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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Editorial

ST5 Trabalho, Organizações e Profissões[ Voltar às Áreas ]

Mesa nº 4 - Reestruturações produtivas e dinâmicas dos actores sociais II[ Voltar às Mesas ]

  • PAP1553 - Crise econômica, fechamento de unidades industriais e dois casos de resistência e gestão operária na América Latina: Zanon e Flaskô
    Resumo de PAP1553 - Crise econômica, fechamento de unidades industriais e dois casos de resistência e gestão operária na América Latina: Zanon e Flaskô 
      PAP1553 - Crise econômica, fechamento de unidades industriais e dois casos de resistência e gestão operária na América Latina: Zanon e Flaskô

      É uma tendência que as crises mundiais sejam acompanhadas de desaceleração produtiva nos países mais afetados. Isto se traduz em fenômenos de reestruturação produtiva tais como o aumento no índice de deslocamento e fechamento de unidades industriais, com consequente aumento dos índices de desemprego neste setor, o quê contribui com o aumento dos índices de desemprego aberto. Inclusive porque as políticas econômicas governamentais para os períodos de crise têm fracassado em impedir tais consequências, em função dos objetivos fixados em acordos acerca das políticas fiscais, monetárias e cambiais. As quais podem agravar o desempenho produtivo nacional, sobretudo nos casos onde se observam assimetrias econômicas no interior de mercados comuns. Derivado destas tendências, a sequência de crises mundiais da década de 1990 afetou sobremaneira as economias dos países da América Latina e culminou no colapso argentino em 2001. E atualmente, desde 2008, após curto período de crescimento, novamente a crise repõe ameaças sobre o setor industrial na região, mas também na Europa e EUA. Neste contexto, desde há duas décadas, surgiram iniciativas de coletivos operários para resguardar seus postos de trabalho, em particular na América Latina. São casos de empresas, sobretudo no setor manufatureiro, as quais, antes ou depois de sua falência, passam a administração dos trabalhadores cujo objetivo é o de as manterem produtivas. Neste estudo, focamos as consequências das crises na Argentina e no Brasil, entre 2001 e 2010, comparando o impacto sobre sua base industrial, sobre o crescimento do desemprego aberto e do crescimento da taxa de falência de empresas industriais em ambos os países. Dentro do contexto comparativo dos efeitos da crise sobre a economia de ambos os países do MERCOSUL, também realizamos um largo estudo sobre dois casos particulares de empresas que, na eminência de falência e fechamento, foram ocupadas pelos trabalhadores com amplo apoio social e seguem sob administração coletiva dos operários: a cerâmica Zanon na região patagônica da Argentina e a produtora de embalagens industriais Flaskô, na região sudeste do Brasil. Observamos que tais experiências se destacaram entre centenas de outras em cada país a partir da década de 1990, por sua resistência temporal, pela capacidade de a gestão coletiva operária manter e ampliar os postos de trabalho e a remuneração dos trabalhadores. Também por outras modificações internas como: redução da jornada de trabalho, achatamento da hierarquia salarial rumo a remuneração igualitária, coletivização das decisões, rotatividade nos postos de responsabilidade e progressividade de funções, redução drástica de acidentes e da incidência de enfermidades físicas e mentais ligadas ao trabalho, além da ampliação do ativismo social dos trabalhadores envolvidos, seja nas organizações sindicais, movimentos sociais e na agenda política local, regional e nacional.
  • PAP1245 - Trabalho imigrante no Japão, os dekasseguis e a crise econômica
    Resumo de PAP1245 - Trabalho imigrante no Japão, os dekasseguis e a crise econômica  
    •  RONCATO, Mariana Shinohara CV - Não disponível 
    • PAP1245 - Trabalho imigrante no Japão, os dekasseguis e a crise econômica

