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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Editorial

Teorias e Metodologias[ Voltar às Áreas ]

Mesa nº 6 - Pensar a prática: opções teórico-metodológicas e (auto-)reflexividade[ Voltar às Mesas ]

  • PAP1526 - O ESPAÇO BIOGRÁFICO CONTEMPORÂNEO: DESAFIOS À METODOLOGIA
    Resumo de PAP1526 - O ESPAÇO BIOGRÁFICO CONTEMPORÂNEO: DESAFIOS À METODOLOGIA 
    • CONDE, Idalina CV de CONDE, Idalina
    • PAP1526 - O ESPAÇO BIOGRÁFICO CONTEMPORÂNEO: DESAFIOS À METODOLOGIA

      Que desafios se colocam hoje à abordagem biográfica na sociologia? Esta comunicação propôe um breviário de questões e novas vias suscitadas pela noção de espaço biográfico com vários sentidos, suportes e narrativas. Uma noção emergente e multidisciplinar que acolhe tanto o registo das histórias de vida nas ciências sociais aos outros de vidas faladas, escritas, documentadas e ficcionadas no quotidiano, nos media, nas imagens, no ciberespaço, nas artes, entre mais horizontes. Auto/biográficamente, habitamos pois um espaço interdiscursivo, polissémico e híbrido, duplamente reflexivo e mediatizado das vidas, mesmo nas suas formas mais intimistas. Um espaço público e privado, trans/local e multi/cultural, cosmopolita e vernacular. Em suma, babélico e dialógico com a polifonia de vozes sobre as vidas, tal como desigual ou segmentado nos modos de cada uma falar e reclamar a sua “verdade”. Assim, a própria definição de auto/ biografia ou récits de vie para os indivíduos e comunidades, ganhou mais cambiantes e extensão nesse espaço em que o “biográfico” tanto convoca como circula quatro grandes eixos com metamorfoses contemporâneas: subjectividade e identidade, memória e história. Para a sociologia, são expressões plurais da vida que também requerem novas abordagens e versatilidade metodológica para além de protocolos mais habituais – ou tradicionais. Note-se, aliás, que este entendimento lato do biográfico advém de várias viragens nas ciências sociais (pós-estruturalista, etnográfica, historicista, narrativista, ético-política, etc.) com problemáticas abrangentes. Nomeadamente, relativas a re/construções, pluralidade e reflexividade dos indivíduos e das suas identidades; multiculturalidade e dialogismos; patrimónios orais, escritos e mnemónicos; remapeamentos contextuais pela glo(c)alização e diáspora; mediatização, interdiscursividade e hibridação das esferas pública/privada; cidadania com as dimensões da literacia, empowerment e inclusão, etc. Daí decorreu a renovação das abordagens biográficas desde finais dos anos 90, segundo “movimento biográfico” depois de um primeiro ainda na primeira metade dos anos 80. Na comunicação será apresentado um quadro conceptual e metodológico tando em vista esta enquadramento e a recontextualização da abordagem biográfica. Segundo uma perspectiva multidimensional quer para a captura factual e cronológica das vidas, quer para a análise das suas narrativas. Isto é, tanto relativa a “conteúdos”, o que os indivíduos (e as comunidades) nos contam ou dizem, quanto a “modos”: como falam, com que modelações reflexivas e discursivas. Tendo eu própria escrito sobre essa perspectiva desde o início dos anos 90, venho então, agora, retomá-la e actualizá-la.
  • Idalina Conde. Docente no Departamento de Sociologia da Escola de Sociologia e Políticas Públicas do ISCTE-IUL Instituto Universitário de Lisboa e investigadora do CIES - Centro de Investigação e Estudos de Sociologia. Principal domínio de actividade e interesses sociologia da arte e da cultura, bem como abordagens biográficas.
  • PAP1189 - Pluralidade Epistemológica, Metodologias e Experiências de Vida
    Resumo de PAP1189 - Pluralidade Epistemológica, Metodologias e Experiências de Vida  
    • MIRA, Feliciano de CV de MIRA, Feliciano de
    • PAP1189 - Pluralidade Epistemológica, Metodologias e Experiências de Vida

