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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012
Associação Portuguesa de Sociologia
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PAP0826 - Cultura Organizacional e Avaliação no Terceiro Sector

- LOPES, Mónica Catarina do Adro

PAP0826 - Cultura Organizacional e Avaliação no Terceiro Sector
É no enquadramento de europeização das estruturas nacionais e de governação multinível que se articulam os diversos atores (públicos, privados e não lucrativos) implicados na concepção, implementação e avaliação de políticas e programas/projetos de intervenção social no nosso país. A crescente importância da avaliação nas organizações do terceiro sector (OTS) resulta dos novos desafios que estas enfrentam e dos efeitos da sua nova relação com o Estado e outras entidades financiadoras. Num contexto de projetificação das políticas sociais, a avaliação surge como elemento indispensável na contratualização entre Estado e terceiro sector tendo em vista a implementação de programas sociais. Inerentemente associada ao controlo exercido pelas entidades de financiamento, a avaliação acaba frequentemente por ser vista como mera obrigação contratual a cumprir para prestar contas do financiamento recebido e não como um instrumento de aprendizagem, capacitação e mudança organizacional.
Nesta comunicação será feito um primeiro mapeamento da produção de conhecimento sobre avaliação nas organizações do terceiro sector, a nível nacional e internacional, e serão apresentados os primeiros resultados empíricos de um estudo conduzido pela autora no âmbito da sua dissertação de Doutoramento. Propõe-se discutir as pressões para o desenvolvimento de processos de avaliação nas OTS e suas especificidades, e conhecer as práticas de avaliação vigentes, compreendendo em que medida elas se têm vindo ou não a constituir em instrumentos de governação e gestão estratégica dessas organizações e perscrutando o papel que as entidades financiadoras ou tutelares desempenham na construção de processos de avaliação potenciadores da aprendizagem organizacional. Pretende-se testar até que ponto as fragilidades que caracterizam as OTS portuguesas – elevada dependência relativamente às entidades financiadoras, gestão imediatista, falta de recursos, etc. – fazem prevalecer modelos de avaliação tecnocráticos e não participativos, orientados para a prestação de contas ascendente a entidades financiadoras e agências reguladoras e obstaculizam a emergência de modelos de avaliação mais participativos e potenciadores da capacitação e desenvolvimento organizacional.
Mónica Lopes é Mestre em Sociologia pela Faculdade de Economia da
Universidade de Coimbra e frequenta, actualmente, o programa de
doutoramento em Sociologia pela mesma Faculdade. Enquanto
investigadora do Centro de Estudos Sociais (CES), tem participado em
diversos projectos de investigação/avaliação relacionados com
políticas e práticas de igualdade entre mulheres e homens,
responsabilidade social das organizações e organizações da sociedade
civil. Os seus interesses de investigação incluem avaliação de
políticas públicas, terceiro sector, políticas sociais e relações
sociais de sexo, políticas de conciliação trabalho/família, mercado de
trabalho e maternidade/paternidade.
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PAP0677 - CULTURAS ORGANIZACIONAIS: PISTAS PARA A APLICABILIDADE DO CONCEITO ÀS ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SECTOR
- MARTINHO, Ana Luisa

PAP0677 - CULTURAS ORGANIZACIONAIS: PISTAS PARA A APLICABILIDADE DO CONCEITO ÀS ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SECTOR
Esta comunicação tem por base uma dissertação de mestrado cujo enfoque central é a problemática da cultura organizacional das organizações do terceiro sector. O objecto de estudo é a análise da sua cultura organizacional, bem como a sua relação com as especificidades do sector.
A pertinência do objecto de estudo reside no facto do terceiro sector ser reconhecidamente um fenómeno secular, ao qual acresce a característica de ser universal, tendo expressão na quase totalidade dos países do mundo sob diferentes formas e designações. A relevância deste sector consiste na crescente importância que tem adquirido no Produto Interno Bruto dos diferentes países, no seu potencial como agente empregador e enquanto alternativa às formas organizacionais e gestionárias do sistema capitalista em vigor.
A temática também tem sido alvo de um interesse crescente por parte de diferentes organismos no seio da União Europeia desde os finais dos anos 80 do séc. XX, o que tem contribuído para o reconhecimento jurídico e político deste sector a nível europeu.
A metodologia utilizada baseou-se na participação-observação das organizações do terceiro sector com as quais a investigadora tem vindo a desenvolver um trabalho de intervenção directa. A análise empírica foi desenvolvida segundo as dimensões interna e externa dos valores e das práticas das organizações do terceiro sector. A dimensão externa revelou-se claramente mais valorizada pelas organizações em análise. Isto é particularmente aparente no contexto actual de grande fragmentação e ausência de representação política de alguns tipos de organizações, com repercussões negativas na afirmação externa dos seus interesses, designadamente os dos seus trabalhadores.
Mestre e licenciada em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Integra a equipa de investigação do projeto Empreendedorismo Social em Portugal do Instituto de Sociologia da FLUP. Formadora, consultora e avaliadora externa no âmbito de projetos de desenvolvimento organizacional para o terceiro sector.
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PAP0205 - Perfis de empreendedorismo social: pistas de reflexão a partir de organizações do terceiro sector nacionais

