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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Editorial

Identidades, Valores e Modos de Vida[ Voltar às Áreas ]

Mesa nº 7 - Identidades diferenciadas (sob o signo da Cultura)[ Voltar às Mesas ]

  • PAP1510 - Kuduro, estilos de vida e processos de identificação em Lisboa
    Resumo de PAP1510 - Kuduro, estilos de vida e processos de identificação em Lisboa PAP1510 - Kuduro, estilos de vida e processos de identificação em Lisboa
    • MARCON, Frank Nilton CV de MARCON, Frank Nilton
    • PAP1510 - Kuduro, estilos de vida e processos de identificação em Lisboa

      O kuduro é um estilo de dança e música que surgiu em Luanda, nos anos noventa, e que chegou a Portugal logo em seguida.Um dos objetivos é compreender como, ao lado de outras formas de expressão cultural juvenis, em Lisboa, o kuduro, assim como o hip-hop, o rap e o reggae, passou a fazer parte integrante do consumo e da produção cultural dos jovens da periferia, principalmente dos jovens africanos e descendentes. Em meio à música e à dança como formas de entretenimento, um universo de tensões sociais, étnicas e geracionais se fazem presentes em tal contexto e fazem emergir interessantes processos de identificação social, demarcados pelo conteúdo e pelo modo particular como os jovens envolvidos com o kuduro se expressam e dinamizam a presença deste estilo de música e dança.A escola, a rua e a internet se tornaram os principais espaços de socialização do kuduro, principalmente na Região Metropolitana de Lisboa, fazendo emergir um estilo de vida que parece constituir laços de afinidade geracionais, além de afinidades sonoras, corporais, linguísticas e culturais, expressas na forma de fazer e ouvir música, de vestir, andar e dançar, de falar, assim como de reproduzir saberes, práticas e histórias familiares e de vida. Como são expressos e se constituem os processos de produção, circulação e consumo local do kuduro, quais suas características e quem são os atores sociais envolvidos, estas são algumas das questões que serão abordas na apresentação deste trabalho, que está baseado em dados obtidos a partir de pesquisas de observação direta realizada na Região Metropolitana de Lisboa nos últimos dois anos. tidos a partir de pesquisas de observação direta realizada na Região Metropolitana de Lisboa nos últimos dois anos. A análise de tais questões está implicada pelas novas dinâmicas dos fluxos contemporâneos transnacionais de pessoas, de produtos culturais e de informações, em contextos metropolitanos e pós-coloniais, no qual Portugal e as ex-colônias estão mutuamente envolvidos.
  • FRANK NILTON MARCON
    Doutor em Antropologia. Professor de Antropologia do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Sergipe (BRASIL). Atua no mestrado e doutorado em Sociologia e no mestrado em Antropologia na mesma universidade. Coordenada o Grupo de Estudos Culturais, Identidades e Relações Interétnicas.
  • PAP1416 - Espaços de interpretação e construção identitária: A Casa Fernando Pessoa
    Resumo de PAP1416 - Espaços de interpretação e construção identitária: A Casa Fernando Pessoa 
    •  MARQUES, Lénia CV - Não disponível 
    •  SARAIVA, Maria do Rosário CV - Não disponível 
    • PAP1416 - Espaços de interpretação e construção identitária: A Casa Fernando Pessoa