      A invenção sai pelas frechas dos lugares abrigados na memória, para se oferecer aos temas relacionados com o objecto a criar. Esses lugares abrigam elementos do saber e questões que se resolvem no momento da invenção. Mesmo depois do acto inventivo exige-se à memória compor a elocução discursiva, utilizando metodologias específicas. A contemporaneidade pós-moderna recupera a invenção como um recurso alternativo de criatividade, conjugando memória espacial com memória corporal, coabitando lugares com os não lugares. Esta linha de transição de apreender a natureza dos factos sociais, exige um sentido indicial da leitura dos factos, inscritos em contextos matriciais de origem e a referência dos saberes em disputa na explicação. Então a relação produção-reprodução social implica mudança e pluralidade epistemológica. A forma de representação que expressa essa mudança, ao nível das categorias analíticas e conceptuais envolvidas na problemática da pesquisa e na produção dos conhecimentos, corresponde a um imaginário particular dentro de um modo de produção semântica específico. A mudança de paradigma orientativo da pesquisa sugere linhas de reflexão sobre o território dominado pela monocultura do saber, para que se abram possibilidades de transformar a imaginação sociológica num fértil caminho para a inclusão de novos métodos e técnicas de pesquisa. Não fazemos a divisão da teoria e da metodologia em duas instâncias separadas, o empirismo não se separa das opções teóricas, antes é portador de práticas subjectivas. O diálogo com o corpo de hipóteses, é derivado de um conjunto de pressuposições teóricas, funcionando, então, o dado empírico como prova ou evidência de questionamento. O contexto e as instituições capitalizam o direito de fundação e do domínio sobre as linhas de pesquisa e resultados finais, assim como e também, os actores do processo de pesquisa estão inseridos em modelos sócio-culturais e histórias de vida que sugerem uma poética da experiência pessoal. Encontrados os fundamentos de uma epistemologia metafórica, urge associá-la a princípios de decifração de conteúdos. A construção do objecto de pesquisa é um processo lento e descontínuo, com retoques sucessivos a partir de indicações práticas visando atingir todas as possibilidades explicativas onde o mediador deste processo é a própria experiência de vida do investigador social.
  • Feliciano de Mira (1957) CES- Universidade de Coimbra. Doutor em “Socio-économie du développement” pela École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris ; Doutor em Sociologia Económica e das Organizações pelo Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa. Os atuais interesses de investigação envolvem estudos comparados sobre o desenvolvimento; socio-economia do direito ; epistemologias, saberes e metodologias de investigação; hibridização e estudos culturais comparados.
  • PAP1187 - Pensar a vida: desafios e estratégias metodológicas na análise da reflexividade individual
    Resumo de PAP1187 - Pensar a vida: desafios e estratégias metodológicas na análise da reflexividade individual 
    • CAETANO, Ana CV de CAETANO, Ana
    • PAP1187 - Pensar a vida: desafios e estratégias metodológicas na análise da reflexividade individual