- PARENTE, Cristina

- LOPES, Alexandra
- MARCOS, Vanessa

PAP0205 - Perfis de empreendedorismo social: pistas de reflexão a partir de organizações do terceiro sector nacionais
A temática do empreendedorismo social emergiu
nos debates teóricos internacionais na década
de 90 do século XX, sendo alvo de uma
diversidade conceptual, alimentada quer pelos
contributos das abordagens anglo-saxónicas
quer das escolas que marcam o contexto europeu
e latino-americano.
Partindo dos contributos teóricos das
diferentes abordagens ao empreendedorismo
social, construímos um modelo analítico que
apresenta como variável independente os perfis
de empreendedorismo social em organizações do
terceiro sector em Portugal, retendo como
variáveis dependentes explicativas: os modelos
de gestão (financeiros, de pessoas e do
capital social) e os modelos de organização do
trabalho (controlo, delegação e níveis de
participação, coordenação do trabalho e
trabalho em equipa). Com o intuito de
identificar os perfis de empreendedorismo
social das organizações em análise assumimos
um conjunto de pressupostos teóricos
indicadores de uma tendência positiva para o
empreendedorismo social, a saber: i) aceder a
fontes de financiamento diversificadas e
alternativas aos fundos estatais; ii) promover
uma gestão integrada quer dos trabalhadores
remunerados quer dos seus voluntários; iii)
pautar-se por uma orientação estratégica e
actuar com ferramentas de planeamento que
comportem modelos participativos; iv) adoptar
modelos de controlo e de coordenação do
trabalho baseados no trabalho em equipa e na
delegação de responsabilidades.
A partir de uma metodologia de análise
extensiva observamos 89 organizações do
terceiro sector português, onde aplicamos um
inquérito por questionário aos respectivos
dirigentes entre Maio e Julho de 2011. As
informações recolhidas foram alvo de análise
multivariada combinatória, com recurso à
análise de clusters hierárquica (como técnica
exploratória) e a partir da análise preliminar
dos dados podemos enunciar duas conclusões
chave . A primeira é que as organizações do
terceiro sector tendem a manifestar uma
natureza híbrida dos perfis de
empreendedorismo social, não se encontrando
organizações que pontuem positivamente em
todos os indicadores seleccionados, ao
contrário do que acontece com 15 organizações
que não apresentam qualquer indicador de
empreendedorismo social. Em segundo lugar,
destacamos a predominância de perfis de
expressão moderada de empreendedorismo
económico (52), seguidas dos perfis com forte
expressão de empreendedorismo económico e
gestionários ou organizacional (22).
Cristina Parente
Socióloga, professora auxiliar com agregação na Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) e investigadora do Instituto de Sociologia da FLUP (IS-FLUP). Doutorada e licenciada em Sociologia, mestre em Políticas e Gestão de Recursos Humanos, vem exercendo desde 1990 funções de docência, orientação científica, responsabilidade executiva gestionária da secção de Formação e Educação Contínua e de Comunicação externa no DS-FLUP. Coordenou a linha de investigação Trabalho, Emprego, Profissões e Organizações (TEPO) - do IS-FLUP, onde desenvolve actividades quer como investigadora, quer como coordenadora e responsável científica de projectos sobre as temáticas da gestão de recursos humanos e da formação de adultos, da sociologia empresarial e da economia social. Desde 2010, que assume as funções de editora da nova série working papers (2º série) do IS-FLUP. Desenvolve actividades de formadora, de consultora metodológica e avaliadora de projectos de intervenção social e organizacional.
Vanessa Marcos
Doutoranda em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto sobre a problemática da sustentabilidade e profissionalização das ONGD portuguesas. Mestrado em Desenvolvimento e Relações Internacionais pela Universidade de Aalborg, Dinamarca, com estágio curricular em Moçambique e em Portugal, integrada numa ONGD nacional. Licenciatura em Relações Internacionais - ramo Cultural e Político pela Universidade do Minho. Efetuou um estágio profissional no Instituto de Estudos Estratégicos de Cracóvia, Polónia. Integrou projectos na área da Cooperação para o Desenvolvimento na Guiné-Bissau e em Direitos Humanos na Guatemala. Tem realizado formações gerais sobre voluntariado e voluntariado empresarial. Investigadora sobre empreendedorismo social pelo Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras/UP, em parceria com a Associação para o Empreendedorismo Social e a Sustentabilidade do Terceiro Sector (A3S) e o Dinamia-CET/ISCTE-IUL e financiado pela FCT.
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PAP0133 - Ideologia gerencialista e instabilidade no terceiro setor

