PAP0193 - Precariedade Laboral, Juventude e Contestação
O presente artigo tem como objetivo debater a questão da precarização/precariedade laboral, sua relação com a juventude e a contestação social criada a partir da crise econômica e política, que tem vindo a ser proporcionada no espaço do sistema político e econômico internacional recente. A composição desses três elementos se dá na capacidade de entender como essas contestações recentes que se espalharam por Portugal, pela Europa e a nível global –, estão marcadas tanto por formas de protesto convencionais, bem como por ocupações do espaço público. Essas manifestações tem se caracterizado pela presença massiva de jovens integrantes do “mundo do trabalho”, cuja situação laboral pode ser, tanto a da incerteza laboral quanto a de garantia dos direitos; ou como desempregados, ou estudantes que enfrentarão futuramente o mercado de trabalho, mas que, em sua generalidade, não desfrutam de uma entrada consolidada por completo no mercado de trabalho – seja em termos de garantias formais ou garantias reais. Em termos subjetivos, isso revela também a incerteza que é gerada quanto a inserção laboral, as expectativas e as experiências sobre o mercado de trabalho, que resultam em certas frustrações e decepções de abrangência geracional e de posicionamento na estrutura social. Assim, essa relação passa a compor não apenas as formas de precariedade laboral, bem como, integram os movimentos sociais – direta ou indiretamente – não apenas em suas requisições, mas também no panorama de perspectivas e críticas que esses movimentos sociais tem constituído à sociedade capitalista, às recentes crises econômicas e laborais e aos pacotes nacionais de austeridade. Procurarei debater as questões referentes não apenas ao caráter geracional de formação dos movimentos, mas também, de como essas críticas se estruturam numa relação de controle democrático do trabalho e na geração da precariedade laboral. Esta, que tem se tornado regra, afeta aos jovens: seja em relação a integração na esfera econômica laboral, em que o resultado é um crescente processo de precarização e uma precariedade laboral cada vez mais evidente, através dos empregos terceirizados, temporários e de baixa remuneração; bem como no âmbito de ação e representação política, que pode vir a se efetivar como práticas de contestação dessa representação. O caso de Portugal deverá ser tratado de forma a possibilitar a compreensão das especificidades da precariedade laboral e as recentes contestações sociais. Assim, os resultados esperados relacionam as diversas formas de precariedade laboral com a contestação social atual e a presença dos jovens procurando compor não apenas um quadro analítico mas também atualizar o debate sobre o tema.