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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

Requisitos Mínimos:
Windows XP ou superior.
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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Editorial

Identidades, Valores e Modos de Vida[ Voltar às Áreas ]

Mesa nº 8 - Valores: contrastes e vitimação[ Voltar às Mesas ]

  • PAP1273 - O flâneur virtual: voyeurismo e narcisismo na utilização de redes sociais virtuais.
    Resumo de PAP1273 - O flâneur virtual: voyeurismo e narcisismo na utilização de redes sociais virtuais. 
    •  BARBOSA, Pedro, AZEVEDO, José CV - Não disponível 
    • PAP1273 - O flâneur virtual: voyeurismo e narcisismo na utilização de redes sociais virtuais.

      Este projecto de investigação incide sobre o estudo das tendências voyeuristas e narcisistas presentes na utilização das redes sociais na internet, como é o caso do Facebook. Neste momento, mais de 800 milhões de pessoas usam o Facebook activamente, entre os quais se encontram 4 milhões de portugueses . O número de estudos neste campo tem aumentado significativamente, mas em Portugal a carência é ainda assinalável. A internet cresce num contexto pós-moderno, marcado por transformações na identidade pessoal dos indivíduos e no modo de funcionamento das sociedades e das suas instituições. As redes sociais online aparecem num quadro de secularização e urbanização do quotidiano dos indivíduos e encerram um conjunto de dinâmicas sociais ora reprodutoras das dinâmicas formadas em contexto físico, ora germinadas num contexto online. Na intersecção do desenvolvimento da internet com o contexto da transformação das identidades, torna-se relevante retomar o debate em torno da dialéctica público-privado e dos modelos de Sennett, Lasch e Simmel acerca das identidades marcadas por impulsos narcisistas e voyeuristas. A utilização-tipo destas redes vai ao encontro do perfil do flanêur retratado por Simmel que, na teoria do autor alemão, percorria a cidade com uma atenção extrema ao detalhe de tudo o que lhe era externo enquanto assumia uma postura teatral e única por entre os outros. Através de uma estratégia metodológica qualitativa e assumindo a posição da WPA (World Psychiatric Association) de que todos os indivíduos possuem um determinado grau de narcisismo, procurou-se compreender, à luz destes traços de personalidade, os comportamentos dos utilizadores destas redes. A partir de uma abordagem etnográfica, os dados para a análise foram recolhidos através de entrevistas estimuladas com o recurso a fotografias, de análise de conteúdo dessas entrevistas e de análise documental do perfil online dos inquiridos. Os resultados permitirão perceber a influência dos distúrbios narcisistas e voyeuristas da personalidade do indivíduo na construção das auto-narrativas em ambiente virtual.
  • PAP0981 - Entre a identidade e a justiça: contributos da teoria do reconhecimento
    Resumo de PAP0981 - Entre a identidade e a justiça: contributos da teoria do reconhecimento PAP0981 - Entre a identidade e a justiça: contributos da teoria do reconhecimento
    • FONTES, Paulo Vitorino CV de FONTES, Paulo Vitorino
    • PAP0981 - Entre a identidade e a justiça: contributos da teoria do reconhecimento