- SALIMON, Mário Ibraim

PAP0133 - Ideologia gerencialista e instabilidade no terceiro setor
O terceiro setor, formado por organizações privadas de interesse público, cresce em tamanho e relevância no Brasil. Há uma ligação histórica dessas organizações com a benemerência, o humanismo e a luta por direitos. Entretanto, o crescimento dessa população organizacional tem gerado competição por recursos, com a consequente busca por sistemas e modelos gerenciais que possam viabilizar a sobrevivência de cada organização via vantagens comparativas associadas à eficácia, eficiência, efetividade e posicionamento de marca. Neste contexto, nota-se uma crescente adoção de modelos importados do segundo setor – privado de interesse privado. Entre os elementos importados, destacam-se modelos de gestão movidos pela ideologia gerencialista, orientada por uma racionalidade finalística e marcada por processos de hipercompetição, aceleração, quantofrenia e precarização das condições de trabalho. Também se investe no culto à excelência e na mobilização psíquica do sujeito como formas de se manipular a pessoa como recurso estratégico da organização. Tal ideologia conflita com a racionalidade substantiva, baseada em valores e ética, geralmente ligada à fundação e à manutenção de organizações do terceiro setor. Desenvolveu-se pesquisa qualitativa, baseada em entrevistas com profissionais do terceiro setor, para fazer emergir, por meio da análise de conteúdo e do discurso, a percepção dessas pessoas sobre o fenômeno em questão. Os resultados mostram que a ideologia gerencialista foi, pelo menos nos casos estudados, assimilada pelo trabalhador; que as relações de trabalho estão se precarizando em nome da rentabilidade financeira dos investimentos na organização; que as estratégias de defesa e adesão implicam sofrimento subjetivo e que há distanciamento crescente do terceiro setor de sua identidade histórica de esfera de agenciamento marcada por uma racionalidade substantiva.
Graduado em comunicação e mestrado em administração pela UnB, Mário Salimon trabalhou inicialmente como repórter e crítico de artes, música e cinema. Posteriormente, assumiu postos de coordenação e consultoria de comunicação em organismos internacionais e fundações como o UNICEF, UNESCO,IICA, UNDCP e AVINA. Em anos recentes, dedicou-se aos estudos relacionados à gestão da estratégia e ao gerencialismo no Terceiro Setor, além de manter suas carreiras de consultor, cinedocumentarista e compositor.
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PAP0055 - As Organizações Não-Governamentais na Lógica da Profissionalização Institucional

