PAP0682 - Trabalho e gênero no setor confeccionista brasileiro de Uberlândia - MG
Este trabalho apresenta resultados parciais de uma pesquisa intitulada “A feminização do setor confeccionista em Uberlândia: representações sociais e condições de trabalho”. O presente texto analisa os mecanismos que respondem pela feminização do setor de confecções, um dos mais importantes no cenário da produção industrial de Uberlândia, município brasileiro do interior do Estado de Minas Gerais, que responde pela produção média de 5500 peças/mês - constituído por 90% de mulheres e 10% de homens. Focaliza, ainda, aspectos da divisão sexual do trabalho nas unidades fabris do setor, as condições de trabalho dos(as) operários(as), e as estratégias utilizadas para conciliar as atividades fabris e domésticas. Procura elucidar a imbricação das relações de classe e de gênero que informam as relações estabelecidas no espaço profissional ora analisado, considerando que sua feminização contribui para a precarização do trabalho no setor, hipótese corroborada por denúncias de dumping social praticado por unidades fabris do município, e também pelo fato do setor terceirizar determinadas etapas da produção para reduzir seu custo e ampliar a margem de lucro; de utilizar-se, em larga medida, de atividades façonistas que perfazem 40% da produção local, nas quais também predomina o trabalho de mulheres que, não raro, veem nessas modalidades precarizadas de trabalho, a possibilidade de conciliar as atividades fabris e domésticas. Considera-se que o predomínio da mão-de-obra feminina no setor analisado resulta da trama de relações de gênero que transversam a totalidade social, entendidas estas, como construções histórico-culturais que, no intuito de justificar e legitimar relações desiguais, hierarquizadas, estabelecidas entre sujeitos sociais de sexos diferentes, naturalizam-nas. E o atual sistema de acumulação flexível delas se apropria, utilizando-as como um dos mecanismos potencializadores da produtividade, e geradores de formas específicas de exploração e dominação. O estudo, de natureza qualitativa, ancora-se em vertentes da Sociologia do Trabalho e dos Estudos das relações sociais de sexo/gênero, sobretudo, nas reflexões de Scott, Kergoat e Hirata. O texto resulta de pesquisas bibliográficas, documental, e de campo - por meio da observação dos espaços de trabalho, da aplicação de questionários e realização de entrevistas semi-estruturadas.