      Dekassegui em língua japonesa significa o ato do trabalhador sair de sua terra natal em busca de melhores condições de vida como para ganhar dinheiro em outra localidade. Entretanto, esta terminologia sofre uma ressignificação, passando igualmente a designar os brasileiros descendentes de japoneses que emigram para o Japão. Atualmente, transcorrido mais de 20 anos desde o início do chamado fenômeno dekassegui, existem mais de 230 mil imigrantes brasileiros no Japão. O lugar que o trabalho imigrante ocupa no capitalismo japonês situa-se, em sua maioria, na indústria automobilística assim como na de eletroeletrônicos. Já em sua segunda ou terceira geração, os trabalhos que os dekasseguis executam são trabalhos como operários em fábricas subcontratadas de grandes empresas nacionais. A maior parte destes trabalhados tendem a ser sem seguridades sociais, com também possuem relações de trabalho flexibilizadas, majoritariamente terceirizadas e part time job. Entretanto, especialmente desde a crise econômica de 2008, acentuou-se a tendência de precarização do trabalho, evidenciado suas contradições na sociedade japonesa como um todo, seja esta na realidade do trabalho imigrante, como também na do próprio trabalhador japonês. O chamado emprego vitalício, relação de trabalho conhecida e propagandeada sob o modelo japonês já não faz mais parte de sua cultura do trabalho. Os tipos de cotratos de trabalho temporário (hiseiki-koyou) que engloba diversas relações de trabalho informais (part time, terceirizado etc) atingem cerca de um em cada três trabalhadores no Japão. Estas relações de trabalho tendem a ter como consequências: o baixo salário, seguridades sociais precárias ou ausentes, alta rotatividade, maior chance de desemprego, entre outros reflexos no cotidiano do trabalhador e sua família. Segundo a literatura japonesa, desde a crise econômica de 2008, houve um aumento no desemprego no país, especialmente no que toca aos terceirizados. A população de imigrantes brasileiros que em 2008 contava com 312 mil residentes, tem a sua maior queda para 267 mil brasileiros no ano de 2009, efeito direto da crise financeira de 2008. Ainda segundo a mesma literatura, a razão do desemprego dekassegui estava na sua concentração nos nichos mais afetados durante a crise econômica: o da exportação, indústrias automobilísticas e de eletroeletrônica. À luz destas considerações, pretenderemos desenvolver neste artigo, uma análise das condições de trabalho do dekassegui brasileiro e suas mediações com outras categorias da sociedade japonesa. Ainda que o imigrante tenha as suas particularidades, suas condições objetivas e subjetivas tem paralelos com outras manifestações e fenômenos da sociedade de destino. Neste caminho, a atual crise que o Japão atravessa parece nos evidenciar novas questões para a compreensão do lugar do trabalho imigrante.
  • PAP1133 - Mutações do trabalho e da pobreza na modernidade avançada
    Resumo de PAP1133 - Mutações do trabalho e da pobreza na modernidade avançada PAP1133 - Mutações do trabalho e da pobreza na modernidade avançada
    • SILVESTRE, Agostinho Rodrigues CV de SILVESTRE, Agostinho Rodrigues
    •  FERNANDES, Luís CV - Não disponível 
    • PAP1133 - Mutações do trabalho e da pobreza na modernidade avançada

