras.
  • PAP1395 - Consumo solidário como articulador de novos valores e modos de vida na sociedade contemporânea
    Resumo de PAP1395 - Consumo solidário como articulador de novos valores e modos de vida na sociedade contemporânea 
    •  SANTOS, Luciane Lucas dos CV - Não disponível 
    • PAP1395 - Consumo solidário como articulador de novos valores e modos de vida na sociedade contemporânea

      Na sociedade contemporânea, marcada pelo risco, a performance constitui palavra de ordem e, na condição de valor norteador do consumo, conforma também um modo de vida. Diante da competição pela ascensão social, o consumo de bens materiais e simbólicos está entre os pilares que sustentam o desempenho na vida quotidiana. O risco social aumenta à medida que se naturaliza a idéia de que o consumo seja o principal marcador identitário. Como os sentidos em circulação nos bens são sociais, o consumo tem efetiva influência na constituição dos vínculos sociais e na naturalização das hierarquias. Partindo do pressuposto de que a cultura de consumo consolida um sistema de classificação social, esta comunicação pretende, antes de mais, analisar alguns desdobramentos sócio-econômicos do modelo neoliberal de produção e consumo, que coloca em situação de vulnerabilidade e risco muitas populações. Neste contexto, observa-se a emergência de novos (e antigos) modelos de troca, que buscam romper com a racionalidade ocidental dominante, como forma de reação aos riscos econômicos e sociais que pairam sobre as populações mais vulneráveis. Esta perspectiva alternativa para o consumo se desenvolve no âmbito das experiências da Economia Solidária, fundamentada em princípios de cooperativismo, associativismo e solidariedade. Interessa-nos observar,aqui, que o consumo solidário estimula outra perspectiva de construção das identidades e parâmetros diversos de conformação do modo de vida. Mediados por moedas sociais, os mercados solidários promovem diversidade epistemológica, reunindo de modo equitativo saberes e ritmos diversos. No âmbito da Economia Solidária e Popular, estes clubes de troca estimulam uma produtividade não-capitalista, propondo alternativas ao mercado e reduzindo, assim, a vulnerabilidade destas comunidades. Tendo em vista uma “ecologia das trocas” - termo cunhado a partir dos conceitos de sociologia das emergências e de justiça cognitiva de Boaventura de Sousa Santos -, buscamos aprofundar o estatuto ontológico destes sistemas alternativos de troca. Como experiência prática, analisamos, aqui, o mercado de trocas das crianças, em Portugal, realizado no Jardim Botánico de Coimbra, com a criação da moeda social Jardins. Considerando que há todo um projeto pedagógico por trás da iniciativa, analisamos seu objetivo de desprender as trocas de um modelo capitalista de atribuição de valor. Discutimos também sua proposta de trabalhar não só o desapego das crianças em relação aos seus brinquedos, mas ainda o mito de que só as coisas novas têm valor e servem para brincar. Neste sentido, buscamos refletir de modo mais amplo sobre o valor pedagógico de modelos alternativos de troca (não-direta) entre crianças para a constituição do consumo em novas bases, relativamente às questões da identidade, do modo de vida e dos valores norteadores da convivência social.
  • PAP1350 - A construção da Identidade Profissional no decurso do Estágio Profissional: Um estudo com estudantes-estagiários de Educação Física
    Resumo de PAP1350 - A construção da Identidade Profissional no decurso do Estágio Profissional: Um estudo com estudantes-estagiários de Educação Física PAP1350 - A construção da Identidade Profissional no decurso do Estágio Profissional: Um estudo com estudantes-estagiários de Educação Física
    • FERREIRA, Ana CV de FERREIRA, Ana
    •  PEREIRA, Ana CV - Não disponível 
    •  GRAÇA, Amândio CV - Não disponível 
    •  BATISTA, Paula CV - Não disponível 
    • PAP1350 - A construção da Identidade Profissional no decurso do Estágio Profissional: Um estudo com estudantes-estagiários de Educação Física

