PAP1528 - Práticas policiais e cidadania a nível local: a participação dos cidadãos no contexto do policiamento comunitário “Alvalade mais seguro”
Quais as motivações e os limites dos cidadãos para participarem e serem co-produtores da segurança do espaço que habitam? Partindo dos contributos teóricos sobre práticas policiais e cidadania, em que os estudos sobre policiamento comunitário salientam a importância da participação dos cidadãos na segurança a nível local e, os estudos sobre cidadania, sugerem que a urbanidade, o capital social e a confiança nas instituições, são factores importantes para a participação, o estudo analisa em que medida estes factores influenciam a participação dos cidadãos na segurança a nível local. No contexto das práticas policiais de carácter mais preventivo, o policiamento comunitário apresenta como filosofia, que os cidadãos têm algo a contribuir para o policiamento, sendo este sentimento comunicado aos cidadãos, recebendo e incorporando nas suas estratégias, os contributos recebidos da comunidade, tornando-se, a polícia e os cidadãos co-produtores na prevenção do crime (Skolnick e Bayley, 1986). O policiamento comunitário caracteriza-se assim principalmente pela atribuição aos agentes de locais específicos para policiarem, pelas sinergias criadas entre as equipas policiais, a maior participação da comunidade na segurança e o estabelecimento de parcerias com organizações de âmbito social (Brodeur, 1999), sendo assim uma abordagem que privilegia a segurança e a paz face ao controlo da criminalidade, assente no primado de que o seu primeiro e principal dever é assegurar a tranquilidade pública (Fielding, 1996). O estudo, contextualizado no policiamento comunitário realizado pela Polícia Municipal de Lisboa na zona de Alvalade, analisa as atitudes dos comerciantes locais alvo do policiamento comunitário “Alvalade mais seguro”, face à sua participação, enquanto cidadãos, na segurança a nível local. O estudo revelou como factores facilitadores da participação, a valorização de práticas policiais orientadas para a resolução de problemas e o perfil dos agentes das equipas de policiamento comunitário, designadamente a sua disponibilidade para ouvirem os cidadãos e capacidade para estabelecerem relações de confiança. Os resultados do estudo sugerem duas tendências ao nível da participação dos comerciantes na segurança. Por um lado, um perfil de cidadania de cariz securitário, em que os indivíduos atribuem a responsabilidade pela segurança local às polícias e, por outro, um perfil de cidadania participativa, em que se verifica um posicionamento favorável à maior responsabilidade e importância atribuida ao papel dos cidadãos. Os resultados do estudo na zona de Alvalade evidenciam os baixos níveis de cidadania participativa dos comerciantes na segurança a nível local.