      As casas-museu dedicadas à vida e obra de escritores constituem um dos mais antigos tipos de museu e revestem uma forma particular de exposição entre o pessoal e o impessoal, o privado e o público, o produto genial do autor e o impacto da sua obra, o lugar de vida e o lugar de memória. Subjacente à organização do espaço museológico, nomeadamente na sua constituinte pública, encontra-se uma filosofia que se exprime em opções estratégicas interpretativas que configuram amplamente as imagens veiculadas, quer em relação ao escritor, quer em relação à sua obra literária. Estas imagens são fundamentais na criação de valor simbólico que configura ícones constitutivos de locais e de identidades colectivas. É neste contexto que nos propomos desenvolver uma reflexão desdobrada em dois eixos transversais, tendo como estudo de caso a Casa Fernando Pessoa, em Lisboa. O primeiro grande eixo trata de abordar a transposição espacial do discurso museológico. A questão fundamental é aqui a apresentação no espaço do escritor e da sua obra, analisando o modo como essa representação é definida e concretizada, nomeadamente no respeitante aos suportes museológicos utilizados. Esta reflexão articula-se com um segundo eixo que trata da análise do trabalho interpretativo que se opera nas esferas da instituição (estratégias) e do público (visitantes e comunidade). Baseando-se numa abordagem de estudo de caso, a metodologia de investigação proposta combina: 1) a observação in situ da apresentação espacial da Casa Fernando Pessoa e levantamento arquitectónico da cenografia de exposição; 2) entrevistas de tipo semi-directivo aos responsáveis da instalação expositiva; 3) observação dos percursos de visita e elementos que os compõem; e 4) inquéritos aos visitantes sobre a experiência de visita da Casa Fernando Pessoa e de outros lugares pessoanos. Sendo Fernando Pessoa actualmente um ícone de Lisboa e arauto de Portugal, um estudo da Casa-Museu que lhe é dedicada permite-nos compreender, a partir dos elementos físicos e da sua disposição espacial, o impacto desta figura no imaginário colectivo. Afinal, será este imaginário reflexo de identidades fragmentadas à imagem daquela veiculada pela obra do escritor ou identidade colectiva estruturada em torno de um ícone?
  • PAP1269 - Identidades em terreno cultivado: A experiência do outro na literatura lusófona
    Resumo de PAP1269 - Identidades em terreno cultivado: A experiência do outro na literatura lusófona 
    • CUNHA, Luís CV de CUNHA, Luís
    • PAP1269 - Identidades em terreno cultivado: A experiência do outro na literatura lusófona

      Esta comunicação pretende dar sequência a uma investigação em curso, e que teve uma primeira expressão pública no último Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais. A proposta é a de trabalhar em torno das representações identitárias presentes em obras literárias de expressão lusófona. A este primeiro critério, de natureza linguística, juntam-se outros dois na definição do corpus analítico sobre o qual trabalharemos. Consideraremos apenas obras publicadas posteriores a 1974 e que, na sua narrativa, envolvam mais que um espaço lusófono. O objetivo fundamental é o de perceber de que forma – e num território menos vigiado como é o da literatura, em confronto, por exemplo, com o ensaio académico – se pensa e recria a relação entre o mesmo e o outro. Seja a partir da guerra colonial – como em Os Cus de Judas, de António Lobo Antunes, por exemplo – seja com base na interpretação das relações coloniais oitocentistas – como em Nação Crioula, de José Eduardo Agualusa, por exemplo – encontramo-nos perante um conjunto de representações identitárias, através das quais é possível observar a dinâmica das relações entre povos que se cruzaram cedo na história e nela continuam entrelaçados, pelo menos graças ao uso de uma língua comum.
  • Luís Cunha, docente na Universidade do Minho e investigador do Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA), tem realizado investigação sobre memória social, constituindo a fronteira um dos temas que tem abordado nesse âmbito. A outra área de investigação de que mais se tem ocupado é a das identidades nacionais, trabalhando sobre várias vertentes do tema. Uma dessas vertentes, de que ultimamente se tem ocupado, prende-se com as representações da lusofonia.
  • PAP1262 - A Nazaré- Um Lugar na Tradição
    Resumo de PAP1262 - A Nazaré- Um Lugar na Tradição 
    •  TRINDADE, José Maria CV - Não disponível 
    • PAP1262 - A Nazaré- Um Lugar na Tradição

      A Nazaré é justamente conhecida como importante ícone no mosaico de culturas regionais que serviram à construção da Nação portuguesa. Num tempo em que o génio de cada povo, a sua singularidade, a língua, e sobretudo a cultura popular serviram para legitimar o direito de cada povo a existir enquanto entidade política organizada em Estado-Nação, a Nazaré, entre outros lugares tomados como genuínos representantes de uma portugalidade antiga, foram escolhidos como topos centrais para a afirmação da Nação portuguesa perante as outras nações. Desta forma, a cultura piscatória da Nazaré foi objeto de um trabalho de apropriação por parte das elites nacionais, políticas, artísticas e intelectuais. Este trabalho de apropriação da tradição local pelas elites levou a uma estilização e transformação tão grande de determinados elementos da cultura piscatória, como o vestuário, a música, que levou os folcloristas a falar de um apagamento do seu “verdadeiro folclore” e consequente substituição por um folclore inventado, e por isso não genuíno. Por outro lado, a pequena burguesia local do primeiro quartel do século vinte soube aproveitar a seu favor e da comunidade este interesse externo, quer por razões políticas quer económicas e tornou-se ela própria um ator importante neste processo de folclorização da cultura piscatória. Hoje a Nazaré, vista como um lugar de tradição é na verdade, para a maioria da sua classe média, de comerciantes e todos os setores de actividade ligados aos serviços, a que se juntaram os filhos dos pescadores, uma sociedade pós-tradicional, segundo a expressão de Giddens. Neste sentido, o modo de vida piscatório tradicional é apropriado como fonte de criação identitária servindo a todos para a afirmação de uma especificadade perante as forças homogeneizadoras da modernidade.
  • PAP0990 - A burguesia tradicional feminina na sociedade de S. Vicente, Cabo-Verde
    Resumo de PAP0990 - A burguesia tradicional feminina na sociedade de S. Vicente, Cabo-Verde PAP0990 - A burguesia tradicional feminina na sociedade de S. Vicente, Cabo-Verde
    • SAINT- MAURICE, Ana CV de SAINT- MAURICE, Ana
    • PAP0990 - A burguesia tradicional feminina na sociedade de S. Vicente, Cabo-Verde