      O conceito de reflexividade tem vindo a ser particularmente mobilizado na produção sociológica das últimas duas décadas. O recurso a esta noção enquadra-se geralmente na referência a processos de transformação das sociedades contemporâneas que têm implicações nas vivências quotidianas dos indivíduos. Mas a utilização deste conceito tende a remeter muitas vezes para dinâmicas sociais implícitas, assumidas como parte integrante das existências contemporâneas, sem que a complexidade da noção de reflexividade seja decomposta e explicitada. Na realidade, pouco tem sido feito no sentido de compreender a forma como operam os processos através dos quais as pessoas reflectem sobre si mesmas, tendo em consideração as suas circunstâncias sociais. À frequente utilização da noção de reflexividade nem sempre tem correspondido um debate aprofundado e a aplicação de estratégias operatórias de análise do conceito. Como estudar empiricamente modos de pensar, ponderar, deliberar e decidir? Como aceder e tornar visíveis processos sociais internos, frequentemente circunscritos à privacidade mental de cada pessoa? A prossecução deste tipo de investigação coloca um conjunto relevante de problemas de cariz teórico, operatório e metodológico que têm de ser devidamente considerados. O objectivo desta comunicação passa por reflectir especificamente sobre os desafios metodológicos da análise do conceito de reflexividade. A apresentação enquadra-se numa investigação de doutoramento, em curso, cujo foco analítico se direcciona para os processos e mecanismos de constituição, desenvolvimento e accionamento da reflexividade individual. O dispositivo metodológico desenvolvido neste âmbito centra-se na realização de entrevistas biográficas, que têm lugar em mais do que uma sessão, a um conjunto socialmente diversificado de pessoas. É discutida a abordagem biográfica como estratégia privilegiada para aceder aos mecanismos sociais de reflexividade. A comunicação incide em particular na reflexão sobre o papel desempenhado por parâmetros do dispositivo metodológico, como sejam o guião, a segmentação das entrevistas em mais do que uma sessão, os espaços onde as mesmas decorrem e a relação entre investigadora e entrevistadas/os.
  • Ana Caetano é licenciada em Sociologia pelo Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), instituição onde completou também a pós-graduação em Análise de Dados em Ciências Sociais, e onde frequenta actualmente o Programa de Doutoramento em Sociologia. É assistente de investigação no CIES-IUL e bolseira de doutoramento pela FCT. Tem vindo a trabalhar sobre as temáticas da reflexividade individual, estudantes do ensino superior e articulação entre trabalho e vida familiar.
  • PAP0589 - A reflexividade como atitude fundamental do processo de investigação
    Resumo de PAP0589 - A reflexividade como atitude fundamental do processo de investigação 
    • FARATE, Regina Tralhão CV de FARATE, Regina Tralhão
    • PAP0589 - A reflexividade como atitude fundamental do processo de investigação

      O reconhecimento da importância e da riqueza heurística das explorações disponíveis no campo das ciências sociais contemporâneas, constitui o lugar a partir do qual a autora procura discutir, de modo reflexivo e crítico, aspetos fundamentais da investigação qualitativa. Caracterizada como campo interdisciplinar, transdisciplinar e, algumas vezes, contra disciplinar, a investigação qualitativa é transversal às humanidades, às ciências sociais e às ciências físicas sendo, deste modo, multiparadigmática. Se, por um lado, a investigação qualitativa reflete, em resultado de diversas convergências históricas, entusiasmo, criatividade, fermento intelectual e ação; por outro lado, reflete também um locus de divergências que assentam, sobretudo, na natureza das crenças que fundamentam os desenhos da investigação que ativam posições céticas desafiadoras e mobilizadoras de resistências várias. A investigação qualitativa abarca simultaneamente duas grandes linhas de tensão: por um lado, a atração por uma sensibilidade interpretativa, pós-experimental, pós-moderna, pós-colonial, feminista e crítica; por outro lado, o inscriptio em conceções positivistas, pós-positivistas, humanistas e naturalistas da experiência humana. É a partir da identificação e análise dessas fraturas que a autora procura discutir os princípios subjacentes a dois lugares específicos de controvérsia na investigação qualitativa: a legitimidade (ou validade) e a representação. Neste particular, o Outro, a representação desse Outro e a autoridade que os investigadores reivindicam para os mundos (os textos) que constroem (a legitimação) constituem aspetos-chave dessas controvérsias. Finalmente, esta discussão é fundamentada na importância primordial que a autora atribui à investigação como processo relacional no qual a reflexividade é a atitude fundamental para a sua realização.
  • Regina Cláudia da Conceição Tralhão-Farate
    Afiliação: Instituto de Filosofia da Universidade do Porto
    Área de Formação: Serviço Social/Sociologia/Filosofia
    Interesses de Investigação: Metodologias qualitativas de investigação/Epistemologia/Fenomenologia Hermenêutica/Ética
  • PAP0535 - Dos cientistas sem fronteiras metodológicas e da sua responsabilidade intelectual
    Resumo de PAP0535 - Dos cientistas sem fronteiras metodológicas e da sua responsabilidade intelectual 
    • CACCIA-BAVA, Augusto CV de CACCIA-BAVA, Augusto
    • PAP0535 - Dos cientistas sem fronteiras metodológicas e da sua responsabilidade intelectual

