PAP0751 - Identidades profissionais no campo do trabalho social e a mudança de paradigma nas organizações do Terceiro Sector
Nesta comunicação, analisaremos a relação entre os recentes desenvolvimentos no campo profissional do trabalho social, analisando a evolução da respectiva formação superior, e o contexto organizacional do Terceiro Sector, na sua recente transformação. Quanto ao campo profissional, adoptamos a concepção francófona com base em Chopart, que se centra no conceito de intervenção social, entendido como o conjunto de actividades exercidas em contexto organizado que visem “pessoas ou públicos com dificuldade de integração social ou profissional numa perspectiva de ajuda, de assistência ou de controlo, de mediação ou de acções de animação ou de coordenação” (2003: 17 [itálico do autor].). Em detrimento da visão anglo-saxónica que inclui neste campo profissões da área da saúde, como os enfermeiros, pondo a tónica na satisfação das necessidades dos clientes no desenvolvimento da prática profissional (Abbot e Meerabeau, 1998).
Em Portugal, as profissões do trabalho social têm-se vindo a organizar internamente de forma fragmentada, em associações específicas a determinadas profissões, como assistentes sociais, educadores sociais, entre outros. Concomitantemente, assistimos a uma proliferação na oferta de formação superior nestes domínios. Das listagens de oferta formativa da DGES, seleccionamos 59 cursos de licenciatura ministrados nos vários tipos de ensino, entre os quais ressalta a formação em Serviço Social, com 26 cursos, em Educação Social, com 13 cursos, e em Animação Sociocultural, com 10 cursos (DGES, 2011). Entendendo o contexto organizacional como espaço de redefinição (Queirós, 1994:4) das práticas profissionais, escolhemos aqui o Terceiro Sector, pelo papel central que lhe é dado na literatura sobre inovação social e empreendedorismo social, associados à prossecução da mudança social que, em última análise, é também o propósito do trabalho social, na sua actual acepção (Carvalho, 2006).
Deste modo, equacionaremos de que forma as teorias da Inovação Social e do Empreendedorismo Social são basilares no entendimento do Terceiro Sector, enquanto campo em transformação, afectado pelas mudanças na política social e nas relações intersectoriais, e a nível interno, marcado pela emergência de orientações metodológicas estruturantes de uma intervenção mais integrada e sistemática, proporcionadas pela profissionalização da mão-de-obra (Ferreira, 2000). Ora, o desafio desta comunicação é o de apresentar a articulação entre duas dimensões fulcrais na concretização do trabalho social em Portugal, a saber, a formação e o contexto organizacional.