      Debates, conferências, publicações, cartas, histórias de vidas geograficamente recortadas, contam e recontam a diáspora cabo-verdiana pelo mundo. Nasce-se a pensar que se emigra, morre-se a pensar que se regressa. Porém, há quem fique. Fala-se aqui daqueloutros que, posicionados no topo da estrutura social, poderiam em terras estrangeiras, facilmente acumular capital económico e angariar modos de vida a ele ajustados. Foram estes também que dobraram tempos históricos diversos configurados por entre ideologias mais ou menos favoráveis, mais ou menos hostis aos valores sociais e individuais de que cada um é portador. A pesquisa realizada tem, assim, como objectivos obter, através da narração, vivências que preenchem uma vida que cresceu ao longo de tempos históricos diferentes, por sua vez configurados por dimensões políticas, económicas, sociais e culturais específicas. Com efeito, as narrativas acompanham o zoom dos olhares: da macro esfera, em que as histórias se contam tendo por referência os acontecimentos que marcam a História de Cabo Verde durante aproximadamente 80 anos, à micro esfera em que o olhar se escapa pela fechadura da porta das “casas de família”. Estas histórias povoam-se também de estórias que a memória perpetua ainda que, representadas agora num tempo longínquo e, por isso mesmo, distorcidas pela subjectividade de quem as produz, mas que nunca tiveram lugar no palco da academia. Porém, a linha temporal e espacial que organiza estas vidas não é contínua: Portugal é um destino obrigatório no percurso académico destas gentes – Coimbra deixa-se eleger pelo elevado prestígio que atravessa fronteiras; no percurso profissional ainda que em estadias curtas; nas intervenções na área da saúde em situações de maior cuidado; e, na “graciosa” gozada, por direito, na Metrópole. Alguns marcos históricos servem de fio condutor à produção das narrativas sem, contudo, esgotá-los ad initium. O investigador procura também ser surpreendido nesta pesquisa e a este nível a que agora se reporta: o dos acontecimentos e épocas que teceram a história do povo cabo-verdiano. Quer-se circunscrever as narrativas às mulheres que fazem parte de uma certa elite cabo-verdiana, diríamos até aristocrática, residentes em S. Vicente. Queremos falar, das senhoras, por exemplo, que ainda tomam o chá das cinco, herança da presença inglesa no Barlavento cabo-verdiano. O trabalho é assumidamente exploratório e de cariz etnográfico sem a pretensão de alcançar generalizações de natureza explicativa e sem se deixar sufocar pelas margens apertadas de uma teoria à priori estabelecida. Assim, fluirá na medida exacta dos ritmos das histórias contadas.
  • Ana de Saint-Maurice, professora no ISCTE desde 1981, tem leccionado ao longo destes anos, as cadeiras de Métodos e Técnicas de Investigação. Fez o doutoramento em Sociologia (1994) no ISCTE: “ A Reconstrução das Identidades: a população cabo-verdiana residente em Portugal” .
    Interesses de investigação: Sociologia das Relação Étnicas e Rácicas e Sociologia das Migrações.
  • PAP0986 - Transfiguração étnica e pós-colonialismo: a reinvenção do Brasil na teoria da 'ninguendade' de Darcy Ribeiro
    Resumo de PAP0986 - Transfiguração étnica e pós-colonialismo: a reinvenção do Brasil na teoria da  
    •  SILVA, Júlio César CV - Não disponível 
    • PAP0986 - Transfiguração étnica e pós-colonialismo: a reinvenção do Brasil na teoria da 'ninguendade' de Darcy Ribeiro