      A teoria do reconhecimento tem sido desenvolvida consistentemente por Charles Taylor e Axel Honneth, a partir da ideia original de F. Hegel e com os contributos da psicologia social de George Mead. Honneth (2011) formula uma concepção intersubjetiva da autoconciência humana, uma vez que ela é obtida na medida em que o sujeito compreende a sua própria ação a partir da perspetiva, simbolicamente representada, de uma segunda pessoa. Para Honneth, esta tese representa a primeira etapa na fundamentação naturalista da teoria do reconhecimento de Hegel, em que Mead inverte a relação do “Eu” e “mundo social”, afirmando a antecedência da percepção do outro sobre o desenvolvimento da autoconsciência. O sujeito obtém assim a capacidade de participação nas interações normativas do seu meio e ao adotar como suas as normas sociais de ação do outro generalizado, desenvolve a identidade de um sujeito aceite na sua comunidade. Neste processo de socialização, operado na relação intersubjetiva, o conceito de reconhecimento é desdobrado em três esferas: Amor, Direito e Estima Social. Estas esferas, através da aquisição cumulativa de autoconfiança, auto respeito e auto-estima, criam as condições sociais que permitem os atores chegar a uma atitude positiva para com eles mesmos, originando o indivíduo autónomo. De igual forma, às correspondentes formas de reconhecimento mútuo, poder-se-á atribuir experiências paralelas de desrespeito social. Para Taylor (2009), a importância do reconhecimento é admitida hoje universalmente de uma forma renovada. No plano da intimidade somos todos conhecedores de como se forma e deforma a identidade no nosso contato com os outros significativos. No plano social temos uma política incessante de reconhecimento no plano da igualdade. O reconhecimento igual ao ser negado pode prejudicar aquele a quem é recusado. Para Taylor, a projeção no outro de uma imagem depreciativa pode realmente oprimi-lo, na medida em que for interiorizada. A identidade de cada um depende das relações dialógicas estabelecidas com os outros. Segundo Taylor, definimo-nos sempre em diálogo, exterior e interior, por concordância ou oposição, com a identidade que os outros significativos querem, ou quiseram, reconhecer em nós. Neste trabalho pretende-se uma abordagem sociológica capaz de aferir os princípios normativos próprios de uma época, estruturalmente inscritos na relação de reconhecimento recíproco, de modo a explicar os processos de mudança social. Parece adequada uma metodologia qualitativa, compreensiva, com recurso à análise documental e a entrevistas semi-directivas. Pretende-se aplicar o quadro teórico à pesquisa da sociedade insular micaelense, a partir de dois grupos sociais extremos no espetro social, como sejam os indivíduos que se encontram desafiliados socialmente, como o caso dos sem-abrigo por contraste aos indivíduos que se encontram no topo da estratificação social.
  • Paulo Vitorino Fontes, nascido a 9 de Junho de 1975, nos Estados Unidos da América, vive desde a infância nos Açores. Licenciado em Sociologia em 2001 e a realizar a dissertação de mestrado na Universidade dos Açores. Exerce actividade profissional de coordenação e intervenção social e interessa-se pela investigação na teoria crítica com articulação e especial enfoque na teoria do reconhecimento.
  • PAP0742 - Para além da ética da vítima: trauma, vítimas e processos institucionais
    Resumo de PAP0742 - Para além da ética da vítima: trauma, vítimas e processos institucionais 
    •  MENDES, José Manuel CV - Não disponível 
    •  MAIA, Ângela CV - Não disponível 
    •  SALES, Luísa CV - Não disponível 
    • ARAÚJO, Pedro CV de ARAÚJO, Pedro
    •  DIAS, Aida CV - Não disponível 
    •  LOPES, Rafaela CV - Não disponível 
    • PAP0742 - Para além da ética da vítima: trauma, vítimas e processos institucionais

      Propõe-se uma sociologia do trauma que, para além das abordagens culturalistas, se fixe na intersecção entre discursos, dispositivos, materialidades e formas de subjectivação em torno do paradigma da vitimização e nas suas formas de consagração e legitimação. A pesquisa situa-se na análise da tensão das relações entre comunidades de trauma (o conjunto das pessoas afectadas por um determinado acontecimento ou uma determinada experiência traumática), vítimas atomizadas (pessoas que não participam em associações de apoio às vítimas) e vítimas organizadas (pessoas que participam em associações de apoio resultantes de um acontecimento particular ou da organização de experiências traumáticas partilhadas). Mais concretamente, na tensão entre vivência individual da condição de vítima e vivência colectiva do estatuto de vítima. O objectivo central é testar uma tipologia da relação complexa entre comunidades de trauma, vítimas atomizadas e associações de apoio. A hipótese é a de que determinados acontecimentos traumáticos possuem diferentes ritmos e tempos, que poderão originar três lógicas de relação entre comunidades de trauma e associações: uma de intersecção – em que comunidades de trauma e associações de apoio encontram pontos comuns de aproximação -, uma de sobreposição – em que comunidade de trauma e associações se confundem pela prevalência e hegemonia de uma delas -, e, finalmente, uma separação – em que comunidades de trauma e associações de apoio se mantêm discursivamente e nas suas práticas autónomas. As diferentes temporalidades e as lógicas de relação entre comunidades de trauma e associações de apoio são marcadas por processos de negociação de enquadramento dos acontecimentos e de legitimação de determinados discursos, práticas e interlocutores, desempenhando o Estado e as agências internacionais nesse particular um papel fundamental, na medida em que tomam por interlocutor privilegiado as vítimas e os seus representantes que veiculam a ética normalizada de vítima.
  • Pedro Araújo é Mestre em Sociologia pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e licenciado pela mesma Faculdade. É investigador e doutorando do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e membro do Centro de Trauma. Os seus interesses de investigação centram-se em questões relacionadas com a sociologia dos desastres e a cidadania.
  • PAP0738 - O FARDO DO “EU-EXAURIDO”: MASSIFICAÇÃO DO DESEJO E A FELICIDADE DESENCANTADA.
    Resumo de PAP0738 - O FARDO DO “EU-EXAURIDO”: MASSIFICAÇÃO DO DESEJO E A FELICIDADE DESENCANTADA. 
    •  MENEZES, Wellington Fontes CV - Não disponível 
    •  SILVA, Sérgio António da CV - Não disponível 
    • PAP0738 - O FARDO DO “EU-EXAURIDO”: MASSIFICAÇÃO DO DESEJO E A FELICIDADE DESENCANTADA.

