PAP0215 - Formação e Trabalho: o caso da Autoeuropa
Este estudo pretende contribuir para o
entendimento do potencial formativo de uma
grande empresa, através da metodologia do
estudo de caso organizacional. Com vista à
problematização em redor das relações
estratégicas entre formação e trabalho, o
estudo traça o retrato estrutural e cultural
da organização, procurando explicitar os
modelos e conceitos de organização do
trabalho, através da análise e caracterização
das relações entre o sistema de produção e os
dispositivos de formação da empresa.
A investigação parte de uma tese: a formação
em contexto profissional desempenha um papel
fundamental, não só no âmbito da formação
profissional contínua, mas também no campo da
educação de adultos, uma vez que as suas
componentes técnica, profissional e
comportamental intervêm no processo de
educação e, por inerência, de socialização ao
longo da vida.
Na sequência de uma relação prévia (externa,
mas continuada) da investigadora com a
empresa, foi estabelecido um protocolo de
colaboração com a investigadora e o Instituto
da Educação, viabilizando a metodologia de
trabalho escolhida, o estudo de caso, através
do qual se pretende fazer uma aproximação à
realidade formativa, sobretudo através da
observação in loco das acções internas de
formação do Centro de Treino da Produção. Este
Centro fundamenta-se na assunção de que é
preciso aproveitar as competências,
o “knowhow” dos trabalhadores da própria
empresa para garantir uma formação adequada
aos que ali trabalham, numa lógica contínua,
centralizadora e “de dentro para dentro”.
Assim, a metodologia de estudo visa “conhecer
por dentro” para fazer uma análise sobre a
relação dinâmica entre a formação e os
objectivos estratégicos da empresa, mas também
de que modo a relação formação/trabalho define
e caracteriza a empresa.
A problematização que se procura fazer passa
por observar as dinâmicas e lógicas dominantes
da formação, por reporte ao paradigma
dos “saberes da acção”, que cada vez mais se
instala nestes contextos formativos, através
de processos de transformação da experiência
em saber explícito e transferível, no reforço
da importância e da formatividade da
experiência e das situações de trabalho. As
grandes empresas sentem estas mudanças e
promovem-nas, entendendo que a sua capacidade
de adaptação e crescimento está refém da
capacidade de adaptação e crescimento da sua
massa humana, o que dependerá, em grande
parte, das estratégias de formação contínua
que a organização levar a cabo.