      TÍTULO: Mutações do trabalho e da pobreza na modernidade avançada. Palavras – Chave: Trabalho; Mercado de trabalho; Pobreza; Processos de marginalização social. O tema nuclear da comunicação é o das relações entre trabalho, desigualdades sociais e pobreza. A argumentação constrói-se a partir de revisão bibliográfica sobre o tema e de investigações anteriores levadas a cabo pelos autores. Organiza-se em duas partes: na primeira discutem-se as mutações que o trabalho tem conhecido sobretudo nas últimas quatro décadas, tanto ao nível das suas manifestações empíricas como do seu valor simbólico e poder estruturante dos percursos biográficos; na segunda, a sua relação com a pobreza e a marginalização social na modernidade avançada. Faz-se de início um breve percurso pelo modo como foi assumindo, ao longo da Modernidade, o papel de estratégia de normalização e de ética da disciplina, adquirindo um elevado estatuto socioeconómico e politiconormativo. Em seguida, e com base na revisão de investigações que têm procurado equacionar o que está a acontecer ao trabalho e em indicadores da sua caraterização fornecidos por vários organismos, analisam-se as transformações por que tem passado, sistematizando-as em três linhas: a da sua rarefação, a da sua segmentação e fragmentação do estatuto do trabalhador e a da relação do trabalho com a construção da experiência biográfica dos atores. As mutações a que aludimos não se impõem sem resistência, mantendo-se atualmente respostas que tendem a prolongar os papéis e a ética tradicional do trabalho. É deste modo que contextualizamos a procura de algumas novas jazidas de emprego, bem como as politicas implementadas, em Portugal como em grande parte dos países da União Europeia, para a promoção do emprego e de apoio aos desempregados. Ainda que se insista na manutenção desta lógica, os dados de variadas investigações mostram que as transformações em curso no mercado de trabalho constituem mecanismos de aprofundamento das desigualdades e de clivagens sociais. Analisamos algumas leituras que têm sido propostas para o esclarecimento destes mecanismos. Em suma, a problematização que perpassa toda a comunicação é a das consequências já detetáveis destas mutações, conduzindo-nos a questões como a de saber se podemos continuar a considerá-lo como o grande integrador da experiência pessoal e social, ou se o papel da atividade profissional nos processos de socialização e de construção das identidades deve ser relativizado, ou ainda, e mais geralmente, saber se o trabalho se cumpre ainda como forma de realização de si ou se, pelo contrário, se arrisca a ser potenciador de desigualdades e de marginalização social.
  • Agostinho Rodrigues Silvestre
    Assistente social. Mestre em Psicologia do Comportamento Desviante pela FPCEUP, onde frequenta o programa Doutoral em Psicologia. É docente na Universidade Portucalense. É há 17 anos diretor executivo da Agência de desenvolvimento integrado de Lordelo do ouro (ADILO), no âmbito da qual tem concebido e coordenado vários projetos de intervenção social e comunitária. Presidente da associação Norte Vida. Desenvolve investigação sobre trabalho e processos de marginalização social extrema.
  • PAP0590 - Reestruturação Produtiva e Organização do Trabalho no Pólo Oleiro-Cerâmico de Iranduba-AM
    Resumo de PAP0590 -  Reestruturação Produtiva e Organização do Trabalho no Pólo Oleiro-Cerâmico de Iranduba-AM 
    •  MACIEL, Cleiton Ferreira CV - Não disponível 
    •  VALLE, Maria Izabel de Medeiros CV - Não disponível 
    •  MOURA, Jeanne Mariel Brito de CV - Não disponível 
    • PAP0590 - Reestruturação Produtiva e Organização do Trabalho no Pólo Oleiro-Cerâmico de Iranduba-AM

      Nossa pesquisa tem por objetivo evidenciar e discutir a reestruturação produtiva e sua relação com a organização do trabalho em três empresas do Pólo oleiro-cerâmico de Iranduba, setor que fabrica cerca de 80% de tijolos e telhas consumidos na cidade de Manaus, metrópole com 2 milhões de habitantes, e que está localizada na Amazônia brasileira. Nos últimos anos esse setor tradicional da economia do estado do Amazonas- Brasil vem passando por transformações no âmbito da configuração do trabalho que estão ligadas ao processo global da nova forma de acumulação do capital, qual seja, a acumulação flexível. A introdução de técnicas organizacionais, como Círculos de Controle de Qualidade, Programa 5S, e busca por certificação internacional ISO 9000 e 14000 caracterizam esse cenário. Nesse sentido, nosso trabalho busca compreender como emerge e desenvolve-se esse processo de reconfiguração produtiva em um setor que, até pouco tempo, era caracterizado pela baixa tecnologia empregada na fabricação dos seus produtos, e que usava a madeira nativa como matéria-prima na queima dos tijolos e telhas. Trata-se, portanto, de investigar de que forma uma fábrica local tradicional é incorporada por meios globais de dinamização do capital e, em que sentido, se desenvolve a racionalidade capitalista no interior de um processo produtivo recente no contexto oleiro-cerâmico. Além disso, a pesquisa procede à compreensão das estratégias empreendidas pelos proprietários das olarias quando da implantação de inovações tecnológicas e organizacionais, bem como analisa a ação dos trabalhadores oleiros frente a essas mudanças na organização do trabalho implementadas pelo empresariado local.
  • PAP0428 - O arranjo produtivo local dos construtores de barcos artesanais; fundamentos para o desenvolvimento endógeno do Baixo-Tocantins(PA).
    Resumo de PAP0428 - O arranjo produtivo local dos construtores de barcos artesanais; fundamentos para o desenvolvimento endógeno do Baixo-Tocantins(PA). 
    •  CORRÊA, Edson de Jesus Antunes CV - Não disponível 
    • PAP0428 - O arranjo produtivo local dos construtores de barcos artesanais; fundamentos para o desenvolvimento endógeno do Baixo-Tocantins(PA).