      O presente trabalho – resultado de uma pesquisa de mestrado – apresenta um debate sobre o conceito de ‘transfiguração étnica’ que Darcy Ribeiro desenvolveu no âmbito dos seis volumes dos “Estudos de Antropologia da Civilização”. A proposta de Darcy ao formular o conceito era superar as falhas do conceito de ‘aculturação’. Ele argumentava que a ‘transfiguração étnica’ expressa a maneira pela qual os povos surgem, se transformam ou morrem. Nesse sentido, o Brasil é pensado como uma nova nação ‘em construção’ após a sua liberação da tutela ibérica. Apesar de ter havido uma integração relativa – por exemplo – dos povos indígenas ao processo civilizatório brasileiro, não houve, de fato, uma assimilação dos seus padrões culturais. A narrativa de formação do povo brasileiro apresentada por Darcy, portanto, apresenta o argumento da fusão das matrizes étnicas e tem como desfecho o tema da ‘unidade’ da formação de um povo totalmente novo, um ‘povo em ser’. A fusão de todas as matrizes étnicas que conviveram para o processo de formação do Brasil teria resultado em um povo, inicialmente, sem identidade definida – uma ‘ninguendade’. O estado de ‘ninguendade’ é o ponto inicial de formação de um ‘projeto de nação’. A simples mistura desses grupos originários não causaria, por si só, um povo novo. Foi preciso conjugar o argumento das fusões étnicas a um processo de formação identitária totalmente autônomo. Sem isso, o argumento da ‘unidade’ perderia sua eficácia, e o projeto de civilização do Brasil perder-se-ia em uma via fracionada. O núcleo central dos “Estudos de antropologia da civilização”, como se percebe, centra-se na explicação da diferenciação entre as matrizes étnicas e o seu resultante. O argumento de Darcy é o de que há um rompimento dos grupos com as referências simbólicas e concretas das quais eles são oriundos. A elaboração de uma solução para a uma teoria do povo brasileiro aproxima-se de um ‘pós-colonialismo’. Assim, tanto o índio – tema central do conceito de transfiguração – como o negro ex-escravo são considerados como sujeitos ativos da reelaboração da nova ordem cultural brasileira. Este trabalho pretende contribuir para o recente debate tanto das teorias do pós-colonialismo quanto para as teorias de formação do Brasil, temas que tem se desenvolvido como dois lados da mesma via.
  • PAP0957 - Lógica do concreto, lógica do significado: assimilações nuançadas de objetos e modos na obra de Gilberto Freyre
    Resumo de PAP0957 - Lógica do concreto, lógica do significado: assimilações nuançadas de objetos e modos na obra de Gilberto Freyre PAP0957 - Lógica do concreto, lógica do significado: assimilações nuançadas de objetos e modos na obra de Gilberto Freyre
    • FREITAS, Isabella Mendes CV de FREITAS, Isabella Mendes
    • PAP0957 - Lógica do concreto, lógica do significado: assimilações nuançadas de objetos e modos na obra de Gilberto Freyre