      Como é possível entender a angústia humana sem recorrer a modelos herméticos, reducionistas ou mecanicistas? A construção alegórica do “desejo” e da “felicidade” se tornou elementos imperativos num tempo de vivencia e competição desenfreada na sociedade ocidental de massificação do consumo. O homem pós-moderno desfruta da possibilidade de uma miríade infindável de produtos graças ao desenvolvimento e massificação dos meios de produção. O capitalismo rompeu seu lastro com o real, na medida em que a riqueza de uma nação não é mais medida pela quantidade de ouro que guardava em suas fronteiras, mas sobretudo, pelo hiper-dinamismo de suas trocas internas e externas (ou seja, a “volatilidade do capital”). O proletariado, refém do chão da fábrica, deu lugar a um homem contemplativo e submisso ao conhecimento técnico falseado por uma remuneração que lhe da “direito a associar-se” a sociedade de consumo diferente dos padrões de outrora. O mal-estar da civilização contemporânea não nasce do desejo desenfreado daquele que desfruta de maneira irascível todos os sentidos da vida, ou de um homem supostamente liberto, a bem da verdade, ele se instala justamente em um modo hiperatrofiado de sentir e viver a vida. Sendo assim, na impossibilidade factual de conduzir a uma vazão total de suas pulsões, o homem tenderá a canalizá-los para uma finitude de possibilidades de realização. O desejo no homo faber era refreado, controlado e legitimado por um discurso social que valorizava a incipiente realização castradora nas esferas: da matéria, da sexualidade, do prazer, e da moral que almejava. O homem fundado pelo mito do homo faber que se insurgia exigindo não somente parte de sua mais valia espoliada pelo sistema capitalista, sobretudo, pela escravidão imposta pela máquina que o impedia da fruição dos frutos de seu árduo trabalho. Sob a falácia da modernidade conseqüência imediata do automatismo capitalista, nasce um “novo homem”, o “homo max”. Escravizado pela idílica “certeza” de viver na bíblica Terra Prometida, degustando um paraíso cerceado de mel e doce, o “homo max” iludido pela promessa de acesso infinito a todos os bens materiais produzidos socialmente. Anacronicamente, este novo homem mesmo servindo voluntariamente ao sistema, supostamente realizando todos seus desejos, desenvolve o sintoma de um “eu-exaurido”, tanto físico quanto espiritualmente, aprisionando-o dentro de um profundo sistema de desencantamento do mundo. Como proposta de uma alternativa para os dilemas apresentados, o “homo ludens” poderia vir a ser uma possibilidade de uma conjuntura mais lúdica para a existência humana.
  • PAP0225 - Tolerância social e valores: uma exploração de modelos explicativos
    Resumo de PAP0225 - Tolerância social e valores: uma exploração de modelos explicativos PAP0225 - Tolerância social e valores: uma exploração de modelos explicativos
    • CANDEIAS, Pedro CV de CANDEIAS, Pedro
    • PAP0225 - Tolerância social e valores: uma exploração de modelos explicativos

      As pesquisas sobre a tolerância social e política tiveram origem os EUA, na sua génese dedicavam-se exclusivamente à tolerância face a grupos associados à esquerda do espectro político (comunistas, socialistas, ateus), posteriormente, a análise estendeu-se quer a grupos à direita como a outros grupos minoritários como grupos percebidos como etnicamente diferentes (judeus, muçulmanos, etc), como a grupos estigmatizados por motivos comportamentais (toxicodependentes, gays, etc). Os estudos empíricos sobre tolerância têm vindo a evidenciar um incremento da tolerância nas sociedades ocidentais (Muller, 1988). No mesmo sentido, alguns modelos teóricos de valores sociais defendem uma mudança nas orientações valorativas dos cidadãos nas sociedades contemporâneas, referimo-nos mais especificamente à mudança de valores materialistas para valores pós-materialistas defendida por Inglehart (1990; 1997) e a mudança de valores autoritários para valores libertários advogada por Flanagan e Lee (2003). Estes modelos, embora relativamente semelhantes a nível empírico, apresentam explicações relativamente distintas para a sua relação com a tolerância. Tomando como indicador de tolerância social uma das medidas de distância social de Bogardus (1933), a presente comunicação tem dois objectivos. Em primeiro lugar pretende-se expor a relação teórica entre os dois modelos teóricos de mudança de valores e a tolerância social. Num segundo momento, testa-se empiricamente esta relação de valores sociais com a tolerância social face a três grupos, minorias étnicas (pessoas de outra raça, famílias numerosas, muçulmanos, trabalhadores imigrantes, judeus, ciganos, cristãos) grupos estigmatizados (pessoas com passado criminal, alcoólicos, pessoas desequilibradas, pessoas com SIDA, toxicodependentes, homossexuais) e extremistas políticos (de esquerda e de direita). A verificação empírica recorre aos dados mais recentes do European Value Studies (EVS) cujo trabalho de campo decorreu no ano de 2008.
  • Pedro Candeias. Licenciado em Sociologia no ISCTE em 2008, mestrando em Sociologia na mesma instituição. Assistente de investigação no CIES-IUL (Centro de Investigação e Estudos de Sociologia - Instituto Universitário de Lisboa) desde 2009. Principais áreas de investigação: migrações, tolerância social e reinserção social.