      Este trabalho é um estudo de caso do Arranjo Produtivo Local – APL da indústria da construção naval artesanal no município de Igarapé-Miri região do Baixo – Tocantins. Atividade esta formado por estaleiros gerenciados por mestres trabalhadores detentores de um acervo intelectual tácito, passado de geração em geração. Objetiva investigar o potencial do APL da construção naval artesanal como fundamento do desenvolvimento endógeno na região. Deste modo, se analisou suas principais características, estrutura de produção, custo, ocupação, mercado e emprego nas pequenas empresas do APL da indústria naval bem como a dinâmica e a potencialidade do setor, os seus principais problemas e os entraves ao seu desenvolvimento. Dessa forma, a pesquisa constatou a crescente produção por tonelagem da indústria naval e os atores econômicos, políticos e sociais que dela tem se beneficiado. A pesquisa adotou o padrão metodológico das experiências de estudos de sistema de aprendizagem e inovações buscando entender sistemas e arranjos produtivos locais fundamentado na visão evolucionista sobre inovação e mudança tecnológica.
  • PAP0029 - As metamorfoses do trabalho no capitalismo global: Um estudo comparativo entre o setor das telecomunicações no Brasil e em Portugal.
    Resumo de PAP0029 - As metamorfoses do trabalho no capitalismo global: Um estudo comparativo entre o setor das telecomunicações no Brasil e em Portugal. 
    • COSTA, Elizardo Scarpati CV de COSTA, Elizardo Scarpati
    • PAP0029 - As metamorfoses do trabalho no capitalismo global: Um estudo comparativo entre o setor das telecomunicações no Brasil e em Portugal.

      A presente comunicação tem como objetivo apresentar uma breve etnografia das relações de trabalho e de negociação coletiva, que são estabelecidas em duas empresas do setor de telecomunicações no Brasil e em Portugal. Trata-se de um estudo comparativo dos setores de telecomunicações entre os dois países, apesar de reconhecermos que há diferenças estruturais e superestruturais no desenvolvimento econômico, cultural e social dos dois países. Neste sentido, acreditamos que os efeitos da globalização têm incidindo nas atuais metamorfoses do mundo do trabalho que estão na ordem do dia. Essas mudanças nas relações laborais têm colocado mesmo diversos cientistas sociais à refletir sobre elas. Por um lado, é notória a constante heterogeinização, fragmentação e complexificação das relações laborais. Por outro lado, ocorreu uma mudança na organização do trabalho nas empresas, como é o caso do setor terciário onde estão inseridos os serviços de telecomunicações. Com o incremento da segmentação e da flexibilidade do mercado de trabalho, através da expansão da precariedade e da precarização (Alves, 2000), consecutivamente, ocorreu em larga escala, a perda de direitos trabalhistas e sociais (contratos de trabalho com prazos determinados, subcontratações, informalização do trabalho e flexibilizações), a persistência de segmentos importantes da população economicamente ativa no desemprego - o desemprego estrutural surgiu os chamados “desemprecários” (dificuldades de inserção laboral juvenil e adulta no mercado de trabalho), são fatores consequentes da atual arquitetura económica, política e social vigente. Neste sentido, vamos analisar uma categoria de trabalhador que é específica do setor de telecomunicações (dos call centers) - os operadores de teleatendimento. Portanto, é em grande medida que entre a precariedade e a flexibilidade estão colocados os trabalhadores no século XXI (Kovács, 2005).
  • Sociólogo, é graduado em Ciências Sociais (Sociologia) pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Mestre em Sociologia pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC) Portugal,e mestre em Sociologia pela L´École de Haltes Études en Science Sociales (EHESS) Paris-França. Atualmente é doutorando em Sociologia pelo programa de Relações de trabalho, desigualdades sociais e sindicalismo do Centro de Estudos Sociais(CES)da Universidade de Coimbra. Os seus atuais interesses de pesquisa estão voltados para sociologia dos movimentos sociais,do Trabalho e do direito.