      As Ciências Sociais no Brasil vivem processo de revigoramento, em consequência dos debates em torno das inovações metodológicas que se realizam nos congressos das suas grandes áreas – Sociologia, Antropologia e Ciência Política. Na Sociologia brasileira apresentou-se, nos anos de 1990, a tese de a fenomenologia sair-se como projeto teórico-metodológico vitorioso. Afirmava-se, a partir de então, a necessidade de os cientistas trazerem, sempre, evidências empíricas ao debate dos considerados novos fenômenos sociais; que as reflexões teóricas abstratas, mesmo que rigorosas deixavam de refletir compreensão profunda dos temas presentes. A exigência de rigor na análise empírica dos fenômenos levou a muitos a se distanciarem de referenciais éticos de produção de conhecimento científico, comprometendo a produção científica, em seus valores universais como, também, a integridade de grupos humanos investigados. Esses cientistas foram objeto de crítica acadêmica e pública, no México e no Brasil. Confrontos de posições ocorreram e ocorrem, na busca de se redefinirem, ou se reafirmarem concepções de liberdade intelectual, limites éticos, sujeitos do conhecimento e fronteiras territoriais no reconhecimento dos sujeitos investigados e o próprio fundamento social do conhecimento científico. Retoma-se, no século XXI, no início de sua segunda década, o debate sobre a configuração dos sujeitos do conhecimento, suas referências históricas e culturais, seus lugares e sua responsabilidade intelectual. Fenomenologia, hermenêutica, dialética kantiana e concepções teóricas e metodológicas gramscianas se encontram num fértil campo de luta. A fenomenologia adere aos estudos de criminalidade e delinquência; a dialética kantiana às pesquisas vinculadas à compreensão de todas as gerações de direitos humanos; a hermenêutica na construção da verdade e do consenso. E princípios teóricos e metodológicos gramscianos constituem-se em base de compreensão das dimensões dos confrontos sociais presentes. Todos, com vistas ao alcance de maior lucidez.
  • Graduação em Ciências Políticas e Sociais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (1974); Mestrado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1987) e Doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (1995). Atualmente é editor da Revista Segurança Urbana e Juventude da Faculdade de Ciências e Letras, da Unesp, Campus de Araraquara..Representou essa Faculdade no Foro Latinoamericano para la Seguridad Urbana y la Democracia, México, de 2002 a 2008. É professor assistente doutor junto ao Departamento de Sociologia e professor permanente junto ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia, dessa universidade. É membro, ainda, da Sociedade Brasileira de Sociologia. Tem experiência em projetos de extensão e de pesquisa na área de Sociologia, com ênfase em segurança urbana, e democracia, pesquisando, principalmente, os seguintes temas: violência e segurança urbana, juventude e prevenção de delitos, movimento de jovens, cidadania de crianças e jovens, redes sociais de prevenção de abuso e exploração sexual de meninas, crianças e adolescentes. É lider do Grupo de Pesquisa: Segurança Urbana, Juventude e Prevenção de Delitos do CNPq.
  • PAP0270 - Tese e ANTítese: a autoetnografia como proposta metodológica
    Resumo de PAP0270 - Tese e ANTítese: a autoetnografia como proposta metodológica PAP0270 - Tese e ANTítese: a autoetnografia como proposta metodológica
    • ARRUDA, José Pedro CV de ARRUDA, José Pedro
    • PAP0270 - Tese e ANTítese: a autoetnografia como proposta metodológica

