PAP1011 - Estagiários e Empresários: o emprego em contexto organizacional
A análise dos percursos dos jovens na transição para a vida activa, assente em estudos extensivos de fluxos e sequência de empregos, desemprego e inactividade, permite caracterizar os processos de emprego juvenil e alguns dos seus problemas. A tendência dos jovens atrasarem a saída do sistema de ensino e o início da actividade profissional, a sua sobrequalificação e efeitos no processo de transição para a vida adulta têm sido evidenciados. No entanto, ao não incidir sobre os contextos organizacionais das primeiras experiências de trabalho, dificultam a compreensão do que, nas organizações, pode influenciar a obtenção do primeiro emprego.
Um estudo de caso de um programa de estágios dirigidos a jovens diplomados, sem experiência de trabalho na área do curso, em pequenas empresas, facilitou a análise da socialização organizacional e dos factores que podem influenciar a criação de emprego, no final do estágio. Pretendeu-se identificar perfis de ajustamento mútuo entre estagiários e empresários, conceito que, embora teorizado, não tem sido estudado empiricamente. Neste estudo entende-se o ajustamento mútuo como resultante do processo de socialização organizacional e para a sua operacionalização foram úteis os trabalhos desenvolvidos nas áreas do comportamento organizacional e sociologia das organizações.
Os estudos realizados sobre socialização organizacional têm como principal referência a teoria de socialização organizacional de Edgar Schein e John Van Maanen (1979), notando-se evolução nas questões centrais e nos métodos de investigação prosseguidos.
O estudo apresentado segue as orientações metodológicas mais recentes para o estudo da socialização organizacional: a) assenta num desenho de pesquisa indutivo; b) não se baseia apenas nos relatos dos indivíduos em socialização, recorrendo a informação recolhida de outras formas, como documentos de arquivo e observação.
Realizaram-se entrevistas exploratórias a estagiários, ex-estagiários, empresários e tutores externos. Recorreu-se a métodos não interferentes como a análise documental de questionários já aplicados e outros documentos. Para além da análise de conteúdo e recorreu-se aos modelos de classes latentes para a criação da variável latente ajustamento mútuo e identificação dos seus perfis.
A solução óptima consistiu num modelo que conduziu à estratificação em duas classes latentes, suportada pelas análises qualitativa e quantitativa: uma com 75% dos casos, a outra com os restantes 25%, constituindo os perfis de ajustamento mútuo, que classificámos de Ajustados e Desajustados, face às características evidenciadas. Discutem-se as possíveis implicações para as políticas de emprego e gestão de recursos humanos.
Palavras-chave: Ajustamento mútuo; socialização organizacional; emprego de diplomados; estágios; métodos mistos de investigação