PAP1458 - Modernização e trabalho: qualificação profissional na agroindústria canavieira paulista
Com base na literatura selecionada, podemos considerar que nos últimos anos diversos cientistas sociais têm se debruçado intensamente sobre as mudanças no mundo do trabalho, evidenciando a necessidade de novos estudos sobre o que tais mudanças têm representado para os sujeitos coletivos (sindicatos e trabalhadores) envolvidos no processo. Sendo assim, questionar as mudanças na percepção e práticas se tornam importantes no decorrer dos estudos. Este trabalho tem por objetivo apresentar alguns resultados de nossas pesquisas acadêmicas, que atualmente envolvem as temáticas do sindicalismo assalariado rural, da modernização do complexo sucroalcooleiro e das novas ações patronais no desenvolvimento da qualificação profissional. O Brasil hoje caracteriza-se por ser um dos maiores produtores de açúcar e álcool do mundo. A safra de 2008/2009 atingiu a produção de 572,64 milhões de toneladas de cana. O setor na Região de Ribeirão Preto/SP, conta com as mais desenvolvidas formas de tecnologia, gestão e organização da produção e é pólo nacional da produção sucroalcooleira. A produção realiza-se em um processo contínuo em busca de produtividade e qualidade para inserção nos mercados internacionais e, no entanto, essa modernização não se realiza independentemente do trabalho manual precário. A reestruturação produtiva iniciada na década de 1990 tem trazido aos assalariados rurais do corte de cana uma maior precarização das condições de trabalho, com a elevação dos índices de produtividade, combinada ao desemprego de diversos trabalhadores. Além de uma redução significativa da oferta de emprego no setor, hoje, as usinas passam a exigir perfis diferenciados de trabalhadores. No contexto atual, as empresas do setor vêm sendo chamadas a demonstrar critérios de sustentabilidade como forma de inserção ou manutenção nos mercados mundiais. O trabalho precário no corte manual de cana vem sendo substituído progressivamente e, nesse sentido, além das novas qualificações exigidas pelas tecnologias incorporadas, as usinas, juntamente com sindicatos dos assalariados rurais desenvolvem uma série de programas de qualificação profissional, como é o caso do “Programa RenovAção”, que visa requalificar os trabalhadores do corte manual desempregados pela crescente mecanização. Analisamos como este programa tem atuado na reinserção destes trabalhadores, levando-se em conta as especificidades da mão de obra que qualifica, caracterizada pela sazonalidade, condição migrante e baixíssima escolaridade. Buscamos, portanto, entender qual a contribuição deste tipo de requalificação ou capacitação profissional ao trabalho, quais são seus sentidos no mercado de trabalho sucroalcooleiro atual e, posteriormente, quais são as influências desta para a organização do trabalho.