- MARQUES, Ana Paula

- MELO, Marina

PAP0055 - As Organizações Não-Governamentais na Lógica da Profissionalização Institucional
O presente trabalho
é baseado no
desenvolvimento da
tese de doutoramento
em sociologia
(UMinho-Portugal /
UFPE-Brasil) que
visa analisar quais
as consequências do
atual fluxo de
profissionalização
institucional das
ONGs para estas
entidades. Para
tanto, os objetivos
específicos que
circundam esta
dimensão são: 1.
Examinar como se
constroem as
divisões de
trabalho, a
especialização e a
busca por
profissionalização
dentro de diferentes
tipos de ONGs; 1.1
Verificar por quem e
como são definidas
as agendas das ONGs;
1.2 Examinar se
diferentes tipos de
ONGs tendem a compor
diferentes tipos de
profissionalização
nas entidades. 2.
Investigar as
perspectivas que os
agentes das ONGs e
seus financiadores
têm sobre o atual
processo de
profissionalização;
2.1. Analisar como
são construídas as
noções éticas sobre
a captação de
recursos para as
ONGs entre os
agentes atuantes
nessas organizações
e seus financiadores
e como tais noções
se manifestam no
cotidiano das
entidades; 3.
Verificar quais os
vínculos entre a
sustentabilidade
financeira e a
profissionalização
dessas organizações;
3.1. Investigar o
tipo de relação que
as ONGs mantêm com
os financiadores do
Estado, do Mercado e
do Terceiro Setor
(agências
internacionais etc)
e; 3.2. Analisar se
as relações com os
demais setores e o
modo de obter
sustentabilidade
financeira provocam
perda de autonomia
nas ONGs e o que
isto significa para
as instituições; o
que significa, em
termos práticos, uma
ONG considerar-se ou
ser considerada
autônoma. Nesta
investigação,
percebemos que o
mesmo problema
sociológico se dava
no Brasil e em
Portugal, ainda que
de maneiras e
escalas distintas, o
que nos fez propor
um estudo conjunto,
com subsídios
comparativos
complementares. Com
recurso aos
resultados
preliminares da
investigação em
andamento, em
particular a partir
das observações de
estudos de casos nos
dois países, pudemos
perceber elementos
que tendiam a se
tornar ocultos
quando nos centramos
exclusivamente em
realidades locais,
como o caso de um
recorte espacial que
considerasse apenas
Brasil ou Portugal.
Assim, pretendemos
contribuir para a
visibilização de
processos que
sustentam
proximidades e/ ou
especificidades que
se registam quando
se confrontam
realidades
sócio-históricas e
espaciais distintas.
Ana Paula Marques é Professora Associada com Agregação do Departamento de Sociologia e investigadora permanente do Centro de Investigação em Ciências Sociais (CICS) da Universidade do Minho. Doutorou-se, em 2003, em Sociologia – área de Organizações e Trabalho por esta universidade. Exerce funções de promotora e mentora científica do Spin-Off Laboratório MeIntegra e CICS – Universidade do Minho. Integra, do lado do Norte de Portugal, os Serviços de Estudos “Educação e Formação” do Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular Galiza-Norte de Portugal.
É autora e co-autora de vários artigos e livros, destacando-se nestes últimos Inserção Profissional de Graduados em Portugal. (Re)configurações teóricas e empíricas (2010), Estudo Prospectivo sobre Emprego e Formação na Administração Local (2009), Trajectórias Quebradas. A vivência do desemprego de longa Duração (2008), Administração Local. Políticas e práticas de formação (2008), Actores Intermédios da Orgânica Empresarial. O futuro do emprego, das competências e da formação (2007), Entre o diploma e o emprego. A inserção profissional de jovens engenheiros (2006) e Assimetrias de género e classe. O caso das empresas de Barcelos (2006).
Marina Félix de Melo é doutoranda em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Pernambuco, Brasil (Orientador: Prof. Dr. Breno Fontes / Co-orientador: Prof. Dr. Rogério Medeiros) e pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, Portugal (Orientadora: Profa. Dr. Ana Paula Marques). Com atual investigação sobre "A Profissionalização nas Organizações Não-Governamentais", possui tese de mestrado em Sociologia intitulada "A Missão das ONGs em um Terceiro Setor Profissionalizado" [2009] e licenciatura em Ciências Sociais [2006] com tema de investigação também focado nas ONGs. Para além das publicações na área do Terceiro Setor, é autora de demais artigos e comunicações na temática das Ciências Sociais, a exemplo da centralidade no trabalho, teoria da dádiva, relações raciais no Brasil etc.
Curriculum Lattes:
http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4596568H2