      O estágio profissional, no âmbito da formação de professores, é entendido como uma etapa fundamental no processo de construção da Identidade Profissional (IP). Deste modo, o propósito deste estudo foi percepcionar os traços da IP que emergem nos Estudantes-Estagiários (EE) durante o Estágio Profissional. Adicionalmente procurou-se identificar as características em que estes se distinguem enquanto professores e as características que os aproximam enquanto elementos de uma mesma classe, a de professores. Participaram neste estudo 12 EE (6 do sexo feminino e 6 do sexo masculino) da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP), do ano letivo 2010/2011, pertencentes a 4 núcleos de estágio de escolas do Distrito do Porto. Para a recolha dos dados foram realizados 4 Focus Grupo com todos os EE subordinados às seguintes temáticas: i) partilha de experiências acerca do percurso formativo enquanto alunos; ii) construção do diário de bordo; iii) aprendizagens mais significativas em resultado da elaboração do diário de bordo; iv) conceções do que é ser professor e professor de educação física. As sessões foram gravadas em aúdio e transcritas verbatim. Na análise dos dados recorreu-se à análise temática com temas definidos a priori. Da análise efetuada ficou evidente que: i) a maioria dos EE refere que sempre quis seguir o curso de educação física, reconhecendo uma identidade distinta à sua faculdade, materializada em aspetos como a indumentária, a atitude e o vocabulário específico; ii) os EE descrevem aspetos positivos (conquista, vitória) e negativos (medo, receio) relacionados com o estágio. Os registos relacionam-se com a condução das aulas, sendo estas os elementos referidos como mais relevantes na construção da IP; iii) o registo no diário de bordo evoluiu para reflexões mais interpretativas e estratégicas, sendo que o foco que inicialmente era pedagógico, passou a incluir aspetos relacionais. Deu-se um alargamento da tipologia dos episódios relatados, por exemplo o desporto escolar e conselhos de turma, demonstrando uma maior consciencialização acerca da diversidade de papéis/funções do professor. O diário de bordo foi entendido como um veículo promotor da reflexão e da atribuição de significado às vivências na escola e aos episódios marcantes na construção da sua IP; iv) os EE referem que o professor não atua somente no espaço da sala de aula e que as suas responsabilidades transcendem o espaço da escola e o da su
  • Ana Margarida Alves Ferreira

    Mestre em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico eDoutoranda em Ciências do Desporto na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.Tema de investigação: construção da Identidade Profissional em professores de Educação Física.
    Últimas publicações: Ferreira, A.; Pereira, A.; Silveira, G.; Batista, P. (2012). Discursos de professores cooperantes iniciantes e experientes acerca da função de orientação: um estudo com professores cooperantes da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. R. Min. Educ. Fís., Viçosa, Edição Especial, 1, 188-200.
    Alves, M.; Pereira, A.; Graça, A.; Batista, P. (2012). Practicum as a space and time of transformation: self-narrative of a Physical Education pre-service teacher. US-China Education Review. [In Press]
  • PAP1305 - O PAPEL DOS VALORES FAMILIARES NO PROCESSO DE FORMAÇÃO DA AGROINDÚSTRIA FAMILIAR E NA CONSTRUÇÃO DE MERCADOS PARA OS PRODUTOS GERADOS
    Resumo de PAP1305 - O PAPEL DOS VALORES FAMILIARES NO PROCESSO DE FORMAÇÃO DA AGROINDÚSTRIA FAMILIAR E NA CONSTRUÇÃO DE MERCADOS PARA OS PRODUTOS GERADOS PAP1305 - O PAPEL DOS VALORES FAMILIARES NO PROCESSO DE FORMAÇÃO DA AGROINDÚSTRIA FAMILIAR E NA CONSTRUÇÃO DE MERCADOS PARA OS PRODUTOS GERADOS
    • LUA, Elizangela Mara Carvalheiro CV de LUA, Elizangela Mara Carvalheiro
    • PAP1305 - O PAPEL DOS VALORES FAMILIARES NO PROCESSO DE FORMAÇÃO DA AGROINDÚSTRIA FAMILIAR E NA CONSTRUÇÃO DE MERCADOS PARA OS PRODUTOS GERADOS