      A intensidade e extensão dos contatos entre culturas, tornados contemporaneamente mais freqüentes e velozes, ainda que não menos conflituosos e complexos, têm levado sociólogos a buscar modos de olhar mais generosos à capacidade dos povos em criar maneiras próprias de assimilação do Outro. A variedade das formas de tais contatos – imitação, apropriação, tradução, transculturação, hibridização, entre outros – depende de como a "lógica do concreto" se relaciona com a "lógica da significação" em cada encontro entre sistemas de categorização (Sahlins). Um olhar atento deve ser capaz de rearticular as polaridades criadas pelas próprias ciências humanas, para explicar a estabilidade, bem como a mudança social, a partir da (re)ligação entre mundo material e imaterial, visível e invisível. Parte da obra de Gilberto Freyre, talvez menos conhecida do que a clássica trilogia do autor – Casa Grande e Senzala (1933), Sobrados e mucambos (1936) e Ordem e progresso (1959) – oferece este olhar, sob o qual se desvelam nuançadas trocas entre sociedades que comportam distintas visões de mundo. Neste trabalho, que é apenas uma parte da tese de doutorado em desenvolvimento, constitui objeto de estudo a análise de Freyre das influências francesa e britânica sobre a cultura brasileira nos livros Um engenheiro francês no Brasil (1940) e Ingleses no Brasil (1948). Em tais obras, o foco de análise recai sobre a influência técnica e material transmitida cotidianamente por personagens "menores", figuras na aparência as mais humildes, da história íntima brasileira. Aqui, as trocas culturais, ainda que enredadas por relações de poder – tendo em vista o estado avançado das “carboníferas” culturas estrangeiras em relação à brasileira, impregnada de Orientalismos – jamais ocorrem como via de mão única. Este aspecto da obra de Freyre ressalta criativos processos de tropicalização que ocorrem num tipo de "revolução macia", e tem sido ressaltado em anos recentes não somente por constituir o “coração” e o foco de maior atenção internacional de sua obra (Pallares-Burke, 2011), mas também por sua proficuidade no debate atual. Esta "revolução branca" e de mão dupla se difere do diagnóstico vislumbrado ao final de Sobrados e mucambos, em que a reeuropeização do Brasil aparece como estetização totalizadora, oposta ao equilíbrio de antagonismos próprio à assimilação luso-tropical. É este tipo de revolução que pretendemos capturar em tais obras, revolução que fez Freyre vislumbrar, de maneira entusiástica, o futuro do Brasil como nação exemplar ao mundo, triunfando, na trilha dos britânicos, “nas artes de combinar e fazer interpenetrar contrários”.
  • Isabella Mendes Freitas
    Doutoranda em Sociologia pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro desde 2010, sob orientação do professor Dr. Ricardo Benzaquen de Araújo. Desenvolve atualmente, em sua pesquisa de tese, investigação sobre os impactos materiais e imateriais da presença estrangeira no Brasil e as formas brasileiras de acomodação de tais influências, a partir da interpretação de Gilberto Freyre em obras específicas sobre o tema. Tem graduação em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa e mestrado em Sociologia pela Universidade Federal de Minas Gerais. Nessas instituições, realizou pesquisas a respeito do tema da urbanização e da condição do estrangeiro a partir da interpretação de Georg Simmel e Walter Benjamin, a partir de representações do cinema latino-americano. Com estes dois autores, procurou desenvolver estudos a respeito de uma perspectiva sociológica estética.
  • PAP0862 - IDENTIDADE CULTURAL E POLÍTICA CULTURAL EM TIMOR-LESTE
    Resumo de PAP0862 - IDENTIDADE CULTURAL E POLÍTICA CULTURAL EM TIMOR-LESTE 
    •  PINTO, Filomena da Imaculada Conceição CV - Não disponível 
    • PAP0862 - IDENTIDADE CULTURAL E POLÍTICA CULTURAL EM TIMOR-LESTE

      Este comunicação procura explorar, por um lado, as preocupações do Estado e da sociedade civil timorenses sobre a relação entre a identidade cultural e a política cultural. De facto, em muitos países, por exemplo, a questão da identidade cultural tem sido considerada como um objectivo de política cultural (Conselho da Europa 1997:45-46; Bradley 1998:351-367; Burgi-Golub 2000:211-223). Questões do multiculturalismo, a diversidade cultural e da globalização cultural estão intimamente ligadas à questão da identidade cultural (Jong 1998:357-387; Held et al 1999:328-375; Tomlinson 1999; Bauer 2000:77-95). No entanto, as características e as causas da questão da identidade cultural variam, dependendo das características dos países em que a identidade cultural é formulada e transformada. Estas diferenças podem, portanto, afectar a maneira como o governo trata da questão da diversidade cultural e identitária. Além disso, a política cultural em todo o país tende a mudar de acordo com as mudanças nos vários contextos da política cultural (Bennett 1995:199-216; Kim 1999:1-19), a política de identidade cultural pode ser vista nas diferentes fases da política cultural. Por outro lado, centra-se na forma como o governo timorense tentou lidar com a questão da identidade cultural através da evolução da política cultural. Em primeiro lugar, as principais questões da identidade cultural serão identificadas em função da política cultural. Pretende discutir-se sobre como a questão da identidade cultural afectou a política cultural. Procuraremos identificar as características distintivas da política cultural timorense e como o próprio governo desenvolve e realiza os seus objectivos políticos através da evolução da sua política cultural. Ao fazê-lo, o trabalho irá considerar os objectivos da política cultural indicados nos planos globais de política cultural, como estabelecido pelo governo junto do seu Secretário de Estado e Cultura de Timor-Leste, desde o ano de 2002 até à presente data. Além disso, nesta comunicação focalizar-se-ão também os programas do governo de cariz cultural e do conteúdo dos discursos formais das autoridades sobre a política cultural do país.
  • PAP0659 - ‘Nostalgia colonial’ e lusofonia: uma abordagem teórica
    Resumo de PAP0659 - ‘Nostalgia colonial’ e lusofonia: uma abordagem teórica 
    •  CARVALHO, Michelly CV - Não disponível 
    • CABECINHAS, Rosa CV de CABECINHAS, Rosa
    • PAP0659 - ‘Nostalgia colonial’ e lusofonia: uma abordagem teórica