      Todos os textos sociológicos procuram interpretar e dar sentido às relações sociais, integrando-as num determinado modelo explicativo ou tese. Estas teses são geralmente atribuídas a um ou vários autores e inseridas numa corrente ou escola, dando origem a uma teoria social. As teorias e os modelos interpretativos tendem a tornar-se impessoais e deslocalizados, à medida que vão sendo exportados e reutilizados por outros autores, acabando por se tornarem normativos e, de certa forma, herméticos. Dado que todas estas teorias são construídas a partir de um certo contexto sócio-histórico, torna-se muito difícil escapar ao etnocentrismo interpretativo, até porque o sociólogo está sempre situado e o seu posicionamento é irremediavelmente restritivo. O que pretendo aqui explorar é a possibilidade de libertar as análises sociológicas do etnocentrismo a partir do autocentrismo. A autoetnografia é um mecanismo metodológico que permite dar visibilidade aos variados aspetos e agentes (antítese) que ficam fora das teses e que são obscurecidos, mesmo tendo sido decisivos para a elaboração das mesmas. Associada à ANT (Teoria Ator-Rede ou Actor-Network Theory), a autoetnografia procurará focar-se nas redes de interações que levam o etnógrafo a escolher as suas metodologias, modelos analíticos e propostas teóricas. Procurando colocar todas os agentes num plano bidimensional não hierarquizado previamente (Bruno Latour) e seguindo os princípios do agnosticismo, simetria e associação livre (Michel Callon), a autoetnografia servirá para identificar tantos os atores humanos como não-humanos que se relacionam e se suportam mutuamente na elaboração de teses sociológicas. Esta metodologia de análise permitirá ainda localizar a produção de conhecimento, dando visibilidade ao contexto específico da sua construção, tanto do ponto de vista material como imaterial. Centrada mais no processo de produção do que no resultado final dos estudos sociológicos, a autoetnografia pretende também resgatar as emoções e as ideias prévias dos autores sobre o seu objeto de análise, dando ênfase às transformações conceptuais, emocionais e performativas que ocorrem durante a construção da sua tese.
  • Nota biográfica: José Pedro Arruda nasceu a 30 de Junho de 1982, em Riba de Ave, Vila Nova de Famalicão. Em 2006 concluiu a Licenciatura em Antropologia pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Em 2009, ingressou no Mestrado em Sociologia da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, que concluiu em 2011. Atualmente, frequenta o programa de Doutoramento em Sociologia da mesma Universidade, onde desenvolve um projeto de investigação sobre televisão, os mecanismos que a produzem e os seus impactos sociais na vida de todos os dias.
  • PAP0217 - Insiders and Outsiders: a autoetnografia como forma de investigação
    Resumo de PAP0217 - Insiders and Outsiders: a autoetnografia como forma de investigação 
    •  ANDRINGA, Diana CV - Não disponível 
    • PAP0217 - Insiders and Outsiders: a autoetnografia como forma de investigação