      Embora o predomínio das relações mercantis tenha afetado todas as esferas da vida social, as transformações em curso, em particular na agricultura familiar, não dissolvem outras relações sociais geradoras de lógicas diferenciadas. O estado de saber, aprender e fazer dos agricultores familiares passa, em muitos casos, a ser fundamental na concretização de novas atividades. É o caso da agroindustrialização, em que uma arte secular de transformação que existia na lógica de reprodução dos agricultores de subsistência passou a ser aprimorada e desenvolvida com um olhar além da família, objetivando espaços nos mercados. Dessa forma o intuito desta análise e verificar qual o papel dos valores familiares e dos meios de vida no processo de criação e consolidação da agroindústria familiar do Oeste do Estado do Paraná no Brasil. O que se observou com a pesquisa foi que o modo como as famílias se organizam e estabelecem relações entre seus membros e destes com a sociedade varia de acordo com as culturas e as épocas históricas. A família desempenha a função de agente integrador das relações sociais que se desenvolvem no interior das redes sociais e traz consigo toda a complexidade da realidade camponesa herdada pelos agricultores familiares, em que a lógica da atividade agrícola é um valor mais importante que a produção, indissociável, neste caso, da “propriedade-posse-agroindustrialização”. As relações familiares (seja na esfera do parentesco, seja na da produção – relações de reciprocidade, proximidade, generosidade) incluem um ideal, de pensamento ou de representação, que informa as atitudes e os comportamentos que permeiam as agroindústrias familiares. Assim, o modo de vida das famílias demonstram o sentido de suas ações e relações. Importante também para compreender que as relações de construção de mercados da agroindústria é que as famílias possuem uma capacidade de modificar-se face aos contextos, mas não perde completamente sua essência, valores e lógicas.
  • Elizângela Mara Carvalheiro
    Professora Adjunta da Universidade Federal do Pampa - UNIPAMPA (Rio Grande do Sul-Brasil). Economista, mestre em Desenvolvimento Regional e Agronegócio e Doutora em Desenvolvimento Rural. Temas recentes estudados se relacionam com: a sociologia econômica na esfera que tange a construção social de mercados para agroindústrias familiares do Brasil, a economia criativa focando a relação entre o turismo e a cultura. Email: elizangelamara@hotmail.com
  • PAP1120 - Modos de vida e mudanças na vida dos ribeirinhos do médio Solimões após o lugar virar Reserva de conservação ambiental
    Resumo de PAP1120 - Modos de vida e mudanças na vida dos ribeirinhos do médio Solimões após o lugar virar Reserva de conservação ambiental 
    •  NASCIMENTO, Ana Claudeise Silva do CV - Não disponível 
    • PAP1120 - Modos de vida e mudanças na vida dos ribeirinhos do médio Solimões após o lugar virar Reserva de conservação ambiental

      Este artigo tem como objetivo investigar as dinâmicas socioambientais relacionadas ao modo de vida dos ribeirinhos do rio médio Solimões, estado do Amazonas-Brasil, após a criação de uma Unidade de Conservação (UC) chamada Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã. A população ribeirinha (povos que moram as margens dos rios amazônicos) ora chamada de população tradicional mantém características campesinas, ou seja, a organização do trabalho é estruturalmente familiar; possuem o controle dos meios de produção; possuem uma economia de subsistência, onde há uma racionalidade de minimização dos riscos e aversão a penosidade; uma relação estreita com o ambiente em que vivem e desempenham uma multiplicidade de atividades produtivas, sendo as principais: agricultura e extrativo. As famílias aqui analisadas mantém uma relação estreita com a natureza, seu modo de vida é muito influenciado pelo ciclo das águas que sobem em média 12 metros acima do nível do rio a cada seis meses, onde toda a vida desse ribeirinho é planejada levando em consideração esse fator limitante e determinante de subida e descida das águas. As peculiaridades desse modo de vida do campesinato na várzea Amazônica, que é entremeado de especificidades típicas da região, onde a terra e a água se completam, principalmente porque suas características tradicionais são oriundas de práticas indígenas. A mobilidade na várzea é uma estratégia de sobrevivência, normalmente adotada por aqueles que tentam obter melhores condições de vida para si e para sua família. Os fatores da mudança são diversos, isto é, as cheias, as formações de praias, as terras caídas, que provocam a extinção de assentamentos, obrigando os moradores a deslocarem-se temporária ou definitivamente em busca de outro lugar em que possam plantar e pescar. Os camponeses ribeirinhos são principalmente agricultores, mas também podem ser pescadores, caçadores, madeireiros, ou seja, não tem uma ocupação especializada, trabalham conforme a necessidade, características cultural indígena, e isso faz com que os moradores vivam mais ou menos autônomos uns dos outros, mas não significa que não desenvolvam atividades em conjunto. A prática do ajuri, um mutirão geralmente usado para derrubada da mata e para plantação da roça, ainda é comum nessas comunidades. Sendo assim, saber se a vida da população local melhorou após a criação da UC e identificar o que mudou e como as mudanças se integram ao modo de vida ribeirinho ao ser orientado por um projeto de conservação é fundamental para entendermos as dinâmicas sociais ocorridas com esse campesinato da várzea amazônica.
  • PAP0622 - Identidade, Trabalho Docente e a expansão do ensino superior público no Estado do Ceará – Brasil.
    Resumo de PAP0622 - Identidade, Trabalho Docente e a expansão do ensino superior público no Estado do Ceará – Brasil. 
    •  PINHEIRO, Carlos Henrique Lopes CV - Não disponível 
    • PAP0622 - Identidade, Trabalho Docente e a expansão do ensino superior público no Estado do Ceará – Brasil.