      Este artigo tem por objetivo desenvolver uma reflexão teórica sobre as representações do passado colonial em Portugal e a forma como essas representações influenciam os discursos sobre identidade nacional e as concepções de lusofonia. Segundo alguns autores o discurso sobre a lusofonia tem assumido rotineiramente a forma de “nostalgia imperial”o que leva muitas vezes a contendas tanto no âmbito das relações interpessoais quanto noutros assuntos. Desta forma, a herança do passado colonial também interfere na maneira como o país define o seu nacionalismo. Reiter (2005) considera nesse contexto, por exemplo, que Portugal assume uma posição ambivalente que resulta numa dupla tensão, ou seja, quando comparado com as nações mais ricas e desenvolvidas da Europa precisa retomar o ilustre passado de grandes descobridores, mas ao mesmo tempo sabe que é necessário se distanciar de aspectos daquele passado, resultando numa “neurose portuguesa” sobre o passado colonial. Neste contexto observamos pelas concepções de alguns estudiosos que até mesmo o conceito de lusofonia tem sua complexidade, tendo em conta que carrega consigo algumas contradições e incongruências. Conforme Brito e Bastos (2006), não há um consenso na utilização do termo por parte dos oito países da chamada “comunidade lusófona”. A etimologia da palavra "lusofonia", conforme as autoras, faz referência à Lusitânia, cidade romana dominada pela Hispânia, povoada pelos lusitanos’, já o termo "luso", do latim lusu, remete a lusitano, português, referente a Portugal. Em ambos os casos remete-se para uma centralidade portuguesa, provocando, por vezes, um certo desconforto por parte dos outros países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Para chegar aos aspectos mencionados anteriormente primeiramente desenvolvemos um mapeamento teórico geral sobre a questão dos nacionalismos europeus desenvolvidos durante o século XIX. Tais movimentos ocorreram também por conta de uma evolução lexiográfica, atestando também a importância da língua nesse contexto. Esses nacionalismos oficiais não ocorrem apenas na Europa, mas também noutros países asiáticos e africanos. Neste estudo analisamos igualmente a questão da Identidade, conceito complexo que vem conquistando cada vez mais terreno na atualidade. Consideramos pelas ideias de Veloso (2008) a Identidade como: a) Relacional, definida pelas interações sociais com os outros e por suas características internas; b) Como elemento determinante de pertença e exclusão; c) Como sendo diversa em suas manifestações; d) Como algo formado socialmente; e) Como verbo, ou seja, como ação.
  • Rosa Cabecinhas é doutorada em Ciências da Comunicação (área de conhecimento Psicologia Social da Comunicação) e Professora Associada no Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho. Foi Diretora-Adjunta do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade e Diretora do Mestrado em Ciências da Comunicação. Atualmente é diretora do Departamento de Ciências da Comunicação na mesma Universidade. A sua tese de doutoramento, intitulada Racismo e etnicidade em Portugal: Uma análise psicossociológica da homogeneização das minorias, foi premiada pelo Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas em 2004. Atualmente participa como investigadora em diversos projetos nacionais e internacionais, dedicando-se principalmente às seguintes áreas de investigação: diversidade e comunicação intercultural, memória social, representações sociais, identidades sociais, estereótipos e discriminação social. Os seus trabalhos estão publicados em várias revistas científicas internacionais: Journal of Cross-Cultural Psychology, International Journal of Psychology, International Journal of Conflict and Violence, International Communication Gazette, International Sociology, Swiss Journal of Psychology, Science. Entre as suas obras destacam-se os seguintes livros: Preto e Branco: A naturalização da discriminação racial (Campo das Letras, 2007) e Comunicação Intercultural: Perspectivas, Dilemas e Desafios (em parceria com Luís Cunha; Campo das Letras, 2008).