      GT Comunicação Social Insiders and Outsiders in the domain of knowledge, unite. You have nothing to lose but your claims. You have a. world of understanding to win. (Merton, 1972, p. 44) (Merton, 1972, p. 44) Passei, nos últimos anos, por uma estranha experiência: depois de mais de 30 anos de trabalho como jornalista, ao longo dos quais fui levada a reflectir intensamente sobre a minha profissão, decidi regressar à Universidade a fim de aprofundar essa reflexão com apoio do conhecimento científico. Conclui, com êxito, a parte curricular de um doutoramento em Sociologia e vi o meu projecto de dissertação aprovado. Mas, ao começar a minha investigação, deparei-me com um paradoxo: a minha observação como investigadora era claramente menos aprofundada que a que fizera enquanto elemento do campo e os resultados dos inquéritos que levei a cabo correspondiam mais à representação da profissão do que ao seu exercício. A minha memória parecia-me mais fiável do que os dados agora recolhidos. Mas, naturalmente, não tinha documentos de apoio a muitas das coisas que recordava e que não ocorreriam frente a um observador exterior. Ora da minha investigação fazia parte um conjunto de “histórias de vida” realizadas no contexto do projecto “Análise Sociológica do Jornalista Português” e isso levou-me a pensar que a minha própria “história de vida”, sujeita ao mesmo guião aplicado aos entrevistados, poderia ser também parte da investigação. Utilizado nos cultural studies, o método autoetnográfico não faz também sentido nos estudos profissionais, numa altura em que o aumento da esperança de vida está a levar de volta à universidade tantas pessoas que desenvolveram, antes, uma carreira profissional? E não será essa colaboração entre insiders e outsiders, como sugere Merton, positiva para o conhecimento?
  • PAP0051 - Viragem e ilusão biográficas. Estratégias metodológicas alternativas para abordar a reflexividade e a temporalidade
    Resumo de PAP0051 - Viragem e ilusão biográficas. Estratégias metodológicas alternativas para abordar a reflexividade e a temporalidade PAP0051 - Viragem e ilusão biográficas. Estratégias metodológicas alternativas para abordar a reflexividade e a temporalidade
    • NICO, Magda CV de NICO, Magda
    • PAP0051 - Viragem e ilusão biográficas. Estratégias metodológicas alternativas para abordar a reflexividade e a temporalidade

      A viragem narrativa (Chamberlayne et al.,2000), aliada à “sociedade da entrevista” (Atkinson e Silverman,1997) e à “filiação militante” à teoria da individualização (Nico, 2011), tem contribuído para que, por vezes, se ignorem as chamadas de atenção de Bourdieu (1993) quanto à “ilusão biográfica” e se substitua o objecto de estudo pelas entrevistas biográficas (Thompson, 2004), sendo estas reproduzidas literal mas entusiasticamente, como se na interacção entrevistador-entrevistado ou na “versão narrativa” dos informantes estivesse encapsulado todo o contexto social e temporal imprescindível à interpretação sociológica. Em suma, de um lado ideológico-científico, alguns cientistas sociais, por vezes na ânsia de “dar voz” aos entrevistados, perdem a sua. Por outro lado, prático-metodológico, a ilusão de ordem analítica facilitada pelos CAQDAS podem aliciar os investigadores a codificar em vez de analisar, procedendo posteriormente a uma “demonstração de conteúdo” ao invés de a uma “análise de conteúdo”. O alcance dos “métodos mistos” nesta matéria é ainda insuficiente. Estes tendem sobretudo a reunir diferentes estratégias metodológicas num mesmo processo de investigação (“dados mistos”), mas menos frequentemente a “misturar” concretamente métodos quantitativos e qualitativos numa mesma técnica de pesquisa (técnicas mistas). Numa pesquisa sobre transição para a vida adulta na perspectiva do curso de vida, procedeu-se à utilização de uma “técnica mista” alternativa: a combinação da entrevista de carácter biográfico (da tradição qualitativa) com os calendários de vida (da tradição quantitativa). As narrativas dos jovens foram, então, contagiadas pela organização temporal do calendário de vida ao mesmo tempo que este foi enriquecida pelas relações causais e afectivas associadas aos eventos de transição identificadas pelos jovens adultos (Nico, 2011). Tal estratégia permitiu evitar alguns dos problemas causados pela coerência narrativa que caracteriza a "ilusão biográfica".
  • Magda Nico, Investigadora de Pós Doutoramento do CIES - Instituto Universitário de Lisboa, actualmente a desenvolver um projecto sobre gerações, cursos de vida e mobilidade social.
    Autora da tese de doutoramento "Transição Biográfica Inacabada. Transições para a Vida Adulta na Europa e em Portugal na Perspectiva do Curso de Vida", desenvolvida no CIES-Institutito Universitário de Lisboa.
    Os principais interesses de investigação e temas de publicações são: Metodologias do Curso de Vida, Transições para a Vida Adulta e Mudança Social, Saída de casa dos pais, Gerações, Género e mais recentemente Mobilidade Social.