      As transformações econômicas e educacionais em consonância com as “novas” exigências sociais ocorridas na sociedade brasileira desde meados da década de 1990 têm provocado mudanças significativas na estrutura, no funcionamento e na reconfiguração do ensino superior no Brasil. Múltiplos olhares, sociológicos, geográficos, educacionais, econômicos e políticos se voltaram a esta temática com a finalidade de debater, prioritariamente, a expansão deste nível de ensino – tanto espacial como educacional -, os impactos sociais e urbanos, as condições estruturais e organizacionais para este crescimento acelerado, as políticas públicas educacionais além, claro, dos custos (investimentos) necessários para promover e executar tamanha política. Entendemos que todas essas contribuições são fundamentais para a real compreensão deste fenômeno. Todavia, percebemos que as Instituições de Ensino Superior – IES - (sobretudo no estado do Ceará – locus desta pesquisa) eram geograficamente “amarrados” a um lugar específico (ou em poucos lugares), têm se tornado cada vez mais errante numa extensão sócio-espacial sem precedentes; em decorrência, tem havido vasta migração e/ou mobilidade de profissionais – na maioria das vezes iniciantes na carreira docente – oriundos de várias cidades brasileiras em busca tanto de estabilidade quanto de realização profissional. Há desta forma um duplo desenraizamento: um movimento das instituições de ensino superior (tanto pública quanto privada) em direção a pessoas e às cidades menores; e um movimento de pessoas em busca de trabalho. Esta combinação tem modificado as características das cidades e o perfil pessoal e profissional dos professores universitários que desenvolvem ou buscam desenvolver suas atividades nestes ‘novos’ locais. Desta forma, acreditamos que estas transformações têm provocado ainda, profundas mudanças no trabalho docente e no perfil destes profissionais Neste sentido este trabalho propõe uma reflexão teórico-metodológica acerca da (re)construção das identidades ocupacionais e sociais mediadas pelo processo de des-re-territorialização, fundamentadas nas idéias de mobilidade e migração, pois consideramos que ambas fazem parte do cotidiano dos sujeitos pesquisados.
  • PAP0323 - Identidades econômicas face a projetos políticos: a construção e institucionalização da categoria do empreendedor no Brasil
    Resumo de PAP0323 - Identidades econômicas face a projetos políticos: a construção e institucionalização da categoria do empreendedor no Brasil 
    •  COUTINHO, Aline CV - Não disponível 
    • PAP0323 - Identidades econômicas face a projetos políticos: a construção e institucionalização da categoria do empreendedor no Brasil

      Empreendedorismo, especialmente após a seminal coletânea de Richard Swerberg (2000), vem gradualmente chamando a atenção de cientistas sociais. Entretanto, trabalhos sociológicos concentram-se quase que exclusivamente nas dimensões econômicas da atividade empreendedora (por exemplo, taxas de criação e destruição de empresas; processos de inovação; redes sociais de empreendedores). Em contraste, pouca atenção se dá ao papel simbólico do empreendedor no imaginário social e aos modos de vida que epitomizam o discurso, a prática e a indentidade empreendedora; um relapso que reflete um justificado receio de caricaturização identitária seguido pela sugestão de cautela de Gartner (1988), para quem a pergunta “quem é um empreendedor?” é improfícua e potencialmente essencializante. Entretanto, o presente trabalho examinará o aspecto identitário desse ator econômico e buscará uma maior compreensão da construção discursiva de identidades (e sua concomitante institutionalização) por diversas instituições, embora com o devido cuidado de evitar o retorno a estudos sobre a personalidade empreendedora (comum nas décadas de 50 e 60 durante o apogeu do comportamentalismo nos Estados Unidos). Este artigo focalizará no estudo de caso do Brazil, país em que a noção de empreendedorismo é relativamente recente e intrinsicamente conectada ao datado movimento de redemocratização e liberalização econômica que se deu desde o final dos anos 80 (Colbari, 2006). Esta comunicação articulará as diversas searas de construção identitária empreendedora – econômica, política e educacional – e prestará especial atenção a discursos políticos institucionais que propõem e legitimam políticas de desenvolvimento econômico que atribuem um "papel nacional” ao empreendedor e a outros significados e valores associados a seu estatuto. É assim que se examinará a convergência entre processos políticos e a constituição de uma categoria social que encarna representações sociais, políticas e cognitivas (Boltanski, 1982). O papel político, cultural e econômico projetado no empreendedor por políticas desenvolvimentistas nos permitirá compreender a construção coletiva do sistema de representações da identidade empreendedora, apaziguando recentes aportes teóricos que insistem na natureza individualista moderna da constituição de aspectos identitários.